Em busca do pensamento livre.

Domingo, 05.02.17

 

 

 

Cresce a apreensão com o avanço da municipalização escolar de todo o ensino não superior. A natural impreparação de grande parte dos municípios, associada à partidocracia que entrou nas escolas, fundamenta a reprovação. Exige-se ao poder político a boa gestão da rede escolar através das cartas educativas e das restantes variáveis de planeamento. O que existe (pré-escolar e 1º ciclo e influência determinante nos restantes ciclos) gera pessimismo num país que tem mais de quarenta quadros de divisão administrativa em vez de um como seria moderno e razoável.

Ainda há dias ouvi o discurso de autarcas com antiguidade de funções numa cerimónia de uma comunidade que, ao longo de décadas, apresenta bons exemplos escolares nos diversos níveis. É uma autarquia que influenciou, ao longo de anos, erros de planeamento em prejuízo de alunos, encarregados de educação, professores e outros profissionais dos ensinos público, privado e cooperativo e que se sustenta nos resultados dos exames do final do ensino secundário que, como se sabe, são por mérito dos alunos, e das sua famílias, e dos seus professores. A obsessão discursiva com os rankings esmoreceu com a queda na passagem dos ditos clássicos para os alternativos. Mas a quebra tem explicação num município em que apenas 30% a 40% dos alunos que se matriculam no 7º ano de escolaridade chegam ao 12º integrados no ensino regular e em que uma parte das matriculas no 10º ano é proveniente de outros concelhos. A inexistência de massa crítica também fundamenta a apreensão com a municipalização escolar.

 

Alfred+Dehodencq-The+Arrest+Of+Charlotte+Corday

"A apreensão de Charlotte Corday"

de Alfred Dehodencq



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Segunda-feira, 16.01.17

 

 

 

Não tenho muitos posts sobre o assunto, mas em 11 de Outubro de 2016 escrevi assim: "A informada, e corajosa, secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, afirma que "o interesse das editoras não é o das famílias". Também não é o das escolas nem dos professores. E não é por causa do digital e do google. Há muito que há ensino e aprendizagem para lá dos manuais e agora mais ainda. As editoras como holding (empresa que tem como actividade principal a participação maioritária numa ou mais empresas) conjugam várias "empresas nucleares": manuais escolares, exames em modo industrial, "reformas semestrais do Estado" e rankings de classificações de alunos."

Haverá excepções, obviamente, mas apontar o dedo aos professores neste negócio é desviar atenções.

 

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Domingo, 18.12.16

 

 

 

A mediatização dos rankings obedece ao desígnio da produtividade. Mas sublinha-se que os resultados escolares reflectem-se a longo prazo e são de génese diferente da produção de parafusos; o que faz toda a diferença no impaciente universo dos números.

Não encontramos rankings, sequer semelhantes, no mundo conhecido. Mas isso nem será relevante, porque o olhar obsessivo, mais ainda o menorizado, para as outras experiências impede a valorização das próprias. A rede escolar portuguesa tem de tudo. A sua babilónia explica parte da persistência do insucesso escolar; e depois acrescenta rankings inéditos, a exemplo dos organogramas dos mega-agrupamentos. A rede escolar já foi inspirada nos Estados Unidos, França, Noruega, Bélgica, Suécia, Holanda, Singapura e Finlândia. Isso fragilizou-nos internamente. Para além do referido, o "modelo" português foi durante duas décadas fustigado por uma agenda: tudo está mal na escola pública. Afinal não estava. Talvez isso ajude no caminho a seguir.

Por outro lado, as democracias valorizam a ideia de liberdade curricular. É por isso que não se defende a nacionalização total da rede escolar. Portugal tem outra particularidade não tão inédita: não tem escolas por emanação das comunidades. Existem por "planeamento" do estado central. Como não temos uma sociedade civil forte, as escolas transformam-se numa espécie de "quintas" que não raramente se apoderam do bem comum. Daí a desconfiança com a municipalização.

Tem-se escrito sobre a liberdade de escolha da escola que tem na guetização e na segregação social um resultado conhecido; em Portugal também. Sim, no nosso país vigora há muito a liberdade de escolha da escola. Como não há escola com vagas ilimitadas, a segregação social é o resultado da desorganização nas políticas de ocupação do território. E quanto mais desiguais forem as sociedades, mais se perpetua o insucesso escolar.

A questão portuguesa um dia passará por aqui; pelo oxigénio organizativo da rede escolar com a aprovação de uma nova lei de bases. Será um espécie de refundação que incluirá o estatuto da carreira docente e a gestão das escolas. Enquanto esse debate não se fizer, o processo português dará sempre a ideia de ter parafusos a menos.

 

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Sábado, 17.12.16

 

 

 

Em Setembro de 2016, Joaquim Azevedo, ex-SE da Educação, disse que "as escolas públicas rejeitam alunos". Soube-se, com o PISA, que Portugal continua na cauda do insucesso escolar, mas melhorou o desempenho dos alunos "que não querem aprender". São variáveis importantes. É interessante saber a correlação e conhecer as escolas que se "sacrificam" pelos desfavorecidos (um exemplo: "são públicas, inseridas em meios pobres, mas no topo do "ranking do sucesso"). Já os alunos que aprendem em qualquer sistema têm historicamente bons resultados e aumentaram em quantidade (parece que a sociedade - 60% do sucesso escolar - melhorou). Os rankings com classificações de alunos confirmam-no.

 

Auto-exclusão, rejeição de alunos "problemáticos" e, recentemente, rankings de resultados de estudantes são as causas principais da antiga selecção de alunos. É conhecido. Joaquim Azevedo disse-o (sabe-se lá porquê). Há quem sublinhe o efeito negativo destes rankings como a variável que mais rejeita. Haverá menos públicas a rejeitar alunos do que privadas (os rankings continuam a omitir o índice socio-económico destas famílias)? Claro que sim. Desde logo pelas propinas. Mas o desnorte dos últimos anos permitiu que públicos e "privados" financiados pelos estado excluíssem alunos de quem não se esperava bons resultados ou da educação especial. Foi uma lamentável apropriação do bem comum.

 

Temos os rankings dos exames de 2016 com a habitual publicidade a colégios privados. São instrumentos de estudo. Têm novidades como a que sublinhei acima para o "topo do sucesso". São válidos, mas, como sempre, dependem da cabeça que os utiliza. Deixo ligações para alguns OCS.

 

Renascença

JN

Público

Expresso

DN

 

ranking

 



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Terça-feira, 22.11.16

 

  

 

"Os rankings apenas mostram a qualidade dos alunos que fazem os exames e não nos permitem inferir se a escola trabalha bem ou mal" é uma óbvia conclusão que não se alterará com o que se anuncia: "nas escolas de topo mais de metade dos alunos chumba pelo menos uma vez".

