Em busca do pensamento livre.

Quinta-feira, 30.03.17

 

 

Educação: A Reforma Permanente



publicado por paulo prudêncio às 12:56 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 28.03.17

 

 

 

Para além da incerteza nas vantagens para as aprendizagens, há todo o universo organizacional que cria apreensão. A má burocracia é uma espécie de bactéria que retira energia vital aos professores. Existe o medo da repetição. Na anterior experiência de gestão flexível, generalizou-se um inferno burocrático resultante de uma coligação fatal para a organização das escolas: excessos das ciências da educação cruzados com atavismos das ciências da administração. Em regra, multiplicaram-se as reuniões de agenda repetida e as inutilidades informacionais. Os exemplos bem sucedidos nessa recente experiência investiram, acima de tudo, em sistemas de informação associados à simplificação de procedimentos e aos climas organizacionais democráticos. Não é tudo, mas é fundamental.

Os sucessivos Governos aumentaram a burocracia escolar. É irrefutável. Existem causas, nem sempre identificadas, que provocaram o estado de sítio organizativo neste sistema centralizado. Desde logo, porque não existe uma combinação moderna entre as duas ciências referidas.

Não se vislumbra um qualquer sinal da "(...)novel investigação que se preocupa com a gestão escolar propriamente dita e com os seus sistemas de informação, numa lógica que tenta ultrapassar dois territórios que, e segundo Barroso (2005), têm ocupado o universo da Administração Educacional: o das Ciências da Educação e o das Ciências da Administração e Gestão.(...)Não é possível identificar escolas de gestão escolar. Apesar destas instituições serem, Grade (2008), uma das organizações mais estudadas, inscrevemos um estado de desconhecimento quanto aos modelos de gestão. Existem opções quanto à forma como as redes de escolas se estruturam, mas o reconhecimento da singularidade organizacional das instituições é um espaço de investigação que dá os primeiros passos."

Dá ideia que Paula Rego prognosticou a apreensão (a omnipresença do fantasma) no tríptico "família" integrado na exposição "o velho visita o novo".

 

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Paula Rego.

Tríptico "Família".

Exposição "old meets new".

Casa das Histórias Paula Rego.

Cascais.

 



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Segunda-feira, 16.01.17

 

 

 

Petição:

Reforma aos 60 anos e 36 anos de serviço para professores



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Quinta-feira, 20.10.16

 

 

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A notícia do Expresso de 12 de Março de 2016 sublinhava que a Finlândia era "um país sem exames nem inspecção, em que as mudanças só aconteciam de 10 em 10 anos, em que todos participavam na discussão e em que a expressão-chave era a confiança nos professores".

E é isto. 

Por cá é a indisciplina escolar, a desconfiança enraizada, a inabilidade na educação, a sociedade ausente, a escola a tempo inteiro, a discussão à volta de mais ou menos prova para "disciplinar" crianças, as avaliações externas centradas na produção de papelada medida às resmas e a "apatia" na participação democrática. O que levamos de milénio (onde ministros se acharam providenciais e plenipotenciários) instituiu o modismo taylorista, exportado pelos EUA para o Japão no inicio do século passado. Acrescentaram-se programas informáticos de empresas comerciais a dirigir modelos organizacionais. E depois, queremos mais mobilização e menos "saturação, exaustão e fuga" (burnout).



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Sábado, 08.10.16

 

 

 

Currículo, Programas, Reformas



publicado por paulo prudêncio às 12:20 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Domingo, 02.10.16

 

 

 

A "supressão do futuro" (nada se sabe do amanhã) é uma exigência do discurso político sério. É tão rigoroso afirmar que dentro de quarenta anos não haverá pensões de reforma como prometer para o mesmo tempo uma pensão vitalícia à nascença. Vivemos a "absolutização do presente". Portanto, a ocupação mediática com a possível falência das pensões serve uma agenda política que pretende acentuar as desigualdades a favor dos tais 1%. O desconhecimento do futuro explica a "tolerância" estratégica até dos mais "religiosos" que pode ser lida como a "impossibilidade" de não ceder ao discurso dominante.

 

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Domingo, 25.09.16

 

 

 

 

Quando leio divergências entre o Governo e a Comissão Europeia (ou o FMI) "sobre o que consta dos relatórios", (o Ministro Vieira da Silva desmente a comissão por causa das reformas em Portugal) lembro-me muitas vezes do "Pensar, Depressa e Devagar" do Nobel da economia (2002) Daniel Kahneman (2011:91). "Se 5 máquinas levam 5 minutos para fazer 5 peças, quanto tempo 100 máquinas levariam para fazer 100 peças? 100 ou 5 minutos? E se num lago há uma mancha de nenúfares que todos os dias duplica o tamanho e leva 48 dias a cobrir o lago inteiro, quanto tempo levaria a cobrir metade do lago? 24 ou 47 dias?" (tem os resultados no fim do post). Pediram a 40 estudantes de Princeton para responderem. Como pode ler na obra citada, os que leram os exercícios em folhas menos legíveis acertaram muito mais porque, diz o autor, aumentaram as funções cognitivas. Já ontem usei este exemplo e hoje publico uma imagem com duas rectas iguais que, à primeira vista, parecem diferentes por causa do sentido das setas o que terá também uma forte relação com o assunto do post.

