Em busca do pensamento livre.
Sábado, 15.12.18

 

 

Já lá estamos. Se ler o que se segue, indentificará o sítio onde nos apressamos a chegar.

 

Em 27 de Fevereiro de 2018 escrevi assim:

 

A OCDE concluiu que há professores na Europa a precisar de tutorias e há quem pense de imediato em Portugal(...). Discordo. Há países onde já não há professores, tal os tratos a que o grupo profissional tem sido alvo. No Reino Unido e na Alemanha, por exemplo e lido assim de repente, precisam de tutorias porque há pessoas sem formação académica, e muito menos profissional, que recorrem ao ensino "apenas" para terem um salário. Em Portugal, como em França ou Espanha, ainda não é tanto assim. Mas não tarda. Por cá, lá abrirão os telejornais com a falta de professores porque o estatuto da carreira se degradou. Quase que não existem alunos no não superior candidatos aos cursos de formação de professores e os excessos no tempo para a aposentação provocam baixas médicas em catadupa e uma atmosfera de substituições temporárias pouco apelativa.



publicado por paulo prudêncio às 15:06 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 14.12.18

 

 

 

Na revista do Expresso (p:42:13:11:2016)Joseph Stiglitz disse, antes da vitória de Trump e pensando nos dois lados do Atlântico, que não gosta do termo "populismo", embora se preocupe com a erosão do centro político. "O "populismo" mistura coisas muitos diferentes. Podemos chamar de populista um candidato que diz preocupar-se com os 90% de pessoas que um dado governo deixou para trás? Isso não é merecedor de crítica. O populismo até pode ser um remédio contra o elitismo." O Nobel da economia (2001) prefere o termo demagogia. Dá um exemplo: "Números "surgidos" do nada como o limite de 3% do défice. Aplaude o Governo português que devia ser premiado e não o contrário." Fala, por exemplo, da batota em relação ao défice da França, do falhanço rotundo da troika e da moda recente dos governantes não eleitos made in Goldman Sachs. Uma entrevista interessante, até para não dizermos que foi incompreensível a ascensão eleitoral da Trump Tower.

 

3ª edição.

 



publicado por paulo prudêncio às 13:23 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 13.12.18

 

 

 

 

 

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Rembrandt van Rijn, The Anatomy Lesson of Dr Nicolaes Tulp, 1632

Foi com este célebre quadro que Rembrandt se apresentou, e se afirmou, em Amesterdam. Para além de outros detalhes, os alunos deixaram de estar alinhados e o olhar divergia: para o professor, para o livro aberto, para o objecto de estudo e até para a "objectiva". E claro: todos estavam iluminados.

Museu Mauritshuis, Haia,

2ª edição



publicado por paulo prudêncio às 12:41 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 12.12.18

 

 

 

"Deliberadamente vamos utilizar terminologia clássica, aclarando, desde logo, que "não se trata de advogar ou propor o regresso a um passado mítico, e muito menos defender programas mínimos como ler, escrever e contar ou tendências de "back to basics". Trata-se, pelo contrário, de abrir novas perspectivas que ponham a aprendizagem, no seu sentido mais amplo, no centro das nossas preocupações" (Nóvoa, 2009, 194). Reivindiquemos exigência e clareza no debate sobre as coisas públicas: "O buraco negro do debate público sobre educação, capaz de absorver e fazer desaparecer qualquer ideia que se aproxime, é hoje a dificuldade em chamar as coisas pelos seus nomes" (Fernando Enguita, 2009, 72)"

 


Angel García del Dujo.

La escuela en crisis/Recontrucción del sentido de
la actividad educativa escolar (página 83)
(a tradução é minha)



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Terça-feira, 11.12.18

 

 

 

Importa recordar que a queda dos salários deve ser acompanhada da queda dos lucros e das rendas; e com muito cuidado com a perigosa deflação. Já Adam Smith via essa queda como uma decisão circunscrita às leis e à política. Se analisasse o que se passou em Portugal, seria tão taxativo como Joseph Stiglitz: houve uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e foi esse radicalismo que provocou o empobrecimento.