 

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Terça-feira, 11.10.16

 

 

 

A informada, e corajosa, secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, afirma que "o interesse das editoras não é o das famílias". Também não é o das escolas nem dos professores. E não é por causa do digital e do google. Há muito que há ensino e aprendizagem para lá dos manuais e agora mais ainda. As editoras como holding (empresa que tem como actividade principal a participação maioritária numa ou mais empresas) conjugam várias "empresas nucleares": manuais escolares, exames em modo industrial, "reformas semestrais do Estado" e rankings de classificações de alunos.

 

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Terça-feira, 06.09.16

 

 

 

Fez-se um justificado mediatismo porque Joaquim Azevedo, ex-SE da Educação num Governo de Cavaco Silva, disse que "as escolas públicas rejeitam alunos". A selecção de alunos em Portugal é antiga: por auto-exclusão (pobres que nem se atreviam a pensar nos liceus), rejeição de alunos "problemáticos", incluindo os da educação especial que davam muito "trabalho", e mais recentemente escolhas a pensar nos rankings. Tudo isto é mais do que conhecido e Joaquim Azevedo disse-o. E fê-lo "porque é oportuno"? Talvez. Mas repetir uma verdade é um dever. Muitas vozes referem o efeito nefasto dos rankings. É a variável que mais rejeita alunos. Também não é novidade. Haverá menos públicas a rejeitar alunos do que privadas? Também é uma suposição com fundamento, embora o desnorte dos últimos anos tenha generalizado a imagem.

 

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Sexta-feira, 18.12.15

 

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 13.12.15

 

 

 

Imagine-se o que seria se o salário mínimo declarado pelo encarregado de educação fosse inferior à propina paga pelo rebento ou até ao preço do fardamento? A ausência destes dados, que se repete nos rankings, é realmente intrigante e objecto de todas as especulações. Os anos passam e "desconhecem-se" os dados socioeconómicos das escolas privadas, coisa que para as públicas é divulgado, considerado e bem auditado até na atribuição de apoios sociais escolares.

 

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Sábado, 12.12.15

 

 

 

No que se repete anualmente sobre os rankings lusitanos, há um aspecto mais chocante, e que se mantém, que encontrei num post de 10 de Novembro de 2013.

 

"Os investigadores afirmam que "é injusto que não existam dados socioeconómicos para as escolas privadas, só para as públicas. Esses dados são relevantes. As listas aparecem porque os jornais vendem mais. A maioria esmagadora das pessoas interpreta os rankings como a manifestação da qualidade de uma escola. Os dez primeiros têm uma publicidade fabulosa. Os rankings mostram a qualidade dos alunos, não o desempenho das escolas. Não sei se são um incentivo à melhoria das escolas"."

 

Os rankings e as presidenciais sofrem da mesma patologia mediática? Sofrem. Passo a explicar. Encontrei um post de 2 de Dezembro de 2014 que tem como título: "Grau zero da mediatização da Educação?" Diz assim:

 

"Marcelo Rebelo de Sousa conjugou dois verbos para os resultados do ensino privado nos rankings dos exames: arrasaram e esmagaram. Como é um professor de direito, temos de baixar o grau para lá do inadmissível e já nada nos deve espantar. O político estava fora de si e terraplenava resultados escolares como quem comenta o "seu Braga"."

 

É um político com este grau de desinformação que queremos para presidente? O que dirá hoje se lhe colocarem a questão? Às tantas, dirá tudo e o seu contrário.

 

Repito o cartoon, já que a repetição parece uma obrigação, do post que deixei para hoje e que tem como título: "Não existe o dia das patologias?" Claro que existe e a nossa sociedade está em descida uniformemente acelerada.

 

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Sábado, 28.11.15

 

 

 

 

Eliminar a prevalência do mercado escolar, do cliente escolar e do neoliberalismo escolar deve ser uma prioridade para o novo Governo. As três patologias adoeceram o sistema escolar. São enfermidades que vão para além da crise da escola que integra historicamente a sua definição como instituição.

 

Os rankings como modo único de vida, o senso comum como dominador da autoridade escolar e o individualismo das escolas, e dentro destas os grupos de interesses alinhados com a partidocracia local, atingiram um ponto crítico.

 

A propaganda escolar inspirou-se na lógica do "mercado selvagem". A cooperação dentro das redes escolares, a boa gestão de recursos e a prevalência de um ensino emancipador, ecléctico e que accione o elevador social foram ideias secundarizadas com o avanço do milénio e com uma queda a pique nos últimos quatro anos.

 

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Domingo, 12.07.15

 

 

 

 

O mercado escolar, o cliente escolar e o neoliberalismo adoeceram o sistema escolar. É uma patologia que vai para além da crise da escola que integra historicamente a sua definição como instituição. Os rankings como modo único de vida, o senso comum como princípio primeiro da autoridade escolar e o individualismo das escolas e dentro destas os grupos de interesses alinhados com a partidocracia local, atingem nesta altura um pico com a busca de alunos e com as variáveis próximas. A propaganda escolar inspira-se na lógica dos "supermercados". A cooperação dentro das redes escolares, a boa gestão de recursos, a prevalência de uma autoridade escolar assente num ensino emancipador, ecléctico e que se afirme como elevador social são ideias que, tragicamente, se perderam com o avanço do milénio e acompanham a crise do espaço político onde nos integramos.

 

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Domingo, 17.05.15

 

 

 

Na parafernália de exames que os miúdos começam amanhã, cada um carrega quatro responsabilidades: a sua, a do seu professor, a da sua escola e a do seu país (e não tarda da sua UE se os europeus descerem para sul). Esta injustiça levanta, desde logo, uma certeza antiga: os instrumentos científicos podem ser válidos, mas dependem da cabeça que os utiliza ou do que fazemos com eles. Um primeiro passo civilizado para estes exames dos miúdos seria óbvio: eliminar a sua publicitação em pautas, quadros e rankings e dar a conhecer os resultados apenas ao respectivo encarregado de educação.

 

É até indecente como as autoridades escolares e políticas reivindicam os bons resultados e assobiam lateralmente quando assim não é. O somatório de entidades que os miúdos carregam para os exames devia ser esclarecido: há muito que se sabe que, em regra, os resultados escolares melhoram com a elevação das sociedades e das famílias e ao longo de gerações. O bom ensino, as boas escolas e os bons ministérios são, em regra, uma consequência disso. Quem especializa precocemente exclui mais e tem sempre piores resultados globais a prazo; também há muito que se conhece esta evidência, mas a eliminação da história tomou conta das inteligências.

 

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Domingo, 15.03.15

 

 

 

Gostei de ver, ontem, num canal generalista (jornal das 8 da TVI) a reportagem sobre a Escola Secundária de Carcavelos (penso que é a sede do agrupamento com o mesmo nome) que entrou na agenda mediática por causa das recentes recomendações do CNE. A escola quase que não tem reprovações, não tem campainhas e é o projecto da moda. Vi o testemunho de alunos que reconhecem a importância do clima de confiança.

