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Correntes

em busca do pensamento livre

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publicidade, anedotas e comícios

27.01.13

 

 

 

 

Sou de um tempo em que a publicidade interrompia os filmes e era um excesso e uma perda de tempo. Desenvolvi um mecanismo mental de rejeição que já nem decifro as mensagens, apesar de reconhecer que tenho perdido coisas muito boas.

 

Acontece-me o mesmo com as anedotas. Talvez a brejeirice machista ligada a esse fenómeno me tivesse irritado tanto que estimulei um bloqueio que nem os sorrisos amarelos disfarçam e que quem me conhece bem já desistiu do uso desse meio de socialização.

 

Nas manifestações acontece-me o mesmo com as intervenções vindas dos palanques, que são sempre ruidosas e com vozes à beira de um ataque de rouquidão.

 

Ontem, na manifestação, existiu mais um coro de berraria. Só mais tarde dei conta do racismo do líder da CGTP, que classificou de escurinho o representante do FMI. É grave e inadmissível. Não sei se o homem já se retratou. Deve pedir desculpa e demitir-se de seguida. A expressão é indesculpável. É o tipo de racismo que vem bem de dentro.

7 comentários

  • E até sou capaz de concordar, Lúcio.
  • Sem imagem de perfil

    Lúcio

    03.02.13

    Caro PGTP

    A propósito, permito-me sugerir-lhe a leitura da crónica de José Diogo Quintela no "Público" de hoje: corrosiva, lúcida, pedagógica - como quase sempre.
  • Já li, Caro Lúcio obrigado. Concordo com a adjectivação e acrescentaria o registo humorado. Apenas me parece que o politicamente incorrecto é que tomou o lugar do politicamente correcto. Estamos no vale tudo e relativizamos em excesso. Recorda-me o relativismo cultural.

    Neste caso, e em todos os outros em que se discriminam, temos de nos pôr no lugar do outro.

    Aconselho, já agora, a leitura do texto da página 34, sobre a universidade de harvard, em que se defendem as comunidades de aprendizagem com um primeiro critério: integridade.
  • Sem imagem de perfil

    Lúcio

    03.02.13

    "Neste caso, e em todos os outros em que se discriminam (...)"
    Pois, mas o problema está precisamente aqui: o Paulo jura a pés juntos que chamar "escurinho" a alguém (que, por acaso, tem pele preta) é discriminação. Eu penso que não. (...a menos que ter pele preta seja um defeito - suspeita justificada em quem tudo faz para omitir qualquer referência à pigmentação do maior órgão do corpo de alguém). Quando aceitarmos que ter pele preta é uma característica como qualquer outra (ser alto, baixo, gordo, branco, careca, magro, narigudo, bochechudo, novo, velho...) os engulos politicamente correctos em relação às alusões à cor da pele (o indicador mais óbvio de alguém) deixarão de fazer sentido. Quanto ao mais, mantenho: o sr. Arménio Carlos faz amiúde figura de idiota - no caso, por se ter assenhorado de um palanque que moralmente não lhe pertencia e por ter feito uma piada com os Reis Magos cujo valor simbólico manifestamente desconhece.
  • Espero que um dia venha a ser assim Lúcio.

    O racismo está ainda tão patente, e tem dilacerado tanto, que estamos longe da "naturalidade" que o Lúcio defende.

    Ainda é bem diferente do alto, magro, novo e talvez quase parecido com gordo e velho.

    Concordo com o conteúdo do comentário.
  • Concordo, mas "nunca juro a pés juntos", :) :) Obrigado :)
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