Em busca do pensamento livre.

Domingo, 23.07.17

 

 

 

O medo, e o medo de ter medo, foi o que mais me impressionou no universo escolar da ultima década (2005 a 2017, para se ser mais preciso). É evidente que o modelo de gestão escolar (2009) tornou o sentimento mais visível. O receio de existir é a mais nefasta herança de um período que teima em prolongar-se.

Mas há outras causas. A má burocracia, por exemplo, corporizada em grelhas anula o indivíduo e o seu inatismo cooperativo e gregário. Institucionaliza o formulário. O erro num dos inúmeros campos sentencia a reprovação, a vergonha ou a exclusão numa qualquer progressão ou concurso público. Sobrecarregar o indivíduo com burocracia num modelo que permite uma pirâmide clientelar, cria uma ilusão férrea, venera a bajulação, exclui a dignidade e impede qualquer veleidade à inovação, à inteligência e ao primeiro atributo do conhecimento da razão: a liberdade.

 

Combinações kármicas - abandono

Imagem encontrada na internet

sem referência ao autor.

 



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Quinta-feira, 20.07.17

 

 

 

"Dissonância completa" é um post do Paulo Guinote que lança um debate muito interessante sobre a actualidade curricular portuguesa. Não sei se há no actual Governo uma opção pelo corpo musculado (e tecnológico, o corpo organológico) ou sequer uma opção pela Educação Física (espartana) em detrimento da Motricidade Humana (ateniense). Existe, e objectivamente, um desprezo pela Filosofia e pela História que não é de agora; foi uma opção espartana. Aliás, essa subalternização começou com o "espartano" David Justino e teve um pico com Nuno Crato (o Paulo Guinote inclui Crato numa 3ª via: a draconiana; concordo se retirarmos da mente que Drácon ou Draconte foi um legislador ateniense :) ). Nos governantes intermédios houve desnorte: uma espécie de desvario entre "o que penso ser e os ventos que sopram" que resultou na manutenção da via curricular espartana.



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Segunda-feira, 17.07.17

 

 

 

Em tempos não muito longínquos (2008 a 2014), os "privados" escolares publicitavam os seus serviços em contraposição ao ambiente de protesto nas escolas públicas. Eram injustos. A defesa da escola pública, e do texto constitucional, era, e é, um imperativo democrático. É agora uma lição que a imagem desses "privados" seja de instabilidade e incerteza, numa fase em que usam aquilo que tanto criticavam aos defensores da escola pública: a luta jurídica.



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Quarta-feira, 12.07.17

 

 

 

O Governo Macron anunciou a redução para "12 alunos em cada uma das 2200 turmas dos primeiros anos em escolas mais problemáticas".

Reduzir de 30 para 28 é, para quem está dentro da sala de aula, uma insignificância. O que se está a passar em França surpreende. Veremos como se desenvolve o exercício de Macron. Também surprrende nas políticas energéticas, desde o abandono de cerca de 60% do nuclear à eliminação até 2040 de automóveis a diesel e a gasolina.



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Segunda-feira, 10.07.17

 

 

 

Iniciar o portal digital com os processos individuais de alunos, professores e outros profissionais da educação é um imperativo que o Ministério da Educação (ME) adia há mais de duas décadas. Existem dezenas de empresas privadas licenciadas pelo ME em software escolar e mais umas dezenas de plataformas digitais a obter dados que constam de processos individuais analógicos existentes nos serviços administrativos escolares que, em muitos casos, mais parecem pergaminhos "consolidados" por fita-cola. É um inferno de procedimentos com um faz de conta insuportável. Resultados de tudo isto? Matrículas de alunos em estado-século-XIX e concursos e candidaturas de profissionais da educação envoltos em clima de suspeição pela não confirmação de dados (para alem da tortuosidade na contagem do tempo de serviço). Quando "se vê um candidato ultrapassado por dados falsos que se conhecem "desde sempre"", como relatam candidatos ao presente concurso, ou exclusões com base em inexactidões dos serviços, é difícil que a indignação não aja. Não existem portais perfeitos (até na rede multibanco existirão falhas). Mas se só se lançarem dados materialmente comprovados e de domínio público quando solicitado, e se regressar a sensatez contabilística à contagem do tempo de serviço, será dado um primeiro passo para a eliminação do ruído e a justiça tornará decente esta área tão sensível.

 

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Domingo, 09.07.17

 

 

 

"(...)É preciso ter topete, falta de vergonha, descaramento. Depois de 5 anos (2011-15) em que o investimento público foi reduzido em 40%(...)a direita, melhor, esta direita encabeçada pela actual direcção do PSD, que utilizou o Estado como saco de boxe(...)venha clamar contra o enfraquecimento do Estado(...)Esta justa opinião de Nicolau Santos (Expresso) tem subscritores com falta de memória. Nos detalhes do texto não há referências à educação; apenas, e por inerência, nos cortes de ordem geral. É uma omissão. Num texto destes não cabe a totalidade. Compreende-se. Mas olhar para a educação pode servir de modelo.