 

A Escola Básica Integrada de Santo Onofre (uma escola TEIP com mais de 1100 alunos e com taxas de insucesso escolar, em 1996, acima dos 30%) foi uma espécie de pioneira, e no século passado, desta e de outras ideias de gestão e de educação para a autonomia e para a responsabilidade.

 

E a exemplo da Escola Secundária de Carcavelos, também melhorou os níveis de pontualidade de todos os actores e seis anos depois não tinha processos disciplinares, tinha taxas de insucesso e abandono escolares abaixo dos 3%, as cerca de mil matrículas seguiam a lei numa difícil selecção entre mais de 1500 candidatos, os resultados escolares eram muito bons (os rankings no 9º ano em 2001 já a colocavam no pódio das escolas do país e com oito pontos acima da média nacional e do esperado para uma escola TEIP com aquela população escolar) e era a escola indicada pelas autoridades escolares para os alunos da educação especial. Está tudo documentado e um dia destes faço umas postagens mais detalhadas sobre o assunto.

 

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Gazeta das Caldas, 15 de Junho de 2001

 

Muito sinceramente: surpreendeu-me a emersão do projecto de Carcavelos num tempo martirizado pela prosa da austeridade onde a poesia passou ao lugar que não existe; afinal há motivos para ter esperança.

 

Na mesma edição da primeira imagem lia-se o seguinte (este muito bom programa de avaliação de escolas foi abruptamernto interrompido pelo Governo de Durão Barroso quando começava a ter massa crítica):

 

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Gazeta das Caldas, 15 de Junho de 2001

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 Gazeta das Caldas, 15 de Junho de 2001

 

Na edição de 09 de Novembro de 2001, a Gazeta das Caldas publicava a ideia de uma escola digital.

 

A passagem do pensamento analógico para o digital simplificou mesmo procedimentos (as bases de dados foram construídas na escola e a ideia de escola sem papéis era literal e não metafórica) e acrescentou conhecimento para apoio à tomada de decisões porque afirmava as ideias de autonomia, responsabilidade e confiança. Os professores ficavam mais livres para ensinar e libertos da má burocracia.

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Os objectivos do programa do Conselho Executivo eram apresentados nas diversas reuniões gerais após a tomada de posse e avaliados semestralmente na Assembleia e no Conselho Pedagógico. Como se pode ver a seguir, logo em 09 de Novembro de 2001 os resultados escolares exigiram um patamar inicial que reflectia os 8% acima da média nacional.

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 Gazeta das Caldas, 09 de Novembro de 2001 



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Domingo, 14.12.14

 

 

 

 

 

"Todos os instrumentos científicos são válidos depende da cabeça que os utiliza", é uma intemporal evidência que pode ajudar na matéria em título e que deve ser acompanhada de outras comprovações. O dogmatismo, o extremismo e o fim da história, por exemplo, são asserções a considerar quando se lê a caixa de comentários da notícia que diz: "e se os alunos não tivessem notas? O debate chega a Portugal".

 

A surpreendente ideia francesa de abolição de notas não poderá significar o fim da avaliação dos alunos; claro que não será disso que se trata. Parece-me que há a necessidade de discutir o modo como a sociedade está a considerar os resultados escolares como reflexo do mercado selvagem que se globalizou. Todos concordamos com o que acabei de escrever e temos de discutir e encontrar soluções.

 

Não conheço os detalhes franceses nem o que se vai discutir em Portugal. Todavia, impressiona-me a nossa capacidade para aplicar os mesmos mecanismos avaliativos, com a respectiva publicitação em rankings, a alunos do 12º ano e do 4º ano, por exemplo. Na Finlândia, e ainda como exemplo, as avaliações dos alunos só são publicitadas a partir dos 13 anos. Antes disso, são apenas comunicadas ao respectivo encarregado de educação. Isso não significa qualquer facilitismo nem o fim da avaliação. Há tempos escrevi assim:

 

"é fundamental que a publicação dos resultados escolares seja adaptada aos níveis de escolaridade e, naturalmente, à idade dos alunos. Para começar, devem discutir-se os procedimentos de publicitação dos resultados escolares individualizados até ao sexto ano de escolaridade".

 

 

 

 



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Sábado, 13.12.14

 

 

E ao contrário dos nossos "reformistas", discutem e testam (com um ano de distância, veja-se lá). Por cá, nem sequer nos interrogamos com rankings em exames do quarto ano.

 

"(...)As notas estão com os dias contados nas escolas francesas. O Conselho Superior dos Programas, órgão do Ministério da Educação francês, elaborou uma proposta para abolir o sistema de avaliação através das notas, que na França vão de zero a 20, e substituí-las por uma análise mais geral das competências dos alunos. O projeto será discutido numa conferência nacional nesta quinta e sexta-feira (11 e 12), em Paris.(...)Sistemas similares sem as tradicionais notas já vêm sendo utilizados há muitos anos por países europeus onde a educação é considerada de alto nível, como a Suécia, a Dinamarca e a Alemanha. Na França, se for aprovado, o novo sistema pode começar a ser testado em 2015.(...)"

 

 

 

 



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Terça-feira, 02.12.14

 

 

 

 

Sim, acontece muitas vezes. Ainda no último domingo, Marcelo Rebelo de Sousa conjugou dois verbos para os resultados do ensino privado nos rankings dos exames: arrasaram; esmagaram. Como é um professor de direito, temos de baixar o grau para lá do inadmissível e já nada nos deve espantar. O político estava fora de si e terraplenava resultados escolares como quem comenta o "seu Braga".

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:51 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 29.11.14

 

 

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1ª página da Gazeta das Caldas em 28 de Novembro de 2014.

 

A Escola Secundária Raul Proença, nas Caldas da Rainha, é a escola pública com melhores resultados nos rankings 2104 do ensino secundário. Foi, naturalmente, com orgulho que a comunidade escolar recebeu a notícia. É já habitual a distinção da Secundária Raul Proença nestes rankings, mas é a primeira vez que ocupa o primeiro lugar nas escolas públicas. Os jornais salientam a primazia do ensino privado e ainda não li qualquer referência ao facto do índice sócio-económico das famílias (os tais dados do contexto) só ser considerado para as escolas públicas. Mas deixo isso para outro post.

 

A Secundária Raul Proença é a escola sede do Agrupamento de Escolas com o mesmo nome que inclui a Escola Básica Integrada de Santo Onofre e ainda mais dez escolas (do primeiro ciclo e do pré-escolar). Aqui por casa é natural a satisfação: a minha esposa lecciona há mais de duas décadas na Raul Proença e foi lá que a minha filha fez o ensino secundário.

