Quarta-feira, 25.01.12

 

 

Italo Calvino foi sage quando incluiu a leveza nas seis propostas para o milénio que agora começou. Lembrei-me dessa premonição a propósito da mediatização de uma petição a pedir a demissão do presidente da República. Entendi a iniciativa como um momento de humor - género que deve sempre ser levado a sério - e de leveza e que evidencia o que sempre me pareceu: o actual presidente espalha-se quando o "ponto" não está de serviço. Já são tantas as "gafes" que nem é para levar a sério. O senhor é impagável e ponto final.

 

Não me satisfazem as derrotas de quem quer que seja; prefiro os desfechos optimistas. Mas há dois momentos na nossa jovem democracia que me deixaram muito satisfeito: a derrota de Cavaco Silva nas presidenciais de 1995 e a recente de Sócrates. O "cavaquismo" foi nefasto e pensei, nessa altura, que nos tínhamos livrado da coisa. Ressurgiu anos mais tarde com a promessa habitual: um "não-político" que ia pôr as contas em dia; é o que se está a ver. Se não são essas as funções presidenciais, então que não se tivesse usado o argumento em campanha eleitoral ou criado o monstro por causa dos votozinhos e de outras coisas mais que vamos conhecendo.



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:47 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 19.06.11

 

 

E a táctica das presidenciais foi igualmente muito mal sucedida. O apoio a Manuel Alegre compreende-se. Só que em primeiro lugar o candidato deveria ter formalizado a sua candidatura, como em 2005, e depois os partidos apoiavam se quisessem. Foi uma grande confusão. Associaram-se a um PS "sem esquerda" e evidenciaram demasiados tiques de fanatismo. A ânsia é inimiga do bom-senso e o bloco parece corroído por impacientes cheios de certezas.

Louçã admite que hoje participaria nas reuniões com a 'troika'



paulo guilherme trilho prudêncio às 18:10 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Segunda-feira, 31.01.11

 

 

Este PS é realmente uma coisa de outro mundo. Percebeu-se que apoiaram Manuel Alegre porque estavam vazios de candidatos ou coligados na cooperação estratégica. Alguns estudos indicam um voto substancial dos seus militantes e votantes no actual presidente ou em Fernando Nobre. Todavia, afirmar uma semana depois do escrutínio que os eleitores escolheram a estabilidade do presidente e do governo é de um vale tudo sem precedentes.

 

PS diz que eleitores votaram pela manutenção do PR e do Governo



paulo guilherme trilho prudêncio às 08:48 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sábado, 29.01.11

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:05 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Terça-feira, 25.01.11

 

 

No blogue da APEDE; aqui.



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:18 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 24.01.11

 

 

 

No rescaldo eleitoral, o pensamento da direita apontou o óbvio: Manuel Alegre e Francisco Louçã foram os principais adversários dos governos de José Sócrates nas políticas da Educação e, portanto, esta candidatura só podia fracassar.

 

Quem faz estas afirmações tem toda a razão. Para além de um conjunto significativo de professores, só encontrámos mais adversários desses governos de péssima memória nos quadros de nomeação definitiva para entendimentos e acordos e num ou noutro deputado do bloco e do PCP; adversários "coreográficos" para a democracia, portanto. A direita e Cavaco Silva estiveram bem ao lado dos governos, como não se cansaram de sublinhar.



paulo guilherme trilho prudêncio às 17:47 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

 

 

A propósito das minhas críticas ao plano tecnológico nas eleições de ontem, dizia-me um militante do PSD que semelhante caos era impossível com o partido dele. Nem o deixei alongar-se muito. Lembrei-lhe os inenarráveis concursos de professores que se realizaram em 2003. Foi já neste século e os sistemas de informação, com utilização das chamadas novas tecnologias, já existiam desde o princípio dos anos noventa do século passado. De modernaços estamos bem vacinados.



paulo guilherme trilho prudêncio às 14:00 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Domingo, 23.01.11

 

 

 

Cavaco Silva, ao que tudo indica, foi eleito à primeira volta. Manuel Alegre registou um resultado inferior às últimas eleições em que concorreu sem o apoio de qualquer partido e com a presença da candidatura de Mário Soares; foi uma estratégia falhada, como se previa. Fernando Nobre parece que obteve um resultado semelhante ao de Mário Soares em 2006, o que é significativo. Os restantes candidatos registaram resultados interessantes, embora Defensor Moura fique com um número de votos muito residual. A abstenção é o tradicional motivo de reflexão, que adormecerá até ao final do próximo ato eleitoral.

 

Cavaco Silva, José Sócrates e Mário Soares saem vencedores.

 

Os professores portugueses têm os mesmos obstáculos políticos para exercer a difícil defesa da escola pública de qualidade.



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:03 | link do post | comentar | ver comentários (27) | partilhar

 

 

O plano tecnológico, já o escrevi vezes sem conta, tem muito hardware (os eurozinhos fáceis) e zero de software. Quando recebi o cartão de cidadão impedi a anulação do de eleitor, uma vez que o número não constava do novo registo.

 

Quando hoje fui votar encontrei de imediato a mesa de voto. Alguns dos meus familiares, os que permitiram a recolha do de eleitor ou os que já não tiveram direito à sua receção, estiveram horas para o fazer. Eram muitas as pessoas nessa situação. Os computadores da junta de freguesia não acediam à base de dados e o número de telefone 3838 curto-circuitou. Intolerável tudo isto. Valeu-lhes a simpatia de quem estava nas mesas de voto, que se deu ao trabalho de pesquisar o nome numa lista ordenada por número. Um país de modernaços, sem dúvida, que vive às custas da traquitana do estado.



