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Correntes

em busca do pensamento livre

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em busca do pensamento livre

memória em regime dual

04.11.12

 

 

 

 

 

A vida é curta é uma afirmação ainda mais acertada se pensarmos na "impossibilidade" de gravarmos na primeira linha todos os episódios e talvez isso origine outro fenómeno que nos desgosta vezes demais: a memória curta.

 

O regresso ao passado quando estamos desorientados nas políticas educativas é muitas vezes considerado um lugar seguro. Recorremos ao que julgamos conhecer e pomos de lado as circunstâncias em que ocorreu. Passa-se muito isso com a suspensão da democracia e com o desdém dos direitos adquiridos. A história devia remeter para o presente mental a dureza da conquista dos direitos. Se a linguagem conseguisse transmitir a dor histórica das lutas, a noção de equidade veria mais vezes a luz solar.

 

A ideia do ensino dual a partir dos treze anos, já teve adeptos a estabelecer o marco para os dez anos, é aplaudida pelo pragmatismo, mas pode ser perigosa.


Quantos de nós não estariam impedidos de aceder aos saberes civilizacionais que nos fizeram crescer como democracia se Portugal não tivesse questionado o ensino dual mesmo com todas as desvantagens que se podem apontar quarenta anos depois? Se ainda estamos com quase 30% de abandono escolar precoce e se a alfabetização ainda é, em termos históricos e geracionais, demasiado juvenil, há argumentos fortes para afirmarmos que provocaremos um retrocesso civilizacional.

 

Ter no sistema escolar saídas curriculares adaptadas para os casos de insucesso escolar repetido ou ensino profissional a sério, são medidas democráticas muito diferentes da generalização de um ensino dual como dá ideia que se pretende copiar do modelo alemão. Para além de tudo, era fundamental que soubéssemos como vamos recuperar a economia e em que áreas vamos apostar.


O que mais custa observar é que os defensores deste tipo de caminhos misturam-se com os que beneficiaram sem escrúpulos da privatização de lucros no ensino superior e que pretendem alargar a ganância aos outros graus de ensino. Esta última constatação tem uma importância dual: o desemprego em massa dos nossos jovens licenciados é usado com argumento forte para esta corrida desesperada em direcção ao modelo alemão e os mentores nunca poderão dizer que não foram avisados, mesmo com as limitações da memória.

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