Em busca do pensamento livre.

Sábado, 12.08.17

 

 

 

Há décadas que as escolas abrem todas em Setembro. O início é ruidoso quando há devaneios como a eliminada BCE. O Governo reverteu cortes salariais, eliminou contratos com "privados", integrou professores nos quadros e alterou provas dos mais pequenos. Mas grande parte das variáveis que degradaram a escola pública estão intocáveis. António Costa, que confessou a guerra aos professores decretada nos primeiros conselhos de ministros de Sócrates, mantém as variáveis fundamentais. Não reverteu. O tempo passou e já não adianta a escusa com a herança.

Sumariemos: anos a fio com avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), carreiras congeladas desde 2005, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horários zero, contratados "eternos" e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tanta desconfiança e agravada pela idade avançada do grupo de professores. Mas seria indecente que se fizesse das reformas antecipadas uma espécie de cortina de fumo que pede repetidamente o "impossível" para que o desespero acabe num mal menor e na manutenção dos instrumentos da referida guerra.

 

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Terça-feira, 27.06.17

 

 

 

Confirma-se: "pessoas cercadas pelo fogo e sem assistência devido a falhas do SIRESP", uma das PPP´s (esta com BPN, BES, PT e CGD) que as associadas, "elites" e lado-tóxico-dos-partidos, usaram na delapidação do Estado.

As associadas impacientaram-se com a tragédia. Um "Miguel de Vasconcelos", com o pseudónimo Sebastião Pereira, apressou-se na crítica ao Governo. Usou o "El Mundo" para gáudio da direita ibérica mais extremada.  Por muito que custe, há poucas organizações sem telhados de vidro na lógica do fanatismo. E ainda ontem o diabo deu sinal de si. Bastou um microfone para o desrespeito pelo elementar silêncio perante a dor. É: a tragédia de Pedrógão Grande tem demasiados ângulos muito lamentáveis.

 

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 "Muitos pedidos de ajuda não tiveram seguimento devido a falhas nas comunicações".

Paulo Pimenta. Público.



publicado por paulo prudêncio às 10:34 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 28.05.17

 

 

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A "notícia" é do DN.

Aumenta a apreensão com a municipalização e não é só na Educação: na Cultura cresce um sentimento semelhante. É possível perspectivar o ensino não superior num país "capturado" pela partidocracia com os seus sindicatos de voto.

A sensatez recomenda poderes desconcentrados e descentralizados. A gestão do território exige coerência e estruturas que funcionem. Como temos mais de cinquenta quadros de divisão administrativa, em vez de um como seria razoável e moderno, há um caldo que gera preocupação. Cruzei esta notícia do DN com uma reportagem da revista do Expresso: "Nos templos há cada vez menos políticos influentes e a esfera da maçonaria diminuiu. Os "irmãos" estão preocupados e têm estratégias para recuperar o poder. Mas permanecem os rituais, os códigos secretos, as teias de negócios e o peso maçónico em áreas como as autarquias e os serviços secretos; estão espalhados por todo o país". Às tantas, passa-se o mesmo com a "opus dei".

Se somarmos toda a informação, todos os sinais e todas as evidências, encontramos respostas importantes para tanta apreensão. Por que será, por exemplo, que mais de 90% dos professores são contra a municipalização? Os inquéritos dos últimos anos dão que pensar num país de comprovado mau centralismo. É, realmente, uma contradição que impressiona.



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Quinta-feira, 25.05.17

 

 

 

Desde a viragem do milénio que se detectou na massa crítica escolar centralizada (e algo estratosférica) a intenção de um mega-agrupamento por concelho (com excepções nas zonas metropolitanas). O argumento é a redução de custos. A massa crítica docente não fez, nem faz, o que devia para o evitar (dando razão ao nosso último monarca que, ao que consta, dizia "que somos um país de bananas governado por sacanas") e os mentores partidocratas preparam a ofensiva que designam por municipalização.

Repitamos: não é avisado qualquer aumento de escala com os instrumentos legais em vigor; a gestão de proximidade, e a consequente liderança, é um factor inalienável da gestão escolar. Haverá apenas um reforço: o pior da política partidária. O que urge é o movimento contrário, redução da escala, e o regresso da democracia às escolas.

