Em busca do pensamento livre.

Domingo, 19.02.17

 

 

 

O "Governo vai mudar o currículo das escolas" contrariando decisões muito desfavoráveis aos alunos, principalmente aos mais jovens, promovidas por Crato com o empobrecimento curricular. É o passo seguinte depois do questionamento saudável a uma variável da mesma família: a indústria dos exames. É mais um motivo de esperança no sentido da moderação e da sensatez. Mas não chega. É preciso eliminar o que resta dos procedimentos da "guerra" aos professores, e à organização das escolas, da autoria de Lurdes Rodrigues.

A "nova" gestão flexível dos currículos eleva a exigência da escola (se a municipalização se abstiver). Não bastará disseminar directrizes centrais. Será preciso mais estudo, mais autonomia e mais responsabilidade, para que se afirmem valores de liberdade, maturidade e transparência. E tudo isto apela a profissionais não preenchidos por burnout e sentimentos de "fuga", precarizados ou rodeados de má burocracia num clima de desconfiança na democracia. Estas componentes criticas são mesmo os riscos a contrariar num ambiente de mudança curricular.

 

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Quinta-feira, 16.02.17

 

 

 

É possível perspectivar o que será a municipalização de todo o ensino não superior num país "capturado" pela partidocracia e com caciquismo quase generalizado. Se se confirmar a descentralização de competências, é imperativo (ainda mais obrigatório, para ontem, urgente) mudar o modelo de gestão das escolas.



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Domingo, 05.02.17

 

 

 

Cresce a apreensão com o avanço da municipalização escolar de todo o ensino não superior. A natural impreparação de grande parte dos municípios, associada à partidocracia que entrou nas escolas, fundamenta a reprovação. Exige-se ao poder político a boa gestão da rede escolar através das cartas educativas e das restantes variáveis de planeamento. O que existe (pré-escolar e 1º ciclo e influência determinante nos restantes ciclos) gera pessimismo num país que tem mais de quarenta quadros de divisão administrativa em vez de um como seria moderno e razoável.

Ainda há dias ouvi o discurso de autarcas com antiguidade de funções numa cerimónia de uma comunidade que, ao longo de décadas, apresenta bons exemplos escolares nos diversos níveis. É uma autarquia que influenciou, ao longo de anos, erros de planeamento em prejuízo de alunos, encarregados de educação, professores e outros profissionais dos ensinos público, privado e cooperativo e que se sustenta nos resultados dos exames do final do ensino secundário que, como se sabe, são por mérito dos alunos, e das sua famílias, e dos seus professores. A obsessão discursiva com os rankings esmoreceu com a queda na passagem dos ditos clássicos para os alternativos. Mas a quebra tem explicação num município em que apenas 30% a 40% dos alunos que se matriculam no 7º ano de escolaridade chegam ao 12º integrados no ensino regular e em que uma parte das matriculas no 10º ano é proveniente de outros concelhos. A inexistência de massa crítica também fundamenta a apreensão com a municipalização escolar.

 

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"A apreensão de Charlotte Corday"

de Alfred Dehodencq



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Terça-feira, 25.10.16

 

 

 

A desqualificação do modo de escolher as direcções escolares é mais uma derrota para a herança de Lurdes Rodrigues (LR). O veredicto poderá acontecer com a vontade de alguns dos seus, outrora, correligionários. É reconhecida a desqualificação dos actuais Conselhos Gerais para promover concursos públicos seguidos de eleição. LR decidiu, em 2009, eliminar um modelo com avaliação positiva para controlar, a partir do poder central, os "indisciplinados" professores. Teve a oposição de muitas escolas, mas a oportunidade criou alinhados de última hora. 

 

Em 11 de Janeiro de 2012escrevi que "(...)mesmo entre nós, e no caso do sistema escolar, o arco governativo não descansou enquanto não eliminou o poder democrático das escolas substituindo-o por uma amálgama com tiques do PREC e da ditadura.(...)" Não foram necessários muitos anos para se perceber o erro grave, nomeadamente com a entrada nas escolas do pior da partidocracia local. É consensual para as organizações que estudam e avaliam a situação vigente: as direcções escolares devem ser eleitas, num processo devidamente escrutinado, por todos os que exercem funções nas escolas.

