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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

consequências essenciais

15.06.12

 

 

 

Penso que o actual ministro da Educação ainda insiste na ideia das disciplinas essenciais. Talvez o choque com a realidade, e com os números, tenha beliscado o achamento. Não esperava ouvir um discurso desse teor de forma tão ideológica, até porque a invenção da roda está distante e é seguro que sem a forma circular os solavancos aumentarão o atrito e a ineficácia.

 

A concentração nas essenciais determina mais horas curriculares e exames, para além de mais horas de formação, e tem sido assim nos últimos anos.

 

Um governante pode achar que faltam horas de ensino aqui ou ali para uma determinada aprendizagem e que quer examinar esses saberes muitas vezes. Mas quando enuncia publicamente que o seu achamento divide as disciplinas em mais e menos, dá um péssimo sinal à sociedade, a tal que não é forte, e acrescenta ruído no ensino das achadas não essenciais.

 

É pior se eliminar disciplinas não essenciais que têm décadas de existência no mundo conhecido, porque, e para além de outras variáveis importantes, arrasta com a decisão professores que prestaram provas públicas para assinarem contratos com o Estado.

 

Esses compromissos democráticos e constitucionais só serão interrompidos porque não foram desenhados pelos advogados, assessorados por diversos governantes, das PPP´s. Parece-me uma espécie de abuso do poder e de suspensão da democracia. E ninguém nos garante que o achamento se aguente por aí além.

 

Recordo-me da ministra Lurdes Rodrigues e do seu chefe Sócrates. Propalaram o achamento dos professores como não essenciais e teve o resultado que se sabe. Pode ser que este essencialismo um pouco atávico, convenhamos, tenha o mesmo efeito e o ministro lá ira à sua vida. O sistema escolar é que começa a ficar ligado à máquina com tanta iluminação, apesar de António Borges garantir que em 2013 as privatizações serão reforçadas e que o país será bom para recomeçar certos negócios porque o estado terá muitos euros em caixa. Lá saberá porque fala assim.

 

(Já usei parte deste texto noutro post)

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