Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 15.08.17

 

 

 

O 15 de Agosto recorda-me sempre o filme imperdível de Gianni de Gregorio. E nem sei porquê, mas desta vez associo-o à difícil poesia de Rainer Maria Rilke: exige leitura repetida, mas o resultado é sublime. É um dos meus poetas preferidos. Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno, situado perto da cidade de Trieste e sobre o mar Adriático. Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.

 

  

Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias

dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse

para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua

natureza mais potente. Pois o belo apenas é

o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,

e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha

destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.

 

Por isso me contenho e engulo o apelo

deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia

valer? Nem Anjos, nem homens,

e os argutos animais sabem já

que nós no mundo interpretado não estamos

confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez

uma árvore na encosta que possamos rever

diariamente; resta-nos a rua de ontem

e a fidelidade continuada de um hábito,

que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.

 

Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo

nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,

suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente

do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?

Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)

 

Depois da poesia, um vídeo do filme - é um muito bom momento de humor -.

 

 



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Domingo, 30.04.17

 

 

 

A poesia de Rainer Maria Rilke não é fácil. Exige leitura repetida. O resultado é sublime. É um dos meus poetas preferidos. Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno, que se situa perto da cidade de Trieste sobre o mar Adriático. Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.

 

  

Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias

dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse

para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua

natureza mais potente. Pois o belo apenas é

o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,

e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha

destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.

 

Por isso me contenho e engulo o apelo

deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia

valer? Nem Anjos, nem homens,

e os argutos animais sabem já

que nós no mundo interpretado não estamos

confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez

uma árvore na encosta que possamos rever

diariamente; resta-nos a rua de ontem

e a fidelidade continuada de um hábito,

que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.

 

Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo

nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,

suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente

do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?

Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)



publicado por paulo prudêncio às 12:59 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 02.02.17

 

 

 

 

A nona elegia.


Porquê, se é possível viver o prazo da existência,
até ao seu termo, como loureiro, um pouco mais escuro do que
todos os outros tons de verde, com pequenas ondas no rebordo
da folhagem (como o sorriso de um vento) -: porquê então esta
forçosa existência humana -, e, evitando o destino,
ter saudades do destino?...

(continua)




Rainer Maria Rilke.
As Elegias de Duíno,
Tradução de Maria Teresa Dias Furtado,
Assírio & Alvim.



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Quarta-feira, 03.08.16

 

 

 

Rilke já nos avisara para a possibilidade terrível dos anjos. Salvador Dalí transformou-os em borboletas, um símbolo da mafia tatuada nas costas dos elementos. A intemporal premonição de Dalí (Os anjos transformam-se em borboletas) está patente no Museu de Belas Artes de Oviedo.

image.jpeg

 



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Sábado, 30.04.16

 

 

 

A poesia de Rainer Maria Rilke não é fácil. Exige leitura repetida. O resultado é sempre sublime. É um dos meus poetas preferidos.

 

Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno, que se situa perto da cidade de Trieste e sobre o mar Adriático.

 

Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.

 

  

Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias

dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse

para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua

natureza mais potente. Pois o belo apenas é

o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,

e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha

destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.

 

Por isso me contenho e engulo o apelo

deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia

valer? Nem Anjos, nem homens,

e os argutos animais sabem já

que nós no mundo interpretado não estamos

confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez

uma árvore na encosta que possamos rever

diariamente; resta-nos a rua de ontem

e a fidelidade continuada de um hábito,

que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.

 

Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo

nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,

suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente

do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?

Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)



publicado por paulo prudêncio às 11:23 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 03.10.15

 

 

 

 

 

 

Há duas ideias a ter em conta nos picos de contestação: o aforismo de Wittgenstein que diz que "as relações humanas seriam muito diferentes se fosse transparente a relação entre dor e linguagem, se sentíssemos a dor do outro ao ouvi-lo enunciando a palavra" e a certeza de Rainer Maria Rilke de que, em qualquer circunstância e por mais rodeados de pessoas que estejamos, "estamos irremediavelmente sós".

