Em busca do pensamento livre.

Quarta-feira, 25.01.17

 

 

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Estes estudos devem ser difíceis e nem imagino se estão próximos do real, mas"(...)numa análise dos resultados, é realçado que a queda de um lugar revela que "Portugal (62 ppntos) está estagnado no combate à corrupção" no sector público,(...)Dinamarca e Nova Zelândia (90 pontos em 100) são os primeiros classificados, seguidos da Finlândia (89 pontos)(...)O ranking global revela a ligação entre a corrupção sistémica e a desigualdade social e apresenta uma escala em que 100 significa "muito transparente" e 0 significa "muito corrupto"(...)Portugal situa-se agora na 29.ª posição no ranking, tendo perdido um lugar em comparação com o ano passado, quando tinha alcançado 63 pontos.(...)"

 



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Domingo, 18.12.16

 

 

 

A mediatização dos rankings obedece ao desígnio da produtividade. Mas sublinha-se que os resultados escolares reflectem-se a longo prazo e são de génese diferente da produção de parafusos; o que faz toda a diferença no impaciente universo dos números.

Não encontramos rankings, sequer semelhantes, no mundo conhecido. Mas isso nem será relevante, porque o olhar obsessivo, mais ainda o menorizado, para as outras experiências impede a valorização das próprias. A rede escolar portuguesa tem de tudo. A sua babilónia explica parte da persistência do insucesso escolar; e depois acrescenta rankings inéditos, a exemplo dos organogramas dos mega-agrupamentos. A rede escolar já foi inspirada nos Estados Unidos, França, Noruega, Bélgica, Suécia, Holanda, Singapura e Finlândia. Isso fragilizou-nos internamente. Para além do referido, o "modelo" português foi durante duas décadas fustigado por uma agenda: tudo está mal na escola pública. Afinal não estava. Talvez isso ajude no caminho a seguir.

Por outro lado, as democracias valorizam a ideia de liberdade curricular. É por isso que não se defende a nacionalização total da rede escolar. Portugal tem outra particularidade não tão inédita: não tem escolas por emanação das comunidades. Existem por "planeamento" do estado central. Como não temos uma sociedade civil forte, as escolas transformam-se numa espécie de "quintas" que não raramente se apoderam do bem comum. Daí a desconfiança com a municipalização.

Tem-se escrito sobre a liberdade de escolha da escola que tem na guetização e na segregação social um resultado conhecido; em Portugal também. Sim, no nosso país vigora há muito a liberdade de escolha da escola. Como não há escola com vagas ilimitadas, a segregação social é o resultado da desorganização nas políticas de ocupação do território. E quanto mais desiguais forem as sociedades, mais se perpetua o insucesso escolar.

A questão portuguesa um dia passará por aqui; pelo oxigénio organizativo da rede escolar com a aprovação de uma nova lei de bases. Será um espécie de refundação que incluirá o estatuto da carreira docente e a gestão das escolas. Enquanto esse debate não se fizer, o processo português dará sempre a ideia de ter parafusos a menos.

 

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Sábado, 17.12.16

 

 

 

Em Setembro de 2016, Joaquim Azevedo, ex-SE da Educação, disse que "as escolas públicas rejeitam alunos". Soube-se, com o PISA, que Portugal continua na cauda do insucesso escolar, mas melhorou o desempenho dos alunos "que não querem aprender". São variáveis importantes. É interessante saber a correlação e conhecer as escolas que se "sacrificam" pelos desfavorecidos (um exemplo: "são públicas, inseridas em meios pobres, mas no topo do "ranking do sucesso"). Já os alunos que aprendem em qualquer sistema têm historicamente bons resultados e aumentaram em quantidade (parece que a sociedade - 60% do sucesso escolar - melhorou). Os rankings com classificações de alunos confirmam-no.

 

Auto-exclusão, rejeição de alunos "problemáticos" e, recentemente, rankings de resultados de estudantes são as causas principais da antiga selecção de alunos. É conhecido. Joaquim Azevedo disse-o (sabe-se lá porquê). Há quem sublinhe o efeito negativo destes rankings como a variável que mais rejeita. Haverá menos públicas a rejeitar alunos do que privadas (os rankings continuam a omitir o índice socio-económico destas famílias)? Claro que sim. Desde logo pelas propinas. Mas o desnorte dos últimos anos permitiu que públicos e "privados" financiados pelos estado excluíssem alunos de quem não se esperava bons resultados ou da educação especial. Foi uma lamentável apropriação do bem comum.

 

Temos os rankings dos exames de 2016 com a habitual publicidade a colégios privados. São instrumentos de estudo. Têm novidades como a que sublinhei acima para o "topo do sucesso". São válidos, mas, como sempre, dependem da cabeça que os utiliza. Deixo ligações para alguns OCS.

 

Renascença

JN

Público

Expresso

DN

 

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Sexta-feira, 09.12.16

 

 

 

Dá ideia que os finlandeses têm uma relação equilibrada e saudável com os resultados Pisa e Timms. Não se iludiram com os "melhores do mundo" no Pisa, e repetiam-no com naturalidade para espanto dos inúmeros visitantes, e agora não cruzam os braços perante resultados menos bons. Anteciparam a quebra em matemática e identificaram a causa primeira: os pais não querem passar dos limites no treino das crianças e não se importam de não seguir as "Mães Tigre" asiáticas obcecadas com os top perfomers. Esta posição é cada vez mais ouvida; naturalmente. Procuram outros modos escolares de motivar alunos (que se afirmam algo tristes na escola, com destaque para os rapazes) na era da tecnologia. Discutem muito antes de mudar e confiam nos professores. Não generalizam sem testar. Confiam no tempo. Mudam com respeito pelo que conseguiram. Mesmo assim, no Pisa 2015 a Finlândia está em 5º nas ciências, em 4º na leitura e em 13º na matemática. No último TIMMS, ficou em 16º na matemática entre 49 países (Portugal subiu para 13º) e em 7º no estudo do meio entre 47 países (Portugal desceu para 32º). É o país europeu mais consistente (a Estónia tem também resultados cimeiros consistentes) nos bons resultados.

