Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 21.02.17

 

 

No mesmo período em que o Estado injectou 4 mil milhões de euros no Novo Banco (o Governo da altura garantiu que seriam totalmente recuperáveis e agora sabe-se que voaram), o  "fisco deixou sair 10 mil milhões para offshores, entre 2011 e 2014, sem vigiar as transferências". E é isto. Se um contribuinte se atrasar um dia no reembolso de 10 euros de acerto do IRS o fisco será implacável. O Estado é uma espécie de plataforma bancária que facilita a passagem do capital retirado aos contribuintes com destino aos offshores. E depois há quem se admire com a eleição, e não só, dos trump's deste mundo (também por cá, mesmo que numa versão muito mais suave, não nos iludamos) que, ainda por cima e por suprema ironia, são especialistas das ilegalidades e do desvio mediático das atenções.

 

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Quinta-feira, 16.02.17

 

 

 

 

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Luís Afonso



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Quarta-feira, 15.02.17

 

 

 

Sem eliminar o imperativo de que "há vida para além do défice", o Governo da tal Geringonça "emite dívida com a taxa mais negativa de sempre", consegue um défice não superior a 2,1% (o mais baixo da democracia) e baixa o desemprego (em breve terá só um dígito). A solução governativa ia, desde logo, provocar uma inédita fuga de capitais a par de outras consequências catastróficas. Aguardam-se as "isentas" explicações de analistas como Medina Carreira, Gomes Ferreira ou Camilo Lourenço que talvez também expliquem o ruído interminável à volta do lamentável "caso Centeno".

 

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Terça-feira, 14.02.17

 

 

 

Falta saber quanto custa a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e como vai ser feita. Também falta saber a quem foram concedidos os créditos que originaram esta situação. Como os contribuintes vão pagar com impostos ou com mais dívida, têm o direito de saber quem são os devedores e quais os motivos do perdão financeiro.



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Domingo, 12.02.17

 

 

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Contactei a primeira vez com a formulação em título nos conselhos, sensatos para aquele contexto, diga-se, para sobreviver nos comandos: não te distingas, sê discreto e passa o mais possível despercebido. Vem isto a propósito dos especialistas que aconselham a enésima reforma de sentido único do estado social e para a conversão à absolutização da estatística.

A sugestão para o tempo militar não subscreveu os modelos do tipo BPN ou BES. Nem as instâncias internacionais de supervisão detectaram milhares de milhões em fuga porque só tiveram olhos para a média; para o homem médio.

Para Quételet "(...)o homem médio é para a nação o que o centro gravidade é para um corpo(...)". Há quem entenda que se deve levar muito a sério esta metáfora. O homem médio pode resumir todas as forças vivas de um país, coligando-as numa espécie de massa única.

Os modelos assentes na obstinação estatística, e que socorreram a troika, advogam uma excelência da média como tal, seja na ordem do bem ou do belo: "(...)O mais belo dos rostos é aquele que se obtém ao tomar a média dos traços da totalidade de uma população, do mesmo modo que a conduta mais sábia é aquela que melhor se aproxima do conjunto de comportamentos do homem médio(...)", disse ainda Quételet quando reflectia sobre a génese dos totalitarismos. Ou seja, é fundamental que as políticas olhem mesmo para além da média antes que esta se desloque para o extremo de mais baixos rendimentos.



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Cavaco Silva foi célebre na "apresentação das memórias" sobre o tempo recente. O livro terá como título "Quinta-feira e outros dias". Aguarda-se, e já agora estranha-se o atraso, o livro de memórias sobre o tempo do BPN e das suas companhias como primeiro-ministro e chefe do PSD. Ou será que Paula Rego foi premonitória no revisionismo?

 

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"Na companhia de mulheres". Paula Rego.



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Quarta-feira, 08.02.17

 

 

 

O Expresso noticia a crise de crescimento eleitoral da extrema-direita francesa. Dá ideia que Le Pen não capta votos acima, quando muito, dos 38%. Se olharmos para os recentes exemplos do Brexit e de Trump, e considerando, obviamente, os diferentes contextos, espera-se que não se repitam os clamorosos erros das sondagens.

"O candidato independente Emmanuel Macron deverá ser eleito Presidente da França a 7 de maio, com quase o dobro dos votos da candidata de extrema-direita da Frente Nacional, segundo continuam a indicar as sondagens que a Opinionway faz diariamente."