Por incrível que pareça à esquerda europeia que tem governado, a queda dos salários provocou a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP e outros monopólios). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada e conheciam o fundamental dos aparelhos partidários) e não se metem nos casinos (que conhecem melhor que ninguém) das dívidas públicas como os investidores ocidentais.

Neste contexto, é impossível escapar à análise da globalização que foi considerada inicialmente uma ideologia. Estamos, isso é já visível, perante um novo modo de produção - que aumenta a produtividade, mas que concentra o lucro nas rendas e não cria empregos nos países mais ricos - e de organização planetária que reduziu a pobreza mundial para números inéditos. São estas contradições que têm de ser resolvidas dentro de cada bloco numa espécie de regressão temporal. Não se vê outro caminho na impossibilidade de um governo mundial. E, já agora, os neoliberais podem ainda recuar mais um bocado e lerem quem não se cansam de citar.

 

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Adam Smith (2010:171) em "Riqueza das nações", Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 



publicado por paulo prudêncio às 14:27 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 10.12.18

 

 

Não sei se quem desenha estas diferenças imagina a entropia que estes detalhes podem causar.

 

(é sempre o mesmo quadro; a repetição e ampliação é para que se leia o essencial)

Captura de Tela 2018-12-10 às 13.27.09

Captura de Tela 2018-12-10 às 13.31.28

Captura de Tela 2018-12-10 às 13.31.28

 

Encontrei o quadro no blogue Da Reitoria.



publicado por paulo prudêncio às 13:21 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

"O Direito À Informação E Ao Conhecimento – 1"

 

"O Direito À Informação E Ao Conhecimento – 2"

 

"O Direito À Informação E Ao Conhecimento – 3"



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Domingo, 09.12.18

 

 

Os professores são sensatos. Nunca exigiram retroactivos (mais de 8 mil milhões de euros) e até a recuperação do tempo de serviço (600 milhões nas contas inflacionadas) admitiu um faseamento. Os professores, e não só, não exigem retroactivos, mas fartam-se de pagar retroactivamente. Explico-me.

O crescimento económico não é a "maré enchente que subirá todos os barcos" porque a riqueza acumulada numa minoria não é taxada, nem redistribuída, e acentua as desigualdades. Os governos não têm força para contrariar o neoliberalismo vigente; e há os que o promovem. A história da distribuição da riqueza é política. Não se reduz a mecanismos puramente económicos. Lê-se em dois clássicos: "Riqueza das Nações" de Adam Smith e "O capital no século XXI" de Thomas Piketti. A economia não é independente da filosofia moral e política e tem na actualidade uma agravante: "Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)".

A história recente inscreve o triunfo do liberalismo de Milton Friedman (fora de Keynes, Adam Smith ou Stuart Mill), que derivou para um neoliberalismo branqueador de poderes não eleitos e que não prestam contas. A desregulação dos impostos (década de 90 do século XX), inspirada na visão optimista de que os grandes financeiros exerciam melhor a responsabilidade social do que os estados, "deslegitimou-se". O capital em offshores não tem fim e só a crise de 2008 - e os processos "leaks" -, fez tremer a predação. O que resta aos governos? Taxar, com impostos directos e indirectos, e gerar uma imprevisível revolta. As classes médias fartam-se de pagar a "impagável" dívida e os juros que "consomem" os orçamentos dos estados.

O norte-americano Joseph Stiglitz, Nobel da economia (2001), foi taxativo em 2009: há uma luta de classes derivada da corrupção ao estilo da pátria do neoliberalismo (a sua). Se a conjugarmos com o sistemático "varrer para debaixo do tapete das pequenas e das grandes corrupções", temos a explicação para a perigosa crise das democracias ocidentais.

Afinal, a verdade é como no desenho do Quino: os professores, e não só, não estão na fila para receber retroactivos e reconhecem a fila a quem se fartam de pagar retroactivamente.

 

Desenho do Quino,

em "Não me grite" da série "Humor com humor se paga".

 

Nota: é evidente que há dois fenómenos paralelos: a globalização (e a mudança do eixo da riqueza do Atlântico para o Pacífico) e a quarta indústria (automatização e robotização).

