Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 10.04.17

 

 

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(Foi em 2015 que editei este texto pela última vez e publiquei-o com a seguinte introdução: Desafiado por uns quantos amigos, e para contraditar revisonismos localizados e mesmo que muito pouco consistentes, decidi reeditar este texto escrito em 2005 e que inseri no correntes, em 29 de Novembro de 2005; antes da publicação no blogue foi publicado no site das novas fronteiras, no expresso online e na edição impressa da gazeta das caldas em 25 de Novembro de 2005, p.21)

  

 
 
A minha experiência permite-me pensar por raciocínio indutivo o sistema escolar.
 
Passei a década de 90 do século XX e metade da primeira década do século XXI num mergulho quase alucinante na gestão escolar. Foram quinze anos inesquecíveis. E se quando iniciei essa tarefa privilegiada as dúvidas pairavam nas cabeças de muitos dos que me apoiavam - para não falar nos que não me apoiavam - hoje, digo-o, com um orgulho indesmentível, que a obra foi bem sucedida. Tudo assentou numa ideia corajosa que combinou o risco da autonomia com a intenção bem vincada de simplificar procedimentos através da utilização quase obsessiva das tecnologias de informação. E de tempo.
 
Obter informação para a fornecer em tempo real através de fluentes redes informáticas foi a prioridade plenamente conseguida. Tudo isso alicerçado em bases de dados construídas na própria escola, sem custos para a instituição e com a presença constante do primado da administração e da gestão pedagógicas.
 
Aquela escola é, hoje, um lugar de excelência organizativa mas também da vivência assumida e reconhecida de um extraordinário ambiente de trabalho. Conseguiu-se, quase, atingir o modelo das organizações nas democracias mais avançadas: gestão participada com intervenientes autónomos e responsáveis.

Mas não só em modelos indutivos deve assentar a construção das ideias e dos métodos. Recordo as palavras, não literalmente, do Presidente da República Portuguesa quando visitou a Noruega, em 2004: "os noruegueses apostam muito na organização e quando têm que gerir alguma coisa não têm imensas ideias, apostam antes em poucas alavancas e escolhem aquelas que resultando de uma aturada análise lhes parecem as chaves que arrastarão tudo o resto”".

Ora é precisamente isso que é necessário fazer no sistema escolar em Portugal. Temos assistido a um somatório de discussões e polémicas que invariavelmente aumentam o trabalho burocrático dos actores da escola mas que não introduzem qualquer alteração estruturante e significativa. Na maioria das vezes, alimentam apenas os conteúdos necessários para as agendas mediáticas dos órgãos difusores de informação.

Mas a ideia da simplificação não é nova nem de modo nenhum peregrina. Cruzei-me com esta tese nos primeiros anos como docente.
 
Decorria o ano de 1983, tinha acabado de leccionar, a disciplina de educação física, a 11 turmas do 11º ano. Cerca de 400 alunos e um sala exígua que se denominava ginásio. Um verdadeiro suplício. Não havia método de ensino que resultasse. Era um jovem professor cheio de ideias e de vontades académicas e depressa contactei com as amarguras de um docente entusiasmado .Todavia, foi esse o ano da atribuição do prémio Nobel ao britânico William Golding. Lembro-me duma sua entrevista ao canal 2 da televisão portuguesa. Já no fim desse interessante registo, é-lhe feita a pergunta sobre o método de ensino que ele mais utilizava. Estava curioso. Recordo, que o genial escritor tinha sido professor do 1º ciclo durante umas boas três décadas. A resposta foi pronta e mais ou menos do género: "meu caro, com 30 alunos não há método que resulte, agora com 10 alunos todos os métodos podem ser eficazes". Foi lapidar. Ainda hoje faço fé nas palavras deste mestre.

A maioria das escolas, dos 2º e 3º ciclos e do ensino secundário, em Portugal consome 90% da sua energia a tratar dos problemas da sobrelotação. É com se uma família tivesse dez filhos e habitasse uma só assoalhada servida por uma casa da banho. Lá teria o pai que advogar a falta de autoridade ou a mãe de remeter o problema para a complexidade do regulamento interno ou, quiçá, da internet ou da televisão. A questão do sistema escolar em Portugal, e aquilo que o afasta das escolas dos países do chamado primeiro mundo, é a sobrelotação das instalações e o desgraçado regime de desdobramento.

As crianças e os jovens deveriam ter as aulas no período da manhã e as actividades de complemento no início da tarde. Não conheço professor que se resigne ao facto dos seus filhos frequentarem o turno da tarde. E se falo de docentes, posso, também, referir os filhos das famílias capazes de pressionarem as instituições escolares. E os filhos dos que não sabem que o podem fazer? São esses os que abandonam cedo a escola e os que contribuem para os nossos maus desempenhos nos testes internacionais. Em regra é assim.

O que podemos fazer?

Eliminar, como medida inadiável e prioritária, os horários de desdobramento nas escolas, garantindo que nenhum estabelecimento de ensino funcione nesse regime e que o número máximo de alunos por turma se situe em próximo dos 20.
 
Os horários escolares dos alunos têm que respeitar a inclusão das actividades lectivas no período da manhã, ficando o período de início da tarde reservado para as actividades de complemento. Todas as escolas que não cumpram estes objectivos devem ser responsabilizadas, ficando o insucesso desta medida associado à responsabilização política local e regional.
 
Devem ser assinados contratos entre o poder regional, local e escolar de modo a que se estabeleça o limite da consecução destes objectivos. Estou certo que os opositores a estas ideias assentarão os seu argumentos nos imperativos financeiros ou aludirão à complexidade da situação e daqui a uns anos gastaremos fortunas em obras escolares sem projecto que se perceba. O costume. Obstáculos e mais obstáculos que mais não servem do que pugnar pela asfixia, por vezes mesmo que de modo inconsciente, do nosso futuro colectivo.

