Em busca do pensamento livre.

Domingo, 05.02.17

 

 

 

Cresce a apreensão com o avanço da municipalização escolar de todo o ensino não superior. A natural impreparação de grande parte dos municípios, associada à partidocracia que entrou nas escolas, fundamenta a reprovação. Exige-se ao poder político a boa gestão da rede escolar através das cartas educativas e das restantes variáveis de planeamento. O que existe (pré-escolar e 1º ciclo e influência determinante nos restantes ciclos) gera pessimismo num país que tem mais de quarenta quadros de divisão administrativa em vez de um como seria moderno e razoável.

Ainda há dias ouvi o discurso de autarcas com antiguidade de funções numa cerimónia de uma comunidade que, ao longo de décadas, apresenta bons exemplos escolares nos diversos níveis. É uma autarquia que influenciou, ao longo de anos, erros de planeamento em prejuízo de alunos, encarregados de educação, professores e outros profissionais dos ensinos público, privado e cooperativo e que se sustenta nos resultados dos exames do final do ensino secundário que, como se sabe, são por mérito dos alunos, e das sua famílias, e dos seus professores. A obsessão discursiva com os rankings esmoreceu com a queda na passagem dos ditos clássicos para os alternativos. Mas a quebra tem explicação num município em que apenas 30% a 40% dos alunos que se matriculam no 7º ano de escolaridade chegam ao 12º integrados no ensino regular e em que uma parte das matriculas no 10º ano é proveniente de outros concelhos. A inexistência de massa crítica também fundamenta a apreensão com a municipalização escolar.

 

Alfred+Dehodencq-The+Arrest+Of+Charlotte+Corday

"A apreensão de Charlotte Corday"

de Alfred Dehodencq



publicado por paulo prudêncio às 18:13 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 16.01.17

 

 

 

Não tenho muitos posts sobre o assunto, mas em 11 de Outubro de 2016 escrevi assim: "A informada, e corajosa, secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, afirma que "o interesse das editoras não é o das famílias". Também não é o das escolas nem dos professores. E não é por causa do digital e do google. Há muito que há ensino e aprendizagem para lá dos manuais e agora mais ainda. As editoras como holding (empresa que tem como actividade principal a participação maioritária numa ou mais empresas) conjugam várias "empresas nucleares": manuais escolares, exames em modo industrial, "reformas semestrais do Estado" e rankings de classificações de alunos."

Haverá excepções, obviamente, mas apontar o dedo aos professores neste negócio é desviar atenções.

 

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Domingo, 18.12.16

 

 

 

A mediatização dos rankings obedece ao desígnio da produtividade. Mas sublinha-se que os resultados escolares reflectem-se a longo prazo e são de génese diferente da produção de parafusos; o que faz toda a diferença no impaciente universo dos números.

Não encontramos rankings, sequer semelhantes, no mundo conhecido. Mas isso nem será relevante, porque o olhar obsessivo, mais ainda o menorizado, para as outras experiências impede a valorização das próprias. A rede escolar portuguesa tem de tudo. A sua babilónia explica parte da persistência do insucesso escolar; e depois acrescenta rankings inéditos, a exemplo dos organogramas dos mega-agrupamentos. A rede escolar já foi inspirada nos Estados Unidos, França, Noruega, Bélgica, Suécia, Holanda, Singapura e Finlândia. Isso fragilizou-nos internamente. Para além do referido, o "modelo" português foi durante duas décadas fustigado por uma agenda: tudo está mal na escola pública. Afinal não estava. Talvez isso ajude no caminho a seguir.

Por outro lado, as democracias valorizam a ideia de liberdade curricular. É por isso que não se defende a nacionalização total da rede escolar. Portugal tem outra particularidade não tão inédita: não tem escolas por emanação das comunidades. Existem por "planeamento" do estado central. Como não temos uma sociedade civil forte, as escolas transformam-se numa espécie de "quintas" que não raramente se apoderam do bem comum. Daí a desconfiança com a municipalização.

