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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

fenómenos de supressão

20.09.08

 

 

 

 

 

O que vou escrever a seguir é para ser lido por pessoas que se dedicam ao estudo dos sistemas escolares. Se o meu caro leitor não está nessa condição, peço-lhe, desde já, as minhas desculpas. Mas pode ler na mesma, claro; até porque estes assuntos estão na moda e parece que interessam verdadeiramente a uma larga maioria de portugueses.

 

Dei, um dia destes, com um bombardeamento informativo à volta da descida, em Portugal, das taxas de insucesso escolar dos alunos dos ensinos básico e secundário.

 

Li e ouvi algumas opiniões; nem sempre concordantes, como é apanágio destes assuntos nas democracias muito mediatizadas.

 

Não encontrei nada de muito novo. Tentei, contudo, encontrar a minha explicação. Mais uma a juntar a tantas outras, só isso. E para não começar, neste início de ano escolar, a sofrer desde cedo com o sintoma de enjoo por infusão excessiva de ideias, debito-as já de modo sucinto e um pouco apressado.

 

Nos últimos anos, Portugal criou, em números nunca vistos, cursos de educação e formação para alunos dos 2ª e 3º ciclos do ensino básico e com outra designação para os estudantes do ensino secundário. Milhares de crianças e jovens passaram a frequentar esses cursos. E quem são esses jovens? Os filhos dos outros.

 

Ou seja, são jovens com muitas reprovações escolares e que, sem este tipo de frequência, eram atirados para a sociedade sem qualquer certificação e em idades muito baixas. Não vamos agora discutir a validade deste tipo de formação. Sabemos que é um mal menor e que tem utilidade. Também sabemos que as sociedades mais avançadas, detectam estas situações mais cedo - no pré-escolar e no 1º ciclo - e têm mecanismos de "prestação de contas" a nível local quando a rede falha. Entre nós não é assim. Ciclicamente recorremos a isto e, nos 2º e 3º ciclos, não vemos lá os filhos dos professores, dos médicos, dos políticos, dos juízes e por aí adiante. E vamos continuar a recorrer.

 

Ora façamos contas: esses cursos duram dois a três anos com uma taxa de insucesso residual e onde o abandono escolar é invisível; temos, por isso e como nunca, milhares de crianças e jovens que não entram na contabilidade do insucesso; e, claro, são estes mesmo alunos que nos anteriores engordavam as famigeradas taxas.

 

A ser assim, e sem se fazer absolutamente mais nada, encontramos uma boa razão para explicar uma acentuada baixa da taxa do insucesso escolar.

 

Para quê então tudo o resto? É apenas uma questão de falta de sentido de estado, ou é uma doença muito mais profunda?

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