 

Resultados: 5 e 47.

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Daniel Kahneman (2011:39), "Pensar, Depressa e Devagar",

Temas e Debates, Círculo de Leitores, Lisboa.



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Quarta-feira, 24.08.16

 

 

 

O DN destaca "que nunca houve tão poucos professores a pedir a reforma" e identifica as causas: aumento da idade da reforma para os 66 anos de idade e fortes penalizações para as reformas antecipadas. Num grupo profissional que se reformava entre os 56 e os 58 (52 no pré-escolar e 1º ciclo), e com 35 anos de serviço, existia um sistema justíssimo de redução da componente lectiva com a idade que foi "precarizado" em vez de consolidado. Resultado: temos um corpo docente envelhecido e exausto (há inúmeras escolas em que os mais jovens têm mais de 40 ou 50 anos de idade) e um desemprego jovem altíssimo.

 

Numa altura em que regressa, e muito bem, o ensino nocturno, ouvi uma história lapidar. Quem foi docente nesse nível beneficiava de fortes reduções para compensar o horário tardio. Por outro lado, a redução de alunos nessas turmas, e o ambiente relacional adulto e descontraído, provocava muito menos desgaste. Mas vamos à história. Um ex-presidente de Conselho Executivo e um vereador da Educação declararam em uníssono: é inadmissível que os professores tenham reduções com a idade; ninguém trabalha 16 horas por semana. A plateia, onde estavam professores, ficou perplexa, mas esclarecida quando se percebeu a experiência dos dois "conferencistas". Leccionaram exclusivamente, e durante anos a fio, no ensino nocturno antes de ocuparem os tais cargos: o primeiro esteve cerca de 20 anos no cargo (sem turmas) e o segundo assumiu funções há menos de dez, mas, pelos vistos, encarnou de imediato o espírito dinossauro. Assim não vamos lá, realmente.

 

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Domingo, 14.08.16

 

 

 

 

Li uma entrevista, dada com desassombro, de quem vai coordenar o perfil do aluno no final do 12º ano.

 

Lembrei-me deste post.

 

Começa assim:  

 

A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se de grandes novidades se tratassem. Parece um percurso circular.

Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre o assunto. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 16 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo. Só dois detalhes antes de começar: se em 1998 era possível este grau de má burocracia e eduquês, não é de admirar que com mais 17 anos intensivos isto tivesse chegado a este estado.

 

Republico apenas o perfil do aluno. Para os restantes medicamentos terá que ir ao original no link referido.

 

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Perfil do aluno. 

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989. 

Composição: registo preciso e rigoroso do estado do produto aluno somados x anos de laboração. 

Indicações terapêuticas: impede desvios acentuados nos complexos processos de apreciação global dos alunos; facilita a criação de mecanismos rigorosos de análise transversal do desempenho de humanos sujeitos ao agressivo contexto escolar. 

Contra-indicações: pode provocar ligeiras dores de cabeça quando verificada a sua articulação com os programas escolares das disciplinas dos anos terminais de ciclo. 

Precauções especiais de utilização: não deve ser aplicado a alunos muito curiosos nem aos que se posicionem de frente ou de costas. 

Prazo de validade: um ciclo escolar, precisamente.



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Sábado, 12.03.16

 

 

 

A notícia do Expresso sublinha que a Finlândia é "um país sem exames nem inspecção, em que as mudanças só acontecem de 10 em 10 anos, em que todos participam na discussão e em que a expressão-chave é a confiança nos professores". Nem por acaso, um dos editores do blogue "ComRegras" (muito dinâmico nestes primeiros 15 meses), o Alexandre Henriques, informa que o seu trabalho de investigação sobre a indisciplina escolar atingiu o momento mais mediático da história do blogue.

 

E é isto.

 

Por cá é a indisciplina escolar, a desconfiança enraizada, a inabilidade na educação, a sociedade ausente, a escola a tempo inteiro, a discussão à volta de mais ou menos prova para "disciplinar" crianças, as "aulas inovadoras" como quem inventou a roda e a "apatia" na participação democrática. O que levamos de milénio (onde até ministros se acharam providenciais e plenipotenciários) instituiu o modismo taylorista, exportado pelos EUA para o Japão no inicio do século passado: um pensa e muitos executam; por cá acrescentaram-se os programas informáticos (software) de empresas comerciais (outsourcing), em "parceria" com programas de avaliação externa anteriores à sociedade da informação e do conhecimentoa dirigir os modelos organizacionais. E depois queremos mais mobilização e menos "saturação, exaustão e fuga" (burnout) dos profissionais.

 

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Sábado, 13.02.16
 

 



A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se fossem novidades. Parece um percurso circular.

Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre reformas. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 19 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo.
 
 

Ciclo preparatório.

Registo da patente: início da década de 70 com a reforma Veiga Simão. 

Composição: dois anos de escolaridade.

Indicações terapêuticas: preparar a brusca transição entre a escola primária e a escola secundária.

Contra-indicações: não são conhecidas.

Precauções especiais de utilização: devido ao seu autorizado sucesso, tem tendência para se arrastar aos ciclos antecedentes ou precedentes.

Prazo de validade: apesar da sua constante mudança de nome não tem prazo de validade.