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:16 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Sexta-feira, 21.01.11

 

 

 

Devemos anotar as declarações de Cavaco Silva. Não sei se vai ser reeleito, mas se isso acontecer tem de ser confrontado com as afirmações da campanha. Já o vimos ufanar-se com este orçamento, dizendo que foi a sua magistratura de influência que o conseguiu.

 

Este orçamento tinha como medida principal o corte nos salários.

 

A dois dias do acto eleitoral, o candidato da direita todinha (ai se fosse um candidato que incluísse a esquerda toda; e ainda há quem levante o fantasma do frentismo de esquerda) diz que se devia taxar os altos rendimentos em vez de se cortar nos salários da classe média para baixo. Não há paciência para tanta demagogia.

 

Será que, e como já se previa, os números de Cavaco Silva começam a fraquejar?



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:28 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

Cortesia da Isabel Silva.

 


 



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:31 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 20.01.11

 

 

 

Desta vez os resultados são diferentes. Cavaco Silva continua a ser eleito à primeira volta mas com um intervalo que o aproxima mais dos 50% do que dos 60%. Manuel Alegre entra na casa dos 20%, Fernando Nobre desce para um dígito e Francisco Lopes aproxima-se dos dois. Os outros candidatos continuam com valores pouco significativos. Aguardam-se os desenvolvimentos.



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:05 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

 

Cavaco alerta para aumento das taxas de juro com segunda volta



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:01 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quarta-feira, 19.01.11

 

 

 

É tal o desplante para se dizer o que os spin´s aconselham, que a democracia resvala para zonas demasiado perigosas. Ouve-se o contrário num espaço de poucas horas. Navega-se ao sabor dos votozinhos. Há quem diga que pagar-se-á caro. Diria antes: já estamos a pagar e a juros elevadíssimos.

 

Cavaco com pouco “apetite” para usar “bomba atómica” da dissolução

Sócrates desmente telefonema “desesperado” a Merkel

Berlusconi acusa juízes de violarem Constituição



paulo guilherme trilho prudêncio às 22:25 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

Os estudos de opinião eleitoral em Portugal têm sido muito falíveis. Há uma tendência que se mantém para as presidenciais2011: Cavaco Silva é eleito à primeira volta, Manuel Alegre fica muito aquém do que se esperava e Fernando Nobre parece obter um resultado melhor do que se vaticinava.

 

O actual presidente está num frentismo de direita (que é mais aceite que o de esquerda, coisa que só a história da nossa "eterna" desgraça consegue explicar) que parece encontrar acolhimento junto da maioria dos eleitores e Manuel Alegre parece não conseguir descolar das amarras em que se envolveu.

 

Ha três figuras políticas que se devem sentir, para já, vencedoras: Cavaco Silva, José Sócrates e Mário Soares.

 

Vamos aguardar pelos próximos desenvolvimentos.



paulo guilherme trilho prudêncio às 10:57 | link do post | comentar | ver comentários (21) | partilhar

Terça-feira, 18.01.11

 

 

Os futuro promete muita convulsão social. É importante saber o que pensam os candidatos presidenciais sobre o modo com se deve lidar com manifestantes; é decisivo mesmo.

 

Esperam-se reações aos acontecimentos que hoje se verificaram em frente à residência oficial do chefe do governo. Manuel Alegre e Francisco Lopes já reprovaram a atuação policial. Cavaco Silva fica em silêncio (deve estar indeciso e a pensar no número de votos da posição x?).

 


Três dirigentes sindicais foram detidos em São Bento

 

Francisco Lopes: Incidentes no plenário da função pública são sinal de “precipitação e desespero”


“Como é óbvio”, Alegre critica confrontos

 

Cavaco não consegue tirar “chapéu” de Presidente e fica em silêncio

 





paulo guilherme trilho prudêncio às 21:21 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

 

 

Um antigo ministro da saúde dos governos deste PS, Correia de Campos, declara, naturalmente, o seu apoio a Cavaco Silva. Há dias escrevi assim: "(...) Logo que pegou na palavra, o eufórico ex-ministro da saúde advogou com o novo modelo de gestão para justificar o PISA2009. E para espanto, ou talvez não, Paulo Rangel anuiu. Ou seja: já nem se trata do euro-deputado do PSD não saber que o novo modelo se iniciou depois dos alunos terem realizados os testes PISA2009 (o que, quando muito, só abona em favor do anterior), o que está em causa foi a anuência imediata e com uma sentença: é bom que se sublinhe que os governos de Sócrates governaram a Educação com a agenda do PSD.(...)"

 

Correia de Campos, arauto do novo modelo de gestão das escolas, não podia abandonar a cooperação estratégica. Com pessoas assim num conselho de ministros, e com uma presidência da República a cooperar activamente, não deve ser difícil perceber o apoio formal que recebeu a ideia de abandono da democracia nas escolas.



paulo guilherme trilho prudêncio às 18:06 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

 

 

 

 

Governo vai avisar Cavaco de que não aceitará ingerências no futuro

 

 

Pudera. A cooperação estratégica é, por agora, coisa do passado e do presente sem campanha.

 

Pode ser que tudo se resolva à primeira volta e ficam amigos como dantes. E se não for assim? E se os eleitores quiserem uma segunda volta?



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:56 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Segunda-feira, 17.01.11

 

 

O meu ideal cimeiro é a escola pública e a defesa do seu poder democrática. E não me venham com a aquela tralha demagógica que insinua que esses ideais são um obstáculo à inovação e ao compromisso com o ensino de qualidade. Há mais do que provas do contrário. E mais: o melhor que as sociedades humanas conseguiram foi em ambiente democrático.

 

Para além disso, a luta política e as escolhas que fazemos são determinantes.