 

O concelho das Caldas da Rainha tem estado na agenda mediática da Educação como um ponto central na defesa da escola pública, já num ano recente (este ano ainda não vi) os rankings do Expresso classificavam o concelho em 1º lugar no país nos exames do secundário e ao longo das últimas décadas o sistema escolar caldense tem conhecido as mais variadas distinções.

 

Há um dado relevante nesta classificação do ensino secundário da Raul Proença: a coerência entre a classificação interna e a dos exames.

 

Há muitos dados para serem estudados: o Público e o Expresso, haverá mais clarotêm duas ferramentas.

 

É evidente que as primeiras páginas salientam a componente mais crítica: as políticas educativas dos últimos anos afundam as escolas públicas e a mediatização dos rankings transforma-se em publicidade para o ensino privado.

 

Só mais um detalhe interrogativo: rankings com escolas do 4º ano de escolaridade?

 

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 1ª página do Público online em 29 de Novembro de 2014.

 

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 1ª página do Expresso em 29 de Novembro de 2014.

 

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 21.09.14

 

 

 

 

Já fiz uma leitura na diagonal do relatório, do CNE, "Estado da Educação 2013", que é, se me permitem, um importante contributo mesmo que se evidencie a sua marca ideológica. Certifica o brutal desinvestimento na Educação.

 

A inflação das notas no secundário e nos cursos de formação de professores preenche a agenda mediática da Educação em consequência do relatório e das entrevistas do presidente do CNE. O ensino privado é acusado de inflacionar as classificações. É recorrente a acusação de que os colégios privados facilitam, por exemplo, o acesso às respostas de escolha múltipla nos exames do secundário e que os cursos de professores do ensino superior privado, que incluem estágio integrado (pasme-se), fazem "batota" (são estas as palavras atribuídas ao presidente do CNE).

 

É evidente que não basta apontar o dedo, é preciso agir.

 

Por exemplo, é comum falar-se da "batota" dos colégios privados nos exames do secundário para uma melhor fotografia nos rankings. É importante não omitir que a fotografia nos rankings dos jornais (com todo o respeito, valem o que valem e são muitas vezes mais uma espécie de atrevimento lusitano desconhecido no mundo conhecido) também se faz à custa da exclusão dos alunos que podem estragar a média. Ainda mais determinante na discussão da inflação batoteira é a nota de acesso ao ensino superior que não se apura apenas com as notas dos exames.

 

Por outro lado, é ainda sei lá o quê pensar-se que se reduz a "batota" nas contratações dos professores criando fómulas, mesmo que competentes, para dar corpo a epifanias como as que regulam o concurso "Bolsa de Contratação de Escola".

 

Há muito para fazer, mas com ideias despidas de tanto preconceito contra a escola pública e assentes num valor inalienável das democracias: a igualdade de oportunidades.

 

 

 



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Sábado, 14.06.14

 

 

 

 

Alguns descomplexados competitivos usam muito um raciocínio: o sistema escolar tem de ser competitivo a exemplo do sistema desportivo. Defendem que os mecanismos de selecção usados, por exemplo, no 12º ano de escolaridade (exames a x disciplinas, rankings de escolas, pautas públicas de classificações, quadros de valor e de mérito e por aí fora) devem ser plasmados nos anos anteriores. A preparação de "verdadeiros" top performers só não chegou ao pré-escolar porque os "especialistas" ainda estão a objectivar a construção em Lego (e isto não implica qualquer desprezo por esse nível de ensino) para determinarem a restante parafernália.

 

Pois é exactamente o contrário de tudo isto que se praticou nos modelos de formação desportiva bem sucedidos, e mais do que comprovados, no mundo conhecido.

 

Desde logo, prevaleceu sempre a ideia de alargar o mais possível a base da pirâmide e de só se tentar perceber os "talentos" depois dos 14 anos. Antes dessa idade, e tomando como exemplo um desporto colectivo, havia jogos com resultados mas sem classificações de equipas. Sempre que começava um jogo estavam todos em "igualdade de circunstâncias". Havia um tempo mínimo e máximo de participação de cada jogador e chegava-se mesmo a impor um limite máximo de pontos (no basquetebol, por exemplo) que implicava a substituição do jogador.

 

E podíamos estar a tarde toda a elencar as características inalienáveis da formação. As vantagens são óbvias e para além das já enunciadas, com os factores de ordem psicológica, de aprendizagem técnica e táctica, de superação na alta competição e de aprendizagens "para a vida" na primeira linha das preocupações.

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 13.11.13

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 12.11.13

 

 

 

 

Sabia-se que não existiam "(...)dados socioeconómicos para as privadas(...)" (onde se incluem as cooperativas financiadas integralmente pelo Estado), mas também se sabia que "(...)A maioria esmagadora das pessoas interpreta os rankings como sendo a manifestação da qualidade de uma escola. Os dez primeiros têm uma publicidade fabulosa.(...)" e que "(...)nesse dia os jornais vendem mais…(...)". Sabia-se tudo isto e muito mais sobre os dados dos rankings. Mas o MEC, que, coitados, são uns ingénuos, disponibilizou os dados "incompletos", deixou que tudo acontecesse e agora vem um dos SE dizer o seguinte: "(...)Os rankings dos estabelecimentos de ensino devem ser analisados apenas “em contextos equivalentes”, defendeu nesta segunda-feira o secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida, que recusou fazer quaisquer comparações entre os resultados obtidos pelas escolas públicas e privadas.(...)".


Leia-se a opinião do actual presidente do CNE sobre o assunto: "(...)Para David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), o Ministério da Educação e Ciência (MEC) deve proporcionar "melhor informação e mais detalhada" na divulgação dos rankings de estabelecimentos de ensino: "Tem de haver a publicação desta informação, mas o ministério tem de proporcionar melhor informação, mais detalhada, até para que se possa fazer o cruzamento de variáveis e se possam ter leituras mais complexas" dos resultados obtidos pelas escolas, disse à agência Lusa.(...)".


Qualquer que seja a opinião sobre os rankings, e perante a situação descrita, o mínimo exigível era que se fizessem rankings separados pelo tipo de dados recolhidos. São inúmeros os exemplos sobre o assunto do género do que foi apresentado pelo blogue de rerum natura.

 

"(...)Tome-se uma escola corrente de mais de 700 exames - a Infanta D. Maria, de Coimbra - e compare-se com o colégio S. João de Brito, com cerca de 250 exames. Ganha o colégio. Então, e se só escolhermos os melhores 250 da escola de Coimbra? É que o S. João de Brito matricula quem entende matricular, e a Infanta D. Maria matricula quem se apresenta à porta e vai cabendo…(...)"

 

 



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Segunda-feira, 11.11.13

 

 

 

 

 

Há algum tempo que se sabe que o modelo sueco fracassou, mas por cá demorou a que a comunicação social pegasse no tema. E mesmo assim é só alguma.

