Em busca do pensamento livre.

Quarta-feira, 25.01.17

 

 

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Estes estudos devem ser difíceis e nem imagino se estão próximos do real, mas"(...)numa análise dos resultados, é realçado que a queda de um lugar revela que "Portugal (62 ppntos) está estagnado no combate à corrupção" no sector público,(...)Dinamarca e Nova Zelândia (90 pontos em 100) são os primeiros classificados, seguidos da Finlândia (89 pontos)(...)O ranking global revela a ligação entre a corrupção sistémica e a desigualdade social e apresenta uma escala em que 100 significa "muito transparente" e 0 significa "muito corrupto"(...)Portugal situa-se agora na 29.ª posição no ranking, tendo perdido um lugar em comparação com o ano passado, quando tinha alcançado 63 pontos.(...)"

 



publicado por paulo prudêncio às 15:45 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 18.12.16

 

 

 

A mediatização dos rankings obedece ao desígnio da produtividade. Mas sublinha-se que os resultados escolares reflectem-se a longo prazo e são de génese diferente da produção de parafusos; o que faz toda a diferença no impaciente universo dos números.

Não encontramos rankings, sequer semelhantes, no mundo conhecido. Mas isso nem será relevante, porque o olhar obsessivo, mais ainda o menorizado, para as outras experiências impede a valorização das próprias. A rede escolar portuguesa tem de tudo. A sua babilónia explica parte da persistência do insucesso escolar; e depois acrescenta rankings inéditos, a exemplo dos organogramas dos mega-agrupamentos. A rede escolar já foi inspirada nos Estados Unidos, França, Noruega, Bélgica, Suécia, Holanda, Singapura e Finlândia. Isso fragilizou-nos internamente. Para além do referido, o "modelo" português foi durante duas décadas fustigado por uma agenda: tudo está mal na escola pública. Afinal não estava. Talvez isso ajude no caminho a seguir.

Por outro lado, as democracias valorizam a ideia de liberdade curricular. É por isso que não se defende a nacionalização total da rede escolar. Portugal tem outra particularidade não tão inédita: não tem escolas por emanação das comunidades. Existem por "planeamento" do estado central. Como não temos uma sociedade civil forte, as escolas transformam-se numa espécie de "quintas" que não raramente se apoderam do bem comum. Daí a desconfiança com a municipalização.

Tem-se escrito sobre a liberdade de escolha da escola que tem na guetização e na segregação social um resultado conhecido; em Portugal também. Sim, no nosso país vigora há muito a liberdade de escolha da escola. Como não há escola com vagas ilimitadas, a segregação social é o resultado da desorganização nas políticas de ocupação do território. E quanto mais desiguais forem as sociedades, mais se perpetua o insucesso escolar.

A questão portuguesa um dia passará por aqui; pelo oxigénio organizativo da rede escolar com a aprovação de uma nova lei de bases. Será um espécie de refundação que incluirá o estatuto da carreira docente e a gestão das escolas. Enquanto esse debate não se fizer, o processo português dará sempre a ideia de ter parafusos a menos.

 

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publicado por paulo prudêncio às 21:11 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 17.12.16

 

 

 

Em Setembro de 2016, Joaquim Azevedo, ex-SE da Educação, disse que "as escolas públicas rejeitam alunos". Soube-se, com o PISA, que Portugal continua na cauda do insucesso escolar, mas melhorou o desempenho dos alunos "que não querem aprender". São variáveis importantes. É interessante saber a correlação e conhecer as escolas que se "sacrificam" pelos desfavorecidos (um exemplo: "são públicas, inseridas em meios pobres, mas no topo do "ranking do sucesso"). Já os alunos que aprendem em qualquer sistema têm historicamente bons resultados e aumentaram em quantidade (parece que a sociedade - 60% do sucesso escolar - melhorou). Os rankings com classificações de alunos confirmam-no.

 

Auto-exclusão, rejeição de alunos "problemáticos" e, recentemente, rankings de resultados de estudantes são as causas principais da antiga selecção de alunos. É conhecido. Joaquim Azevedo disse-o (sabe-se lá porquê). Há quem sublinhe o efeito negativo destes rankings como a variável que mais rejeita. Haverá menos públicas a rejeitar alunos do que privadas (os rankings continuam a omitir o índice socio-económico destas famílias)? Claro que sim. Desde logo pelas propinas. Mas o desnorte dos últimos anos permitiu que públicos e "privados" financiados pelos estado excluíssem alunos de quem não se esperava bons resultados ou da educação especial. Foi uma lamentável apropriação do bem comum.