Está em causa a confusão eterna em variáveis fundamentais: desconcentração do MEC e lei orgânica, municipalização (descentralizada) do sistema escolar e modelo de gestão escolar que foi "pensado" para uma escola não agrupada e que é mais desconcentrado (com forte dependência do poder central) do que descentralizado. As redes escolares, e as análises e diagnósticos, dão mais sinais de que a terraplanagem cria o hábito.

 

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Quarta-feira, 03.05.17

 

 

 

São conhecidas as componentes críticas do desastroso modelo de gestão que Lurdes Rodrigues impôs e Crato manteve no essencial, mas o que o PSD quer mudar como fundamental é que os "pais que são professores devem ficar fora dos conselhos gerais das escolas". É surreal. Há todo um rol de trapalhadas, irregularidades, abusos do poder e por aí fora e a direita, que ainda há uns dois anos saiu do Governo, conclui deste modo. Dá ideia que olham para os conselhos gerais como um espaço para contar espingardas na hora de escolher. Na partidocracia é assim. Mas nas escolas não deve ser. Há modos democráticos, mais do que testados e com provas muito boas, para eleger. São estas pequenas coisas que também explicam a nossa queda para protectorado.



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Quarta-feira, 26.04.17

 

 

 

A gestão das escolas teve um recente pico mediático com as trapalhadas "na designação de diversos membros dos Conselhos Gerais". A democracia representativa foi uma miragem no modelo em curso e deu lugar a um ambiente de partidocracia que retirou a vivência democrática numa instituição que deveria ser exemplar. O modo de escolher as direcções escolares parece ter sido o único fim da constituição dos Conselhos Gerais e foi mais uma derrota para o antigo arco governativo. Quem decidiu, em 2009, eliminar o modelo que existia, teve a oposição de muitas escolas mas a oportunidade criou alinhados de última hora. É hoje consensual para quem avalia o modelo: as direcções escolares devem ser eleitas, num processo devidamente escrutinado, por todos os que exercem funções nas escolas integrados num caderno eleitoral mais alargado a exemplo do que acontecia até 2009. É, portanto, com alguma expectativa que se espera pelas decisões do Governo actual.

 

O Paulo Guinote tem um post importante sobre o assunto, "Liberdade para ensinar a liberdade", com a seguinte passagem:

"(...)Governos sucessivos, dominados por forças políticas tidas por alternativas, nada mudaram numa situação em que a liberdade e autonomia dos professores foram cuidadosamente destruídas, assim como a democracia no funcionamento interno das escolas foi transformada numa vaga memória. Defender a Liberdade para as escolas escolherem a sua forma de organização interna é algo que recupera valores que agora, infelizmente, parecem incómodos da Direita à Esquerda na Educação. Seria um bom exemplo para demonstrarem que ainda acreditam no que Abril trouxe ao nosso país, mas tudo o que está em desenvolvimento na área da Educação aponta no sentido inverso. Com a colaboração, nem que seja com simulacros de oposição, de quase todos aqueles que a cada momento se afirmam herdeiros dos valores de Abril.(...)"

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Sábado, 22.04.17

 

 

 

O modelo de gestão escolar vigente lançou a partidocracia para dentro das escolas e o descrédito local das instituições não pára de aumentar. O Público noticia outra trapalhada: "Conselhos de escolas irregulares ameaçãm eleiçoes de directores. Nos conselhos gerais das escolas estão representados pais, professores e outros funcionários. Mas há problemas na forma como os encarregados de educação estão a ser designados para vários destes órgãos. O que põe em causa as decisões que são tomadas."

 

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Domingo, 19.02.17

 

 

 

O "Governo vai mudar o currículo das escolas" contrariando decisões muito desfavoráveis aos alunos, principalmente aos mais jovens, promovidas por Crato com o empobrecimento curricular. É o passo seguinte depois do questionamento saudável a uma variável da mesma família: a indústria dos exames. É mais um motivo de esperança no sentido da moderação e da sensatez. Mas não chega. É preciso eliminar o que resta dos procedimentos da "guerra" aos professores, e à organização das escolas, da autoria de Lurdes Rodrigues.

