Em busca do pensamento livre.

Sexta-feira, 20.10.17

 

 

 

 

Numa das fases escolares sobreaquecidas, uns "teóricos da conspiração" ligavam o crescimento repentino das cooperativas de ensino à privatização do sistema e à criação da ParqueEscolar.SA (PESA); sumariando, o Grupo GPS, o Grupo LENA (que requalificou a maioria das escolas) e a PESA (com o território e o edificado de mais de 300 escolas). Ou seja, e segundo os conspiradores, bastaria a "reforma estrutural" de privatização da PESA - criada para boas contas orçamentais (o PR à época falava de boa moeda) -, para que o processo se expusesse à luz do dia como festa orçamental. 

Os "reformadores" mais mediáticos classificavam os "conspiradores" (que, ao que me recordo, se diziam defensores da não proletarização dos profissionais da educação) de avessos ao empreendedorismo de ponta, de despesistas lunáticos e de excessos de cidadania.

 

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Paula Rego.
Tríptico "Família".
Exposição "old meets new".
Casa das Histórias Paula Rego.
Cascais. 



publicado por paulo prudêncio às 15:55 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 12.10.17

 

 

 

 

A operação Marquês está longe de um epílogo. Continuaremos no tempo da justiça. Todavia, e considerando a dimensão dos incluídos no processo - os DDT's (um chefe de um Governo com maioria absoluta que exerceu o cargo durante sete anos, o chefe do principal banco privado, os chefes da empresa de telecomunicações emblemática (a Nokia portuguesa) e com prestígio internacional, os chefes de uma forte construtora de obras públicas do regime e um ministro que também chefiou o principal banco público -, estamos perante uma teia que terá certamente ramificações ainda desconhecidas mas certificadas pelos investigadores. Mesmo considerando a presunção de inocência, é já um sério abalo no regime e uma vergonha para o país. Também, e para além do desfecho, fica, em qualquer dos casos, o registo da mentira mediatizada como táctica de convencimento popular; e com que desplante, realmente.



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Segunda-feira, 19.09.16

 

 

 

 

A sensatez impôs-se e recomeça a imperativa requalificação de escolas. A Parque Escolar 1.0, "a festa", fez parte do capítulo "fuga para a frente" da desorientação financeira na Europa e daquelas "megalomanias" lusitanas. Com a lição em mente, espera-se, a Parque Escolar 2.0 apresenta uma ideia, "Novas obras com custo por escola 15 vezes inferior à Parque Escolar 1.0", e o seguinte mapa:

 

Captura de Tela 2016-09-19 às 14.19.40

Desenho do DN na ligação referida

 



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Terça-feira, 18.08.15

 

 

 

É risível o "regresso", nesta altura, da Parque Escolar.SA. O montão de euros é decidido por Bruxelas, a exemplo do que aconteceu com Sócrates na desorientação europeia no pós-crise-do-subprime. As culturas pato-bravistas, partidocratas e bancocratas aceleraram a bancarrota. Depois de tudo o que se disse na campanha eleitoral anterior sobre as obras escolares, é um momento alto do ridículo que um ministro falhado, e há muito demissionário, se preste a este papel. Ainda vamos ver Crato a suspender exames que ideal(log)izou a eito e em modo industrial.

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Domingo, 14.07.13

 

 

 

Levará anos a recuperar a relação de confiança entre os professores e um qualquer Governo (onde se inclui a traquitana do MEC). O principal argumento que nos empurrou para esta insuportável desconfiança foi a matriz privatizadora do orçamento da Educação que integrou, no arco da governação, testas de ferro que paulatinamente desbravaram o caminho para o negócio na lógica das piores PPP´s. Nem se trata da privatização da gestão escolar conhecida noutras latitudes que, mesmo sem a caça ao lucro em ambiente corrupto, já provou que aumenta a segregação social e a despesa e não melhora os resultados escolares globais.

 

Haverá quem defenda de forma generosa a Parque Escolar, o modelo de gestão escolar em curso, os agrupamentos de escolas e os novos contratos de autonomia. Acredito que haverá.

