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Correntes

em busca do pensamento livre

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união nacional

15.08.15

 

 

1ª edição em 11 de Janeiro de 2012.

 

 

 

Peso bem o que escrevo e recebi alguns emails a propósito deste post onde escrevi que "(...) mesmo entre nós, e no caso do sistema escolar, o arco-governativo não descansou enquanto não eliminou o poder democrático das escolas substituindo-o por uma amálgama com o pior do PREC e da ditadura de Salazar. (...)". Dizem-me que posso estar a exagerar na preocupação com o regresso a um passado que parecia arredado da possibilidade histórica e do futuro.

 

Se fizermos um exercício de memória, saberemos que no período que antecedeu o 25 de Abril de 1974 os directores das escolas eram nomeados pelo poder central e que a dificuldade no conhecimento das personagens no mais recôndito dos lugares era superada pela informação do partido único do regime: a União Nacional. A escolha que as graças determinassem recebia o mandato e a não limitação temporal do seu exercício.

 

Os mais distraídos devem saber que muitos dirigentes dos partidos que nos vão governando defendiam, e defendem, a nomeação pelo poder central dos directores escolares, após auscultação das estruturas locais do respectivo partido político, e que só se depositou a sua eleição nos actuais Conselhos Gerais porque o critério obedeceu à lógica experimentada pelo PREC (os extremos tocam-se), onde as populações se apropriaram do poder das instituições do estado numa prática que se revelou desqualificada e promotora da ausência de profissionalidade e de prestação de contas. Foi assim e já só estamos a um passo da plena realização.

 

No período que antecedeu a revolução dos cravos, a esmagadora maioria dos professores não pertencia aos quadros e não progredia na carreira. Os que conseguiam uma posição mais profissional ou obedeciam aos ditames do regime ou eram empurrados para uma situação censurada e de exclusão vinculativa. 

 

Existia uma obsessão com os denominados saberes essenciais. Esse empobrecimento civilizacional foi contrariado anos depois do 25 de Abril de 1974 e permitiu à sociedade portuguesa uma cavalgada impressionante na aproximação à sociedade da informação e do conhecimento que se veio a estabelecer.

 

Perante os factos, e podiam ser muitos mais, convenço-me que temos razões para temermos uma regressão civilizacional que abalará os alicerces da democracia. Se o argumento decisivo é a redução da despesa, importa questionar, como, de algum modo, se fez na altura, a razão que leva a neo-União-Nacional a não prescindir do desvario na gestão de fundações, de PPP´s ou da administração local. É que, e continuando a fazer paralelismos, não se percebe o que queremos quando afirmamos que o sistema escolar é uma prioridade nacional.

 

2 comentários

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    Anónimo

    13.01.12

    Para os mais novos que não sentiram na pele esses tempos, um pouco de história sobre o "Estado Novo" não faz mal...

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    O ESTADO NOVO
    Ant�nio de Oliveira Salazar tornou-se Presidente do Conselho em 1932, tendo no ano seguinte apresentado uma nova Constitui��o , que p �s fim � Ditadura Militar, e instaurando o regime a que a propaganda oficial chamou Estado Novo. Apesar de possuir algumas caracter�sticas semelhantes ao fascismo italiano de Benito Mussolini, o Estado Novo nunca se assumiu como sendo fascista.

    Eis algumas das caracter�sticas e orienta��es fundamentais do Estado Novo portugu �s :

    - Foi criado um partido pol�tico oficial, a Uni�o Nacional, que transmitia o esp�rito da Na��o ", enquanto que a oposi��o era duramente reprimida. Quando Marcello Caetano substituiu Salazar alterou o nome Uni�o Nacional para Ac��o Nacional Popular.

    - Toda a vida econ�mica e social do pa �s foi organizada em corpora��es . O corporativismo estabelecia um maior controlo do Estado sobre as actividades econ�micas e dificultava a exist�ncia dos Sindicatos.

    - O culto a Salazar nunca assumiu as propor��es existentes na It�lia ou na Alemanha

    - A Igreja e o regime caminhavam lado a lado. Com uma ideologia marcadamente conservadora, o Estado Novo orientava-se segundo os princ�pios consagrados pela tradi��o : Deus, P�tria , Fam�lia , Autoridade, Hierarquia, Moralidade, Paz Social e Austeridade.

    - Foi desenvolvido um projecto ao n�vel da cultura que pretendeu dar uma certa leveza ao regime e simultaneamente glorific�-lo.

    - A censura aos media procurou sempre n�o deixar avan�ar qualquer tipo de rebeli�o contra o regime, velando sempre pela moral e os bons costumes que Salazar defendia.

    - Uma pol�cia pol�tica , que teve v�rias designa��es PVDE , PIDE, DGS), que perseguia todo e qualquer opositor do regime.

    - Uma pol�tica colonialista, que afirmava que Portugal como "um Estado pluricontinental e multirracial". Todavia, a partir de 1961, j� com muitas press�es internacionais para o pa �s conceder a independ�ncia �s suas col�nias , teve in�cio uma das p�ginas mais negras da nossa Hist�ria : a Guerra Colonial.

    - Uma pol�tica nacionalista a v�rios n�veis , marcada pela m�xima "Estamos orgulhosamente s �s ".

    - Cria��o de mil�cias , uma para defesa do regime e combate ao comunismo, a Legi�o Portuguesa; outra destinada a inculcar nos jovens os valores do regime, a Mocidade Portuguesa.

    www.citi.pt/cultura/politica/25_de_abril/uniao_nacional.html

    _______________________________________________
    Qualquer semelhança com o que nos está acontecer é pura coincidência...

    A bem dos Pastéis de Belém e do Frango no Churrasco

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