Em busca do pensamento livre.

Sábado, 29.07.17

 

 

 

 

É consensual a necessidade de um programa especial de aposentações para professores. Para além disso, tornou-se irrefutável que a profissionalidade docente exige reduções da componente lectiva com a idade. Parece escusado este sublinhado inicial, mas não é: a história assiste vezes sem conta a repetições. A segunda variável, assumida até durante a ditadura, foi "esquecida" na última década: redução máxima apenas aos 60 anos (no primeiro ciclo e no pré-escolar já não existe aposentação antecipada), aumento da componente lectiva e componente não lectiva recheada de inutilidades que acentuam o desgaste profissional.

Discordo das classificações de corporativismo (e este tem virtualidades) baseadas no estatuto que já existiu. E o discurso ainda mais difícil de perceber tem origem em professores mais jovens que discordam que um professor acima dos 50 anos de idade (e aos 27 anos de serviço, como era o caso) leccione 14 aulas por semana e beneficie de redução da componente lectiva para o exercício de cargos. Acrescentam, agora e para estupefacção quase geral, que os descongelamentos da carreira cheguem em último lugar aos professores com idade mais avançada. Acham que o descongelamento deve começar pelos mais jovens. Acham que a transversalidade é corporativa e escrevem-no como um acto de coragem que fará sorrir os envolvidos no Panamá Leaks. Mudarão de opinião quando a sua idade avançar e talvez nessa altura compreendam o número elevado de baixas médicas que se regista há anos a fio e entendam o clima de burnout que se generalizou numa classe profissional com uma elevada média etária e com tantos servidores da causa "dividam-nos que reinaremos".

 

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Sexta-feira, 14.07.17

 

 

 

O estudo da especialização desportiva percebeu, há muito, que existe um esgotamento das capacidades volitivas. O corpo reage. A energia psicológica não é inesgotável. É também por isso que se contraria a precocidade na especialização desportiva. Os modelos de formação bem sucedidos são graduais na exposição aos quadros competitivos e "exigem" que as políticas de competição escolar (as mais diversas e não apenas as desportivas) destinadas às crianças sejam diferentes das aplicadas aos jovens e aos adultos. Em geral, quem começa muito cedo a competir como se de um adulto se tratasse atinge a saturação volitiva quando era esperado um rendimento que maximizasse as potencialidades desportivas. Os muito difíceis estudos empíricos neste domínio dão passos e são fundamentais para comprovarem os efeitos da saturação da vontade. O psicólogo Roy Baumeister é citado com importantes contributos. Criou o conceito "depleção do ego". É como se a vontade fosse um músculo que deixa de ser irrigado; acelera a queda de açúcar e cria um efeito geral de fadiga. Estes estudos são usados para explicar o burnout dos professores que tomam milhares de decisões diárias debaixo de forte ansiedade. Daí ao esgotamento é um passo frequente com o prolongamento, e a degradação, das carreiras associado a um indicador fundamental representado na imagem que acompanha o post: o número de horas de sono. Ou seja, abandonámos o tempo das incertezas em relação ao esgotamento da força de vontade.

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Sleep.

Salvador Dali



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Terça-feira, 20.06.17

 

 

 

Documento em discusão a 20 de Junho de 2017.



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Quinta-feira, 08.06.17

 

 

 

A entrevista de ontem (SIC) a António Costa começou com a greve dos professores. Estranhei, mas depois percebi que foi uma tentativa - o entrevistador revelou a conhecida parcialidade a favor dos 1% e andou aos papéis - de embaraçar o PM. Não resultou. O entrevistado compreende as razões dos professores. Concorda com as reivindicações e espera um acordo antes da greve.