 

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Sábado, 10.09.16

 

 

 

Há décadas que as escolas abrem todas em Setembro. O início é ruidoso quando há disparates como a eliminada BCE. E o que fez o Governo para além disso para ser elogiado pela claque de apoio? Reverteu cortes salariais, eliminou, com coragem informada, contratos com "privados" e alterou provas dos mais pequenos. Mas grande parte das variáveis que degradaram a escola pública estão intocáveis. António Costa, que confessou a guerra aos professores decretada nos primeiros conselhos de ministros de Sócrates, mantém as variáveis bélicas somadas aos excessos ideológicos de Crato que instituiu um preconceituoso back to basics a cavalgar o além da troika.

 

Sumariemos: anos a fio com avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), carreiras congeladas desde 2005, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horários zero, contratados "eternos" e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tanta desconfiança e agravada pela idade avançada do grupo de professores. Mas seria indecente que se fizesse das reformas antecipadas uma espécie de cortina de fumo que pede repetidamente o "impossível" para que o desespero acabe num mal menor e na manutenção dos instrumentos da referida guerra.

 

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Quinta-feira, 11.08.16

 

 

 

O Paulo Guinote escreveu um parágrafo muito certeiro:

 

"(...)Está por fazer o cálculo completo dos que abandonaram a profissão nessa mesma década, por aposentação ou rescisão, voluntariamente, mesmo com elevados cortes na remuneração, só para fugir ao manicómio em que se transformaram algumas escolas a partir do momento em que o discurso da add meritocrática e titularizada se impôs e passámos a ter a única profissão cronometrada fora do desporto. Curiosamente, com o apoio de gente que defende muita liberdade pedagógica e salas sem portas ou paredes."

 

Será que os opinadores e comentaristas não sabem que as carreiras estão há mais de oito anos congeladas e que há milhares de professores com salários líquidos pouco acima dos 1200 euros que não beneficiam de qualquer reposição salarial? O que a actual execução orçamental começa a comprovar é que não há qualquer caos com a redução de impostos para pequenos empresários e com a reposição de salários e pensões. Mas isso não esconde o que falta fazer e o Governo sabe-o muito bem. Para além disso, as imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos que continuam por reverter: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero até para professores com mais de cinquenta anos e mais de trinta anos de serviço, professores contratados com anos a fio de serviço e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que a indignação cresça quando se apela ao silêncio.

 

(Este parágrafo não é inédito, mas a repetição é um dever. Reescrevi-o.)



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Terça-feira, 07.06.16

 

 

 

A sensatez e o equilíbrio recomendam, nas democracias, poderes desconcentrados e descentralizados. A gestão do território exige coerência organizativa e estruturas que funcionem. Como temos mais de cinquenta quadros de divisão administrativa, quando apenas um seria a recomendação razoável e moderna, criou-se um caldo propício ao caciquismo. Os aparelhos partidários têm-se preocupado mais com a distribuição de lugares do que com o bem comum.

 

Dá ideia que a maioria que governa quer aprofundar a municipalização escolar (descentralização) mas com alteração do modelo de gestão para retirar os municípios de dentro da escola (desconcentração). É do mais elementar bom senso que, no mínimo, se aplique o segundo princípio na "impossibilidade" de abdicar do primeiro.

 

Nesta fase de transição, e olhando para os assuntos mais mediatizados, é preferível um município que afirme um projecto de municipalização escolar, e que por isso permita o contraditório civilizado e democrático, do que uma gestão concelhia que jamais redigiu uma linha mas que exerce a partidocracia.

 

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Domingo, 29.05.16

 

 

 

Há umas duas décadas alastrou-se aos serviços públicos a primazia da ideia de negócio. A gestão foi o primeiro objectivo. A alegação repetida com critério: eliminação do corporativismo e do despesismo.