Tem-se escrito sobre a liberdade de escolha da escola que tem na guetização e na segregação social um resultado conhecido; em Portugal também. Sim, no nosso país vigora há muito a liberdade de escolha da escola. Como não há escola com vagas ilimitadas, a segregação social é o resultado da desorganização nas políticas de ocupação do território. E quanto mais desiguais forem as sociedades, mais se perpetua o insucesso escolar.

A questão portuguesa um dia passará por aqui; pelo oxigénio organizativo da rede escolar com a aprovação de uma nova lei de bases. Será um espécie de refundação que incluirá o estatuto da carreira docente e a gestão das escolas. Enquanto esse debate não se fizer, o processo português dará sempre a ideia de ter parafusos a menos.

 

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Sábado, 17.12.16

 

 

 

Em Setembro de 2016, Joaquim Azevedo, ex-SE da Educação, disse que "as escolas públicas rejeitam alunos". Soube-se, com o PISA, que Portugal continua na cauda do insucesso escolar, mas melhorou o desempenho dos alunos "que não querem aprender". São variáveis importantes. É interessante saber a correlação e conhecer as escolas que se "sacrificam" pelos desfavorecidos (um exemplo: "são públicas, inseridas em meios pobres, mas no topo do "ranking do sucesso"). Já os alunos que aprendem em qualquer sistema têm historicamente bons resultados e aumentaram em quantidade (parece que a sociedade - 60% do sucesso escolar - melhorou). Os rankings com classificações de alunos confirmam-no.

 

Auto-exclusão, rejeição de alunos "problemáticos" e, recentemente, rankings de resultados de estudantes são as causas principais da antiga selecção de alunos. É conhecido. Joaquim Azevedo disse-o (sabe-se lá porquê). Há quem sublinhe o efeito negativo destes rankings como a variável que mais rejeita. Haverá menos públicas a rejeitar alunos do que privadas (os rankings continuam a omitir o índice socio-económico destas famílias)? Claro que sim. Desde logo pelas propinas. Mas o desnorte dos últimos anos permitiu que públicos e "privados" financiados pelos estado excluíssem alunos de quem não se esperava bons resultados ou da educação especial. Foi uma lamentável apropriação do bem comum.

 

Temos os rankings dos exames de 2016 com a habitual publicidade a colégios privados. São instrumentos de estudo. Têm novidades como a que sublinhei acima para o "topo do sucesso". São válidos, mas, como sempre, dependem da cabeça que os utiliza. Deixo ligações para alguns OCS.

 

Renascença

JN

Público

Expresso

DN

 

ranking

 



publicado por paulo prudêncio às 19:14 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 22.11.16

 

  

 

"Os rankings apenas mostram a qualidade dos alunos que fazem os exames e não nos permitem inferir se a escola trabalha bem ou mal" é uma óbvia conclusão que não se alterará com o que se anuncia: "nas escolas de topo mais de metade dos alunos chumba pelo menos uma vez".

 

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publicado por paulo prudêncio às 22:18 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 11.10.16

 

 

 

A informada, e corajosa, secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, afirma que "o interesse das editoras não é o das famílias". Também não é o das escolas nem dos professores. E não é por causa do digital e do google. Há muito que há ensino e aprendizagem para lá dos manuais e agora mais ainda. As editoras como holding (empresa que tem como actividade principal a participação maioritária numa ou mais empresas) conjugam várias "empresas nucleares": manuais escolares, exames em modo industrial, "reformas semestrais do Estado" e rankings de classificações de alunos.