A "nova" gestão flexível dos currículos eleva a exigência da escola (se a municipalização se abstiver). Não bastará disseminar directrizes centrais. Será preciso mais estudo, mais autonomia e mais responsabilidade, para que se afirmem valores de liberdade, maturidade e transparência. E tudo isto apela a profissionais não preenchidos por burnout e sentimentos de "fuga", precarizados ou rodeados de má burocracia num clima de desconfiança na democracia. Estas componentes criticas são mesmo os riscos a contrariar num ambiente de mudança curricular.

 

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Quinta-feira, 16.02.17

 

 

 

É possível perspectivar o que será a municipalização de todo o ensino não superior num país "capturado" pela partidocracia e com caciquismo quase generalizado. Se se confirmar a descentralização de competências, é imperativo (ainda mais obrigatório, para ontem, urgente) mudar o modelo de gestão das escolas.



publicado por paulo prudêncio às 21:06 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 05.02.17

 

 

 

Cresce a apreensão com o avanço da municipalização escolar de todo o ensino não superior. A natural impreparação de grande parte dos municípios, associada à partidocracia que entrou nas escolas, fundamenta a reprovação. Exige-se ao poder político a boa gestão da rede escolar através das cartas educativas e das restantes variáveis de planeamento. O que existe (pré-escolar e 1º ciclo e influência determinante nos restantes ciclos) gera pessimismo num país que tem mais de quarenta quadros de divisão administrativa em vez de um como seria moderno e razoável.

Ainda há dias ouvi o discurso de autarcas com antiguidade de funções numa cerimónia de uma comunidade que, ao longo de décadas, apresenta bons exemplos escolares nos diversos níveis. É uma autarquia que influenciou, ao longo de anos, erros de planeamento em prejuízo de alunos, encarregados de educação, professores e outros profissionais dos ensinos público, privado e cooperativo e que se sustenta nos resultados dos exames do final do ensino secundário que, como se sabe, são por mérito dos alunos, e das sua famílias, e dos seus professores. A obsessão discursiva com os rankings esmoreceu com a queda na passagem dos ditos clássicos para os alternativos. Mas a quebra tem explicação num município em que apenas 30% a 40% dos alunos que se matriculam no 7º ano de escolaridade chegam ao 12º integrados no ensino regular e em que uma parte das matriculas no 10º ano é proveniente de outros concelhos. A inexistência de massa crítica também fundamenta a apreensão com a municipalização escolar.

 

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"A apreensão de Charlotte Corday"

de Alfred Dehodencq



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Terça-feira, 25.10.16

 

 

 

A desqualificação do modo de escolher as direcções escolares é mais uma derrota para a herança de Lurdes Rodrigues (LR). O veredicto poderá acontecer com a vontade de alguns dos seus, outrora, correligionários. É reconhecida a desqualificação dos actuais Conselhos Gerais para promover concursos públicos seguidos de eleição. LR decidiu, em 2009, eliminar um modelo com avaliação positiva para controlar, a partir do poder central, os "indisciplinados" professores. Teve a oposição de muitas escolas, mas a oportunidade criou alinhados de última hora. 

 

Em 11 de Janeiro de 2012escrevi que "(...)mesmo entre nós, e no caso do sistema escolar, o arco governativo não descansou enquanto não eliminou o poder democrático das escolas substituindo-o por uma amálgama com tiques do PREC e da ditadura.(...)" Não foram necessários muitos anos para se perceber o erro grave, nomeadamente com a entrada nas escolas do pior da partidocracia local. É consensual para as organizações que estudam e avaliam a situação vigente: as direcções escolares devem ser eleitas, num processo devidamente escrutinado, por todos os que exercem funções nas escolas.

 

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Sábado, 10.09.16

 

 

 

Há décadas que as escolas abrem todas em Setembro. O início é ruidoso quando há disparates como a eliminada BCE. E o que fez o Governo para além disso para ser elogiado pela claque de apoio? Reverteu cortes salariais, eliminou, com coragem informada, contratos com "privados" e alterou provas dos mais pequenos. Mas grande parte das variáveis que degradaram a escola pública estão intocáveis. António Costa, que confessou a guerra aos professores decretada nos primeiros conselhos de ministros de Sócrates, mantém as variáveis bélicas somadas aos excessos ideológicos de Crato que instituiu um preconceituoso back to basics a cavalgar o além da troika.