Nunca foi fácil marcar uma greve, mas é mais difícil quando um Governo, como é o caso, está em alta justificada e tem um discurso democrático. Contudo, isso não remete as pessoas para a passividade. Mas mais: o que me custa sempre a compreender, são as vozes saltitantes. Pessoas que nos habituámos a ver defender as suas profissões e que agora diabolizam os sindicatos. Como alguém disse, e com piada, uma greve a 35 de Junho era consensual. Ou como bem disse António Costa, a greve é um direito, prejudica sempre alguém e, em casos justificados, existem serviços mínimos. Bem sei que boa parte dos tais saltitantes são militantes socialistas. Mas francamente: bem nos lembramos de 2012 e 2013, para não irmos mais atrás que ainda chegamos ao tempo de Lurdes Rodrigues e os encontramos a fazer a mesma triste figura.



publicado por paulo prudêncio às 11:29 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 07.06.17

 

 

 

A plataforma de sindicatos de professores é assim: as duas federações mais representativas, Fenprof (número um em associados) e Fne, convocaram uma greve aos exames para 21; uns seis sindicatos (alguns com mais dirigentes do que sócios) fazem-no para 14. Entretanto, um spin oportuno recorda que o Governo Pàf legislou novos serviços mínimos. Regressaram de imediato os tácticos: os Pàf impacientes e os PS-primeiro indignados com os sindicatos. Tudo no interesse dos alunos, sublinhe-se. Se o Governo fosse Pàf, invertiam posições. 

 

(vamos então à intemporalidade das reedições tal a falta de paciência)

 

Aprecio o humor, mas as anedotas desconcertam-me. Não sei a razão. A atenção fica pelo caminho. Quando me contavam, sorria por cortesia. Os amigos perceberam e deixaram-se disso. Não estão para sorrisos amarelos e fazem bem.

Tenho duas ou três para os raros apertos sociais. Uma é antiga e assim:

Numa regata a duas mãos (20 Kms de cada vez), com barcos de 12 tripulantes, participaram Portugal e o Japão. Na primeira mão, Portugal perdeu por 2 horas. Reuniu-se o comité. Nomeou uma comissão que concluiu: errada constituição da equipa: o Japão tinha 1 timoneiro e 11 remadores (1-11) e Portugal 1 timoneiro, 2 vice-timoneiros, 3 sub-timoneiros, 5 timoneiros adjuntos e 1 remador (1-2-3-5-1). Perante os factos, o comité alterou: 1 timoneiro, 1 vice-timoneiro, 4 sub-timoneiros, 5 timoneiros adjuntos e 1 remador (1-1-4-5-1). Na segunda mão, Portugal perdeu por 4 horas. Meses depois, o comité concluiu: a culpa era do remador.

 

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Quarta-feira, 31.05.17

 

 

 

Apesar da internet e da velocidade dos restantes meios de comunicação social, as análises também se condicionam pelo espaço físico. Ou seja, raciocinamos por indução e dedução. Constata-se a diversidade geográfica, mesmo num país pequeno como Portugal. Por exemplo, e pensando na blogosfera, observa-se o modo como a localização dos bloggers os posicionam no intenso espaço mediático da educação nos últimos anos. A municipalização e a rede escolar são casos ainda mais evidentes. Quem vive em concelhos onde não existem "privados" não estará tão sensível para o problema e o mesmo se passa com o grau do caciquismo na discussão sobre municipalização.



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Quinta-feira, 25.05.17

 

 

 

Desde a viragem do milénio que se detectou na massa crítica escolar centralizada (e algo estratosférica) a intenção de um mega-agrupamento por concelho (com excepções nas zonas metropolitanas). O argumento é a redução de custos. A massa crítica docente não fez, nem faz, o que devia para o evitar (dando razão ao nosso último monarca que, ao que consta, dizia "que somos um país de bananas governado por sacanas") e os mentores partidocratas preparam a ofensiva que designam por municipalização.

Repitamos: não é avisado qualquer aumento de escala com os instrumentos legais em vigor; a gestão de proximidade, e a consequente liderança, é um factor inalienável da gestão escolar. Haverá apenas um reforço: o pior da política partidária. O que urge é o movimento contrário, redução da escala, e o regresso da democracia às escolas.

Está em causa a confusão eterna em variáveis fundamentais: desconcentração do MEC e lei orgânica, municipalização (descentralizada) do sistema escolar e modelo de gestão escolar que foi "pensado" para uma escola não agrupada e que é mais desconcentrado (com forte dependência do poder central) do que descentralizado. As redes escolares, e as análises e diagnósticos, dão mais sinais de que a terraplanagem cria o hábito.