 

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Segunda-feira, 06.02.17

 

 

 

 

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Luís Afonso



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Domingo, 05.02.17

 

 

 

"(...)Pior do que a crueldade, sempre gratuita, é esta indiferença perante a crueldade. As pessoas que resolvem olhar para o lado, fugir com o rabo à seringa, pretendendo não ver. As pessoas que têm horror da resistência. Os facilitadores. Os cúmplices. Os assalariados. Os corrompidos. Os cobardes. Os amorais. Os neutros.

O que assusta em Trump não são as políticas de Trump. O que assusta é a crueldade, traço evidente para quem viu os episódios de "O Aprendiz" ou os primeiros debates contra os republicanos, quando ele não esperava ganhar.(...)"

 

Clara Ferreira Alves (2017.02.04:03)

Revista do Expresso



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Quinta-feira, 02.02.17

 

 

 

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou hoje que um "sistema político mais "plástico" tem evitado populismos em Portugal(...)e que algumas forças políticas, como o Bloco de Esquerda ou o PCP, tiveram capacidade de “enquadramento institucional” de movimentos de protesto que originaram forças populistas noutros países." Ou seja, o Presidente omitiu os populismos de direita que, a ser assim, estão integrados no antigo arco governativo com os resultados que conhecemos. Por falar em populismos, o PR também comentará um dia a vitória presidencial sem campanha, e com apoio partidário que o incomodava, porque a sua força, quase invencível, residia em anos a fio de presença televisiva que é o espaço onde se afirmam os populismos que vão tomando conta do poder mundial (e isto não é uma avaliação do seu desempenho presidencial que é mais coerente e consistente - portanto, menos populista e demagogo - que o de comentador).

 

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Terça-feira, 31.01.17

 

 

 

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Daqui

 



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A constituição garante o ensino assegurado por particulares (privado ou cooperativo). Desde que se mediatizou a privatização de lucros das cooperativas associada às ilegalidades na edificação de escolas e à ausência de concursos públicos na contratação de professores (precarizados), a discussão sobre o assunto provocou indignação. Apesar dos pessimismos (não dá em nada, é sempre a mesma coisa, estão todos alinhados e por aí fora), o actual Governo agiu de forma corajosa e informada na rede escolar. Há escolas públicas oxigenadas após anos condenadas à desertificação.

Ninguém ficou indiferente ao quarto poder. Quem faz do exercício da cidadania um dever, tem esse múltiplo poder para dar corpo ao seu optimismo. Sem este estado das almas moderadas, e sem crença na democracia, não era possível "ajudar" a justiça a funcionar e desafiar o poder político para um trajecto difícil que está longe de consolidado: dirá, com fundamento, o imprescindível pessimismo crítico e a propósito dos critérios para os concursos que vincularão extraordinariamente professores com anos a fio de contratos nas escolas públicas. Veremos como sentencia em definitivo a mesa negocial.

 

Já usei parte deste texto noutro post. 

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Sábado, 28.01.17

 

 

 

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Luís Afonso



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Sexta-feira, 27.01.17

 

 

 

No final do ano soube-se que "a economia surpreendeu e acelerou com números que não se viam há três anos". Agora temos o défice mais baixo (2,3?) dos 40 anos de democracia, o desemprego a descer e a dívida "controlada". Temos um Governo que estuda exercícios macroeconómicos que mereciam apoio da Comissão Europeia numa fase em que é ainda mais imperativa a união dos europeus. A solução governativa era classificada catastrófica por quem nos empurrou para a bancarrota e agora não "compreende" a erosão do centro político. Foram esses que inventaram, por exemplo, o número ideológico e demagogo de 3% de défice. O Governo sabe que há muito por fazer, mas transmite confiança e prova que é possível governar com a presença da Assembleia da República.

 

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Joan Miró,

Personagem Atirando uma Pedra num Pássaro, 1926



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Quarta-feira, 25.01.17

 

 

 

É a escola do Goldman Sachs. "Oferece 15.000 milhões" por 30.000 milhões de imparidades (registado muito superior ao executável). É o resultado do crédito de neutrões. Ou seja, a bomba de neutrões, a última variante da bomba atómica, é um pequeno dispositivo termonuclear que "só" destrói os organismos vivos. Nessa linha, o Goldman Sachs criou o subprime, também conhecido por crédito de neutrões, que endividou a classe média e levou-a à falência com o edificado intacto. Recupera-o na desesperada banca intermédia por metade do preço e espera que o executável suba.

