Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 18.10.16

 

 

 

O tratamento da informação no sistema escolar não está adequado à sociedade da informação e do conhecimento. Está muito longe disso.


Grande parte da informação obtida não é relevante para o processo de tomada de decisões, nem contribui para que os professores, principais fornecedores de informação, concentrem a energia na preparação e realização das actividades lectivas.

 

Exige-se a alteração do que existe. Os sistemas de informação necessitam de uma grande depuração com um objectivo de sentido contrário ao habitual: retirar os campos de obtenção de informação que não suportam a tomada de decisões. Deve ser de lei a proibição da repetição no lançamento de dados: do nome do aluno às classificações que obtêm até aos conteúdos dos relatórios mais diversos. É uma reforma essencial.



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Quarta-feira, 12.10.16

 

 

 

"Há escolas que querem lançar na plataforma digital as actas das eleições dos delegados de turma e dos representantes dos encarregados de educação. Fazem isto porquê e para quê?", dizia-me o impaciente programador de uma empresa de software escolar. E tem razão para a saturação. Este é um bom exemplo, entre dezenas, da falta de confiança na palavra dos professores que gera hiperburocracia e burnout. Durante décadas houve delegados de turma e representantes dos encarregados de educação (há menos tempo no segundo caso), indicados pela palavra do professor que procedia à eleição e não consta que houvesse qualquer problema. Este exemplo demonstra que o digital só por si não simplifica; trata-se de eliminar, como no desenho, os procedimentos burocráticos. E a digitalização de todas as actas escolares, devidamente parametrizadas e sem repetições ou redundâncias, é assunto para uns posts.

 

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Sábado, 24.09.16

 

 

 

 

A desconfiança nos professores, que se instituiu em má burocracia, começou há mais de uma década, mas disseminou-se a partir daí. O "eduquês organizacional" alimentou-se também do modo digital. Os ficheiros que circulam nas redes escolares são intratáveis e atingirão valores não mensuráveis. Aquele anúncio da PT, que afirmava a capacidade em sediar na Covilhã toda a informação do planeta, não considerou o MEC e o sistema escolar.

 

A cultura anti-professor desenvolvida nos serviços centrais generalizou-se. Se considerarmos que o "modelo" exige impressão de documentos para uma leitura atenta e imparcial (), estará na má impressão motivada pela racionalização de tinteiros de impressoras a explicação para a leitura errada dos dados relacionados com professores e que parece suportar-se no que pode ler a seguir. Tem os resultados depois da imagem.

 

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Daniel Kahneman (2011:91), "Pensar, Depressa e Devagar". 

Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.

 

Resultados: 5 e 47.



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Sexta-feira, 23.09.16

 

 

 

 

A profissão de professor é, de longe, a mais escrutinada em Portugal. Até o verniz da bancocracia estalar de vez, era a culpada pelo estado da nação. A devassa permitiu tudo.

 

Uma hora escolar foi de 50 minutos durante décadas. No final do milénio passado, a duração passou para 45 ou 90. Ou seja: a redução de 50 para 45 originou um imbróglio lusitano de 5 minutos (já vai quase em 20 anos sem solução à vista). Crato equacionou a possibilidade dos 50 (mas cheia de perversidades), sem eliminar os 45 e os 90. Os horários dos professores passaram a ser contados ao minuto e os intervalos dos petizes a quimeras; valha-lhes não sei o quê e ficou tudo como estava. Se para que as escolas abram todas em Setembro não fossem suficientes alunos, professores, outros profissionais e horários, algumas estavam décadas a organizarem-se. 

 

Os ""Maluquinhos de Arroios", como lhes chamou, veja-se lá, Vasco Pulido Valente no Público, tiveram outra epifania: passar a hora escolar para 60 minutos. Andaram as escolas a operacionalizar a "possibilidade austeritária" que se esfumou de imediato por falta de racionalidade.

 

Se Vasco Pulido Valente escreveu (13 de Janeiro de 2013) o que pode ler a seguir, e que se mantém, é altura de interrogarmos o futuro imediato. 

 

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Sexta-feira, 09.09.16

 

 

A frase é de Joaquim Azevedo e está na agenda mediática. Há muitos que defendem que este ex-SE de Cavaco Silva (os ajudantes, segundo o chefe) acordou agora e acham sei lá o quê. Como já me habituei a este sono alternado dos nossos investigadores, comento o estudo com um post de 2 de Julho de 2009 (o muro que asfixia a escola e os professores); tem na coluna direita do blogue, a das etiquetas, inúmeros textos sobre o mesmo assunto e tem também um livro com o título "Por Precaução".

 

O muro que asfixia as escolas e os professores.

 

Quem quer que se meta na aventura de reflectir sobre o estado do sistema escolar português pode escolher os mais variados pontos de partida. A minha opção navega na história mais recente e concentra-se no tratamento da informação.

Podia optar por "sistema escolar por blocos". Mas o conceito de bloco da precaução torna mais inteligível o que quero exprimir e reforça duas ideias: é, como espero que se veja, o bloco que mais asfixia o privilégio de ensinar e contamina de modo decisivo os outros dois: o do ensino e o da organização escolar. 

Este bloco da precaução, que foi construído paulatinamente e que criou um muro de burocracia na gestão da informação escolar, é quase tão difícil de derrubar como foi o muro de Berlim.

O bloco da precaução caracteriza-se por um universo informativo que é obtido apenas para arquivo e que existe porque está determinado de modo central através das invenções técnico-pedagógicas do ministério da Educação. E é aqui que encontramos um imenso elenco de invenções burocráticas: inúmeras actas e relatórios sem parâmetros indicadores de informação estruturante, projectos educativos impossíveis de avaliar, projectos curriculares de turma e de escola, definição de objectivos com variadas designações de acordo com os gostos e os feitios dos promotores de ocasião. A lista é interminável.

A institucionalização do bloco da precaução, e a sua aparente autoridade, parte dos serviços centrais do ministério da Educação (Inspecção-Geral como elemento central) e alastra-se de modo quase acéfalo à organização de muitas das escolas. As invenções burocráticas devidamente preenchidas são, por precaução, a única consciência profissional de muitos estabelecimentos de ensino; isso retira sentido de autonomia e de responsabilidade e gera fenómenos de subserviência e de medo.

Só assim foi possível verificar um conjunto denominado de boas práticas que tornava "exequível" aquilo que depois se provava ser inaplicável: é essa uma parte crucial da história recente da avaliação do desempenho dos professores e do arrastamento insuportável desta coisa sem pés nem cabeça. Quando se tentou perceber as boas práticas das escolas ditas de referência, o ridículo eliminou rapidamente a visibilidade mediática que se quis impor. Também por precaução se deixou de falar nisso.

 

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Domingo, 14.08.16

 

 

 

 

Li uma entrevista, dada com desassombro, de quem vai coordenar o perfil do aluno no final do 12º ano.

 

Lembrei-me deste post.

 

Começa assim:  

 

A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se de grandes novidades se tratassem. Parece um percurso circular.

Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre o assunto. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 16 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo. Só dois detalhes antes de começar: se em 1998 era possível este grau de má burocracia e eduquês, não é de admirar que com mais 17 anos intensivos isto tivesse chegado a este estado.