Mas o sistema é despesista. Nisso estamos todos de acordo. E é despesista, porque, como diz o arquitecto Nuno Teotónio Pereira, e muitos outros especialista o seguem, Portugal tem 38 quadros de divisão administrativa do território e não um como seria moderno e razoável. O que se pouparia aí em recursos financeiros e em capacidade de planeamento regional da carta educativa leva a que se considere o objectivo primordial de fácil realização.

Uma outra ideia fundamental e de alcance estratégico inquestionável passa pela estafada reforma da administração pública. Mas qual o cerne dessa reforma na educação? Muito se tem falado da avaliação do mérito. Mérito de quem?

Olhemos para os concursos de professores para o ano lectivo 2003/04: quem os desenhou propalava o primado da competência da gestão privada. Todos sentimos arrepios.

Encontramos na rede multibanco do sistema bancário o paradigma daquilo que deve ser feito. Importa que o poder central consiga criar os métodos de gestão da informação em tempo real e que estabeleça as redes com as escolas.

Chega de discutir a gestão escolar do modo ingrato, para os docentes claro, que todos conhecemos?(...)Por incrível que possa parecer, nem em 2005 a gestão financeira das escolas passa pelas redes informáticas. Culpa de quem? A maioria das escolas recorre ao software de empresas supostamente especializadas ou constrói as suas próprias bases de dados. E o poder central? Para que serve? Como pode falar de competência em gestão quem nunca o fez de modo eficiente. É como na gestão da casa de cada um de nós: só devemos gastar aquilo que temos e não confiar na bondade do que está escrito nas estrelas. E para isso devemos estar bem informados e em tempo útil. O gestor decisivo é o método e não apenas o académico.

Estão aqui três ideias fundamentais. Investir fortemente no desígnio de eliminar a sobrelotação das escolas e das turmas e considerar como prioritários os horários dos alunos no sentido do rendimento pedagógico. Administrar o território com objectivos claros, mensuráveis, consensuais e modernos e legitimados pelo sufrágio universal. Recorrer às novas tecnologias da informação, criando a rede das escolas através da disponibilização dos indispensáveis instrumentos de gestão - vulgo, bases de dados. Com estas três medidas arrastaremos as outras todas: pedagogias mais ou menos directivas, manuais mais ou menos escolares, professores melhor ou pior formados, exames só nos anos terminais ou nos anos todos. Eu sei lá. Ficaremos parecidos com um país a sério e mais aproximado dos ideais democráticos. Mais do que gestores, o que precisamos é de instrumentos modernos de gestão.

Acordem senhores! Virámos de século, a aldeia é global. Dez anos que sejam, um ligeiro piscar de olhos na vida de uma sociedade.


publicado por paulo prudêncio às 21:29 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 05.04.17

 

 

 

Nota-se bem a presença do simplex dois na "papelada-a-menos-na-muita-papelada-a-menos-nem-sequer substituída-por-ficheiros-digitais" do IRS. E nota-se vontade de simplificar na administração pública.

No sistema escolar é o inverso. O ME exige, ou insinua, informação "impensada" que não é incluída nos programas das empresas de software escolar. Isso provoca a circulação infernal de ficheiros excel e word. É uma escalada sem paralelo. Proporciona também a roda livre escolar de quem "desconhece" que a obtenção de informação "pedagógica" tem exigências administrativas. É o tal mundo criativo da repetição de inutilidades. É uma espécie de "vamos brincar às escolas e à gestão". No mínimo, a governabilidade exigiria a inclusão de "toda" a informação nuclear nesse software como critério primeiro de licenciamento. A avaliação externa "penalizaria" os excessos - e pontuaria as boas soluções - e não o contrário. O uso das muito boas aplicações do office da Microsoft, Word e Excel, deve ser proibido para a obtenção e circulação da informação "oficial" através de programas de email ou alternativos; não vai lá de outro modo. Uma decisão à francesa com os "emails-fora-de-horas". Quem não tem outra solução, ficaria sem a informação e concluiria que o fundamental da escola está longe desse universo.

 

Não é a primeira vez que uso alguns destes argumentos.



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Segunda-feira, 27.03.17

 

 

 

Agir sobre a informação é não só actuar sobre os dados obtidos, mas proceder sobre as relações que se estabelecem. “(...)Ou seja, é agir sobre os padrões coletivos ou individuais de formatação e através deles sobre a perceção do real e sobre a ação que dele decorre(...)” Rascão (2004: 21). Manuel Castells, por exemplo, enuncia vantagens na utilização das redes sociais. Trata-se de saber como usar as novas ferramentas e encontrar caminhos que sem a sua existência seriam improváveis ou mesmo impossíveis.



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Terça-feira, 14.03.17

 

 

Há muito que se sabe que a nuclear gestão da informação das escolas está na "idade da pedra"; nos últimos anos, e com as plataformas digitais, o sistema escolar inaugurou a "idade da pedra digital". É uma atmosfera reconhecida pelas diversas equipas ministeriais antes de o serem. As campanhas eleitorais acusam a infernal hiperburocracia (a analógica e a digital) como a primeira responsável pelo burnout dos profissionais. Mas não passa de retórica. Os exercícios governativos agravam o fenómeno. Não revelam uma ideia sobre o modo de o atenuar. Até os simplex's são intuídos em sentido contrário. As plataformas digitais em que mergulham as escolas padecem de duas "patologias sem sala de aula" na fase de análise e programação: legisladores e empresas comerciais de software escolar.

 

PS: desculpe os anglicismos, caro leitor; mas até ficam bem no ambiente digital do post.

 

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Sexta-feira, 20.01.17

 

 

 

A simplificação de procedimentos organizacionais exige estudo e trabalho, mas é um oxigénio indispensável ao clima relacional num ambiente moderno e civilizado. Está associada à inovação e à coragem informada para contrariar atavismos.



