Em busca do pensamento livre.

Quarta-feira, 18.10.17

 

 

 

 

Já não consigo ouvir os repetidores da urgência das "reformas estruturais". Foram tantos os reformadores que o Estado ficou sem norte. Quem os ouve, até julga que aterraram ontem. No caso das escolas, que conheço melhor e que foram alvo de reformas do outro mundo, só não caem em calamidade visível porque a natureza é outra e a mediatização também. Aliás, se em vez de autarquias tentadas a "gerirem" empresas, escolas, hospitais e tribunais, elegêssemos autarcas com competências, responsabilidades e instrumentos para a gestão do território, talvez a agenda mediática não desolasse tanto. É evidente que essa municipalização obedecia ao questionamento de uma qualquer, e poderosa, norma-travão-oligárquica que explica tragédias visíveis e um sem número de invisíveis.

 

Nota: as incontestáveis alterações do clima não explicam a desertificação do interior nem o abandono da floresta e da agricultura. Num momento destes, seria bom que os protagonistas políticos olhassem para a história das suas organizações.

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PATRÍCIA DE MELO MOREIRA / AFP / GETTY IMAGES



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Quarta-feira, 11.10.17

 

 

 

"Bruxelas avisa: mais professores obriga a melhores resultados". As conclusões destes "estudos" nunca nos surpreendem. Aumento da idade da reforma, cortes a eito, mais alunos por turma, afunilamento curricular, vinculação por "exigência" de Bruxelas (até é risível) e por aí fora serão detalhes estrangeirados. E depois estranhamos que as soberanias regionais se sobreponham à europeia.

 

 



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Sexta-feira, 06.10.17

 

 

 

Discordar, contestar e não desistir são conjugações verbais da democracia tão imperativas como errar, corrigir e ouvir.

Governo e sindicatos já acordaram a antecipação do concurso interno de 2021 para 2018 como reparação. Não ouviram antes de 25 de Agosto e podiam tê-lo feito. É agora tão difícil assim atenuar a injustiça dos que são considerados como pouco numerosos? E não é apenas porque a memória nos mostra que é deste modo que nascem grandes confrontações: a exasperação com a injustiça é imprevisível num grupo à beira de um ataque de nervos. É também porque se registam tiques de soberba maioritária associados à ideia de substituição da actual fórmula parlamentar por um bloco central. Seria, na minha modesta opinião, mais uma grande oportunidade perdida.



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Quarta-feira, 27.09.17

 

 

 

 

Ficaram professores por colocar? Sim; em poucos grupos de recrutamento (uma modernice vocabular recente e evitável) é um facto. Mas uma passagem pelas listas dos professores não colocados ou de reservas de recrutamento, regista um número reduzido (ou ausência) de candidatos para várias disciplinas. É uma tendência que se agrava e que abrirá telejornais. Com a "eterna" precarização dos professores contratados (há quase duas décadas nos vínculos e salários) associada ao estatuto de cobaia na avaliação kafkiana (e de moeda de troca entre governos e sindicatos) e passando por um processo de desconsideração profissional, é natural que os jovens desistam de "ser professor" e que os menos jovens optem por outra actividade no país ou no estrangeiro.

 

PS: se nada se fizer no estatuto dos professores do quadro, as condições de aposentação associadas ao burnout provocarão uma avalanche de insubstituíveis. Aliás, basta que o inverno se imponha.

 

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Imagem obtida na internet

sem referência ao autor



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Quarta-feira, 20.09.17

 

 

 

 

Como é isto possível? Um deputado do PS a contrariar o seguinte mal menor que escrevi há dias de acordo com declarações que li: 

 

"O Ministério da Educação abrirá concursos de professores (interno, mobilidade interna e por aí fora) para o ano 2018/19. Antecipa o concurso interno em três anos e com isso permite um recomeço nas fases seguintes. Já agora, era bom que se esclarecesse se o concurso de mobilidade interna respeitará de novo a graduação profissional. Dito isto, sublinha-se que os erros cometidos em 25 de Agosto de 2017 já não retiram um ano de grave injustiça para muitos professores e ponto final. Era escusado."

