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Correntes

em busca do pensamento livre

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classe média e corrupção

22.03.12

 

 

 

Uma classe média forte e numerosa é o primeiro atributo de uma sociedade democrática, justa e livre. A História mostra-nos, de forma inequívoca, que isso não se consegue em ditaduras originárias da direita ou da esquerda. Também sabemos que nas democracias existem forças desses extremos que desejam reduzir as classes médias através da sua proletarização, enquanto vão criando oligarquias que se tentam perpetuar no poder e beneficiar de fundos financeiros através de processos não transparentes. Por vezes, a dificuldade está na sua identificação.

 

Só existem problemas de transparência quando há algo que tem de ser escondido. É simples e linear. Pode ser através da não publicação da vida financeira das organizações ou através da construção de contratos labirínticos e "blindados" de forma a favorecerem interesses corruptos.

 

Quando olhamos para o que escrevi e pensamos em Portugal, identificamos, de imediato e à esquerda, quem se situe nesse extremo. E à direita? Onde estão? Qual é a força política que absorve esse extremo? O problema estará, certamente, na sua identificação.

 

Há outro detalhe fundamental: uma classe média forte, numerosa e historicamente consolidada não facilita a vida à corrupção pelos motivos mais óbvios. Se é esse o desafio histórico de Portugal - acreditando que conseguiremos copiar outras sociedades -, consolidar uma classe média que se veja, estamos a atravessar uma crise profunda.

 

Impressionam-me os que, fazendo parte da frágil classe média, se apressam a fazer um jogo que só se percebe à luz do extremismo ideológico: não escrevem uma virgula sobre PPPs, BPNs, e afins e passam o tempo a defender os recuos nos salários, no estado social e por aí fora, sem, ao que se julga saber, usufruírem de benesses ilimitadas para as próximas três ou quatro gerações ou de presenças em Conselhos Gerais tipo EDP (escolhi estes critérios porque, em norma, também dizem que todo o homem tem um preço). Será apenas o resultado de uma educação viciada na vénia e na bajulice ou há factores de personalidade que não os deixam fugir da imagem que colei?

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