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Quarta-feira, 04.01.17

 

 

 

Os "franceses já podem ignorar emails fora do horário de trabalho". Não é o único país a legislar com a preocupação no burnout de profissionais, que é um flagelo resultante do desconhecimento vigente sobre ciências da administração associadas aos sistemas informacionais dos diversos domínios de actividade. As escolas portuguesas, onde a desconfiança nos professores é a causa de um inferno de informações inúteis, repetidas e redundantes, aderiram às plataformas digitais de empresas comerciais. Quando a sensatez francesa atingir o território nacional, a escola portuguesa ficará finalmente centrada no essencial: aulas, com as respectivas classificações de alunos.

 

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Sexta-feira, 23.12.16

 

 

 

Não me surpreendo quando se aponta o outsourcing (que é predominante nas tecnologias da informação) como a decisão que mais desvantagens associou ao mundo organizacional na modernidade e que contribuiu para a queda da indústria florescente nesse período recente da história: a financeira. A opção pela fonte exterior foi, desde logo, uma auto-certificação de incapacidade.

 

Ter a liberdade de agir sobre os sistemas de informação é um valor precioso para uma instituição. Se antes da sociedade da informação e do conhecimento o poder nas instituições estava na mão de quem decidia sobre o financeiro, com esse advento a capacidade de decisão ficou nas mãos dos dois domínios: financeiro e informação.

 

O outsourcing satisfez o novo grupo de stakeholders: os accionistas. O bem-estar destes investidores resumiu-se aos lucros que subiam sempre que havia uma redução de profissionais. Essa decapitação cerebral levou a que a decisão sobre os detalhes da informação a obter passasse para fora. E por mais partilhado que fosse o período de análise dos sistemas, os decisores do exterior podiam sempre responder: "é uma boa ideia, realmente, mas impossível de concretizar". A dependência externa na definição da informação a obter revelou-se fatal e generalizou-se. 

 

 

Já usei parte desta 

argumentação noutros textos.



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Domingo, 27.11.16

 

 

 

Duas palavras entraram na moda: disruptor (rompe com o que está) e pós-verdade ("os factos objectivos têm menos influência na formação da opinião pública do que os apelos emocionais e as crenças pessoais"). Se fosse um pessimista, diria que estamos enclausurados numa sociedade (septuagenária e erguida nas ruínas da II guerra) em queda sem fim e que esperneamos porque não podemos partir de imediato para outro planeta.

 

Mas como o post é sobre a escola, e como sou optimista, façamos a disrupção a pensar na escola-indústria considerando as "salas de aula do futuro" uma pós-verdade. Desde que há escola que se tenta escapar ao ensino tradicional. Foi assim, por exemplo, "a seguir à II guerra" com Freinet, Montessori e Summerhill e, já com o digital, com as plataformas Moodle que se tornaram processos descontrolados quando aplicados em crianças e mais ainda em turmas numerosas. São também intemporais os comportamentos dos actores. Os modistas acusam os tradicionalistas de acomodados e os segundos reivindicam o fim da história. É difícil mudar a escola-indústria, mais ainda em sistemas centralizados por controle burocrático. É aí que o digital pode ajudar a ideia de "sala de aula do futuro". Não há organização que ensine em ambiente digital se não viver numa atmosfera correspondente. O clima organizacional tem de assentar na confiança e a simplificação de procedimentos tem de eliminar o lançamento de informação inútil, repetida ou redundante. No caso português, está muito por fazer.

 

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Terça-feira, 18.10.16

 

 

 

O tratamento da informação no sistema escolar não está adequado à sociedade da informação e do conhecimento. Está muito longe disso.


Grande parte da informação obtida não é relevante para o processo de tomada de decisões, nem contribui para que os professores, principais fornecedores de informação, concentrem a energia na preparação e realização das actividades lectivas.

 

Exige-se a alteração do que existe. Os sistemas de informação necessitam de uma grande depuração com um objectivo de sentido contrário ao habitual: retirar os campos de obtenção de informação que não suportam a tomada de decisões. Deve ser de lei a proibição da repetição no lançamento de dados: do nome do aluno às classificações que obtêm até aos conteúdos dos relatórios mais diversos. É uma reforma essencial.



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Quarta-feira, 12.10.16

 

 

 

"Há escolas que querem lançar na plataforma digital as actas das eleições dos delegados de turma e dos representantes dos encarregados de educação. Fazem isto porquê e para quê?", dizia-me o impaciente programador de uma empresa de software escolar. E tem razão para a saturação. Este é um bom exemplo, entre dezenas, da falta de confiança na palavra dos professores que gera hiperburocracia e burnout. Durante décadas houve delegados de turma e representantes dos encarregados de educação (há menos tempo no segundo caso), indicados pela palavra do professor que procedia à eleição e não consta que houvesse qualquer problema. Este exemplo demonstra que o digital só por si não simplifica; trata-se de eliminar, como no desenho, os procedimentos burocráticos. E a digitalização de todas as actas escolares, devidamente parametrizadas e sem repetições ou redundâncias, é assunto para uns posts.

 

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Sábado, 24.09.16

 

 

 

 

A desconfiança nos professores, que se instituiu em má burocracia, começou há mais de uma década, mas disseminou-se a partir daí. O "eduquês organizacional" alimentou-se também do modo digital. Os ficheiros que circulam nas redes escolares são intratáveis e atingirão valores não mensuráveis. Aquele anúncio da PT, que afirmava a capacidade em sediar na Covilhã toda a informação do planeta, não considerou o MEC e o sistema escolar.

 

A cultura anti-professor desenvolvida nos serviços centrais generalizou-se. Se considerarmos que o "modelo" exige impressão de documentos para uma leitura atenta e imparcial (), estará na má impressão motivada pela racionalização de tinteiros de impressoras a explicação para a leitura errada dos dados relacionados com professores e que parece suportar-se no que pode ler a seguir. Tem os resultados depois da imagem.

