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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

contas e contras

20.03.11

 

 

A discussão à volta das políticas educativas está na ordem do dia. Em grande parte motivada pelo desastre dos últimos cinco anos e em pequena parte por causa do exercício dos professores que iniciaram um processo de resistência que inicialmente parecia condenado a fracassar. Escolhi a acentuada diferença de responsabilidades, para vincar algo que nunca deve ser esquecido: a Educação está no estado que se conhece por causa das políticas. O grau de resistência, e as visíveis desistências motivadas por acções férteis no seio da condição humana, não existiria sem o estado de sítio criado.

 

Temos de ser capazes de olhar em frente. O período que se segue será forte em termos de combate político. Os partidos da direita aparecem com uma agenda que demonstra que leram bem a argumentação de quem desconstruiu as políticas que tanto aplaudiram. Grandes franjas do PSD, e também do autocarro do CDS, foram autênticas lurditas d´oiro, mantêm um secreto fascínio pelo que foi feito e alguma sede de desforra. Não me comovo facilmente com as suas propostas mais recentes, porque adivinho o que se lê nas entrelinhas e nem tenho em relação a essas forças o mesmo complexo que elas revelam em relação a tudo o que venha da Fenprof, do bloco ou do PCP.

 

A democracia está num impasse que explica grande parte da bancarrota. O arco da governação está tão desgastado como a oposição oficial. Foram 36 anos de coabitação. Ainda ontem se viu a barragem mediática que se fez às manifestações da CGTP. É notória a saturação com as tradicionais coreografias dos partidos políticos mais à esquerda, para onde se deslocou muito rapidamente o bloco.

 

Tudo isto dificulta a agenda para o futuro dos professores que acreditam que a democracia começa mesmo na escola e que estão contra a privatização de lucros no orçamento da Educação. Neste momento, é fundamental derrotar os casos mais simbólicos e centrar o olhar na democracia e na liberdade.

 

De repente, dei conta que me esqueci do PS.

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