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Correntes

em busca do pensamento livre

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publicidade, anedotas e comícios

27.01.13

 

 

 

 

Sou de um tempo em que a publicidade interrompia os filmes e era um excesso e uma perda de tempo. Desenvolvi um mecanismo mental de rejeição que já nem decifro as mensagens, apesar de reconhecer que tenho perdido coisas muito boas.

 

Acontece-me o mesmo com as anedotas. Talvez a brejeirice machista ligada a esse fenómeno me tivesse irritado tanto que estimulei um bloqueio que nem os sorrisos amarelos disfarçam e que quem me conhece bem já desistiu do uso desse meio de socialização.

 

Nas manifestações acontece-me o mesmo com as intervenções vindas dos palanques, que são sempre ruidosas e com vozes à beira de um ataque de rouquidão.

 

Ontem, na manifestação, existiu mais um coro de berraria. Só mais tarde dei conta do racismo do líder da CGTP, que classificou de escurinho o representante do FMI. É grave e inadmissível. Não sei se o homem já se retratou. Deve pedir desculpa e demitir-se de seguida. A expressão é indesculpável. É o tipo de racismo que vem bem de dentro.

3 comentários

  • Ia responder ao teu primeiro comentário exactamente com a mesma interrogação: a sério?

    Francamente, Fernanda.

    Racismo que vem de dentro é uma espécie de eufemismo. Este racismo é profundo, não é aquela coisa cromática como a cor do cabelo ou dos olhos.

    Cresci numa sociedade dominada por racismos vários. Sei bem o que passavam os meus amigos que eram vítimas da coisa.

    Não conheço o homem da CGTP. Excedeu-se. Foi lá para as boas vindas e nunca mais se calava. Espalhou-se e deve assumir o erro.

    Foi grave e ponto final. Se fosse uma pessoa de direita a cometer um erro daqueles o que dirias?
  • Sem imagem de perfil

    Fernanda

    27.01.13

    Tal como tu, vivenciei racismo ao longo da minha vida.

    Primeiro, porque nasci em África; depois, porque conheci a África do Sul e o apartheid. Depois, porque estudei e observei.

    Chamavam-me "branca de 2ª", o que, francamente, nunca me causou qualquer trauma.

    O que acho estranho é não te teres referido a outras intervenções feitas na manifestação e tenhas retido a do "escurinho" do discurso do Arménio Carlos, que não conheces mas que não te coíbes de chamar de racista.

    É como ler a sequência do alinhamento das notícias de um qualquer Correio da Manhã.

    Se um gajo de direita chamasse escurinho a alguém?

    Qual era o problema, desde que não fosse daltonismo?

    Sabes o que é bem, bem pior?

    É chamarem-nos de piegas, preguiçosos, privilegiados, de pouco trabalhadores e de auferirmos grandes salários e reformas.

    Aí, Paulo, quando um governante desta direita diz isso a toda a hora, aí sai uma caralhada valente.

    "Cabrão deste copinho de leite!"

    Pá, Paulo, aí uma mulher não é de ferro!
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