Em busca do pensamento livre.

Quarta-feira, 21.02.18

 

 

 

 

 

"O sistema escolar tem que ser competitivo como o futebol, em que somos dos melhores", disse o "especialista" na TSF. Defendeu que os mecanismos de selecção usados no 12º ano (exames a x disciplinas, rankings de escolas, pautas públicas de classificações e quadros de mérito) devem ser plasmados nos anos anteriores. Dá ideia que a preparação de top performers só não chegou ao pré-escolar porque os "especialistas" atrasaram-se a objectivar a construção em Lego para determinarem a restante parafernália. Ainda bem que mudou o Governo e que, ao contrário do que disse Rui Rio ("não ficou nada de Crato"), reverteu o inferno da medição que Crato impôs de supetão aos mais pequenos. Lamenta-se que tenha sido apenas isso, mais a questão dos "privados escolares" e da bce dos professores. Falta muito desvario para reverter e não só de Crato.

O que se pratica nos modelos de formação desportiva comprovadamente bem sucedidos é o contrário do que disse o "especialista". A sensatez exige alargar a base da pirâmide e tentar perceber os "talentos" depois dos 14 anos. Antes desta idade, há jogos com resultados mas sem classificações de equipas. Sempre que começa um jogo estão todos em "igualdade de circunstâncias". Há um tempo mínimo e máximo de participação de cada jogador e chega-se a impor um limite máximo de pontos (no basquetebol, por exemplo) que implica a substituição do jogador.

E podíamos estar o dia todo a elencar os domínios da formação. As vantagens, para além das óbvias, incluem os factores de ordem psicológica (da sua saturação), de aprendizagem técnica e táctica, de superação numa possível alta competição e de aprendizagens "para a vida".



publicado por paulo prudêncio às 09:24 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 10.02.18

 

 

 

 

Alterar o sacrossanto acesso ao ensino superior, que condiciona o sistema escolar desde a entrada na escola.

 

"O director do Departamento de Educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Andreas Schleicher, manifestou nesta sexta-feira a esperança de que Portugal acabe “por deixar cair” o sistema de exames nacionais ligado ao acesso ensino superior, uma realidade que identificou como um dos “principais problemas” do sistema educativo português, pela pressão que exerce sobre professores, alunos e famílias e pela uniformização do ensino que promove.(...) “Porque é que os estudantes portugueses estão sempre muito mais ansiosos do que os colegas dos seus países?”, questionou Schleicher a propósito dos resultados das entrevistas realizadas a jovens de 15 anos no âmbito do PISA, os testes da OCDE que avaliam a literacia dos alunos naquela idade. Os portugueses ficam sempre acima da média quando se trata de ansiedade. Seja quando começam a estudar ou quando vão fazer um teste ou em muitas outras situações.(...)

 



publicado por paulo prudêncio às 11:33 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 09.02.18

 

 

 

A especialização desportiva percebeu o esgotamento das capacidades volitivas. A energia psicológica esgota-se. É por isso que se contraria a precocidade. Os modelos de formação historicamente bem sucedidos graduam a exposição aos quadros competitivos e exigem que a competição escolar (não só a desportiva) destinada às crianças se diferencie da aplicada a jovens e adultos. Em regra, quem começa cedo a competir como se de um adulto se tratasse, atinge a saturação volitiva quando se esperava o contrário. Os difíceis estudos empíricos neste domínio dão passos e comprovam os efeitos da saturação da vontade. O psicólogo Roy Baumeister tem importantes contributos que podem levar ao reconhecimento da OMS. Criou o conceito "depleção do ego". É como se a vontade fosse um músculo que deixa de ser irrigado; acelera a queda de açúcar e cria um efeito geral de fadiga. Isso explica o burnout dos professores que tomam dezenas de decisões diárias debaixo de forte ansiedade (os últimos anos entre nós são um bom exemplo dos efeitos da sobrecarga; competitiva e de outra ordem). Daí ao esgotamento é um passo acelerado. A degradação das carreiras influencia os indicadores de saúde. Ou seja, abandonámos o tempo das incertezas em relação ao esgotamento da força de vontade e é interessante que um estudo com adultos acima dos quarenta explique os efeitos da sobrecarga competitiva em crianças e jovens; como há muito se intuía.

