Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 21.03.17

 

 

 

A Finlândia incluiu mais competências transversais nos currículos nacionais (o processo iniciou-se em 2012 e apenas em 2016 deu os primeiros passos). E porquê a transversalidade? Por causa dos futuros profissionais, mas principalmente pelo tédio dos alunos (até nas raparigas que têm melhores resultados em todas as literacias). A ligeira quebra nas avaliações internacionais terá acelerado a recuperação da antiga interdisciplinaridade; ou melhor: da sua institucionalização. O processo tem cinco anos, não muda com a queda de um Governo (Crato&Rodrigues seriam impossíveis) e regista o pessimismo de 34% dos professores; 21% registaram benefícios. Toda esta sensatez num sistema com escolas com uma dimensão civilizada, descentralizada e autónoma. Não existem exames (mas existe avaliação), não existe avaliação do desempenho (do desempenho, sublinhe-se) dos professores e não existem serviços de inspecção (os sistemas bem sucedidos constroem a confiança): ou seja, estão há muito a contrariar as variáveis determinantes da escola-indústria (nunca li, nos inúmeros relatos do sistema finlandês, uma referência ao excesso de burocracia).

Em Portugal, parece que se queria recuperar a flexibilização institucional do currículo, e logo de 25% da carga horária, quase de supetão. Dizem que parou por causa das eleições autárquicas e da vontade do Presidente. Que não se conte este ridículo fora de portas e que se repita: para além do tempo, "isto apela a profissionais não preenchidos por burnout e sentimentos de "fuga", precarizados ou rodeados de má burocracia - o inferno acentuou-se (1998-2000) na anterior experiência de gestão flexível do currículo - num clima de desconfiança na democracia. Estas componentes criticas são mesmo os riscos a contrariar num ambiente de flexibilização curricular".

A imagem é de um pintor finlandês: um Anjo, mesmo que ferido como é o caso do escolar finlandês, justifica todos os cuidados e merece que se lhe dê tempo para encontrar outros caminhos.

 

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Hugo Simberg.

"O anjo ferido"

Museo de Arte Ateneo.

Galería Nacional.

Helsinski. 

Finlândia. 



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Segunda-feira, 20.03.17

 

 

 

Direitos Fundamentais da Criança e Educação Inclusiva: conferência de Laborinho Lúcio na Assembleia da República.

 

 



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Terça-feira, 14.03.17

 

 

Há muito que se sabe que a nuclear gestão da informação das escolas está na "idade da pedra"; nos últimos anos, e com as plataformas digitais, o sistema escolar inaugurou a "idade da pedra digital". É uma atmosfera reconhecida pelas diversas equipas ministeriais antes de o serem. As campanhas eleitorais acusam a infernal hiperburocracia (a analógica e a digital) como a primeira responsável pelo burnout dos profissionais. Mas não passa de retórica. Os exercícios governativos agravam o fenómeno. Não revelam uma ideia sobre o modo de o atenuar. Até os simplex's são intuídos em sentido contrário. As plataformas digitais em que mergulham as escolas padecem de duas "patologias sem sala de aula" na fase de análise e programação: legisladores e empresas comerciais de software escolar.

 

PS: desculpe os anglicismos, caro leitor; mas até ficam bem no ambiente digital do post.

 

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Quinta-feira, 02.03.17

 

 

 

 

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Andaram anos a fio a repetir que os professores eram resistentes às mudanças, e que as escolas precisavam de reformas, e agora indignam-se com as mudanças escolares da Geringonça? Mais: só as aceitam sem o vocábulo reforma? Ou seja: Crato reformou contra tudo e quase todos e o seu legado é o fim da história?

O ex-ministro da Educação insistiu na ideia das disciplinas essenciais (ficaram de fora as ciências, a história, a filosofia, a geografia, as línguas estrangeiras, as disciplinas da área de expressões e por aí fora). Foi uma questão de fé, já que, e a exemplo do número de alunos por turma, não apresentou qualquer fundamento empírico. As teorias não saíram do domínio da crença ou dos preconceitos. Francamente, não esperava um discurso desse teor. A invenção da roda estava distante, mas era seguro que sem a forma circular os solavancos aumentariam o atrito.

A concentração nas essenciais inscreveu horas curriculares e exames, para além de mais horas de formação que não saíram da intenção e que terminaram com o que existia em nome do ajustamento nos do costume. Um governante pode achar que faltam horas de ensino aqui ou ali e que quer examinar esses saberes muitas vezes. Mas quando enuncia publicamente que o seu achamento divide as disciplinas em mais e menos, dá um péssimo sinal à sociedade e acrescenta ruído no ensino das não essenciais; institui o tempo da roda quadrada, digamos assim. Ler agora que esse estado de recuo civilizacional é imutável é o que mais me surpreende.



