Em busca do pensamento livre.

Quinta-feira, 23.02.17

 

 

 

É preferível a coragem de eliminar as retenções dos alunos nos anos não terminais de ciclo (nos terminais ficaria para mais adiante), do que andar há mais de duas décadas a culpar, exclusivamente, os professores e as escolas pelo insucesso escolar instituindo um inferno de má burocracia que se evidencia em reuniões de agenda repetida e documentos de "copiar e colar". Aconselho a leitura deste post do Paulo Guinote.

 



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Segunda-feira, 25.07.16

 

 

 

 

"90% dos alunos considera que o sucesso escolar se deve mais ao seu esforço do que aos professores. Apenas 10% considera que ser bem sucedido se deve aos professores". Ora aí está um estudo que a plêiade de especialistas em Educação, de governantes da última década a comentaristas profissionais e passando por sei lá quem mais, tudo fará por ignorar. Tenho insistido neste algoritmo, construído com elementar bom senso, que vai no sentido do estudo mas que "desempregava" toneladas de burocratas escolares. Como se observa no desenho, os alunos reconhecem a autoridade escolar dos professores.

 

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Sábado, 16.07.16

 

 

 

 

O Governo criou um programa para o sucesso escolar (PSE) que as escolas devem operacionalizar. Para além do tradicional mais do mesmo que remete para a escola um caderno de encargos insuportável e ausenta a sociedade, o que mais obriga a umas beliscadelas é a existência de empresas que se dedicarão a elaborar os tais PSE´s. Leu bem. Empresarialização em modo outsourcing e desculpem os inglesismos para mais em tempo de brexit. Sim, é risível que programas com estas características tenham este trato. Isso reforça os argumentos de quem desconfia que, para além do temor justificado com a epidemia caciquista, a tal municipalização passa muito pela guloseima do aparelhismo com fundos estruturais. Como dizia um antigo pedagogo: tudo-está-ligado-a-tudo-nada-está-solto-de-nada.

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:26 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 21.05.16

 

 

Num momento em que se aplaude uma solução tutorial-exclusivamente-escola para uma pequena componente da praga do insucesso e abandono escolares, recupero um algoritmo que escrevi há uns seis anos.

 

A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.

 

Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

 

Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades com 100 professores diferentes, os resultados deveriam oscilar muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

 

É também por isso que pode ser um logro absoluto que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que basta mudar o conteúdo físico ou contratual dos 30% para que tudo se resolva. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% nada acontece e não há ensino.

 

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publicado por paulo prudêncio às 19:10 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 11.03.13

 

 

 

 

Os últimos dados do INE sobre a taxa de abandono escolar (conclusão do 9º ano de escolaridade) têm indicadores excelentes sobre o desempenho do nosso sistema escolar: a referida taxa era de 12,6% em 1991 e baixou para 1,7% em 2011.

 

Esta espantosa evolução não deixa o problema resolvido. Há que continuar. Em 43 concelhos, por exemplo, 2,5% a 5% das crianças e jovens, entre os 10 e 15 anos de idade, abandonaram a escola sem concluir o 9º ano de escolaridade.

 

Os parágrafos anteriores têm matéria suficiente para um jornalista fazer vários títulos. O Expresso escolheu o seguinte:

 

 

Abandono escolar persiste em 43 concelhos



publicado por paulo prudêncio às 17:23 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 01.03.13

 

 

 

 

 

Nos últimos dias surgiram os primeiros ecos do retrocesso no sucesso escolar com o aumento de classificações negativas no 12º ano. Se é evidente que estes dados são insuficientes para uma conclusão, é natural que os números do insucesso e abandono escolares comecem a subir; desgraçadamente, acompanharão os do desemprego e da fome e contrariarão os que advogavam que tudo se resolvia com mais escola e com uma sociedade ausente.

 

No universo escolar também existem causas fortes e prontas a cobrar o fatalismo. Supressão de disciplinas, horas curriculares atribuídas no espírito de mais do mesmo, aumento do número de alunos por turma e quebra da proximidade relacional através de um modelo de gestão escolar único no mundo conhecido, são alguns exemplos do desmiolo que assolou o sistema escolar.

 

Para além disso, temos uma legião de professores em aguda instabilidade profissional, desesperançados e com anos de desconsideração social. Há cerca de meia dúzia de anos que a agenda mediática é preenchida por professores em protesto ou governantes e comentadores a zurzirem na sua profissionalidade. Os alunos intuem a desfaçatez, mesmo que não o verbalizem, e os que não querem aprender aumentam em número.

 

É evidente que as escolas do Estado estão mais expostas a este flagelo e os rankings, acompanhados da segregação social que sempre se acentua nos tempos de salve-se quem puder, farão o serviço que interessa a quem teima na privatização de lucros. Falta saber se tudo isto se desenvolverá como até aqui ou se a bancarrota nos fará arrepiar caminho por uns tempos.



publicado por paulo prudêncio às 21:15 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 30.05.12

 

 

 

Ainda a propósito deste estudo publicado pelo Ionline, deve existir, como é habitual, algum cuidado com as conclusões. O estudo empírico refere-se a alunos do terceiro ciclo sem referir se são alunos com sucesso escolar. Em Portugal, e se foram inquridos alunos com sucesso escolar consolidado, isso representa, grosso modo, uma fatia que andará próxima dos cinquenta por cento.

