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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

saturação

20.07.08

 

 

 

 

O Ministério da Educação português faz perder a paciência a qualquer um. Recebi mais um mail com a divulgação de despachos sobre a organização do próximo ano lectivo. Já nem tem classificação. Ainda se fosse nos meses de Outubro a Dezembro, como já escrevi tantas vezes e mais recentemente no post "proibido legislar", mas fazê-lo quando as escolas já têm, há muito, o seu trabalho de casa realizado, torna tudo muito mais tortuoso. E isto arrasta-se. São anos a fio neste ambiente de caos e de desorganização. Quem chega ao Ministério não pára de legislar a torto e a direito e, na esmagadora maioria das vezes, com um profundo desconhecimento da vida das escolas.

 

Com o advento da sociedade da informação e do conhecimento, as ideias emanadas do poder central tornam-se cada vez mais obsoletas: pretendem obter informação de um modo tão pouco moderno e profissional, que o seu descrédito acentua-se de um modo veloz e perigoso.

Desde aí, a coisa tem vindo a agravar-se. Está, nesta altura, como o preço do petróleo: no pico mais elevado. São inúmeras as vozes que advogam a implosão deste serviço centralizador e de má burocracia.

 

Ora leia apenas uma parte do mail. 

 

"Foi aprovado novo despacho sobre a organização das Áreas Curriculares Não Disciplinares (ACND). O despacho começa bem. Logo no início, refere que as ACND constituem espaços de autonomia curricular da escola e dos professores. O seu planeamento, regulação e avaliação devem ter em conta o contributo para a melhoria da qualidade das aprendizagens. Repare na contradição: por um lado, diz-se que as ACND são espaços de autonomia curricular da escola e dos professores; por outro, o despacho contradiz essa afirmação, apresentando um articulado em 18 pontos que especifica e fixa ao pormenor os conteúdos e os procedimentos a respeitar na aplicação das ACND. E, por fim, exige-se mais um relatório: 16. O trabalho desenvolvido em cada uma das áreas referidas no número anterior (Estudo Acompanhado, Àrea de Projecto e Formação Cívica) deve ser objecto de uma avaliação participada e formativa, no contexto da turma e, ainda, de uma avaliação global no final do ano lectivo, a realizar pelo conselho pedagógico, da qual deverá resultar um relatório, no qual deve constar:
a) Recursos mobilizados;
b) Modalidades adoptadas;
c) Resultados alcançados.
17. No final do ano lectivo, o director envia à Direcção Regional de Educação respectiva a avaliação global referida no ponto anterior".


Reparou no último parágrafo. Milhares de escolas a enviar relatórios em papel. E mesmo que fosse noutro suporte. Todos sabemos o que acontece àquela informação. Que grande falta de respeito. E o detalhe da linguagem?

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