Se usarmos o período 2005-15, e não apenas 2011-15, registaremos o encerramento de metade (4000) das escolas públicas (e o aumento de "privadas", com um pico em 2005/10 e uma quebra apenas em 2016) e o corte de mais de 40 mil professores (mais de 30%; 70% eliminados por Crato). Se a PàF não se pode desculpar com a troika porque subscreveu um-além-programa e porque é essa a sua ideologia, o PS-absoluto iniciou os cortes antes da crise de 2007. Se foi também por causa das metas europeias, então as forças que têm governado que assumam o que assinaram e o que não está escrito em lado algum. Houve escolhas "não inscritas" que PàF e PS-absoluto partilharam: PPP´s ruinosas, participação em desvarios financeiros - para ser brando e sem convocar corrupção comprovada -, falhas exclusivas no software que regista saídas para offshores e maior transferência da história de recursos financeiros das classes média e baixa para a alta através do encerramento a eito de serviços públicos para fazer face a imparidades, crédito malparado e juros de dívida de toda a espécie.

 

Nota: Tancos é outro assunto. As forças armadas têm que garantir a segurança do armamento.

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Quinta-feira, 06.07.17

 

 

 

Uma aula foi de 50 minutos durante décadas. Em 1998, decidiu-se que era preciso "tempo de aula" e inventou-se a sessão de 90 minutos contabilizada como 2 aulas. Como havia disciplinas com 1, 3 ou 5 aulas semanais, criaram-se aulas de 45 minutos. Ou seja, a redução de 50 para 45 originou um irresolúvel imbróglio de 5 minutos (a bancarrota cíclica também tem causas endógenas) que transitou entre governos até Nuno Crato. Aí, os professores passaram a dar minutos em vez de aulas numa eloquente homenagem, em nome dos sucessivos ministros da educação, ao espírito anti-simplex. Gerou-se uma tortuosa contabilidade que os agentes escolares tentaram ignorar.

Quem lê o "despacho de flexibilização curricular" (blogue "Escola Portuguesa" de António Duarte) fica apreensivo. Por distracção ou desconhecimento, as matrizes curriculares projectam aulas de 50 com aulas de 45 em disciplinas do mesmo ciclo; a confusão será idêntica em ciclos diferentes que usem os mesmos espaços. Mas por que é que não se acaba com os horários ao minuto? Alunos, disciplinas e professores têm x aulas semanais (45 ou 50, ou 50 e ponto final) e ponto final. E as reduções dos professores? Se um professor lecciona 22 ou 25 aulas semanais, o seu posicionamento na carreira, e a sua idade, reduz-lhe y aulas por semana. Mas é preciso estudar regressões lineares múltiplas para simplificar estas variáveis? Entristece-me a sucessão de oportunidades perdidas. Ainda sobre o despacho (salvaguarda-se que é um projecto e que será testado - estarão em vantagem as escolas que o experimentem criticamente -), observa-se o "linguajar bem pensante dos excessos das ciências da educação", que persiste e aglutina o que tem más provas dadas, que se tornará um pesadelo em associação com os "atavismos das ciências da administração".

 

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Quarta-feira, 05.07.17

 

 

 

"Os professores são os outros heróis que estão a mudar Portugal", disse recentemente o PR para surpresa generalizada e após uma greve (mal planeada). No mínimo, percebeu a solidão dos professores. Marcelo R. de Sousa, que foi professor, deu uma lição à oposição (que "até férias do PM usa", mas que tem alergia - para ser brando - à escola pública e aos seus professores) e às silenciadas forças da geringonça. Mas porquê os professores? O PR sabe que os professores foram, de longe, os mais sacrificados da administração central e que algo tem que ser feito (chega de indecência nas reformas, nos congelamentos, nas precarizações e, de resto, no estatuto da carreira). É que liderar "30 alunos" de menos de 10 anos várias horas por dia ou 30x3, x4, x5, x6, x7 (e por aí fora) adolescentes várias vezes por dia, exige energia, motivação e tempo de reflexão e dispensa hiperburocracia, climas de desconfiança profissional e organizacional - também para ser brando - e desrespeito institucional. 

 

Nota: o PR esforça-se por cumprir o seu papel e os professores esperam resultados. 

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publicado por paulo prudêncio às 13:42 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Sábado, 01.07.17

 

 

 

"Portugal é o país europeu com uma maior associação entre chumbos e pobreza", diz o Público numa edição em que também se conclui que "em 16 anos nunca se chumbou tão pouco como no ano lectivo passado". Se também se sabe que temos 2 milhões e 500 mil pobres (500 mil crianças), será óbvia a conclusão que nos diz que as alterações administrativas para o sucesso escolar mudaram os números (os números) e ponto final. 

Repito um algoritmo que já tem quase uma década.

A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.

Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades, na mesma sociedade e organização, com 100 professores diferentes, os resultados oscilariam muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

É também por isso que é um logro que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que tudo se resolve mudando o conteúdo físico dos 30%. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% não há ensino.