 

Republico apenas o perfil do aluno. Para os restantes medicamentos terá que ir ao original no link referido.

 

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Perfil do aluno. 

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989. 

Composição: registo preciso e rigoroso do estado do produto aluno somados x anos de laboração. 

Indicações terapêuticas: impede desvios acentuados nos complexos processos de apreciação global dos alunos; facilita a criação de mecanismos rigorosos de análise transversal do desempenho de humanos sujeitos ao agressivo contexto escolar. 

Contra-indicações: pode provocar ligeiras dores de cabeça quando verificada a sua articulação com os programas escolares das disciplinas dos anos terminais de ciclo. 

Precauções especiais de utilização: não deve ser aplicado a alunos muito curiosos nem aos que se posicionem de frente ou de costas. 

Prazo de validade: um ciclo escolar, precisamente.



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Segunda-feira, 27.06.16

 

 

 

O despacho normativo nº4-A/2016 (Organização do Ano Lectivo) diz no múmero 5 do artigo 10º:

"5 - Sem prejuízo do disposto no número anterior, até duas destas horas podem ser atribuídas a outro docente do conselho de turma que seja responsável pelo acompanhamento dos alunos da turma."

Se a intenção fosse a seguinte, "o secretário do conselho de turma ou outro professor do conselho de turma podem ter até duas horas não lectivas para trabalho de conselho de turma", concluiríamos que o ME era ingovernável. Em vez do espírito simplex anunciado, institucionalizava-se o secretário da hiperburocracia.



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Sábado, 25.06.16

 

 

 

A Escola Burrocrática

 

 

Este post inclui imagens de um assunto nuclear: o inferno de má burocracia escolar. É impossível não ficar com a passagem seguinte e com as imagens:

 

"(...)O documento de orientação para as reuniões de final de ano tem 18 páginas e é um hino, uma sinfonia, ou melhor, um requiem pelas pobres almas assassinadas por tanta papelada. Não culpem (só) o ME, porque há mézinhos com alma revestida a alpaca e toda betumada nas comissuras, um pouco por todo o país. O excerto contempla parte das páginas 8-9(...)".

 

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Quarta-feira, 15.06.16

 

 

 

 

Decorrem ainda as avaliações de alunos do final do ano e deve recordar-se que o artigo 42º do Estatuto do Aluno é taxativo e devia atenuar, no mínimo isso, o inferno de invenções de má burocracia (incluindo a digital) que alimenta a cultura organizacional de muitas escolas.

 

 

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Sábado, 05.03.16

 

 

 

 

José Gil (2005:44) escreveu assim: “(...)Em contrapartida, somos um país de burocratas em que o juridismo impera, em certas zonas da administração, de maneira obsessiva. Como se, para compensar a não-acção, se devesse registar a mínima palavra ou discurso em actas, relatórios, notas, pareceres – ao mesmo tempo que não se toma, em teoria, a mais ínfima decisão, sem a remeter para a alínea x do artigo y do decreto-lei nº tal do dia tal de tal mês do ano tal.(...)”


E mais à frente, Gil (2005:57), sublinha: “(...)duplo regime que vigora em serviços de toda a ordem. Ora se tenta inscrever freneticamente tudo, absolutamente tudo em actas, para que nada se perca, ora reina a maior negligência nos arquivos que ninguém consulta nem consultará (espera-se).(...)”

 



Gil, J. (2005). Portugal, hoje. O medo de existir.
Lisboa: Relógio D´Água

 

(É um livro de 2005 e confirmamos com muita

frequência a caracterização do duplo regime. Mas quem diria

que este retrato nos levaria a mais uma bancarrota

e que explicaria o perfil da malta do subprime, do BPN,

do BCP, do BPP, do BES, do Banif e do que mais virá.)

 

 

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Quinta-feira, 03.03.16

 

 

 

Quem nunca esteve num conselho de turma do ensino não superior, não sabe decidir a nível macro sobre as variáveis informacionais que produzem conhecimento que apoie a tomada de decisões. Nem sei se parece, mas esta evidência é determinante e ocorre há anos a fio.

 

No mesmo domínio, e aos níveis meso e micro, esse deconhecimento é causador de entropia pela incapacidade de relacionar as variáveis referidas com a operacionalização dos sistemas de informação.

 

Se juntarmos as duas formulações, encontramos uma sólida resposta para o aparecimento de burnout nos ambientes escolares que se acentua nas sociedades minadas pela desconfiança. A hiperburocracia também se instala nos suportes digitais, contribui para a "fuga" de profissionais e para o aumento da desesperança. Todavia, o desenho transmite um sinal de espeança.

 

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Sábado, 13.02.16
 

 



A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se fossem novidades. Parece um percurso circular.

Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre reformas. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 19 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo.
 
 

Ciclo preparatório.

Registo da patente: início da década de 70 com a reforma Veiga Simão. 

Composição: dois anos de escolaridade.

Indicações terapêuticas: preparar a brusca transição entre a escola primária e a escola secundária.

Contra-indicações: não são conhecidas.

Precauções especiais de utilização: devido ao seu autorizado sucesso, tem tendência para se arrastar aos ciclos antecedentes ou precedentes.

Prazo de validade: apesar da sua constante mudança de nome não tem prazo de validade.


Interdisciplinaridade.


Registo da patente: acredita-se que teve início da década de 80, mas sem registo da patente devido à provisoriedade dos diversos governos de então.

Composição: a plenitude dos saberes integrados.

Indicações terapêuticas: eliminar todos os bloqueios que impedem a comunicação entre os diversos saberes.

Contra-indicações: o seu tempo de eficácia é cirúrgico (julga-se que o medicamento é desconhecido por quem se dedica a fazer programas escolares).

Precauções especiais de utilização: quando utilizada de forma demasiado optimista pode provocar sérias indigestões aos alunos de todos os escalões etários.

Prazo de validade: resiste a várias intempéries; provoca inúmeros seminários e colóquios sobre a problemática dos prefixos, inter, trans, pluri e multi?; rapidamente pode mudar de nome e transformar-se, ainda, em algo compulsivamente quase obrigatório (área escola) ou mesmo obrigatório (área de projecto).



Pedagogia não directiva.

Registo da patente: registada pelo psicoterapeuta Carl Rogers, apenas começou a ser falada em Portugal após a reforma Veiga Simão. 

Composição: relações plenas e empáticas.

Indicações terapêuticas: elimina conflitos e contradições e dispõe para a aprendizagem como nenhuma outra corrente pedagógica.

Contra-indicações: só pode ser aplicada a um aluno de cada vez;

Precauções especiais de utilização: quando aplicada a mais do que um aluno tem consequências desastrosas, entra-se e sai-se da sala de aula sem se perceber onde estava o do(c)ente;

Prazo de validade: é utilizada todos os dias pelos menos atentos à validade dos medicamentos, mas o autor declinou a responsabilidade no acto de registo da patente.




Magistercentrismo.

Registo da patente: as suas origens perdem-se nas memórias do tempo; em Portugal teve os maiores laudos doutrinários durante o Salazarismo.

Composição: relações inexistentes entre o mestre e os outros.