Interdisciplinaridade.


Registo da patente: acredita-se que teve início da década de 80, mas sem registo da patente devido à provisoriedade dos diversos governos de então.

Composição: a plenitude dos saberes integrados.

Indicações terapêuticas: eliminar todos os bloqueios que impedem a comunicação entre os diversos saberes.

Contra-indicações: o seu tempo de eficácia é cirúrgico (julga-se que o medicamento é desconhecido por quem se dedica a fazer programas escolares).

Precauções especiais de utilização: quando utilizada de forma demasiado optimista pode provocar sérias indigestões aos alunos de todos os escalões etários.

Prazo de validade: resiste a várias intempéries; provoca inúmeros seminários e colóquios sobre a problemática dos prefixos, inter, trans, pluri e multi?; rapidamente pode mudar de nome e transformar-se, ainda, em algo compulsivamente quase obrigatório (área escola) ou mesmo obrigatório (área de projecto).



Pedagogia não directiva.

Registo da patente: registada pelo psicoterapeuta Carl Rogers, apenas começou a ser falada em Portugal após a reforma Veiga Simão. 

Composição: relações plenas e empáticas.

Indicações terapêuticas: elimina conflitos e contradições e dispõe para a aprendizagem como nenhuma outra corrente pedagógica.

Contra-indicações: só pode ser aplicada a um aluno de cada vez;

Precauções especiais de utilização: quando aplicada a mais do que um aluno tem consequências desastrosas, entra-se e sai-se da sala de aula sem se perceber onde estava o do(c)ente;

Prazo de validade: é utilizada todos os dias pelos menos atentos à validade dos medicamentos, mas o autor declinou a responsabilidade no acto de registo da patente.




Magistercentrismo.

Registo da patente: as suas origens perdem-se nas memórias do tempo; em Portugal teve os maiores laudos doutrinários durante o Salazarismo.

Composição: relações inexistentes entre o mestre e os outros.

Indicações terapêuticas: alimenta a inquestionável e douta sabedoria do mestre; ideal para memorizar os afluentes dos rios ultramarinos e os inúmeros apeadeiros dos caminhos de ferro dos continentes e das ilhas adjacentes.

Contra-indicações: não recomendado para estados de patologia democrática.

Precauções especiais de utilização: deve administrar-se nos trajes mais cinzentos e formais e nunca, mas nunca, o administrador deve abdicar do ar mais austero e sisudo.

Prazo de validade: desconhecido.





Plano da turma.

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989.

Composição: plano miraculoso que descreve o que foi ensinado.

Indicações terapêuticas: permite a cada docente conhecer, necessariamente, o que foi ensinado, no ano imediatamente anterior, em cada uma das disciplinas;

Contra-indicações: provoca a desflorestação do país e a entropia no sistema das arrecadações das secretarias escolares ao produzir 3 biliões 430 milhões 348 mil e 986 folhas de papel de relatórios pedagógicos.

Precauções especiais de utilização: deve administrar-se em dois parágrafos com oito palavras cada um. Prazo de validade: 24 horas.



Autonomia e gestão das escolas.


Registo da patente: equipa do Ministério da Educação conduzida pelo Ministro Marçal Grilo.

Composição: sistema complexo de órgãos de decisão.

Indicações terapêuticas: estabelece regimes democráticos eficientes e plenamente participados, em que a repetição das agendas das reuniões consagra o seguinte princípio pedagógico: repetir para aprender; respeitando a posologia e tomado de forma consistente, transforma qualquer escola num espaço organizativo verdadeiramente português: muitos patamares de decisão com órgãos e mais órgãos convenientemente dispersos;

Contra-indicações: em estabelecimentos de ensino com menos de 1000 docentes, 300 não docentes e 10000 alunos, tende a tornar-se num processo em que as mesmas pessoas encontram-se vezes sem conta para discutir os mesmos assuntos.

Precauções especiais de utilização: sempre que se verifiquem as contra-indicações indicadas, todos devem fazer, o mais possível, de conta.

Prazo de validade: depende da capacidade de resistência às doenças.




Gestão flexível dos currículos.

Registo da patente: equipa do Ministério da Educação conduzida pelo Ministro Marçal Grilo.

Composição: sistema complexo que pretende reduzir o número de aulas dos alunos.

Indicações terapêuticas: a sua principal finalidade terapêutica é permitir aos alunos o estudo acompanhado e, finalmente, realizar projectos com integração de saberes.

Contra-indicações: para respeitar o aforismo lusitano, em que o que se faz em dois anos pode-se fazer em três ou em quatro, este medicamento inclui as disciplinas todas nos anos todos (a saber, sequência disciplinar), nem que seja com uma aula semanal por disciplina.

Precauções especiais de utilização: tomada em doses elevadas, pode obrigar alunos dos 2º e 3º ciclos a terem que frequentar aulas nocturnas para completarem todo o currículo flexível.

Prazo de validade: espera-se a eternidade considerando o seu carácter flexível.




Avaliação contínua.

Registo da patente: foi registada, em 1974, por Gilbert de Landsheere, docente de docimologia na Universidade de Liége; era correcto defendê-la em Portugal a partir de 1976.

Composição: sistema composto, entre outros, por diversos momentos e tipos de avaliação .