 

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publicado por paulo prudêncio às 15:14 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 06.09.16

 

 

 

Fez-se um justificado mediatismo porque Joaquim Azevedo, ex-SE da Educação num Governo de Cavaco Silva, disse que "as escolas públicas rejeitam alunos". A selecção de alunos em Portugal é antiga: por auto-exclusão (pobres que nem se atreviam a pensar nos liceus), rejeição de alunos "problemáticos", incluindo os da educação especial que davam muito "trabalho", e mais recentemente escolhas a pensar nos rankings. Tudo isto é mais do que conhecido e Joaquim Azevedo disse-o. E fê-lo "porque é oportuno"? Talvez. Mas repetir uma verdade é um dever. Muitas vozes referem o efeito nefasto dos rankings. É a variável que mais rejeita alunos. Também não é novidade. Haverá menos públicas a rejeitar alunos do que privadas? Também é uma suposição com fundamento, embora o desnorte dos últimos anos tenha generalizado a imagem.

 

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publicado por paulo prudêncio às 12:42 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 18.12.15

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:28 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 13.12.15

 

 

 

Imagine-se o que seria se o salário mínimo declarado pelo encarregado de educação fosse inferior à propina paga pelo rebento ou até ao preço do fardamento? A ausência destes dados, que se repete nos rankings, é realmente intrigante e objecto de todas as especulações. Os anos passam e "desconhecem-se" os dados socioeconómicos das escolas privadas, coisa que para as públicas é divulgado, considerado e bem auditado até na atribuição de apoios sociais escolares.

 

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publicado por paulo prudêncio às 18:46 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 12.12.15

 

 

 

No que se repete anualmente sobre os rankings lusitanos, há um aspecto mais chocante, e que se mantém, que encontrei num post de 10 de Novembro de 2013.

 

"Os investigadores afirmam que "é injusto que não existam dados socioeconómicos para as escolas privadas, só para as públicas. Esses dados são relevantes. As listas aparecem porque os jornais vendem mais. A maioria esmagadora das pessoas interpreta os rankings como a manifestação da qualidade de uma escola. Os dez primeiros têm uma publicidade fabulosa. Os rankings mostram a qualidade dos alunos, não o desempenho das escolas. Não sei se são um incentivo à melhoria das escolas"."

 

Os rankings e as presidenciais sofrem da mesma patologia mediática? Sofrem. Passo a explicar. Encontrei um post de 2 de Dezembro de 2014 que tem como título: "Grau zero da mediatização da Educação?" Diz assim:

 

"Marcelo Rebelo de Sousa conjugou dois verbos para os resultados do ensino privado nos rankings dos exames: arrasaram e esmagaram. Como é um professor de direito, temos de baixar o grau para lá do inadmissível e já nada nos deve espantar. O político estava fora de si e terraplenava resultados escolares como quem comenta o "seu Braga"."

 

É um político com este grau de desinformação que queremos para presidente? O que dirá hoje se lhe colocarem a questão? Às tantas, dirá tudo e o seu contrário.

 

Repito o cartoon, já que a repetição parece uma obrigação, do post que deixei para hoje e que tem como título: "Não existe o dia das patologias?" Claro que existe e a nossa sociedade está em descida uniformemente acelerada.

 

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publicado por paulo prudêncio às 21:50 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

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Sábado, 28.11.15

 

 

 

 

Eliminar a prevalência do mercado escolar, do cliente escolar e do neoliberalismo escolar deve ser uma prioridade para o novo Governo. As três patologias adoeceram o sistema escolar. São enfermidades que vão para além da crise da escola que integra historicamente a sua definição como instituição.

 

Os rankings como modo único de vida, o senso comum como dominador da autoridade escolar e o individualismo das escolas, e dentro destas os grupos de interesses alinhados com a partidocracia local, atingiram um ponto crítico.

 

A propaganda escolar inspirou-se na lógica do "mercado selvagem". A cooperação dentro das redes escolares, a boa gestão de recursos e a prevalência de um ensino emancipador, ecléctico e que accione o elevador social foram ideias secundarizadas com o avanço do milénio e com uma queda a pique nos últimos quatro anos.