 

Temos os rankings dos exames de 2016 com a habitual publicidade a colégios privados. São instrumentos de estudo. Têm novidades como a que sublinhei acima para o "topo do sucesso". São válidos, mas, como sempre, dependem da cabeça que os utiliza. Deixo ligações para alguns OCS.

 

Renascença

JN

Público

Expresso

DN

 

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Sexta-feira, 09.12.16

 

 

 

Dá ideia que os finlandeses têm uma relação equilibrada e saudável com os resultados Pisa e Timms. Não se iludiram com os "melhores do mundo" no Pisa, e repetiam-no com naturalidade para espanto dos inúmeros visitantes, e agora não cruzam os braços perante resultados menos bons. Anteciparam a quebra em matemática e identificaram a causa primeira: os pais não querem passar dos limites no treino das crianças e não se importam de não seguir as "Mães Tigre" asiáticas obcecadas com os top perfomers. Esta posição é cada vez mais ouvida; naturalmente. Procuram outros modos escolares de motivar alunos (que se afirmam algo tristes na escola, com destaque para os rapazes) na era da tecnologia. Discutem muito antes de mudar e confiam nos professores. Não generalizam sem testar. Confiam no tempo. Mudam com respeito pelo que conseguiram. Mesmo assim, no Pisa 2015 a Finlândia está em 5º nas ciências, em 4º na leitura e em 13º na matemática. No último TIMMS, ficou em 16º na matemática entre 49 países (Portugal subiu para 13º) e em 7º no estudo do meio entre 47 países (Portugal desceu para 32º). É o país europeu mais consistente (a Estónia tem também resultados cimeiros consistentes) nos bons resultados.

 

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Quinta-feira, 08.12.16

 

 

 

As extrapolações à volta do PISA 2015 têm episódios risíveis. Recebi por email o gráfico sem referência ao autor. Vem acompanhado da defesa das políticas educativas das figuras em imagem; não publico o parágrafo porque usa uma linguagem imprópria, mas faço-o com o gráfico para dar a opinião solicitada.

 

Os alunos testados no PISA têm 15 anos e frequentam anos entre o 7º e o 11º. A subida constante portuguesa responsabiliza alunos, encarregados de educação e professores. As políticas ajudam, mas se forem de sinal contrário, como é o caso dos fotografados, atrapalham. E nos dois casos parece que atrapalharam muito, uma vez que a sua influência, mesmo que residual, só pode ser verificada, obviamente, no triénio seguinte. Lurdes Rodrigues sucedeu a um período "sem governo" (2000/2006), mas que regista uma subida substancial em 2009. Parece que o sistema português funciona melhor "sem ministério", uma vez que quando a ministra (2006/2009) saiu os resultados estagnaram no fim do triénio seguinte (2012). Sucedeu-se outro "sem governo" com Isabel Alçada (2009/2012). Saiu e os resultados do triénio que se seguiu melhoraram (2015). Apareceu Crato (2012/2015) e veremos a sua influência, por reduzida que seja, em 2018.

 

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Quarta-feira, 07.12.16

 

 

 

 

Ouvi um comentador, do grupo de Lurdes Rodrigues que teoriza as Novas Políticas de Gestão Pública (as New Public Management que originaram quatro pesadelos para o sistema escolar: concurso de titulares, avaliação dos professores, modelo de gestão e estatuto do aluno na lógica do cliente), declarar, numa linguagem bem pensante e sedutora, a propósito dos testes PISA: são instrumentos fundamentais para monitorizar políticas públicas, constituídos por inúmeras bases de dados que tratam uma imensidão de informação, precisamos de tempo para as analisar, não devem concluir precipitadamente, no caso presente foram testados alunos que nasceram em 2000 e que estão há quinze anos no sistema. É, de alguma forma, esta conversa sensata na estratosfera que foi completamente surpreendida com a conclusão: as salas de aula portuguesas sobreviveram às "reformas" radicais de sinal contrário, o que que deita por terra os delírios. Se compararmos com o subprime bancário, e considerarmos, obviamente, as diferenças, recordemos que nem os mais sofisticados consultores conseguiam contestar a complexidade desse produto de excelência da indústria financeira, constituído por "instrumentos fundamentais para monitorizar políticas bancárias, constituídos por inúmeras bases de dados que tratavam uma imensidão de informação que requeriam uma não menor quantidade de tempo para as decifrar (o que nunca acontecia)". Deu no que deu. Tanta informação e uma percepção errada do real. Se todo o "instrumento científico é válido mas depende da cabeça que o utiliza" (como acontece com o PISA e com o TIMMS), neste caso podemos concluir que na estratosfera existe uma continuada, e errada, percepção do real.