 

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Sexta-feira, 12.05.17

 

 

 

"Se apresentar joelhos esfolados ou bolhas nas extremidades inferiores do objecto de profanação, o corpo, tem mais três dias de tolerância de ponto". Ouvi a informação bem humorada, convenhamos, e ainda não a confirmei. Pareceu-me que a bênção, a exemplo da já confirmada, não excluirá os professores por serem muitos.

Não é a primeira vez que a Geringonça não excluí os professores por serem muitos. Foi assim com a reposição salarial no ímpeto inicial da governação (embora o líquido mensal esteja inamovível), que não excluiu os professores por serem muitos. Contudo, quando se fala que em muitos casos o descongelamento de carreiras atingirá dois escalões, excluem-se os professores por serem muitos; quando se projectam reformas voluntárias favoráveis, excluem-se os professores por serem muitos; quando se recupera dignidade no estatuto das carreiras, excluem-se os professores por serem muitos; quando se defende o princípio inalienável dos profissionais votarem nas instituições que servem, excluem-se os professores por serem muitos. Abençoemos, então, o dia de hoje. No caso, que não será o meu, de o leitor se exaltar na adenda descrita no início, sugiro o link por baixo da imagem.

 

Nota: dizem-me que o Diabo está novamente desiludido depois de fazer bolhas nas extremidades superiores do objecto de profanação por tanto esfregar as mãos. Porquê? Porque desejou que a Geringonça não tolerasse o ponto.

 

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Guia completo para o tratamento das bolhas (também se aplica a joelhos esfolados)



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Quarta-feira, 03.05.17

 

 

 

São conhecidas as componentes críticas do desastroso modelo de gestão que Lurdes Rodrigues impôs e Crato manteve no essencial, mas o que o PSD quer mudar como fundamental é que os "pais que são professores devem ficar fora dos conselhos gerais das escolas". É surreal. Há todo um rol de trapalhadas, irregularidades, abusos do poder e por aí fora e a direita, que ainda há uns dois anos saiu do Governo, conclui deste modo. Dá ideia que olham para os conselhos gerais como um espaço para contar espingardas na hora de escolher. Na partidocracia é assim. Mas nas escolas não deve ser. Há modos democráticos, mais do que testados e com provas muito boas, para eleger. São estas pequenas coisas que também explicam a nossa queda para protectorado.



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Quarta-feira, 26.04.17

 

 

 

E o leitor interrogará: Frenocómio? Já lá vou, não desista. Primeiro, convém esclarecer: há mais de uma década que vou somando episódios para esta conclusão. Mas depois de ler umas coisas sobre o estado geral das escolas, sobre as provas de aferição para os petizes, sobre a hiperburocracia e sobre o estado da gestão das escolas, não me permitia outro entendimento. E qual é então o significado de manicómio? É fenocómio, hospital para internamento de doentes mentais ou hospital psiquiátrico, com todo o respeito por estes lugares.



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Domingo, 23.04.17

 

 

 

O "caso sarampo" evidenciou o intolerável julgamento popular (o desrespeito por quem perde um filho) a par da sociedade ausente que remete para a escola-armazém um caderno de encargos impossível de cumprir (o controle rigoroso das vacinas obrigatórias deve ser feito pelo SNSaúde onde estão registados todos os cidadãos).

 

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As contas do insucesso (mas com sentido)



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Sexta-feira, 21.04.17

 

 

Um título sugestivo como manual para a sobrevivência no estado organizacional das escolas portuguesas. Mas a leitura transporta-nos para outras paragens. É uma obra interessante.

 

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Quarta-feira, 19.04.17

 

 

A inédita maioria que apoia o Governo tem um discurso mais positivo do que as anteriores, mas pouco respira para além do défice. Regista-se o abandono do discurso da austeridade virtuosa e da venialidade ao poder europeu. Mas não chega. Bruxelas continua com a agulha apontada ao pensamento que sustenta o presidente do Eurogrupo e que foi também apoiado pelo antigo arco governativo português durante boa parte do que levamos de milénio. Estamos, portanto, numa espécie de quadratura do círculo também por culpa própria. Quanto aos professores, desesperam com o atraso na concretização das boas vontades. Sabem que são o maior grupo dos funcionários públicos (e o que isso tanto financiou os interesses do antigo arco governativo) e que a massa salarial é elevada mesmo com os baixos vencimentos. Mas é cada vez mais difícil aceitar o congelamento das carreiras, os milhares de precários, os aumentos dos horários e das inutilidades e o prolongamento da desconfiança na democracia. Para além disso, o adiamento das reformas, que se está a tornar num caso sério de saúde pública, contamina as atmosferas organizacional e relacional e coloca o sistema escolar à beira de um ataque de nervos.