 

Em Portugal assiste-se a uma ofensiva que despreza a escola pública que é da família do que vai ler a seguir.

 

Quem deu um contributo decisivo para que o Hubble nos ilumine, também terá aberto as portas às tragédias várias com a energia nuclear durante algumas guerras. A validade dos instrumentos científicos depende da cabeça que os utiliza. Apesar das distâncias em relação à asserção referida, com os rankings das escolas não é diferente: nas mãos de descomplexados competitivos podem provocar danos "irreparáveis" ou a conservação de taxas de abandono e insucesso escolares que nos envergonham.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:43 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 10.11.13

 

 

 

A semana mediática (e não adianta escapar à transcendência do quarto poder, cada vez mais o primeiro na hierarquia) do sistema escolar fica marcada por três assuntos: a prova dos professores contratados, a verdade inconveniente da TVI e os rankings 2013. Deixemos o primeiro e concentremos a atenção nos outros dois e no comportamento dos média mainstream não televisivos (MMNT).

 

Quem desconsiderar os rankings 2013 é, para os MMNT, um complexado não competitivo (CNC).

 

Mesmo que os investigadores ouvidos pelo Público afirmem que "(...)não há dados socioeconómicos para as privadas(...)", dados relevantes para este tipo de estudos e que ainda por cima são considerados para as escolas públicas, as listas aparecem porque "(...)se não fosse assim os jornais não fariam cadernos especiais sobre os rankings, porque nesse dia os jornais vendem mais…(...)" e quem duvidar da oportunidade da publicação é um CNC para os MMNT.

 

Mesmo que se saiba que "(...)A maioria esmagadora das pessoas interpreta os rankings como sendo a manifestação da qualidade de uma escola. Os dez primeiros têm uma publicidade fabulosa.(...)" e que "(...)os rankings mostram a qualidade dos alunos, não o desempenho das escolas.(...)Do ponto de vista da melhoria das escolas eu não sei se estes rankings são o melhor incentivo.(...)", quem duvidar da oportunidade da publicação é um CNC para os MMNT.

 

E podíamos ficar aqui a noite toda a sublinhar que "(...)O volume de dados permitiu-nos perceber isto. A partir daqui, o que vamos fazer com esta informação? Que eu saiba ninguém tem feito nada. Agora ficamos com um mosaico mais complexo das escolas e queremos os rankings para quê? Para ver a qualidade das escolas? Eu acho que estes rankings não nos estão a servir para isso.(...)", mas mesmo depois de tudo isto, quem duvidar da oportunidade da publicação é um CNC para os MMNT.


Estes MMNT não publicam coisas que achem que são de facções e, pasme-se, coisas que achem que só se fazem por causa das audiências. Até se regista a contradição. A verdade inconveniente da TVI é, para os MMNT, coisa de facção e de busca de audiências. Ou seja, para esses MMNT os rankings 2013 não são coisa que interessa a uma facção e nem existem por causa de audiências. Querem ver que os MMNT estão "controlados" por essa facção? Querem ver que os MMNT são uns mãos largas? Querem ver que os MMNT estão impedidos de pegar na verdade inconveniente da TVI? Querem ver que os MMNT estão mais dedicados ao entretenimento (coisa também importante, sem dúvida) do que a verdade inconveniente da TVI?

 

 

 



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Sábado, 09.11.13

 

 

 

 

 

 

"Os rankings apenas mostram a qualidade dos alunos que fazem os exames e não nos permitem inferir se a escola trabalha bem ou mal" é a óbvia conclusão de dois investigadores e o destaque do Público online sobre os rankings 2013.

 

Sempre foi evidente que ao neoliberalismo vigente interessava lançar para a opinião pública rankings de resultados de exames a coberto de uma qualquer primazia dos estudos empíricos.

 

Sabemos, há muito, que há mais vida para além disso.

 

Conheço conclusões semelhantes às destes investigadores datadas das décadas de 50 e 60 do século passado. Michael Scriven, Daniel Stufflebeam, Gilbert e Viviane Landsheere e alguns outros concluíram nesse sentido e sem qualquer desprezo pelos estudos empíricos. Aliás, os investigadores ouvidos pelo Público sublinharam outro aspecto óbvio: são muito difíceis os estudos empíricos credíveis e mais ainda em Educação.

 

Uma prática que caiu em desuso neste domínio, foram as análises de conteúdo a entrevistas realizadas aos denominados "experts" (com vastos conhecimentos do terreno). Foi pena. É preciso recuperar esse tipo de estudos. Por exemplo, e vou usar pessoas de uma área política em que jamais me situarei, confio muito mais numa análise de conteúdo a uma entrevista a Adriano Moreira do que numa regressão linear múltipla a um modelo de Vítor Gaspar.

 

Deve ser por isso que não se conhece qualquer "expert" (no sentido dos fundamentos teóricos e da vasta experiência e não no sentido jocoso em voga) em Educação a defender as políticas que são perseguidas em Portugal desde 2005 (até desde 2003) e que se acentuaram de forma trágica a partir de 2011.

 

 

 

 

 

 

 



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O que está por detrás dos números?

 

 

 

A ligação que sugiro refere-se a um texto de Bárbara Wong, jornalista do Público, sobre os rankings.

 

Depois de vários anos ligada a esta divulgação - o seu jornal foi pioneiro numa época em que o seu director, o liberal José Manuel Fernandes, era um Lurditas D´Oiro (mais tarde um fervoroso anti-Lurditas D´Oiro, veja-se lá) - a jornalista vai para lá dos números e começa por concluir: "(...)Se nas primeiras edições dos rankings me dava prazer conversar com as escolas que ficavam bem colocadas – perceber o que faziam de diferente, com a intenção de conhecer as boas práticas e de as poder partilhar com os leitores e com as escolas que podiam replicá-las; hoje, gosto de falar com as que ficam no fundo do ranking e descobrir que, na maior parte das vezes, fazem um trabalho exemplar.(...)".


Imagina-se o contributo do tratamento mediático, e alucinado, destas coisas.

 

É evidente que se uma escola vai descendo centenas de lugares a cada ranking, haverá detalhes que vão para além das variáveis externas.

 

Há critérios simples de eficiência que devem, desde logo, ser observados. A pontualidade como regra fundamental, o respeito escrupuloso pelas condições de realização de cada uma das aulas, a institucionalização da "pedagogia do silêncio" (as escolas do fim dos rankings têm a tendência para elevar a festa e o entretenimento que é exactamente o contrário das necessidades das suas populações), a produção escrita, e em avaliação permanente, do plano estratégico e o esforço para se evitar a tentação de passar para o exterior uma imagem que não corresponde à sua vida quotidiana.

 

Mas vale a pena ler o texto todo.