 

A agenda mediática introduziu impedimentos para o exercício dos cargos: médicos a gerir hospitais, juízes a gerir tribunais, professores a gerir escolas, bancários a gerir bancos, engenheiros a gerir a EDP, a PT ou obras públicas e por aí fora. Quem seriam, então, os gestores? Saltitantes especializados em tudologia e boas relações com a partidocracia. Sabiam de offshores e swap´s e tinham treino de casino. Os resultados falam por si.

 

 

PS: para os DDT´s, os colégios "privados" são a gota que os assusta e que descartam se der muito nas vistas. O que os preocupa são as descomunais EDP, segurança social, saúde e banca.

 

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Sexta-feira, 27.05.16

 

 

 

Já nem vou ao caso extremo do presidente do Conselho Geral da escola pública que é proprietário do colégio "privado" vizinho que tem contrato de associação redundante. Há inúmeros autarcas, como só agora alguns estão a reparar, que estão nos Conselhos Gerais das escolas públicas e comprometidos com o negócio dos colégios "privados". E podíamos ficar umas horas a elencar casos da mesma família. É evidente que a entrada da partidocracia na vida das escolas explicará alguns dos enigmas mais recentes da rede escolar.

 

O Governo mostrou-se corajoso e bem preparado. Necessitou, e necessita, de apoio no terreno. Desde logo, de clareza e transparência nas redes concelhias. A mediatização dos "erros" explicados pelas circunstâncias do primeiro parágrafo é inevitável e até favorece as intenções dos que se opõem ao Governo. Mas espera-se que esses casos de duplex escolar, agora mais expostos, tenham, no mínimo, uma vida mais difícil.

 

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Terça-feira, 17.05.16

 

 

 

Compreende-se a necessidade de alterar o modelo de gestão para compensar o aprofundamento da municipalização escolar e contrariar as componentes mais críticas dos mega-agrupamentos: gestão de proximidade e autonomia das escolas.

 

O Governo pretende aprofundar a municipalização escolar, descentralizando competências nos domínios da gestão do território, das instalações escolares, e dos demais recursos, e na gestão dos profissionais. Se é aceitável uma agência municipal que alargue aos concelhos as partilhas administrativas em curso nos agrupamentos, é natural a apreensão dos que olham para os municípios como escolas da pior partidocracia. É, portanto, compreensível que os equilíbrios na maioria que governa imponham o regresso a um modelo de gestão escolar que garanta a autonomia das escolas em relação aos municípios e que lhes confira, simultaneamente, um grau mais elevado de poderes desconcentrados do ministério da Educação. É um exercício difícil, mas também nunca se leu que a democracia não dá trabalho.

 

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Domingo, 15.05.16

 

 

 

Os colégios "privados" apoiaram-se no poder político e beneficiaram da centralização do MEC ocorrida a partir do Governo de Durão Barroso que colocou a rede escolar em roda livre. Sem isso, teria sido difícil sobreviverem. Está documentado e ponto final. Veremos como termina o processo, embora se perceba, finalmente, toda uma nova abordagem ao problema mais próxima da realidade.

 

Os argumentos incluíam uma família de políticas educativas que não se circunscreveram ao "privado": liberdade de escolha, livre concorrência, mercado escolar, modelo de gestão escolar com entrada da partidocracia local, lógica do cliente escolar (tem sempre razão), mega-agrupamentos, publicação de rankings de exames (os vigentes, medíocres, só existem deste modo em Portugal) com ponderação sócio-económica apenas para as públicas, professores titulares, avaliação do desempenho de professores burocratizada e com quotas, infantilização do estatuto do aluno, afunilamento curricular e por aí fora.

 

As escolas públicas podiam ter feito mais para impedir 25 mil despedimentos, milhares de horários zero e afastamento da residência de outros professores dos quadros? Podiam. Desde logo, e em 2009 por exemplo, se tivessem impedido a implementação do modelo de gestão escolar. E foi por um triz. Mas isso exigia um texto longo para análise das variáveis e consequências. Mas há exemplos mais lineares e evidentes. Foi um erro, por exemplo, aplicar critérios de selecção de alunos de acordo com os resultados escolares esperados ou excluir alunos "problemáticos" ou com necessidades educativas especiais que "perturbassem" a atmosfera de treino para exames. Entrar no mesmo jogo "legitimou" os tais "privados" e reforçou a indústria dos exames como primeiro pilar do mercado escolar.