 

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Daniel Kahneman (2011:91), "Pensar, Depressa e Devagar". 

Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.

 

Resultados: 5 e 47.



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Quarta-feira, 29.06.16

 

 

 

ME exige informação "impensada" que não é incluída nos programas das empresas de software escolar. Isso provoca a circulação infernal de ficheiros excel e word. Torna-se doentio. Proporciona também a roda livre escolar de quem "desconhece" que a obtenção de informação "pedagógica" tem exigências administrativas. É o tal mundo criativo da repetição de inutilidades. É uma espécie de "vamos brincar às escolas e à gestão". No mínimo, a governabilidade exigiria a inclusão de "toda" a informação nuclear nesse software como critério primeiro de licenciamento. A avaliação externa (Inspecção-Geral) "penalizaria" os excessos, e não o contrário, e o uso das muito boas aplicações do office da Microsoft.



publicado por paulo prudêncio às 12:26 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sábado, 04.06.16

 

 

 

O tempo real é um sinal da aceleração do tempo nas sociedades actuais. Mas é também o principal indicador de um sistema de informação de uma organização. O tempo entre a obtenção e o fornecimento da informação é real ou não é transparente. Por paradoxal que pareça, a optimização do tempo real desacelera o tempo das pessoas.

 

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Sexta-feira, 03.06.16

 

 

 

Não me surpreendo quando se aponta o outsourcing (que é predominante nas tecnologias da informação) como a decisão que mais desvantagens associou ao mundo organizacional. A opção pela fonte exterior foi uma auto-certificação de incapacidade.

Ter a liberdade de agir sobre os sistemas de informação é um valor precioso. Se antes da sociedade da informação e do conhecimento o poder nas instituições estava na mão de quem decidia sobre o financeiro, com esse advento a capacidade de decisão ficou nas mãos de dois domínios: financeiro e informação.

O outsourcing satisfez o novo grupo de stakeholders: os accionistas. O seu bem-estar resumiu-se aos lucros que subiam com a redução de profissionais. E por mais partilhado que fosse o período de análise, os decisores do exterior podiam sempre responder: "é uma boa ideia, realmente, mas impossível de concretizar".

A dependência externa na definição da informação a obter revelou-se fatal e generalizou-se.

São poucas as administrações as que definem os campos da informação e o assunto tem toda a relação com os "cíclicos" concursos de professores e com o inferno hiperburocrático no ambiente escolar. O que acabei de escrever não contraria a ideia de base de dados única associada ao simplex dois. Mas sobre isso, escrevi no post anterior.

 

Já usei parte deste texto noutro post. 



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Quinta-feira, 02.06.16

 

 

 

Em 2007, o MEC seguiu em sentido contrário ao primeiro simplex.

 

Desta vez, o que se percebe do "escola a 360 graus" faz temer o mesmo. Não porque em 360 graus se fique na mesma posição e o ME(C) precisasse de 180 graus. Não será um jogo de designações, é todo um arsenal de hiperburocracia que teima em aumentar com o digital. O fundamental é suprimir, ou, no mínimo, automatizar, procedimentos inúteis ou repetidos.

 

Em 2007, o inaugurado MISI (Missão para os Sistemas de Informação) também tentou a base de dados única. Como os engenheiros dos serviços centrais foram injustamente exonerados por causa do caos (criado por políticos tecnicamente impreparados mas cheios da soberba do país de tanga) nos concursos de 2004, o MISI tentou as empresas comerciais de software escolar. Não confiou, ou não conseguiu acordar, e fez bem. Nesta altura, e olhando para o que existe e considerando o que a maioria do ourtsourcing programa como informação útil ou desprezível (a segunda fica para o inferno das grelhas impensadas em excel e word), há motivos para sérias preocupações. Para além dos dados biográficos, no universo da gestão da informação está tudo por fazer. 

 

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Quinta-feira, 03.03.16

 

 

 

Quem nunca esteve num conselho de turma do ensino não superior, não sabe decidir a nível macro sobre as variáveis informacionais que produzem conhecimento que apoie a tomada de decisões. Nem sei se parece, mas esta evidência é determinante e ocorre há anos a fio.

 

No mesmo domínio, e aos níveis meso e micro, esse deconhecimento é causador de entropia pela incapacidade de relacionar as variáveis referidas com a operacionalização dos sistemas de informação.

 

Se juntarmos as duas formulações, encontramos uma sólida resposta para o aparecimento de burnout nos ambientes escolares que se acentua nas sociedades minadas pela desconfiança. A hiperburocracia também se instala nos suportes digitais, contribui para a "fuga" de profissionais e para o aumento da desesperança. Todavia, o desenho transmite um sinal de espeança.

 

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Quinta-feira, 07.01.16

 

 

Numa sociedade saudável, a gestão administrativa das faltas escolares tem a justificação como ponto de partida. Ou seja, os sistemas de informação são programados para que o lançamento inicial seja como falta justificada.

 

Nas sociedades ausentes ou doentes, o ponto de partida administrativo da falta escolar é a injustificação. Ou seja, a desconfiança prevalece e este pequeno detalhe provoca uma sucessão de procedimentos para justificar a maioria das faltas; que são justificadas. É até um bom exemplo, mesmo que risível para quem não lida com tanto absurdo, para explicar o inferno burocrático que caracteriza estas segundas sociedades que registam um queixume constante em relação ao excesso de burocracia e um permanente passar de culpas entre actores viciados em desconfiança; uma espécie de espelho.

 

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Quarta-feira, 30.12.15

 

 

 

 

Não me surpreendo quando se aponta o outsourcing (que é predominante nas tecnologias da informação) como a decisão que mais desvantagens associou ao mundo organizacional na modernidade e que contribuiu para a queda da industria florescente nesse período recente da história: a financeira.