 

Mas o que está na matriz dessas decisões é reduzir custos e criar escala para privatizar. A Parque Escolar já é uma sociedade anónima e proprietária de dezenas de escolas públicas. O modelo de gestão escolar transporta para dentro das escolas o pior da política partidária local, desaproxima as decisões fundamentais da maioria dos professores e, portanto, desmobiliza-os. Os agrupamentos vão terraplenando a história das escolas e criam escala que compense a guloseima. Os contratos de autonomia passarão, através da relação entre indicadores e massa salarial, o ónus da precarização dos professores (despedimentos e requalificações) para a descrita lógica local. O sistema escolar estará a ficar no ponto, digamos assim.

 

Isto é muito perigoso. Não direi que os professores devem ter, como nas sociedades mais avançadas, um estatuto semelhante aos magistrados. Quando ouço os defensores da empresarialização da gestão escolar apercebo-me que lidam mal com a liberdade dos professores para ensinar. Não percebem, tal a ânsia com a medição e o controle milimétrico da produção da primeira linha, que esse risco é vital para a democracia e para a igualdade de oportunidades. É difícil, como tentou Hanna Arendt, fazer com que percebam o que está em causa e o que move quem pensa de modo diferente. É natural. A obsessão com o lucro parece irresistível e dá ideia que só pára mesmo depois das catástrofes.

 



publicado por paulo prudêncio às 18:04 | link do post | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Quarta-feira, 06.02.13

 

 

 

 

 

 

 


Temos uma grande dificuldade em pensar e podemos afirmar que se pensa pouco. Foi mais ou menos assim que Manuel Maria Carrilho iniciou a sua conferência no auditório da ES R. B. Pinheiro nas Caldas da Rainha. O filósofo foi apresentado por Rui Grácio, que fez uma breve passagem pela obra "Pensar o Mundo", numa iniciativa do CFAE Centro-Oeste. Pensar o mundo e pensar Portugal implica pensarmos como chegámos aqui e como sairemos, acrescentou.

 

Manuel Maria Carrilho discursou sobre a crise e também a propósito dos termos que usamos sem a preocupação de definir com rigor o significado. Moderno (perguntou se haverá quem não o queira ser), refundação, crescimento e austeridade foram os mais dissecados.

 

Foi crítico da globalização, associou-a ao individualismo e considerou que somos mais livres do que nunca na Europa. No entanto, socorreu-se de Kundera e da ideia de que "tenho direito ao que desejo" o que acaba por se traduzir numa impotência do colectivo.

 

A representação pelos políticos e pelos partidos como representantes do povo e encenadores do futuro está em crise. Disse que a supressão do futuro e dos médio e longo prazos e a absolutização do presente e do curto prazo provocam essa falência, sendo um logro o elogio do voluntarismo.

 

Classificou como "inconsequente" a acção dos movimentos de cidadãos, defendeu a simbiose governativa das áreas da educação, da ciência e da cultura, que mereceriam um conselho de ministros dedicado, foi crítico da escola com receptora de todas as crises e não vê grande futuro para os políticos que não o façam a partir dessa instituição. O Homem é um mutante antropológicoclicar é saber sem aprender. A escola está desmuniciada para enfrentar este problema que deve ser central para a política.

 

Para Manuel Maria Carrilho a Europa errou na adesão à ideologia da globalização, vivemos um período de ultraliberalismo (desprezou o neo), de liberalismo sem limites e em que o mercado é total. Há um face a face entre o estado de direito e a selva, entre a política que já foi civilizada e um mundo financeiro que precisa de o ser. Falta saber quem vencerá o duelo.



publicado por paulo prudêncio às 21:20 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Domingo, 20.01.13

 

 

 

Estive cerca de 24 horas sem internet, televisão e telefone fixo e "impedido" de publicar no blogue. O temporal que atingiu a zona onde resido fez estragos. Mesmo aqui ao lado, o telhado de uma recente obra da parque escolar andava a navegar pelas ruas ao sabor das rajadas de vento.



publicado por paulo prudêncio às 12:43 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 11.11.12

 

 

 

Estamos num período de vale tudo. Discutir o investimento médio por aluno com argumentos tão esfarrapados só está ao alcance de pessoas delirantes. Francamente: incluir a "festa" da parque-escolar-sa nos débitos das escolas do Estado é tão válido como contabilizar o edificado e o espaço correspondente (a fórmula até pode ser a mesma do IMI) das milhares de escolas encerradas.

