Em busca do pensamento livre.
Terça-feira, 7 de Março de 2017

 

 

Recebi por email com pedido de divulgação.

 

"Exmos Senhores

Junto remeto um trabalho de minha autoria sobre a educação no concelho de Marvão para possivel publicação no vosso meio de comunicação. Com os melhores cumprimentos. Tiago Branco.

Uma educação com futuro? O caso de Marvão. Trabalho de investigação de Tiago Branco. Estudante de Jornalismo.

Em qualquer cerimónia, festa ou reunião o discurso do Director do Agrupamento de Escolas de Marvão não se altera muito:  “ Somos um agrupamento de escolas muito bem posicionada no ranking, os nossos alunos têm muito bons resultados, somos um caso de excelência”. O que está então por detrás deste suposto sucesso do Agrupamento de Escolas de Marvão? Foi o que investigámos. Basear o sucesso de uma escola em resultados de testes e exames é um aferidor como qualquer outro, tem a sua validade, é certo, tem a sua importância, não se duvida, mas não será seguramente tudo. O Agrupamento de Escolas de Marvão é composto por duas unidades de ensino que vão desde o Pré Escolar até ao 9º ano com um decrescente número de alunos. Há turmas com 6, 8 alunos…como comparar em termos de ranking turmas do interior alentejano com 6 alunos com as centenas que estudam em cada escola dos grandes centros no litoral do país? Será suficiente? Será justo? Procurámos exemplos de trabalhos comunitários envolvendo a comunidade, procurámos exemplos de intercâmbio e abertura para o exterior…para além de alguns projetos antigos os resultados foram escassos. Chegámos então à fala com um membro da Associação de Pais para lhe perguntar a sua opinião sobre a Escola onde está o seu filho e a resposta foi directa e lacónica:

- Não quero falar

Porquê? Perguntámos

- Tenho medo de represálias, que prejudiquem o meu filho no seu percurso escolar

Represálias?

- Sim, ser do contra nesta terra é algo perigoso.

De facto a entrada da escola EBI c/JI Dr Manuel Magro Machado em Santo António das Areias corrobora este sentimento de medo e reclusão. O pátio cinzento é feito todo em betão, os muros da escola são em gradeamento alto e no portão um papel bolorento e antigo convida os pais a ficarem do lado de fora. E a autarquia? Onde está neste processo educativo? A criação do Agrupamento foi algo retirado a ferros pelo poder central, algo imposto a um autarca também ele avesso a mudanças. Vitor Frutuoso, reeleito com maioria absoluta pelo PSD não parece investir muito na educação:  O pavilhão da Escola Sede é um desejo imemorial nunca concretizado, a escola é demasiado fria de inverno, o mobiliário é obsoleto e as auxiliares estão em falta. O próximo passo será com certeza a fusão das duas escolas na escola sede pelo inegável decréscimo do número de alunos, mas também essa decisão tarda porque as repercussões eleitorais fazem com que mais valha deixar andar e depois culpar novamente o poder central do que tomar qualquer decisão fraturante.

No ano passado ventos de mudança chegaram a Marvão mas foi sol de pouca dura. Um grupo de pais investiu tempo e recursos para tentar agitar o status quo. Através de umas jornadas educativas e reuniões posteriores, propuseram ao agrupamento um novo modelo de aprendizagem, uma escola mais aberta e sem as regras tradicionais com um regime mais livre. A verdade é que a “ Rede de Aprendizagem, Inclusiva, Alegre e Responsável” inspirada no modelo da Escola da Ponte  e em modernas abordagens pedagógicas, esbarrou novamente com um muro alto de inconveniências e dificuldades. Não só a direcção como também o grupo docente não quis novas experiências e rejeitou por completo as propostas apresentadas... O resultado? Marvão perdeu imediatamente mais alunos para as escolas vizinhas de Portalegre e Castelo de Vide pela intransigência e choque gerados. E por falar em professores, qual a visão deles em toda esta temática? Com um grupo docente relativamente estável e grupo pequenos de alunos fáceis de gerir, não está nos professores grande parte do sucesso das escolas de Marvão? Tentámos novamente chegar à fala mas o resultado foi idêntico:

- Prefiro não falar.

Porquê? Perguntámos

- Tenho medo de represálias, que prejudiquem o meu percurso profissional

Represálias?

- Sim, ser do contra escola é algo perigoso.

A verdade é que a gestão do Agrupamento de Escolas de Marvão se baseia muito no silêncio consentido de toda a comunidade educativa, uma espécie de paz podre baseada em rankings, em regulamentos, comunicados e regras bem definidas mas muito pouco em diálogo, em trabalho de equipa ou seja, em efectiva aprendizagem. O governo de esquerda promete mudanças na escola pública: alterações nos currículos, cortes em algumas disciplinas, disciplinas semestrais, avaliação diversificada, etc…mas Marvão parece resistir, parece resistir demais… Será uma questão de interioridade? De ruralidade? Um concelho pouco letrado, informado ou questionador parece simplesmente não se importar com o declínio que não é só o da educação, é geral. Mais uma vez, a regra do deixar andar.

Até que nem uma criança brinque no pátio da escola, qual o futuro da educação no concelho de Marvão? O futuro não parece promissor e não se pode culpar apenas o decréscimo demográfico. O ranking está nos píncaros mas a esperança, essa, está em baixo."



publicado por paulo prudêncio às 10:27 | link do post | comentar | partilhar

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