 

A opção pela fonte exterior foi, desde logo, uma auto-certificação de incapacidade.

 

Ter a liberdade de agir sobre os sistemas de informação é um valor precioso para uma instituição. Se antes da sociedade da informação e do conhecimento o poder nas instituições estava na mão de quem decidia sobre o financeiro, com esse advento a capacidade de decisão ficou nas mãos dos dois domínios: financeiro e informação.

 

O outsourcing satisfez o novo grupo de stakeholders: os accionistas. O bem-estar destes investidores resumiu-se aos lucros que subiam sempre que havia uma redução de profissionais. Essa decapitação cerebral levou a que a decisão sobre os detalhes da informação a obter passasse para fora. E por mais partilhado que fosse o período de análise dos sistemas, os decisores do exterior podiam sempre responder: "é uma boa ideia, realmente, mas impossível de concretizar".

 

A dependência externa na definição da informação a obter revelou-se fatal e generalizou-se. 

 

São poucas as administrações com condições para definirem os campos da informação e o assunto tem toda a relação com o recente Citius, com os "cíclicos" concursos de professores e com o inferno hiperburocrático no ambiente escolar.

 

 

 

Já usei parte desta 

argumentação noutros textos.



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Quinta-feira, 17.12.15

 

 

 

Há uma variável antiga no sistema escolar que exige uma imperativa reforma: o mangas-de-alpaca na didáctica do ensino, na geral e na específica, que exerce funções de gestão, no MEC, na inspecção ou nas escolas, tem de ser anulado por lei e ponto final. A praga transfere-se de imediato para o digital, daí a hiperburocracia digital, e agrava-se se acumula pouca apetência para as questões das humanidades e das artes e falta de estudo em sistemas de informação e comunicação. Muito da síndrome de burnout passa também por aí.

 

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Quinta-feira, 10.12.15

 

 

 

Mesmo numa lógica de conhecimento sumário e introdutório, deve precisar-se que agir sobre a informação é não só actuar sobre os dados obtidos, mas proceder sobre as relações que se estabelecem, “(...)ou seja, sobre os padrões coletivos ou individuais de formatação e através deles sobre a perceção do real e sobre a ação que dela decorre (...)” Rascão (2004: 21). Ainda noutro dia ouvi Manuel Castells enunciar vantagens na utilização das redes sociais: trata-se, como sempre, de saber como usar as novas ferramentas e encontrar caminhos que sem a sua existência seriam improváveis ou mesmo impossíveis.

 

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Segunda-feira, 07.12.15

 

 

"As aplicações informáticas obtêm os dados dos alunos e não disponibilizam qualquer relatório com um resumo das classificações por turma, disciplina ou ano de escolaridade e podia dar inúmeros exemplos destes. Temos de ir às pautas e contar as classificações".


É mesmo assim. Por incrível que possa parecer, esta conclusão é real em 2015 e dá ideia que estará na mesma em 2025 e em 2035. Em muitos casos, essas aplicações até impedem a exportação de dados para tratamento noutro software. Há empresas privadas estabelecidas neste mercado escolar há quase 20 anos, que estão licenciadas desde 2007 pela Missão para os Sistemas de Informação (o MISI do MEC), e que vivem num estado anterior a 1990 quando o data mining (um "palavrão" que significa relatórios, mineração, de dados) era uma exigência e quando já nem sequer se imaginava comercializar bases de dados sem construção de históricos e sem relação de variáveis. Impressiona o somatório de desconhecimentos nesta área, as empresas acham-se proprietárias dos dados e a selva em que vivem provoca uma parte essencial do conhecido inferno de repetições e inutilidades.

 

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Terça-feira, 01.09.15

 

 

 

Há inúmeros motivos para a descida organizacional do sistema escolar que não correspondem directamente à análise dos resultados dos alunos: são de gestão pura e dura. Estou a pensar, por exemplo, nos três verbos que orientaram a atmosfera organizacional e que a empurraram para a eficiência não produtiva e para o inferno da hiperburocratização: articular, agrupar e cooperar. Estes modismos na linguagem do sistema escolar determinaram o "estar muito tempo juntos" mesmo que sem qualquer visão ou estratégia, falidos de instrumentos modernos de gestão e enquadrados por reuniões sem agenda ou liderança e com uma suposta informação que se repetiu de sessão em sessão. Quando nada mais restou para justificar o deserto da gestão, as três pessoas do plural entraram em acção; embora a terceira, e no futuro do indicativo, fosse a mais requisitada. São três verbos que remeteram a burocracia escolar para o lugar que ninguém deveria desejar: o dos procedimentos inúteis. Quando se ouviram as conclusões dos arautos do tríptico verbal, encontrou-se pouco mais do que a socialização dos professores.

 

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Quinta-feira, 18.06.15

 

 

 

Ando a testar novas aplicações resultantes de novo software e hardware. Inadvertidamente, têm entrado actualizações automáticas do blogue (e partilhas automáticas) no Twitter e no Facebook (mais até no primeiro) e envio de emails teste. Nem sempre os posts estavam concluídos. Parece-me que está tudo regularizado, obrigado a quem me avisou e estarei desculpado.

 



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Quarta-feira, 20.05.15

 

 

 

Portugal tem, desde meados da década de noventa do século XX, condições informacionais para digitalizar dados sobre os alunos que disponibilizem boa informação que reduza o abandono escolar (sim, foi isso mesmo que leu) e que torne civilizada a atmosfera organizacional. A informação não é tudo nesses domínios, mas é preciosa. Por que é que isso não aconteceu? Desde logo, porque a construção dos sistemas atomizou-se, ficou a cargo do outsourcing e foi desenhada por especialistas em sistemas de informação e comunicação e não por gestores da informação escolar.

