Em busca do pensamento livre.

Quarta-feira, 04.10.17

 

 

 

(Se o leitor teve dificuldades com a leitura do título, peço desculpa, mas as obrigações de Sua Excelência não me deixam seguir outro caminho.)

 

Sua Excelência estava submerso em encargos reguladores destinados à protecção da saúde dos seus indefesos concidadãos, e era incomodado com estudos comparados dum seu assessor infiltrado - servia, secretamente, a grande loja de inquietação da República -:

"Em virtude das cíclicas cheias na zona envolvente do rio Zambeze, em Moçambique, são requeridos vinte e quatro milhões de euros de ajuda internacional. Em virtude das continuadas enchentes de euros na zona de administração da banca privada portuguesa, são requeridos setenta milhões de euros de indemnização para cinco dos "altos gestores" demitidos, mais trinta e cinco mil euros de mensalidade vitalícia para o mais carenciado.
Em Portugal, três em cada quatro crianças são obesas. No mundo, três em cada quatro crianças estão em estado de subnutrição."

Sua Excelência, extenuado, e em abundante fase de produção legislativa, decretou:

"nos locais abrigados, ou seja, nos locais sonegados e com algum objecto disposto no cume, e cuja diligência cifra-se em explorar comercialmente a confecção e venda ao público de alimentos e bebidas sob a forma de refeições, e se tiverem uma área igual ou superior a cem metros quadrados, quarenta por cento do espaço pode ser destinado a fumadores, desde que os sistemas de extracção de fumo dessa zona perigosa garantam uma pressão do ar inferior ao espaço de não fumadores, de modo a que a danosa contaminação do ar não se alastre à zona limpa de contacto infeccioso."

 

E Sua Excelência sentenciou: - tal como em França.


(o teor dos estudos do assessor infiltrado e
do decreto que Sua Excelência determinou é ficcionado.
Reedição - 1ª edição em 28 de Janeiro de 2008.)



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Quinta-feira, 17.08.17

 

 

 

 

Primeira publicação em 24 de Agosto de 2005.
 
 
 
 
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Sua Excelência considerava-se soberbo em números. Chefiava uma instituição com um milhar de matriculados e duas centenas de residentes. Exigia a mais soberana severidade no tratamento dos algarismos - palavra derivada do árabe alkarizmi, sobrenome do matemático árabe Abu Ibn Muça -. 

Havia uma associação de algarismos que era sagrada para Sua Excelência: o número de identificação, proveniente do infalível poder central. 

Sua Excelência mobilizava, uma vez por ano, residentes e tutores de facto para a renovação da condição dos matriculados. As filas de espera duravam horas no mais profundo respeito pela ordem. Os tutores de facto, acompanhados dos próprios matriculados, desesperavam pela minuciosa verificação. Encaravam, com uma submissa satisfação, a confirmação do acerto no inamovível número de identificação. 
 
Sua Excelência elogiava os residentes pela ausência de falhas. 


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Segunda-feira, 08.02.16

 

 

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Sua Excelência enfadava-se com o que lhe acontecia e vivia duplamente: sobressaltado com o que tinha para fazer e aterrado com o que deixava de realizar. Era um dilema em forma circular. Tinha adquirido um tique só explicado por Lacan: dizia e repetia para consigo e para com os outros: isto não é como antigamente. Era uma espécie de oxigénio rarefeito.

O seu antecessor tinha-lhe deixado duas cartas: uma para o primeiro momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total - e uma outra para o segundo momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total -.

Sua Excelência, certo dia, abriu a primeira: "culpe o seu antecessor", continha o sobrescrito.

Sua Excelência, certo dia, abriu a segunda: "escreva duas cartas", continha o sobrescrito.
 
 
 
 
 
(Reedição. 1ª edição em 14 de Abril de 2008.) 


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Domingo, 07.02.16

 

 

 

Sua Excelência estava impendida para moderar um debate à volta dos amontoados de escolas: coisa descomunal, já se vê, mas em plena propagação num país sem falência anunciada.

