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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

em que é que ficamos?

08.11.12

 

 

 

 

 

De acordo com o presidente da Siemens Portugal, a chanceler Merkel vem também em busca de 60.000 jovens engenheiros portugueses (o número parece que subiu para 100.000 e pode chegar aos 200.000) e vai começar por oferecer uns estágios. Ou seja, dá ideia que a poderosa Alemanha tem graves insuficiências no seu sistema escolar e espera-se que não seja por causa do algo desacreditado sistema dual precoce. A desistência associada ao pragmatismo paga-se sempre e a um preço elevado.

 

O referido presidente da Siemens está muito bem relacionado com o actual Governo e com a realidade alemã. Também o ouvi dissertar à volta das áreas estratégicas para o nosso país e que implicam um reforço do ensino superior.

 

Nos últimos tempos tem existido uma forte polémica a propósito das ideias sobre ensino dual ou vocacional do actual Governo e dos seus satélites. Já se percebeu que está, naturalmente, instalada a confusão: juntar membros do Tea Party com neoliberais, passando por social-democratas, descomplexados competitivos, adoradores de vento e maurrasianistas, não pode dar bom resultado.

 

E depois há sempre os bicos de pés que não resistem e lançam ruído. Quando se avancou com a ideia do dual aos 10 anos e depois aos 13 estragou-se a atmosfera. Quem conhece o terreno sabe que em Portugal há demasiados alunos nessas idades que necessitam de um currículo adaptado e que o nosso grande desafio está a montante da escola; na sociedade, portanto. Enquanto não atenuarmos o empobrecimento, o sistema escolar enfrentará ciclicamente os mesmos problemas. Precisamos de ter um olho no presente, mas não podemos suprimir o futuro. Quando um dos secretários de Estado da economia escreve o que pode ler a seguir é caso para perguntarmos: em que é que ficamos? A proposta portuguesa de ensino dual e vocacional é para o ensino secundário ou é também para os graus anteriores da escolaridade?

 

"(...)No âmbito do ensino e formação profissional de jovens, está a ser desenvolvido um investimento público muito significativo na aprendizagem dual. Esta via de ensino e formação, equivalente ao ensino secundário regular ou profissional, tem como grande ponto de diferenciação a relevância atribuída à formação prática em contexto de trabalho. Efetivamente, no âmbito dos cursos de aprendizagem, cerca de 40% do tempo de formação dos jovens é desenvolvido nas empresas, consolidando, complementando e aprofundando os conhecimentos de cariz socioculturais, científicos e tecnológicos adquiridos na dimensão mais académica da formação. Simultaneamente, este investimento permite às empresas conhecer e desenvolver melhor o potencial de cada formando, facilitando eventuais processos de recrutamento futuros e de integração através de um vínculo laboral aquando da conclusão da formação.(...)"

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