 

Os professores não escapam à devastação a que têm sido sujeitos a maior parte dos portugueses. Têm até a particularidade de andarem há anos a fio em "mobilidade especial". A união que se está a verificar neste grupo profissional terá uma estreita relação com a "impossibilidade" de escapar à tragédia e com a necessidade de contrariar o infortúnio em solidão. A catarse colectiva manifesta-se de várias formas e está longe de se esgotar. A distância que nos separa do fim da linha é tão longínqua como a que medeia as "realidades" de 2006 e 2013. Os administradores da mesa negocial devem ponderar muito bem sobre o momento de excepção que vivemos e podem passar os olhos pela última e excepcional obra de Herberto Helder.

 

1ª edição em 10 de Junho de 2013.

 

 

Herberto Helder (2013:78). "Servidões". Assírio e Alvim. Lisboa.

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 29.03.15

 

 

 

 

A poesia de Rainer Maria Rilke não é fácil e é preciso reler algumas vezes. O resultado é sempre sublime. É um dos meus poetas preferidos.

 

Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno que se situa perto da cidade de Trieste e sobre o mar Adriático.

 

Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.

 

 

 

 

 

Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias

dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse

para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua

natureza mais potente. Pois o belo apenas é

o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,

e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha

destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.

 

Por isso me contenho e engulo o apelo

deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia

valer? Nem Anjos, nem homens,

e os argutos animais sabem já

que nós no mundo interpretado não estamos

confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez

uma árvore na encosta que possamos rever

diariamente; resta-nos a rua de ontem

e a fidelidade continuada de um hábito,

que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.

 

Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo

nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,

suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente

do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?

Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)

 



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Terça-feira, 04.11.14

 

 

 

A poesia de Rainer Maria Rilke não é fácil e é preciso reler algumas vezes. O resultado é sempre sublime. É um dos meus poetas preferidos.

 

Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno erigido perto da cidade de Trieste e sobre o mar Adriático.

 

Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.

 

 

 

Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias

dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse

para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua

natureza mais potente. Pois o belo apenas é

o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,

e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha

destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.

 

Por isso me contenho e engulo o apelo

deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia

valer? Nem Anjos, nem homens,

e os argutos animais sabem já

que nós no mundo interpretado não estamos

confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez

uma árvore na encosta que possamos rever

diariamente; resta-nos a rua de ontem

e a fidelidade continuada de um hábito,

que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.

 

Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo

nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,

suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente

do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?

Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)

 

 

 

 



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Terça-feira, 10.06.14

 

 

 

 

 

 

 

"A morte sem mestre" de Herberto Helder exigiu o pagamento antecipado para a aquisição de um exemplar de mais uma edição limitada. Já tinha sido assim com o "Servidões", apesar da questão financeira ter seguido a modalidade habitual. Desta vez, somos premiados com um CD com cinco poemas lidos pelo autor.

 

 

 

 

 

O primeiro poema remeteu-me para Rilke, para as suas "Elegias de Duíno" e para os seus anjos. Mais à frente, Herberto Helder parece concordar ao referir "As elegias da morte". É um bom começo.

 

 

 

 

É uma obra que se recomenda (considero-a genial, mas isso já é vulgar em Herberto Helder). Escolhi ainda a página 31, mas podia ter sido outra qualquer. Talvez volte a postar sobre o livro e espero não trair o negócio. O "Servidões" ficou-me por 20 e poucos euros e, segundo o livreiro, já vai em mais de 150 nos nos locais de comércio. Mas até o autor parece concordar com o fastio com tanto número.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 30.04.14

 

 

 

 

A poesia de Rainer Maria Rilke não é fácil e é preciso reler algumas vezes. O resultado é sempre sublime. É um dos meus poetas preferidos.

