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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

não me parece sensato que se riam com esta greve

22.03.12

 

 

 

Ouvi, ontem, um argumento recorrente: fazer greve é uma falta de respeito pelos desempregados. Estes especialistas em anestesias são os mesmos que noutras alturas afirmam que os desempregados não gostam de trabalhar e que são uns preguiçosos.

 

Esta greve é importante e nem sei se quem a convocou equacionou todas as consequências. Têm sempre o argumento de que os tempos são imprevisíveis e têm razão, embora em 2011 tenha acontecido algo parecido. O Governo estava tão manietado (era tão conivente como o actual, embora, quer num quer noutro, existam remadores contra a maré) pelos contratos leoninos e "blindados" estabelecidos com que as delapidadoras PPPs, BPNs e Madeiras, que para pagar os juros astronómicos teve de se socorrer dos cortes nos salários da função publica, da redução nas prestações sociais, do aumento dos impostos e da subida exponencial do desemprego. O debate actual é esse e começa a evidenciar-se uma mistura de medo e de desespero com o afundamento da economia.

 

Voltemos a 2011. Numa greve ou manifestação parecida com a de hoje, a adesão não foi grande coisa pelos motivos meio esquizofrénicos que deixam a sorrir os tais PPPs (desculpem escrever assim, mas é só para abreviar e penso que se entende). As pessoas já conheciam o estado do país e ficaram com uma sensação de pessimismo, de revolta com tanta injustiça e ganância e de-que-não-há-nada-a-fazer. E isso é demasiado perigoso, como se sabe (e "encomendar" a salvação à CGTP e ao PCP é datado e já não funciona). Foi daí que nasceu o movimento dos indignados que, em Março de 2011, aterrorizou o mainstream e levou à queda inapelável de Sócrates.

 

Os próximos tempos prometem aquecer, penso que ninguém se deve ficar a rir nem dizer que não foi avisado. Não basta propalar com a responsabilidade criminal futura para o género predador, é importante tratar do passado.

3 comentários

  • Concordo Paulo. 100% de doentes :) O único gralhador que te supera devo ser eu :)

    Também me informam de escolas sem aulas em que os grevistas foram, por esmagadora maioria, assistentes operacionais contratados, precários e com ameaças de retaliação.

    Força aí. Os motivos para descrer são sempre os mesmos e que também nos podem levar a crer :)
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    Rita Ramos

    22.03.12

    Paulos civilizados e inteligentes até quando decidem de maneira diferente. É a causa que me faz seguir-vos e admiro a coerência, coragem e lucidez. Bem hajam.
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