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Sábado, 08.12.18

 

 

 

Se existisse um programa decente para aposentações de professores (um grupo profissional que ainda há poucos anos se reformava entre os 56 e os 58 (52 no pré-escolar e 1º ciclo) com 35 anos de serviço), dá ideia que as escolas perdiam mais de 40 mil imediatamente. Mas quanto mais tarde se enfrentar a "organização de trabalho que adoece os professores", pior. O DN resume um estudo da OCDE que apresenta os números baixíssimos de aposentações em 2018 e nos anos anteriores:

"Aposentações: escolas vão perder 11 mil professores em cinco anos. Desde 2014, reformaram-se cerca de 4500 professores, já contando com os 669 que se aposentaram neste ano, ao passo que nos próximos cinco anos esse número vai disparar para mais do dobro. OCDE e representantes da classe apontam riscos.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 10:38 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 07.12.18

 

 

 

Impressiona como não se sabe o número de profissionais do sector público, nem sequer outros indicadores como vencimentos e progressões nas carreiras. Segundo o Expresso, o século XX chegará no século XXI: "Governo cria megabase de dados dos funcionários públicos. O futuro Sistema de Informação da Organização do Estado (SIOE) irá permitir, segundo o Governo, saber finalmente com rigor quantos funcionários públicos existem e quanto ganham, entre outros indicadores.(...)"



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Quinta-feira, 06.12.18

 

 

 

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Cópia de Captura de Tela 2018-12-06 às 20.00.55

 

Luís Afonso



publicado por paulo prudêncio às 20:01 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 05.12.18

 

 

A acumulação de riqueza numa minoria associada à impossibilidade de taxação do capital, impede a redistribuição dos ganhos económicos e a atenuação das desigualdades. Se conjugarmos o que foi dito com o sistemático "varrer para debaixo do tapete" das pequenas e grandes corrupções, temos a explicação para a perigosa crise (ia a escrever decadência) das democracias ocidentais.



publicado por paulo prudêncio às 19:31 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

Pus-me a resolver o problema e passei quase exactamente pelas fases descritas por Daniel Kahneman (2011:30), em "Pensar, Depressa e Devagar", Temas e Debates, Círculo de Leitores, Lisboa. É interessante resolver a multiplicação proposta e só depois continuar a leitura.

 

 

 

 



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Terça-feira, 04.12.18

 

 

"Retroactivos: os “factos alternativos” à portuguesa"

 

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Segunda-feira, 03.12.18

 

 

Escreve o Público, depois de ouvir um governante não identificado:

"Professores em risco de não terem progressão nas carreiras em 2019. Se o Presidente vetar o decreto-lei ou o Parlamento o chumbar, o Governo apenas está obrigado a prosseguir negociações com os sindicatos. Sem limites, regras ou prazos."

Ou seja, se o PR vetar não haverá 2 anos e tal, e muito menos 9 e tal faseados, claro, e regressam as negociações. A notícia responsabiliza o parlamento numa fase em que todos os cuidados com o crescimento do populismo deviam ser observados.



publicado por paulo prudêncio às 12:05 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 02.12.18

 

 

 

Como é possível que o deputado do PS, Paulo Trigo Pereira, "escreva na sua declaração de voto" que os professores exigiram retroactivos? Não acredito que não saiba que não é verdade. Como o deputado é economista, decerto que saberá que os retroactivos superariam a última antecipação ao FMI (8 mil milhões de euros) e que os professores foram a classe profissional mas atingida na administração central;  e de longe. Entre 2006 e 2016, por exemplo, "desapareceram" mais de "40 mil professores (cerca de 30%)" enquanto a dívida pública subia de "64.7% do PIB (2006)" para os "130% do PIB (2016)". E como é que isso se explica? Por que será que há tanto receio em detalhar a dívida pública e informar devidamente as pessoas?