Desperdiçaram-se recursos financeiros avultados e o que existe é informação não integrada. Os milhões de dados lançados diariamente nas nossas escolas continuam "intratáveis", produzem parco conhecimento e sustentam algumas empresas comerciais que se apoderarem do mercado e o condicionam. A entropia informacional transformou num "inferno" o lançamento repetido da informação.

A iniciativa, em 2013, no concelho de Odemira pareceu meritória porque tentou reunir numa mesma base de dados a informação sobre os alunos desde a entrada no sistema e porque foi uma websolução. Era importante saber o que aconteceu dois anos depois. Várias escolas perseguiram caminhos semelhantes, mas as constantes alterações na gestão escolar impediram qualquer consolidação que aconselhasse a generalização. Esse objectivo é crucial e é imperdoável que se desperdice mais um quadro comunitário com "soluções" pato-bravistas.

No entanto, a iniciativa de Odemira pode repetir o que existe. E por quê? Porque a informação determinante sobre cada um dos alunos está longe de se esgotar num programa de discentes; e o mesmo acontece com os restantes actores do sistema. O universo informativo da escola como organização inclui horários escolares, calendarização de reuniões, sumários, serviços de apoio social, bibliotecas, utilização de cartões electrónicos, programas educativos individuais, actas de reuniões e por aí fora. E se um sistema não integrar todos os dados, é mais o que se perde do que o que produz conhecimento.

 

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Terça-feira, 05.05.15

 

 

 

 

Na nossa cultura organizacional escolar identificam-se três sub-sistemas que são responsáveis por uma entropia informacional resultante da repetição de dados associada à obtenção de informação inútil: o sub-sistema dos departamentos curriculares, o sub-sistema das direcções de turma e o sub-sistema administrativo. E o mais grave é que quem se dedica à avaliação externa não só não contraria a tendência como a estimula e premeia; por inconsciência, por impreparação ou por imersão num sistema sem rumo, sem visão e sem estratégia e onde prevalece a jurisprudência do temor da sacrossanta informação.

 

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publicado por paulo prudêncio às 11:25 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Segunda-feira, 02.03.15

 

 

 

As três variáveis do livro de ponto - sumários, faltas de alunos e de professores - têm de obedecer a outra filosofia de gestão na passagem do analógico para o digital. Provocar-se-á entropia se o pensamento analógico se sobrepuser na transferência e haverá produção de conhecimento e significativa melhoria da atmosfera organizacional se o pensamento digital for conhecedor da gestão da informação.

 

O sumário tem um valor didáctico e histórico e o pensamento analógico acrescentou-lhe um tempo de registo - momento de abertura e de conclusão, por exemplo - sem qualquer base docimológica. O tempo que existe no pensamento analógico deve ser eliminado. No pensamento digital, o tempo de registo deve ficar ao critério do professor e do seu grupo disciplinar, que devem ainda decidir por um tipo de registo mais alargado no tempo (semanal, mensal, por período lectivo, por unidades de ensino ou apenas no final do ano lectivo com um sumário do que foi leccionado) e o sistema deve permitir o lançamento por WEB para não se circunscrever aos terminas da rede da instituição. Não é tolerável que a passagem acrescente constrangimentos procedimentais que o desviem das tarefas do ensino.

 

O registo de faltas de alunos e professores não tem qualquer relação com os sumários no pensamento digital. O pensamento analógico estabeleceu lógicas inversas para esse registo - o professor rubrica a sua presença enquanto em relação aos alunos apenas se regista a falta; os assistentes operacionais registam a falta do professor -.

 

O pensamento digital apenas regista faltas de professores e alunos; a presença é, obviamente, a consequência do não registo da falta. Os registos devem ser feitos em tempo de aula e em terminais da rede. As faltas dos professores por um assistente operacional ou administrativo e as dos alunos pelo professor ou por um dos assistentes referidos.

 

Este pequeno exemplo pode ser extrapolado para dezenas de procedimentos que hiperburocratizam a vida deste tipo de organizações. Não basta mudar os instrumentos, é necessário pensar a filosofia de gestão.

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:45 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 30.10.14

 

 

 

Obscenidade é, por exemplo, lançar o nome de uma pessoa e depois afirmar-se a sua inocência. O vale tudo tem a ética em estado de sítio.

 

Captura de Tela 2014-10-30 às 22.42.41.png

 



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Sábado, 25.10.14

 

 

 

Não me surpreendi quando o orador apontou o outsourcing (que é predominante nas tecnologias da informação e nos respectivos sistemas) como uma das decisões que mais desvantagens associou ao mundo organizacional na modernidade e que contribuiu para a queda da industria florescente nesse período recente da história: a financeira.

 

A opção pela fonte exterior foi, desde logo, uma auto-certificação de incapacidade.

 

Ter a liberdade de agir sobre os seus sistemas de informação é um valor precioso para uma instituição.

 

O outsourcing em sistemas de informação satisfazia o novo grupo de stakeholders das organizações modernas: os accionistas. O bem-estar destes investidores resumia-se aos lucros obtidos que subiam sempre que havia uma redução de profissionais. Essa decapitação cerebral levou a que a decisão sobre os detalhes da informação a obter passasse para fora. E por mais partilhado que fosse o período de análise dos sistemas, os decisores do exterior podiam sempre responder: "é uma boa ideia, realmente, mas é impossível de concretizar".

 

A dependência externa na definição da informação que deve ser obtida na rede para suporte à tomada de decisões revelou-se fatal e generalizou-se. 

 

São poucas as administrações com condições para definirem os campos da informação e dá ideia que o assunto tem toda a relação com o Citius e com os concursos de professores, para além da comprovada, nesses casos, incapacidade política e técnica dos decisores.

 

 

 

Já usei parte desta

argumentação noutros textos.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:34 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 04.10.14

 

 

 

Fui ler este texto (que intitulei "Pensar o sistema escolar" e que publiquei em diversos sítios) que escrevi há quase dez anos e repubico a parte final. 

