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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

professores a caminho - caldas da rainha, seis de março de 2008

07.03.08



 

(no percurso, a "rua das montras" tinha este aspecto:
uma metade da rua, na direcção contrária à praça da fruta,
estava cheia; a outra metade, apresentava-se como certifica
a outra fotografia que inseri neste post;
foto tirada em seis de março de 2008)

 

Saímos de casa por volta das vinte e quarenta e cinco. Estava uma noite de céu limpo, mas fria. A manifestação estava marcada para as vinte e uma horas, na Praça da República (a famosa, mas muito desleixada, Praça da Fruta). Moramos perto e fomos a pé. Íamos expectantes com o que ia acontecer ao nível da adesão dos professores. Durante a pequena caminhada, tentámos captar os sinais: as ruas da cidade esvaziavam-se.

Ao entrarmos na praça, faltavam uns cinco minutos para as vinte e uma, ficámos estarrecidos: duas pessoas lá no meio, cafés fechados e um movimento residual. Não as conhecíamos, mas na aproximação a interrogação foi recíproca: "são professores?". O que é que se passa? Estaremos enganados? O que fazer? Que raio de coisa esta".

Toca a telefonar ao generoso organizador, o António Ferreira, para tentar desfazer equívocos: "não, é mesmo aí. Os colegas devem estar a chegar".

E assim foi. Foram chegando professores das mais variadas escolas das Caldas da Rainha e dos concelhos vizinhos, até se atingir um número entre as quinhentos e as seiscentos. Impressionante. Reencontros, gestos fraternos e solidários, desabafos e mais desabafos e a alegria de estarmos juntos. Cansados mas cheios de força interior. Sensibilizou-me o olhar profundo de grandes profissionais em fim de carreira, que foram excluídos no acesso a professor titular.

Mas era do diabólico processo de avaliação do desempenho de professores que mais ouvi falar. Dizia-me alguém, que chegou atrasado em consequência de mais uma reunião: "parece incrível. Há escolas na região que se esforçam por aplicar este modelo de avaliação: são aquelas onde nunca se reconheceu qualquer exercício de referência no seu modelo organizativo, bem pelo contrário. Será nestes exemplos que a senhora ministra sustenta a ideia de dispensar os razoáveis e seculares processos de - este processo de avaliação do desempenho, no mínimo, não tem nem pés nem cabeça - experimentar um modelo antes de o aplicar a milhares de pessoas?".

 

Tirei várias fotografias. Tenho pena de não ter em boas condições as imagens do único cartaz. A manifestação, silenciosa e tranquila, seguiu um pequeno percurso para voltar ao lugar inicial. Registei um momento sonoro: uma valente salva de palmas

As ruas da cidade voltariam a ficar despovoadas e poucos deram pela nossa presença: não estranhámos. O processo segue o seu imparável percurso e fizemos uma boa preparação para a ida a Lisboa no dia 8 de Março de 2008.





(no percurso, a "rua das montras" tinha este aspecto:
uma metade da rua, na direcção à praça da fruta,
estava cheia; a outra metade, apresentava-se como certifica

a outra fotografia que inseri neste post;
foto tirada em seis de março de 2008)









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