publicado por paulo prudêncio às 10:35 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 16.04.17

 

 

 

A especialização desportiva percebeu, há muito, que existe um esgotamento das capacidades volitivas. O corpo reage. A energia psicológica não é inesgotável. É também por isso que se contraria a precocidade nessa especialização. Os modelos de formação bem sucedidos são graduais na exposição aos quadros competitivos e "exigem" que as políticas de competição escolar (as mais diversas e não apenas as desportivas) destinadas às crianças sejam diferentes das aplicadas aos jovens e aos adultos. Em geral, quem começa muito cedo a competir como se de um adulto se tratasse atinge a saturação volitiva quando era esperado um rendimento que maximizasse as potencialidades desportivas. Os muito difíceis estudos empíricos neste domínio dão passos e são fundamentais para comprovarem os efeitos da saturação da vontade. O psicólogo Roy Baumeister é citado com importantes contributos. Criou o conceito "depleção do ego". É como se a vontade fosse um músculo que deixa de ser irrigado; acelera a queda de açúcar e cria um efeito geral de fadiga. Estes estudos são usados, e por incrível que pareça, para explicar o burnout dos professores (e não apenas dos portugueses) porque tomam muitas decisões diárias em clima de ansiedade. Daí ao esgotamento é um passo frequente com o prolongamento, e a degradação (mais turmas, mais alunos, mais burocracia, mais procedimentos inúteis, menos confiança), das carreiras associado a um indicador fundamental representado na imagem: o sono. Ou seja, abandonámos o tempo das incertezas (é também o tempo dos governos mudarem de vez a agulha) em relação ao esgotamento da força de vontade que não era mensurável por "invisibilidade" e que os crédulos, que só admitem o perdão da dívida dos bancos, "confundiam" com corporativismo ou com classificações desinformadas.

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Sleep

Salvador Dalí



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Quinta-feira, 30.03.17

 

 

 

Já vamos com mais de dez anos de cortes na escola pública. Se há progressos nos resultados internacionais, muito se deverá ao aumento da escolarização da sociedade. Quando se refere a necessidade de uma mudança de paradigma (vocábulo que uso menos), é no sentido organizacional que leio o imperativo. Não foram só as sucessivas "reformas", baseadas em retrocessos civilizacionais ou em guerra confessada aos professores da escola pública, foi o clima que se instalou que suprime o pensamento sobre o futuro. E não é apenas a saúde orçamental do Estado de direito. Trata-se da recuperação democrática da rede pública de escolas, sem que isso avalie negativamente o esforço dos actores num sistema com tal grau de instabilidade e incongruência.

 

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Terça-feira, 28.03.17

 

 

 

Para além da incerteza nas vantagens para as aprendizagens, há todo o universo organizacional que cria apreensão. A má burocracia é uma espécie de bactéria que retira energia vital aos professores. Existe o medo da repetição. Na anterior experiência de gestão flexível, generalizou-se um inferno burocrático resultante de uma coligação fatal para a organização das escolas: excessos das ciências da educação cruzados com atavismos das ciências da administração. Em regra, multiplicaram-se as reuniões de agenda repetida e as inutilidades informacionais. Os exemplos bem sucedidos nessa recente experiência investiram, acima de tudo, em sistemas de informação associados à simplificação de procedimentos e aos climas organizacionais democráticos. Não é tudo, mas é fundamental.

Os sucessivos Governos aumentaram a burocracia escolar. É irrefutável. Existem causas, nem sempre identificadas, que provocaram o estado de sítio organizativo neste sistema centralizado. Desde logo, porque não existe uma combinação moderna entre as duas ciências referidas.