 

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Estes estudos devem ser difíceis e nem imagino se estão próximos do real, mas"(...)numa análise dos resultados, é realçado que a queda de um lugar revela que "Portugal (62 ppntos) está estagnado no combate à corrupção" no sector público,(...)Dinamarca e Nova Zelândia (90 pontos em 100) são os primeiros classificados, seguidos da Finlândia (89 pontos)(...)O ranking global revela a ligação entre a corrupção sistémica e a desigualdade social e apresenta uma escala em que 100 significa "muito transparente" e 0 significa "muito corrupto"(...)Portugal situa-se agora na 29.ª posição no ranking, tendo perdido um lugar em comparação com o ano passado, quando tinha alcançado 63 pontos.(...)"

 



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Terça-feira, 24.01.17

 

 

 

Foi em 2003 que os concursos de professores iniciaram o movimento descendente. O rol de injustiças (inúmeras já irreparáveis) cresceu e lançou os procedimentos num labirinto em forma de imbróglio. Entre tanta justificação, o mérito no exercício dos professores destacou-se ciclicamente.

O sistema integrado de avaliação do desempenho da administração pública nasceu para resolver de vez, diziam os mentores, esse tipo de "lacuna". O SIADAP reuniu uma linguagem sedutora e bem-pensante como as que deram origem aos totalitarismos. A "meritocracia industrial" é, objectivamente, uma impossibilidade.

SIADAP hibernou, mas sobrevive em regime de faz de conta e degrada o clima das organizações. Para que a comédia tivesse um episódio marcante, em "Outubro de 2012" o Governo eliminou, como corte financeiro, as distinções por "mérito" e os sindicatos exigiram, de modo cínico, obviamente, a continuação da tragédia. É um processo que exige atenção agora que se assiste, nos concursos de professores, ao regresso "inspirador" das ideias datadas que secundarizaram a graduação profissional e permitiram dois desmiolos: bolsa de contratação de escola e prova de ingresso.

 

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Segunda-feira, 23.01.17

 

 

 

""Os indignados andaram anos a fio em cima dos corruptos da banca e da política. Os gregos elegeram um Governo que assumiu o protesto e não é que os indignados passaram de imediato para o lado dos bancos e dos políticos? Acusavam os gregos de parasitismo. Com Trump é a mesma coisa. Diz que vai lutar contra o sistema de Washington e é ver os indignados outra vez ao lado da banca e da política. Podem descansar. O sistema americano tem a Constituição e o jogo de pesos e contrapesos". Ouvi a ideia e discordo. O Syriza era muito mais frágil do que Trump e o segundo é muito mais do sistema. Para além disso, é todo o discurso, e a história dos dois movimentos, como se viu na tomada de posse do segundo. 

Por outro lado, não confiaria assim na tal sacrossanta constituição dos EUA e nos referidos "checks and balances". Bem sei que foi alterada 27 vezes desde 1789, mas se olharmos para os seus 230 anos encontramos as maiores barbaridades "constitucionais" (a começar pelas torturas em Guantanamo): da escravatura à perseguição de "comunistas", passando por golpes de estado nas mais variadas latitudes ou pelo apoio a ditadores sanguinários. Trump é disruptor (rompe com o que está), utilizador da pós-verdade (a emoção sobrepõe-se aos argumentos) e já deu sinais de desvalorizar ou mesmo desconhecer o significado da democracia ateniense. Não será tão fácil o poder existente normalizar um Trump tão imprevisível. O seu império megalómano já faliu e voltou a prosperar. É mesmo um caso para seguir com preocupação.

 

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Sábado, 21.01.17

 

 

 

António Costa, ministro entre 2005 e 2007, confessou uma guerra aos professores "decretada" em conselho de ministros por volta de 2005. O actual primeiro-ministro disse que foi um erro grave.

Ao ler a edição impressa do Expresso (primeira página, de 21/01/2017, na imagem) sobre a "operação marquês", custa a aceitar que, enquanto se movia a guerra obstinada aos professores da escola pública, o chefe desse Governo recebia (de acordo com a notícia), entre 2007 e 2008, cíclicas tranches de milhões num circuito corrupto que começava no GES e que passava por off-shores e pela Suíça até chegar ao tal amigo do destinatário. Veremos o que a justiça consegue provar. Nesse período, em que os professores lutavam isolados, destacavam-se os doutrinadores do "Compromisso Portugal". Essa "fina flor da elite financeira" apontava o GES e afins como exemplos da boa gestão e enaltecia a coragem governativa. Quem lê o texto do Expresso, reconhece algumas dessas figuras ligadas aos intermináveis episódios da "operação marquês" e fica com mais um nó no estômago.