Indicações terapêuticas: alimenta a inquestionável e douta sabedoria do mestre; ideal para memorizar os afluentes dos rios ultramarinos e os inúmeros apeadeiros dos caminhos de ferro dos continentes e das ilhas adjacentes.

Contra-indicações: não recomendado para estados de patologia democrática.

Precauções especiais de utilização: deve administrar-se nos trajes mais cinzentos e formais e nunca, mas nunca, o administrador deve abdicar do ar mais austero e sisudo.

Prazo de validade: desconhecido.





Plano da turma.

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989.

Composição: plano miraculoso que descreve o que foi ensinado.

Indicações terapêuticas: permite a cada docente conhecer, necessariamente, o que foi ensinado, no ano imediatamente anterior, em cada uma das disciplinas;

Contra-indicações: provoca a desflorestação do país e a entropia no sistema das arrecadações das secretarias escolares ao produzir 3 biliões 430 milhões 348 mil e 986 folhas de papel de relatórios pedagógicos.

Precauções especiais de utilização: deve administrar-se em dois parágrafos com oito palavras cada um. Prazo de validade: 24 horas.



Autonomia e gestão das escolas.


Registo da patente: equipa do Ministério da Educação conduzida pelo Ministro Marçal Grilo.

Composição: sistema complexo de órgãos de decisão.

Indicações terapêuticas: estabelece regimes democráticos eficientes e plenamente participados, em que a repetição das agendas das reuniões consagra o seguinte princípio pedagógico: repetir para aprender; respeitando a posologia e tomado de forma consistente, transforma qualquer escola num espaço organizativo verdadeiramente português: muitos patamares de decisão com órgãos e mais órgãos convenientemente dispersos;

Contra-indicações: em estabelecimentos de ensino com menos de 1000 docentes, 300 não docentes e 10000 alunos, tende a tornar-se num processo em que as mesmas pessoas encontram-se vezes sem conta para discutir os mesmos assuntos.

Precauções especiais de utilização: sempre que se verifiquem as contra-indicações indicadas, todos devem fazer, o mais possível, de conta.

Prazo de validade: depende da capacidade de resistência às doenças.




Gestão flexível dos currículos.

Registo da patente: equipa do Ministério da Educação conduzida pelo Ministro Marçal Grilo.

Composição: sistema complexo que pretende reduzir o número de aulas dos alunos.

Indicações terapêuticas: a sua principal finalidade terapêutica é permitir aos alunos o estudo acompanhado e, finalmente, realizar projectos com integração de saberes.

Contra-indicações: para respeitar o aforismo lusitano, em que o que se faz em dois anos pode-se fazer em três ou em quatro, este medicamento inclui as disciplinas todas nos anos todos (a saber, sequência disciplinar), nem que seja com uma aula semanal por disciplina.

Precauções especiais de utilização: tomada em doses elevadas, pode obrigar alunos dos 2º e 3º ciclos a terem que frequentar aulas nocturnas para completarem todo o currículo flexível.

Prazo de validade: espera-se a eternidade considerando o seu carácter flexível.




Avaliação contínua.

Registo da patente: foi registada, em 1974, por Gilbert de Landsheere, docente de docimologia na Universidade de Liége; era correcto defendê-la em Portugal a partir de 1976.

Composição: sistema composto, entre outros, por diversos momentos e tipos de avaliação .

Indicações terapêuticas: a sua principal finalidade terapêutica é garantir solidez a todo o edifício escolar; garante aos docentes horas e mais horas de trabalho.

Contra-indicações: medicamento concebido para eliminar os exames escolares sujeita, no entanto, - e na maioria das vezes - os alunos a frequentes exames mensais em todas as disciplinas dos currículos;

Precauções especiais de utilização: respeitada na integra a posologia pode provocar curvas de Gauss de valor médio infinito.

Prazo de validade: como não foi concebida para ser aplicada nos diversos sistemas escolares também não se estabeleceu o prazo de validade.




Taxonomias.

Registo da patente: taxonomia do domínio cognitivo registada por Bloom em 1948; taxonomia do domínio psicomotor registada por Harrow em 1972; taxonomia do domínio afectivo registada por Krathwohl em 1966; a sua divulgação em Portugal ocorreu, principalmente, a partir de 1976.

Composição: listagem hierarquizada dos comportamentos humanos.

Indicações terapêuticas: ilumina a prática docente reforçando a arrumação dos alunos em gavetas (em linguagem científica, níveis de aprendizagem).

Contra-indicações: à sua medicação deve ser associada um anti-depressivo, pois os medicados perdem-se nas listagens hierarquizadas, porque na maioria das vezes é necessário um ano lectivo para caracterizar um só aluno.

Precauções especiais de utilização: transforma-se facilmente em dogma e origina autênticas perturbações na percepção docente, ou seja, os docentes esquecem-se com facilidade da presença dos alunos.

Prazo de validade: não passou da fase de laboratório.




Objectivos.


Registo da patente: Viviane e Gilbert de Landsheere em 1976; em Portugal divulgou-se no mesmo ano.

Composição: listagens de indicadores, digo, de conteúdos, digo de competências, apresentadas com a conjugação do verbo no imperativo, digo, no presente do indicativo, digo, no pretérito perfeito do indicativo.

Indicações terapêuticas: ordena a prática docente, clarifica o que tem que ser ensinado e elimina o que tem que ser aprendido.

Contra-indicações: pode provocar sobredosagem se tomado em associação com concorrentes ou derivados (por exemplo - conteúdos, indicadores, competências, gerais, específicos, terminais, operacionais, iniciais...).

Precauções especiais de utilização: se não está muito seguro não o utilize.

Prazo de validade: três séculos e 23 dias.




Propedêutico.

Registo da patente: VII Governo Constitucional Português em 1978.

Composição: conteúdos multimédia da idade média.

Indicações terapêuticas: entretém os jovens enquanto as universidades não abrem; prepara os jovens para o século XXI.

Contra-indicações: tomado sem vigilância médica, pode provocar alterações filogenéticas; nessas circunstâncias, alguns jovens podem começar a indiciar o nascimento de uma pequena cauda ou sentirem pequenas saliências no topo da cabeça que, nos casos testados, se supõe serem umas intrigantes antenas.

Precauções especiais de utilização: exige a máxima concentração e implica a utilização de televisores sem comando à distância.

Prazo de validade: três anos, salvo seja.





Desenvolvimento pessoal e social (DPS).


Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989.

Composição: 3 mg de creme de flores de harmonia, 4 mg de extractos de pétalas de entendimento e 3 ml de soluto de sódio de resolução de todos os problemas.

Indicações terapêuticas: desenvolve os jovens pessoal e socialmente; prepara os jovens para a sua vida pessoal e social; ajuda os jovens a encarar o futuro, quer na vertente pessoal quer na vertente social; e é, ainda, totalmente eficaz no desenvolvimento pessoal e social dos jovens com problemas;

Contra-indicações: pode provocar sérias perturbações na normal e abençoada aplicação da concordata.

Precauções especiais de utilização: não pode ser utilizado em alternativa à educação moral e religiosa católica.

Prazo de validade: 50 minutos.




Escola cultural.


Registo da patente: não tem a patente registada, mas podemos considerar o ano de 1984 como o momento da sua divulgação em Portugal.