 

 

 



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Os rankings como retrato de uma educação a várias velocidades






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Sexta-feira, 09.08.13

 

 

 

 

 

 

 

 

Como é que se deve interpretar a absolutização da busca do lugar cimeiro, e a qualquer preço, nos rankings escolares num país com 27% de abandono escolar precoce, com 3 milhões de pessoas que não concluíram os 9 anos de escolaridade e em que 1 milhão e meio das pessoas que ultrapassaram essa barreira não obtiveram o diploma de conclusão do ensino secundário?

 

Interpreto as evidências de exclusão como um grave sintoma de terceiro-mundialização, que dá corpo ao empobrecimento que preenche a mente dos nossos governantes e que instituiu um salve-se quem puder a que ninguém escapa. Um empobrecimento exige mais inclusão e só sociedades ausentes e imaturas é que reagem em sentido inverso.

 

Não há muitos anos (já neste milénio, seguramente), as escolas portuguesas orgulhavam-se, naturalmente, pela integração de alunos com necessidades educativas especiais e pela redução do abandono escolar. Os bons resultados são reconhecidos. A igualdade de oportunidades era uma pública virtude (nem sempre um vício privado, sabemos isso) própria de uma democracia que se esforçava por acompanhar os países mais desenvolvidos onde os rankings escolares são assuntos sérios tratados com competência docimológica e integrados na avaliação das organizações e dos sistemas escolares.

 

Nós cedemos à cíclica tentação para o empobrecimento empurrados por uma "elite" que se cansa com facilidade com os "gastos" na escolarização para todos.

 

Os episódios da caça ao ranking recordam-me aqueles países do terceiro mundo onde as crianças são pobres e sem escolaridade e em que os "talentos precoces" e os filhos dos endinheirados são internados em "centros de alto rendimento" ou "academias desportivas (repare-se no "academia")". Nessas sociedades, os filhos do pessoal da oligarquia frequentam colégios e universidades da Commonwealth e regressam aos países de origem com um devorador apetite financeiro ultraliberal. Por cá já vai acontecendo o mesmo com essa parolice dos MBA's na estranja que garantem o acesso aos negócios do J. P. Morgan e do Goldman Sachs com os "complexos" produtos tipo Swaps no caderno de encargos.



publicado por paulo prudêncio às 19:21 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Domingo, 31.03.13

 

 

 

 

Só em países propensos a bancarrotas é que se fazem rankings de escolas com uso exclusivo dos resultados de exames de alunos. São, digamos assim, países que se afeiçoam muito ao substantivo exclusão. As escolas com grupos de alunos com melhores condições económicas (escrito assim para abreviar) têm, em grande regra, melhores resultados. Os grupos que privatizam lucros dos orçamentos de Estado para a Educação sabem bem disso, conseguem impor esses rankings e arrastam consigo muita gente distraída e que confunde meritocracia com democracia (também escrito assim para abreviar). Os mais pobres ficam nas escolas do fim da fila que se vão guetizando e afundando (também escrito assim para abreviar).

 

Avaliar escolas é difícil, exige tempo, conhecimento e consolidação de processos. É muito mais do que os resultados dos alunos nos exames em algumas disciplinas. A denominada "avaliação integrada das escolas", que começou em Portugal em 1998, tinha potencialidades, mas um novo Governo apressou-se a terminar com o modelo quando, cinco anos depois, a maturidade dava os primeiros sinais positivos. Tem sido sempre assim, são raros os países onde se faz melhor e tudo isso ajuda a explicar a crise permanente da escola como organização em que Portugal passou a ser um estudo de caso pelo modelo de gestão que descobriu.

 

 

 

 

 

Parte de uma peça do Público de hoje da autoria de Clara Viana.



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Sexta-feira, 04.01.13

 

 

 

 

 

É inegável que os rankings no modelo português têm algum efeito positivo, mas também é incontestável que as consequências negativas se fazem sentir misturadas com um acentuado sentimento de injustiça.

 

É positivo registar as alterações que se seguem. Para além disso, uma escola, como organização, vai muita para além da medição-sem-mais dos resultados académicos dos alunos.

 

 

Origem económica e social dos alunos conta para o ranking

 

Avaliação externa das escolas passa a ter em conta origem dos alunos

 

Modelos para comparação estatística dos resultados académicos em escolas de contexto análogo



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Segunda-feira, 15.10.12

 

 

Ainda sobre os últimos rankings de escolas, o Público disponibiliza uma base de dados interessante e o Rui Ferreira escreve, no blogue de Octávio Gonçalves, um texto imperdível sobre o assunto.

 

Rankings das Escolas 2012

Li tudo ao pormenor e até fiz uma ficha de leitura (mais uma).

A conclusão é mais que a esperada numa realidade caracterizada pela complexidade e dinâmica dos fenómenos que ocorrem:
 
1. Tendo obviamente vantagens que jamais poderão ser escamoteadas, a divulgação dos “Rankings” cavará ainda mais o fosso na assimetria já observada entre as escolas. “A missão é difícil e os rankings não ajudam nada” (Tuna, pp. 18). 

2. Mesmo com a inovação apresentada este ano, os rankings sofrem de uma patologia congénita e sem tratamento, pelo menos para já, entre outras, “haver dois ou três alunos mais interessados numa turma de 15 faz a diferença” (Ribeiro, pp. 20), “bastam 4 ou 5 alunos terem melhores resultados para alterar logo a média” ou “três ou quatro pais mais sensibilizados, mais colaborantes, ela acentua-se” (Rodrigues, pp. 20) e “como temos poucos alunos os resultados são voláteis” (Sampaio, pp. 21). 

3. Os fatores socioeconómicos são preponderantes no (in)sucesso escolar dos alunos. Os gráficos apresentados são esclarecedores. “Os alunos que têm bons resultados são oriundos de famílias bem estruturadas e com condições económicas equilibradas” (Pereira, pp. 2), “A situação social das famílias e da comunidade envolvente tem enorme influência nos resultados” (Viana, pp. 3) e “existe uma elevada influência do contexto cultural e socioeconómico sobre os resultados dos exames” (Azevedo, pp. 5). 

4. Se tudo pode ser mensurável e, por conseguinte, justificado, qual a razão de existirem escolas abaixo e acima do esperado? Mais complexo ainda, qual o motivo que leva uma escola (e são muitas) a subir ou descer cerca de mil lugares de um ano para outro? “Não mudaram nem os professores nem as estratégias de ensino, o que mudou para que a escola saltasse 984 lugares foram os alunos” (Basílio, pp. 20), “os professores são os mesmos mas mudou o público” (Pimenta, pp. 21) e “tem mais a ver com as características pessoais dos alunos e com o funcionamento do grupo” (Vieira, pp. 20). 