Indicações terapêuticas: a sua principal finalidade terapêutica é garantir solidez a todo o edifício escolar; garante aos docentes horas e mais horas de trabalho.

Contra-indicações: medicamento concebido para eliminar os exames escolares sujeita, no entanto, - e na maioria das vezes - os alunos a frequentes exames mensais em todas as disciplinas dos currículos;

Precauções especiais de utilização: respeitada na integra a posologia pode provocar curvas de Gauss de valor médio infinito.

Prazo de validade: como não foi concebida para ser aplicada nos diversos sistemas escolares também não se estabeleceu o prazo de validade.




Taxonomias.

Registo da patente: taxonomia do domínio cognitivo registada por Bloom em 1948; taxonomia do domínio psicomotor registada por Harrow em 1972; taxonomia do domínio afectivo registada por Krathwohl em 1966; a sua divulgação em Portugal ocorreu, principalmente, a partir de 1976.

Composição: listagem hierarquizada dos comportamentos humanos.

Indicações terapêuticas: ilumina a prática docente reforçando a arrumação dos alunos em gavetas (em linguagem científica, níveis de aprendizagem).

Contra-indicações: à sua medicação deve ser associada um anti-depressivo, pois os medicados perdem-se nas listagens hierarquizadas, porque na maioria das vezes é necessário um ano lectivo para caracterizar um só aluno.

Precauções especiais de utilização: transforma-se facilmente em dogma e origina autênticas perturbações na percepção docente, ou seja, os docentes esquecem-se com facilidade da presença dos alunos.

Prazo de validade: não passou da fase de laboratório.




Objectivos.


Registo da patente: Viviane e Gilbert de Landsheere em 1976; em Portugal divulgou-se no mesmo ano.

Composição: listagens de indicadores, digo, de conteúdos, digo de competências, apresentadas com a conjugação do verbo no imperativo, digo, no presente do indicativo, digo, no pretérito perfeito do indicativo.

Indicações terapêuticas: ordena a prática docente, clarifica o que tem que ser ensinado e elimina o que tem que ser aprendido.

Contra-indicações: pode provocar sobredosagem se tomado em associação com concorrentes ou derivados (por exemplo - conteúdos, indicadores, competências, gerais, específicos, terminais, operacionais, iniciais...).

Precauções especiais de utilização: se não está muito seguro não o utilize.

Prazo de validade: três séculos e 23 dias.




Propedêutico.

Registo da patente: VII Governo Constitucional Português em 1978.

Composição: conteúdos multimédia da idade média.

Indicações terapêuticas: entretém os jovens enquanto as universidades não abrem; prepara os jovens para o século XXI.

Contra-indicações: tomado sem vigilância médica, pode provocar alterações filogenéticas; nessas circunstâncias, alguns jovens podem começar a indiciar o nascimento de uma pequena cauda ou sentirem pequenas saliências no topo da cabeça que, nos casos testados, se supõe serem umas intrigantes antenas.

Precauções especiais de utilização: exige a máxima concentração e implica a utilização de televisores sem comando à distância.

Prazo de validade: três anos, salvo seja.





Desenvolvimento pessoal e social (DPS).


Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989.

Composição: 3 mg de creme de flores de harmonia, 4 mg de extractos de pétalas de entendimento e 3 ml de soluto de sódio de resolução de todos os problemas.

Indicações terapêuticas: desenvolve os jovens pessoal e socialmente; prepara os jovens para a sua vida pessoal e social; ajuda os jovens a encarar o futuro, quer na vertente pessoal quer na vertente social; e é, ainda, totalmente eficaz no desenvolvimento pessoal e social dos jovens com problemas;

Contra-indicações: pode provocar sérias perturbações na normal e abençoada aplicação da concordata.

Precauções especiais de utilização: não pode ser utilizado em alternativa à educação moral e religiosa católica.

Prazo de validade: 50 minutos.




Escola cultural.


Registo da patente: não tem a patente registada, mas podemos considerar o ano de 1984 como o momento da sua divulgação em Portugal.

Composição: práticas culturais intensivas; hábitos culturais com elevado grau de contágio; resumos concentrados do manual "“tudo é cultura". 

Indicações terapêuticas: estimula, de forma irreversível, os apetites culturais de toda uma nação em apenas meia geração; estimula a ideia que a produção cultural requer apenas 10 por cento de esforço e 90 por cento de inspiração;

Contra-indicações: cria a sensação de que tudo é mesmo cultura; tomado nas doses certas, pode provocar, anos depois, o aparecimento de incómodas erupções cutâneas com o nome científico de músicas de uma nota só (outros investigadores optaram pela denominação pimba”).

Precauções especiais de utilização: só pode ser vendido mediante receita médica; só deve ser receitado após, o suposto utilizador, ter frequentado 254 colóquios, 367 seminários e ter obtido 196,45 unidades de crédito devidamente certificadas pelo conselho científico de uma qualquer faculdade da universidade técnica de Lisboa.

Prazo de validade: não se chegou a estabelecer.




Sociometria.

Registo da patente:
os estudos nesta área foram iniciados por Northway em 1967 e introduzidos em Portugal em 1972.

Composição: matrizes sociométricas, gráficos sociométricos, diagramas sociométricos, sociogramas sociométricos, folhas pautadas sociométricas e canetas sociométricas.