 

Ora veja:

 

 



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Segunda-feira, 18.09.17

 

 

 

 

Foram mais de dez anos de cortes na escola pública. Os progressos nos resultados internacionais devem-se ao aumento da escolarização da sociedade. Quando se exige a mudança de paradigma (vocábulo que uso menos), é no sentido organizacional que leio o imperativo. Não foram só as sucessivas "reformas", baseadas em retrocessos civilizacionais ou em guerra confessada aos professores da escola pública, foi o clima que se instalou que suprimiu o pensamento sobre o futuro. E não é apenas a saúde orçamental do Estado de direito. Trata-se da recuperação democrática da rede pública de escolas, sem que isso avalie negativamente o esforço dos actores num sistema com tal grau de instabilidade e incongruência.

 

Usei parte deste texto noutro post.



publicado por paulo prudêncio às 13:45 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 14.09.17

 

 

 

 

Cansados com a falta de pontualidade no tempo inicial dos alunos com 5 e 6 anos, os professores conseguiram que a escola instituísse uma multa em dólares para os atrasos. E o que é que aconteceu? Os encarregados de educação "integraram" a multa na mensalidade e o número de atrasos subiu. A escola ficou numa encruzilhada com a passagem da multa a taxa. O planeamento dos professores ficou ainda mais difícil. Encontra este e outros exemplos que ajudam a pensar no livro de Michael J. Sandel: "O que o dinheiro não pode comprar - os limites morais dos mercados".

 


3ª edição do post

 

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Terça-feira, 12.09.17

 

 

 

 

Como há muito se sabe, a taxa de conclusão do ensino secundário (escolaridade obrigatória) em Portugal continua longe do aceitável. O "Relatório da OCDE destaca as altas taxas de abandono dos estudantes nacionais. Cerca de 40% dos nossos alunos não conseguem concluir o secundário em três anos. Mais de metade da população ativa portuguesa não tem o ensino secundário e apenas cerca de 60% dos alunos que entram nesse nível de ensino conseguem concluir os estudos sem atrasos significativos. Esta é uma das principais conclusões do Education at a Glance 2017, o relatório que analisa a educação nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Tendo em conta dados de 2016, cerca de um terço (31%) dos jovens adultos entre os 25 e os 34 anos abandonaram o secundário, quase o dobro da média da OCDE. Para a OCDE este é mesmo um dos grandes desafios do nosso país: "em primeiro lugar assegurar o acesso à educação e depois assegurar que os estudantes completam os estudos..."

 

Adenda:

"...PROFESSORES: UMA PROFISSÃO EM CRISE.

Entre os aspetos que são destacados na apresentação do "Education at a Glance" há ainda referência à situação dos professores, que são a "espinha dorsal" de qualquer sistema educativo. No entanto, alerta-se, "a profissão está a tornar-se cada vez menos atrativa para os jovens e a população docente está a ficar cada vez mais velha".

Não é a regra em todos os países (Portugal é uma das exceções), mas os professores ganham, em média, menos do que outros trabalhadores com qualificação superior. E a crise iniciada em 2008 não ajudou: "Entre 2005 e 2015 o salário dos professores diminuiu em termos reais num terço dos países", lembra a OCDE...."



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Quinta-feira, 07.09.17

 

 

 

 

"O número de professores que requereu a reforma é o mais baixo de sempre", concluía-se novamente num debate radiofónico. Repitamos: a causa está identificada: a idade da reforma está nos 66 anos com penalizações indecorosas nas antecipações, num grupo profissional que se reformava entre os 56 e os 58 (52 no pré-escolar e 1º ciclo) com 35 anos de serviço.

Como a degradação da carreira está inamovível - congelamentos, componente não lectiva em modo inútil, "legislês" nas reduções por idade, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, hiperburocracia, concursos com injustiças e horários zero -, temos os professores à beira de um ataque de nervos (há muitas escolas em que os mais jovens têm mais de 40 ou 50 anos de idade) quando se aproxima outro recomeço.

