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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

extremos que se tocam?

21.04.12

 

 

 

A sensatez e o equilíbrio (não confundir com ausência de capacidade de decisão, com falta de determinação ou de coragem) são as virtudes mais difíceis de conseguir e, por incrível que possa parecer, são as menos valorizadas pela opinião publicada e pelos comentários que preencheram as "redes sociais" ao longo dos tempos. Em regra, só sentimos a falta dos dois atributos, e a exemplo da democracia, quando os perdemos. Até lá, são politicamente incorrectos.

 

Vem isto a propósito dos (des)governos com muita austeridade ou com demasiado investimento público (ambos aumentam a corrupção). E lembrei-me do actual ministro das finanças e do anterior primeiro-ministro. São os opostos (em termos pessoais - imagino, claro -, profissionais, académicos e por aí fora) e praticamente desconhecidos até ocuparem os citados cargos (sei que com Sócrates não era tanto assim). Beneficiaram, no início dos seus mandatos, de um consenso venerador por parte do mainstream que lhes atribuiu uma espécie de livre-de-trânsito-para-o-impensado.

 

No caso de Vitor Gaspar, que mais parece um tecnopolítico, nem adianta avançar com o rótulo do aluno brilhante em economia. Um "qualquer" Paul Krugman nos dirá que os economistas falharam em toda a linha e que, portanto, a ausência de humildade é ainda mais inadmissível. O que agrava a situação é a ideia de que os políticos do mesmo Governo são fraquíssimos, que estão desorientados com umas palas ideológicas que lhes tinham montado e que o ministro das finanças conduz livremente. Suspeita-se que para o mesmo lugar do extremo oposto.

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