Indicações terapêuticas: indica, com clareza, qual é o aluno em que o docente se deve apoiar em momentos de aperto; permite conduzir à porta de saída os alunos problemáticos, com a certeza antecipada da popularidade do seu (docente) gesto.

Contra-indicações: para o tratamento dos dados são necessários conhecimentos básicos de mecânica quântica.

Precauções especiais de utilização: em humanos dos 0 aos 18 anos tem que ser feita uma verificação horária considerando as naturais oscilações das suas preferências.

Prazo de validade: com toda a segurança, meia hora.





Créditos.

Composição: três folhas A4 devidamente encadernadas, sendo a primeira destinada à capa e a última preenchida pelas unidades de crédito devidamente certificadas.

Indicações terapêuticas: estimula o desempenho escolar dos docentes; justifica as avultadas despesas com os diversos programas de formação contínua financiados pela Europa dos quinze.

Contra-indicações: não é recomendado a docentes exigentes e ou insatisfeitos;

Precauções especiais de utilização: devido ao grande volume de matérias docimológicas nele contidas, exige-se a sua apresentação, impreterivelmente, 60 dias antes do fim do prazo de validade.

Prazo de validade: um escalão.




Perfil do aluno.

Registo da patente:
equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989.

Composição: registo preciso e rigoroso do estado do produto aluno somados x anos de laboração.

Indicações terapêuticas: impede desvios acentuados nos complexos processos de apreciação global dos alunos; facilita a criação de mecanismos rigorosos de análise transversal do desempenho de humanos sujeitos ao agressivo contexto escolar.

Contra-indicações: pode provocar ligeiras dores de cabeça quando verificada a sua articulação com os programas escolares das disciplinas dos anos terminais de ciclo.

Precauções especiais de utilização:
não deve ser aplicado a alunos muito curiosos nem aos que se posicionem de frente ou de costas.

Prazo de validade: um ciclo escolar, precisamente.


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Quarta-feira, 30.10.13

 

 

 

 

Há algo de estranho neste momento político. O Governo, pelo menos em termos mediáticos, é do CDS e só se pode estranhar o silêncio do PSD. No mínimo, temos de questionar onde estão os sociais-democratas que, por exemplo, não param de se coligar com a CDU em muitas autarquias. Bem sei que alguns casos são risíveis, mas façamos de conta que não estamos uns graus abaixo de zero.

 

Mas vejamos: o vice-primeiro-ministro começou por anunciar o fim da recessão, seguiu-se o "milagre decretado" pelo ministro da economia, sucedeu-se o fascismo higiénico (palavras, para não variar, de um deputado do CDS) da ministra da agricultura preocupada, pasme-se, com o número de cães e de gatos por apartamento e tivemos hoje o guião da privatização do Estado. Tudo isto parece destinado a desviar a discussão mediática dos cortes a eito inscritos no orçamento 2014. 

 

Das duas uma: ou o CDS está de castigo por causa do pico irrevogável de Junho último ou o PSD está em estado de luta sem quartel.

 

Repare-se no que se passa no sistema escolar. Veja o vídeo sobre as rescisões ditas amigáveis dos professores e compare com o que hoje se está a discutir onde até se inscreve a melhoria salarial dos funcionários públicos que restem.

 

 

 



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Quinta-feira, 08.08.13

 

 

 

 

 

pior lógica das PPP´s tenta invadir o mercado da Educação. Não é coincidência o facto do CDS/PP, a direita radical, digamos assim, mandar no Governo ("associado" a uma ala de peso no PSD) e de estarmos em pleno Agosto que é o mês propício para as maiores "patifarias" nos negócios do sistema escolar. Por mais que se prove que e liberdade de escolha da escola é um eufemismo e um retrocesso, os gananciosos que pretendem deitar mão ao orçamento da Educação tudo farão para alterar o azimute (também muito usado na Astronomia e nas organizações militares) uma vez que o imobiliário está em crise prolongada.

 

Na mesma altura em que se noticiam coisas destas, também se fica a saber o seguinte:

 

 

 

 



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Terça-feira, 25.06.13

 

 

 

Continuamos a assistir à maior transferência de recursos financeiros das classes média e baixa para a alta com base na corrupção. A preocupação com a despesa é uma ideia responsável, naturalmente, mas as tais "reformas estruturais" servem em grande parte os interesses definidos na primeira frase.

 

Repare-se nesta notícia da banca irlandesa que não será muito diferente do se passou, e passa, em Portugal.

 

 

 



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Quinta-feira, 23.05.13

 

 

 

 

 

 

 

 

Afirmar a aceleração deste processo só é possível num país completamente desgovernado.


Sem esquecermos o desvario em que caiu o sistema de remuneração das reformas que até deve tremer com este avolumar de entradas, só por desconhecimento é que se pode associar estas "fugas" à criação de horários em número igual ou parecido.



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Segunda-feira, 04.02.13

 

 

 

 

Há dias escrevi assim:

 


"Os professores são, de longe, a profissão mais devassada em Portugal. Há seis anos que o quotidiano é marcado pela sua avaliação, pelo que ganham, pelas horas que leccionam, pelo que deixam de ensinar, pelos privilégios e pelos despedimentos. São os primeiros culpados pelo estado da nação. Ainda no ano passado se confrontaram com um despedimento colectivo de 10000 pessoas e parece que nada aconteceu.(...)"



