Em busca do pensamento livre.

Quarta-feira, 18.10.17

 

 

 

 

Já não consigo ouvir os repetidores da urgência das "reformas estruturais". Foram tantos os reformadores que o Estado ficou sem norte. Quem os ouve, até julga que aterraram ontem. No caso das escolas, que conheço melhor e que foram alvo de reformas do outro mundo, só não caem em calamidade visível porque a natureza é outra e a mediatização também. Aliás, se em vez de autarquias tentadas a "gerirem" empresas, escolas, hospitais e tribunais, elegêssemos autarcas com competências, responsabilidades e instrumentos para a gestão do território, talvez a agenda mediática não desolasse tanto. É evidente que essa municipalização obedecia ao questionamento de uma qualquer, e poderosa, norma-travão-oligárquica que explica tragédias visíveis e um sem número de invisíveis.

 

Nota: as incontestáveis alterações do clima não explicam a desertificação do interior nem o abandono da floresta e da agricultura. Num momento destes, seria bom que os protagonistas políticos olhassem para a história das suas organizações.

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PATRÍCIA DE MELO MOREIRA / AFP / GETTY IMAGES



publicado por paulo prudêncio às 14:29 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 16.10.17

 

 

 

É tal a vaga de repetições, que nem as tragédias escapam. Só as vidas singulares ceifadas pelas chamas é que contrariam a tendência. Incêndios e horror preenchem o imaginário. Dá ideia que, nos dias quentes, Portugal não é um país fiável para circular. Aos "eternos" problemas organizacionais, somam-se as alterações no clima. No rol de acusações sobressai a antiga, e fundamentada, desconfiança nos serviços de Protecção Civil que mergulharam na rotação de "boys&girls".

 

Adenda para duas perplexidades: Miguel S. Tavares, no telejornal da SIC, repetiu um dos seus pogrom´s preferidos: "mesmo depois de Pedrógão, o Governo gastou 90% do tempo para o OE2018 a discutir aumentos dos funcionários públicos e de incêndios nada".

Ouvi, depois e com fundamento, a possibilidade de uma onda terrorista (sim, terrorista) provocadora de incêndios em paralelo com outra onda: queimadas em série porque já se anunciava chuva.

 



publicado por paulo prudêncio às 17:18 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 31.08.17

 

 

 

Apesar da ubiquidade dos media, uma pessoa lá se afasta umas semanas do turbilhão na esperança de que a distância e o silêncio aumentem o grau de inteligibilidade. Contudo, o regresso continua a trazer perplexidades. Não tanto o tragicómico Trump - só a sua aparição no ecrã põe o mundo a rir para embaraço norte-americano - mas principalmente o terrorismo, as mortes e as tragédias lusitanas. Por cá, os fenómenos mortais são provocados por incêndios - pela incapacidade, com décadas, dos poderes políticos (central, regional e local) em cuidar de valores preciosos como a organização e a gestão do território (para cúmulo, a plateia substituiu os culpados: dos pirómanos da aldeia passou-se para a máfia organizada) - e pela queda de um carvalho. Não se belisque. Foi mesmo isso. Sim, uma árvore caiu e matou mais de uma dezena de pessoas e deixou umas cinco dezenas de feridos. E não se pense que aconteceu numa área vastíssima ou por acção de um tufão. Foi numa ilha (741 km²) tutelada pelos Governos central e regional. No caso (um parque), havia ainda a supervisão de uma Câmara Municipal, de uma Junta de Freguesia e de uma instituição religiosa; será o ministério público a apurar "a eventual responsabilidade". E, ao que consta, o dia esteve solarengo e sem vento e há muito que os avisos técnicos alvitraram a possibilidade da queda: a árvore estava oca. E é isto. Afinal, sem novidades. Ninguém tinha a incumbência de zelar pela verticalidade e conteúdo das árvores de grande porte. É um sossego, realmente.