 

Sumariemos: anos a fio com avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), carreiras congeladas desde 2005, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horários zero, contratados "eternos" e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tanta desconfiança e agravada pela idade avançada do grupo de professores. Mas seria indecente que se fizesse das reformas antecipadas uma espécie de cortina de fumo que pede repetidamente o "impossível" para que o desespero acabe num mal menor e na manutenção dos instrumentos da referida guerra.

 

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Quinta-feira, 11.08.16

 

 

 

O Paulo Guinote escreveu um parágrafo muito certeiro:

 

"(...)Está por fazer o cálculo completo dos que abandonaram a profissão nessa mesma década, por aposentação ou rescisão, voluntariamente, mesmo com elevados cortes na remuneração, só para fugir ao manicómio em que se transformaram algumas escolas a partir do momento em que o discurso da add meritocrática e titularizada se impôs e passámos a ter a única profissão cronometrada fora do desporto. Curiosamente, com o apoio de gente que defende muita liberdade pedagógica e salas sem portas ou paredes."

 

Será que os opinadores e comentaristas não sabem que as carreiras estão há mais de oito anos congeladas e que há milhares de professores com salários líquidos pouco acima dos 1200 euros que não beneficiam de qualquer reposição salarial? O que a actual execução orçamental começa a comprovar é que não há qualquer caos com a redução de impostos para pequenos empresários e com a reposição de salários e pensões. Mas isso não esconde o que falta fazer e o Governo sabe-o muito bem. Para além disso, as imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos que continuam por reverter: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero até para professores com mais de cinquenta anos e mais de trinta anos de serviço, professores contratados com anos a fio de serviço e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que a indignação cresça quando se apela ao silêncio.

 

(Este parágrafo não é inédito, mas a repetição é um dever. Reescrevi-o.)



publicado por paulo prudêncio às 11:05 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 07.06.16

 

 

 

A sensatez e o equilíbrio recomendam, nas democracias, poderes desconcentrados e descentralizados. A gestão do território exige coerência organizativa e estruturas que funcionem. Como temos mais de cinquenta quadros de divisão administrativa, quando apenas um seria a recomendação razoável e moderna, criou-se um caldo propício ao caciquismo. Os aparelhos partidários têm-se preocupado mais com a distribuição de lugares do que com o bem comum.

 

Dá ideia que a maioria que governa quer aprofundar a municipalização escolar (descentralização) mas com alteração do modelo de gestão para retirar os municípios de dentro da escola (desconcentração). É do mais elementar bom senso que, no mínimo, se aplique o segundo princípio na "impossibilidade" de abdicar do primeiro.

 

Nesta fase de transição, e olhando para os assuntos mais mediatizados, é preferível um município que afirme um projecto de municipalização escolar, e que por isso permita o contraditório civilizado e democrático, do que uma gestão concelhia que jamais redigiu uma linha mas que exerce a partidocracia.

 

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Domingo, 29.05.16

 

 

 

Há umas duas décadas alastrou-se aos serviços públicos a primazia da ideia de negócio. A gestão foi o primeiro objectivo. A alegação repetida com critério: eliminação do corporativismo e do despesismo.

 

A agenda mediática introduziu impedimentos para o exercício dos cargos: médicos a gerir hospitais, juízes a gerir tribunais, professores a gerir escolas, bancários a gerir bancos, engenheiros a gerir a EDP, a PT ou obras públicas e por aí fora. Quem seriam, então, os gestores? Saltitantes especializados em tudologia e boas relações com a partidocracia. Sabiam de offshores e swap´s e tinham treino de casino. Os resultados falam por si.

 

 

PS: para os DDT´s, os colégios "privados" são a gota que os assusta e que descartam se der muito nas vistas. O que os preocupa são as descomunais EDP, segurança social, saúde e banca.