 

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Quinta-feira, 08.12.16

 

 

 

As extrapolações à volta do PISA 2015 têm episódios risíveis. Recebi por email o gráfico sem referência ao autor. Vem acompanhado da defesa das políticas educativas das figuras em imagem; não publico o parágrafo porque usa uma linguagem imprópria, mas faço-o com o gráfico para dar a opinião solicitada.

 

Os alunos testados no PISA têm 15 anos e frequentam anos entre o 7º e o 11º. A subida constante portuguesa responsabiliza alunos, encarregados de educação e professores. As políticas ajudam, mas se forem de sinal contrário, como é o caso dos fotografados, atrapalham. E nos dois casos parece que atrapalharam muito, uma vez que a sua influência, mesmo que residual, só pode ser verificada, obviamente, no triénio seguinte. Lurdes Rodrigues sucedeu a um período "sem governo" (2000/2006), mas que regista uma subida substancial em 2009. Parece que o sistema português funciona melhor "sem ministério", uma vez que quando a ministra (2006/2009) saiu os resultados estagnaram no fim do triénio seguinte (2012). Sucedeu-se outro "sem governo" com Isabel Alçada (2009/2012). Saiu e os resultados do triénio que se seguiu melhoraram (2015). Apareceu Crato (2012/2015) e veremos a sua influência, por reduzida que seja, em 2018.

 

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Quarta-feira, 07.12.16

 

 

 

 

Ouvi um comentador, do grupo de Lurdes Rodrigues que teoriza as Novas Políticas de Gestão Pública (as New Public Management que originaram quatro pesadelos para o sistema escolar: concurso de titulares, avaliação dos professores, modelo de gestão e estatuto do aluno na lógica do cliente), declarar, numa linguagem bem pensante e sedutora, a propósito dos testes PISA: são instrumentos fundamentais para monitorizar políticas públicas, constituídos por inúmeras bases de dados que tratam uma imensidão de informação, precisamos de tempo para as analisar, não devem concluir precipitadamente, no caso presente foram testados alunos que nasceram em 2000 e que estão há quinze anos no sistema. É, de alguma forma, esta conversa sensata na estratosfera que foi completamente surpreendida com a conclusão: as salas de aula portuguesas sobreviveram às "reformas" radicais de sinal contrário, o que que deita por terra os delírios. Se compararmos com o subprime bancário, e considerarmos, obviamente, as diferenças, recordemos que nem os mais sofisticados consultores conseguiam contestar a complexidade desse produto de excelência da indústria financeira, constituído por "instrumentos fundamentais para monitorizar políticas bancárias, constituídos por inúmeras bases de dados que tratavam uma imensidão de informação que requeriam uma não menor quantidade de tempo para as decifrar (o que nunca acontecia)". Deu no que deu. Tanta informação e uma percepção errada do real. Se todo o "instrumento científico é válido mas depende da cabeça que o utiliza" (como acontece com o PISA e com o TIMMS), neste caso podemos concluir que na estratosfera existe uma continuada, e errada, percepção do real.

 

Nota: há delírios insensatos na estratosfera, realmente. Parece que Crato e Passos reivindicam os resultados PISA 2015 com os exames dos 4º e 6º anos. Os alunos testados de 2000 a 2015 nunca realizaram esses exames.

 

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Terça-feira, 29.11.16

 

 

 

Portugal deve estar a subir no ranking (esse estado febril) do tempo que uma criança de dois anos demora a esvaziar um biberon com leite. Lançar crianças em correrias institucionais é o nosso segredo. Estamos cada vez mais Top Perfomers: velocíssimos na lógica e avessos a maçadas ambientais e culturais. Hoje também se soube pelos testes TIMMS (4º ano de escolaridade), que, entre 1995 e 2015, "Portugal subiu treze lugares na Matemática (continua atrás do Cazaquistão, que raio - este aparte é meu -) e desceu significativamente no Estudo do Meio"; como se observa no gráfico do Público. 

 

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Terça-feira, 22.11.16

 

  

 

"Os rankings apenas mostram a qualidade dos alunos que fazem os exames e não nos permitem inferir se a escola trabalha bem ou mal" é uma óbvia conclusão que não se alterará com o que se anuncia: "nas escolas de topo mais de metade dos alunos chumba pelo menos uma vez".

 

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Terça-feira, 06.09.16

 

 

 

Fez-se um justificado mediatismo porque Joaquim Azevedo, ex-SE da Educação num Governo de Cavaco Silva, disse que "as escolas públicas rejeitam alunos". A selecção de alunos em Portugal é antiga: por auto-exclusão (pobres que nem se atreviam a pensar nos liceus), rejeição de alunos "problemáticos", incluindo os da educação especial que davam muito "trabalho", e mais recentemente escolhas a pensar nos rankings. Tudo isto é mais do que conhecido e Joaquim Azevedo disse-o. E fê-lo "porque é oportuno"? Talvez. Mas repetir uma verdade é um dever. Muitas vozes referem o efeito nefasto dos rankings. É a variável que mais rejeita alunos. Também não é novidade. Haverá menos públicas a rejeitar alunos do que privadas? Também é uma suposição com fundamento, embora o desnorte dos últimos anos tenha generalizado a imagem.