Composição: práticas culturais intensivas; hábitos culturais com elevado grau de contágio; resumos concentrados do manual "“tudo é cultura". 

Indicações terapêuticas: estimula, de forma irreversível, os apetites culturais de toda uma nação em apenas meia geração; estimula a ideia que a produção cultural requer apenas 10 por cento de esforço e 90 por cento de inspiração;

Contra-indicações: cria a sensação de que tudo é mesmo cultura; tomado nas doses certas, pode provocar, anos depois, o aparecimento de incómodas erupções cutâneas com o nome científico de músicas de uma nota só (outros investigadores optaram pela denominação pimba”).

Precauções especiais de utilização: só pode ser vendido mediante receita médica; só deve ser receitado após, o suposto utilizador, ter frequentado 254 colóquios, 367 seminários e ter obtido 196,45 unidades de crédito devidamente certificadas pelo conselho científico de uma qualquer faculdade da universidade técnica de Lisboa.

Prazo de validade: não se chegou a estabelecer.




Sociometria.

Registo da patente:
os estudos nesta área foram iniciados por Northway em 1967 e introduzidos em Portugal em 1972.

Composição: matrizes sociométricas, gráficos sociométricos, diagramas sociométricos, sociogramas sociométricos, folhas pautadas sociométricas e canetas sociométricas.

Indicações terapêuticas: indica, com clareza, qual é o aluno em que o docente se deve apoiar em momentos de aperto; permite conduzir à porta de saída os alunos problemáticos, com a certeza antecipada da popularidade do seu (docente) gesto.

Contra-indicações: para o tratamento dos dados são necessários conhecimentos básicos de mecânica quântica.

Precauções especiais de utilização: em humanos dos 0 aos 18 anos tem que ser feita uma verificação horária considerando as naturais oscilações das suas preferências.

Prazo de validade: com toda a segurança, meia hora.





Créditos.

Composição: três folhas A4 devidamente encadernadas, sendo a primeira destinada à capa e a última preenchida pelas unidades de crédito devidamente certificadas.

Indicações terapêuticas: estimula o desempenho escolar dos docentes; justifica as avultadas despesas com os diversos programas de formação contínua financiados pela Europa dos quinze.

Contra-indicações: não é recomendado a docentes exigentes e ou insatisfeitos;

Precauções especiais de utilização: devido ao grande volume de matérias docimológicas nele contidas, exige-se a sua apresentação, impreterivelmente, 60 dias antes do fim do prazo de validade.

Prazo de validade: um escalão.




Perfil do aluno.

Registo da patente:
equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989.

Composição: registo preciso e rigoroso do estado do produto aluno somados x anos de laboração.

Indicações terapêuticas: impede desvios acentuados nos complexos processos de apreciação global dos alunos; facilita a criação de mecanismos rigorosos de análise transversal do desempenho de humanos sujeitos ao agressivo contexto escolar.

Contra-indicações: pode provocar ligeiras dores de cabeça quando verificada a sua articulação com os programas escolares das disciplinas dos anos terminais de ciclo.

Precauções especiais de utilização:
não deve ser aplicado a alunos muito curiosos nem aos que se posicionem de frente ou de costas.

Prazo de validade: um ciclo escolar, precisamente.


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Domingo, 10.01.16

 

 

 

 

 

Desde os sofistas e de Aristóteles que se sabe que a política é também a arte da mentira. Proclamar A e o seu contrário é o modo de ser dos institucionalistas que nos empurraram para onde estamos. O branqueamento da corrupção e a eliminação da memória são consequência e causa de primeira grandeza. O refúgio na "amizade" é o argumento que esconde a obstinação da oligarquia.

 

Embora com contornos diferentes do já referido, não se percebe, por exemplo, o que tem sustentado o apoio inicial sem limites aos últimos ministros da Educação.

 

O facto tornou risível o "discurso dos arrependidos", como aconteceu com Carlos Fiolhais (falou em science killer e avaliação destruidora, imagine-se) que era amigo de Crato, que conhecia as suas ideias sobre ensino superior e investigação e que se desiludiu. Só que Crato era também ministro do ensino não superior e quem o conhecia nesses domínios apressou-se a avisar que o ministro estava impregnado de preconceitos contra a escola pública e que nada sabia de gestão escolar onde não se conhecia uma frase do seu pensamento. Tudo comprovado. O contágio ao ensino superior e à investigação foi uma questão de tempo.

 

Até o eduquês, que importou de Marçal Grilo, sempre se pareceu com o do crítico original: uma espécie de versão II que na prática resultava em mais do mesmo. As polémicas à volta do excessivo linguajar das ciências da Educação são apenas uma milionésima parte do inferno informacional em que mergulhou a gestão escolar e os últimos ministros limitaram-se a acrescentar ruído com os institucionalistas sempre à espera de uma nova vaga. E depois de tanto radicalismo pouco informado, como é que querem que fique tudo na mesma?

 

1ª edição em 18 de Maio de 2015



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Quinta-feira, 07.01.16

 

 

Numa sociedade saudável, a gestão administrativa das faltas escolares tem a justificação como ponto de partida. Ou seja, os sistemas de informação são programados para que o lançamento inicial seja como falta justificada.

 

Nas sociedades ausentes ou doentes, o ponto de partida administrativo da falta escolar é a injustificação. Ou seja, a desconfiança prevalece e este pequeno detalhe provoca uma sucessão de procedimentos para justificar a maioria das faltas; que são justificadas. É até um bom exemplo, mesmo que risível para quem não lida com tanto absurdo, para explicar o inferno burocrático que caracteriza estas segundas sociedades que registam um queixume constante em relação ao excesso de burocracia e um permanente passar de culpas entre actores viciados em desconfiança; uma espécie de espelho.

 

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Quinta-feira, 17.12.15

 

 

 

Há uma variável antiga no sistema escolar que exige uma imperativa reforma: o mangas-de-alpaca na didáctica do ensino, na geral e na específica, que exerce funções de gestão, no MEC, na inspecção ou nas escolas, tem de ser anulado por lei e ponto final. A praga transfere-se de imediato para o digital, daí a hiperburocracia digital, e agrava-se se acumula pouca apetência para as questões das humanidades e das artes e falta de estudo em sistemas de informação e comunicação. Muito da síndrome de burnout passa também por aí.

 

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Terça-feira, 16.06.15

 

 

 

É surreal, mas o despacho do MEC (repare-se bem na argumentação dos "opositores") sobre a organização do próximo ano lectivo continua, a meio de Junho, por despachar. A FNE afirma que "tardiamente, o MEC convoca os sindicatos para apresentar um dos documentos basilares da qualidade da operacionalização do sistema educativo. A FNE pretende estabelecer, nesta sede, limites ao número de alunos com que cada professor trabalha, às reuniões para que os docentes são convocados, bem como para a entrega de planos, relatórios e outros documentos que considera inúteis."

 

Ainda ontem recebi um email, devidamente assinado, que dizia assim: "Numa ata de uma reunião de conselho de turma do ensino básico, estão anexados 20 relatórios!... Deduza-se quantas páginas terá a ata, em prol do ‘sucesso educativo’…".