(Já usei parte deste texto noutro post)



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Sábado, 25.02.17

 

 

 

 

Os governantes parece que têm o cuidado de, ao contrário do radicalismo de Crato, não falar de reforma curricular. Prevalece a ideia de "uma forma diferente de gerir o currículo, possibilitando, desde logo, que as escolas organizem, com flexibilidade multidisciplinar, 25% do currículo". Se a ideia é interessante, mas muito exigente, é necessário que, e repito, se elimine o que resta do radicalismo organizacional imposto por Lurdes Rodrigues. 



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Quinta-feira, 23.02.17

 

 

 

É preferível a coragem de eliminar as retenções dos alunos nos anos não terminais de ciclo (nos terminais ficaria para mais adiante), do que andar há mais de duas décadas a culpar, exclusivamente, os professores e as escolas pelo insucesso escolar instituindo um inferno de má burocracia que se evidencia em reuniões de agenda repetida e documentos de "copiar e colar". Aconselho a leitura deste post do Paulo Guinote.

 



publicado por paulo prudêncio às 13:45 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 22.02.17

 

 

 

 

"92% dos professores defendem menos poderes para os directores e a mudança do modelo de gestão das escolas", é uma das conclusões de um inquérito que envolveu 25 mil professores.

Contra a avaliação do Ministério da Educação, e contra quase todos, Lurdes Rodrigues impôs a mudança do modelo de gestão da escolas (querem ver que, também aqui, declarará o seu arrependimento) com a ideia confessada de anestesiar os professores na "guerra" que lhes moveu e de fazer das escolas um "balcão de atendimento" do ministério. Foi apoiada pelo arco governativo de então uns "momentos" antes da entrada da troika. Era já uma associação de tragédias.

Há quem se interrogue sobre o que realmente se passa. O factor fundamental para a rejeição estará, na minha modesta opinião, na seguinte conclusão: "Abuso do poder e medo: 71% dos inquiridos consideram que o sistema aumentou as situações de abuso do poder, o clima de insegurança e de medo e o alheamento em relação aos assuntos da vida escolar". O modelo em curso possibilitou que sentimentos menores de favorecimento tomassem conta do processo de decisão e se afirmassem atitudes de assédio moral à volta da distribuição de serviço, da ocupação de cargos e da avaliação do desempenho. Geraram exaustão e medo; isto é, burnout. É mesmo impressionante e motivo de vergonha, mais ainda porque falamos de professores e de escolas. E depois, há tudo o resto que se pode ler numa notícia com um rol de conclusões muito desfavoráveis e que pode servir de aviso para o seguinte: o avanço da municipalização, e da gestão flexível do currículo, acentuará o clima muito negativo sem a alteraração do modelo de gestão.

 

Inquérito promovido pela Fenprof.

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 Vila Nova de Cerveira. Julho de 2016.



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Sábado, 11.02.17

 

 

 

Depois de 13 anos em queda, "o abandono escolar precoce aumentou em 2016 com saliência para o número de jovens que não concluiu o 12º ano"; desde 2002 que isso não acontecia. Aconselho três textos mais abaixo, aqui, aqui e aqui, porque assim não me repito em tão pouco tempo e encontra por lá argumentação pertinente.

 

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Terça-feira, 07.02.17

 

 

 

 

Portugal é o país da OCDE onde os professores perdem mais tempo com a disciplina para começar uma aula e é onde existem, como hoje se conclui, salas de aula em que "reina a "pequena indisciplina"". E não saímos disto, com o discurso circular de "especialistas" (no caso o antigo responsável pelo Observatório de Segurança em Meio Escolar) a culpar "mais os professores do que os alunos".

E se procurássemos, definitivamente, outras culpas? Sumariemos: escola a tempo inteiro, ou "armazém", como resultado da sociedade ausente; aluno-cliente como negação dos elementares princípios docimológicos (não tarda e a publicitação da calendarização de testes chega ao primeiro ciclo para que um petiz convoque os advogados porque o professor o submeteu a um questionário de avaliação sem calendarização; isto sim, o nefasto "facilitismo"); uma década de devassa, mediatizada em primeira página, da carreira dos professores; indústria de exames nacionais, com os respectivos quadros de mérito e com a publicitação de resultados de crianças (é a preparação para a selva, dizem "especialistas da ordem contrária"); "supressão" de intervalos escolares; aulas de noventa minutos como receita do 5º ao 12º ano e em todas as disciplinas; mais alunos por turma; mais turmas por professor; terraplenagem do estatuto da carreira dos professores; agrupamentos de escolas como negação da gestão de proximidade e com aumento da hiperburocracia como factor ilusório de controle; legislação de disciplina escolar na lógica de um "tribunal dos pequeninos"; e por aí fora. Se nada de moderado, sensato e democrático acontecer, daqui por uma década voltaremos, seguramente, ao mesmo e, obviamente, aos culpados do costume.