 

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Domingo, 15.05.16

 

 

 

Os colégios "privados" apoiaram-se no poder político e beneficiaram da centralização do MEC ocorrida a partir do Governo de Durão Barroso que colocou a rede escolar em roda livre. Sem isso, teria sido difícil sobreviverem. Está documentado e ponto final. Veremos como termina o processo, embora se perceba, finalmente, toda uma nova abordagem ao problema mais próxima da realidade.

 

Os argumentos incluíam uma família de políticas educativas que não se circunscreveram ao "privado": liberdade de escolha, livre concorrência, mercado escolar, modelo de gestão escolar com entrada da partidocracia local, lógica do cliente escolar (tem sempre razão), mega-agrupamentos, publicação de rankings de exames (os vigentes, medíocres, só existem deste modo em Portugal) com ponderação sócio-económica apenas para as públicas, professores titulares, avaliação do desempenho de professores burocratizada e com quotas, infantilização do estatuto do aluno, afunilamento curricular e por aí fora.

 

As escolas públicas podiam ter feito mais para impedir 25 mil despedimentos, milhares de horários zero e afastamento da residência de outros professores dos quadros? Podiam. Desde logo, e em 2009 por exemplo, se tivessem impedido a implementação do modelo de gestão escolar. E foi por um triz. Mas isso exigia um texto longo para análise das variáveis e consequências. Mas há exemplos mais lineares e evidentes. Foi um erro, por exemplo, aplicar critérios de selecção de alunos de acordo com os resultados escolares esperados ou excluir alunos "problemáticos" ou com necessidades educativas especiais que "perturbassem" a atmosfera de treino para exames. Entrar no mesmo jogo "legitimou" os tais "privados" e reforçou a indústria dos exames como primeiro pilar do mercado escolar.

 

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Terça-feira, 05.01.16

 

 

 

Mesmo sem se conhecerem os detalhes, é positivo que o novo MEC elimine o trágico (não estou a exagerar) concurso de professores BCE, faça alterações na indústria dos exames e substitua o linguajar eduquês II das disciplinas estruturantes por vocabulário que inclua as artes, o desporto e as ciências experimentais.

 

Espera-se que se mantenha o concurso de reserva de recrutamento por lista graduada durante todo o ano lectivo e que, no ensino básico, apenas no 9º ano sobrevivam exames nacionais e anuais e que com isso se elimine a má propaganda da publicitação de rankings ensandecidos com exames de crianças. Esta última decisão arrastará o neoliberalismo associado que é corporizado, por exemplo, por prémios monetários para as melhores classificações, pautas públicas de classificações e quadros de honra.

 

Já agora, a mudança vocabular das disciplinas estruturantes deve corresponder a alterações consequentes na carga curricular.

 

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Sexta-feira, 18.12.15

 

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 13.12.15

 

 

 

Imagine-se o que seria se o salário mínimo declarado pelo encarregado de educação fosse inferior à propina paga pelo rebento ou até ao preço do fardamento? A ausência destes dados, que se repete nos rankings, é realmente intrigante e objecto de todas as especulações. Os anos passam e "desconhecem-se" os dados socioeconómicos das escolas privadas, coisa que para as públicas é divulgado, considerado e bem auditado até na atribuição de apoios sociais escolares.

 

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Sábado, 12.12.15

 

 

 

No que se repete anualmente sobre os rankings lusitanos, há um aspecto mais chocante, e que se mantém, que encontrei num post de 10 de Novembro de 2013.

 

"Os investigadores afirmam que "é injusto que não existam dados socioeconómicos para as escolas privadas, só para as públicas. Esses dados são relevantes. As listas aparecem porque os jornais vendem mais. A maioria esmagadora das pessoas interpreta os rankings como a manifestação da qualidade de uma escola. Os dez primeiros têm uma publicidade fabulosa. Os rankings mostram a qualidade dos alunos, não o desempenho das escolas. Não sei se são um incentivo à melhoria das escolas"."

 

Os rankings e as presidenciais sofrem da mesma patologia mediática? Sofrem. Passo a explicar. Encontrei um post de 2 de Dezembro de 2014 que tem como título: "Grau zero da mediatização da Educação?" Diz assim:

 

"Marcelo Rebelo de Sousa conjugou dois verbos para os resultados do ensino privado nos rankings dos exames: arrasaram e esmagaram. Como é um professor de direito, temos de baixar o grau para lá do inadmissível e já nada nos deve espantar. O político estava fora de si e terraplenava resultados escolares como quem comenta o "seu Braga"."

 

É um político com este grau de desinformação que queremos para presidente? O que dirá hoje se lhe colocarem a questão? Às tantas, dirá tudo e o seu contrário.

 

Repito o cartoon, já que a repetição parece uma obrigação, do post que deixei para hoje e que tem como título: "Não existe o dia das patologias?" Claro que existe e a nossa sociedade está em descida uniformemente acelerada.

 

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Sábado, 28.11.15

 

 

 

 

Eliminar a prevalência do mercado escolar, do cliente escolar e do neoliberalismo escolar deve ser uma prioridade para o novo Governo. As três patologias adoeceram o sistema escolar. São enfermidades que vão para além da crise da escola que integra historicamente a sua definição como instituição.

 

Os rankings como modo único de vida, o senso comum como dominador da autoridade escolar e o individualismo das escolas, e dentro destas os grupos de interesses alinhados com a partidocracia local, atingiram um ponto crítico.

 

A propaganda escolar inspirou-se na lógica do "mercado selvagem". A cooperação dentro das redes escolares, a boa gestão de recursos e a prevalência de um ensino emancipador, ecléctico e que accione o elevador social foram ideias secundarizadas com o avanço do milénio e com uma queda a pique nos últimos quatro anos.

