Em busca do pensamento livre.

Sexta-feira, 03.03.17

 

 

 

A propósito do post do Paulo Guinote, "Paulo, conta-nos lá o que sabes", e em que ele confessa, desde logo, que pode ser em vão, remeto-me para o que escrevo. Já li várias opiniões sobre o tema, incluindo o "perfil do aluno do século XXI". O que tenho escrito é independente do que se venha a aprovar. Recorro a mais este post que ajudará a compreender a minha posição. Escrevi-o no século passado e intitulei-o "Reformas e remédios" (há tempos acrescentei-lhe: a pensar no perfil do aluno do século XXII; muito à frente, portanto). Tem a seguinte introdução:

A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se fossem novidades. Parece um percurso circular.

Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre reformas. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 19 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo.

 

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Segunda-feira, 13.06.16

 

 

 

Captura de Tela 2016-06-12 às 23.12.09.png

 

 

"(...)A inscrição na Escola Alemã garante-lhes, afirma, “uma educação com duas línguas que funcionem quase como maternas”. Se não fosse essa preocupação, “andariam obviamente numa escola pública”. O que ela nos diz com esta expectativa é que as escolas públicas não providenciam nem o ensino capaz de duas línguas nem o tal “currículo internacional”. Ou seja, quem for exigente com a educação dos filhos, trate de vida e vá para as privadas. Quem não tiver possibilidades, pois que abdique do “currículo internacional”. Com esta singela explicação, Alexandra Leitão acrescenta realismo à caricatura da esquerda caviar que adora discutir o problema dos pobrezinhos exibindo as suas boas camisas Gant em cenários de lagosta e vinhos caros."

 

Texto completo aqui.



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Terça-feira, 02.09.14

 

 

 

Este post é de 24 de Setembro de 2012.

É impressionante como se esfumou o argumento que o MEC

usava para disfarçar os cortes a eito no sistema escolar.

 

 

 

O que sobra é uma falta de respeito pela escola pública,

pelos seus profissionais, alunos e encarregados de educação,

que me leva a repetir a interrogação:

"mas estas pessoas nunca mais são elevadas para uma qualquer fundação?"

 

 

 

 

 

 

 

Pede-me, o blogger Pedro Peixoto, que divulgue esta nota do Público que dá conta de um erro em relação às declarações de Nuno Crato sobre a redução de alunos. Ou seja: se a quebra de 200 mil alunos é referente a adultos o argumento não podia ser usado para justificar os cortes, como o Público salienta na nota. Até já cansa um bocado escrever sobre isto e vou ver se arranjo fôlego.

 

Não sei quem é que tratou os dados. O que sei é que é hoje comum aplicar um modelo de regressão linear múltipla que melhor se ajuste aos dados em questão (aconselho a conhecida aplicação SPSS da IBM).

 

Se se estabelecer a redução de professores (y) como a variável dependente, podemos introduzir as seguintes variáveis independentes: aumento do número de alunos por turma (x1), aumento da componente lectiva dos professores (x2), agregações de escolas (x3), nova estrutura curricular (x4), diminuição da natalidade (x5), alteração nos fluxos migratórios (x5) e diminuição do número de alunos por eliminação do programa novas oportunidades (x6).

 

Se pretendermos saber a influência que as variáveis independentes tiveram na variável dependente, o SPSS nos dirá, nas tabelas de coefficients e ANOVA, e através da aceitação ou rejeição das hipóteses nula e alternativa e na significação global do modelo, que o modelo está situado bem à direita e rejeita a hipótese nula, portanto, existirá pelo menos um B=0 e uma relação linear entre a variável dependente e algumas das variáveis independentes seleccionadas.

 

O estudo do coeficiente de determinação permitirá perceber que o modelo explica mais de 98% dos casos de redução de professores o que será considerado muito bom.

 

Da análise individual dos parâmetros concluir-se-á que a variável independente x6 (diminuição do número de alunos por eliminação do programa novas oportunidades) aceita h0 e que, portanto, não influencia a variável dependente e que poderia ser retirada do modelo.