 

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Domingo, 12.07.15

 

 

 

 

O mercado escolar, o cliente escolar e o neoliberalismo adoeceram o sistema escolar. É uma patologia que vai para além da crise da escola que integra historicamente a sua definição como instituição. Os rankings como modo único de vida, o senso comum como princípio primeiro da autoridade escolar e o individualismo das escolas e dentro destas os grupos de interesses alinhados com a partidocracia local, atingem nesta altura um pico com a busca de alunos e com as variáveis próximas. A propaganda escolar inspira-se na lógica dos "supermercados". A cooperação dentro das redes escolares, a boa gestão de recursos, a prevalência de uma autoridade escolar assente num ensino emancipador, ecléctico e que se afirme como elevador social são ideias que, tragicamente, se perderam com o avanço do milénio e acompanham a crise do espaço político onde nos integramos.

 

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publicado por paulo prudêncio às 20:09 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Domingo, 17.05.15

 

 

 

Na parafernália de exames que os miúdos começam amanhã, cada um carrega quatro responsabilidades: a sua, a do seu professor, a da sua escola e a do seu país (e não tarda da sua UE se os europeus descerem para sul). Esta injustiça levanta, desde logo, uma certeza antiga: os instrumentos científicos podem ser válidos, mas dependem da cabeça que os utiliza ou do que fazemos com eles. Um primeiro passo civilizado para estes exames dos miúdos seria óbvio: eliminar a sua publicitação em pautas, quadros e rankings e dar a conhecer os resultados apenas ao respectivo encarregado de educação.

 

É até indecente como as autoridades escolares e políticas reivindicam os bons resultados e assobiam lateralmente quando assim não é. O somatório de entidades que os miúdos carregam para os exames devia ser esclarecido: há muito que se sabe que, em regra, os resultados escolares melhoram com a elevação das sociedades e das famílias e ao longo de gerações. O bom ensino, as boas escolas e os bons ministérios são, em regra, uma consequência disso. Quem especializa precocemente exclui mais e tem sempre piores resultados globais a prazo; também há muito que se conhece esta evidência, mas a eliminação da história tomou conta das inteligências.

 

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publicado por paulo prudêncio às 13:52 | link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Domingo, 15.03.15

 

 

 

Gostei de ver, ontem, num canal generalista (jornal das 8 da TVI) a reportagem sobre a Escola Secundária de Carcavelos (penso que é a sede do agrupamento com o mesmo nome) que entrou na agenda mediática por causa das recentes recomendações do CNE. A escola quase que não tem reprovações, não tem campainhas e é o projecto da moda. Vi o testemunho de alunos que reconhecem a importância do clima de confiança.

 

A Escola Básica Integrada de Santo Onofre (uma escola TEIP com mais de 1100 alunos e com taxas de insucesso escolar, em 1996, acima dos 30%) foi uma espécie de pioneira, e no século passado, desta e de outras ideias de gestão e de educação para a autonomia e para a responsabilidade.

 

E a exemplo da Escola Secundária de Carcavelos, também melhorou os níveis de pontualidade de todos os actores e seis anos depois não tinha processos disciplinares, tinha taxas de insucesso e abandono escolares abaixo dos 3%, as cerca de mil matrículas seguiam a lei numa difícil selecção entre mais de 1500 candidatos, os resultados escolares eram muito bons (os rankings no 9º ano em 2001 já a colocavam no pódio das escolas do país e com oito pontos acima da média nacional e do esperado para uma escola TEIP com aquela população escolar) e era a escola indicada pelas autoridades escolares para os alunos da educação especial. Está tudo documentado e um dia destes faço umas postagens mais detalhadas sobre o assunto.

 

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Gazeta das Caldas, 15 de Junho de 2001

 

Muito sinceramente: surpreendeu-me a emersão do projecto de Carcavelos num tempo martirizado pela prosa da austeridade onde a poesia passou ao lugar que não existe; afinal há motivos para ter esperança.

 

Na mesma edição da primeira imagem lia-se o seguinte (este muito bom programa de avaliação de escolas foi abruptamernto interrompido pelo Governo de Durão Barroso quando começava a ter massa crítica):

 

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Gazeta das Caldas, 15 de Junho de 2001

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 Gazeta das Caldas, 15 de Junho de 2001

 

Na edição de 09 de Novembro de 2001, a Gazeta das Caldas publicava a ideia de uma escola digital.

