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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

daqui a 200 anos

16.04.12

 

 

 

 

 

Como não recebia o sms a anunciar a chegada do livro de Gilles Châtelet, resolvi passar pela livraria. Os jovens livreiros, que são inexcedíveis em simpatia e profissionalismo, desfizeram-se em desculpas: o livro já tinha chegado e a mensagem seguiu um destino errado.

 

Estava com o pensamento à volta da absolutização do presente, e com a ausência de futuro que caracteriza a actualidade, e pensava no modo como as civilizações recorreram a estudos prospectivos que tantas vezes se confundiram com profecias. É inegável que a segurança com o futuro está, como nunca, no domínio da incerteza e que a maioria das previsões recebem olhares de insustentabilidade.

 

Tinha o meu cérebro nesse registo, e enquanto pagava o livro, ouço alguém enunciar: "daqui a duzentos anos não haverá escolas". Olhei para o o jovem que me atendia, e que me conhece alguma coisa, e perguntei-lhe: "A Maria de Lurdes Rodrigues mantém o registo feiticeiro, mas agora no género masculino?" O jovem conteve o riso e anunciou: "É o Miguel Real."

 

Achei piada e fiquei por ali os quinze minutos restantes da conferência. Percebi que os poucos ouvintes que debatiam com o escritor não gostaram da citada profecia e afirmavam-no com veemência.

 

Concluí que ainda não voltou a ser o tempo dos feiticeiros da totalidade. Até quando?