 

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 Imagem obtida na internet

sem referência ao autor

 

2ª edição



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Quarta-feira, 30.08.17

 

 

 

 

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Antero



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Terça-feira, 29.08.17

 

 

 

Os horários incompletos causam injustiças nos concursos. É injusto que um professor do quadro colocado até 25 de Agosto (apenas para horários completos), veja, posteriormente, professores do quadro menos graduados serem colocados em horários incompletos mais perto da residência; e sem cortes no salário, como é justo. A culpa é de quem administra. E ninguém garante que não aconteça o mesmo com professores contratados. 

Quem acompanha o sistema sabe, e há muito, que eliminar a quase totalidade dos horários incompletos não seria financeiramente significativo. Houve governantes que tentaram acabar progressivamente com a praga. Em vão. Não por acaso, o Governo declarou recentemente que a gestão financeira dos funcionários públicos passará das finanças para a presidência do conselho de ministros. Está em causa a tomada de decisão com conhecimento mais efectivo - e não aparente, difuso ou preconceituoso - das variáveis: "O objectivo é valorizar a dimensão humana e profissional da administração pública e fazer com que os trabalhadores públicos deixem de ser olhados apenas como números e como uma área do Estado em que é possível cortar despesa".

OE2016 da educação foi de 6 mil milhões (5.843,3 milhões de euros). Contrataram-se 7306 professores na fase inicial (uns 1500 com horário incompleto). Consideremos 20000 no total. Mas é possível fazer este estudo com mais rigor. Se os horários incompletos reduzirem 500 euros anuais médios por professor, a poupança será de 750 mil euros em 6 mil milhões (como exemplo, o aumento para os "privados" escolares no OE2016 foi de 14,4 milhões de euros). O fim dos horários incompletos reduziria, por exemplo, contratações para substituições temporárias. Pensando um bocado - mas depois ficávamos o dia toda a elencar benefícios -, concluiríamos que 750 mil euros é um número por cima e que o real equivalerá a umas dezenas de boys&girls&assessorias que pululam pela capital.

 

Nota: há aspectos positivos na vinculação de mais de 3000 professores contratados. Sem dúvida. Mas não há acréscimo financeiro significativo com a medida. As carreiras estão congeladas e, para além disso, esses professores entram na carreira como se tivessem zero anos de serviço. E depois, há milhares de contratações para suprir baixas médicas. O burnout também passa pelo modo de distribuir o serviço docente; e isso relaciona-se com o impensado dos horários incompletos. Já agora, e assim de repente, parece-me possível refazer as listas de 25 de Agosto com os horários todos e ponto final.

 

 

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Antero



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Sábado, 26.08.17

 

 

 

 

Aqui.



publicado por paulo prudêncio às 11:29 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 29.07.17

 

 

 

 

É consensual a necessidade de um programa especial de aposentações para professores. Para além disso, tornou-se irrefutável que a profissionalidade docente exige reduções da componente lectiva com a idade. Parece escusado este sublinhado inicial, mas não é: a história assiste vezes sem conta a repetições. A segunda variável, assumida até durante a ditadura, foi "esquecida" na última década: redução máxima apenas aos 60 anos (no primeiro ciclo e no pré-escolar já não existe aposentação antecipada), aumento da componente lectiva e componente não lectiva recheada de inutilidades que acentuam o desgaste profissional.

Discordo das classificações de corporativismo (e este tem virtualidades) baseadas no estatuto que já existiu. E o discurso ainda mais difícil de perceber tem origem em professores mais jovens que discordam que um professor acima dos 50 anos de idade (e aos 27 anos de serviço, como era o caso) leccione 14 aulas por semana e beneficie de redução da componente lectiva para o exercício de cargos. Acrescentam, agora e para estupefacção quase geral, que os descongelamentos da carreira cheguem em último lugar aos professores com idade mais avançada. Acham que o descongelamento deve começar pelos mais jovens. Acham que a transversalidade é corporativa e escrevem-no como um acto de coragem que fará sorrir os envolvidos no Panamá Leaks. Mudarão de opinião quando a sua idade avançar e talvez nessa altura compreendam o número elevado de baixas médicas que se regista há anos a fio e entendam o clima de burnout que se generalizou numa classe profissional com uma elevada média etária e com tantos servidores da causa "dividam-nos que reinaremos".

