Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 30.05.17

 

 

 

Por acaso, está patente na Alfândega do Porto a exposição "Leonardo da Vinci - As invenções do Génio". O homem do renascimento, que criou uma Geringonça (imagem), não imaginaria que um dos seus delírios náuticos transformasse turismo em petróleo e provocasse um crescimento económico que espanta esse mundo "rigoroso" que não suporta veleidades. É coisa de génio, realmente. Os austeros da escola de Schäuble têm razão e devem pensar na mala para o violão.

Por muito que custe aos avessos a qualquer curiosidade científica, há mérito português. É certo que o plano de Centeno escolhia a subida do consumo interno; não se verificou, apesar da reposição de salários e das condições interessantes que podem acontecer no futuro próximo. Mas é uma lição política para os que adivinhavam uma catástrofe com um Governo apoiado numa Geringonça. Nem as sucessivas viagens em direcção à bancarrota (conduzidas pelas "elites" que guiavam - e se guiavam - o antigo arco governativo), esmoreciam o discurso só-arco-fim-da-história. Portugal recomenda-se, o plano de Costa e Centeno, que levou Passos Coelho, em pleno parlamento, às lágrimas de tanto rir com as ousadias científicas, é olhado como alternativa numa Europa mergulhada em problemas de navegação. Quem diria. 

 

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 A Geringonça. Leonardo da Vinci.



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Quarta-feira, 17.05.17

 

 

 

Sete razões que explicam o forte crescimento da economia portuguesa no primeiro trimestre



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Terça-feira, 02.05.17

 

 

 

"Portugal é o terceiro país da Europa com mais trabalho temporário". E é assim. Se pedirem uma opinião aos outrora exemplares da bancocracia, decerto que ouvirão que não temos investimento por causa da rigidez do código do trabalho. Somos superados pelos "canalizadores" polacos e pelos "camareros" espanhóis. Sabe-se que Berlim é a cidade europeia com mais mini-jobs e que a Alemanha vive numa espécie de quadratura do círculo. Se continuar a aplicar a receita que destinava aos povos que se desorientam em vida desregrada, a extrema-direita terá espaço eleitoral para progredir.



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Domingo, 22.01.17

 

 

 

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Domingo, 15.01.17

 

 

 

Francisco Balsemão tem um pequeno texto, "Democrata, Estadista, Homem de Cultura e Bom Amigo", na revista do Expresso de 14/01/2017:97 dedicada a Mário Soares, com 22 parágrafos. Percebe-se que tem muito para contar e, por isso, torna-se mais significativa a escolha do episódio seguinte: "(...)Raul Rego convidou-nos para um almoço(...)que pareceu permitir a criação, logo ali, de um ambiente de confiança um no outro. Qual não é o meu espanto, quando, três ou quatro dias depois, recebo(...)uma carta, em papel timbrado, "Mário Soares, Advogado, Rua do Ouro", escrita à mão com uma letra parecidíssima com a de Mário Soares, em que praticamente ele me insultava, dizia que o almoço tinha sido uma desgraça,(...)Eu fiquei chocado, peguei no telefone(...): "Mas o que é isto? O almoço correu tão bem e agora você vai-me escrever uma carta insultuosa". E ele respondeu: "Eu não escrevi carta nenhuma, vou já aí falar consigo".(...)A PIDE tinha-nos visto almoçar(...)e forjou uma carta". Estes procedimentos nunca morrem de vez, naturalmente, e as redes sociais não só os ampliam, como os tornam ainda mais possíveis. Como a democracia não é eterna, e continua com limites frágeis, são cada vez mais os que erguem a voz em sua defesa como uma valor inalienável num espaço privilegiado de consolidação: o sistema educativo.

 

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Sábado, 07.01.17

 

 

 

Mário Soares, uma das referências, provavelmente a maior, da política portuguesa do século XX, morreu hoje, em Lisboa. Ouvi, ao longo de mais de 40 anos, as opiniões mais diversas sobre a sua acção política. Votei em Mário Soares na segunda volta da sua primeira eleição presidencial e para o segundo mandato.
Há palavras que me lembrarão Mário Soares: liberdade, democracia, tolerância, modernidade, Europa e coragem. Quem, como eu, era adolescente moçambicano em 1974, viveu as décadas seguintes em Portugal e ama a liberdade e a democracia, recorda-o com a melhor memória política e cívica.

