Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 07.03.17

 

 

 

Os totalitarismos estabelecem-se através de leis. Desde logo, com as que são impossíveis de cumprir. Com a velocidade legisliva, é natural que os destinatários se interroguem com a vigência. Faz tempo que o direito abandonou a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso". Nesse sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam a ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "presença" (nem que seja por alheamento) da maioria das pessoas. As sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e como foi dito, pela construção de leis impossíveis de cumprir, mas também por práticas anti-democráticas. Podemos pegar em muitos exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Em muitos casos, só o fingimento permite o "cumprimento" legal.

 

Para a partilha no facebook acrescentei:

 

Estranhei o conteúdo inocente na SIC (nem sabia e recorri à box). Um juiz tão naïf? E esta mediatização agora? Este nonsense? Acabei de ler a entrevista ao Expresso (dada antes da outra) e percebi muito mais. "Querem afastar-me de tudo; estou cercado; sou escutado; tenho manuais de espiões à porta; decidi falar; são alocados tostões à justiça e milhões à recuperação bancária". Sim; o Juiz Carlos Alexandre pode ser acusado de estar aos papéis em alguns processos, e daí a mediatização, mas a sua narrativa é tão interessante. Sei lá: aconselho a obra maior de Laurence Sterne (e da literatura), "A vida e opiniões de Tristram Shandy". Nota: quando, e durante meses, ou anos, a fio, ligamos a determinados amigos (mais ainda se forem bloggers) e as chamadas são ruidosas e difíceis, e não raramente vão parar ao voice mail, significa que estamos a ser escutados? E anda uma pessoa a trocar de telefone e a dizer mal do hardware:)

Usei parte deste texto noutro post.

1ª edição em 16 de Setembro de 2016.

 

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publicado por paulo prudêncio às 21:47 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 26.01.16

 

 

 

 

Os totalitarismos estabelecem-se através das leis. Desde logo, com a produção de leis impossíveis de cumprir (ou de evidente má qualidade). Mas com a velocidade com que se legisla, é natural que os destinatários do direito se interroguem com a vigência. Faz tempo que o direito abandonou a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso". Nesse sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam a ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Lançados alguns argumentos, importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "vontade" da maioria das pessoas. As sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e como foi dito, pela construção de leis impossíveis de cumprir, mas também por práticas anti-democráticas ou corruptas.

 

No caso do sistema escolar, podemos pegar em muitos exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Em muitos casos, só o fingimento permite o "cumprimento" legal. Não podemos acusar de premeditação totalitarista os seus inventores, mas temos de dizer-lhes que não nos temos cansado de avisar.

 

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publicado por paulo prudêncio às 21:54 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 24.11.14

 

 

 

 

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A frase de Christopher Hitchens (2009:251), em "Deus não é grande, como a religião envenena tudo", da Dom Quixote, "(...)O princípio essencial do totalitarismo é fazer leis às quais é impossível obedecer (...)" proporciona uma interessante discussão. 

 

Em 25 de Outubro de 2009, aqui, escrevi o seguinte:

 

Mas com a velocidade com que se legisla, e nisso o quase "extinto" ME foi imbatível, e com a consequente falta de qualidade das leis é natural que os destinatários do direito se interroguem com a sua vigência. Faz tempo que o direito tem vindo a abandonar a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso".

Neste sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam as ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Lançados alguns argumentos para o contraditório, importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "vontade" da maioria das pessoas. É trágico, mas é assim. Embora a história nos mostre com frequência o aparecimento de um "profeta", também nos explica que as sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e pegando na frase de Christopher Hitchens, pela construção de leis impossíveis de obedecer e por práticas anti-democráticas ou corruptas (para os dois últimos casos, nem são precisos exemplos).

 

No caso vigente do sistema escolar, podemos pegar em inúmeros exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Só o fingimento permite o "cumprimento" legal. Não podemos acusar de premeditação totalitarista os seus inventores, mas temos de considerar todas as hipóteses e dizer-lhes que não nos temos cansado de avisar.

 

 

(1ª edição em 27 de Janeiro de 2012. Reescrito)

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:34 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 15.02.14

 

 

 

Dá ideia que o ex-ministro das finanças e da meteorologia nunca tinha lidado com os interesses dos aparelhos partidários.

 

Depois, confessa: os tecnopolíticos não incluem as pessoas nas folhas excel.

 

 

 

Página 14 da revista do Expresso de 15 de Fevereiro de 2014

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 12:30 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Domingo, 02.02.14

 

 

 

 

 

"Nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático", é uma evidência que devia ser óbvia nas sociedades modernas que se dizem avançadas. Quando um político afirma que com a primazia da avaliação do desempenho o "Governo está a levar o "medo" às empresas", fica a ideia de que a maioria das pessoas sorrirá com a "manifestação de fraqueza" e os comentadores mainstream lá se encarregarão de colocar a "impossibilidade quantitativa" como uma inevitabilidade competitiva da pós-modernidade.

 

A avaliação quantitativa escolar é uma exigência educativa que intervém na formação da personalidade; o aluno é o outro e tem, naturalmente, uma reduzida possibilidade de contestação. O faz-de-conta reduz-se e é quase inexistente. Entre adultos, entre iguais, o faz-de-conta é galopante e a sua absolutização é uma condição de sobrevivência para os intervenientes. Mas isso não impede que o "medo" se instale e que se criem, paulatinamente, condições para um totalitarismo; por explosão ou implosão.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 22:36 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Sexta-feira, 08.02.13

 

 

 

 

Há uma epidemia que considera o sistema escolar uma coisa insólita e longínqua. Essa moda, que se dispersa rapidamente numa população, não racionaliza a ideia de se prestar grande atenção ao escolar e atinge o grau mais elevado de contaminação quando se confronta com quem faça disso profissão pública ou, pior ainda, uma causa. É um fenómeno com dúvidas agudas na literacia associada às pessoas, à política, ao social, e, em auge infeccioso, à democracia.