Vivemos tempos de campanha eleitoral. A minha memória diz-me que são talvez as eleições presidenciais mais decisivas; ou pelo menos desta vez temos mais consciência disso.

 

Nas anteriores presidenciais Manuel Alegre afirmou-se contra a máquina deste PS. Registou uma derrota digna, pareceu-me. Desta vez optou por não hostilizar um PS que tem figuras e práticas impossíveis de compatibilizar com a agenda do poder democrático da escola. É essa a principal componente crítica da candidatura de Manuel Alegre e já o sublinhei diversas vezes.

 

Cavaco Silva não tem tanta responsabilidade como o governo nos últimos cinco anos. Mas tem o silêncio estratégico (para ser brando) nesse período e a história contra si.

 

Os restantes candidatos não têm qualquer possibilidade de vitória, parece-me, e qualquer deles tem marcado pontos positivos.

 

Tenho uma certeza: numa segunda volta entre Manuel Alegre e Cavaco Silva, voto no primeiro. Será um voto contrariado. Compreendo a política real e o taticismo, mas Manuel Alegre não nos tinha habituado a isso.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:55 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

 

 

A minha filha Filipa é um dos meus orgulhos. Faz tempo que não dou conta dos seus caminhos. O doutoramento em álgebra geométrica (no Instituto de Telecomunicações do Instituto Superior Técnico) vai em bom ritmo e continua a marcar presença nas competições mais exigentes do surf nacional. Decidiu apoiar Manuel Alegre e deu a cara, muito bem acompanhada, num vídeo (cerca de 3 minutos apenas) muito interessante. Ora veja (os jovens dão entrada aos 1.40 minutos).

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:26 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 16.01.11

 

 

O ex-mísero professor (palavras dele) que exerce as funções de presidente da República, tira qualquer um do sério. No primeiro mês em que se efetivam os cortes salariais para os funcionários públicos, o senhor anda pela campanha eleitoral a afirmar que essas medidas são injustas e que não têm razão de ser. Digam lá se não se evidencia aquela chamada "esperteza algarvia" que pode levar ao seguinte raciocínio imobiliário: os votozinhos entram a 23 e os primeiros salários cortados dois dias antes.



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:41 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sábado, 15.01.11

 

 

Até os semanários estão baralhados com este mundo tão às avessas. Um submarino avariado é apenas uma sina que não iliba o arco-do-poder: neutro, portanto. "Sócrates resiste, Cavaco atrapalha" com uma foto de Manuel Alegre é um bocado para o cómico: acertar a não-campanha a uma semana do dia dos votos da primeira volta.

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 08:58 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 14.01.11

 

 

 

 

Manuel Alegre é fiel à matriz da sua história política e decidiu usar um apagador na relação com o ainda secretário-geral deste PS. Ver-se-ão os resultados, sem nunca se conseguir saber o que teria acontecido se a estratégia tivesse sido outra.

 

Desta vez, Manuel Alegre admira a atitude determinada do chefe do governo na questão dos juros. Diz que o apoiará nesse domínio.

 

Alegre diz que Sócrates sempre terá o seu apoio

 

"(...)O candidato presidencial Manuel Alegre disse admirar a «coragem e determinação com que José Sócrates está a defender a autonomia e capacidade dos portugueses resolverem por si próprios os problemas», declarando que o primeiro-ministro terá sempre o seu apoio, noticia a Lusa.(...)"



paulo guilherme trilho prudêncio às 13:00 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Quinta-feira, 13.01.11

 

 

 

Como se comprova no vídeo, os alunos das escolas cooperativas não nas aulas para se poderem manifestar na campanha abençoada do atual presidente da República. Se fossem alunos de escolas públicas, qual seria a reação do mainstream e do próprio alto magistrado da nação?

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 18:30 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Quarta-feira, 12.01.11

 

 

Não vou discutir agora a razão que assiste às cooperativas do ensino não superior. Tenho respeito por muitas delas e por muitos dos professores que leccionam nessas instituições.

 

O que me traz aqui é a campanha do actual presidente. Não há local por onde passe com cobertura televisiva em que não apareça uma manifestação de uma escola cooperativa. A todos o ainda presidente sorri e dá explicações e justificações sobre o corte que lhes cabe na contenção orçamental. Grande parte dessas manifestações são feitas em tempo de aulas e com alunos à mistura. E sobre isso, a comunicação social nem uma vírgula refere. Tudo normal.

 

Imaginem o que seria se os professores resistentes tivessem usado alunos nos picos da luta em defesa da escola pública. Ou se tivessem paralisado as aulas para virem para a rua protestar com o apoio dos alunos. Seria a indignação nacional.

 

Quando se luta contra uma grande injustiça, a memória fica mais desperta. Nos tempos áureos da contestação, os professores que contestavam viam os dirigentes das cooperativas do lado do governo, do lado da avaliação que diziam praticar e ouviam o seu tom crítico e de desprezo em relação a manifestações e contestações. Era tudo gente muito fina. Agora é "vê-los" na rua, munidos de palavras de ordem, com ameaças de providências cautelares e de fecho de escolas por tempo indeterminado.

 

Há uma diferença que se acentua. Os professores resistentes não tinham apenas uma agenda financeira e não beneficiavam dos ouvidos da cooperação estratégica.



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:48 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Segunda-feira, 10.01.11

 

 

 

 

 

Cavaco Silva tentou passar entre os pingos da chuva, mas ficou como o boneco da imagem; a culpa foi do vento.

 

Procurei ver as entrevistas que a RTP1 fez aos candidatos presidenciais. Cavaco Silva, um mísero professor (nós registamos) de acordo com os seus altos critérios (Dias Loureiro e Oliveira e Costa não serão miseráveis e infelizes), cumpriu as baixas expectativas e mantém-se como um bom aluno dos mercados mesmo que para isso tenha de hipotecar os portugueses. Aliás, o candidato coloca-se na posição de poder ajudar os portugueses; portanto, do lado de fora.