 

O que podemos fazer? 

Eliminar, como medida inadiável e prioritária, os horários de desdobramento nas escolas, garantindo que nenhum estabelecimento de ensino funcione nesse regime e que o número máximo de alunos por turma se situe próximo dos 20.
 
Os horários escolares dos alunos têm que respeitar a inclusão das actividades lectivas no período da manhã, ficando o período de início da tarde reservado para as actividades de complemento. Todas as escolas que não cumpram estes objectivos devem ser responsabilizadas, ficando o insucesso desta medida associado à responsabilização política local e regional.
 
Estou certo que os opositores a estas ideias assentarão os seu argumentos nos imperativos financeiros ou aludirão à complexidade da situação e daqui a uns anos gastaremos fortunas em obras escolares sem projecto que se perceba. O costume. Obstáculos e mais obstáculos que mais não servem do que pugnar pela asfixia, por vezes mesmo que de modo inconsciente, do futuro colectivo. 

Mas o sistema é despesista. Nisso estamos todos de acordo. E é despesista, porque, como diz o arquitecto Nuno Teotónio Pereira, e muitos outros especialistas o seguem, Portugal tem 38 quadros de divisão administrativa do território e não um como seria moderno e razoável. O que se pouparia aí em recursos financeiros e em capacidade de planeamento regional da carta educativa leva a que se considere o objectivo primordial de fácil realização. 

Uma outra ideia fundamental e de alcance estratégico inquestionável passa pela estafada reforma da administração pública. Mas qual o cerne dessa reforma na educação? Muito se tem falado da avaliação do mérito. Mérito de quem? 

Olhemos para os concursos de professores para o ano lectivo 2003/04: quem os desenhou propalava o primado da competência da gestão privada. Todos sentimos arrepios. 

Encontramos na rede multibanco do sistema bancário o paradigma daquilo que deve ser feito. Importa que o poder central consiga criar os métodos de gestão da informação em tempo real e que estabeleça as redes com as escolas. 

Chega de discutir a gestão escolar do modo ingrato, para os docentes claro, que todos conhecemos. (...)Por incrível que possa parecer, nem em 2005 a gestão financeira das escolas passa pelas redes informáticas. Culpa de quem?
 
A maioria das escolas recorre ao software de empresas supostamente especializadas ou constrói as suas próprias bases de dados. E o poder central? Para que serve? Como pode falar de competência em gestão quem nunca o fez de modo eficiente. É como na gestão da casa de cada um de nós: só devemos gastar aquilo que temos e não confiar na bondade do que está escrito nas estrelas. E para isso devemos estar bem informados e em tempo útil.(...)

Estão aqui três ideias fundamentais.
 
Investir fortemente no desígnio de eliminar a sobrelotação das escolas e das turmas e considerar como prioritários os horários dos alunos no sentido do rendimento pedagógico.
 
Administrar o território com objectivos claros, mensuráveis, consensuais e modernos e legitimados pelo sufrágio directo e universal.
 
Recorrer às novas tecnologias da informação, criando a rede das escolas através da disponibilização dos indispensáveis instrumentos de gestão - vulgo, bases de dados.
 
Com estas três medidas arrastaremos as outras todas: pedagogias mais ou menos directivas, manuais mais ou menos escolares, professores melhor ou pior formados, exames só nos anos terminais ou nos anos todos. Eu sei lá. Ficaremos parecidos com um país a sério e mais aproximado dos ideais democráticos. Mais do que gestores, o que precisamos é de instrumentos modernos de gestão. 

 
 


publicado por paulo prudêncio às 15:09 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Terça-feira, 23.09.14

 

 

 

 

plano B para o bloqueio do Citius é em excel? A coisa é pior do que se podia imaginar e espera-se que o gabinete de Passos não torne o plano transversal e o aplique aos concursos de professores. O excel é uma poderosa folha de cálculo, mas é uma impossibilidade para a gestão de dados numa rede com estas características.

 

 

 

A ameaça de demissões é um plano C do mesmo nível de gestão?

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:27 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quinta-feira, 19.06.14

 

 

 

"58 directores demitem-se em bloco no Hospital de S. João" e um dos motivos é a asfixia burocrática. Há tempos ouvi um especialista a explicar o inferno burocrático que é o tratamento de dados no sistema de saúde feito por empresas de outsourcing que pouco sabem da gestão real das instituições.  

 

O sistema escolar está há anos mergulhado num inferno semelhante. A gestão de dados no universo escolar não é explicável a alguém que viva no mundo moderno. A sério que não.

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 22:30 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 21.05.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É comum dizer-se que 70% da actividade da nossa administração pública é para si própria. A informação circula dentro do Estado para que os diversos serviços se informem em duplicado ou triplicado, como se não existisse público.

 

Na nossa cultura organizacional escolar identifica-se a existência de três sub-sistemas, que são responsáveis por uma entropia informacional resultante da repetição e redundância de dados. O sub-sistema dos departamentos curriculares, o sub-sistema das direcções de turma e o sub-sistema administrativo acrescentam aos referidos 70% um número que surpreende um qualquer registo sensato. O mais grave é que quem se dedica à avaliação externa não só não contraria a tendência como a estimula e premeia.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 13:36 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 14.05.14

 

 

 

Muito se falou da necessidade de ajustamento e o sistema escolar (SE) não escapou aos cortes a eito. Aconteceu o que há muito se conhece da avaliação com e sem referência a objectivos: os decisores escolheram as metas com base em preconceitos e implodiram os alvos errados.