 

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publicado por paulo prudêncio às 18:17 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 27.05.16

 

 

 

Já nem vou ao caso extremo do presidente do Conselho Geral da escola pública que é proprietário do colégio "privado" vizinho que tem contrato de associação redundante. Há inúmeros autarcas, como só agora alguns estão a reparar, que estão nos Conselhos Gerais das escolas públicas e comprometidos com o negócio dos colégios "privados". E podíamos ficar umas horas a elencar casos da mesma família. É evidente que a entrada da partidocracia na vida das escolas explicará alguns dos enigmas mais recentes da rede escolar.

 

O Governo mostrou-se corajoso e bem preparado. Necessitou, e necessita, de apoio no terreno. Desde logo, de clareza e transparência nas redes concelhias. A mediatização dos "erros" explicados pelas circunstâncias do primeiro parágrafo é inevitável e até favorece as intenções dos que se opõem ao Governo. Mas espera-se que esses casos de duplex escolar, agora mais expostos, tenham, no mínimo, uma vida mais difícil.

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:26 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Terça-feira, 17.05.16

 

 

 

Compreende-se a necessidade de alterar o modelo de gestão para compensar o aprofundamento da municipalização escolar e contrariar as componentes mais críticas dos mega-agrupamentos: gestão de proximidade e autonomia das escolas.

 

O Governo pretende aprofundar a municipalização escolar, descentralizando competências nos domínios da gestão do território, das instalações escolares, e dos demais recursos, e na gestão dos profissionais. Se é aceitável uma agência municipal que alargue aos concelhos as partilhas administrativas em curso nos agrupamentos, é natural a apreensão dos que olham para os municípios como escolas da pior partidocracia. É, portanto, compreensível que os equilíbrios na maioria que governa imponham o regresso a um modelo de gestão escolar que garanta a autonomia das escolas em relação aos municípios e que lhes confira, simultaneamente, um grau mais elevado de poderes desconcentrados do ministério da Educação. É um exercício difícil, mas também nunca se leu que a democracia não dá trabalho.

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:41 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 15.05.16

 

 

 

Os colégios "privados" apoiaram-se no poder político e beneficiaram da centralização do MEC ocorrida a partir do Governo de Durão Barroso que colocou a rede escolar em roda livre. Sem isso, teria sido difícil sobreviverem. Está documentado e ponto final. Veremos como termina o processo, embora se perceba, finalmente, toda uma nova abordagem ao problema mais próxima da realidade.

 

Os argumentos incluíam uma família de políticas educativas que não se circunscreveram ao "privado": liberdade de escolha, livre concorrência, mercado escolar, modelo de gestão escolar com entrada da partidocracia local, lógica do cliente escolar (tem sempre razão), mega-agrupamentos, publicação de rankings de exames (os vigentes, medíocres, só existem deste modo em Portugal) com ponderação sócio-económica apenas para as públicas, professores titulares, avaliação do desempenho de professores burocratizada e com quotas, infantilização do estatuto do aluno, afunilamento curricular e por aí fora.

 

As escolas públicas podiam ter feito mais para impedir 25 mil despedimentos, milhares de horários zero e afastamento da residência de outros professores dos quadros? Podiam. Desde logo, e em 2009 por exemplo, se tivessem impedido a implementação do modelo de gestão escolar. E foi por um triz. Mas isso exigia um texto longo para análise das variáveis e consequências. Mas há exemplos mais lineares e evidentes. Foi um erro, por exemplo, aplicar critérios de selecção de alunos de acordo com os resultados escolares esperados ou excluir alunos "problemáticos" ou com necessidades educativas especiais que "perturbassem" a atmosfera de treino para exames. Entrar no mesmo jogo "legitimou" os tais "privados" e reforçou a indústria dos exames como primeiro pilar do mercado escolar.

 

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publicado por paulo prudêncio às 01:05 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Segunda-feira, 01.02.16

 

 

 

 

Em 2005, o PS neoliberal iniciou a confessada guerra aos professores da escola pública. Encontrou uma inesperada resistência e foi perdendo batalhas. Em 2009, já em desespero e contra aquilo que ridiculamente considerava uma coutada comunista, destruiu um modelo de gestão que ia na primeira década de vigência, e de maturidade, e avaliado com nota muito positiva pelo próprio MEC. Lurdes Rodrigues criou a cadeia militar (assim classificada pela própria) com o controle vertical de directores escolares que ficaram também dependentes do pior da partidocracia local e de um método de selecção que exige júris qualificados e não imaturos. A PàF manteve, obviamente, o núcleo do processo e aguardam-se as ideias do "novo" PS onde coabitam Lurditas D´Oiro com públicos opositores ao devaneio (Santos Silva, por exemplo, que foi Ministro da Educação).