 

Também as variáveis, diminuição da natalidade (x5) e alteração nos fluxos migratórios (x5) aceitarão h0 e não influenciarão a variável dependente e poderiam ser retiradas do modelo e incluídas num modelo de regressão linear múltipla que tenha como objectivo perceber o que se vai passar em 2020, sendo seguro que as conclusões não acompanharão as epifanias de Passos Coelho quando remete para 2027 ou 2032 a possibilidade de sairmos da zona de empobrecimento. 

 

Importa referir que a utilização do modelo de regressão linear múltipla requer a verificação de alguns pressupostos.

  1. Pressuposto: se a distribuição dos erros é normal;
  2. Pressuposto: se os erros são variáveis aleatórias de média zero;
  3. Pressuposto: se os erros são variáveis aleatórias de variância constante – homocedasticidade -;
  4. Pressuposto: se as variáveis aleatórias dos erros são independentes;
  5. Pressuposto: se as variáveis independentes estudadas no modelo são não correlacionais – ausência de multicolinearidade -.
É também comum aplicar-se o teste de Durbin Watson (d*) para avaliar a veracidade da independência dos erros, ou seja, a sua auto-correlação ou de primeira ordem. Se os erros forem independentes não influenciam o valor do erro seguinte e nesse sentido a correlação entre erros sucessivos é nula. Seria natural que o estudo do d* aceitaria h0 como significado de que era conclusivo e que não existiria auto-correlação entre as variáveis do modelo.

 

Da matéria estudada também se observaria que a matriz das variáveis independentes permitia concluir que o módulo dos coeficientes de correlação e a respectiva dependência linear eram relevantes e que os valores eram inferiores a 0,8; portanto, não se verificava o problema da multicolinearidade.

 

 



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Terça-feira, 08.04.14

 

 

 

 

 

Quando há pouco tempo fiz este post a propósito de uma espécie de investigação de Maria Filomena Mónica e em que escrevi que ""Tudo o que o Ministério da Educação manda por "e-mail" para as escolas é inútil. Tudo!", ou o professor "abaixo de cão", é uma discussão para acompanhar com curiosidade. Tenho uma dissertação sobre o assunto e não quero reafirmar o "tudo"; mas convenço-me que anda lá perto, que a maioria da informação obtida é inútil e solicitada repetidamente." estava longe de imaginar que umas opiniões sobre o tratamento da informação nas organizações escolares também incluíam conclusões devastadoras para a disciplina nas salas de aula das escolas públicas. O que podia ser uma defesa de uma causa tão nobre pode transformar-se num testemunho de um caos que está por provar.

 

Há indisciplina, mas também continuam a existir milhares de sinais positivos todos os dias. Os diários de duas professoras, quatro alunas e uma mãe são uma amostra sempre interessante, mas com reduzido valor empírico numa área muito difícil de investigar. Digamos que do iluminismo à ciência actual vão algumas premissas que devem ser consideradas. Foi assim que li as breves observações que o Paulo Guinote fez a algumas conclusões de Maria Filomena Mónica. A socióloga e historiadora respondeu de forma deselegante e o Paulo ripostou assim.

 

 

 

 



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Segunda-feira, 25.02.13

 

 

 

 

 

Recebi a imagem por email e sem referência ao autor. Dizem-me que é de um restaurante do norte do país. Há tempos houve uma altercação mediática com bifes. Afinal, e como se vê na imagem, o enigma não era por aí além.

 

 

 

 



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Sexta-feira, 05.10.12

 

 

A maioria que nos Governa decidiu que o feriado do 5 de Outubro é dispensável (depois é que vai ser...), mas escusava de se esconder para os festejos e de içar a bandeira do avesso.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:31 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Quarta-feira, 16.05.12

 

 

 

 

Tinha a intenção de escrever um texto sobre a actualidade blogosférica, e da sua relação com a defesa da escola pública, que me exigia algum tempo de pesquisa, e isso não me está a apetecer, para que as opiniões não fossem injustas.

 

Há, contudo, uma evidência: os blogues de professores desempenharam um papel fundamental na defesa da escola pública na nossa história recente e impediram que o que existe se tornasse ainda mais nefasto. Essa causa, ou denominador comum, foi aglutinadora e fez emergir um série de blogues e de movimentos que se afirmavam com veemência e férrea determinação.