 

Por outro lado, incluir os investimentos em infra-estruturas pelas escolas não administradas pelo Estado para reduzir o seu investimento médio por aluno exige que se contabilizem da mesma forma as infra-estruturas de todas as escolas do Estado.



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Quinta-feira, 21.06.12

 

 

 

 

Não podemos afirmar que Nuno Crato não se tem esforçado por se equiparar, mesmo que em algumas, poucas, matérias alinhe na ala oposta, a Maria de Lurdes Rodrigues. Dá ideia que a ex-ministra caiu nas boas graças de quem manda mesmo no país e Nuno Crato não deve desdenhar da graciosidade.

 

Apesar do preciosíssimo contributo do seu secretariado, Nuno Crato parece precisar de tempo para atingir um patamar semelhante. E convenhamos: não adoptou o mesmo registo tirano-ensandecido.

 

Cada vez que aparecem relatórios do tribunal de contas sobre a parque escolar.sa, as pessoas lembram-se da presença de Maria de Lurdes Rodrigues no parlamento onde afirmou, com veemência, que não houve derrapagens e que a coisa foi uma festa. É natural que comecem a circular cognomes nada abonatórios.

 

Se fizermos um inquérito confidencial ao pessoal da oligarquia republicana (sou republicano, ok) não nos admiremos se continuarem a considerar Maria de Lurdes Rodrigues uma reformista incompreendida. E a crença é tão feérica, que a ex-CEO do MEC saltou de imediato para uma das dez mais influentes instituições portuguesas.

 

A Fundação Luso-Americana não deve interessar para coisa alguma e não nos devemos admirar quando nos acusam de estarmos na bancarrota exactamente por isso: temos instituições fracas e cuidamos de forma esquisita do processo de selecção das chefias. Preferimos chefes a líderes, temos uma classe média fraca e isso é causa e consequência de um facto incontornável: somos uma sociedade corrupta.



publicado por paulo prudêncio às 22:26 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

 

 

 

Uma Câmara Municipal pagou uma escola que nunca foi construída e ficou, de tal forma, sem voz em assuntos da Educação que a agregação de escolas no concelho respectivo tem uma dimensão de pasmar. A corrupção no nosso país foi tão descarada que é bem possível que tivesse acontecido uma coisa parecida com a que imaginei na primeira frase.

 

Todos os dias temos notícias sobre a corrupção e haverá qualquer coisa de spin no meio de tudo isto, como se viu recentemente no desanuviamento do relvasgate.

 

No mês em que muitos de nós ficam sem subsídio de férias por causa da corrupção, a interrogação é simples e humorada: esta gente não repõe os desfalques porquê?

 

 

Parque escolar pagou obras que não foram feitas

 

Custos dispararam nas obras da Parque Escolar em benefício dos empreiteiros



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Terça-feira, 29.05.12

 

 

Por que é que têm que ser os professores a pagar, com desemprego e cortes na massa salarial, os devaneios da parque escolar.sa e as pessoas em geral a corrupção nas PPP´s, no BPN e por aí fora?

 

Liguei a televisão na SICN e passavam imagens do parlamento. Um antigo ministro das finanças, numa comissão parlamentar, disse a um deputado do PCP que o que este queria era ocupar um cargo público relevante, mas que os votos são para respeitar. Fiquei perplexo.