 

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Domingo, 05.02.17

 

 

 

Cresce a apreensão com o avanço da municipalização escolar de todo o ensino não superior. A natural impreparação de grande parte dos municípios, associada à partidocracia que entrou nas escolas, fundamenta a reprovação. Exige-se ao poder político a boa gestão da rede escolar através das cartas educativas e das restantes variáveis de planeamento. O que existe (pré-escolar e 1º ciclo e influência determinante nos restantes ciclos) gera pessimismo num país que tem mais de quarenta quadros de divisão administrativa em vez de um como seria moderno e razoável.

Ainda há dias ouvi o discurso de autarcas com antiguidade de funções numa cerimónia de uma comunidade que, ao longo de décadas, apresenta bons exemplos escolares nos diversos níveis. É uma autarquia que influenciou, ao longo de anos, erros de planeamento em prejuízo de alunos, encarregados de educação, professores e outros profissionais dos ensinos público, privado e cooperativo e que se sustenta nos resultados dos exames do final do ensino secundário que, como se sabe, são por mérito dos alunos, e das sua famílias, e dos seus professores. A obsessão discursiva com os rankings esmoreceu com a queda na passagem dos ditos clássicos para os alternativos. Mas a quebra tem explicação num município em que apenas 30% a 40% dos alunos que se matriculam no 7º ano de escolaridade chegam ao 12º integrados no ensino regular e em que uma parte das matriculas no 10º ano é proveniente de outros concelhos. A inexistência de massa crítica também fundamenta a apreensão com a municipalização escolar.

 

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"A apreensão de Charlotte Corday"

de Alfred Dehodencq



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Segunda-feira, 16.01.17

 

 

 

Não tenho muitos posts sobre o assunto, mas em 11 de Outubro de 2016 escrevi assim: "A informada, e corajosa, secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, afirma que "o interesse das editoras não é o das famílias". Também não é o das escolas nem dos professores. E não é por causa do digital e do google. Há muito que há ensino e aprendizagem para lá dos manuais e agora mais ainda. As editoras como holding (empresa que tem como actividade principal a participação maioritária numa ou mais empresas) conjugam várias "empresas nucleares": manuais escolares, exames em modo industrial, "reformas semestrais do Estado" e rankings de classificações de alunos."

Haverá excepções, obviamente, mas apontar o dedo aos professores neste negócio é desviar atenções.

 

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Sábado, 17.12.16

 

 

 

Em Setembro de 2016, Joaquim Azevedo, ex-SE da Educação, disse que "as escolas públicas rejeitam alunos". Soube-se, com o PISA, que Portugal continua na cauda do insucesso escolar, mas melhorou o desempenho dos alunos "que não querem aprender". São variáveis importantes. É interessante saber a correlação e conhecer as escolas que se "sacrificam" pelos desfavorecidos (um exemplo: "são públicas, inseridas em meios pobres, mas no topo do "ranking do sucesso"). Já os alunos que aprendem em qualquer sistema têm historicamente bons resultados e aumentaram em quantidade (parece que a sociedade - 60% do sucesso escolar - melhorou). Os rankings com classificações de alunos confirmam-no.

 

Auto-exclusão, rejeição de alunos "problemáticos" e, recentemente, rankings de resultados de estudantes são as causas principais da antiga selecção de alunos. É conhecido. Joaquim Azevedo disse-o (sabe-se lá porquê). Há quem sublinhe o efeito negativo destes rankings como a variável que mais rejeita. Haverá menos públicas a rejeitar alunos do que privadas (os rankings continuam a omitir o índice socio-económico destas famílias)? Claro que sim. Desde logo pelas propinas. Mas o desnorte dos últimos anos permitiu que públicos e "privados" financiados pelos estado excluíssem alunos de quem não se esperava bons resultados ou da educação especial. Foi uma lamentável apropriação do bem comum.

 

Temos os rankings dos exames de 2016 com a habitual publicidade a colégios privados. São instrumentos de estudo. Têm novidades como a que sublinhei acima para o "topo do sucesso". São válidos, mas, como sempre, dependem da cabeça que os utiliza. Deixo ligações para alguns OCS.

 

Renascença

JN

Público

Expresso

DN

 

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Sexta-feira, 09.12.16

 

 

 

Dá ideia que os finlandeses têm uma relação equilibrada e saudável com os resultados Pisa e Timms. Não se iludiram com os "melhores do mundo" no Pisa, e repetiam-no com naturalidade para espanto dos inúmeros visitantes, e agora não cruzam os braços perante resultados menos bons. Anteciparam a quebra em matemática e identificaram a causa primeira: os pais não querem passar dos limites no treino das crianças e não se importam de não seguir as "Mães Tigre" asiáticas obcecadas com os top perfomers. Esta posição é cada vez mais ouvida; naturalmente. Procuram outros modos escolares de motivar alunos (que se afirmam algo tristes na escola, com destaque para os rapazes) na era da tecnologia. Discutem muito antes de mudar e confiam nos professores. Não generalizam sem testar. Confiam no tempo. Mudam com respeito pelo que conseguiram. Mesmo assim, no Pisa 2015 a Finlândia está em 5º nas ciências, em 4º na leitura e em 13º na matemática. No último TIMMS, ficou em 16º na matemática entre 49 países (Portugal subiu para 13º) e em 7º no estudo do meio entre 47 países (Portugal desceu para 32º). É o país europeu mais consistente (a Estónia tem também resultados cimeiros consistentes) nos bons resultados.