 

O tempo passado nas redes sociais associado a inúmeras reuniões, manifestações nos sítios mais variados e presenças constantes nos órgãos de comunicação social deve ter feito mossa (sei bem o que foi isso tudo). O que se constata é que com a substituição da rosa-offshore pela laranja-rapazola-mais-táxi-limousine houve um série de personalidades que desapareceram ou mudaram a 180 graus, apesar das circunstâncias objectivas na defesa da dita causa estarem numa situação semelhante. É natural que em muitos casos exista cansaço, mas é também legítima a crítica que enuncia que a causa era mais de carácter partidário.

 

Por outro lado, não deixa de ser curiosa, e algo cómica, a posição dos adeptos da rosa-pálida-em-qualquer-circunstância. É vê-los a ameaçar com a rua, integrados em movimentos de cidadãos ou a apelar à revolta dos indignados. Tudo acções que "desconheciam" e desvalorizavam há menos de um ano. E é engraçado que têm uma característica comum aos que entretanto se retiraram e que não se afirmaram pelo exercício corajoso da exposição pela escrita e pelas ideias: são apontadores de dedo aos bloggers e dá ideia que esperam por uma próxima vaga para voltarem-a-defender-o-que-agora-condenam.

 

É também esta uma das causas para explicarmos a quem nos visita o estado a que chegou a nossa democracia.



publicado por paulo prudêncio às 22:39 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 07.02.12

 

 

 

É enjoativo o discurso carnavalesco dos dirigentes da maioria que governa. O conteúdo tem tanto de esperado como de escusado. A primeira década do milénio foi sempre assim: portugueses rotulados como uma espécie de parasitas pelos seus governantes. Quem não vive por cá não acredita em semelhante acontecimento, por mais sentido de humor que reúna o narrador. Às tantas, os lusitanos têm escolhido para os conduzir um friso de vaidosos sem remédio; e, como o espelho é sempre o melhor conselheiro, os eleitos vêem-se muito, gostam da figura e relatam-na.

 

Este post, com declarações de um anterior presidente do PSD, é uma boa caricatura. O senhor protesta porque os cidadãos querem a terça-feira de carnaval para lazer sem equacionarem a participação nos festejos. Querem ver que já são influências chinesas?

 

Depois há o nacional-faz-de-conta. O que importa é fingir que se está a produzir e são inúmeros os locais onde as chefias parecem atordoadas por não saberem o que fazer. O desnorte explica uma boa parte da bancarrota.

 

O actual primeiro-ministro recorda-me um "gerente". Está ali para gerir de acordo com os ditames e sem pensar muito. Se se der o caso de surpreender positivamente os "patrões", indo além das receitas mais temerosas, espera-se um mútuo esfregar de mãos e uma aflita interrogação: até quando?



publicado por paulo prudêncio às 19:45 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 10.01.12

 

 

No dia em que se soube, veja-se lá a novidade, que a recessão em Portugal será mais grave do que se previa, os alunos de Milton Friedman que nos desgovernam atropelam-se para ganharem os favores do capitalismo de estado promovido pela China totalitária e pelo o seu Partido Comunista. É mais uma comédia com contornos trágicos. O tempo ajudará a perceber como vai a paciência do chinês.

 

Accionistas da EDP tentam proteger Governo da polémica das nomeações

 

Accionistas privados atribuem aos interesses chineses todas as escolhas polémicas para o CGS. Quase todas. Luís Amado e Edmund Ho recusaram convite para integrar este órgão.



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Quarta-feira, 19.10.11

 

 

Parece que a privatização não dará lucro e que não merece a concordância dos especialistas. Mas a viagem destina-se aos anéis, aos dedos dos pés e das mãos e a tudo o que a ganância considerar transacionável?