 

Questionado se entende que os mercados estão a ser injustos com Portugal, o ainda presidente afirmou que não diria isso para não insultar os ditos. A sério que foi assim.

 

Para quem viu, segue-se um esclarecimento que a entrevista terá ajudado a baralhar.

 

Significados.

 

Ressentido: adjectivo que significa ofendido; melindrado.

 

Desonesto: adjectivo que pode ter cinco significados: que não revela honestidade; contrário à honestidade, ao decoro e ao pudor; obsceno; indecoroso; indigno; que prevaricou; infiel.

 

Injusto: adjectivo que significa que não é justo; oposto à justiça; arbitrário; ilegal.

 

Insulto: nome masculino que significa ato ou palavra ofensiva; injúria, afronta; ofensa; agravo; ultraje.

 

Mísero: adjectivo que significa miserável; desgraçado; infeliz; pobre; avarento; mesquinho.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:25 | link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

 

 

O cómico e o trágico passeiam de braço dado. Têm alguma piada os fervorosos defensores de Cavaco Silva. Advogam a entrada imediata do FMI porque as contas do país estão a arder, mas querem pôr-se de fora das causas.

 

Não façamos juízos de carácter. Olhemos apenas para quem nos governou ou exerceu presidências desde que os fundos europeu deram entrada. Em 23 anos, Cavaco Silva exerceu o poder em 13: 8 como chefe do governo e os restantes como presidente.

 

Veja-se quem são e onde estão grande parte dos seus mais directos colaboradores. Se o tema do dia são as reformas dos políticos, será que os apoiantes de Cavaco Silva podem afirmar que o atual presidente nada tem a ver com isso?

 

Também escusam de proclamar que eleger Cavaco Silva é correr com Sócrates. Os mais fervorosos apoiantes do primeiro-ministro apoiam Cavaco Silva - ou juram não votar em Manuel Alegre - e lá sabem porquê.

 

Um homem é também as suas circunstâncias. A face oculta e o caso SLN e BPN são faces da mesma moeda. Se Portugal quer mesmo mudar de vida, tem de se libertar dos predadores da democracia.



paulo guilherme trilho prudêncio às 18:19 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 09.01.11

 

 

 

 

 

A agenda da direita portuguesa alucina-se quando o poder deixa de ser uma miragem. Ontem eram os diretórios da Alemanha e da França que ameaçavam com o FMI se o companheiro Cavaco Silva não fosse bem tratado pelos eleitores. Hoje é o presidente do PSD que pede boleia. Não sei se o submarino tem lugar para ele.

 

É sempre bom recordar que há um PS que governou com a agenda deste pessoal dos mares profundos e que apenas acrescentou uma carga de má burocracia para anestesiar as ditas corporações de intelectuais. Está de saída da governação, deixou a esquerda em muito mau estado, mas parece que vai com os bolsos bem recheados.

 

Passos Coelho diz que se FMI chegar é sinal do “falhanço” do Governo



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:48 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 08.01.11

 

 

 

 

 

Creio que um dia o Wikileaks revelará que as embaixadas da Alemanha e da França alertaram os seus governos para o perigo que a europa corria com a não reeleição do companheiro Cavaco Silva. Aliás, sublinharam, com toda a certeza, que o candidato da direita portuguesa afirmou em plena campanha que era preciso despachar depressa a sua vitória na primeira volta.

 

Na opinião desses conhecedores dos mercados, a eleição de um escritor de esquerda e meio-desalinhado poderia provocar estragos num ambiente social em estado de iminente explosão e contaminar uma europa "forçada" a esmagar as classes da média para baixo.

 

 

Alemanha e França pressionam Portugal a pedir ajuda, diz a revista Der Spiegel



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:03 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

 

 

Há saldos que nascem de maneira diferente do sol: não são para todos.

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:00 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 06.01.11

 

 

 

O desperdício na sociedade portuguesa tornou-se patológico e qualquer alusão à ética na vida pública por parte dos actores mais mediáticos soa a plástico. O que ontem me aconteceu na entrevista a Fernando Nobre repetiu-se de algum modo com Manuel Alegre. Quando o segundo evocava a ética republicana, esse chamamento era intocável. Nesta altura, e até Manuel Alegre transmite o mesmo sentimento, a atmosfera repete o que escrevi em Outubro do ano passado: "Defendo a liberdade e a democracia. Prefiro o regime constitucional republicano. Mas sou franco: estou enjoado de tanta República e mais ainda da nobre ética republicana."



paulo guilherme trilho prudêncio às 23:00 | link do post | comentar | partilhar

 

 

Era fácil de concluir: a seguir à ligação do actual presidente ao caso SLN e BPN apareceria um qualquer caso ligado ao segundo classificado nas sondagens. Vi agora a entrevista a Manuel Alegre na RTP1 e registei a explicação sobre um caso BPP levantado ontem por uma deputada do CDS que também se batia de forma fervorosa a favor dos cortes salariais e contra a ousadia de quem recorre aos tribunais. O assunto BPP não é para ser levado a sério, pelo menos neste nível do jogo político.

 

Percebo que os apoiantes de Cavaco Silva se abespinhem com qualquer dúvida sobre as práticas do candidato. Sempre acreditaram na existência de um homem acima de qualquer suspeita e na sua propalada superioridade em relação aos políticos. Ora, este é uma caso de transparência na informação por parte do mais alto magistrado da nação. Não vi qualquer alusão à seriedade. E essa confusão foi o candidato que a fez e às tantas pesa o erro cometido com a escolha das companhias. A vitimização irritada não é um bom sinal e a recusa das explicações só piora a condição.