 

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Sábado, 30.05.15

 

 

 

Vale a pena ler a reportagem da revista do Expresso (páginas 42 a 48) sobre o sistema escolar Finlandês. Há, desde logo, uma variável decisiva na Finlândia: uma criança que revele uma dificuldade mais acentuada beneficia de imediato de uma equipa de especialistas. Ou seja: uma municipalização a sério e não como a que queremos implementar em que os autarcas substituem a gestão das escolas para governarem o ambiente local em mais do mesmo (até com 25% da oferta curricular entregue às suas imaginações e sem qualquer linha "à finlandesa").

 

Das muitas questões interessantes, retiro quatro:

 

1. O inferno da papelada. E acrescente ao que vai ler um inferno de burocracia digital com redes informacionais inundadas de ficheiros Word a operacionalizarem tanta complexidade.

 

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2. Há uns estudos recentes que dizem que os nossos alunos que entraram na escola em 1997 eram felizes e obtinham bons resultados (os que não abandonavam a escola, é evidente). Mas os ultraliberais ficam-se pela prosa e têm horror à poesia: a felicidade não se mede, dirão de imediato os mais descomplexados competitivos.

 

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3. Portugal é o único país da Europa onde a carreira do professores é devassada. Na Finlândia é muito valorizada, naturalmente. Mas não é apenas isso, como não me canso de repetir.

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4. Na Finlândia só há exames no fim do secundário (o que é muito diferente de se dizer que não se avalia antes disso ou que não há um clima de exigência e disciplina) e a poesia permite experimentar um "modelo sem disciplinas". Acima de tudo, salienta-se o seguinte:

 

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Por cá, o tratamento dos resultados escolares das crianças já vai em rankings e nem sei mais o quê, a organização das disciplinas afoga-se no "estruturante" com quilómetros de metas e não resisti: trouxe um pequeno texto de Fernando Mora Ramos no facebook (o meu comentário foi curto: Não falta...)

 

"Falta ainda lançar no mercado o campeonato mundial da chucha para lactentes entre os seis e os nove meses apenas para aqueles que já gatinhem e possam - será o objectivo - roubar a chucha ao oponente e mesmo aos da mesma equipa, acumulando um número de chuchas que leve à sua consagração - do gatinhante em causa - como o da Dentada de Ouro na Chucha, ou o Chucha-Mor."

 



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Domingo, 17.05.15

 

 

 

Na parafernália de exames que os miúdos começam amanhã, cada um carrega quatro responsabilidades: a sua, a do seu professor, a da sua escola e a do seu país (e não tarda da sua UE se os europeus descerem para sul). Esta injustiça levanta, desde logo, uma certeza antiga: os instrumentos científicos podem ser válidos, mas dependem da cabeça que os utiliza ou do que fazemos com eles. Um primeiro passo civilizado para estes exames dos miúdos seria óbvio: eliminar a sua publicitação em pautas, quadros e rankings e dar a conhecer os resultados apenas ao respectivo encarregado de educação.

 

É até indecente como as autoridades escolares e políticas reivindicam os bons resultados e assobiam lateralmente quando assim não é. O somatório de entidades que os miúdos carregam para os exames devia ser esclarecido: há muito que se sabe que, em regra, os resultados escolares melhoram com a elevação das sociedades e das famílias e ao longo de gerações. O bom ensino, as boas escolas e os bons ministérios são, em regra, uma consequência disso. Quem especializa precocemente exclui mais e tem sempre piores resultados globais a prazo; também há muito que se conhece esta evidência, mas a eliminação da história tomou conta das inteligências.

 

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Domingo, 15.03.15

 

 

 

Gostei de ver, ontem, num canal generalista (jornal das 8 da TVI) a reportagem sobre a Escola Secundária de Carcavelos (penso que é a sede do agrupamento com o mesmo nome) que entrou na agenda mediática por causa das recentes recomendações do CNE. A escola quase que não tem reprovações, não tem campainhas e é o projecto da moda. Vi o testemunho de alunos que reconhecem a importância do clima de confiança.

 

A Escola Básica Integrada de Santo Onofre (uma escola TEIP com mais de 1100 alunos e com taxas de insucesso escolar, em 1996, acima dos 30%) foi uma espécie de pioneira, e no século passado, desta e de outras ideias de gestão e de educação para a autonomia e para a responsabilidade.

 

E a exemplo da Escola Secundária de Carcavelos, também melhorou os níveis de pontualidade de todos os actores e seis anos depois não tinha processos disciplinares, tinha taxas de insucesso e abandono escolares abaixo dos 3%, as cerca de mil matrículas seguiam a lei numa difícil selecção entre mais de 1500 candidatos, os resultados escolares eram muito bons (os rankings no 9º ano em 2001 já a colocavam no pódio das escolas do país e com oito pontos acima da média nacional e do esperado para uma escola TEIP com aquela população escolar) e era a escola indicada pelas autoridades escolares para os alunos da educação especial. Está tudo documentado e um dia destes faço umas postagens mais detalhadas sobre o assunto.

 

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Gazeta das Caldas, 15 de Junho de 2001

 

Muito sinceramente: surpreendeu-me a emersão do projecto de Carcavelos num tempo martirizado pela prosa da austeridade onde a poesia passou ao lugar que não existe; afinal há motivos para ter esperança.

 

Na mesma edição da primeira imagem lia-se o seguinte (este muito bom programa de avaliação de escolas foi abruptamernto interrompido pelo Governo de Durão Barroso quando começava a ter massa crítica):

 

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Gazeta das Caldas, 15 de Junho de 2001

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 Gazeta das Caldas, 15 de Junho de 2001

 

Na edição de 09 de Novembro de 2001, a Gazeta das Caldas publicava a ideia de uma escola digital.

