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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

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da pedagogia e em busca do pensamento livre

llibert fortuny no jazzvalado

21.04.08








A última noite do 11º  festival da jazz de Valado de Frades foi apoteótica.

O trio de Lilbert Fortuny (saxofone), com Gary Willis (baixo-eléctrico, com um currículo impressionante) e David Gómez (bateria, um percussionista que vi pela primeira vez e que deixou-me sem palavras) esteve soberbo. O concerto Triphasic fez jus ao nome: três músicos de eleição com uma "electricidade" constante, exibindo-se de modo muito intenso, utilizando muita electrónica, sempre em sintonia e quase nunca em sobreposição: foi fantástico, não me canso de repetir.

Detesto fazer comparações entre concertos, mas, e socorrendo-me de uma linguagem mais desportiva, o Triphasic parecia composto por músicos de altíssima competição e que situam-se num nível que raramente se vê: que profissionalismo e que qualidade, meu deus. Encheram a sala do principio ao fim: intensos (repito, mas foi mesmo muito assim), cheios de "swing", sempre melódicos e muito concentrados.

Nem sou muito dado a tanta "tecnologia" ao serviço da música, mas, como Llibert Fortuny não se cansou de enunciar, a composição dos temas foi realizada com muito amor. Impressionou-me o desempenho dos dois catalães: o saxofonista e o baterista. Enérgicos, incansáveis do primeiro ao último minuto, tocaram jazz de primeira água enriquecido com sonoridades de vanguarda: duro e puro em simultâneo, deixando-me completamente surpreendido.

O grande Gary Willis, num registo mais clássico, esteve sempre activo e garantiu um excelente suporte em todos os temas. Chegou a ser emocionante o modo como o baixo e a bateria conseguiam melodias de encher o coração e o como ambos davam espaço às enérgicas entradas do saxofone. Inesquecível. Llibert Fortuny mostrou-nos qualquer coisa de imenso e de transporte para o infinito.

Foram 4 os encores e por lá ficaríamos o resto da noite. Llibert Fortuny, também um excelente comunicador, terminou o último encore saindo do palco com um inventado - pareceu-me, já que, naquele nível, as "invenções" são o produto de muito trabalho anterior - refrão num registo de balada: "valado, valado, valado, obrigado". E repetia-o mesmo quando já não o viamos: uma bela maneira de despedir-se e de pronunciar: até à próxima.

Só mais uma nota: Llibert Fortuny (saxofone) e David Gómez (bateria, que deve ter acabado o concerto de rastos), dois jovens, aqueciam fisicamente para o concerto, situação que não é nada usual e que teve imensa piada; Gary Willis, muitíssimo menos jovem, não o fazia e dava a ideia que garantiria uma sabedora combinação entre gerações: se a intenção também era essa, foi plenamente conseguida.



Pode ver um pequeno vídeo, 2.33 minutos, do Triphasic.