 

2ª edição

 

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 algures no Oeste de Portugal continental

dia de praia perfeito

Agosto de 2017



publicado por paulo prudêncio às 18:10 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 19.08.17

 

 

 

Apesar da ubiquidade dos media, uma pessoa lá consegue afastar-se umas semanas do turbilhão na esperança que a distância e o silêncio aumentem o grau de inteligibilidade. Contudo, o regresso continua a trazer perplexidades. Não tanto o tragicómico Trump - só a sua aparição no ecrã põe o mundo a rir para embaraço norte-americano - mas principalmente o terrorismo, as mortes e as tragédias lusitanas. Por cá, os fenómenos mortais são provocados por incêndios - pela incapacidade, com décadas, dos poderes políticos (central, regional e local) em cuidar de valores preciosos como a organização e a gestão do território (para cúmulo, a plateia substituiu os culpados: dos pirómanos da aldeia passou-se para a máfia organizada) - e pela queda de um carvalho. Não se belisque. Foi mesmo isso. Sim, uma árvore caiu e matou mais de uma dezena de pessoas e deixou umas cinco centenas de feridos. E não se pense que aconteceu numa área vastíssima ou por acção de um tufão. Foi numa ilha (741 km²) tutelada pelos Governos central e regional. No caso (um parque), havia ainda a supervisão de uma Câmara Municipal, de uma Junta de Freguesia e de uma instituição religiosa; será o ministério público a apurar "a eventual responsabilidade". E, ao que consta, o dia esteve solarengo e sem vento e há muito que os avisos técnicos alvitraram a possibilidade da queda. E é isto. Afinal, sem novidades. Ninguém tinha a incumbência de zelar pela verticalidade das árvores de grande porte. É um sossego, realmente.



publicado por paulo prudêncio às 18:28 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 24.07.17

 

 

 

A mediatização à volta da lista com o número de mortos em Pedrógão Grande atingiu um qualquer grau abaixo de zero.



publicado por paulo prudêncio às 20:38 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 04.07.17

 

 

 

Tancos entrou também em pós-verdade e factos alternativos. Há militares detidos por corrupção em produtos alimentares ("num processo com meses"), mas não se relacionará com Tancos. Pode dar jeito, pode ser pós-moderno, mas é precipitada a relação. Há uns anos que "privados fazem segurança a instalações das forças armadas" (os neoliberais proletarizaram os serviços públicos e agora rasgam as vestes de indignação com a sua ineficácia), mas isso não se relacionará com Tancos. Tancos relacionar-se-á "com assaltos recentes e semelhantes em França e na Alemanha". É uma relação grave numa intolerável insegurança. Se acrescentarmos a silly season e o estado da oposição, o observador registará a chegada do "trumpismo" e omitirá o facto alternativo da "fusão ibérica da EDP". Um neoliberal suspirava: Tancos à vista.



publicado por paulo prudêncio às 12:18 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 29.06.17

 

 

 

As PPP's desenhadas pelas "elites" em associação com o lado-tóxico-dos-partidos foram trágicas e ponto final. Não me surpreendem os seus defensores habituais, nem a recente dissertação de Passos Coelho sobre "a teoria mercantil do eucalipto"; neste caso, espanta-me que tenha sido PM. O que também sempre me espanta é o fanatismo dos 99% de peões. Mal intuíram o fim do luto oficioso em Pedrógão, começaram a contenda para sossego de uma qualquer minoria. 

 

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publicado por paulo prudêncio às 16:33 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

 

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Cópia de 1143022

 

 

Luís Afonso



publicado por paulo prudêncio às 11:08 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 27.06.17

 

 

 

Confirma-se: "pessoas cercadas pelo fogo e sem assistência devido a falhas do SIRESP", uma das PPP´s (esta com BPN, BES, PT e CGD) que as associadas, "elites" e lado-tóxico-dos-partidos, usaram na delapidação do Estado.

As associadas impacientaram-se com a tragédia. Um "Miguel de Vasconcelos", com o pseudónimo Sebastião Pereira, apressou-se na crítica ao Governo. Usou o "El Mundo" para gáudio da direita ibérica mais extremada.  Por muito que custe, há poucas organizações sem telhados de vidro na lógica do fanatismo. E ainda ontem o diabo deu sinal de si. Bastou um microfone para o desrespeito pelo elementar silêncio perante a dor. É: a tragédia de Pedrógão Grande tem demasiados ângulos muito lamentáveis.

 

Captura de Tela 2017-06-27 às 10.33.23

 "Muitos pedidos de ajuda não tiveram seguimento devido a falhas nas comunicações".

Paulo Pimenta. Público.



publicado por paulo prudêncio às 10:34 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 20.06.17

 

 

 

 

neste Horto de incêndios,
onde chamas ceifam vidas,
não há fogo no coração dos homens,
que não se cansam de chamar a guerra.