 

A passagem do pensamento analógico para o digital simplificou mesmo procedimentos (as bases de dados foram construídas na escola e a ideia de escola sem papéis era literal e não metafórica) e acrescentou conhecimento para apoio à tomada de decisões porque afirmava as ideias de autonomia, responsabilidade e confiança. Os professores ficavam mais livres para ensinar e libertos da má burocracia.

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Os objectivos do programa do Conselho Executivo eram apresentados nas diversas reuniões gerais após a tomada de posse e avaliados semestralmente na Assembleia e no Conselho Pedagógico. Como se pode ver a seguir, logo em 09 de Novembro de 2001 os resultados escolares exigiram um patamar inicial que reflectia os 8% acima da média nacional.

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 Gazeta das Caldas, 09 de Novembro de 2001 



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Domingo, 14.12.14

 

 

 

 

 

"Todos os instrumentos científicos são válidos depende da cabeça que os utiliza", é uma intemporal evidência que pode ajudar na matéria em título e que deve ser acompanhada de outras comprovações. O dogmatismo, o extremismo e o fim da história, por exemplo, são asserções a considerar quando se lê a caixa de comentários da notícia que diz: "e se os alunos não tivessem notas? O debate chega a Portugal".

 

A surpreendente ideia francesa de abolição de notas não poderá significar o fim da avaliação dos alunos; claro que não será disso que se trata. Parece-me que há a necessidade de discutir o modo como a sociedade está a considerar os resultados escolares como reflexo do mercado selvagem que se globalizou. Todos concordamos com o que acabei de escrever e temos de discutir e encontrar soluções.

 

Não conheço os detalhes franceses nem o que se vai discutir em Portugal. Todavia, impressiona-me a nossa capacidade para aplicar os mesmos mecanismos avaliativos, com a respectiva publicitação em rankings, a alunos do 12º ano e do 4º ano, por exemplo. Na Finlândia, e ainda como exemplo, as avaliações dos alunos só são publicitadas a partir dos 13 anos. Antes disso, são apenas comunicadas ao respectivo encarregado de educação. Isso não significa qualquer facilitismo nem o fim da avaliação. Há tempos escrevi assim:

 

"é fundamental que a publicação dos resultados escolares seja adaptada aos níveis de escolaridade e, naturalmente, à idade dos alunos. Para começar, devem discutir-se os procedimentos de publicitação dos resultados escolares individualizados até ao sexto ano de escolaridade".

 

 

 

 



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Sábado, 13.12.14

 

 

E ao contrário dos nossos "reformistas", discutem e testam (com um ano de distância, veja-se lá). Por cá, nem sequer nos interrogamos com rankings em exames do quarto ano.

 

"(...)As notas estão com os dias contados nas escolas francesas. O Conselho Superior dos Programas, órgão do Ministério da Educação francês, elaborou uma proposta para abolir o sistema de avaliação através das notas, que na França vão de zero a 20, e substituí-las por uma análise mais geral das competências dos alunos. O projeto será discutido numa conferência nacional nesta quinta e sexta-feira (11 e 12), em Paris.(...)Sistemas similares sem as tradicionais notas já vêm sendo utilizados há muitos anos por países europeus onde a educação é considerada de alto nível, como a Suécia, a Dinamarca e a Alemanha. Na França, se for aprovado, o novo sistema pode começar a ser testado em 2015.(...)"

 

 

 

 



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Terça-feira, 02.12.14

 

 

 

 

Sim, acontece muitas vezes. Ainda no último domingo, Marcelo Rebelo de Sousa conjugou dois verbos para os resultados do ensino privado nos rankings dos exames: arrasaram; esmagaram. Como é um professor de direito, temos de baixar o grau para lá do inadmissível e já nada nos deve espantar. O político estava fora de si e terraplenava resultados escolares como quem comenta o "seu Braga".

 

 

 



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Sábado, 29.11.14

 

 

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1ª página da Gazeta das Caldas em 28 de Novembro de 2014.

 

A Escola Secundária Raul Proença, nas Caldas da Rainha, é a escola pública com melhores resultados nos rankings 2104 do ensino secundário. Foi, naturalmente, com orgulho que a comunidade escolar recebeu a notícia. É já habitual a distinção da Secundária Raul Proença nestes rankings, mas é a primeira vez que ocupa o primeiro lugar nas escolas públicas. Os jornais salientam a primazia do ensino privado e ainda não li qualquer referência ao facto do índice sócio-económico das famílias (os tais dados do contexto) só ser considerado para as escolas públicas. Mas deixo isso para outro post.

 

A Secundária Raul Proença é a escola sede do Agrupamento de Escolas com o mesmo nome que inclui a Escola Básica Integrada de Santo Onofre e ainda mais dez escolas (do primeiro ciclo e do pré-escolar). Aqui por casa é natural a satisfação: a minha esposa lecciona há mais de duas décadas na Raul Proença e foi lá que a minha filha fez o ensino secundário.

 

O concelho das Caldas da Rainha tem estado na agenda mediática da Educação como um ponto central na defesa da escola pública, já num ano recente (este ano ainda não vi) os rankings do Expresso classificavam o concelho em 1º lugar no país nos exames do secundário e ao longo das últimas décadas o sistema escolar caldense tem conhecido as mais variadas distinções.

 

Há um dado relevante nesta classificação do ensino secundário da Raul Proença: a coerência entre a classificação interna e a dos exames.

 

Há muitos dados para serem estudados: o Público e o Expresso, haverá mais clarotêm duas ferramentas.