Se este constante "arremesso ao professor", que é partilhado em locais inesperados, tem efeitos nas salas de aula (não serão as únicas causas, obviamente) como se percebe na conclusão da OCDE que diz que "a pequena indisciplina nos coloca no primeiro lugar do tempo perdido para começar uma aula", é importante que se sublinhe a resiliência dos professores que, e "como também sublinha a OCDE em relação ao respeito, e reconhecimento, mútuo generalizado entre professores, alunos e encarregados de educação, os professores portugueses são os melhores a adaptar as aulas às necessidades dos alunos." Convenço-me que estas pessoas não têm qualquer noção do que é uma sala de aula e da energia decisória que é necessária para corresponder a dezenas de solicitações importantes por parte de trinta indivíduos (crianças e jovens) por hora.

Estudos recentes dizem que "só os alunos dão ânimo aos professores" e que "os professores são vítimas de uma organização de trabalho que os adoece". Mas não se lê uma linha sobre o assunto. Deputados, comentadores e até governantes silenciam a tragédia. Se o sistema escolar mais parece um manicómio organizacional antecipado pela sonda da NASA que aterrou em Marte, dá ideia que os decisores políticos, e os seus suportes comunicacionais, se julgam a salvo noutra galáxia, e com outro sol, e insistem nestas falácias completamente intoleráveis.

Imagem: Pôr-do-sol em Sagres.

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publicado por paulo prudêncio às 17:22 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 01.12.18

 

 

 

E é muito bom quando o professor retribui. É quase sempre assim, "como sublinha a OCDE em relação ao respeito mútuo generalizado entre professores, alunos e encarregados de educação, ao mesmo tempo que diz que os professores portugueses são os melhores a adaptar as aulas às necessidades dos alunos." Aliás, o respeito e a boa educação são inalienáveis e é uma pena que a "OCDE conclua que a pequena indisciplina nos coloca no primeiro lugar do tempo perdido para começar uma aula". A OCDE não refere as causas, mas a nossa realidade é taxativa numa delas: o constante arremesso mediático ao professor que é partilhado até em locais inesperados. Sabem lá o que é uma sala de aula e a energia decisória que é necessária para corresponder a dezenas de solicitações importantes por parte de trinta indivíduos (crianças e jovens) por hora.

Os estudos mais recentes dizem que só "só os alunos dão ânimo aos professores" e que "os professores são vítimas de uma organização de trabalho que os adoece". Não será por acaso que o desenho das minhas alunas refere o planeta terra, não fosse o professor pensar que o sistema escolar é um manicómio antecipado pela sonda da NASA que aterrou em Marte.

 

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Sexta-feira, 30.11.18

 

 

 

Na declaração de voto, o deputado Paulo Trigo Pereira, do PS, mentiu no recente debate sobre o orçamento. Depois de mais de um ano de intensa discussão, até custa a acreditar que alguém diga que os sindicatos de professores reivindicaram retroactivos em relação aos anos de congelamentos que superariam a última antecipação do pagamento ao FMI: oito mil milhões de euros. É fazer as contas. Mas leia o tal deputado:

"(...)“Importa sublinhar que os sindicatos reivindicam retroativos relativamente a todos os anos que as carreiras estiveram congeladas. Em nosso entender, o descongelamento já é um progresso, sendo que a verdade é que a questão dos retroativos não consta do programa do PS ou do programa do Governo, sendo algo injusto relativamente a outras carreiras atendendo, designadamente, ao facto de a progressão dos professores ser mais rápida que a existente no plano das carreiras gerais”, nota o deputado, na sua declaração de voto.(...)"



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A Blockchain - a tecnologia blockchain é denominada como "o protocolo da confiança" - é uma actividade a seguir com atenção. Segundo o seu guru, Don Tapscott, "Lisboa tem uma grande oportunidade de se tornar a Silicon Valley da segunda era da internet”.

 

"(...)É possível que a blockchain seja bem-sucedida, mas a bitcoin — com as suas desvalorizações recentes — seja uma bolha condenada ao fracasso?
A bitcoin vai sobreviver. A correção atual no seu preço é normal e natural. A blockchain, no entanto, pode constituir os alicerces de um novo modelo empresarial, do governo do século XXI, da prosperidade, ciência, das lutas contra as alterações climáticas e democracias mais robustas, para dar alguns exemplos. Posso estar errado, mas tenho apontado as grandes mudanças tecnológicas desde os anos 70 e ainda não me enganei."