 

Nota: há delírios insensatos na estratosfera, realmente. Parece que Crato e Passos reivindicam os resultados PISA 2015 com os exames dos 4º e 6º anos. Os alunos testados de 2000 a 2015 nunca realizaram esses exames.

 

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Terça-feira, 29.11.16

 

 

 

Portugal deve estar a subir no ranking (esse estado febril) do tempo que uma criança de dois anos demora a esvaziar um biberon com leite. Lançar crianças em correrias institucionais é o nosso segredo. Estamos cada vez mais Top Perfomers: velocíssimos na lógica e avessos a maçadas ambientais e culturais. Hoje também se soube pelos testes TIMMS (4º ano de escolaridade), que, entre 1995 e 2015, "Portugal subiu treze lugares na Matemática (continua atrás do Cazaquistão, que raio - este aparte é meu -) e desceu significativamente no Estudo do Meio"; como se observa no gráfico do Público. 

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:53 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 22.11.16

 

  

 

"Os rankings apenas mostram a qualidade dos alunos que fazem os exames e não nos permitem inferir se a escola trabalha bem ou mal" é uma óbvia conclusão que não se alterará com o que se anuncia: "nas escolas de topo mais de metade dos alunos chumba pelo menos uma vez".

 

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publicado por paulo prudêncio às 22:18 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 06.09.16

 

 

 

Fez-se um justificado mediatismo porque Joaquim Azevedo, ex-SE da Educação num Governo de Cavaco Silva, disse que "as escolas públicas rejeitam alunos". A selecção de alunos em Portugal é antiga: por auto-exclusão (pobres que nem se atreviam a pensar nos liceus), rejeição de alunos "problemáticos", incluindo os da educação especial que davam muito "trabalho", e mais recentemente escolhas a pensar nos rankings. Tudo isto é mais do que conhecido e Joaquim Azevedo disse-o. E fê-lo "porque é oportuno"? Talvez. Mas repetir uma verdade é um dever. Muitas vozes referem o efeito nefasto dos rankings. É a variável que mais rejeita alunos. Também não é novidade. Haverá menos públicas a rejeitar alunos do que privadas? Também é uma suposição com fundamento, embora o desnorte dos últimos anos tenha generalizado a imagem.

 

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publicado por paulo prudêncio às 12:42 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 15.05.16

 

 

 

Os colégios "privados" apoiaram-se no poder político e beneficiaram da centralização do MEC ocorrida a partir do Governo de Durão Barroso que colocou a rede escolar em roda livre. Sem isso, teria sido difícil sobreviverem. Está documentado e ponto final. Veremos como termina o processo, embora se perceba, finalmente, toda uma nova abordagem ao problema mais próxima da realidade.

 

Os argumentos incluíam uma família de políticas educativas que não se circunscreveram ao "privado": liberdade de escolha, livre concorrência, mercado escolar, modelo de gestão escolar com entrada da partidocracia local, lógica do cliente escolar (tem sempre razão), mega-agrupamentos, publicação de rankings de exames (os vigentes, medíocres, só existem deste modo em Portugal) com ponderação sócio-económica apenas para as públicas, professores titulares, avaliação do desempenho de professores burocratizada e com quotas, infantilização do estatuto do aluno, afunilamento curricular e por aí fora.