 

É evidente que as primeiras páginas salientam a componente mais crítica: as políticas educativas dos últimos anos afundam as escolas públicas e a mediatização dos rankings transforma-se em publicidade para o ensino privado.

 

Só mais um detalhe interrogativo: rankings com escolas do 4º ano de escolaridade?

 

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 1ª página do Público online em 29 de Novembro de 2014.

 

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 1ª página do Expresso em 29 de Novembro de 2014.

 

 

 

 

 

 

 



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Sábado, 10.05.14

 

 

 

 

A luta de classes está num pico, como há muito sublinham Joseph Stiglitz e Warren Buffett (um Nobel e um super-rico). A estes dois exemplos mais conhecidos, acrescenta-se Thomas Picketty com o seu livro "Capital no século XXI" que Paul Krugman classificou como o livro mais importante do século XXI. Nós estávamos iludidos com a nossa revolução e o PREC-em-curso-de-sinal-contrário promete recolocar as nossas desigualdades a um nível impensável.

 

A crónica de Clara Ferreira Alves, hoje na revista do Expresso, é sobre o livro do economista francês e retirei um pedaço.

 

Para além de tudo o que vai ler e que se pode escrever sobre o assunto, existe um dado que devia fazer reflectir quem opina sobre Educação: os rankings internacionais das universidades vivem, em grande parte, da capacidade de atracção de financiamento. Harvard, e outras escolas norte-americanas, são imbatíveis e os seus financiamentos explicam o preço das desigualdades que caminha para o maior pico da história. Em Portugal, e como sabemos, tem-se governado em direcção ao abismo e os últimos três anos foram em passada larga. Estávamos convencidos da irreversibilidade do caminho trilhado depois de Abril; mas não, a democracia é uma construção diária e contínua.

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 13.11.13

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 12.11.13

 

 

 

 

Sabia-se que não existiam "(...)dados socioeconómicos para as privadas(...)" (onde se incluem as cooperativas financiadas integralmente pelo Estado), mas também se sabia que "(...)A maioria esmagadora das pessoas interpreta os rankings como sendo a manifestação da qualidade de uma escola. Os dez primeiros têm uma publicidade fabulosa.(...)" e que "(...)nesse dia os jornais vendem mais…(...)". Sabia-se tudo isto e muito mais sobre os dados dos rankings. Mas o MEC, que, coitados, são uns ingénuos, disponibilizou os dados "incompletos", deixou que tudo acontecesse e agora vem um dos SE dizer o seguinte: "(...)Os rankings dos estabelecimentos de ensino devem ser analisados apenas “em contextos equivalentes”, defendeu nesta segunda-feira o secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida, que recusou fazer quaisquer comparações entre os resultados obtidos pelas escolas públicas e privadas.(...)".


Leia-se a opinião do actual presidente do CNE sobre o assunto: "(...)Para David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), o Ministério da Educação e Ciência (MEC) deve proporcionar "melhor informação e mais detalhada" na divulgação dos rankings de estabelecimentos de ensino: "Tem de haver a publicação desta informação, mas o ministério tem de proporcionar melhor informação, mais detalhada, até para que se possa fazer o cruzamento de variáveis e se possam ter leituras mais complexas" dos resultados obtidos pelas escolas, disse à agência Lusa.(...)".


Qualquer que seja a opinião sobre os rankings, e perante a situação descrita, o mínimo exigível era que se fizessem rankings separados pelo tipo de dados recolhidos. São inúmeros os exemplos sobre o assunto do género do que foi apresentado pelo blogue de rerum natura.

 

"(...)Tome-se uma escola corrente de mais de 700 exames - a Infanta D. Maria, de Coimbra - e compare-se com o colégio S. João de Brito, com cerca de 250 exames. Ganha o colégio. Então, e se só escolhermos os melhores 250 da escola de Coimbra? É que o S. João de Brito matricula quem entende matricular, e a Infanta D. Maria matricula quem se apresenta à porta e vai cabendo…(...)"

 

 



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Segunda-feira, 11.11.13

 

 

 

 

 

Há algum tempo que se sabe que o modelo sueco fracassou, mas por cá demorou a que a comunicação social pegasse no tema. E mesmo assim é só alguma.

 

Em Portugal assiste-se a uma ofensiva que despreza a escola pública que é da família do que vai ler a seguir.

 

Quem deu um contributo decisivo para que o Hubble nos ilumine, também terá aberto as portas às tragédias várias com a energia nuclear durante algumas guerras. A validade dos instrumentos científicos depende da cabeça que os utiliza. Apesar das distâncias em relação à asserção referida, com os rankings das escolas não é diferente: nas mãos de descomplexados competitivos podem provocar danos "irreparáveis" ou a conservação de taxas de abandono e insucesso escolares que nos envergonham.

 

 



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Sábado, 09.11.13

 

 

 

 

 

 

"Os rankings apenas mostram a qualidade dos alunos que fazem os exames e não nos permitem inferir se a escola trabalha bem ou mal" é a óbvia conclusão de dois investigadores e o destaque do Público online sobre os rankings 2013.

 

Sempre foi evidente que ao neoliberalismo vigente interessava lançar para a opinião pública rankings de resultados de exames a coberto de uma qualquer primazia dos estudos empíricos.

 

Sabemos, há muito, que há mais vida para além disso.

 

Conheço conclusões semelhantes às destes investigadores datadas das décadas de 50 e 60 do século passado. Michael Scriven, Daniel Stufflebeam, Gilbert e Viviane Landsheere e alguns outros concluíram nesse sentido e sem qualquer desprezo pelos estudos empíricos. Aliás, os investigadores ouvidos pelo Público sublinharam outro aspecto óbvio: são muito difíceis os estudos empíricos credíveis e mais ainda em Educação.