 

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Segunda-feira, 01.02.16

 

 

 

 

Em 2005, o PS neoliberal iniciou a confessada guerra aos professores da escola pública. Encontrou uma inesperada resistência e foi perdendo batalhas. Em 2009, já em desespero e contra aquilo que ridiculamente considerava uma coutada comunista, destruiu um modelo de gestão que ia na primeira década de vigência, e de maturidade, e avaliado com nota muito positiva pelo próprio MEC. Lurdes Rodrigues criou a cadeia militar (assim classificada pela própria) com o controle vertical de directores escolares que ficaram também dependentes do pior da partidocracia local e de um método de selecção que exige júris qualificados e não imaturos. A PàF manteve, obviamente, o núcleo do processo e aguardam-se as ideias do "novo" PS onde coabitam Lurditas D´Oiro com públicos opositores ao devaneio (Santos Silva, por exemplo, que foi Ministro da Educação).

 

O blogue ComRegras publica os resultados de uma sondagem "concorda com o método de eleição do Diretor do Agrupamento/Escola?". O método actual é rejeitado pela maioria dos inquiridos. Obtém a última posição como se observa na imagem. Tem aqui a ligação ao post com uma análise do Paulo Guinote.

 

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Sábado, 09.01.16

 

 

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A participação neste Conselho Geral resultou em duas respostas que intituei como "Do inverno menos rigoroso" e que pode também ler de seguida.

 

Ponto um: Como reanimar as salas de professores.

 

Vivemos o inverno menos rigoroso de que há memória e os professores agradecem. Apesar dos tempos serem de memória curta, assisti, exactamente no rigoroso inverno passado, a uma radiografia impensável para o que levamos de democracia: vários professores, com idades entre os 45 e os 55, a leccionarem com fortes sintomas gripais porque os atestados médicos implicam a perda de dias de vencimento. Este estado chocante tem motivos óbvios e a comprovada desesperança geral tem causas evidentes: uma redução de mais de 50 mil professores numa década deixa marcas profundas e ponto final. Só por desconhecimento se pode argumentar que nada há a fazer ou que as pessoas estão cansadas de mudanças. Há uma série de variáveis que têm soluções que são mais do domínio ideológico do que da métrica contabilística.

Façamos um resumo.

Há uma legião de professores contratados sujeita a um processo de desprezo profissional: os concursos são, a léguas, os mais incivilizados da Europa e a vinculação mais uma história kafkiana.

Os professores do quadro demonstram uma espantosa resistência associada ao faz de conta. Mas as imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com uma avaliação do desempenho assente no absurdo dos pontos e das cotas e sem qualquer sinal de progressão salarial, divisões injustas na carreira que foram vencidas mas que deixaram marcas, mais turmas e com mais alunos, inutilidades informacionais e horárias como serviço não lectivo, hiperburocracia em regime bacteriano, desorientação didáctica e curricular e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" e que transportou o pior da partidocracia local para dentro das escolas numa clara afirmação de desconfiança nos professores. Aliás, a confiança é até a palavra-chave. A palavra de um professor vale menos do que um qualquer relatório, mesmo que seja no formato "copiar e colar".

É natural que o sentimento de "fuga" se afirme como primeira prioridade. E sublinhemos: o corpo docente está com uma média etária muito elevada para o que é aceitável numa profissão tão exigente.

Para além do que foi dito, importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página, e com a cumplicidade do poder político, a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

É consequente, portanto, que se leiam apelos a um programa decente de reformas em regime especial como meio de reanimação das salas de professores. Mas não bastará se o quadro conhecido não for alterado. Será uma substituição de desesperançados por "proletarizados" em estado de revolta contida.