 

Por muito que custe, a noção do ridículo merecia um limite numa campanha presidencial. Vote-se em quem se votar, a dimensão destes dois casos é incomparável. A prova disso é o testemunho em directo dos dois candidatos e Manuel Alegre tem estado bem e faz questão de afirmar que é humano; e isso só ajuda a democracia e mais ainda nesta altura.



paulo guilherme trilho prudêncio às 22:00 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 05.01.11

 

 

Ao que se diz, as acções da SLN (a tal que estava colada ao BPN) não estavam cotadas na bolsa e tiveram uma valorização de 140% num ano - um percentagem de lucro superior à do próprio banco -. Portanto, as ditas acções destinavam-se a convidados e devem ter sido "oferecidas" por Oliveira e Costa (em prisão preventiva). Se os ganhos foram obtidos através de práticas semelhantes às que deram origem à bolha imobiliária e a muitos casos de prisão nos países onde a justiça funciona mesmo, é obrigatório que se esclareça de vez o envolvimento dos detentores de cargos políticos.

 

Alegre desafia Cavaco a revelar contrato das acções da SLN

 

“Ética e transparência exigem” que Cavaco esclareça acções da SLN




paulo guilherme trilho prudêncio às 11:45 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 04.01.11

 

 

 

 

Escrevi um post, em Março de 2007, em que dava conta do agrado com as declarações de Fernando Nobre a propósito da crise que se adivinhava. O médico sem fronteiras representava um exemplo de dedicação ao próximo e de cidadania.

 

Vi há pouco uma entrevista sua. Senti uma redução acentuada da consideração de há três anos; confesso-o. Serão apenas as lentes criadas pelo estado deplorável a que chegou a nossa democracia? Será que a política actual enlameia tudo em que toca?



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:44 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 03.01.11

 

 

 

A televisão entrou, por excepção, pouco depois das 19h00 porque o Sporting jogava na SIC. Finda a partida, o comando descansou na RTP 1 e na entrevista a Defensor Moura. Quatro mandatos consecutivos como autarca finalizados de forma controversa. Disseram que o seu partido não o quis. Não tolerar os caciques da sua zona foi a resposta do candidato, que contrariou assim a acusação da entrevistadora de ser um intolerante e um rejeitado.

 

Pouco antes do desmentido, tinha assegurado que o seu sucessor foi escolha sua e que quem disser o contrário está a mentir.

 

Não vou acusar a jornalista Judite de Sousa de pouco conhecedora da democracia por não ter explorado o paradoxo. Pareceu-me apenas que estava a fazer um frete. Também, pudera: entrevistar um republicano com convicções monárquicas e aspirante a cacique com veemências anti-caciquistas, não é para qualquer paciência.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:29 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sexta-feira, 31.12.10

 

 

À medida que a campanha eleitoral avança o actual presidente da República enreda-se nas trapalhadas do costume. É assim no caso BPN (se calhar é mais incisivo incidir na SLN) e são os favores a pensar nos votozinhos.

 

Na agenda da Educação, o comportamento estratégico de Cavaco Silva foi deplorável para a escola pública. A sua crítica à má legislação que se pratica no nosso país é mandada às malvas quando se trata da protecção dos seus interesses.

 

Constitucionalistas apontam falha legal à nova versão do decreto dos apoios ao ensino privado

"O que Cavaco promulgou não foi o que o Governo fez aprovar em Conselho de Ministros, o que pode violar as normas do processo legislativo.(...)"



paulo guilherme trilho prudêncio às 18:09 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

Não me lembro da mudança de ano carregar tanto pessimismo; e o pior é que é fundamentado. Nesse sentido, é de considerar que as eleições presidenciais se revestem de uma importância mais decisiva. Haverá momentos em que ter Manuel Alegre ou Cavaco Silva não será indiferente. Percebo o que levou Manuel Alegre a insistir no apoio deste PS. Esse desígnio da chamada política real será a seu tempo avaliada. Tive pena que tivesse sido esse o caminho, mas estou seguro que Manuel Alegre será capaz de dizer que não quando a sua consciência o exigir. Para a agenda da defesa do poder democrático da escola, Manuel Alegre fará muito melhor do que o actual presidente: serão muitos poucos os que discordam dessa evidência.

 

Estes tempos invulgares, mas previsíveis, precisam de um presidente que não se despiste quando a discussão foge dos dois ou três temas que domina. O debate entre os dois candidatos mais bem posicionados nas sondagens revelou o que se sabia: Cavaco Silva é irritadiço, não tem ideias, repete soundbites até à exaustão e tem sobrevivido com a sua conhecida profissionalidade política; Manuel Alegre é forte em campanha, tem alma e pode ser um bom presidente da República. A disputa eleitoral pode ter sido relançada.



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:52 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 29.12.10

 

 

 

 

 

 

Os católicos, mesmo os mais ecuménicos, carregam a culpa até chegarem a uma espécie de nirvana; por norma e uma vez lá chegados, escudam-se no confessionário ou na alteridade.

 

Um canal de cabo passou uma reportagem com um comício de Passos Coelho no norte interior. O presidente do PSD apontou Manuel Alegre como um perigo para a consolidação dos estrangulamentos que se avizinham. E avisou: "os cortes têm de ser aplicados no sector público, mas também no privado". E sentenciou: "claro que a culpa é do sector público e o privado é que vai sofrer com isso".

 

Deu-me vontade de rir. A sério. Para este candidato a primeiro-ministro, o descalabro BPN e afins é apenas consequência da existência de sector público. É provável que argumente do mesmo modo para o financiamento partidário do arco-do-poder que aprisionou a democracia.

