Em busca do pensamento livre.
Domingo, 12 de Fevereiro de 2012

 

 

 

 

A proposta do governo de alteração do modelo de gestão escolar está construída com base num dualismo que não se circunscreve às pessoas que reflectem sistematicamente sobre o assunto. Jornalistas, comentadores e por aí fora assumem com frequência posições favoráveis às dos últimos governos, o que me leva a colocar a interrogação: não sabem do que estão a falar ou são preconceituosos em relação aos professores e à escola? Tenho a sensação que esse mundo está mudar.

 

E quais são as tais posições dualistas?

 

Os que defendem o actual modelo, e o seu aprofundamento, consideram-se avançados, modernos, não despesistas, defensores de exercícios unipessoais e contrários à ideia de poder democrático da escola exercido maioritariamente por professores. Sem qualquer demagogia, podemos afirmar que uma boa parte desses pensadores estão associados às ideias e práticas que nos empurraram para onde estamos.

 

Os que se posicionam de forma crítica em relação ao modelo, são defensores da livre escolha da natureza do órgão de gestão, pretendem que as lideranças se legitimem pelo sufrágio directo e universal e advogam que a confiança nos professores, e a sua autoridade, começa no exercício do poder democrático da escola.

 

A crónica de ontem de Pacheco Pereira no Público, aconselho a leitura integral, encaixa respectivamente nos grupos referidos e começa e termina assim:

 

"Há dias, no programa Prós e Contras, um conselheiro de "empreendedorismo" teorizava, de forma prosélta e desenvolta, sobre as más escolhas de "projecto de vida" que justificariam muito do desemprego actual. Era evidente pela conversa, que existia uma espécie de culpa individual em se estar desempregado. Pelo meio, perguntou, com evidente escárnio, a um desempregado se este tinha tirado o curso de História, uma imprevidência para quem quer ter um emprego. Não tenho dúvida de que quem formulava esta pergunta fazia parte de um dos lados do novo binómio da luta de classes descrito por Passos Coelho, o dos "descomplexados competitivos". O curso de História, se tivesse feito parte do currículo do desempregado, colocá-lo-ia de imediato na categoria de "preguiçoso autocentrado", antiquado e inútil, "piegas" e queixoso, a quem é preciso dar um abanão de pobreza a ver se se torna "competitivo". Estamos perante uma nova forma de luta de classes: a que opõe "descomplexados competitivos" a "preguiçosos autocentrados". Pelos vistos, uma característica destes últimos é que se interessam por história. (...)

Esse momento ainda não se deu, e os papagaios do "pensamento único" repetem este discurso sem pararem para pensar. Ou sequer para ler alguma coisa de História, mesmo com o risco de se tornarem "preguiçosos autoconcentrados"."



publicado por paulo prudêncio às 10:00 | link do post | comentar | partilhar

13 comentários:
De Miguel Pinto a 12 de Fevereiro de 2012 às 13:12
É isso mesmo, Paulo. Partilhei. Abraço.


De paulo prudêncio a 12 de Fevereiro de 2012 às 16:52
Obrigado Miguel. Abraço tb.


De Rodrigues a 12 de Fevereiro de 2012 às 14:02
Perfeito.


De paulo prudêncio a 12 de Fevereiro de 2012 às 16:52


De Isabel a 12 de Fevereiro de 2012 às 15:24
Olá Paulo!
E já leste as propostas de alteração que nada alteram? Mas nada.
Até se torna ridícula. Os coordenadores de departamento são eleitos, mas depois de o director indicar 3 nomes. Ainda não consegui parar de rir. Outra: o diretor é avaliado pelo CG (q o pôs lá!). Neste momento já estou no chão, a rir.
O Correio da Manhã tem em letras garrafais: "Crato propõe tirar poderes a directores". LOL LOL LOl. Lá dentro, na pág. 18, a legenda diz: Nuno Crato mantém o essencial do modelo de gestão. A fantochada continua.


De paulo prudêncio a 12 de Fevereiro de 2012 às 16:53
Olá Isabel.

Não leste o post anterior.


De Isabel a 12 de Fevereiro de 2012 às 17:35

Então não é que não tinha mesmo! Não é costume....
Bjo


De paulo prudêncio a 12 de Fevereiro de 2012 às 19:16


De Olhoatento a 12 de Fevereiro de 2012 às 16:07
Fantochada bem descrita em "bem, sejamos sinceros, sabemos como é formado o conselho geral: quase 50% são da escola, ou seja, estão sob a tutela disciplinar do sr. diretor; logo, são facilmente manipulados, até porque sabem que a vida não está fácil; dos restantes elementos da comunidade, tenho dúvidas que estejam presentes mais de 50% nas reuniões;logo, a maioria continua a ser de dentro. Sinceramente: uma direção que não seja reconhecida pelos de “dentro” pelas suas competências, não vai a lado nenhum. Quer dizer, pode ir mas apenas pela sua prepotência. Sinceramente, o diretor deveria ser eleito por todos e não apenas por uma minoria que, sabemos,pode facilmente ser manipulável. Os cargos intermédios também deveriam ser por eleição. Se até o governo tem que ir a eleições e são abertas a todos…"


De paulo prudêncio a 12 de Fevereiro de 2012 às 16:53


De Kaos a 12 de Fevereiro de 2012 às 16:22
Muito bom. Vale a pena passar por aqui.


De paulo prudêncio a 12 de Fevereiro de 2012 às 16:53
Obrigado Kaos


De ramos silva pereira a 12 de Fevereiro de 2012 às 19:01
perfeito


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