 

Governo quer escolher comprador da TAP no primeiro semestre de 2012



publicado por paulo prudêncio às 20:16 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 18.10.11

 

 

Há uma fatia de portugueses que detesta o que é público. É um fenómeno estranho e antigo. Se há serviços do estado que tiram qualquer um do sério, também é verdade que sem os serviços públicos o bem comum não teria atingido patamares que se reflectem no extraordinário aumento da esperança de vida, por exemplo. Esse ódio é, em alguns casos, provocado por ciúme social e noutra grande parte por preconceito ideológico. Quando lemos declarações que confirmam a segunda asserção, não deixamos de nos beliscar.

Cravinho diz que Governo está a atacar função pública por ressabiamento vingativo



publicado por paulo prudêncio às 11:20 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Domingo, 11.09.11

 

 

 

E lá se percebeu como é que alguns membros do júri, e confrontados com duas candidaturas, equilibraram o seu dever de imparcialidade: fizeram campanha pela candidatura A e disseram que o voto secreto tinha sido na B.



publicado por paulo prudêncio às 21:43 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 29.03.11

 

 

 

Estabeleceu-se aqui um debate à volta de um editorial do Público que classificou de vergonha a suspensão da avaliação de professores no parlamento. Passe por lá para saber do desenvolvimento. Todavia, um dos comentários, de Isabel X, exige uma leitura atenta.

 

 

Tenho lido Deleuze, autor que vem a propósito citar. Diz ele, referindo-se à transição da sociedade disciplinar para a sociedade de controlo, o seguinte:

"Entramos em sociedades de controlo que funcionam já não por encerramento, mas por controlo contínuo e comunicação instantânea. (...) Evidentemente, fala-se a todo o momento da prisão, da escola, do hospital: são instituições em crise. Mas se estão em crise, é precisamente em combates de retaguarda. O que se instaura, de modo tacteante, são novos tipos de sanções, de educação, de cuidados. Os hospitais abertos, as equipas dispensadoras de cuidados no domicílo, etc., apareceram já há muito tempo. Pode-se prever que a educação será cada vez menos um meio fechado, distinguindo-se do meio profissional como outro meio fechado, mas que esses dois meios desaparecerão em benefício de uma terrível formação permanente, de um controlo contínuo exercido sobre o operário-liceal ou o quadro-universitário. Tentam fazer-nos crer numa reforma da escola, quando é de uma liquidação que se trata. Num regime de controlo, nunca se acaba com nada."

Dá que pensar, não? E mais adiante acrescenta:

"Acreditar no mundo, é isso que mais nos falta; perdemos completamente o mundo, desapossaram-nos dele. Acreditar no mundo é também suscitar acontecimentos, ainda que pequenos, que escapem ao controlo, ou fazer nascer novos espaços-tempos, ainda que de superfície ou volume reduzidos. Trata-se daquilo a que você chama pietás. É ao nível de cada tentativa que se julgam a capacidade de resistência ou pelo contrário a submissão a um controlo. São precisos ao mesmo tempo criação e povo."

 

- "Conversações", 1990, Lx, Fim de Século Editores (p.p. 234 -237)

- Isabel X -

 



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Domingo, 20.03.11

 

 

 

Sou franco: não sabia onde Miguel S. Tavares escrevia nem em que canal debitava opinião. Nunca li um livro seu e não me perguntem o motivo. Mas se levantar os olhos, e nem preciso de ir à base de dados, sei onde está a obra poética de Sophia de Mello Breyner Andresen.

 

Ao longo desta difícil luta dos professores, o filho de Sophia escolheu os professores portugueses para um dos seus pogroms. O primeiro registo blogosférico que me chamou à atenção para o facto, foi este brilhante texto de José Luiz Sarmento. E nem assim fiquei com atenção. Este fim-se-semana o Expresso, que não li e continuo de boa saúde, tem um artigo de opinião desse senhor que inscreve uma mentira impiedosa sobre os professores e que levou a que Ana Mendes da Silva lhe escrevesse o email que pode ler a seguir.

 

 

"Sr. Miguel Sousa Tavares,
 
No dia 19 de Março afirmou, no jornal Expresso, e cito, "Você sabia que os professores recebiam 25 euros por cada exame corrigido?". Tal afirmação pressupõe da sua parte, pelo facto de ser MENTIRA (conforme facilmente constatará se consultar o despacho 8043/2010 de  onde se estipula que os professores classificadores têm direito à importância ilíquida de €5 pela classificação de cada prova.), má fé ou ignorância. Em qualquer dos casos, resulta grave para a sua credibilidade como comentador/articulista.
 