 

Uma prática que caiu em desuso neste domínio, foram as análises de conteúdo a entrevistas realizadas aos denominados "experts" (com vastos conhecimentos do terreno). Foi pena. É preciso recuperar esse tipo de estudos. Por exemplo, e vou usar pessoas de uma área política em que jamais me situarei, confio muito mais numa análise de conteúdo a uma entrevista a Adriano Moreira do que numa regressão linear múltipla a um modelo de Vítor Gaspar.

 

Deve ser por isso que não se conhece qualquer "expert" (no sentido dos fundamentos teóricos e da vasta experiência e não no sentido jocoso em voga) em Educação a defender as políticas que são perseguidas em Portugal desde 2005 (até desde 2003) e que se acentuaram de forma trágica a partir de 2011.

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:12 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

 

O que está por detrás dos números?

 

 

 

A ligação que sugiro refere-se a um texto de Bárbara Wong, jornalista do Público, sobre os rankings.

 

Depois de vários anos ligada a esta divulgação - o seu jornal foi pioneiro numa época em que o seu director, o liberal José Manuel Fernandes, era um Lurditas D´Oiro (mais tarde um fervoroso anti-Lurditas D´Oiro, veja-se lá) - a jornalista vai para lá dos números e começa por concluir: "(...)Se nas primeiras edições dos rankings me dava prazer conversar com as escolas que ficavam bem colocadas – perceber o que faziam de diferente, com a intenção de conhecer as boas práticas e de as poder partilhar com os leitores e com as escolas que podiam replicá-las; hoje, gosto de falar com as que ficam no fundo do ranking e descobrir que, na maior parte das vezes, fazem um trabalho exemplar.(...)".


Imagina-se o contributo do tratamento mediático, e alucinado, destas coisas.

 

É evidente que se uma escola vai descendo centenas de lugares a cada ranking, haverá detalhes que vão para além das variáveis externas.

 

Há critérios simples de eficiência que devem, desde logo, ser observados. A pontualidade como regra fundamental, o respeito escrupuloso pelas condições de realização de cada uma das aulas, a institucionalização da "pedagogia do silêncio" (as escolas do fim dos rankings têm a tendência para elevar a festa e o entretenimento que é exactamente o contrário das necessidades das suas populações), a produção escrita, e em avaliação permanente, do plano estratégico e o esforço para se evitar a tentação de passar para o exterior uma imagem que não corresponde à sua vida quotidiana.

 

Mas vale a pena ler o texto todo.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 15:20 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

 

Os rankings como retrato de uma educação a várias velocidades






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Sexta-feira, 08.11.13

 

 

 

 

 

Exigir à escola que obtenha a excelência nos resultados escolares e que inclua os "que não querem aprender" e os que escapam à "normalidade" é a verdadeira quadratura do círculo que se torna uma alucinação terrivelmente exclusiva no mercado puro e duro.


Nem os países mais desenvolvidos - os que, por exemplo, eliminaram o analfabetismo no século XIX - encontraram uma saída democrática na alucinação vigente. Ao que vamos sabendo, instituíram soluções exclusivas em busca de uma qualquer excelência que acabou sempre por esbarrar no alçapão do aumento das desigualdades de oportunidades.


Portugal já tem indicadores de exclusão escolar que aumentarão em sentido proporcional à alucinação descrita.


Deixámos de pensar.


Se uma turma ou escola tem em maioria os que "que não querem aprender", a lógica de mercado dos resultados escolares será implacável. Por outro lado, se uma turma ou escola tem em minoria "os que não querem aprender", será "inaceitável" a sua presença desestabilizadora e os responsáveis escolares defrontar-se-ão com dilemas e exigências inumanas. O confronto com a história dessa minoria deixará à alucinação vigente um único caminho: o aumento dos indicadores de exclusão escolar.


O fim-de-semana será preenchido pela discussão dos rankings das escolas portuguesas. Repetir-se-ão os argumentos no duelo público-privado. Nenhum dos factores descrito ganhará: nem os excelentes quando abandonarem o regime de condomínio privado e se confrontarem com o mundo real e muito menos os destinados à exclusão.


Bem sei que advogar o fim dos mecanismos de mercado puro e duro (que é diferente de avaliar com rigor organizações escolares onde se incluem os resultados escolares) é considerado pouco ambicioso e falho de modernidade. Haverá mesmo quem considere falho de empreendedorismo. Mas também sabemos que as sociedades mais avançadas foram sempre as que colocaram a inclusão (mas a inclusão desde o pré-escolar) no topo das prioridades porque perceberam que a diminuição das desigualdades é proporcional ao aumento das classe médias e que manutenção da paz e da prosperidade só se consegue em sociedades não alucinadas. Mas mais: qualquer sistema bem sucedido na formação de pessoas foi construído com bases alargadas.


Aos advogados da alucinação falta-lhes o contacto com o real. Portugal é, e escrevo-o com tristeza, cada vez mais um país com um sistema escolar em profundo estado de alucinação.





publicado por paulo prudêncio às 22:25 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Domingo, 26.05.13

 

 

 

 

 

 

 

 

Andará por aí amanhã um especialista norte-americano, convidado pelo MEC, a dizer que os professores devem ser responsabilizados pelo desempenho dos alunos. É um investigador oriundo da força aérea, e com passagem pelo MIT na área da economia, que acha que se o professor for eficiente pode ter turmas grandes e que deve ser avaliado pelos resultados dos alunos.

 

Fui oficial "Comando" (não voluntário, note-se bem) e dei instrução militar (aulas em regime de monólogo) a uma "companhia" ao mesmo tempo. Eram uns trezentos militares e escuso-me de caracterizar os critérios disciplinares subjacentes. Não piavam, apenas gemiam (isto é literal). Era um jovem adulto e ainda bem que não nos pagavam pelos resultados dos alunos.