 

É antigo. A nossa direita mais conservadora e tacanha, a exemplo de muita esquerda envergonhada e preenchida por complexos de édipo, não tem remédio. Despreza a dignidade de quem exerce funções no sector público, mas alimenta-se de forma despudorada do orçamento do estado.



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:23 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 22.12.10

 

 

As campanhas têm o condão de apertar a argumentação. Cavaco Silva esteve durante cinco a cooperar estrategicamente com o governo na destruição da escola pública. Nenhum veto, nem sequer uma qualquer mensagem em sentido contrário às ditas "reformas". Os apoiantes de Cavaco Silva, que dizem que a sua agenda é a escola pública, devem ter uma grande dificuldade em votar no professor de finanças sem ser com a deglutição do célebre elefante.

 

Quando tocam numa franja dos supostos eleitores do ainda presidente, vejam lá como reage:

 

 

Ensino privado. Cavaco admite 1º veto ao governo. E decide até às eleições



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:18 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Sexta-feira, 17.12.10

 

 

Usava a cartilha das finanças, agora tenta sobreviver com a cartilha dos poderes presidenciais e com o exercício profissional da política. Sejamos coerentes: Cavaco Silva deu provas de que a contabilidade nem sempre ajuda a economia nas funções de um primeiro-ministro e que o seu perfil não é uma mais valia para as funções presidenciais; quem governa é o governo e não se pode responsabilizar o presidente pelos insucessos do executivo ou da conjuntura internacional.

 

Portugal precisa de prosa e de poesia, de quem esteja para além do perfil executivo e de outro presidente. O rasgo decidirá umas eleições que são importantes para a nossa democracia.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:30 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Domingo, 12.12.10

 

 

 

 

Mais uns dias de campanha e as últimas presidenciais tinham ido a uma segunda volta. Talvez Manuel Alegre fosse hoje presidente.

 

Contra todos os vaticínios, Manuel Alegre e Mário Soares disputaram as mesmas presidenciais. Antes disso, Manuel Alegre disputara eleições no PS e avisou ao que vinha o actual primeiro-ministro.

 

A história não se repete. Apesar de vencido nas duas eleições, Manuel Alegre saiu desse período com um milhão de votos e com uma herança de esperança democrática.

 

Na minha modesta opinião, tratava-se de manter o registo e entrar nestas presidenciais pelo mesmo caminho. Sem este PS, com quase toda a certeza, e só saindo do partido político de que é fundador se o expulsassem. Se antes teve de aguentar com Mário Soares, agora viu as tropelias passarem por Fernando Nobre (não merecia o que lhe estão a fazer, mas é crescidinho) e pelo cooperante estratégico Cavaco Silva. Penso que até deve implorar aos que abandonaram Fernando Nobre, ou que estão ligados a este PS, que não digam nada; que só votem.

 

Se essa tivesse sido a estratégia, Manuel Alegre estaria agora numa melhor posição para pensar numa segunda volta. Mas se não o fez é porque a sua matriz assim o exigiu.

 

Vamos aguardar pelo desenvolvimento da campanha; tenho ideia que fará com que Manuel Alegre se reencontre.



paulo guilherme trilho prudêncio às 22:00 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

 

 

Tem aqui mais um episódio do compromisso que resultou em cooperação estratégica.



paulo guilherme trilho prudêncio às 18:11 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 01.12.10

 

 

 

Cavaco afirma que há "um problema de qualidade" na democracia portuguesa



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:00 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 30.11.10

 

 

As cassetes quinquenais do século passado resultarão neste?

 

 

Cavaco Silva pede vitória clara para o país encontrar rumo



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:32 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Quarta-feira, 03.11.10

 

 

O actual presidente da República é um político profissional, previsível e sem chama ou rasgo. Noutro dia escrevi assim num post: "mesmo com o caso BPN com muito por explicar, Cavaco Silva é candidato com, segundo ele, trabalho feito nos últimos cinco anos. Os resultado falam pelo candidato. Alguns políticos profissionais são mesmo assim: desdenham da política e descartam os mais próximos como quem anda distraído, nem que se esteja a falar de conselheiros de estado escolhidos com critério".

 

Não tardou muito e lá apareceu uma notícia onde o candidato-presidente se tenta "afastar" da profissão que exerce há mais de 20 anos. Uma actividade que se sabe ser nobre, mas que tem sido mal tratada. Diz assim: "Cavaco Silva publicou ontem na rede social Twitter (cavacosilva2011) duas frases sobre a classe política – perto das 22h00, escreveu “vejo com muita apreensão o desprestígio da classe política e a impaciência com que os cidadãos assistem a alguns debates”; e, poucos minutos depois, “a actuação do Presidente da República não pode contribuir para o espectáculo público de cinismo ou de agressividade(...)”.



paulo guilherme trilho prudêncio às 13:02 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Segunda-feira, 01.11.10

 

 

 

Cortesia de Idalino Moura.

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 22:41 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Quarta-feira, 27.10.10

 

 

 

Com isto sem vida, as previsões no mundo perderam a credibilidade. Há muitos que não se dão bem sem um polvo.

 

Mesmo com o caso BPN com muito por explicar, Cavaco Silva é candidato com, segundo ele, trabalho feito nos últimos cinco anos. Os resultado falam pelo candidato. Alguns políticos profissionais são mesmo assim: desdenham da política e descartam os mais próximos como quem anda distraído, nem que se esteja a falar de conselheiros de estado escolhidos com critério.