 

O desrespeito pela Assembleia da República é um bom barómetro do tempo democrático. Se este, o tempo democrático, se pode estudar nos tradicionais, longo, médio e curto prazos (constituição, legislatura e opinião pública, respectivamente), temos de concluir que a democracia portuguesa suspendeu a constituição, deixou a legislatura no século passado e tem a opinião pública nas ruas da amargura e no domínio das "secretas-mais-ou-menos-adolescentes".



publicado por paulo prudêncio às 22:30 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 18.04.12

 

 

Quando fiz um post sobre os outdoors da parque escolar com a interrogação que se segue, - "Como se sabe, os outdoors são caríssimos e as campanhas eleitorais em período de contenção recusam a sua utilização. Uma empresa sem concorrência, e que requalificava escolas, fazia publicidade com outdoors a que propósito?" - estávamos em plena crise financeira e, bem sei, em pré-campanha eleitoral para as legislativas.

 

Resido muito perto da escola referida na notícia. Foi das muitas que exibiu os outdoors e que, com toda a certeza, não conseguirá receitas com casamentos, baptizados e por aí fora, que suportem a despesa com a água e com a luz. Foi, realmente, uma festa de loucos e ponto final. Noutro dia li, não me lembro onde e escrito por uma pessoa que me habituei a considerar como sensata, que temos sido governados, nos mais diversos patamares, por delinquentes (custou-me mesmo escrever isto). Às vezes, parece que estamos condenados a este tipo de atmosfera.

 

 

Escola remodelada no ano passado sem dinheiro para facturas de água e luz

 

Uma remodelação de 10,2 milhões de euros dotou a secundária Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, de sistemas de climatização e equipamentos que a escola não pode usar por falta de verbas para pagar a água e a electricidade.

 



publicado por paulo prudêncio às 17:15 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 10.04.12

 

 

Leia estas declarações e faça um simples exercício de multiplicação. Há gente que gasta fundos públicos sem critério e como se fossem bens ao seu dispôr. E não aprendem.

 

Participei no programa da SIC Notícias, Opinião Pública, no dia 8 de Setembro de 2010, das 17h00 às 18h00, com a moderação do jornalista Luís Marçal. Devo confessar que fui surpreendido com a introdução de uma peça propagandística de José Sócrates sobre estes assuntos (mais à frente falou um dos secretários de Estado). Não era fácil desconstruir de forma inopinada tanta demagogia, mais ainda num tempo em que os professores eram vistos como um grupo de corporativos que atrapalhava o comboio do progresso. Apresento os dois primeiros vídeos (são nove), o primeiro de 4.32 minutos e o segundo de 1 minuto, que a cortesia de uns amigos permitiu. É uma espécie de prestação de contas e serve para avivar algumas memórias.

 

Pode ver os restantes vídeos aqui.

 

 

 



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Domingo, 25.03.12

 

 

Isabel Alçada recusa a existência de irregularidades na Parque Escolar

 

Percebo: quem viver na estratosfera e negar a falência do país também pode afirmar coisas destas. Fiz um post por causa dos outdoors da parque-escolar-sa pouco depois do programa ter começado. Como se sabe, os outdoors são caríssimos e as campanhas eleitorais em período de contenção recusam a sua utilização. Uma empresa sem concorrência, e que requalificava escolas, fazia publicidade com outdoors a que propósito? Via-se logo que a coisa acabaria mal e custa ver os tais das benesses ilimitadas a teimarem na megalomania. É nos detalhes que tudo se joga e que se percebe o rigor dos programas.



publicado por paulo prudêncio às 20:59 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Sábado, 24.03.12

 

 

Os buracos de milhões inundam diariamente a agenda mediática e podem criar o efeito de encolhimento dos ombros e de quero lá saber. Se quisermos sair da encruzilhada, não basta construirmos o futuro: temos de limpar o passado. Não há outro modo de sairmos de onde estamos. Doa a quem doer.