 

 

Ponto dois: Ensino profissionalizante ou vocacional no Ensino Básico.

 

Em regra, este tipo de percurso escolar muda de designação quando muda o governo. A novidade do último Governo foi a tentativa de iniciar estes programas de combate desesperado ao insucesso escolar ainda mais cedo e em turmas com quase o dobro dos alunos. 

A generalidade destas turmas vocacionais são antecâmaras de delinquência juvenil ou parques de estacionamento de potenciais desempregados. Desta vez agravou-se com a referida sobrelotação além da troika. Este fatalismo é uma prova da sociedade ausente que deixa tudo à escola transbordante. Não actua quando o insucesso se projecta nos primeiros anos de escolaridade e desorienta-se se a tragédia chega à adolescência e tem o sistema prisional como destino. 

O flagelo do insucesso escolar só terá uma descida consistente quando for encarado como uma tarefa prioritária de toda a sociedade e podendo, por exemplo, adquirir uma responsabilização objectiva ao nível concelhio.



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Sábado, 28.11.15

 

 

 

 

Eliminar a prevalência do mercado escolar, do cliente escolar e do neoliberalismo escolar deve ser uma prioridade para o novo Governo. As três patologias adoeceram o sistema escolar. São enfermidades que vão para além da crise da escola que integra historicamente a sua definição como instituição.

 

Os rankings como modo único de vida, o senso comum como dominador da autoridade escolar e o individualismo das escolas, e dentro destas os grupos de interesses alinhados com a partidocracia local, atingiram um ponto crítico.

 

A propaganda escolar inspirou-se na lógica do "mercado selvagem". A cooperação dentro das redes escolares, a boa gestão de recursos e a prevalência de um ensino emancipador, ecléctico e que accione o elevador social foram ideias secundarizadas com o avanço do milénio e com uma queda a pique nos últimos quatro anos.

 

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Terça-feira, 18.08.15

 

 

 

É risível o "regresso", nesta altura, da Parque Escolar.SA. O montão de euros é decidido por Bruxelas, a exemplo do que aconteceu com Sócrates na desorientação europeia no pós-crise-do-subprime. As culturas pato-bravistas, partidocratas e bancocratas aceleraram a bancarrota. Depois de tudo o que se disse na campanha eleitoral anterior sobre as obras escolares, é um momento alto do ridículo que um ministro falhado, e há muito demissionário, se preste a este papel. Ainda vamos ver Crato a suspender exames que ideal(log)izou a eito e em modo industrial.

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Terça-feira, 14.07.15

 

 

 

 

Segundo a TVI, foi detido "Agostinho Ribeiro que era responsável pelos colégios Santo André e Miramar, do grupo GPS. A TVI descobriu este empresário há dois anos e meio, quando denunciou as fraudes das escolas do grupo GPS e que levou a uma investigação da Policia Judiciária a este caso, que também envolve subsídios estatais.(...)"

 

Como se sabe, a relação público-privado na Educação tem sido uma causa difícil para os defensores da escola pública que não beneficiam da protecção da partidocracia. Vamos observar com atenção os próximos episódios da "verdade inconveniente" e esperar que a justiça funcione.



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"Se o Governo grego apresentasse um plano B com a saída do euro a maioria do Eurogrupo tinha provocado o Grexit", concordo com esta ideia. Há uma componente política que desesperou os defensores da tragédia austeritarista e que se acentuou nos que vão a votos entretanto. E acho uma certa piada aos "heróis" que acusam o Governo grego de capitulação. Mas há alguém que acha que é fácil ir às altas paradas do casino desafiar os falcões dominadores apoiados por inúmeros "bons alunos"? É bom não esquecer a herança grega de corrupção (e é também bom que os portugueses não se esqueçam das analogias com a Grécia, nomeadamente as "ruas de pobres" e a corrupção perpetrada pela bancocracia e pela partidocracia). Há um mérito grego inquestionável: "desmontou" o colete de forças do euro, oxigenou, como ninguém até aqui, uma alternativa e o tempo lá se encarregará de outras explicações.  