 

Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno que se situa perto da cidade de Trieste e sobre o mar Adriático.

 

Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.

 

 

 

 

 

Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias

dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse

para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua

natureza mais potente. Pois o belo apenas é

o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,

e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha

destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.

 

Por isso me contenho e engulo o apelo

deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia

valer? Nem Anjos, nem homens,

e os argutos animais sabem já

que nós no mundo interpretado não estamos

confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez

uma árvore na encosta que possamos rever

diariamente; resta-nos a rua de ontem

e a fidelidade continuada de um hábito,

que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.

 

Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo

nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,

suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente

do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?

Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 29.04.14

 

 

 

 

 

 

 

A nona elegia.


Porquê, se é possível viver o prazo da existência,
até ao seu termo, como loureiro, um pouco mais escuro do que
todos os outros tons de verde, com pequenas ondas no rebordo
da folhagem (como o sorriso de um vento) -: porquê então esta
forçosa existência humana -, e, evitando o destino,
ter saudades do destino?...

(continua)

 

 

 

 

Rainer Maria Rilke.
As Elegias de Duíno,
Tradução de Maria Teresa Dias Furtado,
Assírio & Alvim.

 



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Domingo, 27.04.14

 

 

 

 

Faleceu Vasco Graça Moura, "um intelectual renascentista do Século XXI".

 

O escritor tem uma obra vasta que vai da poesia ao ensaio passando pela ficção e pelo teatro. Gosto da sua poesia e devo-lhe, acima de tudo e através das traduções, o acesso a duas obras maiores: "A divina comédia" de Dante Alighieri (e essa espécie de introdutório o "A vita nuova") e "Os sonetos a orfeu" do enormíssimo Rainer Maria Rilke. Que descanse em paz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 11.02.14

 

 

 

 

Há duas ideias que me ocupam a mente nos picos de contestação que envolvem grupos de pessoas: o aforismo de Wittgenstein que diz que "as relações humanas poderiam ser muito diferentes se fosse transparente a relação entre dor e linguagem, se sentíssemos a dor do outro ao ouvi-lo enunciando a palavra" e a certeza de Rainer Maria Rilke de que, em qualquer circunstância e por mais rodeados de pessoas que estejamos, "estamos irremediavelmente sós".

 

Os professores não escapam à devastação a que têm sido sujeitos a maior parte dos portugueses. Têm até a particularidade de andarem há anos a fio em "mobilidade especial". A catarse colectiva manifesta-se de várias formas. A distância que nos separa do fim da linha é uma incógnita. Os administradores da mesa negocial devem ponderar muito bem sobre o momento de excepção que vivemos e podem passar os olhos pela última obra de Herberto Helder.

 

 

 

 

Herberto Helder (2013:78). "Servidões".

Assírio e Alvim. Lisboa.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:52 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 09.10.12

 

 

 

"Depois da desorientação com a TSU, o discurso oficial de austeridade esforça-se por voltar ao único ponto que consegue ser de partida, de percurso e de chegada: os cortes nos do costume e com os professores no lugar cimeiro da fila dos escolhidos.

 

E os professores já estão mais do que avisados do lema rilkeano: estamos irremediavelmente sós."

 

 

O que leu é um conteúdo de um post de 26 de Setembro de 2012.

 

A Fenprof, que já deve ter recebido o que estará em negociação, alerta para o regresso a Julho de 2012 e para a saga dos horários zero e por aí fora. O despedimento colectivo de cerca de 10000 professores pode ter sido apenas um primeiro passo.

 

 

 



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Sexta-feira, 05.08.11

 

 

 

A nona elegia.


Porquê, se é possível viver o prazo da existência,
até ao seu termo, como loureiro, um pouco mais escuro do que
todos os outros tons de verde, com pequenas ondas no rebordo
da folhagem (como o sorriso de um vento) -: porquê então esta
forçosa existência humana -, e, evitando o destino,
ter saudades do destino?...