5. Da parte da escola, os professores devem nortear a sua ação tendo como referências principais as questões pedagógicas e científicas. 
Ou seja, nada que ainda não se soubesse. Entre muitos, Almeida e Ramos (1992), Benavente et. al. (1994), Sousa (2003), Janosz, Le Blanc, Boulerice e Tremblay (2000), Abbot, Hill, Catalano e Hawkins (2000), Lee e Ip (2003), Christenson e Thurlow (2004), Nowicki, Duke, Sisney, Stricker e Tyler (2004) Beekhoven e Dekkers (2005), a redução do insucesso e abandono escolar apenas poderá ser perspetivada a partir de uma intervenção que abranja todos os sistemas em que o aluno está inserido, o seu sistema familiar, a escola e as políticas educativas a nível nacional. 

Mais uma vez os políticos não ficam bem na fotografia. A nós, aos professores, só nos compete aplicar a política, de preferência, calados. “Mas o que é ainda mais grave é que se criou um lastro escorregadio e muito perigoso de facilitação e até incentivo à proliferação de uma agenda que está a fazer da escola pública uma escola selectiva …” (Azevedo, pp. 5). 

Rui Ferreira


publicado por paulo prudêncio às 19:38 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

 

 

 

 

Tinha escrito que não fazia mais textos sobre os últimos rankings de escolas, mas não deixo passar uma peça do último Expresso sobre um antigo liceu da capital que se situa bem perto do parlamento: o Passos Manuel.

 

 

A sua posição no ranking é descrita assim:

 

 

 

 

A actualidade caracteriza-se mais ou menos da seguinte forma:

 

 

 

 

As causas são descritas assim:

 

 

 

 

A primeira conclusão é óbvia: Portugal é um país muito desigual e os concelhos têm realidades muito diferenciadas. Não é preciso sair do país para encontrar de tudo um pouco, até no sentido da lógica de mercado ou da escolha da escola. As análises dos resultados dos alunos em exames são instrumentos que deviam servir para percebermos que muito se joga a montante das escolas e dos professores, que temos um longo caminho a percorrer para eliminarmos o abandono escolar (cerca de 40%, ou mais, dos alunos que iniciam o 1º ano de escolaridade não realizam exames do 12º ano).

 

O exemplo do Liceu Passos Manuel possibilita um conjunto muito interessante de reflexões.



publicado por paulo prudêncio às 11:20 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 13.10.12

 

 

 

 

 

 

Quem deu um contributo decisivo para que o Hubble nos ilumine, também terá aberto as portas às tragédias de Hiroshima e Nagasaki. A validade dos instrumentos científicos depende da cabeça que os utiliza e com os rankings das escolas não é diferente: nas mãos de descomplexados competitivos ou de dogmáticos empedernidos pode provocar danos irreparáveis ou a conservação de taxas de abandono e insucesso escolares que nos envergonham. E importa sempre acrescentar este tipo de reflexões: "(...)O Professor Gert Biesta, da Universidade Stirling, deu há um ano, creio, uma entrevista ao Público com o significativo título “Os rankings são muito antiquados e não devem ter lugar numa sociedade civilizada" decorrem de uma questão nuclear, “Medimos o que valorizamos ou valorizamos o que medimos”.(...)"

 

Revejo-me no algoritmo que voltei a publicar no post anterior e verifico-o no terreno.

 

Conheço muito bem a rede escolar das Caldas da Rainha que é o "ponto de partida e de chegada" do post. Por ser um concelho que acolhe o caciquismo, o pior das ideias de Liceu e de Colégio permitem a guetização social e a lógica de mercado na escolha das escolas.

 

As famílias mais informadas seleccionam as escolas dos seus educandos, o limite de vagas faz o resto e os rankings limitam-se a espelhar o fenómeno. Também conheço os concelhos de Chaves, Vila Real, Coimbra, Porto e Beja e a situação é semelhante; basta estudar a história das escolas, embora os recentes agrupamentos façam a terraplenagem do que existe (para o bem e para o mal, na minha modesta opinião mais no sentido negativo) e favoreçam a privatização de lucros.

 

A escola onde sou professor, a EBI de Santo Onofre, nasceu em 1993 e confirma o algoritmo. Como foi edificada no bairro social mais carenciado (dito assim para simplificar) da cidade, rapidamente os alunos obtiveram o estigma dos excluídos. A situação inverteu-se e uma década depois era a escola da moda para as pessoas com mais ambições escolares. Em meados da primeira década do milénio, qualquer ranking publicado colocava-a nos primeiros lugares nacionais e a comunidade enchia-se de orgulho.

 

Nos tempos do socratismo, a escola agrupou-se, fez uma resistência quase solitária à avaliacão de professores e ao modelo de gestão escolar, e com rasgados elogios nacionais, e pagou por isso. O breve vazio de poder foi aproveitado por uma minoria de profissionais apoiados em stakeholders que o novo modelo de gestão escolar permitiu. Uma CAP, imposta pelo Governo em 2009 e apoiada nessa minoria, certificou a tragédia. A escola deixou de ser a pretendida pelas famílias (em cerca de 6 a 7 anos perdeu perto de 50% na frequência de alunos) e os rankings são o plano inclinado que se pode ver. 

 

Encontra aqui os rankings apresentados pelo Expresso. Há outros órgãos de comunicação social que publicam rankings mais detalhados e que são interessantes instrumentos de investigação. Na generalidade, confirmam o algoritmo.

 

Os dados que escolhi refere-se a listas com as escolas todas e servem para ilustrar o post. O linque indicado permite outras consultas.

 

 

 

Ranking 6º ano - escolas todas.



 

189 - Colégio Frei S. Cristóvão

 

293 - Escola Básica 2,3 D. João II

 

383 - Colégio Rainha D. Leonor

 

457 - Escola BI de Santo Onofre

 

488 - Escola BI de Santa Catarina



 

Ranking 9º ano - escolas todas.



 

117 - Escola Secundária Raul Proença

 

244 - Colégio Rainha D. Leonor

 

253 - Escola Básica 2,3 D. João II

 

258 - Colégio Frei S. Cristóvão

 

422 - Escola BI de Santa Catarina

 

825 - Escola BI de Santo Onofre

 

1032 - Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro



 

 

Ranking 12º ano - escolas todas. Coloquei entre parêntesis a classificação do ano anterior que, como é evidente, só está disponível para este ano de escolaridade.


 

 

032 (059) - Escola Secundária Raul Proença

 

044 (081) - Colégio Rainha D. Leonor

 

178 (462) - Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro



Ainda sobre este assunto, recomendo a leitura deste comentário do professor João Pereira que é membro da comissão de representantes do movimento "Em defesa das escolas públicas do Oeste".



publicado por paulo prudêncio às 20:04 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

 

 

 

 

 

 

Deixem-me sorrir um bocado: não tarda e estamos a implorar o regresso dos professores que fugiram com penalizações e que foram empurrados pelos descomplexados competitivos.