 

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Domingo, 12.07.15

 

 

 

 

O mercado escolar, o cliente escolar e o neoliberalismo adoeceram o sistema escolar. É uma patologia que vai para além da crise da escola que integra historicamente a sua definição como instituição. Os rankings como modo único de vida, o senso comum como princípio primeiro da autoridade escolar e o individualismo das escolas e dentro destas os grupos de interesses alinhados com a partidocracia local, atingem nesta altura um pico com a busca de alunos e com as variáveis próximas. A propaganda escolar inspira-se na lógica dos "supermercados". A cooperação dentro das redes escolares, a boa gestão de recursos, a prevalência de uma autoridade escolar assente num ensino emancipador, ecléctico e que se afirme como elevador social são ideias que, tragicamente, se perderam com o avanço do milénio e acompanham a crise do espaço político onde nos integramos.

 

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Sexta-feira, 26.06.15

 

 

 

 

O MEC de Crato recorda aquelas pessoas que só evitam decisões incompetentes quando não decidem. Então sempre que há concursos de professores já sabemos que haverá confusão. A última é um "protocolo com um Instituto Chinês sob suspeita noutros países". Mas será possível tanta impreparação? Não haverá uma raiz ideológica a orquestrar o plano inclinado?

 

No legado de Nuno Crato evidencia-se um forte ataque à imagem da escola pública. Se o ministro revelava duas características decisivas, desconhecimento do sistema escolar e associação, por ideologia, às cooperativas de ensino, o tempo comprovou-o. 

 

Crato corporizou duas ideias feitas (a primeira falaciosa): "tudo está mal numa escola pública dominada por sindicatos" e "não se pode confiar em escolas controladas pelo pior da partidocracia local". Mas não foi o poder central que criou o modelo de gestão escolar? E não foram avisados que o pior ainda estava para acontecer? E não estão a promover um tipo de municipalização que acentuará a desgraça?

 

Fica a ideia, para animar a consciência dos optimistas iniciais, que AirCrato acordou tarde para o vírus do experimentalismo.

 

O que resta é penoso. Nunca um ministro da Educação se arrastou no lugar com tanta desconsideração mediática.

 

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Terça-feira, 16.06.15

 

 

 

E já agora, como é que vai o amontoado de freguesias e municípios? Por que é que o imperativo troikano não se aplica à primeira pele da partidocracia?



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Segunda-feira, 15.06.15

 

 

 

 

No Sábado, no Público, foi o presidente do IAVE que concluiu que "os exames não estão a gerar melhorias nas aprendizagens". Estas surpreendentes afirmações levaram muitos a intuir uma mudança de embarcação para o caso das legislativas "derrotarem" a actual maioria.

 

Hoje foi um representante dos dirigentes escolares, Filinto Lima de seu nome, que disse à Antena 1, salvo erro, que um novo Governo não pode mudar as políticas educativas. Ou seja, para este dirigente, que talvez sinta a embarcação com lotação esgotada, tudo o que veio além da troika deve permanecer incólume.

 

Por acaso, este mesmo dirigente denunciava, há mês e meio e no mesmo jornal, a antiga ideia de nomeação pelo MEC das direcções escolares unipessoais (falava em boys); sublinhe-se que a "iluminação" é bem aceite em largos sectores do bloco central. O dirigente não concorda, tem razão e pede mudanças. Mas deve saber que é esse o espírito da lei vigente e que é um próximo passo na descentralização prevista: nomeação pelo poder municipal.

 

Mas no mesmo texto também diz que os Conselhos Gerais, que escolhem os directores escolares, são uma democracia "muito fraca quantitativamente" (e qualitativamente, já que há conselheiros que confessam nem ter tempo para ler projectos e candidaturas), dando eco aos que afirmam a comprovada imaturidade destes órgãos que transformaram a epifania de concurso seguido de eleição numa demonstração do pior que tem a partidocracia. Será que o dirigente quer que nada mude ou é apenas uma questão de lugar na embarcação e de frenesi?