Ontem, o DN prolongou a saga com uma exposição detalhada das reformas dos professores. Espera-se a das restantes profissões. Tem uma conclusão risível (embora o título acabe por vender mais): a maioria dos reformados do MEC são professores (deveriam ser o quê?).


Maioria dos reformados é professor do básico e secundário

"A maioria dos reformados do Ministério da Educação e Ciência é professor do ensino básico e secundário e recebe, em média, uma pensão de dois mil euros, metade do valor atribuído aos professores catedráticos.(...)"




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Sexta-feira, 01.02.13

 

 

Colaborações – Expresso



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Sábado, 12.01.13

 

 

 

Aproximação? (2)



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Quinta-feira, 13.09.12

 

 

 

Os dados das aposentações nos últimos anos são inequívocos: os professores só esperam que a conjugação da idade com o tempo serviço lhes permita "fugir"; a penalização é secundária. O estado de sítio vai agravar-se com o aumento do horário lectivo dos professores associado ao aumento do número de alunos por turma e à desmiolada organização do serviço docente.

 

Somos um país à deriva e governado por impreparados. Propalamos que a idade da reforma tem de passar para os 65 e provocamos a saída entre os 55 e os 60 convencidos que reduzimos a despesa e que aumentamos o emprego jovem. Está comprovado que não é assim e só temos agravado a atmosfera relacional nas escolas e o clima organizacional.

 

Com o aumento da esperança de vida, para não falar da natalidade e da alteração dos fluxos migratórios, só podemos concluir: não tarda e não conseguiremos suportar o regime de pensões.

 

A redução da componente lectiva com a idade (algo que, com conhecimento, é possível em todos os ciclos de ensino sem aumento da despesa) é a solução justa em termos pedagógicos, profissionais e orçamentais. O ciúme profissional entre pares, o ciúme social, a ilusão da eterna juventude e outras coisa do género, exterminaram essa regulação profissional. Assisti, incrédulo, a todo esse rol de desrespeito pela profissionalidade dos professores e percebi que pagaríamos mais tarde. Não tarda e teremos os reformados a descontarem para pagaram aos pares.



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Sábado, 17.12.11

 

 

Uma década, ou mesmo duas, de reformas estruturais e o empobrecimento não pára de aumentar. Pode argumentar-se que a terceira via socialista intercalou, na Europa, com os governos de direita. Mas se alguém encontrar significativas diferenças nos dois contendores suaves, deve considerar-se um incompreendido sem remédio e afirmar que a contestação dos povos é inevitável. Sublinho que estou a pensar naquela área, a economia, em que os especialistas preenchem a formação da opinião mediatizada.

 


 


 



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Quinta-feira, 15.12.11

 

 

 

 

 

Em 1998 não havia blogosfera e muito menos tanta mediatização. É pena porque era bom confrontarmos posições e analisarmos as evoluções. Disse, numa posição minoritária e olhado de forma desconfiada pelas pessoas das Escolas Superiores de Educação e das Faculdades de Ciências da Educação, à Ana Benavente e ao saudoso Paulo Abrantes que colocar a interdisciplinaridade e a ideia de transversalidade como locomotivas curriculares criaria um monstro de inutilidades e de má burocracia nos sistemas de informação escolares.

 

Os alunos e os professores precisavam de conteúdos nucleares bem definidos e que sem essas aprendizagens consolidadas a interdisciplinaridade seria um logro e as áreas curriculares não disciplinares uma perda de tempo e um faz de conta.

 

Mas, e como nos lembramos, os programas das disciplinas eram coisas do passado. As nossas escolas eram, e são-no cada vez mais, "fábricas" tayloristas e desconhecê-lo seria fatal.

 

Usei, como exemplo e nessas interessantes discussões, a maior das inutilidades: os projectos curriculares de turma e as competências essenciais e transversais. Apenas um exercício arriscado de autonomia impediu muitas escolas de convocar conselhos de turma insanos e semanais para aferir as referidas competências.

 

Já cansa tanta análise semântica. As competências existem e defini-las é uma mera redundância. Só se ensina o que se sabe e é preciso conhecer os conteúdos que têm que ser ensinados e, espera-se, aprendidos. A decisão do governo é um primeiro passo. Existem vários caminhos em torno de um mesmo objectivo. O que tenho lido sobre o que pensa Nuno Crato desagrada-me nas matérias que tenho dado conta noutros posts. Espero que esta decisão elimine o que é essencial.

 

É pena que ainda não se tenha reconhecido que os modelos de avaliação de professores e de gestão escolar são produtos dos mesmos trágicos devaneios. Até aceito que se tenha reconhecido, como dizem os que argumentam que é falta de coragem, de conhecimento do terreno e uma questão de tempo.

Nuno Crato enterra reforma dos governos de Guterres

 O documento que orienta o ensino básico desde 2001 será substituído por metas curriculares centradas nos conteúdos que alunos devem dominar.



publicado por paulo prudêncio às 21:00 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Quarta-feira, 12.10.11

 

 

Se a esperança de vida aumenta, o limite mínimo para a entrada na reforma tem de subir; naturalmente. O estado social não aguenta reformas aos 50 e poucos anos nem ausência de tectos máximos para o valor das pensões. São ainda mais insuportáveis as situações de benesses ilimitadas que se concretizam em valores chocantes e em duplas e triplas pensões. O governo parece que vai exigir 57 anos de idade em vez dos actuais 55.