 

Realmente, o nosso nível de gestão é surreal. Todas as escolas abrem em Setembro com horários e todos os exames se fazem, nesta altura, com vigilantes convocados. Este tipo de logística é um metabolismo basal. Espera-se que não estejam três aulas na mesma sala à mesma hora ou oito vigilantes na mesma sala de exame. Fazer tudo isto com critérios pedagógicos, com equidade, com níveis modernos de tratamento da informação e elevando a confiança na atmosfera organizacional e relacional já é um bocadinho de gestão. Mas dá ideia que os nossos "gestores" insistem na conjugação da ignorância com a arrogância e a bancarrota acaba por ser cíclica e uma questão de despacho. Vamos lá ver se este não provoca um qualquer tumulto.

 

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Terça-feira, 05.05.15

 

 

 

 

Na nossa cultura organizacional escolar identificam-se três sub-sistemas que são responsáveis por uma entropia informacional resultante da repetição de dados associada à obtenção de informação inútil: o sub-sistema dos departamentos curriculares, o sub-sistema das direcções de turma e o sub-sistema administrativo. E o mais grave é que quem se dedica à avaliação externa não só não contraria a tendência como a estimula e premeia; por inconsciência, por impreparação ou por imersão num sistema sem rumo, sem visão e sem estratégia e onde prevalece a jurisprudência do temor da sacrossanta informação.

 

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Sexta-feira, 24.04.15

 

 

 

 

Há mais de uma década que se repetem os lamentos (e não se passa da lamúria, com honrosas excepções, como sempre, e até se aumentam os caracteres entrópicos quais bactérias em reprodução acelerada): o sistema escolar transformou-se num inferno de burocracia inútil.

 

Com as novas tecnologias associadas à ausência de "escolas de gestão escolar", a passagem do analógico para o digital no lançamento da informação acelerou, na maioria dos casos, a entrada na parte menos desejada da obra de Dante Alighieri e só quem assiste no lugar da alteridade é que vê a divina comédia.

 

Uma das causas é o receio da supressão de procedimentos que, na maioria dos casos, nunca conheceram suporte legal ou sequer reconhecimento no código de procedimento administrativo. Muitas vezes, a sua permanente existência deveu-se à jurisprudência do temor. A passagem do analógico para o digital pode ser uma oportunidade para a supressão de procedimentos, até dos que se repetem aos milhares em todas as escolas e em todas as horas sem que se interrogue a sua utilidade. Desse elenco "interminável" darei conta noutro post, embora um simples exercício de memória encontre candidatos para os dedos das duas mãos (há escolas em países europeus que funcionam, veja-se lá, sem, por exemplo, sumários nem actas e com professores responsabilizados).

 

 

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Quarta-feira, 22.04.15

 

 

 

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«(...)Quando a destruição estiver concertada e o afastamento temporal permitir a análise desapaixonada, de Crato serão claras as marcas que sobram para a história: brutal redução do financiamento da Educação, subjugação do público ao privado e do personalismo ao utilitarismo e deriva desvairada para tudo subordinar a metas grotescas e exames inadequados.(...)»



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Gil (2005, p.44) caracteriza-nos assim: “(...)Em contrapartida, somos um país de burocratas em que o juridismo impera, em certas zonas da administração, de maneira obsessiva. Como se, para compensar a não-acção, se devesse registar a mínima palavra ou discurso em actas, relatórios, notas, pareceres – ao mesmo tempo que não se toma, em teoria, a mais ínfima decisão, sem a remeter para a alínea x do artigo y do decreto-lei nº tal do dia tal de tal mês do ano tal.(...)”


E mais à frente, Gil (2005, p.57), sublinha: “(...)duplo regime que vigora em serviços de toda a ordem. Ora se tenta inscrever freneticamente tudo, absolutamente tudo em actas, para que nada se perca, ora reina a maior negligência nos arquivos que ninguém consulta nem consultará (espera-se).(...)”

 



Gil, J. (2005). Portugal, hoje. O medo de existir.
Lisboa: Relógio D´Água

 

(É um livro de 2005 e confirmamos com muita

frequência a caracterização do Filósofo. Mas quem diria

que este retrato nos levaria a mais uma bancarrota

e que explicaria o perfil da malta do subprime, do BPN,

do  BCP, do BPP e do BES)

 

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Segunda-feira, 20.04.15

 

 

 

 

Nem que fosse apenas para as elites, os diversos sistemas escolares sempre conheceram bons resultados nos que aprendem em qualquer sistema: por fortes apoios económicos ou por ambição escolar.

 

O grande desafio das sociedades é reduzir o número dos "que não querem aprender". Esse objectivo das democracias exige tempo, atravessa gerações e tem de ser contínuo. Se já temos história a propósito da importância das sociedades, das famílias, da qualidade do ensino e das aprendizagens, o mesmo não podemos dizer da administração e gestão escolares e das redes de escolas.

 

O problema educativo português, e dos seus sistemas em geral, tem duas causas evidentes: a uma sociedade ausente acrescenta-se o desprezo pela organização como um valor precioso.

 

O nosso sistema registou as opções dos seus governantes: centradas no ensino e na carreira dos professores ou nas aprendizagens com uma sobrecarga de informação inútil por desconfiança em quem ensina. O que ainda não se conheceu foi uma governação com princípios de gestão e administração associados às ciências da Educação. É aí, se me permitem, que está o cerne de uma imperativa reforma.

 

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Quarta-feira, 15.04.15

 

 

 

 

O livro sobre gestão escolar, "Por precaução",  aguardava desde 2012 por uma edição. Já esteve para acontecer por algumas vezes com outras editoras, mas a simplificação de procedimentos da "Createspace an Amazon company" resolveu o assunto. Tenho mais um livro editado que publicitarei em breve e os dois projectos estão em processo de revisão para a versão digital. Tenciono, lá mais para a frente, publicar um terceiro livro recorrendo aos mesmos procedimentos.



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Quinta-feira, 19.03.15

 

 

 

"O professor faz uma visita de estudo, ou uma saída do desporto escolar, com os seus alunos e tem de apresentar um papel com o carimbo do destinatário para comprovar a realização da acção". O que escrevi acontece em escolas públicas portuguesas e sou franco que nem queria acreditar. Este clima de desconfiança é fatal e devia ser proibido por lei.



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Quinta-feira, 15.01.15

 

 

 

 

Há anos, mesmo há décadas, que se constata no sistema escolar: o inferno da hiperburocracia é um rol de inutilidades e é inamovível. Se a sociedade portuguesa até tem alguma obra feita na desburocratização, o sistema escolar é um mundo à parte onde saber de procedimentos de gestão parece uma excentricidade. Tanto como no MEC, os actores das escolas parecem asados para o inferno.

 

Há escolas no centro da Europa onde, por exemplo, não existem actas de reuniões nem registo de sumários. Em Portugal, produzem-se "biliões" de actas em cada ano com informação inútil. Um apoio educativo, como exemplo de um informação útil, pode ser solicitado a quem de direito, sem uma acta. Mas o mais elucidativo acontece com as visitas de estudo: paira a ideia que sem acta não há seguro escolar e, por via disso, cada visita é registada em actas de reuniões de grupo, departamento, conselhos de turma ou pedagógico. Sei lá: se tenho um acidente com o meu automóvel a companhia de seguros exige-me a acta com a informação da viagem? 