 

Gestão da Parque Escolar compromete modernização das secundárias 

 

"(...)Entre outros factos, o TC responsabiliza os administradores da empresa, que entretanto se demitiram, por terem autorizado despesas e pagamentos ilegais num montante superior a 500 milhões de euros; considera que estes restringiram “os mecanismos de concorrência” na contratação dos projectos de arquitectura; que permitiram um acréscimo de 53,7 milhões de euros no valor global das contratações iniciais das empreitadas com a realização de ‘trabalhos a mais’ e de trabalhos de suprimento de “erros e de omissões’”, sem que se tivesse procedido à responsabilização dos seus actores. O mesmo aconteceu com o “incumprimento generalizado” dos prazos das empreitadas, com atrasos na conclusão obras superiores a 100 dias.

A PE foi criada em 2007 para gerir obras de modernização em 332 escolas secundárias até 2015. O TC lembra que, quando do lançamento do programa, foi previsto um investimento total de 940 milhões. Em 2010, quando estavam abrangidas 205 escolas, o investimento considerado necessário já tinha mais do que triplicado e situava-se em 3,2 mil milhões de euros. “Um aumento de, pelo menos, 218,5%, não obstante abranger apenas 64% do número de escolas que se pretendiam modernizar”, esclarece o TC.(...)"



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Sexta-feira, 16.03.12

 

 

 

 

A ex-ministra da Educação, Maria de L. Rodrigues, justifica hoje, na edição impressa do Público, a empreitada da parque-escolar-sa. A coisa já cansa um bocado e a redundância como característica da comunicação social deveria servir para aprendermos. Mas não é bem assim: está tudo mal, mas a empresa continua apenas com uma troca de cadeiras.

 

Os 50% de espanto devem-se aos argumentos da ex-ministra. Há tempos escrevi assim: "(...)A epifania parque escolar.sa tem detalhes risíveis. Quer competir no mercado de arrendamento num país inundado de pavilhões desportivos subutilizadíssimos, com uma boa rede de bilbliotecas e com a área comercial de casamentos e baptizados com excesso de oferta. Ensadecer faz parte da condição humana, mas esta gente exagerou. Alguém há-de pagar, deve ser o único argumento que têm para apresentar.(...)"

 

E não é que li exactamente o seguinte: "(...)O programa da Parque escolar é caro e exigente, mas ao custo final devem ser deduzidas as economias geradas pelo encerramento de escolas desnecessárias. Como deve ser considerado o facto de, após a intervenção da Parque Escolar, as escolas reforçarem a sua capacidade de angariação de receitas próprias através do aluguer de salas e equipamentos desportivos, de auditórios e espaços de refeição, podendo uma parte dessas receitas contribuir para pagar rendas e outros encargos.(...)"

 

Para além do eleitoralismo, da colagem à agenda neoliberal-na-versão-blairista e do populismo de esquerda adepto fervoroso da má burocracia, também temos uma versão de oportunidade de negócio do género mau-stand-de-automóveis-ou-ano-e-mês-nas-chapas-de-matrícula-ou-ship-para-as-mesmas-vendido-por-uma-empresa-de-um-amigo-do-partido.



publicado por paulo prudêncio às 21:40 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 14.03.12

 

 

 

 

Os defensores da empreitada parque-escolar-sa refugiam-se nos números da derrapagem. Insistem em fazer a prova matemática de que o espalhanço não foi da dimensão que é anunciada. Apesar de Paul Krugman os ter desiludido quando afirmou recentemente que os economistas foram um falhanço, teria sido melhor que tivessem estudado economia em vez de matemática.

 

Há atributos essenciais à compreensão do descalabro que não devem ser ignorados e o eleitoralismo ocupa um lugar destacado. Se é certo que o edificado da rede escolar carecia de melhorias, o que se fez pode ser nivelado por uma monarquia das arábias e é um retrato do despesismo que nos desgraçou para as próximas décadas. Estamos numa encruzilhada. O investimento na atmosfera organizacional e relacional das organizações, e nos meios nucleares aos seus propósitos, continuam subalternizados em relação à despesa sem retorno e com "impossibilidades" de manutenção.



publicado por paulo prudêncio às 11:47 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Segunda-feira, 12.03.12

 

 

Era natural que o processo parque-escolar-sa, uma epifania achada em plena crise financeira e que se achou que salvaria a economia, tivesse o trágico episódio em curso. O desmiolo é um bom exemplo do nosso desastre. Sabia-se, está mais do que comprovado, que o Governo que iniciou a empreitada não estava convicto na defesa da rede escolar pública. Para além disso, os interesses-do-betão-e-de-outras-coisas-mais capturaram o financiamento.