 

Já escrevi vezes sem conta sobre os motivos que levam os professores mais experientes a dizerem basta: são o número mais significativo dos fugitivos e é a classe profissional que conheço melhor. Fazem-no com penalizações que quase que chegam aos 50% e que se traduzem em pensões com valores à volta do milhar de euros. É incrível como este inédito êxodo não põe os sucessivos responsáveis a pensar, sem ser em vésperas de eleições.

 

Não ha país ou instituição que avance sem mobilização, sem lideranças bem legitimadas e em que não se desenvolva o princípio da autonomia associado à responsabilidade. Mais ainda quando uma crise grave se instala. A confiança tem de ser sempre a palavra-chave da mobilização, com todos os riscos que se correm pela existência de oportunismos variados. E tudo piora se em vez da auto-crítica e da resposta informada e competente, os responsáveis se desdobram na invenção de fantasmas externos. No sistema escolar estão bem identificadas as causas que têm implicações directas e indirectas na diminuição da despesa e no aumento da mobilização. Se existir vontade e conhecimento, uma parte importante dos constrangimentos podem ser ultrapassados. O curto prazo implora-o e o médio prazo não aceita outro caminho.



publicado por paulo prudêncio às 17:10 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 03.09.11

 

 

O governo anunciou a extinção das Direcções Regionais de Educação. A intenção, segundo o MEC, não é"(...) apenas de mais uma medida para cortar a despesa mas, sobretudo, pretende-se uma simplificação administrativa, dar mais autonomia às escolas e melhorar a comunicação directa entre escolas e tutela(...)".

 

A ideia é muito positiva. Aguardam-se os desenvolvimentos. Espera-se que não se regresse ao tempo anterior à criação das Direcções Regionais. É bom recordar que estas nasceram para contrariar o asfixiante centralismo do MEC. É também bom não esquecer que vivemos num país com propensão para o caciquismo e que a autonomia tem de ser acompanhada de mecanismos que fiscalizem a responsabilidade e a transparência.



publicado por paulo prudêncio às 13:31 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 26.04.11

 

 

O grupo "mais sociedade" propõe que o recurso ao subsídio de desemprego deve reduzir o valor da reforma. Estes proponentes afectos aos partidos da direita eliminaram, como se sabe, a pobreza dos seus raciocínios. Nunca têm pensamentos de outro tipo nem duvidas.

 

Vamos lá lançar uma proposta alternativa: gestores públicos e privados que recebam prémios anuais de desempenho (PAD), prescindem do valor anual das reformas (VAR), na lógica de um VAR por cada PAD.

 

O PSD continua admirador inconfesso do chefe do governo de gestão.



publicado por paulo prudêncio às 19:51 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 23.03.11

 

 

 

 

 

Caiu o governo deste PS. Estão também de parabéns os imensos professores que deram uma boa parte do seu tempo a lutar contra as políticas educativas mais nefastas que a história da nossa democracia conheceu. Quero significar um abraço especial aos meus colegas que se reformaram com fortes penalizações, preferindo a fuga com perda acentuada de condições financeiras à permanência numa escola à deriva.

 

Amanhã cá estaremos.



publicado por paulo prudêncio às 21:05 | link do post | comentar | ver comentários (30) | partilhar

Quinta-feira, 03.03.11

 

 

Número de aposentações na Função Pública não pára de aumentar

 

 



publicado por paulo prudêncio às 10:01 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 02.03.11

 

 

A fuga dos professores é impressionante. Recebi por mail um texto bem elucidativo e que não é escrito por um professor.

 

Leia esta excelente crónica de Manuel António Pina.

 

Texto publicado no Jornal de Notícias

"Quem pode, foge. Muitos sujeitam-se a perder 40% do vencimento. Fogem para a liberdade. Deixam para trás a loucura e o inferno em que se transformaram as escolas. Em algumas escolas, os conselhos executivos ficaram reduzidos a uma pessoa. Há escolas em que se reformaram antecipadamente o PCE e o vice-presidente. Outras em que já não há docentes para leccionar nos CEFs. Nos grupos de recrutamento de Educação Tecnológica, a debandada tem sido geral, havendo já enormes dificuldades em conseguir substitutos nas cíclicas. O mesmo acontece com o grupo de recrutamento de Contabilidade e Economia. Há centenas de professores de Contabilidade e de Economia que optaram por reformas antecipadas, com penalizações de 40% porque preferem ir trabalhar como profissionais liberais ou em empresas de consultadoria. Só não sai quem não pode. Ou porque não consegue suportar os cortes no vencimento ou porque não tem a idade mínima exigida. Conheço pessoalmente dois professores do ensino secundário, com doutoramento, que optaram pela reforma antecipada com penalizações de 30% e 35%. Um deles, com 53 anos de idade e 33 anos de serviço, no 10º escalão, saiu com uma reforma de 1500 euros. O outro, com 58 anos de idade e 35 anos de serviço saiu com 1900 euros. E por que razão saíram? Não aguentam mais a humilhação de serem avaliados por colegas mais novos e com menos habilitações académicas. Não aguentam a quantidade de papelada, reuniões e burocracia. Não conseguem dispor de tempo para ensinar. Fogem porque não aceitam o novo paradigma de escola e professor e não aceitam ser prestadores de cuidados sociais e funcionários administrativos.

