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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

uma quebra no silêncio do DN

09.12.12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O DN, vá lá saber-se porquê, tem tido uma agenda pró-privado-tout-court-no-sistema-escolar e ignorou a célebre reportagam da TVI, "dinheiros públicos, vívios privados". Ontem, um cronista conseguiu quebrar o silêncio.

 

 

 

"(...)No universo dos "contratos de associação" há seguramente bons exemplos de serviço ao interesse das comunidades locais, lá onde o Estado não cumpriu o seu dever de garantir o bem público que é a educação. Mas esta é uma história pejada de casos de iniciativa privada alimentada com dinheiros públicos e de cumplicidades entre privados e governantes que resultam em gestão danosa do erário público em benefício da busca de negócio lucrativo por interesses particulares.

Uma investigação jornalística da TVI revelou esta semana mais um caso com estes contornos. Em diversos concelhos da zona centro do país, há escolas básicas e secundárias com excelentes condições que estão a perder alunos, que têm menos turmas do que as que solicitam ao Ministério da Educação e que têm um número crescente de professores com horários zero. Pois bem, nesses mesmos concelhos, a uma distância irrisória das referidas escolas públicas, há colégios privados de um mesmo grupo, poderoso e influente, que recebem cada vez mais alunos - precisamente o mesmo número que saiu da escola pública... - por decisão da Direção Regional de Educação respectiva. Dir-se-á que a concorrência é assim mesmo: quem tem mais qualidade a oferecer é premiado pelo mercado. Pois desenganem-se: a qualidade logística e pedagógica dos colégios em ascensão fica a milhas da das escolas públicas em perda - há neles professores compelidos, sob ameaça de despedimento, a vincular-se a cargas horárias totalmente ilegais e a leccionar a um número de alunos inconcebível. Dir-se-á também que a iniciativa privada vai à luta, arrisca, conquista e paga por isso. Pois desenganem-se: os referidos colégios são financiados por contratos de associação com o Estado, que lhes paga 85 000 euros por cada turma de que resulta um total estimado em 25 milhões de euros pagos ao grupo empresarial seu proprietário.(...)"