 

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Quinta-feira, 08.12.16

 

 

 

As extrapolações à volta do PISA 2015 têm episódios risíveis. Recebi por email o gráfico sem referência ao autor. Vem acompanhado da defesa das políticas educativas das figuras em imagem; não publico o parágrafo porque usa uma linguagem imprópria, mas faço-o com o gráfico para dar a opinião solicitada.

 

Os alunos testados no PISA têm 15 anos e frequentam anos entre o 7º e o 11º. A subida constante portuguesa responsabiliza alunos, encarregados de educação e professores. As políticas ajudam, mas se forem de sinal contrário, como é o caso dos fotografados, atrapalham. E nos dois casos parece que atrapalharam muito, uma vez que a sua influência, mesmo que residual, só pode ser verificada, obviamente, no triénio seguinte. Lurdes Rodrigues sucedeu a um período "sem governo" (2000/2006), mas que regista uma subida substancial em 2009. Parece que o sistema português funciona melhor "sem ministério", uma vez que quando a ministra (2006/2009) saiu os resultados estagnaram no fim do triénio seguinte (2012). Sucedeu-se outro "sem governo" com Isabel Alçada (2009/2012). Saiu e os resultados do triénio que se seguiu melhoraram (2015). Apareceu Crato (2012/2015) e veremos a sua influência, por reduzida que seja, em 2018.

 

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Quarta-feira, 07.12.16

 

 

 

 

Ouvi um comentador, do grupo de Lurdes Rodrigues que teoriza as Novas Políticas de Gestão Pública (as New Public Management que originaram quatro pesadelos para o sistema escolar: concurso de titulares, avaliação dos professores, modelo de gestão e estatuto do aluno na lógica do cliente), declarar, numa linguagem bem pensante e sedutora, a propósito dos testes PISA: são instrumentos fundamentais para monitorizar políticas públicas, constituídos por inúmeras bases de dados que tratam uma imensidão de informação, precisamos de tempo para as analisar, não devem concluir precipitadamente, no caso presente foram testados alunos que nasceram em 2000 e que estão há quinze anos no sistema. É, de alguma forma, esta conversa sensata na estratosfera que foi completamente surpreendida com a conclusão: as salas de aula portuguesas sobreviveram às "reformas" radicais de sinal contrário, o que que deita por terra os delírios. Se compararmos com o subprime bancário, e considerarmos, obviamente, as diferenças, recordemos que nem os mais sofisticados consultores conseguiam contestar a complexidade desse produto de excelência da indústria financeira, constituído por "instrumentos fundamentais para monitorizar políticas bancárias, constituídos por inúmeras bases de dados que tratavam uma imensidão de informação que requeriam uma não menor quantidade de tempo para as decifrar (o que nunca acontecia)". Deu no que deu. Tanta informação e uma percepção errada do real. Se todo o "instrumento científico é válido mas depende da cabeça que o utiliza" (como acontece com o PISA e com o TIMMS), neste caso podemos concluir que na estratosfera existe uma continuada, e errada, percepção do real.

 

Nota: há delírios insensatos na estratosfera, realmente. Parece que Crato e Passos reivindicam os resultados PISA 2015 com os exames dos 4º e 6º anos. Os alunos testados de 2000 a 2015 nunca realizaram esses exames.

 

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Terça-feira, 06.12.16

 

 

 

Os alunos portugueses, com 15 anos em 2015, "obtiveram os melhores resultados de sempre nos testes PISA". Apesar das "reformas" perpetradas por Lurdes Rodrigues, Crato e afins, das causas do burnout e dos professores portugueses serem a classe profissional mais devassada pela comunicação social na última década, os alunos portugueses estão, pela primeira vez, acima da média da OCDE com elogios à ambição escolar dos encarregados de educação e à capacidade dos professores (elogiada também pelos seus alunos): "são os melhores a adaptar as aulas aos alunos". Conclui-se que as salas de aula vão sobrevivendo aos "reformistas" radicais de sinal contrário.

 

Nota: os testes PISA "valem o que valem" (como as sondagens) e há críticas fundamentadas a este modelo de análise de dados (uma espécie de subprime destes assuntos). Concluem-se dois dados gerais: estamos nos três últimos lugares no insucesso escolar e os tais países dos arautos da privatização afundam-se. Como dado humorístico, sublinha-se que os alunos testados desde 2000 (Portugal subiu quase sempre em cada triénio) nunca fizeram exames no quarto ano e, provavelmente (só mesmo os que reprovaram três vezes até ao sexto ano), só uma pequena parte da última amostra fez no sexto ano; e sobreviveram.

