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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

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café e cigarros

27.09.08

 

 

 

 

No meu regresso às salas do CCC dei com um filme surpreendente. São 11 quadros distintos, todos a preto e branco, mas com uma circunstância comum: à mesa do café juntam-se, sempre duas ou três pessoas, e bebem muito café e fumam muitos cigarros. Com um elenco de actores - muitas caras conhecidas - que muda sempre em em cada um dos 11 momentos, "café e cigarros" é um filme bem disposto com uma narrativa que tem tanto de inteligente e séria como de absurda e trivial. O absurdo é mesmo a impressão que se me evidenciou com mais frequência.

 

Sem ser nada de especial, é um filme que se vê.

 

Encontrei o seguinte texto de Eurico de Barros:

 

Publicado no Diário de Notícias a 10 de Junho de 2004. 

Cafeína, nicotina e conversa fiada 

Juntamente com Kurt Russell e Arnold Schwarzenegger, Jim Jarmusch deve ser um dos últimos fumadores descarados do cinema americano, como ficou demonstrado em «Blue in the Face», de Wayne Wang e Paul Auster, a continuação de «Smoke», onde se elogiava o prazer do tabaco, entre muita conversa fiada. 

Tabaco e conversa fiada, acompanhados por café - baldes de café - são o fio condutor de «Café e Cigarros», um conjunto de 12 sketches a preto e branco filmados entre 1986 e 2003 por Jim Jarmusch, tendo como comparsas nomes da música como Iggy Pop, Tom Waits e os Wu-Tang Clan, e do cinema como Bill Murray, Cate Blanchett ou Steve Coogan. 

É um filme dedicado às pessoas de meia dúzia de "bicas" e pelo menos dois maços de cigarros (ou um charuto, ou meia caixa de cigarrilhas) por dia, um panegírico da cafeína e da nicotina, com o aditivo da palheta. Os assuntos das conversas não se limitam ao fumo e ao café, que nalguns casos até são apenas adereços. Há ainda teorias da conspiração ligadas a Elvis Presley ou as vantagens de se se conhecer Spike Jonze. 

Muito ou pouco improvisados, os sketches são necessariamente desiguais, tal como o seriam os esboços do caderno de um desenhador. E um dos piores, curiosamente, é o de Iggy Pop e Tom Waits, tudo menos cool, como se poderia esperar. 

Os actores saem-se bastante melhor, nomeadamente Bill Murray, que se interpreta a si mesmo, num sketchcom os rappers GZA e RZA, como um tipo tão viciado em cafeína que arranjou um part-time de empregado de café para o poder beber à vontade - até directamente do pote. O humor de cara séria e a resvalar para ononsense de «Café e Cigarros» tem aqui a sua expressão maior. Murray vai entrar no novo filme de Jim Jarmusch, e a julgar por esta amostra, não podemos esperar para o ver pronto.

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