 

Mas voltando ao início. Sem os moluscos o mundo fica às avessas, realmente. Nada se consegue prever. Até o acordo do dia seguinte parece comprometido. O pessoal do bloco central parece não se comover com o calendário "salvador" do agora candidato. O país não está mesmo em boas mãos.



paulo guilherme trilho prudêncio às 14:53 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 23.10.10

 

 

 

 

Veste-o na partida para a derrota ou despe-o para o agora é que vai ser? Qualquer das interpretações é pouco rigorosa. Em regra a reeleição é garantida e cinco anos depois a má moeda instalou-se, o santo-do-rigor-financeiro-e-no-mais-só-de-papel-na-mão nada impediu e ainda viu a sua entourage mergulhada para além do pescoço em negócios pouco claros na índole financeira. Como os tempos são surpreendentes para o poder instalado, qualquer das regras poderá não ser cumprida.

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 15:14 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sábado, 09.10.10

 

 

A entrada na década de oitenta do século passado iniciou um período de incertezas que se veio a acentuar com a globalização. Portugal caminhou no século XX em ritmo diferente das outras sociedades europeias, mas, e com a entrada neste milénio, fez questão de anunciar ao mundo que aprendeu depressa e que se tornou numa referência de instabilidade. Baralhamos um bocado as coisas.

 

As sondagens em Portugal, pelo menos nesta década, não são confiáveis. As últimas preenchem as variadas expectativas. Nas legislativas, os partidos do centrão tão depressa obtêm uma maioria absoluta como a derretem em dois ou três tempos; andam pelo empate técnico.

 

A tradicional reeleição do presidente da República consegue entrar no campo das dúvidas. O actual presidente obtém 55% contra 30% do seu principal opositor. Na sua primeira eleição, Cavaco Silva começou com 62% e terminou com 50 vírgula qualquer coisa. A derradeira semana de campanha revelou o que sempre se soube: o ainda presidente quando saiu do domínio da economia perdeu votos em ritmo acelerado. O argumento financeiro foi o seu toque de Midas: uma espécie de santo protector. Ora, se a mais-valia financeira não evitou a pré-bancarrota, a necessidade de uma segunda volta nestas eleições começa a ser um dado real.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:21 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sábado, 25.09.10

 

 

Um apoiante fervoroso das desastrosas políticas educativas dos últimos cinco anos treme por causa da sua reeleição. Segundo a última sondagem para as presidenciais, o actual presidente já só obtém 55% das intenções de voto e Manuel Alegre 33%.

 

Para Cavaco Silva descansar tinha de partir de um valor superior a 60%. Foi assim nas últimas presidenciais. Com o destapar da campanha obteve uns 50 e pouco. Por um triz não se realizou uma segunda volta.

 

Se Manuel Alegre conseguir "desamarrar-se" tudo pode acontecer.



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:47 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 19.09.10

 

 

 

Percebe-se Manuel Alegre. Uma segunda volta das presidenciais pode ser-lhe favorável. E já sabemos como a história dos tabus de Cavaco Silva tem consequências imprevisíveis. Para além disso, a derradeira semana das últimas presidenciais destaparam as conhecidas fragilidades do actual presidente.

 

Para Cavaco Silva as propostas de revisão constitucional do seu PSD são nuvens negras e basta olhar para as consequências que tiveram nas sondagens recentes de Passos Coelhos. A direita começa a dar sinais de inquietação.

 

Mas quando Manuel Alegre fala de direita, não se deve esquecer que está também a dirigir-se a uma parte do seu PS. Há uma direita dos interesses que o único medo que tem no domínio político é que fechem os offshores. E Manuel Alegre beneficia em reclamar o apoio desse PS?

 

 

Manuel Alegre: Direita “está com medo que eu vença as eleições na segunda volta



paulo guilherme trilho prudêncio às 17:24 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sábado, 21.08.10

 

 

Um livro de Barach Obama estava em cima da secretária do candidato presidencial no momento da entrevista. Para Fernando Nobre a divisão esquerda versus direita está ultrapassada e é mais um problema do que uma solução. O candidato espera ter votos de eleitores do CDS ao BE.

 

Fernando Nobre: "Não evoco a cidadania apenas por um mero objectivo conjuntural"

 

"Candidato acredita que com Obama o paradigma da política mundial mudou e propõe-se contribuir para que Portugal faça parte dessa nova ordem.(...)"



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:30 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 16.07.10

 

 

 

Ou a intenção é dividir para manter o trono?



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:00 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quarta-feira, 14.07.10

 

 

Associar a blogosfera docente a um movimento onde existe pensamento único é revelador de desconhecimento. Há posições divergentes sobre a ideia de escola e, naturalmente, a propósito das ideologias. Sempre que se aproximam actos eleitorais, há a tendência para se descobrir alinhamentos e para engavetar blogues conotando-os com esta ou aquela candidatura. É evidente que um blogger pode afirmar a sua posição, só que isso estará longe de influenciar eleitores que são esclarecidos e que votam por mil e um motivos e não apenas pelo posicionamento dos candidatos em relação aos assuntos da Educação.

 

Dito isto, e considerando-se as eleições presidenciais, importa situar os candidatos. Não tenho qualquer dúvida em inscrever Cavaco Silva num registo que aceita a democracia e a liberdade. O actual PR é um social-democrata chegado a valores conservadores nos temas mais fracturantes. Tirando os assuntos da economia (o seu grande trunfo e que de muito pouco valeu, diga-se), onde se revela conhecedor embora um bocado repetitivo, nos restantes temas manifesta pouco rasgo e uma acentuada falha de visão. Não votaria em Cavaco Silva para presidente.

 

Tenho admiração pelas posições cívicas e políticas de Manuel Alegre. É um poeta de primeiríssima água e uma figura importante da nossa democracia. Não lhe conheço capacidades executivas, nem para o caso em apreço isso é decisivo, e penso que daria um bom presidente.