 

Estas discussões redundantes já cansam um bocado. Sem sequer estar em causa a discussão sobre os critérios de eficiência no âmbito da docimologia, remeto-me para este algoritmo que começa assim: "A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar.(...)"

 

A mesma edição do Público tem duas notícias, uma na online outra na impressa, sobre famílias com filhos em idade escolar (e cada vez são em maior número com estas características). O paradoxo das prioridades de MEC até arrepia. Mais valia convidarem especialistas em aulas no Bangladesh, com todo o respeito pela população desse país que nem conheço.

 

Na online diz assim:

 

 

 

 

 

Na impressa diz assim (dois filhos menores em idade escolar):

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:30 | link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

Domingo, 31.03.13

 

 

 

 

Só em países propensos a bancarrotas é que se fazem rankings de escolas com uso exclusivo dos resultados de exames de alunos. São, digamos assim, países que se afeiçoam muito ao substantivo exclusão. As escolas com grupos de alunos com melhores condições económicas (escrito assim para abreviar) têm, em grande regra, melhores resultados. Os grupos que privatizam lucros dos orçamentos de Estado para a Educação sabem bem disso, conseguem impor esses rankings e arrastam consigo muita gente distraída e que confunde meritocracia com democracia (também escrito assim para abreviar). Os mais pobres ficam nas escolas do fim da fila que se vão guetizando e afundando (também escrito assim para abreviar).

 

Avaliar escolas é difícil, exige tempo, conhecimento e consolidação de processos. É muito mais do que os resultados dos alunos nos exames em algumas disciplinas. A denominada "avaliação integrada das escolas", que começou em Portugal em 1998, tinha potencialidades, mas um novo Governo apressou-se a terminar com o modelo quando, cinco anos depois, a maturidade dava os primeiros sinais positivos. Tem sido sempre assim, são raros os países onde se faz melhor e tudo isso ajuda a explicar a crise permanente da escola como organização em que Portugal passou a ser um estudo de caso pelo modelo de gestão que descobriu.

 

 

 

 

 

Parte de uma peça do Público de hoje da autoria de Clara Viana.



publicado por paulo prudêncio às 18:23 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 01.03.13

 

 

 

 

 

Nos últimos dias surgiram os primeiros ecos do retrocesso no sucesso escolar com o aumento de classificações negativas no 12º ano. Se é evidente que estes dados são insuficientes para uma conclusão, é natural que os números do insucesso e abandono escolares comecem a subir; desgraçadamente, acompanharão os do desemprego e da fome e contrariarão os que advogavam que tudo se resolvia com mais escola e com uma sociedade ausente.

 

No universo escolar também existem causas fortes e prontas a cobrar o fatalismo. Supressão de disciplinas, horas curriculares atribuídas no espírito de mais do mesmo, aumento do número de alunos por turma e quebra da proximidade relacional através de um modelo de gestão escolar único no mundo conhecido, são alguns exemplos do desmiolo que assolou o sistema escolar.

 

Para além disso, temos uma legião de professores em aguda instabilidade profissional, desesperançados e com anos de desconsideração social. Há cerca de meia dúzia de anos que a agenda mediática é preenchida por professores em protesto ou governantes e comentadores a zurzirem na sua profissionalidade. Os alunos intuem a desfaçatez, mesmo que não o verbalizem, e os que não querem aprender aumentam em número.

 

É evidente que as escolas do Estado estão mais expostas a este flagelo e os rankings, acompanhados da segregação social que sempre se acentua nos tempos de salve-se quem puder, farão o serviço que interessa a quem teima na privatização de lucros. Falta saber se tudo isto se desenvolverá como até aqui ou se a bancarrota nos fará arrepiar caminho por uns tempos.



publicado por paulo prudêncio às 21:15 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 17.02.13

 

 

 

 

Mercado total, oportunidade de negócio, ultraliberalismo, individualismo, rankings, meritocracia, internacionalização e globalização da língua, e podíamos estar um bom tempo a debitar termos que infernizam as sociedades actuais e, é bom que se sublinhe, a que as crianças não escapam. Não podemos dizer que não fomos avisados e só temos que nos penalizar por termos considerado os avisadores como gente pouco competitiva.

 

Os resultados vão-se evidenciando, em Portugal também, e ainda há quem resuma, com um sorriso que não se aconselha, a tragédia aos esticanços de mais ou menos corda. O sistema escolar não escapa à voragem e encontrei na 2 do Público uma crónica muito interessante.

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:07 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Sexta-feira, 15.02.13

 

 

 

 

Das 28.000 pessoas que deixaram a função pública no ano de 2012, 15.500 estavam vinculadas ao MEC e os professores ocupam a quase totalidade do número. Tem sido sempre assim: os que evidenciam estes dados são considerados tremendistas, recebem o quase silêncio da opinião pública e publicada e quando os números se confirmam a normalidade não incomoda.

 

A escola pública foi, há anos, escolhida para que os governantes se pavoneiem com com o seus ímpetos reformistas e a sociedade, que está ausente da escola e que só lá aparece para uma espécie de jogo da partidocracia disfarçado do eufemístico "comunidade escolar", exerce um silêncio cúmplice que reafirma a estranha antipatia para com a escolaridade. Mais de metade dos despedidos foram professores.

 

O segundo lugar de mais um ranking (é uma febre, realmente) fica para a saúde com dois mil funcionários, incluindo 524 enfermeiros e 131 médicos.

 

Saíram da administração pública mais de 28000 trabalhadores em 2012



publicado por paulo prudêncio às 21:38 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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