O plenipotenciário do poder central disse: "todos os meus colegas, pelo menos os que são sérios, desvelados e versados na realidade, estão de acordo com a espécie de montão."

O plenipotenciário do poder local disse: "todos os meus colegas, pelo menos os que são sérios, desvelados e versados na realidade, estão em desacordo com a espécie de montão."

Sua Excelência ostentou a inferência: "disse."
 
 
 
 
(1ª edição em 12 de Abril de 2008)

 

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Sexta-feira, 04.04.14

 

 

 

 

Sua Excelência enfadava-se com o que lhe acontecia e vivia duplamente: sobressaltado com o que tinha para fazer e aterrado com o que deixava de realizar. Era um dilema em forma circular. Tinha adquirido um tique só explicado por Lacan: dizia e repetia para consigo e para com os outros: isto não é como antigamente. Era uma espécie de oxigénio rarefeito.

O seu antecessor tinha-lhe deixado duas cartas: uma para o primeiro momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total - e uma outra para o segundo momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total -.

Sua Excelência, certo dia, abriu a primeira: "culpe o seu antecessor", continha o sobrescrito.

Sua Excelência, certo dia, abriu a segunda: "escreva duas cartas", continha o sobrescrito.
 
 
(Reedição. 1ª edição em 14 de Abril de 2008)
 

 

 A propósito desta risível troca de cartas.




publicado por paulo prudêncio às 21:26 | link do post | comentar | ver comentários (38) | partilhar

Terça-feira, 26.03.13
Primeira publicação em 24 de Agosto de 2005.


 
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Sua Excelência considerava-se soberbo em números e dirigia uma instituição com um milhar de matriculados e com duas centenas de residentes; exigia a mais soberana severidade no tratamento dos algarismos - palavra derivada do árabe alkarizmi, sobrenome do matemático árabe Abu Ibn Muça, vejam lá -; obrigava a uma demorada verificação de cada número, retirando tempo útil aos residentes e até aos tutores de facto de cada um dos matriculados.

Havia uma associação de algarismos que era sagrada para Sua Excelência: o número de identificação, proveniente do infalível poder central.

Sua Excelência mobilizava, uma vez por ano, os residentes e os tutores de facto para a renovação da condição dos matriculados: em filas de espera que chegavam a durar várias horas, e no mais profundo respeito pela ordem, os tutores de facto, acompanhados dos próprios matriculados, desesperavam pela minuciosa verificação.
Encaravam com uma submissa satisfação a confirmação do acerto no inamovível número de identificação.

Sua Excelência elogiava os residentes por, e mais uma vez, não ter havido uma única falha.








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Terça-feira, 29.05.12

 

 

 

Sua Excelência enfadava-se com o que lhe acontecia e vivia duplamente: sobressaltado com o que tinha para fazer e aterrado com o que deixava de realizar. Era um dilema em forma circular. Tinha adquirido um tique só explicado por Lacan: dizia e repetia para consigo e para com os outros: isto não é como antigamente. Era uma espécie de oxigénio rarefeito.

O seu antecessor tinha-lhe deixado duas cartas: uma para o primeiro momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total - e uma outra para o segundo momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total -.

Sua Excelência, certo dia, abriu a primeira: "culpe o seu antecessor", continha o sobrescrito.

Sua Excelência, certo dia, abriu a segunda: "escreva duas cartas", continha o sobrescrito.

 

 

 

 

(Já usei este texto intemporal noutros posts)



publicado por paulo prudêncio às 14:30 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 18.04.12

 

 

 

 

Sua excelência, o supervisor, não é uma genuinidade lusitana. Tem semelhantes suficientes no universo conhecido para se atribuir ao clima a responsabilidade atmosférica por tão desgraçada condição.

 

A tragédia é da responsabilidade das coisas e pessoas supervisionadas. Os mais realistas encontram nesta ambiência a explicação para a eterna dívida financeira da nação, até porque os supervisionados do rectângulo são elogiados quando conduzidos de fora da geometria.