 

As escolas públicas podiam ter feito mais para impedir 25 mil despedimentos, milhares de horários zero e afastamento da residência de outros professores dos quadros? Podiam. Desde logo, e em 2009 por exemplo, se tivessem impedido a implementação do modelo de gestão escolar. E foi por um triz. Mas isso exigia um texto longo para análise das variáveis e consequências. Mas há exemplos mais lineares e evidentes. Foi um erro, por exemplo, aplicar critérios de selecção de alunos de acordo com os resultados escolares esperados ou excluir alunos "problemáticos" ou com necessidades educativas especiais que "perturbassem" a atmosfera de treino para exames. Entrar no mesmo jogo "legitimou" os tais "privados" e reforçou a indústria dos exames como primeiro pilar do mercado escolar.

 

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Terça-feira, 05.01.16

 

 

 

Mesmo sem se conhecerem os detalhes, é positivo que o novo MEC elimine o trágico (não estou a exagerar) concurso de professores BCE, faça alterações na indústria dos exames e substitua o linguajar eduquês II das disciplinas estruturantes por vocabulário que inclua as artes, o desporto e as ciências experimentais.

 

Espera-se que se mantenha o concurso de reserva de recrutamento por lista graduada durante todo o ano lectivo e que, no ensino básico, apenas no 9º ano sobrevivam exames nacionais e anuais e que com isso se elimine a má propaganda da publicitação de rankings ensandecidos com exames de crianças. Esta última decisão arrastará o neoliberalismo associado que é corporizado, por exemplo, por prémios monetários para as melhores classificações, pautas públicas de classificações e quadros de honra.

 

Já agora, a mudança vocabular das disciplinas estruturantes deve corresponder a alterações consequentes na carga curricular.

 

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publicado por paulo prudêncio às 20:38 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 18.12.15

 

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 13.12.15

 

 

 

Imagine-se o que seria se o salário mínimo declarado pelo encarregado de educação fosse inferior à propina paga pelo rebento ou até ao preço do fardamento? A ausência destes dados, que se repete nos rankings, é realmente intrigante e objecto de todas as especulações. Os anos passam e "desconhecem-se" os dados socioeconómicos das escolas privadas, coisa que para as públicas é divulgado, considerado e bem auditado até na atribuição de apoios sociais escolares.

 

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publicado por paulo prudêncio às 18:46 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 12.12.15

 

 

 

No que se repete anualmente sobre os rankings lusitanos, há um aspecto mais chocante, e que se mantém, que encontrei num post de 10 de Novembro de 2013.

 

"Os investigadores afirmam que "é injusto que não existam dados socioeconómicos para as escolas privadas, só para as públicas. Esses dados são relevantes. As listas aparecem porque os jornais vendem mais. A maioria esmagadora das pessoas interpreta os rankings como a manifestação da qualidade de uma escola. Os dez primeiros têm uma publicidade fabulosa. Os rankings mostram a qualidade dos alunos, não o desempenho das escolas. Não sei se são um incentivo à melhoria das escolas"."

 

Os rankings e as presidenciais sofrem da mesma patologia mediática? Sofrem. Passo a explicar. Encontrei um post de 2 de Dezembro de 2014 que tem como título: "Grau zero da mediatização da Educação?" Diz assim:

 

"Marcelo Rebelo de Sousa conjugou dois verbos para os resultados do ensino privado nos rankings dos exames: arrasaram e esmagaram. Como é um professor de direito, temos de baixar o grau para lá do inadmissível e já nada nos deve espantar. O político estava fora de si e terraplenava resultados escolares como quem comenta o "seu Braga"."

 

É um político com este grau de desinformação que queremos para presidente? O que dirá hoje se lhe colocarem a questão? Às tantas, dirá tudo e o seu contrário.

 

Repito o cartoon, já que a repetição parece uma obrigação, do post que deixei para hoje e que tem como título: "Não existe o dia das patologias?" Claro que existe e a nossa sociedade está em descida uniformemente acelerada.

 

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publicado por paulo prudêncio às 21:50 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 13:26 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 28.11.15

 

 

 

 

Eliminar a prevalência do mercado escolar, do cliente escolar e do neoliberalismo escolar deve ser uma prioridade para o novo Governo. As três patologias adoeceram o sistema escolar. São enfermidades que vão para além da crise da escola que integra historicamente a sua definição como instituição.

 

Os rankings como modo único de vida, o senso comum como dominador da autoridade escolar e o individualismo das escolas, e dentro destas os grupos de interesses alinhados com a partidocracia local, atingiram um ponto crítico.

