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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

dos privados e dos rankings

10.12.12

 

 

 

 

 

Vi a abordagem de Marcelo Rebelo de Sousa à reportagem da TVI, "dinheiros públicos, vícios privados". O comentador foi curto e conciso e ficou chocado. Responsabilizou pessoas dos partidos que têm governado e disse uma coisa acertada e outra nem tanto: as cooperativas não são todas iguais e os rankings demonstram que algumas são óptimas.

 

É evidente que um qualquer Colégio de Nossa Senhora da Boavista (espero que não exista e escolhi uma zona favorecida da cidade do Porto) que limite vagas (nem pode ser doutra forma e é por isso que os suecos concluem da segregação social provocada pela escolha da escola) e receba alunos de famílias com posses financeiras e ambição escolar, ocupará os primeiros lugares de qualquer ranking feito com base nos resultados dos alunos. A tradição, a sociedade fraca que somos e o tempo farão com que o estatuto se perpetue.

 

Por mais que se diga que estes rankings colocam uma tripla responsabilidade nos alunos (pela sua avaliação até às décimas, pela do seu professor e pela da sua escola) e que deixam de fora as variáveis organizacionais da instituição (os programas que avaliam tudo isso são caros, exigentes e não convêm aos descomplexados competitivos), o bullshit usa-os e ponto final. Mais parece uma discussão futeboleira e que deveria ser imprópria entre professores. Este ano lá se integrou o nível socioeconómico como factor de ligeira ponderação, mas outras variáveis independentes fundamentais ficaram por incluir. Gostava de ver o pessoal dos "Colégios" pegarem numa escola TEIP, de um bairro mesmo difícil, e erguerem-na.

 

Desde cedo que se percebeu o projecto global da privatização-tout-court-do-sistema-escolar: edificar, também inconstitucionalmente, junto às escolas do Estado, atrair alunos que têm famílias que ajudam aos melhores resultados escolares, contratar professores em regime de amiguismo e com regras que favoreçam a precariedade, construir rankings com base nos resultados dos alunos, ter peões nas decisões da rede escolar e aumentar paulatinamente a fatia recebida do orçamento do Estado.

 


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