 

A passagem do pensamento analógico para o digital simplificou mesmo procedimentos (as bases de dados foram construídas na escola e a ideia de escola sem papéis era literal e não metafórica) e acrescentou conhecimento para apoio à tomada de decisões porque afirmava as ideias de autonomia, responsabilidade e confiança. Os professores ficavam mais livres para ensinar e libertos da má burocracia.

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Os objectivos do programa do Conselho Executivo eram apresentados nas diversas reuniões gerais após a tomada de posse e avaliados semestralmente na Assembleia e no Conselho Pedagógico. Como se pode ver a seguir, logo em 09 de Novembro de 2001 os resultados escolares exigiram um patamar inicial que reflectia os 8% acima da média nacional.

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 Gazeta das Caldas, 09 de Novembro de 2001 



publicado por paulo prudêncio às 17:07 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Domingo, 14.12.14

 

 

 

 

 

"Todos os instrumentos científicos são válidos depende da cabeça que os utiliza", é uma intemporal evidência que pode ajudar na matéria em título e que deve ser acompanhada de outras comprovações. O dogmatismo, o extremismo e o fim da história, por exemplo, são asserções a considerar quando se lê a caixa de comentários da notícia que diz: "e se os alunos não tivessem notas? O debate chega a Portugal".

 

A surpreendente ideia francesa de abolição de notas não poderá significar o fim da avaliação dos alunos; claro que não será disso que se trata. Parece-me que há a necessidade de discutir o modo como a sociedade está a considerar os resultados escolares como reflexo do mercado selvagem que se globalizou. Todos concordamos com o que acabei de escrever e temos de discutir e encontrar soluções.

 

Não conheço os detalhes franceses nem o que se vai discutir em Portugal. Todavia, impressiona-me a nossa capacidade para aplicar os mesmos mecanismos avaliativos, com a respectiva publicitação em rankings, a alunos do 12º ano e do 4º ano, por exemplo. Na Finlândia, e ainda como exemplo, as avaliações dos alunos só são publicitadas a partir dos 13 anos. Antes disso, são apenas comunicadas ao respectivo encarregado de educação. Isso não significa qualquer facilitismo nem o fim da avaliação. Há tempos escrevi assim:

 

"é fundamental que a publicação dos resultados escolares seja adaptada aos níveis de escolaridade e, naturalmente, à idade dos alunos. Para começar, devem discutir-se os procedimentos de publicitação dos resultados escolares individualizados até ao sexto ano de escolaridade".

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:42 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 13.12.14

 

 

E ao contrário dos nossos "reformistas", discutem e testam (com um ano de distância, veja-se lá). Por cá, nem sequer nos interrogamos com rankings em exames do quarto ano.

 

"(...)As notas estão com os dias contados nas escolas francesas. O Conselho Superior dos Programas, órgão do Ministério da Educação francês, elaborou uma proposta para abolir o sistema de avaliação através das notas, que na França vão de zero a 20, e substituí-las por uma análise mais geral das competências dos alunos. O projeto será discutido numa conferência nacional nesta quinta e sexta-feira (11 e 12), em Paris.(...)Sistemas similares sem as tradicionais notas já vêm sendo utilizados há muitos anos por países europeus onde a educação é considerada de alto nível, como a Suécia, a Dinamarca e a Alemanha. Na França, se for aprovado, o novo sistema pode começar a ser testado em 2015.(...)"

 

 

 

 



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Terça-feira, 02.12.14

 

 

 

 

Sim, acontece muitas vezes. Ainda no último domingo, Marcelo Rebelo de Sousa conjugou dois verbos para os resultados do ensino privado nos rankings dos exames: arrasaram; esmagaram. Como é um professor de direito, temos de baixar o grau para lá do inadmissível e já nada nos deve espantar. O político estava fora de si e terraplenava resultados escolares como quem comenta o "seu Braga".