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Quinta-feira, 29.11.18

 

 

Contributo de Mário Silva recebido por email.

(ainda noutro dia ouvi quem se conformava com o facto dos filhos adolescentes - 12 e 14 anos - serem youtubbers. Pelo que percebi, não gostam da escola - e pensam, entretanto, deixá-la - e já têm rendimentos financeiros que me surpreenderam.)

 

"Em tempos longínquos, além do trabalho curricular na sala de aula, várias vezes proporcionavam-se debates espontâneos sobre a sociedade (cultura, economia, política, etc.), de tal modo, que ainda hoje esses antigos(as) alunos(as), adultos no mercado de trabalho, recordam-se particularmente desses momentos; ouviram e não esqueceram.

Com as catastróficas transformações pedagógicas que entretanto ocorreram, esses tempos extinguiram-se, e com as profundas alterações tecnológicas e sociais, as gerações seguintes têm outra postura na sala de aula: não se interessam por temáticas que não sejam lúdicas. Por isso, foi com estupefacção que esta semana os alunos do 3º ciclo falavam recorrentemente sobre o artigo 13 da diretiva da UE, e perguntavam a opinião aos profs (esse artigo tem sido polémico porque põe em causa a liberdade de informação na internet). Obviamente que se questionou como é que raio sabiam dessa coisa do artigo 13; e a resposta foi que "um youtuber publicou um vídeo sobre isso e como não sabíamos o que era fomos pesquisar".

“Quer dizer, se fosse um professor a falar isso na aula, quando saíssem da sala já tinham esquecido, mas como foi um youtuber, não se esquecem”, comentou o professor para a turma.

“Claro, os alunos não estão interessados no que os profs dizem e por isso não ouvimos, mas os youtubbers são mais interessantes”, foi a resposta pronta de uma aluna, com a anuência da generalidade da turma.

E deste modo ficou esclarecido que os youtubers serão os substitutos dos profs, já que são mais eficazes na captação da atenção da miudagem...

Outra consequência grave, é a desvalorização completa da escola, como instituição formadora de futuros cidadãos adultos produtivos, já que levanta-se a questão de como convencer para a importância da formação educativa quando se pode ser youtuber com tremenda facilidade e sucesso garantido, sem ter de se sujeitar ao trabalho de estudar durante anos...

“Wuant, um dos mais influentes youtubers, a facturar mais de um milhão de euros por ano, como divulgou o Dinheiro Vivo no início de 2018.

Em casa de Sandra Marques, na zona de Leiria, o vídeo de ontem caiu que nem uma bomba. Maria, a filha de 11 anos, "chorou baba e ranho, ficou em pânico porque o Youtube ia acabar, porque o canal do Wuant ia fechar. Ela segue-o religiosamente, tudo o que ele diz é lei, e obrigou-nos até a ir pesquisar sobre o art.º 13, de que nunca tínhamos ouvido falar". Enfermeira de profissão, a mãe habituou-se a ver a filha muito mais ligada ao YouTube do que à televisão, ao contrário do que acontecera com o filho mais velho, agora com 16 anos. "Ela e as amigas também querem ser youtubers, porque tudo aquilo que eles lhes mostram é uma vida boa, em que o trabalho é prazer, é filmar e fazer paródias na internet, ganham todos imenso dinheiro e é como se estivessem sempre de férias", acrescenta.

Um dia antes o youtuber português tinha publicado um vídeo em que mostrava aos fãs a sua casa nova, que divide com a namorada, a (também) youtuber Owana. É o sonho de qualquer criança: espaços grandes e luminosos para jogar, ecrãs gigantes, máquinas de pipocas, de waffles e sumos. Uma piscina, terraço com bela vista, a vida que qualquer miúdo gostava de ter.” DN
 
(fonte:
https://www.dn.pt/pais/interior/o-fim-da-internet-como-um-youtuber-lancou-o-panico-entre-as-criancas-e-jovens--10244509.html)"


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25 de Abril de 2004
Autor:
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