 

Não compreendo este estado vegetativo que se eterniza. Muito sinceramente. A desconfiança nos professores tem um preço elevado e é um sinal de atraso civilizacional. Bem sei que a organização e a escola não são valores preciosos na nossa sociedade, mas é aí que tudo começa e não estranhemos as cíclicas bancarrotas.

 

 

 

 



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Quarta-feira, 09.07.14

 

 

 

 

 

Não se percebe o que tem sustentado o apoio inicial sem limites aos últimos ministros da Educação. O facto torna risível o "discurso dos arrependidos", como se lê hoje no Público, "O pior do Crato", pelas teclas de Carlos Fiolhais. Fiolhais parece que é amigo do ministro, que conhece as suas ideias sobre ensino superior e investigação e que está desiludido.

 

Só que Crato é também ministro do ensino não superior. E quem o conhecia nesses domínios, apressou-se a avisar que Crato estava impregnado de preconceitos contra a escola pública, de elitismo e que nada sabia de gestão escolar onde não se conhece uma frase do seu pensamento. Tudo comprovado. O contágio ao ensino superior e à investigação foi, ao que parece, apenas uma questão de tempo.

 

Até o eduquês, que importou de Marçal Grilo, sempre se pareceu com o do crítico original: uma espécie de versão II que na prática resultava em mais do mesmo. As polémicas à volta do excessivo linguajar das ciências da Educação são apenas uma milionésima parte do inferno informacional em que mergulhou a gestão escolar e os últimos ministros limitaram-se a acrescentar ruído.

 

Será também por padecerem do mesmo desconhecimento, e quiçá dos mesmo preconceitos e por aí fora, que os eternos arrependidos são, para nossa desgraça, os laudatórios iniciais?

 

 



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Quarta-feira, 21.05.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É comum dizer-se que 70% da actividade da nossa administração pública é para si própria. A informação circula dentro do Estado para que os diversos serviços se informem em duplicado ou triplicado, como se não existisse público.

 

Na nossa cultura organizacional escolar identifica-se a existência de três sub-sistemas, que são responsáveis por uma entropia informacional resultante da repetição e redundância de dados. O sub-sistema dos departamentos curriculares, o sub-sistema das direcções de turma e o sub-sistema administrativo acrescentam aos referidos 70% um número que surpreende um qualquer registo sensato. O mais grave é que quem se dedica à avaliação externa não só não contraria a tendência como a estimula e premeia.

 

 

 



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Domingo, 18.05.14

 

 

 


 

Lembrei-me desta reedição a propósito da polémica com a logística para os exames das crianças (sim, crianças) do 4º ano de escolaridade. Mesmo considerando a importância do assunto (as crianças nessas idades têm pouca voz; não votam, por exemplo; ah, claro, não se manifestam nem fazem greves e nas sociedades mais atrasadas são tratadas como adultos em miniatura ou, pelo contrário, são o centro da vida), a pachorra vai tendo limites). É bom que se sublinhe o óbvio: nada tenho contra testes e exames.

 

 

 

São coisas difíceis de entender.

 

Mas para que é que servem, realmente, os exames?

 

Se confiamos no professor para leccionar as aulas durante o ano inteiro, por que é que no fim havemos de duvidar da classificação que atribui aos alunos?

 

Se o professor é mau e pode estragar os alunos, no fim o mal já está feito, com ou sem exame. Mas os alunos, que já não basta terem gramado com o mau professor, ainda têm de fazer exame para duplicar a sua azarada condição.

 

Se o professor é bom, bastava o processo das aulas, uma vez que os resultados dos exames nunca diferem muito da nota do professor e podem, quando muito, tramar os alunos que tiveram um dia mau.

 

Se o professor é assim-assim, acontece um bocado das duas coisas e estamos, por isso, conversados.

 

Então? Por que raio é que há exames?

 

Para aferir conhecimentos?

 

Bem, isso seriam provas de aferição e poderiam ser feitas, por amostra, em qualquer altura.

 

Para os alunos estudarem mais?

 

Não, por aí também não podemos ir. A avaliação contínua assenta em vários exames realizados ao longo do ano lectivo. Mal do país que tem de pensar assim: ensinar, estudar e aprender tem de valer um bom bocado mais do que isso. E cada escola pode ser avaliada pela exigência e pelo rigor que coloca no seu ensino sem os exames. É mesmo decisivo que seja assim, parece-me.

 

Para estudos internacionais?

 

Bem, esses, e salvo melhor opinião, servem para alimentar tecnocratas que estão a milhas, a quilómetros, das escolas, mas que têm que fazer os seus estudos. Não, para isso também não servem. Aceitam-se uns testes por amostra, de quando em vez, para que o desemprego não seja praga também aí.

 

Para hierarquizar as escolas?

 

Não, já se viu que não. As escolas são, felizmente, muito mais do que examinar os saberes numa ou em duas disciplinas: e nisso, no muitíssimo mais do que os exames, nem se auto-avaliam nem são avaliadas externamente; por sistema e com rigor.

 

Para hierarquizar os alunos na entrada para a universidade?

 

Claro, aí tem que ser. Mas não tem nada que ser. Já pensou nisso meu caro leitor? Há sítios em que no final do secundário a escola diz se o aluno está apto ou não e depois as universidades escolhem quem lá se matricula. Tão simples como isso.

 

Serão, portanto, os exames tão necessários assim?

 

É uma questão técnica de regulação dos sistemas que pode, e deve, ser utilizada. O problema é outro e bem mais profundo: somos uma sociedade desconfiada e em que os média promovem um verdadeiro caldo de "conversa da treta". E isso mina tudo: as relações entre as pessoas e a selecção dos melhores caminhos para construir o futuro.

 

Já por lá andámos e saímos: não tarda voltaremos. De outro modo, é seguro, já que as aprendizagens (processo demasiado desconhecido) individualizadas associadas às vantagens da ciência assim o exigirão. A escola da má burocracia morrerá aos poucos e muito lentamente, mas morrerá. As fábricas de ensino não sobreviverão. Na pior das hipóteses, os ricos pagarão a frequência do ensino e os pobres arrastar-se-ão, com um controle férreo e burocrático, nas antigas unidades fabris em versão piorada: mais baratas e mas desqualificadas.

 

Reedição. 1ª edição em 10 de Julho de 2008.



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Quarta-feira, 14.05.14

 

 

 

Muito se falou da necessidade de ajustamento e o sistema escolar (SE) não escapou aos cortes a eito. Aconteceu o que há muito se conhece da avaliação com e sem referência a objectivos: os decisores escolheram as metas com base em preconceitos e implodiram os alvos errados.

 

Pelo que se vai lendo, o mais importante ajustamento no SE continua por fazer: a eliminação dos procedimentos inúteis que inundam de má burocracia os sistemas de informação. E o mais grave é que o mau hábito não é recente e já atingiu níveis entrópicos e insuportáveis.