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:51 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 29.11.14

 

 

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1ª página da Gazeta das Caldas em 28 de Novembro de 2014.

 

A Escola Secundária Raul Proença, nas Caldas da Rainha, é a escola pública com melhores resultados nos rankings 2104 do ensino secundário. Foi, naturalmente, com orgulho que a comunidade escolar recebeu a notícia. É já habitual a distinção da Secundária Raul Proença nestes rankings, mas é a primeira vez que ocupa o primeiro lugar nas escolas públicas. Os jornais salientam a primazia do ensino privado e ainda não li qualquer referência ao facto do índice sócio-económico das famílias (os tais dados do contexto) só ser considerado para as escolas públicas. Mas deixo isso para outro post.

 

A Secundária Raul Proença é a escola sede do Agrupamento de Escolas com o mesmo nome que inclui a Escola Básica Integrada de Santo Onofre e ainda mais dez escolas (do primeiro ciclo e do pré-escolar). Aqui por casa é natural a satisfação: a minha esposa lecciona há mais de duas décadas na Raul Proença e foi lá que a minha filha fez o ensino secundário.

 

O concelho das Caldas da Rainha tem estado na agenda mediática da Educação como um ponto central na defesa da escola pública, já num ano recente (este ano ainda não vi) os rankings do Expresso classificavam o concelho em 1º lugar no país nos exames do secundário e ao longo das últimas décadas o sistema escolar caldense tem conhecido as mais variadas distinções.

 

Há um dado relevante nesta classificação do ensino secundário da Raul Proença: a coerência entre a classificação interna e a dos exames.

 

Há muitos dados para serem estudados: o Público e o Expresso, haverá mais clarotêm duas ferramentas.

 

É evidente que as primeiras páginas salientam a componente mais crítica: as políticas educativas dos últimos anos afundam as escolas públicas e a mediatização dos rankings transforma-se em publicidade para o ensino privado.

 

Só mais um detalhe interrogativo: rankings com escolas do 4º ano de escolaridade?

 

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 1ª página do Público online em 29 de Novembro de 2014.

 

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 1ª página do Expresso em 29 de Novembro de 2014.

 

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 21.09.14

 

 

 

 

Já fiz uma leitura na diagonal do relatório, do CNE, "Estado da Educação 2013", que é, se me permitem, um importante contributo mesmo que se evidencie a sua marca ideológica. Certifica o brutal desinvestimento na Educação.

 

A inflação das notas no secundário e nos cursos de formação de professores preenche a agenda mediática da Educação em consequência do relatório e das entrevistas do presidente do CNE. O ensino privado é acusado de inflacionar as classificações. É recorrente a acusação de que os colégios privados facilitam, por exemplo, o acesso às respostas de escolha múltipla nos exames do secundário e que os cursos de professores do ensino superior privado, que incluem estágio integrado (pasme-se), fazem "batota" (são estas as palavras atribuídas ao presidente do CNE).

 

É evidente que não basta apontar o dedo, é preciso agir.

 

Por exemplo, é comum falar-se da "batota" dos colégios privados nos exames do secundário para uma melhor fotografia nos rankings. É importante não omitir que a fotografia nos rankings dos jornais (com todo o respeito, valem o que valem e são muitas vezes mais uma espécie de atrevimento lusitano desconhecido no mundo conhecido) também se faz à custa da exclusão dos alunos que podem estragar a média. Ainda mais determinante na discussão da inflação batoteira é a nota de acesso ao ensino superior que não se apura apenas com as notas dos exames.

 

Por outro lado, é ainda sei lá o quê pensar-se que se reduz a "batota" nas contratações dos professores criando fómulas, mesmo que competentes, para dar corpo a epifanias como as que regulam o concurso "Bolsa de Contratação de Escola".

 

Há muito para fazer, mas com ideias despidas de tanto preconceito contra a escola pública e assentes num valor inalienável das democracias: a igualdade de oportunidades.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:50 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar


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25 de Abril de 2004
Autor:
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