 

DESMOTIVACAO

 

 

2ª edição. Rescrito.



publicado por paulo prudêncio às 10:03 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 05.02.18

 

 

 

 

O perfil do professor assumirá como fundamental a competência numa parafernália de procedimentos digitais cuja (in)utilidade é um ilusório controle das salas de aula. O cumprimento de prazos insensatos reforçará o bom desempenho (associado à capacidade de fazer de conta). Essa hiperburocracia afirmará a crescente desconfiança nos professores e nivelará por baixo. Eliminará, como alguém disse, o carisma das salas de aula. Transformará as escolas em linhas de montagem avessas a qualquer tipo de ousadia ou poesia. Será uma precarização normalizada em ambiente administrativo ou indisciplinado. Não sobrará tempo, nem energia, para a aula. O desgaste será indisfarçável.

Já há história suficiente para não repetir o erro. Aliás, volta a ser recomendável o visionamento do "Clube dos Poetas Mortos" e sublinhar que a confiança nos profissionais (não aprecio mesmo as expressões recursos humanos ou colaboradores) é uma chave fundamental, como se percebe no estudo de qualquer organização bem sucedida.

 

Imagem do filme referido.

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publicado por paulo prudêncio às 13:55 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 01.02.18

 

 

 

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O Expresso anuncia o seguinte: 

"Pretende ser o maior estudo de sempre sobre o desgaste emocional dos professores, “burnout” incluído”, e sobre as condições em que estes trabalham - se há cansaço, desânimo, desmotivação ou, pelo contrário, alegria. Ainda não há conclusões - essas serão divulgadas em junho - mas já há algumas certezas. “Estamos a assistir a um adoecimento inédito dos professores nas últimas quatro décadas”, diz Raquel Varela, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova e coordenadora de um estudo em curso sobre o desgaste dos professores, realizado em parceria com a Fenprof(...)"

Tenho a certeza que não há qualquer dúvida nos membros do Governo e das organizações sindicais sobre o estado das condições de realização da profissão de professor. Sabem-no e têm os números: das baixas médicas, por exemplo, dos inquéritos que não comprometem os actores e dos dados relativos à profissão docente. Também conhecem o rol de testemunhos da última década. Ou seja, para se decidir nesta matéria não são necessários mais estudos, embora o que acabei de escrever não injustifique o presente anúncio.

A investigadora acrescenta:

"(...)Isto é um estudo não só sobre o desgaste emocional e o chamado “burnout”, mas também sobre as condições de vida e sobre a vivência subjetiva dos professores nas escolas. Ou seja, o que eles sentem em relação aos alunos, em relação à gestão, em relação aos superiores hierárquicos e em relação aos seus colegas. Tudo isso será abrangido neste inquérito. Estamos a apontar para uma recolha individual de cerca de 40 mil inquéritos. Se conseguimos fazer isso, será de facto um dos maiores estudos realizados desde que existem estudos semelhantes, ou seja, desde os anos 70. Note-se que estamos a falar de uma categoria de profissionais que são responsáveis pelo futuro do país, que formam o país e os trabalhadores do país. As condições de vida e de trabalho desde 130 mil docentes são absolutamente essenciais para determinar como é que vão ser formados os atuais alunos.(...)



publicado por paulo prudêncio às 17:18 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 30.01.18

 

 

 

Qual é o país da OCDE onde os professores perdem mais tempo com a disciplina para começar uma aula? É Portugal, onde existem inúmeras salas de aula em que "reina a "pequena indisciplina"". E não saímos disto, com o discurso circular de "especialistas" (em 07 de Fevereiro de 2017) a culpar "mais os professores do que os alunos". E se procurássemos, definitivamente, outras culpas? Um ano depois, olhemos para as componentes críticas e para o que foi feito.

Sumariemos: escola "armazém", como resultado da sociedade ausente; aluno-cliente como negação dos elementares princípios docimológicos (não tarda e a publicitação da calendarização de testes chega ao primeiro ciclo para que um petiz convoque os advogados porque o professor o submeteu a um questionário de avaliação sem calendarização; isto sim, o nefasto "facilitismo"); uma década de devassa, mediatizada em primeira página, da carreira dos professores; indústria da medição, com os respectivas pautas e quadros de mérito para os resultados de crianças (é a preparação para a selva, dizem "especialistas da ordem contrária"); "supressão" de intervalos escolares; aulas de noventa minutos como receita do 5º ao 12º ano e em todas as disciplinas; mais alunos por turma; mais turmas por professor; terraplenagem do estatuto da carreira dos professores; agrupamentos de escolas com organograma "impensado" e com aumento da hiperburocracia como factor ilusório de controle; legislação de disciplina escolar na lógica de um "tribunal dos pequeninos"; e por aí fora. Se nada de moderado, sensato e democrático acontecer, daqui por uma década voltaremos, seguramente, ao mesmo e, obviamente, aos culpados do costume.