 

O blogue ComRegras publica os resultados de uma sondagem "concorda com o método de eleição do Diretor do Agrupamento/Escola?". O método actual é rejeitado pela maioria dos inquiridos. Obtém a última posição como se observa na imagem. Tem aqui a ligação ao post com uma análise do Paulo Guinote.

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:46 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Sábado, 09.01.16

 

 

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A participação neste Conselho Geral resultou em duas respostas que intituei como "Do inverno menos rigoroso" e que pode também ler de seguida.

 

Ponto um: Como reanimar as salas de professores.

 

Vivemos o inverno menos rigoroso de que há memória e os professores agradecem. Apesar dos tempos serem de memória curta, assisti, exactamente no rigoroso inverno passado, a uma radiografia impensável para o que levamos de democracia: vários professores, com idades entre os 45 e os 55, a leccionarem com fortes sintomas gripais porque os atestados médicos implicam a perda de dias de vencimento. Este estado chocante tem motivos óbvios e a comprovada desesperança geral tem causas evidentes: uma redução de mais de 50 mil professores numa década deixa marcas profundas e ponto final. Só por desconhecimento se pode argumentar que nada há a fazer ou que as pessoas estão cansadas de mudanças. Há uma série de variáveis que têm soluções que são mais do domínio ideológico do que da métrica contabilística.

Façamos um resumo.

Há uma legião de professores contratados sujeita a um processo de desprezo profissional: os concursos são, a léguas, os mais incivilizados da Europa e a vinculação mais uma história kafkiana.

Os professores do quadro demonstram uma espantosa resistência associada ao faz de conta. Mas as imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com uma avaliação do desempenho assente no absurdo dos pontos e das cotas e sem qualquer sinal de progressão salarial, divisões injustas na carreira que foram vencidas mas que deixaram marcas, mais turmas e com mais alunos, inutilidades informacionais e horárias como serviço não lectivo, hiperburocracia em regime bacteriano, desorientação didáctica e curricular e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" e que transportou o pior da partidocracia local para dentro das escolas numa clara afirmação de desconfiança nos professores. Aliás, a confiança é até a palavra-chave. A palavra de um professor vale menos do que um qualquer relatório, mesmo que seja no formato "copiar e colar".

É natural que o sentimento de "fuga" se afirme como primeira prioridade. E sublinhemos: o corpo docente está com uma média etária muito elevada para o que é aceitável numa profissão tão exigente.

Para além do que foi dito, importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página, e com a cumplicidade do poder político, a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

É consequente, portanto, que se leiam apelos a um programa decente de reformas em regime especial como meio de reanimação das salas de professores. Mas não bastará se o quadro conhecido não for alterado. Será uma substituição de desesperançados por "proletarizados" em estado de revolta contida.

 

 

Ponto dois: Ensino profissionalizante ou vocacional no Ensino Básico.

 

Em regra, este tipo de percurso escolar muda de designação quando muda o governo. A novidade do último Governo foi a tentativa de iniciar estes programas de combate desesperado ao insucesso escolar ainda mais cedo e em turmas com quase o dobro dos alunos. 

A generalidade destas turmas vocacionais são antecâmaras de delinquência juvenil ou parques de estacionamento de potenciais desempregados. Desta vez agravou-se com a referida sobrelotação além da troika. Este fatalismo é uma prova da sociedade ausente que deixa tudo à escola transbordante. Não actua quando o insucesso se projecta nos primeiros anos de escolaridade e desorienta-se se a tragédia chega à adolescência e tem o sistema prisional como destino. 

O flagelo do insucesso escolar só terá uma descida consistente quando for encarado como uma tarefa prioritária de toda a sociedade e podendo, por exemplo, adquirir uma responsabilização objectiva ao nível concelhio.



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