 

No caso português, nunca devemos esquecer a agenda de descredibilização das escolas públicas e dos seus professores e as "impossibildades" criadas com a gestão escolar e com os agrupamentos de escolas.

 

Sempre que leio as conclusões do rankings de escolas, como as da primeira página do Expresso, recomendo o seguinte algoritmo:

 


A escolha da escola, e a natureza desta, parece ser mais um dos algoritmos do momento. O nosso sistema escolar caminha de forma circular e em estado de permanente alteração. Parece contraditório, mas são só parecenças. Há uma década que a voragem se instalou e foi premonitória para o estado de desorientação em que estamos.

 

formulação que a seguir volto a apresentar, e que escrevi há uns dois anos, parece-me sempre oportuna.

 

 

A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.

 

Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

 

Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades com 100 professores diferentes, os resultados deveriam oscilar muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

 

É também por isso que pode ser um logro absoluto que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que basta mudar o conteúdo físico ou contratual dos 30% para que tudo se resolva. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% nada acontece e não há ensino.

 



publicado por paulo prudêncio às 10:58 | link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Segunda-feira, 23.07.12

 

 

A rede escolar portuguesa, seja no ensino superior ou nos outros graus de ensino, tem relações nem sempre claras entre o público e o privado. São ainda menos claros (para ser brando), os contratos entre o Estado e o "privado" alimentado pelo orçamento de estado. O grau de clareza vai desaparecendo ainda mais quando se mistura tudo isto com o clientelismo partidário; está mais do que documentado.

 

Os rankings escolares portugueses têm contribuído para "enganar" a denominada opinião pública.

 

Estudo conclui que alunos do particular têm sido beneficiados

 

 

"Uma equipa de investigadores da Universidade do Porto esteve a analisar as bases de dados dos exames nacionais do ensino secundário, que são a matéria-prima para a elaboração dos rankings das escolas, e concluiu que os alunos das escolas particulares têm sido favorecidos por comparação com os que frequentam o ensino público.

Esta conclusão tem por base a diferença entre a média que os alunos obtêm nas provas nacionais (classificação externa) e aquela que lhes é atribuída nas suas escolas de origem (classificação interna), dados que também estão disponíveis nas bases de dados dos exames. Depois de compararem os dados existentes entre 2002 e 2010, os investigadores Tiago Neves, João Pereira e Gil Nata verificaram que estes mostram "que de forma sistemática existe um padrão de diferença entre a classificação interna e a classificação externa que tem favorecido os estudantes das escolas privadas", explicaram ao PÚBLICO. "Este facto é particularmente acentuado nas classificações onde mais se joga o acesso ao ensino superior", sublinham.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 14:33 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Segunda-feira, 17.10.11

 

 

Um texto que importa discutir a propósito dos rankings.

 

A Esterilidade Do Entrincheiramento Pró E Contra Os Rankings



publicado por paulo prudêncio às 12:58 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sábado, 15.10.11

 

 

Não surpreendem os rankings que colocam as escolas privadas e cooperativas à frente das do estado. É o resultado de desastrosas políticas educativas que em vez de suprimirem as inutilidades fizeram-no às humanidades. Há algo que se aprendeu desde há muito: nas sociedades com graves problemas socias, a oferta diversificada na rede escolar acentua o desequilíbrio porque as famílias mais informadas conseguem auto-seleccionar os grupos de alunos e provocam fenómenos de guetização e de aumento do abandono escolar. As badaladas magnet schools são um bom exemplo disso. É um logro pensar-se que há bons resultados escolares sem alunos educados em sociedades com suficiente bem-estar económico, com ambição escolar e com confiança nos professores.

 

Há tempos escrevi assim:

 


"(...) Foi por volta da década de noventa do século passado que se percebeu que o orçamento da Educação era demasiado apetitoso para que a ganância, que se afirmou através do PSD e do PS (o CDS e outros ficaram com empregos e fatias menores), o deixasse sossegado; potenciais PPP´s (parcerias público-privado,) ainda sem dono.(...)

Ou seja: edificaram inconstitucionalmente junto às escolas do estado – tentaram derrotar-lhes a fama e cobiçar-lhes os melhores alunos – inflacionaram as notas, colocaram professores sem concurso e em regime de amiguismo, construíram os rankings e já só falta subtrair uma boa fatia aos orçamentos. Uns grandes profissionais, sem margem para dúvidas. Um golpe perfeito, digamos assim. O pessoal da escola pública é bem mais naif e resistente e o país está no estado que se conhece."



publicado por paulo prudêncio às 12:26 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 15.10.10

 

 

Estes rankings são o que se sabe, mas podem ser um empurrão para as escolas. Vejam onde já vai Santo Onofre.



publicado por paulo prudêncio às 16:49 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quinta-feira, 15.10.09

 

 

Foi daqui.

 

 

Dois textos imperdíveis sobre os rankings das escolas.

 

 

Como trepar 700 lugares no ranking nacional; aqui.


 

"(...) As práticas lectivas, os apoios dados pela escola, a qualidade dos professores e mais uma mão-cheia de balelas que enchem páginas de jornais, revistas e blogues, são de uma irrelevância brutal neste assunto. Lamento como tanto se insiste em factores que, na minha humilde opinião, não passam de poeira, de tão insignificantesque são.
 
 
E falo com conhecimento de causa. Fui professor destes alunos que subiram 700 lugares no ranking, durante todo o 3º ciclo, e preparei-os para o exame nacional. Tal como todos os meus colegas de Matemática que também prepararam os seus alunos para o exame nacional. Ao contrário do que muitos patetas pensam, não se faz pão sem farinha! E a minha escola teve muita sorte, porque, em 2009, teve um saco cheio de farinha, quando habitualmente o saco traz bem mais areia do que farinha..."

 
Ler Popper faz bem; aqui.

"(...) E ao contrário do que alguns comentadores querem fazer crer não é a teoria da adesivagem que está em jogo! O que está em jogo é o balanço da mais agressiva política educativa desenvolvida nas últimas décadas e que serviu, quando deu jeito, para justificar sucessos parciais, mas já se esquece quando se trata de fundamentar os insucessos.

Que fique claro: o que deve estar em causa é a avaliação da política ministerial, infelizmente só possível depois das eleições porque os dados sobre os resultados dos exames, disponíveis desde que a sua classificação foi feita, só foram libertados depois das eleições legislativas e autárquicas.

Cirurgicamente.

Porque se assim não fosse teria sido visível o esplendor do declínio do sector público do ensino no final de um mandato para esquecer, tamanhos foram os erros cometidos e não admitidos por esta equipa ministrial que fez uma aposta em mais escola, mas não em melhor escola."

 



publicado por paulo prudêncio às 21:38 | link do post | comentar | partilhar


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