 



publicado por paulo prudêncio às 11:21 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 30.06.17

 

 

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aqui



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Quarta-feira, 28.06.17

 

 

 

Uma história de municipalização: uma fábula da “administração educativa” das autarquias



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Segunda-feira, 26.06.17

 

 

 

No mesmo dia em que se anunciam "provas de aferição do 8º ano online", divulga-se que "as aprendizagens (também no 8º) na Educação Física passarão a ser objeto de Avaliação Externa no ano letivo 2017/2018". Será uma excepção e uma descoordenação comunicacional. O simplex é positivo, sendo, no entanto, polémico este modo de aplicar provas. O que se anuncia recupera uma ideia - matrículas online que vem do simplex 1 (2006) -, implementada no século passado por muitas escolas e que se tem perdido. Bem pensado, é um ponto de partida para eliminar o inferno da repetição e da redundância no lançamento de muitos dados; e atenuar o burnout. Para isso, será necessário que o Ministério da Educação, a exemplo do simplex 1, não caminhe em sentido contrário à simplificação de procedimentos.



publicado por paulo prudêncio às 11:18 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 25.06.17

 

 

 

Não há profissão em Portugal alvo de semelhante devassa e desconsideração. Os professores estão há mais de uma década nas primeiras páginas. Desta vez, é uma "junta médica que considera apta uma professora com a doença de Alzheimer". Este clima tem um resultado: o descrédito dos professores, por mais positiva que seja a imagem destes profissionais nos inquéritos mais diversos. Se existia uma imperdoável desconsideração por parte dos partidos do antigo arco governativo (os professores eram muitos e o despedimento de 30% ajustou boa parte do desvario financeiro), os cerca de dois anos de geringonça não se traduziram em qualquer mudança significativa. O prolongamento de uma carreira tão exigente está a provocar situações como a descrita, para além de desenhar um futuro em queda com congelamentos eternos e precarizações de décadas. A inquietação aumenta com o discurso intransigente de deputados do PS que, a exemplo dos trágicos governos de Sócrates e Passos Coelho, divide os professores e recupera o tique do antigo arco governativo: alergia à escola pública e aos seus professores.

 

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Sexta-feira, 23.06.17

 

 

 

Socorro! Sou mãe...

 

 

"(...)Os quadros de honra podem incitar a uma espécie de bullying [numa altura em que tanto se combate o mesmo] aos que não são bons alunos. Os quadros de honra podem até nem sequer ser bons para os que lá estão porque lhes retira humildade, e às vezes também, a vontade e a motivação para lá permanecerem e para os que sonham lá entrar.
Os quadros de honra podem criar miúdos convencidos, prepotentes e armados em bons.
(Ou considerados cromos e tótós como me foi relembrado depois de ter escrito este texto). Os quadros de honra, em crianças tão novas, podem nem fazer nada disto mas estão a dizer que há os  bons meninos e os outros. E nestas idades todas as crianças são boas, carregadas de potencial nas mais diversas áreas.
Os quadros de honra são uma falta de educação da escola para com os seus alunos. Todos os alunos. Porque a honra não se mede pelos valores nos testes.(...)"



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Quinta-feira, 22.06.17

 

 

 

(   )



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Hoje, no Jornal de Letras



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Quarta-feira, 21.06.17

 

 

 

A presidente de um Sindicato de Professores transmite informação dos exames do IAVE aos seus explicandos? Como? Li bem? O exame de Português do 12º ano pode ser repetido? Lê-se que em todos os anos há esta suspeita, mas que desta vez as provas andam por aí. É o grau zero, realmente. Isto tem que ser bem apurado.



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Pelo que se percebe nos sites dos sindicatos mais representativos, aqui e aqui, não se fala mais deste dia?



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Segunda-feira, 19.06.17

 

 

 

O Governo, apesar da municipalização, manterá a colocação de professores e atenuará a hiperburocracia transferindo a "papelada" dos refeitórios. A sério. A segunda medida foi mencionada como exemplo.

A perplexidade impõe interrogações: a burocracia que inferniza as escolas está centrada nos refeitórios? Estas pessoas da mesa negocial estavam em Marte?

E já agora: o caderno reivindicativo da greve centra-se em três eixos: descongelamentos, vinculações e aposentações decentes.

E de imediato, impõem-se mais interrogações: é táctica igualmente marciana ou é a sério? "Esquecer", também como exemplo, essa mesquinhez não financeira da democracia nas escolas, é motivo para concluirmos que a geringonça já syrizou?

 

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Sábado, 17.06.17

 

 

 

Como caminhamos para férias, que é também um tempo de memórias, revisitei alguns momentos marcantes na crise da escola pública que vai em mais de uma década (2002 - 2015) de plano inclinado. Durão Barroso mostrou-se, há cerca de dois anos, "nostálgico da escola da ditadura". Sei pouco do que pensa este ex-primeiro-ministro, para além destes sound bites. O seu percurso político foi sempre silencioso, à excepção de uma fraquíssima campanha eleitoral para primeiro-ministro (2002). O seu legado, e do seu Governo, traçou a fronteira da descida da escola pública e da desconfiança nos professores. Os governos seguintes fizeram o resto.



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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
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