 

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Terça-feira, 09.06.15

 

 

 

Conhece-se o programa do PS e as linhas gerais da coligação de direita. A interrogação é simples: há uma alternativa que vai para além da ideologia do tratado orçamental ou continuaremos a aplicar as medidas para além da troika? Na Educação abusou-se da segunda asserção nos últimos quatro anos e a história dirá o quanto pagámos pelo erro. É importante que se sublinhe que na Educação, como noutras áreas, há muito radicalismo ideológico que foi aplicado por simpatia com os cortes orçamentais a eito (Passos aconselhou os jovens professores à emigração para o Brasil e Angola e bem pode agora falar em mitos urbanos).

 

Objectivamente, o PS apresenta o fim dos exames do 4º ano, o regresso das "novas oportunidades" e uma impressão de fim do desmiolo avaliativo, que inventou, dos professores e não diz uma linha sobre o modelo único de gestão, sobre os alunos por turma, sobre os brutais cortes curriculares ou sobre a sobrecarga nos horários, ao minuto, dos professores.

 

Mas mais: se a maioria regressa com as "escolas independentes" inspiradas nas ideias falidas do modelo sueco, o PS não contradiz e apresenta-se como continuador da partidocracia (nesta semana, de 50000 professores votantes, 43437 votaram não à municipalização, tal é o desastre do amiguismo e do compadrio) que tem ajudado a destruir o ambiente democrático na organização das escolas. Também não há uma linha sobre o ensino dito privado.

 

O PS refere o inferno burocrático, aponta o simplexII, mas nada concretiza na Educação. E os professores assistiram durante o positivo simplexI ao aumento monstruoso da burocracia nas escolas através dos nomeados por Sócrates para o MEC e que agora parecem influenciar o futuro. E a interrogação volta a ser óbvia: há uma alternativa na Educação?



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Quarta-feira, 03.06.15

 

 

 

Acreditem que os municipalizadores vão culpar os professores pelo insucesso das suas epifanias escolares. Não gastarão um segundo a pensar que não têm qualquer prova dada ou que os seus atrevimentos não têm correspondência na realidade. Muitos partidocratas confundem liberalismo com providencialismo e legitimidade democrática com comunidade educativa.

 

É bom que se repita que a nossa bancarrota não é apenas uma invenção que nada tem a ver com a gestão pública. Sempre foi preciso remar contra muitas marés para erguer, por exemplo, uma escola. A terraplanagem e o desrespeito pela organização das escolas é um metabolismo que acelerou vertiginosamente dois ou três anos depois do início deste milénio.

 

Mas já se sabe: estamos virados para o Atlântico, os nossos "especialistas" em gestão acham que só podem trabalhar com os "melhores" e que os outros, que nunca são eles, optarão pelo mergulho no oceano. É como tantas vezes se repetiu: o país não funciona? Mude-se o povo.

 

O que é difícil, belo e da família da boa administração, é melhorar uma organização pública com os que existem.



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Domingo, 31.05.15

 

 

 

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"Cavaco e Passos têm mais um desejo comum: descentralizar os municípios", sublinhou a notícia áudio. 

 

Será que estes partidocratas querem passar de 308 para 616 numa primeira impressão? Descentralizar os municípios ou o Estado central?

 

Ia a conduzir em pleno município laranja, Caldas da Rainha, na direcção da Foz do Arelho. Fotografei a chegada para recordar que com estas sumidades em administração do território, e com sobejas provas dadas, ainda terminamos descentralizados em pleno oceano.



publicado por paulo prudêncio às 14:10 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 06.05.15

 

 

 

 

Os números confirmam que concorreram muitos professores, mesmo com mais de cinquenta anos de idade, dos quadros (de agrupamento e de escola) do ensino não superior. Quem domina as razões é peremptório: estão saturados das escolas onde leccionam. Os números não são ainda mais elevados porque os quadros estão sem vagas com tantos cortes a eito.

 

Existe um preocupante, e reconhecido, sentimento de desesperança neste grupo profissional.