 

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publicado por paulo prudêncio às 13:28 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 14.07.17

 

 

 

O estudo da especialização desportiva percebeu, há muito, que existe um esgotamento das capacidades volitivas. O corpo reage. A energia psicológica não é inesgotável. É também por isso que se contraria a precocidade na especialização desportiva. Os modelos de formação bem sucedidos são graduais na exposição aos quadros competitivos e "exigem" que as políticas de competição escolar (as mais diversas e não apenas as desportivas) destinadas às crianças sejam diferentes das aplicadas aos jovens e aos adultos. Em geral, quem começa muito cedo a competir como se de um adulto se tratasse atinge a saturação volitiva quando era esperado um rendimento que maximizasse as potencialidades desportivas. Os muito difíceis estudos empíricos neste domínio dão passos e são fundamentais para comprovarem os efeitos da saturação da vontade. O psicólogo Roy Baumeister é citado com importantes contributos. Criou o conceito "depleção do ego". É como se a vontade fosse um músculo que deixa de ser irrigado; acelera a queda de açúcar e cria um efeito geral de fadiga. Estes estudos são usados para explicar o burnout dos professores que tomam milhares de decisões diárias debaixo de forte ansiedade. Daí ao esgotamento é um passo frequente com o prolongamento, e a degradação, das carreiras associado a um indicador fundamental representado na imagem que acompanha o post: o número de horas de sono. Ou seja, abandonámos o tempo das incertezas em relação ao esgotamento da força de vontade.

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Sleep.

Salvador Dali



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Terça-feira, 20.06.17

 

 

 

Documento em discusão a 20 de Junho de 2017.



publicado por paulo prudêncio às 13:03 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 08.06.17

 

 

 

A entrevista de ontem (SIC) a António Costa começou com a greve dos professores. Estranhei, mas depois percebi que foi uma tentativa - o entrevistador revelou a conhecida parcialidade a favor dos 1% e andou aos papéis - de embaraçar o PM. Não resultou. O entrevistado compreende as razões dos professores. Concorda com as reivindicações e espera um acordo antes da greve.

Nunca foi fácil marcar uma greve, mas é mais difícil quando um Governo, como é o caso, está em alta justificada e tem um discurso democrático. Contudo, isso não remete as pessoas para a passividade. Mas mais: o que me custa sempre a compreender, são as vozes saltitantes. Pessoas que nos habituámos a ver defender as suas profissões e que agora diabolizam os sindicatos. Como alguém disse, e com piada, uma greve a 35 de Junho era consensual. Ou como bem disse António Costa, a greve é um direito, prejudica sempre alguém e, em casos justificados, existem serviços mínimos. Bem sei que boa parte dos tais saltitantes são militantes socialistas. Mas francamente: bem nos lembramos de 2012 e 2013, para não irmos mais atrás que ainda chegamos ao tempo de Lurdes Rodrigues e os encontramos a fazer a mesma triste figura.



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Quarta-feira, 07.06.17

 

 

 

A plataforma de sindicatos de professores é assim: as duas federações mais representativas, Fenprof (número um em associados) e Fne, convocaram uma greve aos exames para 21; uns seis sindicatos (alguns com mais dirigentes do que sócios) fazem-no para 14. Entretanto, um spin oportuno recorda que o Governo Pàf legislou novos serviços mínimos. Regressaram de imediato os tácticos: os Pàf impacientes e os PS-primeiro indignados com os sindicatos. Tudo no interesse dos alunos, sublinhe-se. Se o Governo fosse Pàf, invertiam posições. 

 

(vamos então à intemporalidade das reedições tal a falta de paciência)

 

Aprecio o humor, mas as anedotas desconcertam-me. Não sei a razão. A atenção fica pelo caminho. Quando me contavam, sorria por cortesia. Os amigos perceberam e deixaram-se disso. Não estão para sorrisos amarelos e fazem bem.