 

 

 

Imagem de Rui Duarte Silva

Expresso

 

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publicado por paulo prudêncio às 16:21 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 18.06.17

 

 

 

...



publicado por paulo prudêncio às 13:33 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 04.09.15

 

 

 

 

 

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Cópia de 973200.jpeg

 

 



publicado por paulo prudêncio às 12:09 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 17.04.13

 

 



Quem passa pelo blogue há mais tempo sabe que considero o conjunto de poderosas aplicações do Microsoft Office (pode ler os posts neste etiqueta) como inaptas para a gestão de informação em redes, seja numa escola ou noutra instituição. Advogo até a proibição.

 

O que não imaginava é que o FMI baseava as decisões que influenciam a vida milhões de pessoas no Excel. Bem sei que há decisores como o presidente do Eurogrupo (que está em sintonia com o FMI e com as políticas austeritaristas) que declaram mestrados falsos, mas numa Faculdade de Economia portuguesa os alunos já fazem a parte empírica dos mestrados com o SPSS. Pelo que se percebe, na celebrada Harvard produzem-se altos estudos mundiais estatísticos em Excel.

 

Mas a tragicomédia baseia-se num bug do excel que está a fazer correr muita tinta (pode ler aqui o arstechnica onde recolhi a imagem ou o JN). Há um erro na fórmula que sustenta as políticas de austeridade que têm arruinado as economias. O assunto é mesmo grave.

 

Como se vê na imagem, a fórmula para calcular a média inclui as linhas 30 a 49 da coluna L, mas a operação só considera as linhas 30 a 44. O que faz toda a diferença e nos leva a imaginar a competência das restantes decisões.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:52 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Sexta-feira, 22.03.13

 

 

 

 

 

 

 

Apanhei este tragicómico vídeo no blogue do Paulo Guinote.



publicado por paulo prudêncio às 17:35 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Domingo, 30.09.12

 

 

 

 

 

 

Soares dos Santos, presidente do Grupo Jerónimo Martins (Pingo Doce), afirma que quem ganha 500 euros não tem vontade de trabalhar e acrescenta que é violentamente contra os salários baixos praticados nas empresas portuguesas. Nesta matéria contradiz o seu consultor António Borges que, por sua vez, também consulta as privatizações.

 

Há um mês, se tanto, vi uma entrevista a Soares dos Santos em que relatou algumas dificuldades na entrada do seu grupo na Colômbia porque os quadros colombianos seleccionados não se apresentavam. Indagou o fenómeno e percebeu a causa que até lhe agradou: estes sul-americanos estão habituados a que a sua vida privada seja previamente devassada para que as empresas confiem em que vão contratar.

 

Ainda a propósito da Colômbia, tenho registado que é daí que vem o único interessado na TAP.

 

Embora não seja dado a teorias da conspiração, e associando os factos que relatei, fico com a sensação que António Borges usou nos últimos dias uma espécie de rota que, e como se vê na imagem, pode ter passado pelo célebre triângulo nas viagens entre Portugal e a Colômbia e que talvez não tenha agradado ao dono do Pingo Doce.

 

Será apenas, e também, a célebre questão que relaciona quatro categorias: oportunidade, negócio, o-que-hoje-é-verdade-amanhã-é-mentiratudo-é-descartável.



publicado por paulo prudêncio às 18:25 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 04.02.12

 

 

 

 

 

Quem acompanha este blogue sabe da preocupação em não expôr adversidades que atingem pessoas nem relacioná-las com a desregulação do que existe. Os posts sobre as agressões a professores ou alunos, escutam sempre a memória mais atenta para se tentar perceber se a anormalidade não está integrada na mancha maior da curva de Gauss.

 

É rara a semana onde um professor não exerce um qualquer grito inaudível, mas a amálgama que tem desenhado o sistema escolar está entretida com a falência não anunciada. Dá ideia que quanto mais grave for o disparate dos "reformadores", mais "alta" será a recompensa.

 

Chocou-me saber que duas professores de biologia numa secundária de Coimbra, uma de 47 e outra de 49, puseram termo à vida. É uma estranha coincidência. Pelo que pude ler, e foi a primeira vez que tive conhecimento do assunto, há uma qualquer relação com o ambiente profissional que se vive nas escolas portuguesas.

 

Fica neste post uma sentida homenagem, já que o silêncio parece ensurdecedor.



publicado por paulo prudêncio às 19:17 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar


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25 de Abril de 2004
Autor:
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