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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

sem norte

18.06.12

 

 

 

 

 

Os tempos económicos e sociais sobreaquecidos que vivemos dão sinais de que o mundo ocidental entrou em declínio. Há mesmo quem situe o início das quedas numa tragédia ocorrida num ponto alto de segurança e estou a lembrar-me, nesse sentido simbólico, do derrube das torres gémeas em 2001.

 

Em paralelo com o aumento da segurança, e do bem-estar, fizeram escola dois discursos: o da ajuda dos países do norte aos do sul através do comércio livre e o da substituição do discurso das promessas (de 1950 a 1970 nos países ocidentais) pelo das incertezas (de 1970 em diante) no que concerne ao estado social, com Portugal meio baralhado no meio destas etapas.

 

Se se ler com atenção os dois polémicos parágrafos de textos da comissão europeia que publico de seguida,

 

 

LIVRO VERDE DA COMISSÃO EUROPEIA(UE):


“A responsabilidade social das empresas é, essencialmente, um conceito segundo o qual as empresas decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para uma ambiente mais limpo. (…) Através dela, é possível adoptar uma abordagem inclusiva do ponto de vista financeiro, comercial e social, conducente a uma estratégia a longo prazo que minimize os riscos decorrentes de incógnitas.”

(LIVRO VERDE, COM (2001) 366 final: p. 4,5)

 

COMUNICADO DA COMISSÃO EUROPEIA (UE)


“Por RSE (Responsabilidade Social das Empresas) entende-se um comportamento que as empresas adoptam voluntariamente e para além de prescrições legais, porque consideram ser do seu interesse a longo prazo; (…) Implica uma abordagem por parte das empresas que coloca no cerne das estratégias empresariais as expectativas de todas as partes envolvidas e o princípio de inovação e aperfeiçoamento contínuos.”

 

(COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO, COM (2002) 0347 final)

 

podemos concluir que o efeito que protege os Goldman Sachs deste mundo renasceu e com consequências imprevisíveis. A discussão anterior sobre as duas vias possíveis para os lucros das grandes empresas - filantropia ou impostos, defendendo, os da segunda solução, o melhor conhecimento dos governos das necessidades sociais - foi contornada por uma terceira via que se chamou desregulação da alta finança e offshores. Esta inovação originou uma inaudita transferência de recursos financeiros das classes média e baixa para a classe alta.
Neste momento, os governos ocidentais estão incapazes de publicar dispositivos legais que sabem apenas ser cumpridos pelas empresas do "seu" mundo e que gerariam ainda mais desemprego e mais falências em catadupa. Para além disso, vêem a banca europeia aprisionada. Em desespero de causa apelavam ao voluntarismo ético e agora nem isso resta.

(Já usei perte deste post noutra publicação)