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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

à luz do candeeiro

22.04.12

 

 

 

 

 

Os austeritaristas (desculpem o neologismo, mas estou a pensar nos fanáticos da austeridade) remetem-nos para a história daquela pessoa que perdeu o porta-chaves e que o procura junto do candeeiro mais próximo. Interrogado sobre a certeza da perda ter ocorrido ali, o austeritarista diria que a sua escolha derivou do facto de ser o único sítio com luz. É. No nosso sistema escolar acontece o mesmo.

 

Por outro lado, e num tempo em que do futuro só podemos falar do minuto seguinte, seria curial mexer "com pinças" nas condições objectivas e maximizar a realização nas subjectivas.

 

Se a confiança nos professores, e destes na administração, foi dilacerada com o estatuto da carreira nos aspectos não financeiros, com a avaliação de desempenho também nas variáveis não financeiras e com o modelo de gestão escolar na quebra da origem democrática das escolhas que geravam cooperação e mobilização, não me parece razoável que se termine com uma disciplina curricular apenas porque se acha que se tem de aumentar a carga horária noutras mesmo que se suspeite que será mais do mesmo. Altera-se radicalmente o objectivo e ignora-se o subjectivo.

 

Reparem que não me estou a referir à eliminação das áreas curriculares não disciplinares. Mesmo à luz do candeeiro, seria elementar que se respeitassem as pessoas que andaram anos a estudar, que correram o país em concursos públicos à procura de uma colocação e que vêem terminar a sua disciplina porque alguém, mesmo que sem evidências empíricas, achou que teria de ser assim. Para além de tudo, não há também qualquer evidência que nos diga que os alunos beneficiam com este modo de googlar os porta-chaves.

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