 

O supervisor nasceu para distribuir. É exímio na atribuição de responsabilidades. Escolhe o efeito de mártir quando vê perigar a sua condição ou se precisa de agraciar e escudar quem o designou. Faz vida nessa incomodidade.

 

Sua excelência, que gravita à custa de esforço que não o seu, é usado para socorrer casos exigentes. Parte sorridente, por fora, e deixa um rasto de destruição na sua pegada deficitária.

 

 

 

(Usei este texto noutro post em 11 de Maio de 2010)



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Segunda-feira, 19.03.12





Sua Excelência sofria, é uma forma de expressão porque até vivia em permanente estado de graça - sei que é arriscado fazê-lo, atribuir um vivência ascética a quem quer que seja, mesmo que se trate de Sua Excelência -, uma síndroma muito comum: contestava a importância de tudo o que desconhecia.

Sua Excelência considerava-se um primeiro: vivia na ânsia do arrebatamento dos seus contrários, uma derivação da síndroma que o turvava.

Era o seu desgraçado modo de manter-se em estado de "ignorância triunfal".






(1ª edição em 16 de Abril de 2006)


publicado por paulo prudêncio às 13:48 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 08.03.12
 
 


 

Estava, como sempre, inquieto.

Sua Excelência tinha, digamos assim, uma doença: via ameaças, antes mesmo de elas nascerem.

E assustava-as (as ameaças morrem de medo). Conta-se até que, de tanto ameaçar as ameaças, as ditas acabavam mesmo por crescer: ficavam-lhe agradecidas.

Para além disso, exaltava-se com frequência e enfurecia os que o rodeavam. Persuadia-os. A ameaça vivia dentro de Sua Excelência e isso explicava tudo.


 

(Reedição. 1ª edição em 13 de Setembro de 2006)


publicado por paulo prudêncio às 18:37 | link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Domingo, 22.01.12



(Se o leitor teve dificuldades com a leitura do título, peço desculpa,
mas as obrigações de Sua Excelência não me deixam seguir outro caminho.)
Sua Excelência estava submerso em encargos reguladores destinados à protecção da saúde dos seus indefesos concidadãos, e era incomodado com os estudos comparados dum seu assessor infiltrado - servia, secretamente, a grande loja de inquietação da República -:

"Em virtude das cíclicas cheias na zona envolvente do rio Zambeze, em Moçambique, são requeridos vinte e quatro milhões de euros de ajuda internacional. Em virtude das continuadas enchentes de euros na zona de administração da banca privada portuguesa, são requeridos setenta milhões de euros de indemnização para cinco dos "altos gestores" demitidos, mais trinta e cinco mil euros de mensalidade vitalícia para o mais carenciado.
Em Portugal, três em cada quatro crianças são obesas. No mundo, três em cada quatro crianças estão em estado de subnutrição."

Sua Excelência, extenuado, e em abundante fase de produção legislativa, decretou: "nos locais abrigados, ou seja, nos locais sonegados e com algum objecto disposto no cume, e cuja diligência cifra-se em explorar comercialmente a confecção e venda ao público de alimentos e bebidas sob a forma de refeições, e se tiverem uma área igual ou superior a cem metros quadrados, quarenta por cento do espaço pode ser destinado a fumadores, desde que os sistemas de extracção de fumo dessa zona perigosa garantam uma pressão do ar inferior ao espaço de não fumadores, de modo a que a danosa contaminação do ar não se alastre à zona limpa de contacto infeccioso."

E Sua Excelência sentenciou: - tal como em França.


(o teor dos estudos do assessor infiltrado e
do decreto que Sua Excelência determinou é ficcionado.
Reedição - 1ª edição em 28 de Janeiro de 2008.)


publicado por paulo prudêncio às 14:03 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 21.01.12
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Sua Excelência estava à frente de mais uma reunião: discutia-se o prazo para a caducidade das certidões de nascimento e de óbito.

A polémica centrava-se em dois pólos: o da maioria, que favorecia a ideia de alargar o prazo de validade, e o da minoria, defendida apenas por um subordinado - por sinal, chato e teimoso - que não concebia a intenção de realizar-se pela segunda vez o acto de nascer ou de morrer.