 

Pelo que se vai lendo, o mais importante ajustamento no SE continua por fazer: a eliminação dos procedimentos inúteis que inundam de má burocracia os sistemas de informação. E o mais grave é que o mau hábito não é recente e já atingiu níveis entrópicos e insuportáveis.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:23 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 18.03.14

 

 

 

 

"Tudo o que o Ministério da Educação manda por "e-mail" para as escolas é inútil. Tudo!", ou o professor "abaixo de cão", é uma discussão para acompanhar com curiosidade. Tenho uma dissertação sobre o assunto e não quero reafirmar o "tudo"; mas convenço-me que anda lá perto, que a maioria da informação obtida é inútil e solicitada repetidamente.



publicado por paulo prudêncio às 09:38 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 02.03.14

 

 

 

 

 

 

É conhecida a aversão do MEC a sistemas de informação modernos e razoáveis.

 

Dá ideia que a cultura anti-professor desenvolvida nesses serviços centrais influencia a maioria dos comentadores mainstream. Se considerarmos natural a necessidade de impressão de documentos para uma leitura atenta e imparcial, estará na má impressão motivada pela racionalização de tinteiros de impressoras a explicação para a leitura errada e constante dos dados relacionados com professores e que parece suportar-se no que pode ler a seguir?

 

Tem os resultados depois da imagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

Daniel Kahneman (2011:91), "Pensar, Depressa e Devagar".

Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.

 

 

 

Resultados: 5 e 47.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 14:53 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 04.02.14

 

 

 

 

 

Não me surpreendi quando o orador apontou o outsourcing (que é predominante nas tecnologias da informação e nos respectivos sistemas) como uma das decisões que mais desvantagens associou ao mundo organizacional na modernidade e que mais contribuiu para a hecatombe da industria mais florescente desse período recente da nossa história: a financeira. Comprovou-se que a opção pela fonte exterior é também uma auto-certificação de incapacidade.

 

O que de mais precioso uma instituição pode ter é a liberdade de agir sobre os seus sistemas de informação.

 

O outsourcing em sistemas de informação satisfazia o novo grupo de stakeholders das organizações modernas: os accionistas. O bem-estar destes investidores resumia-se aos lucros obtidos que subiam sempre que havia uma redução de profissionais. Essa decapitação cerebral levou a que a decisão sobre os detalhes da informação a obter passasse para fora, por mais partilhado que fosse o período de análise dos sistemas; os decisores do exterior podiam sempre responder: "é uma boa ideia, realmente, mas é impossível de concretizar".

 

Essa dependência do exterior na definição da informação que deve ser obtida na rede para suporte à tomada de decisões revelou-se fatal e generalizou-se. São poucas as administrações que têm condições para definirem verdadeiramente os campos da informação e dá ideia que o assunto entrou nas campanhas eleitorais.

 

 

 

 


publicado por paulo prudêncio às 10:43 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 21.01.14

 

 

 

 

Muito se falou da necessidade de ajustamento e o sistema escolar (SE) não escapou aos cortes a eito. Aconteceu o que há muito se conhece da avaliação com e sem referência a objectivos: os decisores escolheram as metas com base em preconceitos e implodiram os alvos errados.

 

Pelo que se vai lendo, o mais importante ajustamento no SE continua por fazer: a eliminação dos procedimentos inúteis que inundam de má burocracia os sistemas de informação. E não é só por impreparação que o excesso acontece; é também por vaidade e pelo descrédito a que chegou o clima organizacional. Quem chega aos espaços de decisão sente-se "legitimado" para acrescentar procedimentos quando o imperativo era a eliminação. E o mais grave é que o mau hábito não é recente e já atingiu níveis entrópicos e insuportáveis.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 12:10 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 19.01.14

 

 

 

 

A impressa do Público dedica treze páginas ao inverno da ciência numa espécie de dossiê que se recomenda. São muitas as variáveis que os descomplexados competitivos que governam resolveram terraplenar. Mas há a uma, a confiança, que é estrutural e que vai para além da troika. O inferno da burocracia, agora em modo digital, já atravessava todos os graus de ensino, do pré-escolar ao superior, mas também desoxigena a investigação e a ciência.

 

 

 

 

Página 8 da edição impressa do Público.

 

 

A passagem do tratamento da informação do analógico para o digital não acrescentou, na esmagadora maioria dos casos, "inteligência" aos sistemas. Pode até tê-los burocratizado mais, principalmente quando o outsourcing ou as pessoas das tecnologias da informação e comunicação decidiram sobre a criação dos campos da gestão da informação. O clima de desconfiança cimentou o inferno neste domínio.

 

Podemos acrescentar inúmeros exemplos que tornam inteligíveis as soluções e que contrariam o discurso de que não há nada a fazer.

 

Consideremos dois exemplos que me parecem esclarecedores. Se numa instituição escolar há um programa informático de alunos que integra o campo que insere o masculino/feminino, deve ser impedido por lei que a organização solicite a um director de turma, ou a qualquer outro actor da organização, que "conte" os masculinos e os femininos da sua turma e que lance os dados num qualquer suporte digital ou analógico. É uma obrigação da organização, e do seu software, disponibilizar relatórios com sumários sobre a informação obtida. Do mesmo modo, uma organização escolar deve ter o direito de não lançar informação repetida nas das bases de dados dos serviços centrais do MEC. É impensável que os serviços centrais de um ministério "desconheçam" que têm diferentes departamentos (ou o mesmo departamento) a solicitarem a mesma informação.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 14:42 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Segunda-feira, 09.12.13

 

 

 

Por mais que teimem nos argumentos, os modelos meritocráticos aplicados em organizações em que os desempenhos das pessoas são dificilmente mensuráveis (e falta saber em quais é que isso se consegue) têm resultados contrários ao pretendido. Podemos afirmar, com toda a segurança, que nessas circunstâncias até contribuem para o retrocesso dos sistemas organizacionais e para a dilaceração da atmosfera relacional com particular incidência para os mecanismos de cooperação e de mobilização.



publicado por paulo prudêncio às 20:32 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 27.10.13

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Inauguração do blogue
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Autor:
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