No que concerne o conteúdo geral da sua crónica, escuso-me a comentá-la uma vez que não tenho o hábito de argumentar com pessoas a quem não reconheço terem um conhecimento minimamente sustentável do assunto em apreço.
 
Assim sendo, venho por este meio exigir a reposição da verdade exactamente nos mesmos termos e com o mesmo destaque que a falsidade produzida mereceu.
 
Sem mais assunto,
 
Ana Mendes da Silva, professora do GR 300 na Escola Secundária da Amadora"

 

 



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Segunda-feira, 03.01.11

 

 

 

 

 

O calendário quebra rotinas e exige olhares menos habituais. Estou a pensar no ano que terminou e em algumas perplexidades. Apesar de tudo, não paro de me surpreender.

 

Troco palavras com quase todos os que me a requerem. Essa atitude permite-me perceber estados de espírito e características da máquina humana.

 

Há um grupo, que vou denominar de éticos-invertidos-e-severos (EIS), que é constituído por professores e por outras pessoas que se interessam pelas questões da Educação e que tomou como suas as razões do governo; por serem militantes ou simpatizantes do actual PS, por não valorizarem a actividade docente ou apenas por subscreverem as políticas.

 

Uma das minhas perplexidades focou-se na epidérmica reacção dos EIS aos mínimos comportamentos dos professores contestatários ou até aos actos daqueles que, uma vez por outra e por desígnio da oportunidade, se decidiram pela defesa do poder democrática da escola (PDE). Os EIS nada perdoaram. Um qualquer excesso de linguagem em defesa do PDE foi logo considerado um ataque à democracia, à liberdade, ao orçamento de estado, às obrigações do trabalho para alguns e à independência da nação.

 

Mas, e por outro lado, os EIS coabitaram, desfazendo-se em simpatias, com os mais diversos tipos de invertebrados: desde membros efectivos da hecatombe financeira, até a jogadores indispensáveis da rede de "sucateiros" (que me desculpem os sucateiros honestos), passando por professores que se aproveitaram de vazios de poder para darem largas ao mais despudorado dos oportunismos. A estes, os EIS nada criticaram. Entraram, recentemente, no estado de desejar-apenas-que-caiam.



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Sexta-feira, 03.12.10

 

 

 

 

 

 

O Reitor, do blogue Educação SA, dedica este post à polémica que lancei a propósito do financiamento das escolas chamadas privadas (os eurozinhos são do orçamento do estado) e da forma como essas entidades contratam professores.

 

E o Reitor fez-me rir. É um blogue que leio sempre e com muito gosto. Desta vez não responde a qualquer das questões que coloquei. É justa a privatização de lucros no ensino não superior (se fossemos um país civilizado, tirava o não superior)? É admissível que se contratem professores sem qualquer escrutínio público? A minha resposta às duas questões é não.

 

O Reitor não responde. Limita-se a usar justificações que me levam a acreditar que o Reitor acabará num belo lugar no Banco Central Europeu. Vitor Constâncio usou os mesmos argumentos para se defender no caso BPN: havia um clima de confiança, dizia ele, e o BPN pagava impostos. Meu caro Reitor: não é só de impostos que estamos a falar. É de privatização de lucros, de racionalização da despesa, de democracia, de equidade e de regulação do mercado, meu caro.

 

Em relação à contratação de professores, o Reitor socorre-se de dois aspectos: retrata como pouco eficientes os concursos para as escolas públicas e lança mão de critérios que nos remetem para os factores de personalidade dos professores.

 

Ora, que raio de argumentação. Só quero saber uma coisa: uma escola com contrato de associação com o estado, deve ter critérios públicos e transparentes para a contratação dos seus profissionais? Os argumentos do Reitor vestem que nem uma luva o despautério na contratação de assessores, e de outros profissionais, para as empresas públicas e não posso estar mais em desacordo. E podia socorrer-me de outros exemplos.

 

Começo a convencer-me que a situação é bem pior do que se podia imaginar.



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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
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