 

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Sexta-feira, 20.01.17

 

 

 

A condição naif, mesmo que algo simulada, de Trump, pode provocar mais dano do que a retórica eleitoral extremada (acaba de anunciar, num discurso sem História, que terminou a "carnificina nos EUA" e nem por uma vez usou a palavra democracia ou os seus valores). O seu modo simplista de olhar problemas complexos intranquiliza. Trump parece impreparado para o que vai enfrentar. Já se percebeu que quer radicalizar no universo comercial que, obviamente, se liga às restantes variáveis do mundo global. Se, e em consequência disso, Trump retirar os EUA do centro de várias decisões, e se continuar a fragilizar a NATO e a desestabilizar a ordem mundial, tudo poderá acontecer nesse salto para o desconhecido.

 

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Quarta-feira, 18.01.17

 

 

Objectivamente, e para além dos resultados da justiça (a Operação Marquês conheceu hoje mais um avanço), estamos a pagar, e vamos continuar (a tal dívida impagável), anos a fio de desvario financeiro; em Portugal, na Europa e no mundo do capitalismo selvagem.



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Luís Afonso



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Terça-feira, 17.01.17

 

 

 

Aceitar um mínimo de dez anos de serviço para a vinculação de um professor contratado (há imensos com mais de vinte) é um sinal da decadência (irreversível?). A aceitação inclui a entrada na carreira no ponto zero com "eliminação" do serviço prestado. Este sinal de "sensatez", ou um imperativo da possibilidade, foi partilhado, naturalmente, por quem se bateu, durante anos e com sucesso, pelos direitos dos professores contratados junto da Comissão Europeia. Sublinhe-se que no universo europeu, privado ou público, exige-se três anos de serviço como regra de passagem para o quadro. E se olharmos para os profissionais escolares (professores e outros profissionais), tropeçamos em mais decadência. Carreiras congeladas há "tempo sem fim", aposentações retardadas (um caos anunciado) e precariedade institucionalizada. São componentes críticas transversais aos sistemas público e privado e o horizonte dos jovens adultos (alguns com quarenta ou cinquenta anos de idade) contraria os mais optimistas num momento em que o Governo dá um sinal de esperança aos professores contratados. Mesmo os mais pragmáticos (por onde andam os doutrinadores do "Compromisso Portugal"?) têm de considerar que o imobilismo nestas matérias será "irreparável".

 

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Segunda-feira, 16.01.17

 

 

 

Há muitos sinais de que o mundo se tornará um lugar mais perigoso, mas espero enganar-me.



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Domingo, 15.01.17

 

 

 

Francisco Balsemão tem um pequeno texto, "Democrata, Estadista, Homem de Cultura e Bom Amigo", na revista do Expresso de 14/01/2017:97 dedicada a Mário Soares, com 22 parágrafos. Percebe-se que tem muito para contar e, por isso, torna-se mais significativa a escolha do episódio seguinte: "(...)Raul Rego convidou-nos para um almoço(...)que pareceu permitir a criação, logo ali, de um ambiente de confiança um no outro. Qual não é o meu espanto, quando, três ou quatro dias depois, recebo(...)uma carta, em papel timbrado, "Mário Soares, Advogado, Rua do Ouro", escrita à mão com uma letra parecidíssima com a de Mário Soares, em que praticamente ele me insultava, dizia que o almoço tinha sido uma desgraça,(...)Eu fiquei chocado, peguei no telefone(...): "Mas o que é isto? O almoço correu tão bem e agora você vai-me escrever uma carta insultuosa". E ele respondeu: "Eu não escrevi carta nenhuma, vou já aí falar consigo".(...)A PIDE tinha-nos visto almoçar(...)e forjou uma carta". Estes procedimentos nunca morrem de vez, naturalmente, e as redes sociais não só os ampliam, como os tornam ainda mais possíveis. Como a democracia não é eterna, e continua com limites frágeis, são cada vez mais os que erguem a voz em sua defesa como uma valor inalienável num espaço privilegiado de consolidação: o sistema educativo.

 

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Sábado, 14.01.17

 

 

 

 



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Sexta-feira, 13.01.17

 

 

 


 



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Quinta-feira, 12.01.17

 

 

 

O filósofo John T. Bruer critica as modas educativas que nada têm de ciência e que são apresentadas como talDa música à matemática e passando por uma segunda língua, as sociedades estão cheias de modismos destinados às crianças que resultam em mais stresse para pais e encarregados de educação.

