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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

G8

20.05.12

 

 

Numa entrevista televisiva recente, Roman Prodi, e a propósito deste tipo de reuniões, afirmou a sua relativa desilusão com a sobreposição das questões de preferência pessoal em relação aos assuntos da política internacional e aos "altos" interesses dos Estados. Sinceramente, não me admirei. Os humanos têm as suas limitações e a história mostra-nos que raramente os interesses colectivos prevalecem e que as sociedades estão tão à mercê da imprevisibilidade caótica como a vida de cada um de nós.

 

É claro que os homens não são iguais e há os que conseguem fazer alguma diferença. Mas também me surpreendem relativamente os que se abespinham com a propalada mediocridade dos nossos governantes, como se estes não medrassem no meio de nós e não fossem o resultado do nosso desempenho colectivo.

 

Quando Joseph Stiglitz afirmou que a luta de classes, e a corrupção ao "estilo norte-americano", está presente, também não me surpreendi. É humano aspirar à "salvação": à pessoal e à dos seus. A escalada competitiva que construímos nas últimas décadas só podia resultar em fracturas sociais, porque a desregulação é tão utópica e inumana como as ideologias totalitárias e a corrupção encontra sempre o seu espaço de afirmação e de "legitimação". E a patologia gananciosa sonha em territórios conspirativos e alimenta-se da predação.

 

Quando olhei para a imagem lembrei-me de tudo isso e pensei como a fragilidade está sempre ao virar da primeira esquina. Os gregos estão no centro do furacão e estão dar uma luta inesperada. Como há um ano se evidenciou, não foi boa ideia que o Governo português se tenha considerado diferente do grego e o tempo lá dará o seu veredicto.

 

Só teremos uma réstia de esperança se a união europeia eliminar a fragmentação e não prescindir da democracia, a começar pelo respeito pelos resultados eleitorais e pela vontade da realização de referendos.