 

Já usei esta argumentação noutros posts.



publicado por paulo prudêncio às 18:04 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 29.01.18

 

 

 

 

Surprende como, ciclicamente, se assume o afastamento do professor da centralidade do processo de ensino e aprendizagem. No século XVII, por exemplo, procuravam-se novos recursos didácticos mas sempre com o professor dentro do espaço central. Aliás, foi com a célebre "Lição de Anatomia do Dr Nicolaes Tulp" (1632) que Rembrandt se apresentou, e se afirmou, em Amesterdam. Se atentar, verá que os alunos deixaram de estar alinhados e que o seu olhar divergia: para o professor, para o livro aberto, para o objecto de estudo e até para a "objectiva". E claro: todos estavam iluminados mas muito atentos, como que a sublinhar que na pedagogia há intemporalidades que é fundamental que sobrevivam aos modismos.


Imagem:
Rembrandt van Rijn, The Anatomy Lesson of Dr Nicolaes Tulp, 1632
Museu Mauritshuis, Haia, Agosto de 2017

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publicado por paulo prudêncio às 15:13 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 18.01.18

 

 

 

A flexibilização curricular, ou interdisciplinaridade, nunca se impôs institucionalmente por causa de "impossibilidades" organizacionais. A hiperburocracia (também a digital) revelou-se a principal componente crítica. Foi assim nas experiências de 1989 e 1998 e há sinais de repetição, como alguém, numa experiência em curso bem a norte, relatou num email:

"(...)as nossas avaliações são sempre muito positivas. Confunde-se crítica a um processo com má opinião sobre organizações e profissionais num ambiente de clubite. Cria uma ilusão fatal. Os relatórios e inquéritos ouvem pessoas condicionadas, desinteressadas ou com medo de expressar uma opinião crítica.(...)"

É evidente que as avaliações no sistema escolar não são tão fatais como noutros universos. Os célebres helicópteros Kamov passaram sem mácula nas listas de verificação e quando Pedrógão ardeu nem sequer descolavam; ou o BES atingiu nota máxima nos testes de stress e dias depois faliu deixando centenas de pessoas sem as poupanças de uma vida; ou ainda, e como se viu no último prós e contras, há urgências de hospitais públicos com relatórios recomendáveis e com "uma realidade comparada a países de terceiro mundo; em guerra" (dito em directo por médicos e enfermeiros com conhecimento dos dois cenários e sem a discordância dos dirigentes presentes). E é preciso coragem para discordar. É muito triste, mas é assim.

Ou seja, as escolas podem generalizar com base em experiências recomendadas (será grave se conjugarem com obsessão os verbos reunir, articular, registar, normalizar e quiçá imprimir e observar em "pares de oportunidade") que a implosão organizacional pode ser novamente uma questão de tempo.

Interdisciplinaridade-é-o-futuro-das-Universidades-no-Mundo

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:35 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 12.01.18

 

 

 

 

O tratamento da informação no sistema escolar não se adequa à sociedade da informação e do conhecimento. Está longe disso.

Grande parte da informação obtida não é relevante para o processo de tomada de decisões, nem contribui para que os professores, principais fornecedores de informação, concentrem a energia na preparação e realização das actividades lectivas.

Exige-se a alteração do que existe. Os sistemas de informação necessitam de uma grande depuração com um objectivo de sentido contrário ao habitual: escolher os campos de obtenção de informação essencial (que são muito menos do que os que existem); e é fundamental impedir a repetição no lançamento de dados: do nome do aluno às classificações que obtém até aos conteúdos dos relatórios mais diversos. É uma reforma essencial.

 

(Já usei esta argumentação noutros posts)



publicado por paulo prudêncio às 13:55 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 11.01.18

 

 

 

Custa acreditar que o Governo, por questões financeiras (seria ainda pior se houvesse uma atitude revanchista coordenada pelos mesmos do período 2005-2009), use a avaliação kafkiana do desempenho dos professores para bloquear descongelamentos e progressões. Era preferível dizer que não existem euros suficientes e aplicar o princípio a toda a administração pública e não apenas aos professores. Ou seja, continua o raciocínio: excluímos os professores e desenvolvemos o calendário eleitoral. O vídeo seguinte explica bem os detalhes.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 13:53 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 06.01.18

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:25 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 15.12.17

 

 

 

É um facto: os professores venceram muitas batalhas, mas perderam a principal. Mas leia e continue na ligação que vale a pena.