Não se vislumbra um qualquer sinal da "(...)novel investigação que se preocupa com a gestão escolar propriamente dita e com os seus sistemas de informação, numa lógica que tenta ultrapassar dois territórios que, e segundo Barroso (2005), têm ocupado o universo da Administração Educacional: o das Ciências da Educação e o das Ciências da Administração e Gestão.(...)Não é possível identificar escolas de gestão escolar. Apesar destas instituições serem, Grade (2008), uma das organizações mais estudadas, inscrevemos um estado de desconhecimento quanto aos modelos de gestão. Existem opções quanto à forma como as redes de escolas se estruturam, mas o reconhecimento da singularidade organizacional das instituições é um espaço de investigação que dá os primeiros passos."

Dá ideia que Paula Rego prognosticou a apreensão (a omnipresença do fantasma) no tríptico "família" integrado na exposição "o velho visita o novo".

 

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Paula Rego.

Tríptico "Família".

Exposição "old meets new".

Casa das Histórias Paula Rego.

Cascais.

 



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Terça-feira, 21.03.17

 

 

 

A Finlândia incluiu mais competências transversais nos currículos nacionais (o processo iniciou-se em 2012 e apenas em 2016 deu os primeiros passos). E porquê a transversalidade? Por causa dos futuros profissionais, mas principalmente pelo tédio dos alunos (até nas raparigas que têm melhores resultados em todas as literacias). A ligeira quebra nas avaliações internacionais terá acelerado a recuperação da antiga interdisciplinaridade; ou melhor: da sua institucionalização. O processo tem cinco anos, não muda com a queda de um Governo (Crato&Rodrigues seriam impossíveis) e regista o pessimismo de 34% dos professores; 21% registaram benefícios. Toda esta sensatez num sistema com escolas com uma dimensão civilizada, descentralizada e autónoma. Não existem exames (mas existe avaliação), não existe avaliação do desempenho (do desempenho, sublinhe-se) dos professores e não existem serviços de inspecção (os sistemas bem sucedidos constroem a confiança): ou seja, estão há muito a contrariar as variáveis determinantes da escola-indústria (nunca li, nos inúmeros relatos do sistema finlandês, uma referência ao excesso de burocracia).

Em Portugal, parece que se queria recuperar a flexibilização institucional do currículo, e logo de 25% da carga horária, quase de supetão. Dizem que parou por causa das eleições autárquicas e da vontade do Presidente. Que não se conte este ridículo fora de portas e que se repita: para além do tempo, "isto apela a profissionais não preenchidos por burnout e sentimentos de "fuga", precarizados ou rodeados de má burocracia - o inferno acentuou-se (1998-2000) na anterior experiência de gestão flexível do currículo - num clima de desconfiança na democracia. Estas componentes criticas são mesmo os riscos a contrariar num ambiente de flexibilização curricular".

A imagem é de um pintor finlandês: um Anjo, mesmo que ferido como é o caso do escolar finlandês, justifica todos os cuidados e merece que se lhe dê tempo para encontrar outros caminhos.

 

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Hugo Simberg.

"O anjo ferido"

Museo de Arte Ateneo.

Galería Nacional.

Helsinski. 

Finlândia. 



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Segunda-feira, 20.03.17

 

 

 

Direitos Fundamentais da Criança e Educação Inclusiva: conferência de Laborinho Lúcio na Assembleia da República.

 

 



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Terça-feira, 14.03.17

 

 

Há muito que se sabe que a nuclear gestão da informação das escolas está na "idade da pedra"; nos últimos anos, e com as plataformas digitais, o sistema escolar inaugurou a "idade da pedra digital". É uma atmosfera reconhecida pelas diversas equipas ministeriais antes de o serem. As campanhas eleitorais acusam a infernal hiperburocracia (a analógica e a digital) como a primeira responsável pelo burnout dos profissionais. Mas não passa de retórica. Os exercícios governativos agravam o fenómeno. Não revelam uma ideia sobre o modo de o atenuar. Até os simplex's são intuídos em sentido contrário. As plataformas digitais em que mergulham as escolas padecem de duas "patologias sem sala de aula" na fase de análise e programação: legisladores e empresas comerciais de software escolar.

 

PS: desculpe os anglicismos, caro leitor; mas até ficam bem no ambiente digital do post.

 

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25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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