(continua)

 
Rainer Maria Rilke.
As Elegias de Duíno,
Tradução de Maria Teresa Dias Furtado,
Assírio & Alvim.

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Segunda-feira, 18.04.11

 

 

 

 

 

Não há nada melhor do que regressar aos clássicos. Nos dias em que os países perecem entregues aos piores de nós, é bom relembrar coisas do género: 

 

"(...)Se o quotidiano lhe parecer pobre, não o acuse: acuse-se a si próprio de não ser bastante poeta para conseguir apropriar-se das suas riquezas.(...)".

 

 

A frase é de Rainer Maria Rilke,

em "Cartas a um jovem poeta",

contexto editora, página18.

Não é a primeira vez que a

uso num post.

 



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Quarta-feira, 24.11.10

 

 

 

 

Não há nada melhor que regressar aos clássicos. Nos dias que se seguem a momentos de grande catarse colectiva, é bom relembrar coisas do género: "(...) Se o quotidiano lhe parecer pobre, não o acuse: acuse-se a si próprio de não ser bastante poeta para conseguir apropriar-se das suas riquezas.(...)".

 

A frase é de Rainer Maria Rilke,

em "Cartas a um jovem poeta",

contexto editora, página 18.



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Segunda-feira, 26.07.10

 


A nona elegia.


Porquê, se é possível viver o prazo da existência,
até ao seu termo, como loureiro, um pouco mais escuro do que
todos os outros tons de verde, com pequenas ondas no rebordo
da folhagem (como o sorriso de um vento) -: porquê então esta
forçosa existência humana -, e, evitando o destino,
ter saudades do destino?...

(continua)

Rainer Maria Rilke.
As Elegias de Duíno,
Tradução de Maria Teresa Dias Furtado,
Assírio & Alvim.





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Quinta-feira, 01.04.10

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A poesia de Rainer Maria Rilke não é fácil; demora a perceber. Ler Rilke dá trabalho: é preciso reler algumas vezes. O resultado é sempre sublime. É um dos meus poetas preferidos.

 

Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno (na imagem que acompanha este texto) que se situa perto da cidade de Trieste e sobre o mar Adriático. Como pode ver na imagem, o castelo é magnífico e fica quase inacessível.

 

Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.

 

 

 

Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias

dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse

para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua

natureza mais potente. Pois o belo apenas é

o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,

e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha

destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.

 

Por isso me contenho e engulo o apelo

deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia

valer? Nem Anjos, nem homens,

e os argutos animais sabem já

que nós no mundo interpretado não estamos

confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez

uma árvore na encosta que possamos rever

diariamente; resta-nos a rua de ontem

e a fidelidade continuada de um hábito,

que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.

 

Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo

nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,

suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente

do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?

Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)


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Quarta-feira, 20.01.10

 

 

 

 

Foi daqui

 

 

 

Há dois factores climáticos que evidenciam a qualidade de uma sociedade: a confiança e a transparência. Escrevo mais: são os motes essenciais da sociedade da informação e do conhecimento.

 

Penso que a génese da quebra de confiança dos professores portugueses na "mesa de negociação" tem antecedentes na história recente e uma elevada dose de descrença na qualidade da discussão nas matérias que vão para além das questões financeiras e de progressão na carreira. 
 
Os sindicatos necessitam de limitação de mandatos e de períodos efectivos de sala de aula. No que diz respeito aos governos, o caminho é mais longo e mais difícil e resume-se na seguinte formulação: "a questão não está em dizeres-me que confias ou não em mim, mas nos métodos que elegeste para obteres a minha informação."
 

Ouvi, há tempos, uma bela entrevista na antena 2 da RDP. Dizia o entrevistado: "um diálogo é apenas um encontro de dois monólogos". Lembrei-me de Rilke e de uma das suas ideias sobre a condição humana: "estamos irremediavelmente sós".

 



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25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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