 

É uma sociopatia que não manifesta qualquer empatia para com os seus semelhantes ou de atenção para com os seus problemas. É exímia em manipular factos e incapaz de assumir erros. Pode, em aparente desespero e de forma cínica, admitir “falhas de comunicação".

 

Usa modelos ideológicos com diagramas mentais inflexíveis que desprezam a consistência cultural e histórica das sociedades. Na origem está sempre a estranheza com o humano.



publicado por paulo prudêncio às 09:32 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 04.11.12

 

 

 

 

 

A imagem que escolhi corre as redes sociais e tem sido partilhada por pessoas de esquerda. É uma adaptação de um texto de Brecht que nos últimos anos tem sido muito usado, também no original, por professores.

 

Dá ideia que o perigo totalitário avança em passo acelerado e é bom recordar a oportunidade perdida por boa parte dessa esquerda que apoiou os governos de Sócrates (o silêncio ensurdecedor é uma forma de apoio). A memória obriga-me a perguntar: onde estavam estas pessoas de 2005 a 2010?

 

Mudámos de Governo e a deriva totalitária acelerou. As cedências graves que antes denunciámos estão na ordem do dia e agravaram-se. A encenação política com o inferno dos números evidencia-se e agora, como antes, nota-se o desespero do mundo financeiro que caiu com o imobiliário e com a construcão civil e que lança as garras aos denominados sectores sociais. Vale tudo. Basta passar os olhos pela imprensa do fim-de-semana para constatar o óbvio: o sistema escolar público não tem o apoio do mainstream que tem governado.

 

Mesmo que o último relatório do tribunal de contas diga que os números de 2009 desfavorecem o sector público se se considerarem os cortes de Nuno Crato e que a realidade nos mostre que no segundo semestre de 2012 foram despedidos 10.000 professores, a coreografia dos actuais mestres do tacticismo político que dominam os partidos do arco do poder afirmarão o despedimento de mais professores de duas formas: por declaração ou por silêncio.



publicado por paulo prudêncio às 16:33 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Sexta-feira, 02.11.12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Que em Auschwitz 

as paredes não se rebelassem, 

que o gás não se "arrependesse", 
é o escândalo do silêncio de Deus, 
mas também uma falha no humano."



José B. de Miranda, 
Queda sem fim.



publicado por paulo prudêncio às 13:49 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 14.05.12

 

 

 

 

A frase de Christopher Hitchens (2009:251), em "Deus não é grande, como a religião envenena tudo", da Dom Quixote, "(...)O princípio essencial do totalitarismo é fazer leis às quais é impossível obedecer (...)" proporciona uma interressante discussão. 

 

Em 25 de Outubro de 2009, aqui, escrevi o seguinte:

 

Mas com a velocidade com que se legisla, e nisso o quase "extinto" ME foi imbatível, e com a consequente falta de qualidade das leis é natural que os destinatários do direito se interroguem com a sua vigência. Faz tempo que o direito tem vindo a abandonar a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso".

Neste sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam as ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Lançados alguns argumentos para o contraditório, importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "vontade" da maioria das pessoas. É trágico, mas é assim. Embora a história nos mostre com frequência o aparecimento de um "profeta", também nos explica que as sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e pegando na frase de Christopher Hitchens, pela construção de leis impossíveis de obedecer e por práticas anti-democráticas ou corruptas (para os dois últimos casos, nem são precisos exemplos).

 

No caso vigente do sistema escolar, podemos pegar no monstro da avaliação dos professores ou no desastroso modelo de gestão escolar, passando pelo estatuto do aluno. São casos de impossibilidade que criaram um estado de sítio legislativo. Só o fingimento permite o "cumprimento" legal ou abrem portas aos oportunismos mais variados. Não podemos acusar de premeditação totalitarista os seus inventores, mas temos de considerar todas as hipóteses e dizer-lhes que não nos temos cansado de avisar.

 

(1ª edição em 27 de Janeiro de 2012)

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:27 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 17.04.12

 

 

 

Estamos num período, como outros na História, em que a qualquer momento podem aparecer personagens "salvadoras" que nos arrastem para ditaduras. O escrutínio deve ser uma palavra de ordem.

 

Há dias publiquei este vídeo em que o médico Matthias Rath denuncia os perigos que alimentam o actual Governo alemão. No mesmo post, a comentadora Maria José Andrade deixou um link ("Queda do médico que afirmava que as suas vitaminas curariam a SIDA") que mostra um lado demasiado polémico e tenebroso do mesmo indivíduo.



publicado por paulo prudêncio às 21:47 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 26.01.12

 

 

 

 

 

Olho para a regulação do que existe e interrogo-me: vamos a caminho de que tipo de sociedade?

 

"(...)O activista começou a registar as coisas trazidas por Voschev, organizando uma coluna especial à parte sob o título "Lista do proletariado mortalmente liquidado pelos kulaks como classe, em conformidade com os restos materiais abandonados". Em vez de pessoas, o activista inscrevia vestígios de existência: alpercata do século passado, brinco de estanho da orelha de um pastor, perna de calças de linho grosseiro e outro equipamento de um corpo trabalhador mais indigente. (...)".

 

 

Andrei Platónov (2011:144), 

"A escavaçãoAntígona



publicado por paulo prudêncio às 21:35 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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