 

A propaganda escolar inspirou-se na lógica do "mercado selvagem". A cooperação dentro das redes escolares, a boa gestão de recursos e a prevalência de um ensino emancipador, ecléctico e que accione o elevador social foram ideias secundarizadas com o avanço do milénio e com uma queda a pique nos últimos quatro anos.

 

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publicado por paulo prudêncio às 18:17 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 30.05.15

 

 

 

Vale a pena ler a reportagem da revista do Expresso (páginas 42 a 48) sobre o sistema escolar Finlandês. Há, desde logo, uma variável decisiva na Finlândia: uma criança que revele uma dificuldade mais acentuada beneficia de imediato de uma equipa de especialistas. Ou seja: uma municipalização a sério e não como a que queremos implementar em que os autarcas substituem a gestão das escolas para governarem o ambiente local em mais do mesmo (até com 25% da oferta curricular entregue às suas imaginações e sem qualquer linha "à finlandesa").

 

Das muitas questões interessantes, retiro quatro:

 

1. O inferno da papelada. E acrescente ao que vai ler um inferno de burocracia digital com redes informacionais inundadas de ficheiros Word a operacionalizarem tanta complexidade.

 

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2. Há uns estudos recentes que dizem que os nossos alunos que entraram na escola em 1997 eram felizes e obtinham bons resultados (os que não abandonavam a escola, é evidente). Mas os ultraliberais ficam-se pela prosa e têm horror à poesia: a felicidade não se mede, dirão de imediato os mais descomplexados competitivos.

 

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3. Portugal é o único país da Europa onde a carreira do professores é devassada. Na Finlândia é muito valorizada, naturalmente. Mas não é apenas isso, como não me canso de repetir.

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4. Na Finlândia só há exames no fim do secundário (o que é muito diferente de se dizer que não se avalia antes disso ou que não há um clima de exigência e disciplina) e a poesia permite experimentar um "modelo sem disciplinas". Acima de tudo, salienta-se o seguinte:

 

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Por cá, o tratamento dos resultados escolares das crianças já vai em rankings e nem sei mais o quê, a organização das disciplinas afoga-se no "estruturante" com quilómetros de metas e não resisti: trouxe um pequeno texto de Fernando Mora Ramos no facebook (o meu comentário foi curto: Não falta...)

 

"Falta ainda lançar no mercado o campeonato mundial da chucha para lactentes entre os seis e os nove meses apenas para aqueles que já gatinhem e possam - será o objectivo - roubar a chucha ao oponente e mesmo aos da mesma equipa, acumulando um número de chuchas que leve à sua consagração - do gatinhante em causa - como o da Dentada de Ouro na Chucha, ou o Chucha-Mor."

 



publicado por paulo prudêncio às 17:06 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 17.05.15

 

 

 

Na parafernália de exames que os miúdos começam amanhã, cada um carrega quatro responsabilidades: a sua, a do seu professor, a da sua escola e a do seu país (e não tarda da sua UE se os europeus descerem para sul). Esta injustiça levanta, desde logo, uma certeza antiga: os instrumentos científicos podem ser válidos, mas dependem da cabeça que os utiliza ou do que fazemos com eles. Um primeiro passo civilizado para estes exames dos miúdos seria óbvio: eliminar a sua publicitação em pautas, quadros e rankings e dar a conhecer os resultados apenas ao respectivo encarregado de educação.

 

É até indecente como as autoridades escolares e políticas reivindicam os bons resultados e assobiam lateralmente quando assim não é. O somatório de entidades que os miúdos carregam para os exames devia ser esclarecido: há muito que se sabe que, em regra, os resultados escolares melhoram com a elevação das sociedades e das famílias e ao longo de gerações. O bom ensino, as boas escolas e os bons ministérios são, em regra, uma consequência disso. Quem especializa precocemente exclui mais e tem sempre piores resultados globais a prazo; também há muito que se conhece esta evidência, mas a eliminação da história tomou conta das inteligências.

 

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Domingo, 15.03.15

 

 

 

Gostei de ver, ontem, num canal generalista (jornal das 8 da TVI) a reportagem sobre a Escola Secundária de Carcavelos (penso que é a sede do agrupamento com o mesmo nome) que entrou na agenda mediática por causa das recentes recomendações do CNE. A escola quase que não tem reprovações, não tem campainhas e é o projecto da moda. Vi o testemunho de alunos que reconhecem a importância do clima de confiança.