'Se não ficasse na história da educação em Portugal como autora do lamentável 'pastiche' de Woody Allen 'Para acabar de vez com o ensino', a actual ministra teria lugar garantido aí e no Guinness por ter causado a maior debandada de que há memória de professores das escolas portuguesas. Segundo o JN de ontem, centenas de professores estão a pedir todos os meses a passagem à reforma, mesmo com enormes penalizações salariais, e esse número tem vindo a mais que duplicar de ano para ano.

Os professores falam de 'desmotivação', de 'frustração', de 'saturação', de 'desconsideração cada vez maior relativamente à profissão', de 'se sentirem a mais' em escolas de cujo léxico desapareceram, como do próprio Estatuto da Carreira Docente, palavras como ensinar e aprender. Algo, convenhamos, um pouco diferente da 'escola de sucesso', do 'passa agora de ano e paga depois', dos milagres estatísticos e dos passarinhos a chilrear sobre que discorrem a ministra e os secretários de Estado sr. Feliz e sr. Contente. Que futuro é possível esperar de uma escola (e de um país) onde os professores se sentem a mais?"


publicado por paulo prudêncio às 15:04 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 29.01.11

 

 

 

 

 

Não é o primeiro. Há já uma quantidade interessante de pessoas que opta pela reforma em detrimento do vencimento. Mais um estudo de caso do sistema português de falências.

 

Provedor de Justiça prescinde de vencimento e mantém reforma de juiz conselheiro

 

 





publicado por paulo prudêncio às 16:50 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Terça-feira, 11.01.11

 

 

Os últimos e desgraçados tempos da escola pública ficam também marcados pela fuga (literal) de muitos professores; nalguns casos com uma penalização equivalente a quase metade do valor da pensão. Conheça números aqui.



publicado por paulo prudêncio às 22:00 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sábado, 02.10.10

 

 

Só há pouco estive a ler os comentários aos posts dos dias anteriores. Um, do Valdemar Brito neste post, vai ao encontro de uma questão que tem sido muito discutida: os cortes nas pensões e a sua sintonia com os tesouradas nos salários. Há tempos dizia-me um especialista: se se corta nas pensões, será muito difícil repor o valor.

 

O que é um facto, e é o que salienta o referido comentário (corrigi uma ou outra gralha), existe uma clara injustiça: "E os pensionistas? Estou no décimo escalão (topo) e jantei noutro dia com um grupo de reformados. Quase todos se reformaram no 9º e ganham bem mais do que eu. Não devia haver uma indexação? Quando se corta a uns devia cortar-se a outros".

 

Tenho ideia que a situação vigente é insustentável. Não tarda, temos salários que não atingem 50% do valor de uma pensão de reforma da mesma categoria profissional e com a agravante dos profissionais no activo terem no horizonte um valor de reforma ainda mais reduzido do que o valor do salário actual.

 

A única opinião especializada que encontrei, foi a que li no Jornal de Negócios online, aqui. O economista Silva Lopes classifica como imoral a ausência de corte nas pensões mais elevadas. Todavia, depois espalha-se nos números dos aumentos salariais dos professores.

 

É, sem dúvida, um debate inevitável.



publicado por paulo prudêncio às 22:00 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sexta-feira, 05.03.10

 

 

 

Foi daqui

 

 

 

Os serviços públicos tornaram-se um lugar maldito e muitos dos seus agentes preferem sair com penalização - vinte mil pedidos nos dois primeiros meses de 2010, aqui - do que suportar um sistema infernal recheado de má burocracia e de ideias tayloristas que levam a resultados desastrosos, como aqui se comprova.

 

A notícia que pode ler no primeiro link indicado não refere muitos pormenores, mas dá a sensação de que os professores continuam a fugir, mesmo que com grandes penalizações, de uma escola que se viu invadida por interesses desqualificados e que fizeram tábua rasa do seu poder democrático.



publicado por paulo prudêncio às 11:29 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 10.12.08

 

 

José Matias Alves, autor do excelente blogue Terrear, escreve um pequeno texto que deve ser lido com toda a atenção.

 

Ora veja:

 

 

"O título pode ser um bom critério de avaliação: para quem é benéfica a mudança introduzida num qualquer sistema? Apliquemos a pergunta à decretada avaliação de professores.

É benéfica para os alunos? É benéfica para os professores ou para os pais? É benéfica para a administração educativa? É benéfica para a sociedade? Para o próprio ME?
Sem precisar de grandes demonstrações, creio que a resposta é negativa em todas estas perguntas.

Então, impõe-se a pergunta: se todos estão a perder, a quem interessa a reforma? Ao partido socialista e aos seus interesses eleitorais?
Provavelmente, a resposta poderá ser positiva."



publicado por paulo prudêncio às 19:38 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
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Discordâncias:
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Exactamente.E ninguém quer a escola"à beira de um ...
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