Em busca do pensamento livre.
Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

 

 

 

 

 

Ouvi, e vi, o médico Sobrinho Simões na pele de senador da República. Mostrou-se favorável à prestação de contas das direcções escolares em relação às comunidades educativas através da avaliação dos directores pelo conselhos gerais. O seu discurso estava num tal nível bem-pensante e irrefutável que levou a entrevistadora ao recurso inevitável: as corporações, como no passado recente, é que complicam.

 

Mas eis que tiveram uma espécie de rebate de consciência: é preciso que os modelos sejam aplicáveis, disseram quase em uníssono. Sobrinho Simões mudou de tom e começou a explicar a impossibilidade de medir o acto médico e a inexequibilidade e a brutal injustiça do modelo de avaliação em curso. Foi pena que o tempo mediático o interrompesse.

 

Não sei o que se passa nos conselhos gerais das universidades, dos hospitais ou da EDP. Sei que nas escolas dos ensinos básico e secundário a avaliação dos directores começou por ficar a cargo dos directores regionais. Uma coisa insana, como se previa. Pontuar anualmente centenas de gestores escolares é uma tarefa para inumanos. Caiu sem apelo.

 

O que agora se achou é de outra dimensão. Os conselhos gerais das escolas têm cerca de 50% (menos um bocado) de membros com vínculo à instituição (docentes e não docentes) que serão avaliados pelo director e que depois o avaliam. Vai ser bonito e bem lusitano. Os restantes membros são desvinculados, podem abandonar o cargo quando bem lhes apetecer, não têm de evidenciar formação especializada, não prestam contas, mas avaliam. É a tal dimensão, desta vez potenciada à quinta e talvez inspirada no sempre presente Quinto Império.



publicado por paulo prudêncio às 19:41 | link do post | comentar | partilhar

4 comentários:
De ramos silva pereira a 23 de Fevereiro de 2012 às 23:06
claro


De Isabel Henriques a 24 de Fevereiro de 2012 às 19:20
Porque os conselhos gerais, na sua génese, verdade seja dita, "atrapalham" o funcionamento das escolas. Não se aceita mas compreendesse, a necessidade de atribuir uma forma-função que, aparentemente, valorize, o que é um desperdício.




De Docente anónimo a 27 de Fevereiro de 2012 às 00:03
Anónimo Epiteto
Na minha escola nem deram a avaliação a todos os docentes, os críticos ficaram de fora e todas estas votações são entregues na direção em mão, o diretor usa e abusa de uma prepotência encapotada pensa ele, ai cabecinha pensadora.... existem ali conivências com os seus “capatazes” começando pelo chefe de pessoal que tem segredos que submete o diretor, até gritando com ele em alto e bom som, e que por isso também tem um lugar vitalício dando ordens a vários docentes sobre o que devem ou não fazer, impensável só na republica das bananas situada num recanto da zona histórica oestina. Mas há mais o sr.diretor que por sua vez coloca coordenadores ignorantes, maus e submissos que servem para fazer as necessárias intriguices, as cabalas, e maltratar professores aproveitando-se das avaliações para abater quem faz frente e não se submete nem se cala, e como não bastasse, o coitado com medo de ver o seu poleiro fugir até foi a correr mudar do cor do rosa para o laranja para a promiscuidade ser maior, mas se o Presidente da Câmara que é de outra geração, soubesse o que se passa nos tãos seus queridos complexos, até bradava e já tinha feito ali a sua revolução inovadora, científica e qualitativa. Mas os podres das escolas senão os denunciarmos ficam bem escondidinhos debaixo da mesa mas com o rabinho de fora e mais tarde descobre-se ciência oculta : funcionários que saíram por serem perseguidos, docentes que detestaram trabalhar neste agrupamento e o querem ver bem ao longe, ameaças a docentes que discordem, afinal os que resistem não se sentem assim tão sós acabam é por serem humilhados pelos tão queridos ignorantes coordenadoresinhos, de tão rigorosas avaliações como nos querem fazer entender, mas como de asnos não temos nada porque até esses são inteligentes e amigos do homem, o melhor é pôr a cru o que se passa pelas nossas escolas e deixarmos de ter medos e receios, então não há já grandes revoluções pela net, que deitam abaixo ditadores? mais fácil decerto será depôr um cretino dum diretor, matarroano, sem escrúpulos, nem miolinhos para ser gestor e os seus pequeninos capatazesinhos que até tremem de submissão e de sorrisos hipócritas. Abaixo esta linhagem já com raízes podres debaixo das suas cadeiras porque os seus mandatos foram colados com cola-tudo, esquecem-se é que esta às vezes também quebra. Viva a era da mudança, essa dá-se quando nós quisermos e a nossa inteligencia e criatividade têm que servir como estratégia. Viva a união que dizem que faz a força, somos muitos a pensar da mesma forma, só que alguns não se comungam perante a penitência, como nós soldados bravos pela Paz e o Bem Estar nas Escolas Portuguesas que não podem continuar eternamente a serem feudos destes déspotas diretores, esquecem-se que um dias, as suas tão esmeradas estátuas podem-se igualar à de Saddam Hussain.



De paulo prudêncio a 27 de Fevereiro de 2012 às 21:57
Até arrepia.


comentar post

Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
arquivo
comentários recentes
Nem mais. Aliás, Lurdes Rodrigues iniciou a transf...
O exercício da profissão de professor, não só em P...
e então as dezenas de páginas de documentos dos co...
E um grande estimulante a atingir esse estado da c...
Enfim. Isto chegou a um ponto tal que tudo pode, r...
falha 'conveniente' para quem não quer ser incomod...
São tempos muito diferentes. Também verifico isso,...
subscrever feeds
mais sobre mim
Por precaução
https://www.createspace.com/5386516
ligações
blog participante - Educaá∆o - correntes .jpg
tags

antero

avaliação do desempenho

bancarrota

blogues

campanhas eleitorais

cartoon

circunstâncias pessoais

coisas tontas

concursos de professores

contributos

corrupção

crise da democracia

crise da europa

crise financeira

desenhos

direitos

economia

educação

escolas em luta

estatuto da carreira

falta de pachorra

filosofia

fotografia

gestão escolar

história

humor

ideias

literatura

luís afonso

movimentos independentes

música

paulo guinote

política

política educativa

professores contratados

público-privado

queda de crato

rede escolar

ultraliberais

vídeos

todas as tags

favoritos

bloco da precaução

pensar o sistema escolar ...

escolas sem oxigénio

e lembrei-me de kafka

as minhas calças brancas ...

as minhas calças brancas ...

reformas e remédios (1) -...

sua excelência e os númer...

posts mais comentados
Razões de uma candidatura
https://www.createspace.com/5387676