Sua Excelência ouviu, ponderou e sentenciou: “"para já, e de modo avisado, alarga-se o prazo de seis meses para um ano. As mudanças requerem progressividade e habituação"”.



(1ª edição em 18 de Abril de 2008)


publicado por paulo prudêncio às 12:17 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 20.01.12



Sua Excelência estava impendida para moderar um debate à volta dos amontoados de escolas: coisa descomunal, já se vê, mas em plena propagação num país sem falência anunciada.

O plenipotenciário do poder central disse: "todos os meus colegas, pelo menos os que são sérios, desvelados e versados na realidade, estão de acordo com a espécie de montão."

O plenipotenciário do poder local disse: "todos os meus colegas, pelo menos os que são sérios, desvelados e versados na realidade, estão em desacordo com a espécie de montão."

Sua Excelência ostentou a inferência: "disse."
(1ª edição em 12 de Abril de 2008,
A reedição acontece numa altura em que se
voltam a desenhar mega-agrupamentos, assunto
a que voltarei oportunamente.)


publicado por paulo prudêncio às 21:15 | link do post | comentar | ver comentários (19) | partilhar

Sexta-feira, 14.10.11

 

 

O primeiro-ministro desresponsabiliza-se insistentemente com o passado mais e menos recente. Não é bom sinal.

O Orçamento é meu, o défice não, diz Passos Coelho

 

Sobre este tipo de atitude já escrevi assim:

 

Sua Excelência enfadava-se com o que lhe acontecia e vivia duplamente: sobressaltado com o que tinha para fazer e aterrado com o que deixava de realizar. Era um dilema em forma circular. Tinha adquirido um tique só explicado por Lacan: dizia e repetia para consigo e para com os outros: isto não é como antigamente. Era uma espécie de oxigénio rarefeito.

O seu antecessor tinha-lhe deixado duas cartas: uma para o primeiro momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total - e uma outra para o segundo momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total -.

Sua Excelência, certo dia, abriu a primeira: "culpe o seu antecessor", continha o sobrescrito.

Sua Excelência, certo dia, abriu a segunda: "escreva duas cartas", continha o sobrescrito.



publicado por paulo prudêncio às 11:15 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Quarta-feira, 07.09.11

 

 

 

 

Sua Excelência vivia em permanente estado de graça - é arriscado atribuir um vivência ascética, mesmo que se trate de Sua Excelência -, mas sofria de uma síndroma muito comum: contestava a importância de tudo o que desconhecia. Também se considerava um primeiro: vivia na ânsia do arrebatamento dos seus contrários, uma derivação da síndroma que o turvava. 

E assim era: Sua Excelência mantinha-se em estado de "ignorância triunfal" e desfazia-se em choros fingidos quando sentia a denúncia da sua condição.

 

 

(Rescrito. 1ª edição em 16 de Abril de 2006)



publicado por paulo prudêncio às 09:21 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Quinta-feira, 16.12.10

 

 


 

 

 

 

Sua Excelência ruborizava-se amiúde: a sua solenidade estava bem decretada: educar os corpos perdidos no tempo e no espaço, e agora, também, no ciberespaço; e todos; e finalmente; e para sempre; e.


Era uma sina sideral, digamos assim. Sua Excelência conhecia mais da astrologia do que da astronomia e existia em permanente alteridade cósmica: nunca saía do outro. Sua Excelência perscrutava com tanto método a vida alheia que o seu corpo se tinha deslocado de si para lugar nenhum.

Sua Excelência, actvista, nobre e altruísta, não entendia a sua intima fatalidade: os seus propósitos não sufragavam.