 

Depois de anos a fio sujeitos a uma avaliação do desempenho kafkiana, expostos a divisões brutalmente injustas na carreira, sobrecarregados com turmas com mais alunos, com mais serviço lectivo e não lectivo e com hiperburocracia analógica e digital, atirados para megagrupamentos regulamentados por um modelo de gestão escolar "impensado" e que transportou a partidocracia local, com os conhecidos "assaltos ao poder", para dentro das escolas, é natural que as atmosferas relacionais se tenham dilacerado e que o sentimento de "uma qualquer fuga" se afirme como primeira prioridade. E importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores para gáudio dos políticos mentores da desgraça.



publicado por paulo prudêncio às 10:00 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Terça-feira, 28.04.15

 

 

 

 

"O Governo retira margem aos ministérios e passa para a CRESAP o perfil dos candidatos aos lugares para dirigentes públicos(...)". Os boys são uns cómicos. Passam a legislatura em concursos partidocráticos, arrumam a clientela e em ano de eleições declaram um arrependimento.

 

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publicado por paulo prudêncio às 15:48 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Domingo, 19.04.15

 

 

 

 

Concordo com Sobrinho Simões:

 

"(...)apostaria(...)na extinção dos jotas e na desprofissionalização dos políticos(...)".

 

A partidocracia capturou o Estado central mas também as autarquias. Penso que o mais nefasto a nível local é a acumulação de duas ausências nos jotas carreiristas: profissão fora da política e escritos. Como alguém disse, já nem se trata de pedir uns papers "científicos". A exigência mínima são uns escritos com objectivos que possam avaliar as acções para lá das imersões viciadas nos corredores e nos jogos de bastidores.

 

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 Revista do Expresso. 18 de Abril de 2015. Página 105.



publicado por paulo prudêncio às 18:20 | link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Sexta-feira, 27.03.15

 

 

 

 

É preferível um município que afirme um projecto de municipalização escolar, e que por isso permita o contraditório civilizado e democrático, do que uma gestão concelhia que jamais redigiu uma linha mas que exerce a partidocracia disfarçada.



publicado por paulo prudêncio às 14:29 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Segunda-feira, 23.03.15

 

 

 

Os 48 anos da ditadura do século passado consolidaram uma sociedade amedrontada, desconfiada do exercício da cidadania, temerosa do contraditório, alojada na corrupção, desrespeitadora do Estado e do bem comum e que não considerou a organização como um valor precioso. É evidente que para esse estado também contribuíram outros factores históricos.

 

A jovem democracia, que ainda regista números escolares que envergonham, demorará, se tiver tempo e engenho para isso, gerações a atenuar.

 

Existem preconceitos que parecem "guardar" a sociedade que descrevi, que supervisionam a ousadia e a poesia e que reagem ao novo com medo da não conservação da herança. Controlam os danos de forma subtil: classificam de ideológico, dando-lhe uma conotação pejorativa, o que inquieta ao mesmo tempo que se põem a salvo da "radical" catalogação (e fazendo partidocracia de forma disfarçada, como sempre se percebe).

 

É a forma ideológica do mau conservadorismo. Existe em modo silencioso e espera a redenção com a chegada "anunciada" do regime protector de todos os males do mundo.



publicado por paulo prudêncio às 15:31 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 20.03.15

 

 

 

 

Surpreende, relativamente, a negação da dita política de casos.

 

Foi o irrevogável Portas que custou milhões ao erário público, foram os concursos na Educação, o citius na justiça, a segurança social de P. Coelho e agora a lista VIP. Nem uma demissão política nesta escola que sempre acusou os adversários de assumirem candidaturas políticas e que mais não fez do que alimentar a partidocracia e as suas campanhas. Dirão que estão a acrescentar valor com a condição de laparão.

 

Cometem erros graves e depois querem que as pessoas os tolerem em nome da imagem do país, da suposta democracia ou das instituições, para continuarem a tratar dos empregos dos seus e sabe-se lá de mais o quê. É como disse o Antero a propósito dos Mirós: não somos parvovalue e a exigência dessa condição tem que ter limites.

 

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publicado por paulo prudêncio às 12:36 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar


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Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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