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"Não há nenhuma classe profissional tão hostilizada nos jornais como os professores. De um modo geral, todas as reivindicações dos professores são consideradas ilegítimas e a classe profissional é vista como detentora de uma força sindical da qual faz um uso abusivo. Diga-se, em boa verdade, que antes de enfrentar a hostilidade do jornalismo, os professores tiveram de enfrentar as hostilidades do modelo de gestão da escola e do ensino, numa guerra da qual saíram vencidos. Foi-se reduzindo progressivamente o tempo de trabalho autónomo, que era uma parte importante do tempo de trabalho de um professor (porque se entendia que o saber – manual ou intelectual, técnico ou teórico, académico ou não — é um direito à autonomia) e aumentando o tempo de trabalho controlado, que é hoje a quase totalidade do trabalho docente. O professor ficou assim submetido ao trabalho das classes proletárias, mas continua a recair sobre ele a imagem de que é um animal de luxo. E aí começa a caça ao professor. Há já algum tempo que começou a prosperar, por todo o lado, uma bibliografia que consiste em testemunhos desencantados de professores e ex-professores.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 14:30 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 12.12.17

 

 

 

 

"Professores quase sem emprego a partir de 2020", é uma conclusão de um estudo publicado pelo CNE. Para que seja sim, será necessário manter o número de alunos por turma e não alterar o degradado estatuto da carreira nem os indecentes programas de aposentação. Para a actual presidente do CNE, o ensino expositivo generalizado contribui decisivamente para o abandono escolar que reduz o número de alunos no terceiro ciclo e no ensino secundário. Parece um disco de vinil com um qualquer risco. Ou seja, as décadas passam e os estudos concluem sempre no mesmo sentido.



publicado por paulo prudêncio às 09:37 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 06.12.17

 

 

 

 

Ainda recentemente, dirigentes partidários e sindicais usaram os bons resultados internacionais dos alunos para defenderem as causas dos professores. E agora? Como é que fazem nos maus resultados? Os professores não precisam de entrar no argumentário demagógico que descredibiliza a política. Conhecem muito bem as percentagens comprovadas do sucesso escolar - não vou repetir em detalhe -: 60% para a sociedade (por defeito, para não eliminar o contraditório), 30% para a organização escolar e 10% para os insubstituíveis professores que, como repete o estudo, são amplamente reconhecidos por alunos e familiares. Para a defesa fundamentada das causas, basta a sala de aula no período abrangido: mais alunos por turma, mais turmas por professor em horários ao minuto recheados de inutilidades, congelamento das carreiras (facto exclusivo que os media se apressaram a falsificar e inverter), programas indecentes de aposentações, modelo "impensado" de gestão das escolas, hiperburocracia, atenuação do descontrole parental e do flagelo da desnutrição, tudo fazer na tal décima do sacrossanto acesso ao superior, substituição de assistentes sociais, psicólogos, médicos e electricistas de redes de computadores. Quando os dirigentes usam os resultados dos alunos para se justificarem ou promoverem, o que é que esperam da mediatização?

 

Nota para dois factos do período de escolaridade abrangido (2011-2016): aumento da pobreza e opções de Nuno Crato. 

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publicado por paulo prudêncio às 16:15 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 25.11.17

 

 

 

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O cronista é conhecido pela oportunidade de "pogrom". Fá-lo com fúria especial se pressentir o vocábulo professor. Não lhe interessa o estudo comparado ou o conhecimento dos detalhes; nesta fase, nem sequer se os professores eram os excluídos da viagem no tempo dos descongelamentos (como se previu na reabertura, logo em Setembro, da época oficial da caça ao professor). Nada. Criou de imediato a alternativa sem o ónus da prova. Certa vez (2011), o "pogrom-professor" incluiu a verdade alternativa do pagamento de 25 euros por prova na correcção de exames (pagamento eliminado; foi de 5 euros até 2009). Foi depromovido? Não. Continuou alternativo. Ontem, a primeira página do Expresso incluía a cassete dos comunistas-e-sindicatos.