 

(A reedição deste pequeno texto da rubrica "sua excelência" deve-se a um fenómeno antigo e que tem conseguido particular evidência nas pessoas que ocupam cargos no ministério da Educação (de governo e outros logo a seguir) e nalguns dos mais inflamados radicais que estavam na luta dos professores (daqueles que até vertiam lágrimas durante as suas oratórias e nas páginas mais mediáticas e que incitavam quem quer que vacilasse para uma luta extrema e sem tréguas): quando os antigos e antigas fervorosos sindicalistas, activistas que não aceitavam a livre discordância dos seus pares profissionais, gente que propalava uma auto-inundação de pergaminhos de luta, passa a ocupar cargos executivos ou de decisão na esfera governativa, revela e pratica os tiques mais detestáveis dos déspotas que pululam nas mais diversas atmosferas das nossas sociedades; isto também se aplica aos tais corajosos e inflamados activistas das causas dos professores que agora se "sacrificam" de um modo que não me apraz registar mas que nunca nos deve surpreender; o tempo encarregar-se-á, ou não, claro, dos naturais esclarecimentos. 1ª edição em 22 de Abril de 2008)


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Sexta-feira, 15.10.10




Sua Excelência não esgotava o tempo a fantasiar: a sua instituição era regida, em exclusivo e à distância, pelos ofícios e circulares emanados pela erudita central do poder.

Sua Excelência sentia-se ilimitado, exacto e inovador. Efectivava, e com uma destreza original, as perturbantes vantagens tecnológicas da sociedade da informação e do conhecimento: o governo à distância.




(1ª edição em 9 de Setembro de 2006)


publicado por paulo prudêncio às 21:45 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar



Sua Excelência teve dúvidas: o decreto dizia que os seus serviços tinham até oito dias para passar uma declaração ou um certificado, mas com o inconveniente avanço das tecnologias o documento podia ser impresso na hora.

Sua Excelência decidiu: "o cliente faz o pedido e leva uma senha de levantamento para oito dias depois. O funcionário imprime o documento e guarda-o na gaveta com um “post-it” com a data de oito dias depois".



.



(Reedição. 1ª edição em 8 de Setembro de 2006)


publicado por paulo prudêncio às 19:30 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sexta-feira, 11.06.10



Sua Excelência mandava arquivar tudo em triplicado.

A ideia era antiga e estava decretada: teria sido fixada, segundo uma douta investigação de um correligionário seu, após um parecer dos serviços de bombeiros e de protecção civil.

Mas os tempos tinham mudado: já não era só a arrumação da competente numeração das pastas de arquivo - a 300031 para a cópia 1, a 300032 para a cópia 2 e a 300033 para a cópia 3 - era, agora, a reprodução dos meios de comunicação.

Sua Excelência determinou: “"isto não pode continuar; vamos passar a oficiar a mesma carta de três modos: por correio tradicional, por telefax e por correio electrónico; chega sempre ao destinatário, e as pastas de arquivo passam a ter a seguinte função: a 300031 para a cópia da carta enviada por correio tradicional, a 300032 para a cópia do telefax e a 300033 para a impressão da carta enviada por correio electrónico”".

Quando o questionavam sobre a necessidade do procedimento, Sua Excelência não respondia, mas ria-se muito com a ingenuidade da pergunta.





(Reedição. 1ª edição em 20 de Abril de 2008)



publicado por paulo prudêncio às 19:00 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 11.05.10

 

 

Foi daqui

 

 

 

 

Sua excelência, o supervisor, não é uma genuinidade lusitana, mas tem semelhantes em número, e em género, no rectângulo ibérico para se atribuir ao clima a responsabilidade atmosférica por tão desgraçada condição; a tragédia não é sua, mas das coisas e pessoas supervisionadas. Os mais realistas encontram nesta ambiência a explicação para a eterna dívida financeira da nação, até porque os supervisionados do rectângulo são elogiados quando conduzidos de fora da geometria.

 

O supervisor, ele próprio, nasceu para distribuir. Do resto, nada sabe. É exímio na atribuição de responsabilidades, só requerendo o substantivo quando o efeito de mártir se torna uma suplica ou para agraciar e escudar quem o designou. Faz vida nessa incomodidade.

 

Sua excelência, que gravita à custa de esforço que não o seu, é usado para socorrer casos exigentes. Parte sorridente e deixa um rasto de destruição na sua pegada deficitária.



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Autor:
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