 

Nos temas da Educação Cavaco Silva não foi apenas um cooperante estratégico com as nefastas políticas do governo; foi um apoiante devoto. Manuel Alegre defendeu abertamente o poder democrático da escola. É bom que se sublinhe esse facto que lhe garante uma pública animosidade no partido do governo. É evidente que registei a sua necessidade em evitar rupturas com o seu histórico partido. Talvez só ele possa responder, mas notou-se um tacticismo eleitoral que não apreciei.



paulo guilherme trilho prudêncio às 23:27 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Terça-feira, 13.07.10

 

 

 

O actual presidente da República apoiou de forma incondicional e estratégica as políticas da anterior ministra da Educação. Nunca se ouviu uma frase a propósito do novo modelo de gestão e da sua lógica centralista e de assumida viragem contra as autonomias. As intervenções do PR a propósito das referidas políticas eram sempre num registo de apoio e com recados para os professores.

 

Eis que se aproxima a campanha eleitoral e o vale quase tudo entra em campo. É por estas e por outras que a bancarrota nos ameaça constantemente. Ora leia estas afirmações do actual PR, a reportagem toda encontra-a aqui, e tire as suas conclusões.

 

 

"(...)Exigiu por isso, ao Governo mais para as escolas e aos pais mais atenção: “Precisamos de mais poderes, precisamos de mais autonomia, eles fazem milagres, mas os pais não podem entregar a criança de manhã na escola deixá-la lá até às sete da tarde e dizer resolvam tudo”, advertiu Cavaco Silva, considerando que Portugal precisa de “ir buscar o exemplo àqueles países em que a escola é assumida com orgulho por toda a comunidade.(...)"



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:44 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Domingo, 20.06.10

 

 

 

Os católicos mais-mais-à-direita refilaram por causa dos casamentos gay. O PR recompensou-os com o funeral de Saramago. Se também é assim na economia, por que não um poeta?



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:00 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Domingo, 30.05.10

 

PS aprova apoio a Alegre com 10 votos contra



paulo guilherme trilho prudêncio às 22:17 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sábado, 29.05.10

 

 

A direita começa a dar sinais de nervosismo e a temer uma segunda volta das presidenciais entre Cavaco Silva e Manuel Alegre. Assunto que foi aqui prognosticado.

 

 

 

Vê melhor aqui.



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:00 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 02.05.10

 

 

 

Foi daqui

 

 

A idiossincrasia política portuguesa não é, como se sabe, muito fácil de perceber. Nos últimos 30 a 40 anos manifestaram-se duas maiorias: uma de centro-esquerda, digamos assim, que tem a sua latitude máxima mais centrista na franja social-democrata do PSD e uma outra de raiz católica (muito pouco praticante, diga-se) mas que balança o país para o bloco central com uma cedência abençoada ao chamado arco-do-poder e com a ideia de aturar as diabruras da esquerda mais radical mas acantonando-a nos sindicatos. Ou seja, em termos de governo o país chega-se à direita, mas o contra-peso da presidência da República chega-se à esquerda; até Cavaco Silva PR foi mais ou menos assim.

 

E é exactamente este imbróglio exclusivo que os outros europeus já resolveram: nos governos do centro e do norte do continente cabem todos. Em Portugal há uma expressão que exclui à partida e que até parece que assusta: frentismo. Como se o frentismo fosse apenas de esquerda e perigoso precisamente por isso. É errado. Há um frentismo de direita na candidatura de Cavaco Silva, por exemplo, que tem a sua latitude máxima centrista na ala direitista do PS. E nesse frentismo estão incluídos radicais tão "perigosos" como os tais da frente contrária, com os resultados que todos conhecemos na actualidade. Há muitos saudosos do salazarismo, por exemplo, que se revêm nessa candidatura; apenas a tal maioria de costumes conservadores impede a sua identificação.



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:20 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sexta-feira, 30.04.10

 

Cinco anos depois da primeira maioria absoluta de um partido de esquerda (pelo menos teoricamente), e com todas as condições para governar - até com uma cooperação estratégica com o actual presidente da República -, a esquerda portuguesa corre sérios riscos de ser "varrida" do mapa por uns tempos largos. E a suprema das ironias, é que tal acontece numa fase em que as políticas neoliberais empurraram o mundo para a catástrofe que se conhece. O actual PS tem todas as responsabilidades nesta previsível e acelerada queda: não só pelas políticas incompetentes que praticou, mas também por ter cavalgado, de forma despudorada, a agenda económica, financeira e social da direita neoliberal.

 

Resta a presidência da República. Dos dois principais candidatos, não consigo perceber as supostas vantagens de Cavaco Silva nas questões económicas e financeiras; os resultados comprovam-no. Por outro lado, o actual presidente não revela chama nem oratória para mobilizar o país e parece agir condicionado pelos recentes envolvimentos de pessoas da sua confiança em escândalos financeiros. A Manuel Alegre pode apontar-se o risco de promover uma espécie de frentismo de esquerda; mas é apenas uma impressão. O ex-deputado está a partir daí, mas estou convencido - e a exemplo das últimas presidenciais - que com o desenrolar da campanha muita coisa pode mudar. Se Manuel Alegre não for capaz de promover uma dinâmica de vitória, a esquerda ficará à deriva e só o tempo e um outro PS poderão criar uma alternativa válida de poder.

 

Barómetro: PSD ultrapassa PS pela primeira vez desde que Sócrates é líder



paulo guilherme trilho prudêncio às 15:00 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

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Só a instituição Maria de Lurdes Rodrigues foge ao...
Excelente texto. Partilhei.António Santos.
Os professores "lutadores" evaporaram-se do meu fó...
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Obrigado APre. É hora de união Rute, parece-me.
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