Nota: Maria e José iniciaram o "pogrom-professor". Um Prior do Crato, de cabeça para baixo, prosseguiu-o. Um homem Cristo e um Deus ultraliberal (tem, também para não variar, muitos contratos com o nosso Estado e, quiçá, com estados mais musculados) aquecem o espaço, com o segundo a castigar os "miseráveis professores". O cardápio fanático tem mais figuras (inúmeras, porque uma turba requer quantidade), desde um Júdice com "os professores, essa raça diferente do resto da humanidade", passando pelo "cancro da democracia" de um Beato das Neves, até este "pogromista-militante". Dá ideia que estudaram pela cartilha comunicacional: "lança a polémica em modo verdade alternativa, que isso te dará audiência meu filho"; ou então, sabe-se lá, estão conectados.



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Terça-feira, 21.11.17

 

 

 

 

Por que é que foi criado um escalão no topo da carreira dos professores (onde ainda ninguém está)? Porque era embaraçoso manter os professores tão longe dos topos de uma boa parte das carreiras da administração pública; e os governos sabem bem disso. E é sempre a mesma coisa: os professores são muitos e ponto final. É evidente que há toda uma inteligência política mediatizada que tenta manter o estado das coisas com duas intenções e uma justificação: não falar dos baixos salários dos professores (e dos funcionários públicos dos índices remuneratórios inferiores), manter os privados num nível salarial que envergonha e porque os professores são muitos. 

Ora veja as tabelas apresentadas no link que se segue:

 

Topos de Carreira



publicado por paulo prudêncio às 09:27 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 16.11.17

 

 

 

É imparável a desconsideração associada à devassa mediática. Esperava-se este regresso da época oficial de arremesso ao professor. Para os saudosos das grandes caçadas sob alçada dos ddt's, é mesmo uma dependência. À vez, os defensores dessa década e meia apontam "privilégios" na comparação entre carreiras. Nunca vi um jornalista perguntar: quais exactamente? Que avaliação? Que progressão? E por aí fora. Nada. Só esmiúçam a dos professores. A avaliação do desempenho é "olhos-nos-olhos" ou entra em regime "faz de conta" (kafkiano se incluir quotas). O SIADAP (avaliações no estado) está assim. Até 2015, era comum arremessarem com privados e empresas. Também aí se decretou o silêncio com os estudos publicados: em 95% não existe e o propalado rigor tem um objectivo: precarização.

 

Nota: ouvi, há pouco, um "especialista" afirmar que a carreira dos professores deve exigir dez anos, e não quatro, em cada escalão. Diz que deve ser como nas outras carreiras; sem dizer quais exactamente, quais os requisitos de entrada e de progressão, em quantos escalões se desenvolvem e com que índices remuneratórios. Dá vontade de contraditar assim: na dos professores, como tem dez escalões, seriam 100 anos de carreira: os primeiros 40 em índices probatórios e os restantes 60 em progressões automáticas sem quotas nos últimos 20.

 

image

 

Faces

Picasso

 



publicado por paulo prudêncio às 17:45 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 15.11.17

 

 

 

Repetir para aprender é uma máxima pedagógica preciosa. Contudo, aplicada à política gera perplexidade ou cataclismos. Repare-se no abalo que hoje se verificou na segunda vaga do lurdismo. É caso para questionar se era preciso repetir para aprender quando o erro foi crasso e comprovado.

 

Nota: lurdismo, que se confunde com socratismo, é aquela corrente que colocou uma espécie de "perseguidos" nos professores; António Costa confessou-o numa entrevista na SicN quando era candidato à liderança do PS e considerou um "erro brutal a guerra aos professores" (dito assim mesmo) decidido num conselho de ministros em 2006.



publicado por paulo prudêncio às 19:14 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 14.11.17

 

 

 

Na administração pública, os professores são os únicos profissionais que não recuperam todo o tempo de serviço com os descongelamentos das carreiras. E porquê? E não repetindo a desconstrução de falácias, porque são o grupo mais numeroso (57% da administração central). Estão em causa milhões e os professores, como todos os outros profissionais, compreendem os problemas causados pelo desvario nas contas do país. Pois bem e muito francamente: se é impossível descongelar tudo para todos, que se estabeleça um faseamento mais prolongado para todos. Mas isto não é elementar? Não estou a equacionar bem o problema?



publicado por paulo prudêncio às 21:16 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

 

 

 

Usar os exames como o objecto único que mantém a ordem de um sistema escolar, é uma patologia grave. 



publicado por paulo prudêncio às 10:33 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar


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