Continua a ser importante uma sociedade presente e com tempo para as crianças. É fundamental uma educação equilibrada e, principalmente, que contrarie o modelo criança-agenda.

 

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Quarta-feira, 11.01.17

 

 

 

"É unicamente o princípio da concorrência que justifica que a economia política possa aspirar ao estatuto de ciência."

 

J. S. Mill, Principles of Political Economy



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Terça-feira, 10.01.17

 

 

 

O verbo incentivar será uma das componentes mais críticas do mundo desenvolvido. Essa lógica racional do mercado condicionou a socialização e a estruturação das actividades. Importa sublinhar que, há umas décadas, incentivar era uma palavra-chave educacional e organizacional com uma ubiquidade que se entranhou.

Steven D. Levitt, em "Freakonomics: o estranho mundo da economia" e mais recentemente Michael Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", dedicaram-se ao efeito do verbo. O segundo tem um tópico que intitulou "incentivos e dilemas morais", onde se pode ler (página 93):

"É fácil deixar escapar a novidade desta definição. A linguagem dos incentivos é um desenvolvimento recente do pensamento económico. A palavra "incentivo" não surge nos escritos de Adam Smith nem nas obras de nenhum dos outros economistas clássicos. Na verdade, só viria a ser introduzida no discurso económico no século XX e apenas adquiriu proeminência nas décadas de 1980 e 1990. O Dicionário Oxford de Inglês indica o seu primeiro uso no contexto da economia em 1943; nas Seleções do Reader' s Digest: "O Sr. Charles E. Wilson (...) está a incitar as indústrias da guerra a adoptarem "remunerações de incentivo" - isto é, pagar mais aos trabalhadores se produzirem mais." O uso da palavra incentivo aumentou drasticamente na segunda metade do século XX à medida que o predomínio dos mercados e da lógica racional do mercado se consolidava. Segundo uma pesquisa no Google Books, a incidência deste termo aumentou mais de 400% desde a década de 1940 à década de 1990."

Observa-se, portanto, uma crise moral em paralelo com um inédito desenvolvimento tecnológico que implica uma revolução na organização das sociedades. Se a eliminação do incentivo é uma "impossibilidade" imediata, já o uso mais ponderado na educação das crianças contribuirá para a afirmação de políticas sustentáveis.

Se em Adam Smith o mercado era a mão invisível, para Michael Sandel a generalização dos incentivos tornou-se a mão pesada e manipuladora. O filósofo dá vários exemplos de incentivos monetários nesse sentido, como os que são dados a troco da esterilização ou de boas notas escolares.

A prevalência do incentivo não eliminou a distinção entre economia e ética,

"entre a lógica racional do mercado e o raciocínio moral. A economia simplesmente não transacciona em moralidade. A moralidade representa a maneira como gostaríamos que o mundo funcionasse e a economia mostra como ele funciona na realidade", explicam Levitt e Dubner.

E Michael Sandel acrescenta:

"(...)A noção que a economia é uma ciência isenta de juízos de valor, independente de toda a filosofia moral e política, sempre foi questionável. Contudo, hoje em dia, a jactante ambição da ciência económica torna extremamente difícil defender esta afirmação. Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...)Quando os mercados corroem normas não mercantis, o economista (ou qualquer outra pessoa) tem de decidir se isso representa uma perda que deveria preocupar-nos.(...)"

Neste tópico, Michael Sandel apresenta um conjunto de problemas educacionais e escolares que abordarei noutros posts.

Já usei parte desta argumentação noutro post.



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Segunda-feira, 09.01.17

 

 

 

Já uma vez fiz um post com a seguinte citação de John Stuart Mill a propósito da Liberdade:

"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento"

Por exemplo, não sabemos se o homem é naturalmente bom e a prevalência do mal obriga-nos a desconfiar.

Por outro lado, e não raramente, assistimos ao convite para o fim da história. É a ânsia de liberdade individual. É a ideia de que, finalmente, está tudo resolvido a caminho da felicidade plena. Também não raramente, essa distracção, se assumida colectivamente, empurra-nos para tragédias.

Por isso, a política é o esforço de transfigurar a fatalidade em responsabilidade. É crucial garantir a tradição democrática que recusa o destino e que se realiza na vontade de descobrir, de perceber ou de transformar.