Legenda das linhas do gráfico: ciências a verde (a maior subida), leitura a vermelho e matemática a azul (uma estagnação); dados desde 2000 referentes a Portugal.

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Quarta-feira, 23.11.16

 

 

 

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Já tem uns dias esta referência ao Correntes. Agradeço.



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Sexta-feira, 18.11.16

 

 

 

 

Ouvi há pouco na TSF a seguinte conclusão: "as nossas elites, de esquerda e de direita, estão muito mais próximas do que imaginam." Não reparei no nome do investigador. Do ponto vista da Educação, a conclusão tem validade e até considerando a ideia mais contundente: "são historicamente viciadas em viver à custa do trabalho dos outros". Em geral, viveram da escravatura durante três séculos, também com o ouro e as especiarias e até com o colonialismo. Em tempos recentes, o dilúvio de fundos europeus acomodou as almas. Na crise actual, os "desgraçados" são os pagadores de impostos e as políticas sociais. Na saúde, os alarmes soam quando "começam" a morrer pessoas e é surpreendente a sobrevivência do SNS. Na justiça, há que manter os povos minimamente em ordem e na segurança social o objectivo é impedir que os descontinuados se aglomerem perigosamente. Na Educação, até se pode encher salas de aula, entreter o auditório com "reformas", encerrar ou aglomerar escolas sem critério civilizado, manter números elevados de analfabetismo ou negligenciar o insucesso escolar em crianças e jovens. Também é surpreendente a sobrevivência da rede de escolas públicas, apesar da babilónia criada pelas tais elites que, como sublinhou o investigador, nunca "olharam para a organização como um valor precioso".

 

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Terça-feira, 18.10.16

 

 

 

O tratamento da informação no sistema escolar não está adequado à sociedade da informação e do conhecimento. Está muito longe disso.


Grande parte da informação obtida não é relevante para o processo de tomada de decisões, nem contribui para que os professores, principais fornecedores de informação, concentrem a energia na preparação e realização das actividades lectivas.

 

Exige-se a alteração do que existe. Os sistemas de informação necessitam de uma grande depuração com um objectivo de sentido contrário ao habitual: retirar os campos de obtenção de informação que não suportam a tomada de decisões. Deve ser de lei a proibição da repetição no lançamento de dados: do nome do aluno às classificações que obtêm até aos conteúdos dos relatórios mais diversos. É uma reforma essencial.



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Terça-feira, 04.10.16

 

 

 

 

E eis que vão aparecendo títulos em jornais de referência sobre a profissionalidade dos professores. São estudos do ME que fazem a notícia. Os jornais ouvem algum contraditório. Depois, escolhem títulos com aquela inclinação que questiona as reduções de horários, e omite-se que são por causa da idade dos professores, deixando no ar a "possibilidade da bela vida". Não tarda, e foi assim que começou noutros tempos de péssima memória, intitula-se que os professores faltaram injustificadamente a 1345 aulas em 2015. Esmiúça-se a coisa e conclui-se que a amostra incluía 1 milhão e 345 mil aulas e que as injustificadas corresponderam a 0,1%. Esse 0,1% derivou de atrasos das juntas médicas e as faltas já estão devidamente justificadas.

 

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Imagem obtida na internet sem referência ao autor.

 



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Domingo, 11.09.16

 

 

 

A descida da natalidade até 2014 influenciou o pré-escolar. As inscrições no superior - sobe pelo 3º ano - provam que o secundário tem mais alunos e que o sistema não têm excesso de professores, mas turmas com alunos a mais.

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Sexta-feira, 09.09.16

 

 

A frase é de Joaquim Azevedo e está na agenda mediática. Há muitos que defendem que este ex-SE de Cavaco Silva (os ajudantes, segundo o chefe) acordou agora e acham sei lá o quê. Como já me habituei a este sono alternado dos nossos investigadores, comento o estudo com um post de 2 de Julho de 2009 (o muro que asfixia a escola e os professores); tem na coluna direita do blogue, a das etiquetas, inúmeros textos sobre o mesmo assunto e tem também um livro com o título "Por Precaução".

 

O muro que asfixia as escolas e os professores.

 

Quem quer que se meta na aventura de reflectir sobre o estado do sistema escolar português pode escolher os mais variados pontos de partida. A minha opção navega na história mais recente e concentra-se no tratamento da informação.

Podia optar por "sistema escolar por blocos". Mas o conceito de bloco da precaução torna mais inteligível o que quero exprimir e reforça duas ideias: é, como espero que se veja, o bloco que mais asfixia o privilégio de ensinar e contamina de modo decisivo os outros dois: o do ensino e o da organização escolar. 