 

A Escola Básica Integrada de Santo Onofre (uma escola TEIP com mais de 1100 alunos e com taxas de insucesso escolar, em 1996, acima dos 30%) foi uma espécie de pioneira, e no século passado, desta e de outras ideias de gestão e de educação para a autonomia e para a responsabilidade.

 

E a exemplo da Escola Secundária de Carcavelos, também melhorou os níveis de pontualidade de todos os actores e seis anos depois não tinha processos disciplinares, tinha taxas de insucesso e abandono escolares abaixo dos 3%, as cerca de mil matrículas seguiam a lei numa difícil selecção entre mais de 1500 candidatos, os resultados escolares eram muito bons (os rankings no 9º ano em 2001 já a colocavam no pódio das escolas do país e com oito pontos acima da média nacional e do esperado para uma escola TEIP com aquela população escolar) e era a escola indicada pelas autoridades escolares para os alunos da educação especial. Está tudo documentado e um dia destes faço umas postagens mais detalhadas sobre o assunto.

 

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Gazeta das Caldas, 15 de Junho de 2001

 

Muito sinceramente: surpreendeu-me a emersão do projecto de Carcavelos num tempo martirizado pela prosa da austeridade onde a poesia passou ao lugar que não existe; afinal há motivos para ter esperança.

 

Na mesma edição da primeira imagem lia-se o seguinte (este muito bom programa de avaliação de escolas foi abruptamernto interrompido pelo Governo de Durão Barroso quando começava a ter massa crítica):

 

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Gazeta das Caldas, 15 de Junho de 2001

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 Gazeta das Caldas, 15 de Junho de 2001

 

Na edição de 09 de Novembro de 2001, a Gazeta das Caldas publicava a ideia de uma escola digital.

 

A passagem do pensamento analógico para o digital simplificou mesmo procedimentos (as bases de dados foram construídas na escola e a ideia de escola sem papéis era literal e não metafórica) e acrescentou conhecimento para apoio à tomada de decisões porque afirmava as ideias de autonomia, responsabilidade e confiança. Os professores ficavam mais livres para ensinar e libertos da má burocracia.

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Os objectivos do programa do Conselho Executivo eram apresentados nas diversas reuniões gerais após a tomada de posse e avaliados semestralmente na Assembleia e no Conselho Pedagógico. Como se pode ver a seguir, logo em 09 de Novembro de 2001 os resultados escolares exigiram um patamar inicial que reflectia os 8% acima da média nacional.

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 Gazeta das Caldas, 09 de Novembro de 2001 



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Domingo, 14.12.14

 

 

 

 

 

"Todos os instrumentos científicos são válidos depende da cabeça que os utiliza", é uma intemporal evidência que pode ajudar na matéria em título e que deve ser acompanhada de outras comprovações. O dogmatismo, o extremismo e o fim da história, por exemplo, são asserções a considerar quando se lê a caixa de comentários da notícia que diz: "e se os alunos não tivessem notas? O debate chega a Portugal".

 

A surpreendente ideia francesa de abolição de notas não poderá significar o fim da avaliação dos alunos; claro que não será disso que se trata. Parece-me que há a necessidade de discutir o modo como a sociedade está a considerar os resultados escolares como reflexo do mercado selvagem que se globalizou. Todos concordamos com o que acabei de escrever e temos de discutir e encontrar soluções.

 

Não conheço os detalhes franceses nem o que se vai discutir em Portugal. Todavia, impressiona-me a nossa capacidade para aplicar os mesmos mecanismos avaliativos, com a respectiva publicitação em rankings, a alunos do 12º ano e do 4º ano, por exemplo. Na Finlândia, e ainda como exemplo, as avaliações dos alunos só são publicitadas a partir dos 13 anos. Antes disso, são apenas comunicadas ao respectivo encarregado de educação. Isso não significa qualquer facilitismo nem o fim da avaliação. Há tempos escrevi assim:

 

"é fundamental que a publicação dos resultados escolares seja adaptada aos níveis de escolaridade e, naturalmente, à idade dos alunos. Para começar, devem discutir-se os procedimentos de publicitação dos resultados escolares individualizados até ao sexto ano de escolaridade".

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:42 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar


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