Que descanse em paz.

 

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Quarta-feira, 27.07.16

 

 

 

"Bruxelas propõe, por consenso, cancelamento de sanção a Portugal". É bom que se refira que é relativo ao orçamento PàF de 2015. Era o que estava para ser sancionado. Não foi. É justo e contraria os ensandecidos com a caminhada da Geringonça. Os neoliberais estão desorientados. Leio que os professores andam mais satisfeitos por causa dos salários. Enfim. Será que os opinadores e comentaristas não sabem que as carreiras estão há mais de oito anos congeladas e que há milhares de professores com salários líquidos pouco acima dos 1200 euros que não beneficiam de qualquer reposição salarial? O que a actual execução orçamental começa a comprovar é que não há qualquer caos com a redução de impostos para pequenos empresários e com a reposição de salários e pensões. Mas isso não esconde o que falta fazer e o Governo sabe-o muito bem. O episódio sanções evidencia uma diferença entre uma PàF-bom-aluno e a uma geringonça mais autónoma.

 

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Quarta-feira, 13.07.16

 

 

 

"Vais marcar," é o que se diz a todo o avançado que é lançado no jogo. Quando a "profecia" se concretiza, uma em mil, transforma-se num crente feeling. Compreende-se os protagonistas. Aceita-se. Não se espera diferente. Já um PR deixar escapar uma escapadela a Fátima também se aceita. Da figura não se espera diferente. São feelings. Se a antevisão mediática de um jogo chegava com dois dias e o rescaldo com outros dois, a partir de agora será permanente. São feelings para todos. É irrefutável a festa. Nem os exemplares islandeses escapam à globalização. Pode o Deutsche Bank ter o destino do Lehman Brothers que os pobres portugueses sonharão com a oportunidade futebolística de ouro para os filhos, como substituição escolar, enquanto uns quantos dirigentes lá vão premiados para os Goldman Sachs deste mundo.

 

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Segunda-feira, 11.07.16

 

 

 

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Rui Patrício e Ronaldo não se contiveram.



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Domingo, 10.07.16

 

 

 

 

Numa final em Paris, é natural que a França parta com algum favoritismo. Mas Portugal tem argumentos para vencer e é isso que todos desejamos.

 

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Imagem do Expresso 

 



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Quinta-feira, 07.07.16

 

 

 

Pode ver aqui um vídeo interessante do Expresso sobre Salgueiro Maia.

 

"A história definitiva do homem certo no sítio certo no dia certo. Que falava alto, que cantava desafinado, que não se encolhia, que foi maltratado depois de protagonizar História, que enganou enquanto pôde o que a tristeza lhe tirou na infância e na morte – o direito a ter o que é devido. Um herói português."

 

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Quarta-feira, 06.07.16

 

 

 

Portugal dominou o jogo com o País de Gales com uma exibição convincente. De Rui Patrício a Ronaldo, é difícil destacar as melhores exibições tal a qualidade competitiva de todos. Um dado importante para certificar a capacidade desta equipa é o fenomenal Cristiano Ronaldo. Um jogador não é suficiente (Bale e Gales provaram-no), mas pode desequilibrar se bem acompanhado como é o caso de Portugal. Nestes jogos, com esta carga emocional, é raro um grande jogador ser tão determinante e, agora, tudo pode acontecer.

 

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Domingo, 03.04.16

 

 

 

Portugal não se libertará tão cedo da condição de protectorado (Draghi no Conselho de Estado é mais um exemplo). Não se trata apenas da tímida Federação de Estados Europeus que permite a arrogância de alguns comissários sem legitimidade democrática.