Este bloco da precaução, que foi construído paulatinamente e que criou um muro de burocracia na gestão da informação escolar, é quase tão difícil de derrubar como foi o muro de Berlim.

O bloco da precaução caracteriza-se por um universo informativo que é obtido apenas para arquivo e que existe porque está determinado de modo central através das invenções técnico-pedagógicas do ministério da Educação. E é aqui que encontramos um imenso elenco de invenções burocráticas: inúmeras actas e relatórios sem parâmetros indicadores de informação estruturante, projectos educativos impossíveis de avaliar, projectos curriculares de turma e de escola, definição de objectivos com variadas designações de acordo com os gostos e os feitios dos promotores de ocasião. A lista é interminável.

A institucionalização do bloco da precaução, e a sua aparente autoridade, parte dos serviços centrais do ministério da Educação (Inspecção-Geral como elemento central) e alastra-se de modo quase acéfalo à organização de muitas das escolas. As invenções burocráticas devidamente preenchidas são, por precaução, a única consciência profissional de muitos estabelecimentos de ensino; isso retira sentido de autonomia e de responsabilidade e gera fenómenos de subserviência e de medo.

Só assim foi possível verificar um conjunto denominado de boas práticas que tornava "exequível" aquilo que depois se provava ser inaplicável: é essa uma parte crucial da história recente da avaliação do desempenho dos professores e do arrastamento insuportável desta coisa sem pés nem cabeça. Quando se tentou perceber as boas práticas das escolas ditas de referência, o ridículo eliminou rapidamente a visibilidade mediática que se quis impor. Também por precaução se deixou de falar nisso.

 

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Quarta-feira, 07.09.16

 

 

 

"Precisamos é de escolas normais para pessoas normais". Ouvi e concordei. Precisamos de escolas com instalações decentes, com um número aceitável de alunos por turma, com uma organização desburocratizada, moderna, ambiciosa e virada para o futuro. Precisamos de escolas não titubeantes na afirmação da democracia. Precisamos de recuperar o respeito pelos profissionais da Educação.

 

Não precisamos da retórica da excelência e da qualidade. Não precisamos desses conjuntos vazios e de propaganda. Não precisamos de redes concelhias com escolas em concorrência. Dispensamos a arrogância. Dispensamos o egocentrismo escolar que nos devia envergonhar com tanto por fazer. Precisamos de outra gramática.

 

As escolas normais cooperam, pensam em conjunto as matrículas de alunos e não excluem; muito menos alunos da educação especial. As escolas normais são as escolas das democracias mais avançadas e com melhores resultados, desconhecem a competição deslocada e a publicação de rankings medíocres para concluir o óbvio. As escolas normais elevam o interesse público. Nos países normais, as pessoas são normais e os resultados democráticos.

 

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1ª edição em 26 de Maio de 2016



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Terça-feira, 06.09.16

 

 

 

Fez-se um justificado mediatismo porque Joaquim Azevedo, ex-SE da Educação num Governo de Cavaco Silva, disse que "as escolas públicas rejeitam alunos". A selecção de alunos em Portugal é antiga: por auto-exclusão (pobres que nem se atreviam a pensar nos liceus), rejeição de alunos "problemáticos", incluindo os da educação especial que davam muito "trabalho", e mais recentemente escolhas a pensar nos rankings. Tudo isto é mais do que conhecido e Joaquim Azevedo disse-o. E fê-lo "porque é oportuno"? Talvez. Mas repetir uma verdade é um dever. Muitas vozes referem o efeito nefasto dos rankings. É a variável que mais rejeita alunos. Também não é novidade. Haverá menos públicas a rejeitar alunos do que privadas? Também é uma suposição com fundamento, embora o desnorte dos últimos anos tenha generalizado a imagem.

 

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Terça-feira, 30.08.16

 

 

 

Apesar do atraso, foram colocados (o dobro de 2015) 7360 contratados. E porquê? Porque acabou a tragédia BCE. O Governo foi sensato: eliminou procedimentos inúteis e errados. E, sem vaidade, não acrescentou. Como há muito se sabe, o concurso por listas graduadas é o mais democrático e espera-se que a actualidade sirva de lição.

 

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Segunda-feira, 22.08.16

 

 

 

 

Impressiona, em acontecimentos recentes, a pressa com que se pretende escrever a história com um revisionismo risível. A eliminação, ou adulteração, da memória tornou-se um hábito. Imagine-se, então, o que poderá acontecer quando tratamos o passado mais longínquo. É muito interessante a entrevista da revista do Expresso (20 de Agosto de 2016) a Sanjay Subrahmanyam - "considerado um dos grandes historiadores indianos e - pasme-se - um especialista sobre a presença portuguesa na Índia(...)" -. A passagem que vai ler (página 54) dá que pensar se a relacionarmos com a quebra no número de jovens historiadores ou com a importância da documentação da memória através da interessante proliferação de meios.

"Um historiador não tem de acreditar na memória, tem de jogar contra ela para ver como é construída, porque muitas vezes a memória é falsa."