 

Sabemos que numa amostra educada na mesma sociedade, e com hábitos semelhantes de ambição escolar, e em organizações semelhantes, os professores podem fazer alguma diferença. O problema português é outro: a tal fatia que não tem sucesso, e que até abandona precocemente a escolaridade, tem dificuldades em testar a influência dos professores. Em regra é assim.



publicado por paulo prudêncio às 14:26 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 13.04.12

 

 

Bem sei que estamos numa encruzilhada e sem tempo para pensar. Para os que tardam em perceber o algoritmo que explica uma das chaves para o sucesso escolar, decidi publicar em desenho.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:21 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 25.09.11

 

 

Escola e crise viajam sempre de braço dado e ocupam a agenda mediática desde que esta existe. Mesmo sabendo-se que o escolar também é educação, nada justifica a ausência mediática da educação sem escolar. É que ainda por cima, essa é a fatia que leva a responsabilidade maior pelo abandono escolar.

 

Se continuarmos obcecados com o escolar tout court, não só não sairemos do mesmo sítio como daremos argumentos válidos aos que nos dizem que estamos condenados a empobrecer e a desaparecer.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:39 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quinta-feira, 14.07.11

 

 

A má propaganda é muito nociva. O anterior governo transformou os resultados dos exames na mais descarada manobra mediática; valia tudo. Tinha até uma certa piada colocar os antigos governantes a comentarem os piores resultados de exames que se verificaram nos últimos anos: os deste ano.

 

Já li uma série de opiniões sobre as causas. Haverá, decerto, quem argumente com o aumento do grau de dificuldade ou com a a constante alteração da criterização. É correcto. É quase impossível comparar resultados nestas condições.

 

Todavia, estamos na presença de alunos do 9ºano que nos últimos seis anos foram sujeitos às célebres medidas reformistas, mas que também assistiram a quatro quedas fundamentais no seu país: a maior desautorização dos professores que a história conheceu; a constante terraplenagem da cultura organizacional das escolas; o aumento da infantilização e do excesso de garantismo consubstanciado em resmas de má burocracia; a bancarrota por excesso de consumo e de maus hábitos educativos.

 

Mas já se sabe: os culpados vão ser os professores. Começa a faltar a paciência, realmente.

 

Resultados dos exames do 9º ano são os piores dos últimos anos



publicado por paulo prudêncio às 11:05 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Segunda-feira, 21.03.11

 

 

Uma conclusão muito interessante que se prende com a actualidade e que se refere à democratização do acesso à escolaridade, relaciona-se com os resultados que se estão a verificar com as pessoas de sexo feminino em Portugal e que começam a desenhar uma tendência surpreendente: as mulheres chegam mais longe na escolaridade mesmo que revelem uma condição social mais baixa; este aspecto altera totalmente o que até aqui se conhecia.

 



publicado por paulo prudêncio às 10:17 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quarta-feira, 09.03.11

 

 

12.º ano. As melhores notas dependem mais dos pais

"Inquérito a 58% dos estudantes mostra que quanto mais habilitações têm as famílias melhor é o desempenho(...)".

 

Esta notícia do I é mais uma demonstração do desperdício que tem sido a saga portuguesa de combater o insucesso e o abandono escolares através da perseguição aos professores perpetrada pela inesquecível cooperação estratégica. Temos de melhorar as formações inicial e contínua e de criar um sistema de olhos nos olhos que, e a exemplo de todas as outras profissões, reclassifique os que não são vocacionados. O resto é despesismo de energias e outras coisas mais nocivas ainda.

 

Há tempos escrevi assim:

 

A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.

 

Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

 

Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades com 100 professores diferentes, os resultados deveriam oscilar muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

 

É também por isso que pode ser um logro absoluto que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que basta mudar o conteúdo físico dos 30% para que tudo se resolva. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% nada acontece e não há ensino.

 



publicado por paulo prudêncio às 21:01 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 28.09.10

 

 

 

Tenho trocado vários emails com leitores que se interessam pelos estudos sobre o sucesso escolar (ou insucesso, como queiram). Defendo que, grosso modo, se pode considerar as seguintes percentagens na responsabilização pelo sucesso escolar: 60% para as famílias e para a sociedade, 30% para a escola como organização e 10% para os professores e o ensino.

 

Há alguns anos que li estudos neste sentido e fui desenvolvendo a ideia.

 

A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.

 

Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

 

Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades com 100 professores diferentes, os resultados deveriam oscilar muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

 

É também por isso que pode ser um logro absoluto que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que basta mudar o conteúdo físico dos 30% para que tudo se resolva. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% nada acontece e não há ensino.



publicado por paulo prudêncio às 15:10 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar


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