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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

berço

26.10.15

 

 

 

 

 

Quando percebi que o actual MEC pensa em criar duas vias no final do 4º ano de escolaridade, para crianças com 10 anos idade, li-a como um requiem à esperança e um sério retrocesso civilizacional. Sabemos, e não ignoramos, a crise que atravessamos. Mas se associarmos este sinal ao que se tem passado com a estrutura curricular e com uma série de variáveis da organização do ano lectivo, concluímos que não só suspendemos a democracia como nos tornámos ingratos e regressámos ao berço-é-tudo.

 

Nos últimos anos têm sido raros os que se mostram convictos na defesa do nosso sistema escolar. Se os médicos têm indicadores que os consideram na vanguarda do profissionalismo, é bom que se sublinhe que foram formados no sistema escolar público. Se o CERN tem mais de uma centena de físicos de primeira água, é bom que se repita o sublinhado. Se tanto nos gabamos com a qualidade dos nossos cobiçados cérebros, não podemos fugir à verdade. Se ainda temos taxas de abandono escolar precoce que nos envergonham como sociedade, não temos outro remédio para além de continuar.

 

Mas não. O discurso da última década instituiu a ingratidão. Se não somos filhos de analfabetos, somos netos com toda a certeza. A democracia iluminou-nos, mas a ganância não é compatível com o conhecimento das humanidades e isso é trágico. Dos 1 a 2 por cento que se embriagam com o seu berço, só uma minoria coloca a democracia acima do egoísmo. Os sobrantes 98 a 99 por cento navegam como desesperados militantes em busca da entrada no pequeno elevador da oligarquia. A uns e a outros, a democracia pagará com lágrimas.

 

1ª edição em 25 de Julho de 2012.

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