 

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Sábado, 30.07.16

 

 

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Pode ler aqui.



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Quarta-feira, 06.07.16

 

 

 

Afinal a gabarolice do mais com menos dos "privados" escolares não era apenas à custa da indecente precarização de profissionais. Criavam turmas irreais no modelo de fantasma amealhador.

 

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Quinta-feira, 30.06.16

 

 

Listas definitivas do Concurso Externo 2016/17



publicado por paulo prudêncio às 10:45 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 16.06.16

 

 

 

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Terça-feira, 14.06.16

 

 

 

 

Quando se trata do sucesso escolar, boa parte da esquerda só conhece uma responsabilização: a formação e o desempenho dos professores. Elimina a sociedade, as famílias e a gestão escolar. Tropeçamos em sinais que fazem temer uma qualquer repetição. Nem sei se é por causa dos sociólogos de esquerda ou se é algum trauma com a dificuldade em contrariar o determinismo social que "perpetuamos". O que se constata, é o apontar de dedo aos professores em regra por quem nunca pôs os pés numa sala de aula. Se à direita só se espera a opção low cost, custa ver a esquerda a repetir receitas desenhadas por formadores de professores associados aos tais sociólogos que sabem sempre, e há muito e sem equívocos, o que será a Educação no século seguinte.

 

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Segunda-feira, 13.06.16

 

 

 

Captura de Tela 2016-06-12 às 23.12.09.png

 

 

"(...)A inscrição na Escola Alemã garante-lhes, afirma, “uma educação com duas línguas que funcionem quase como maternas”. Se não fosse essa preocupação, “andariam obviamente numa escola pública”. O que ela nos diz com esta expectativa é que as escolas públicas não providenciam nem o ensino capaz de duas línguas nem o tal “currículo internacional”. Ou seja, quem for exigente com a educação dos filhos, trate de vida e vá para as privadas. Quem não tiver possibilidades, pois que abdique do “currículo internacional”. Com esta singela explicação, Alexandra Leitão acrescenta realismo à caricatura da esquerda caviar que adora discutir o problema dos pobrezinhos exibindo as suas boas camisas Gant em cenários de lagosta e vinhos caros."

 

Texto completo aqui.



publicado por paulo prudêncio às 09:12 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Sábado, 04.06.16

 

 

 

O tempo real é um sinal da aceleração do tempo nas sociedades actuais. Mas é também o principal indicador de um sistema de informação de uma organização. O tempo entre a obtenção e o fornecimento da informação é real ou não é transparente. Por paradoxal que pareça, a optimização do tempo real desacelera o tempo das pessoas.

 

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publicado por paulo prudêncio às 11:31 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 30.05.16

 

 

 

Foram dez anos a inclinar a escola pública. Quando muitos referem a necessidade de uma qualquer refundação ou mudança de paradigma (vocábulo que uso menos), é no sentido organizacional que leio o imperativo. Não foram só as sucessivas "reformas", baseadas em retrocessos civilizacionais ou guerra confessada aos professores da escola pública, foi o clima que se instalou que suprime o pensamento sobre o futuro. O desinvestimento na escola pública e nos seus profissionais é uma evidência que choca ainda mais os que olham perplexos para os poucos, e pouco fundamentados, defensores de grande parte dos colégios "privados". É que não se trata apenas de repor decência orçamental numa nódoa do Estado de direito, exige-se a recuperação dos caminhos democráticos, no mais amplo sentido, na organização da rede pública de escolas, e em cada uma das instituições, sem que isso avalie de forma negativa o esforço, e a relação pedagógica, de alunos e professores num sistema com tal grau de instabilidades e incongruências. Como alguém disse, "é preciso parar antes de voltar a avançar".

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:37 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 28.05.16

 

 

Como é que diz que se disse?

 

Nem mais.

 

E acrescento o comentário inserido neste post pelo Rui Farpas de Mascarenhas:

 

"Ai as estatísticas! Então as de “felicidade”… Mas embarcando no jogo delas, também se poderá dizer que elas “confirmam” que o paradigma escolar vigente está esgotado, mas (ainda) funciona graças aos professores e à sua dedicação e entrega."



publicado por paulo prudêncio às 19:01 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 27.05.16

 

 

 

Já nem vou ao caso extremo do presidente do Conselho Geral da escola pública que é proprietário do colégio "privado" vizinho que tem contrato de associação redundante. Há inúmeros autarcas, como só agora alguns estão a reparar, que estão nos Conselhos Gerais das escolas públicas e comprometidos com o negócio dos colégios "privados". E podíamos ficar umas horas a elencar casos da mesma família. É evidente que a entrada da partidocracia na vida das escolas explicará alguns dos enigmas mais recentes da rede escolar.