 

 

 



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Terça-feira, 08.04.14

 

 

 

 

 

Quando há pouco tempo fiz este post a propósito de uma espécie de investigação de Maria Filomena Mónica e em que escrevi que ""Tudo o que o Ministério da Educação manda por "e-mail" para as escolas é inútil. Tudo!", ou o professor "abaixo de cão", é uma discussão para acompanhar com curiosidade. Tenho uma dissertação sobre o assunto e não quero reafirmar o "tudo"; mas convenço-me que anda lá perto, que a maioria da informação obtida é inútil e solicitada repetidamente." estava longe de imaginar que umas opiniões sobre o tratamento da informação nas organizações escolares também incluíam conclusões devastadoras para a disciplina nas salas de aula das escolas públicas. O que podia ser uma defesa de uma causa tão nobre pode transformar-se num testemunho de um caos que está por provar.

 

Há indisciplina, mas também continuam a existir milhares de sinais positivos todos os dias. Os diários de duas professoras, quatro alunas e uma mãe são uma amostra sempre interessante, mas com reduzido valor empírico numa área muito difícil de investigar. Digamos que do iluminismo à ciência actual vão algumas premissas que devem ser consideradas. Foi assim que li as breves observações que o Paulo Guinote fez a algumas conclusões de Maria Filomena Mónica. A socióloga e historiadora respondeu de forma deselegante e o Paulo ripostou assim.

 

 

 

 



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Sábado, 05.04.14

 

 

 

 

 

Nuno Crato prometeu implodir o MEC, mas terminará o mandato com o sistema escolar mais centralizado (alimentou o mau centralismo) e com as escolas públicas mais perto da implosão. O ministro revelou-se um especialista em minas e armadilhas, só que invertido.

 

O processo para a correcção do teste elaborado pela Univesidade de Cambrige é um espelho. É que aqui nem existe a desculpa do ministro não ter peso político e da escola pública ser desprezada pelos membros do Governo. Basta ler os detalhes.

 

 

 

 

É a tradicional terraplenagem sobre a organização das escolas.

 

 

 

São os cortes a eito, aumentos no número de alunos por turma e nos horários dos professores, que só são aceitáveis em quem não põe, ou nunca pôs, os pés numa sala de aula.

 

 

 

 

O obrigatório é uma decisão do MEC, leia-se. É mesmo muito mau tudo isto.

 

 

 



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publicado por paulo prudêncio às 10:00 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Terça-feira, 18.03.14

 

 

 

 

"Tudo o que o Ministério da Educação manda por "e-mail" para as escolas é inútil. Tudo!", ou o professor "abaixo de cão", é uma discussão para acompanhar com curiosidade. Tenho uma dissertação sobre o assunto e não quero reafirmar o "tudo"; mas convenço-me que anda lá perto, que a maioria da informação obtida é inútil e solicitada repetidamente.



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Domingo, 09.02.14

 

 

 

Arriscando-me a cair num registo redundante, mas considerando a polémica que acusa os críticos do eduquês (e excluo Nuno Crato do grupo de críticos do eduquês) de serem inimigos da inclusão e da democracia, afirmo que a má e excessiva burocracia fez mais pela exclusão de alunos do que as outras variáveis. Apenas a sociedade ausente, onde se incluíram a pobreza e a falta de ambição escolar, conseguiu níveis mais elevados.

 

As políticas educativas do meu espaço político, a esquerda (no caso português a coisa preencheu a mente de todos os partidos políticos que passaram pelo parlamento), convenceram-se que a burocracia seria o advogado de defesa do aluno-réu perante o todo poderoso professor-juiz e que assim se garantiria a igualdade de oportunidades.

 

Substituiu-se a palavra do professor pela evidência documental e nasceram inúmeras inutilidades informacionais. Os professores muito fizeram para escaparem a esse inferno. Por direito de sobrevivência, usaram a farsa para esconderem a mágoa e a saturação e apoiaram menos os alunos desprotegidos. Pelo contrário, quando encontraram ambientes organizacionais despoluídos e civilizados, mobilizaram-se para a inclusão e ajudaram a democracia a crescer.

 

 

 

1ª publicação em 22 de Junho de 2011.



publicado por paulo prudêncio às 12:23 | link do post | comentar | ver comentários (23) | partilhar

Terça-feira, 21.01.14

 

 

 

 

Muito se falou da necessidade de ajustamento e o sistema escolar (SE) não escapou aos cortes a eito. Aconteceu o que há muito se conhece da avaliação com e sem referência a objectivos: os decisores escolheram as metas com base em preconceitos e implodiram os alvos errados.

 

Pelo que se vai lendo, o mais importante ajustamento no SE continua por fazer: a eliminação dos procedimentos inúteis que inundam de má burocracia os sistemas de informação. E não é só por impreparação que o excesso acontece; é também por vaidade e pelo descrédito a que chegou o clima organizacional. Quem chega aos espaços de decisão sente-se "legitimado" para acrescentar procedimentos quando o imperativo era a eliminação. E o mais grave é que o mau hábito não é recente e já atingiu níveis entrópicos e insuportáveis.

 

 

 

 



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Domingo, 19.01.14

 

 

 

 

A impressa do Público dedica treze páginas ao inverno da ciência numa espécie de dossiê que se recomenda. São muitas as variáveis que os descomplexados competitivos que governam resolveram terraplenar. Mas há a uma, a confiança, que é estrutural e que vai para além da troika. O inferno da burocracia, agora em modo digital, já atravessava todos os graus de ensino, do pré-escolar ao superior, mas também desoxigena a investigação e a ciência.

 

 

 

 

Página 8 da edição impressa do Público.

 

 

A passagem do tratamento da informação do analógico para o digital não acrescentou, na esmagadora maioria dos casos, "inteligência" aos sistemas. Pode até tê-los burocratizado mais, principalmente quando o outsourcing ou as pessoas das tecnologias da informação e comunicação decidiram sobre a criação dos campos da gestão da informação. O clima de desconfiança cimentou o inferno neste domínio.

 

Podemos acrescentar inúmeros exemplos que tornam inteligíveis as soluções e que contrariam o discurso de que não há nada a fazer.

 

Consideremos dois exemplos que me parecem esclarecedores. Se numa instituição escolar há um programa informático de alunos que integra o campo que insere o masculino/feminino, deve ser impedido por lei que a organização solicite a um director de turma, ou a qualquer outro actor da organização, que "conte" os masculinos e os femininos da sua turma e que lance os dados num qualquer suporte digital ou analógico. É uma obrigação da organização, e do seu software, disponibilizar relatórios com sumários sobre a informação obtida. Do mesmo modo, uma organização escolar deve ter o direito de não lançar informação repetida nas das bases de dados dos serviços centrais do MEC. É impensável que os serviços centrais de um ministério "desconheçam" que têm diferentes departamentos (ou o mesmo departamento) a solicitarem a mesma informação.

 

 

 



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Sábado, 14.12.13

 

 

 

Considero as infernais inutilidades informacionais o verdadeiro eduquês que nos levou a exigir a implosão do MEC como quem derruba um muro. A outra crítica do eduquês, onde se inclui Nuno Crato, resume-se, como há muito se observou, a um jogo de sombras do II contra o I.

 

São ambos nefastos.

 

Sempre que o II tem que concretizar o que criticou ao I, o eduquês emerge como se comprova, na forma e no conteúdo, com a ignomínia da prova de avaliação para os professores contratados.