Tenho duas ou três para os raros apertos sociais. Uma é antiga e assim:

Numa regata a duas mãos (20 Kms de cada vez), com barcos de 12 tripulantes, participaram Portugal e o Japão. Na primeira mão, Portugal perdeu por 2 horas. Reuniu-se o comité. Nomeou uma comissão que concluiu: errada constituição da equipa: o Japão tinha 1 timoneiro e 11 remadores (1-11) e Portugal 1 timoneiro, 2 vice-timoneiros, 3 sub-timoneiros, 5 timoneiros adjuntos e 1 remador (1-2-3-5-1). Perante os factos, o comité alterou: 1 timoneiro, 1 vice-timoneiro, 4 sub-timoneiros, 5 timoneiros adjuntos e 1 remador (1-1-4-5-1). Na segunda mão, Portugal perdeu por 4 horas. Meses depois, o comité concluiu: a culpa era do remador.

 

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Quarta-feira, 31.05.17

 

 

 

Apesar da internet e da velocidade dos restantes meios de comunicação social, as análises também se condicionam pelo espaço físico. Ou seja, raciocinamos por indução e dedução. Constata-se a diversidade geográfica, mesmo num país pequeno como Portugal. Por exemplo, e pensando na blogosfera, observa-se o modo como a localização dos bloggers os posicionam no intenso espaço mediático da educação nos últimos anos. A municipalização e a rede escolar são casos ainda mais evidentes. Quem vive em concelhos onde não existem "privados" não estará tão sensível para o problema e o mesmo se passa com o grau do caciquismo na discussão sobre municipalização.



publicado por paulo prudêncio às 10:46 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 25.05.17

 

 

 

Desde a viragem do milénio que se detectou na massa crítica escolar centralizada (e algo estratosférica) a intenção de um mega-agrupamento por concelho (com excepções nas zonas metropolitanas). O argumento é a redução de custos. A massa crítica docente não fez, nem faz, o que devia para o evitar (dando razão ao nosso último monarca que, ao que consta, dizia "que somos um país de bananas governado por sacanas") e os mentores partidocratas preparam a ofensiva que designam por municipalização.

Repitamos: não é avisado qualquer aumento de escala com os instrumentos legais em vigor; a gestão de proximidade, e a consequente liderança, é um factor inalienável da gestão escolar. Haverá apenas um reforço: o pior da política partidária. O que urge é o movimento contrário, redução da escala, e o regresso da democracia às escolas.

Está em causa a confusão eterna em variáveis fundamentais: desconcentração do MEC e lei orgânica, municipalização (descentralizada) do sistema escolar e modelo de gestão escolar que foi "pensado" para uma escola não agrupada e que é mais desconcentrado (com forte dependência do poder central) do que descentralizado. As redes escolares, e as análises e diagnósticos, dão mais sinais de que a terraplanagem cria o hábito.

 

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publicado por paulo prudêncio às 15:23 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 12.05.17

 

 

 

"Se apresentar joelhos esfolados ou bolhas nas extremidades inferiores do objecto de profanação, o corpo, tem mais três dias de tolerância de ponto". Ouvi a informação bem humorada, convenhamos, e ainda não a confirmei. Pareceu-me que a bênção, a exemplo da já confirmada, não excluirá os professores por serem muitos.

Não é a primeira vez que a Geringonça não excluí os professores por serem muitos. Foi assim com a reposição salarial no ímpeto inicial da governação (embora o líquido mensal esteja inamovível), que não excluiu os professores por serem muitos. Contudo, quando se fala que em muitos casos o descongelamento de carreiras atingirá dois escalões, excluem-se os professores por serem muitos; quando se projectam reformas voluntárias favoráveis, excluem-se os professores por serem muitos; quando se recupera dignidade no estatuto das carreiras, excluem-se os professores por serem muitos; quando se defende o princípio inalienável dos profissionais votarem nas instituições que servem, excluem-se os professores por serem muitos. Abençoemos, então, o dia de hoje. No caso, que não será o meu, de o leitor se exaltar na adenda descrita no início, sugiro o link por baixo da imagem.

 

Nota: dizem-me que o Diabo está novamente desiludido depois de fazer bolhas nas extremidades superiores do objecto de profanação por tanto esfregar as mãos. Porquê? Porque desejou que a Geringonça não tolerasse o ponto.

 

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Guia completo para o tratamento das bolhas (também se aplica a joelhos esfolados)



publicado por paulo prudêncio às 14:25 | link do post | comentar | partilhar


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