 

O Governo mostrou-se corajoso e bem preparado. Necessitou, e necessita, de apoio no terreno. Desde logo, de clareza e transparência nas redes concelhias. A mediatização dos "erros" explicados pelas circunstâncias do primeiro parágrafo é inevitável e até favorece as intenções dos que se opõem ao Governo. Mas espera-se que esses casos de duplex escolar, agora mais expostos, tenham, no mínimo, uma vida mais difícil.

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:26 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Quarta-feira, 25.05.16

 

 

 

Escrevi assim:

E se uma das escolas mais expostas a contratos redundantes estivesse pontuada com um 5? Imaginemos que, em 2005, quando nasceram os colégios "privados" na sua zona, essa escola tinha 1000 alunos e 42 turmas (32 nos 2º e 3º ciclos). Imaginemos ainda que, em 2016, já só tinha 400 alunos e 23 turmas (17 nos 2º e 3º ciclos e continuemos a imaginar que ao longo dos anos o MEC afunilou a constituição de turmas) e estava pontuada com um 5 que é a classificação máxima das sobrelotadas. Seria, no mínimo, surpreendente.

 

Documenta-se, então, o estranho caso da EBI de Santo Onofre em Caldas da Rainha.

 

Captura de Tela 2016-05-24 às 23.25.42.png

 

Quadro na página 101 - na página 03 explica-se a metodologia, nomeadamente a recolha de dados

 



publicado por paulo prudêncio às 09:28 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 22.05.16

 

 

 

A Liberdade como princípio, a Liberdade como fim (do facebook de José Matias Alves)

 

(...) 

Três liberdades e mais três. A liberdade é um substantivo, mas é também um verbo de acção. A escola pública tem de saber repensar-se, renovar-se, abrir-se.


Em primeiro lugar, repensando-se no espaço público. Há mais educação para além da escola. Hoje, precisamos de reforçar os laços entre a escola e a sociedade e assim renovar um compromisso social em torno da educação. É uma mudança decisiva, que exige uma efectiva capacidade de decisão das pessoas, das autarquias e das instituições no interior deste espaço público da educação. Não gosto muito da metáfora das «cidades educadoras», mas é a que melhor ilustra a dimensão de partilha e de co-responsabilização que marca a educação nas sociedades contemporâneas. 


Em segundo lugar, renovando-se como «coisa pública». 
A escola não é um «serviço» ou uma «mercadoria», é uma instituição da res publica. Quando se compara a escolha da escola com a escolha das malas, dos sapatos, do jornal, do carro ou da casa, como já se escreveu, perde-se todo o sentido, social e cultural, individual e colectivo, do acto de educar. 


Em terceiro lugar, abrindo-se ao futuro. Vivemos um tempo de profunda mudança geracional, em grande parte pela forma como o digital está a transformar as vidas das crianças e dos jovens. Michel Serres diz mesmo que, nas últimas décadas, nasceu «um novo ser humano que vive, pensa, comunica e ... aprende de maneira totalmente diferente». Os edifícios escolares vão desaparecer ou, pelo menos, vão transformar-se radicalmente. Os tempos escolares vão ser organizados de modo totalmente diferente. O trabalho dos professores vai sofrer alterações profundas. A escola pública tem de estar à altura desta revolução da aprendizagem que está a acontecer debaixo dos nossos olhos e perante uma certa «indiferença» da nossa parte. 


A escola pública tem de ser, cada vez mais, um espaço de liberdade. Hoje, as sociedades têm um nível de educação, instituições culturais e científicas e meios tecnológicos que permitem concretizar o sonho, que muitos outros sonharam antes de nós, de uma escola que é 

 

Igualdade 
Diversidade 
Aprendizagem 
Participação 
Autonomia 
Criação 

 

A liberdade tem uma característica única e singular: só existe em mim se existir também nos outros. Não posso ser livre se os outros viverem sem liberdade. A escola pública é o lugar da liberdade, de todos e não apenas de alguns. A liberdade como princípio. A liberdade como fim. 

 

António Nóvoa

Universidade de Lisboa

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:59 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 19.05.16

 

 

 

E se uma das escolas mais expostas a contratos redundantes estivesse pontuada com um 5? Imaginemos que, em 2005, quando nasceram os colégios "privados" na sua zona, essa escola tinha 1000 alunos e 42 turmas. Imaginemos ainda que, em 2016, já só tinha 400 alunos e 23 turmas (continuemos a imaginar que ao longo dos anos o MEC afunilou a constituição de turmas) e estava pontuada com um 5 que é a classificação máxima das sobrelotadas. Seria, no mínimo, surpreendente.

 

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publicado por paulo prudêncio às 13:31 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 18.05.16

 

 

 

"Os serviços do ministério apuraram 70% de redundâncias no início dos ciclos, mas as escolas públicas só deram resposta a 57%". A reconhecida coragem governativa tem que ser acompanhada no terreno e as comunidades escrutinam o apuramento dos números. Fundamentos e transparência são exigências para eliminar ruídos.

 

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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
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