 

Mas mais: assiste-se a neodefensores-no-modelo-catavento eduquês I (vulgo inferno de má burocracia e de inutilidades) a advogarem o sucesso PISA 2009 (alunos com 15 anos que entraram na escola em 1998 e que não foram contaminados pelo expoente do I a partir de 2007 nem pelo do II desde 2011) e a acusarem, com razão se elencassem razões que, naturalmente, desconhecem, o eduquês II (achamentos curriculares, aumento dos alunos por turma e mais do mesmo no resto) de sei lá o quê.

 

É: a nossa sociedade e a nossa escola pública até estavam a progredir apesar das "elites".

 

 

(Já usei parte deste texto noutro post)

 



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Domingo, 13.10.13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os quatro últimos ministros da Educação deviam realizar um estágio profissional (uns seis meses chegavam) em escolas portuguesas do não superior (a escolha ficaria a cargo dos professores). O estágio serviria para tomarem conhecimento do estado organizacional provocado pelo rol das suas epifanias, já que o sistema escolar português está num grau de desesperança impensado.

 

É consensual que o "país-da-tanga-de-Durão-Barroso" iniciou a queda da escola pública e muito para além da redução da despesa. Esse Governo abriu uma caixa de Pandora, nivelando por baixo numa espécie de socialismo científico que fez terraplenagem também dos inúmeros bons exemplos. Teve o cuidado de dificultar o acesso aos vestígios arqueológicos. Em 2003 chegaram os primeiros-agora-é-que-vai-ser e o MEC não fugiu a isso.

 

David Justino introduziu o conceito de empreendedorismo testado durante vários anos no concelho de Oeiras e foi coadjuvado por Rendeiro do BPP. O primeiro indicador foi um concurso de professores que não finalizava porque o algoritmo só era conhecido no enclave da Cruz Quebrada. Seguiu-se Maria de Lurdes Rodrigues que replicou para o universo escolar do não superior a sua experiência administrativa numa escola de primeiro ciclo não agupada (o seu falhanço, com laivos de desumanidade, foi considerado uma inadaptação de 150 mil pessoas que eram destituídas de inteligência). O breve e sorridente consulado de Isabel Alçada foi marcado pela sua estupefacção, e inconfessada impaciência, com os tais 150 mil que não conseguiam aplicar os dois mil descritores que deslizavam pelas incansáveis actividades das bibliotecas escolares num modelo que eliminou alunos e leitura de livros desses espaços. Por fim, chegou o próprio algoritmo: está a ensinar a escrever ou a contar? Ai não? Será reduzido.






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Domingo, 29.09.13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Utilizo computadores da Apple desde 1986. Para além do design arrojado, o que mais me seduziu foi o sistema operativo e as aplicações associadas. A génese simples, amigável, intuitiva, descomplicada, poderosa para a organização de sistemas de informação, fiável, sem vírus e por aí fora garantiram a fidelidade. A base de dados Filemaker, por exemplo, tem-me acompanhado como oxigénio profissional.

 

A utilização Apple em Portugal foi sempre minoritária. Foram anos de muita paciência a ouvir os concorrentes da Microsoft: a Apple é informática-para-tótós, as janelas e pastas são cantos de sereia do design, nada de profundo se faz com esse software e por aí fora.

 

Por volta de 1990 testei as dúvidas e concluí: para ligar um computador, clicar no rato e usar teclas até começar a escrever um texto, num Apple fazia 5 operações e num "PC" mais de quarenta. O fenómeno agudizou-se ao longo dos anos e ficava perplexo com a paixão exclusiva do pessoal da Microsoft que nem se atrevia a tocar num Apple

 

E não se julge que esta explicação não influenciou a manutenção da má burocracia que acompanha o sistema escolar na passagem para o digital. A saga do que se pode "fazer-com-um-clique-é-feito-com-10-ou-20", arrastou a cultura organizacional, e os raciocínios subjacentes, para o comprovado "inferno".

 

Bill Gates deu finalmente a explicação que o Ionline registou ontem. A tortuosidade começou cedo e no famoso control+alt+delete. O co-fundador da Microsoft assume o erro. São três teclas em vez de uma. A coisa disseminou-se e foi o que se sabe.

 

 

"Bill Gates admite que que a criação do Ctrl+Alt+Delete, que permitia a efectuar de forma segura o login num sistema Windows, foi um erro.

Numa conferência na Universidade de Harvard, o co-fundador da Microsoft admitiu que esse atalho, que implica pressionar três botões ao mesmo tempo para entrar num sistema operativo e que actualmente é mais usado para aceder aos comandos de reinicialização e de gestão de tarefas, não é prático e que a sua criação “foi um erro”.

Gates atribuiu responsabilidades à IBM e afirmou que poderia ter sido criado apenas um botão se um funcionário daquela marca de computadores não tivesse insistido naquela sequência."







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Terça-feira, 24.09.13

 

 

 

 

A desconfiança nos professores que se instituiu em má burocracia concebida por precaução, e que uma vez obtida é arquivada, começou antes do consulado de Lurdes Rodrigues e Valter Lemos (esse descomunal inventor de inutilidades), mas foi excepcionalmente potenciada a partir daí. A desconfiança em forma de evidências inenarráveis estabeleceu-se no seu esplendor através de dois comprovados monstros: a avaliação de desempenho e o concurso de professores titulares.

 

Essas dilacerações da atmosfera organizacional deixaram marcas profundas nas escolas.

 

O "eduquês organizacional", o mais nefasto para quem anda pelas escolas, foi-se disseminando também no modo digital. O número de ficheiros digitais que circulam nas redes escolares deve atingir toneladas não mensuráveis. Tenho ideia que o recente anúncio da PT, que afirma a capacidade em sediar na Covilhã toda a informação do planeta, não contabilizou o MEC e a máquina do sistema escolar. Será mesmo impossível tratar os bytes informacionais produzidos nesta saga de desconfiança na profissionalidade dos professores. E o mais grave, é que todo esse esforço se reflecte na qualidade de um sistema que armazena alunos e sobrecarrega os seus profissionais.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:06 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 15.08.13

 

 

 

 

 

MEC publicou as listas de uma das sagas mais incompetentes a que assisti. As listas dos professores com horário zero é mais uma tortuosa incompetência acrescentada ao desvario semelhante ocorrido no ano anterior. E nem interessa muito se são mais ou menos desta vez. Tenho ideia que a coisa conseguiu piorar com a publicação de listas datadas dos finais de Julho de 2013 e que estão gravemente desactualizadas. Não adianta argumentar com a justeza da optimização da colocação de professores de acordo com as necessidades das escolas. O que estamos a assistir é um clamoroso desprezo por três valores preciosos: planeamento, organização e respeito pelo conhecimento (neste caso, pela escola pública e pelos seus professores).

 

Isto não é próprio de uma sociedade moderna e os episódios Kafkianos que estão a ocorrer têm origem numa traquitana que vive num caos administrativo e organizacional. É evidente que o fanatismo ideológico deste Governo tem uma elevada cota de responsabilidade e também não é desprezível a queda da Aliança Democrática para o caos concursal e para a incomodidade com os fenómenos numéricos. Até pode ser redundante o que vou escrever, mas só me sai uma expressão: demitam-se, pá!

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:22 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar


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