 

O que mais surpreende é a venialidade às posições do errante FMI. O que é que se passa? O FMI, que nos dias pares confessa erros graves e nos ímpares "alarma-se" com qualquer sinal não austeritarista, publica relatórios inundados de lugares comuns e depois tem parangonas na abertura de telejornais? E é endeusado nos congressos da oposição? É espantosa, e misteriosa, a condição de protectorado (por exemplo, leia: FMI apanhado a planear nova bancarrota na Grécia; pode saber mais aqui).



publicado por paulo prudêncio às 11:50 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 29.03.16

 

 

 

"Os portugueses se atormentam, se perseguem e se matam uns aos outros, por não terem entendido que o Reino, tendo feito grandes conquistas, viveu por mais de três séculos do trabalho dos escravos, e que perdidos os escravos era preciso criar uma nova maneira de existência, criando os valores pelo trabalho próprio".

 

Mouzinho da Silveira, 1832

(Citado por Eduardo Lourenço em

"O labirinto da saudade", 1972:9)

 

 

(1ª edição em 22 de Setembro de 2011)



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Segunda-feira, 15.02.16

 

 

 

E "assim vai o mundo" é a primeira ideia que me aparece na mente ao ler a notícia. O entre aspas era o título de um pequeno documentário que antecedia um qualquer filme nas salas de cinema. "Assim vai o mundo" e a vida de milhões de pessoas; acrescente-se em modo de um perigosíssimo casino.

 

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Sexta-feira, 25.09.15

 

 

 

 

"Assistimos a um repetido frentismo de direita que é "impossível" à esquerda. Os portugueses foram formatados por essa agenda de direita que tem raízes no período anterior ao 25 de Abril", disse o historiador na TSF. É uma agenda muito parecida com o "tudo estava mal na escola pública" que nasceu logo na década de noventa do século passado. Como na política os extremos tocam-se, as democracias procuram o centro político e daí as maiorias silenciosas e os arcos governativos. A democracia portuguesa não se liberta de algumas heranças, isso "apaga" as memórias e dai a "o fechar de olhos" para o frentismo de direita enquanto se diabolizam coligações à esquerda. Para a tese vigente, os esquerdistas são os únicos tresloucados promotores da bancarrota. Mesmo que os factos demonstrem o contrário, a agenda de direita renova-se com todo o desplante e uma qualquer aliança à esquerda é de imediato anulada pela própria esquerda que integra a maioria silenciosa. Até o fervor com que a direita apoiou o socratismo de 2005 a 2009 é agora obliterado enquanto se quer convencer as pessoas que o buraco BES de 2015 é défice "virtuoso" ao contrário, por exemplo, do BPN e BPP de 2011. Quatro anos de frentismo de direita tem o resultado conhecido: mais dívida, défice com truques contabilísticos e emigrações e quebras na natalidade com prejuízos ainda incalculáveis.

 

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Sábado, 22.08.15

 

 

 

 

Estar uns oito dias por Viena permite sentir o pulso a uma cidade sem fim. Havia programa para triplicar o tempo da estadia. Arquitectura, modernidade, história, design, artes em sucessão e tudo pensado para quem vive ou anda por ali. Em Viena olha-se o céu e escapa-se ao cabisbaixo fatalismo local que se sente pouco depois do regresso: saliência para as pedras da calçada enrugadas por décadas de caciquismo e de jogos de poder sem mais.

 

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Museumsquartier. Mumok museum. Viena. Agosto de 2015.

 

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 Graben. Viena. Agosto de 2015.



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Sábado, 18.07.15

 

 

 

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Academia das Ciências de Lisboa, Fevereiro de 2015.

 



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Segunda-feira, 23.02.15

 

 

 

Se há herança que remonta à ditadura do século passado é o medo de existir e de expressar uma opinião contrária ao poder vigente.

 

Na história recente prevaleceu, custe o que custar a admitir, a escola de Cavaco Silva. O não à política, o não à ideologia, o apontar de dedo aos adversários como "os políticos" ou "os revolucionários" fez uma escola recheada, essa sim, de fanatismo ideológico disfarçado de servilismo, cheia de oportunismo e de preconceitos, de "sem-face" e de silenciosas campanhas de bastidores. Não raramente, os "cavaquistas" assegurariam a virtude nos trajes mais cinzentos, o mais do mesmo em respeito à ordem e ao bom nome, as contas "certas" na defesa dos desfavorecidos e, acima de tudo, não fariam ondas em nome do pragmatismo e da obediência às hierarquias. É o que se vê, realmente.



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Quinta-feira, 19.02.15

 

 

 

 

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