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Sábado, 07.01.17

 

 

 

Mário Soares, uma das referências, provavelmente a maior, da política portuguesa do século XX, morreu hoje, em Lisboa. Ouvi, ao longo de mais de 40 anos, as opiniões mais diversas sobre a sua acção política. Votei em Mário Soares na segunda volta da sua primeira eleição presidencial e para o segundo mandato.
Há palavras que me lembrarão Mário Soares: liberdade, democracia, tolerância, modernidade, Europa e coragem. Quem, como eu, era adolescente moçambicano em 1974, viveu as décadas seguintes em Portugal e ama a liberdade e a democracia, recorda-o com a melhor memória política e cívica.

Que descanse em paz.

 

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Terça-feira, 03.01.17

 

 

 

A propósito da revolução, iniciada em 2005 ou até em 2003, que a presença da troika destapou, recordo os teóricos da simcultna actualidade, uma revolução pode ser tão rápida que nem damos conta. Há sinais da contra-revolução. Não sei se será tranquila, mas espero que sim. Que seja tranquila e igualmente rápida. O que me parece é que as personagens carregadas de ideologia ultraliberal ficaram com o discurso descontinuado e datado. Muito do mal não é reparável, embora a mensagem da imagem estimule os contraditórios que, sublinhe-se, não escapam à asserção: é mais rápido e fácil destruir do que construir. Há duas irrefutabilidades de sinal contrário sobre o que é recuperável: não será com a mesma velocidade da queda, mas não depende de vontade divina.

 

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Segunda-feira, 02.01.17

 

 

 

Com todos os riscos de quem retira do contexto uma passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,

 

"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".

 

A perda da "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias e no combate às desigualdades atravessar todas as gerações, a decadência entranha-se; como a história, de resto, já nos explicou.

 

www.cartoonstock.com/cartoonview.asp?catref=cgo0149

 



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Domingo, 01.01.17

 

 

 

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Luís Afonso

 

 



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Sexta-feira, 30.12.16

 

 

 

"(...)A História distingue-se da Pré-História quando começou a informação escrita. Acho que daqui a 100 anos as pessoas vão olhar para trás e dizer que até ao segundo milénio estávamos na Pré-História. O que sabemos dos gregos é o que Heródoto e mais alguns escreveram. Mas só agora estamos finalmente a registar tudo e vai ser possível compreender muito melhor o presente.(...)"

 

 

Pedro Domingos, Revista do Expresso 

de 13 Agosto de 2016:23

Autor de "The Master Algorithm"



publicado por paulo prudêncio às 11:50 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 24.12.16

 

 

 

Gosto de bailado. Tenho saudades da companhia de dança da Fundação Gulbenkian. Algumas coreografias foram inesquecíveis.



publicado por paulo prudêncio às 14:00 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 23.12.16

 

 

 

Não me surpreendo quando se aponta o outsourcing (que é predominante nas tecnologias da informação) como a decisão que mais desvantagens associou ao mundo organizacional na modernidade e que contribuiu para a queda da indústria florescente nesse período recente da história: a financeira. A opção pela fonte exterior foi, desde logo, uma auto-certificação de incapacidade.

 

Ter a liberdade de agir sobre os sistemas de informação é um valor precioso para uma instituição. Se antes da sociedade da informação e do conhecimento o poder nas instituições estava na mão de quem decidia sobre o financeiro, com esse advento a capacidade de decisão ficou nas mãos dos dois domínios: financeiro e informação.

 

O outsourcing satisfez o novo grupo de stakeholders: os accionistas. O bem-estar destes investidores resumiu-se aos lucros que subiam sempre que havia uma redução de profissionais. Essa decapitação cerebral levou a que a decisão sobre os detalhes da informação a obter passasse para fora. E por mais partilhado que fosse o período de análise dos sistemas, os decisores do exterior podiam sempre responder: "é uma boa ideia, realmente, mas impossível de concretizar". A dependência externa na definição da informação a obter revelou-se fatal e generalizou-se. 

 

 

Já usei parte desta 

argumentação noutros textos.



publicado por paulo prudêncio às 12:58 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 21.12.16

 

 

 

“Como atribuir os direitos ao indivíduo enquanto tal, uma vez que o direito rege as relações entre diversos indivíduos, uma vez que a própria ideia do direito pressupõe uma comunidade ou uma sociedade já instituída? Como fundar a legitimidade política nos direitos do indivíduo, se este nunca existe como tal, se em sua existência social e política ele está sempre necessariamente ligado a outros indivíduos, a uma família, uma classe, uma profissão, uma nação?”.
 
 
 

 

Pierre Manent


 

do livro Política e Modernidade 
de José Bragança de Miranda

 



publicado por paulo prudêncio às 15:01 | link do post | comentar | partilhar


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