 

Já há dias fiquei com a sensação que os dirigentes da Fenprof defendiam a megalomania; parece que não. Desta vez é um cronista de esquerda que escreve o seguinte: "(...)Para além dos efeitos económicos e descentralizados deste tipo de obra (mais de 9.000 postos de trabalho, mais de 2.700 empresas envolvidas), a boa qualidade das instalações trava a degradação do ambiente nas escolas, melhora o desempenho de docentes e alunos, devolve a autoestima a toda a comunidade escolar e, mais importante, segura a classe média no ensino público, condição fundamental para garantir a qualidade de ensino e impedir a criação guetos sociais nas escolas.(...)"

 

O blairismo esvaziou a esquerda que aspira a governar porque cavalgou uma agenda neoliberal misturada com um populismo de esquerda que parecia engavetado no período anterior à modernidade. Dá ideia que actual PS está desorientado, a exemplo da restante esquerda mainstream, onde penso que se situa o citado cronista, e que se afirma aquém do Partido Comunista. Há quem tenha percebido o desastre das políticas educativas, mas o ADN desta esquerda sem esquerda continua agarrado à oportunidade como primeira arma de combate ideológico e ajuda-nos a perceber cada vez melhor as origens da nossa bancarrota. Sem uma clara assumpção da trágica herança e da sua condenação, não haverá espaço para a construção de caminhos alternativos.



publicado por paulo prudêncio às 21:31 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 07.03.12

 

 

A agenda mediática encheu-se, novamente, da parque escolar. "Cada escola reabilitada pela parque escolar custou cinco vezes mais que o previsto."

 

Frases como a que acabei de escrever certificam o desvario financeiro. A repetição tem estes picos em que se suspeita que a comprovação numérica de mais um plano inclinado é apenas o ritual que descansa as consciências e legaliza os mentores.

 

Pode consultar aqui os posts sobre o assunto. Em 17 de Novembro de 2011, por exemplo, escrevi assim:

 

"Escrever sobre a euros-epifania-parque-escolar é doloroso. A rede escolar, e o seu edificado, está tão babilónica como a divisão administrativa do país.  

Os bloggers foram incompreendidos nas críticas avisadas que produziram. É bom ter alguma memória. 

Este texto, que também publiquei na imprensa, quase que exigiu uns seguranças e desculpem a exorbitância. O parágrafo "(...)Quando eclodiu a crise financeira, o PS foi apanhado de forma flagrante do lado predador. (...)Passou-se para um suposto lado contrário da agenda gananciosa com mais uma epifania pato-bravista e de reanimação económica de imobiliários aflitos: a parque escolar. (...)" confirma a sua pertinência; e tanto que se pode escrever sobre o assunto.

A exemplo das PPP´s, tornava-se evidente que a fuga para a frente em plena hecatombe financeira pagar-se-ia com juros incomportáveis, para além da falta de mais elementar solidariedade geracional.  

Por outro lado, e numa fase em que na gestão das organizações se fazem esforços no sentido do downsizing de modo a desengordurar os modelos e a garantir a participação das bases nos momentos de decisão e de inovação, a diminuição das escalas é consensual para humanizar as escolas e a rede escolar. Não surpreende que Nuno Crato arrase a parque escolar em pleno parlamento."



publicado por paulo prudêncio às 14:38 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 10.02.12

 

 

Não sabemos quantos somos. O tribunal constitucional e a administração interna apresentam valores bem diferentes. Quando se inventou aquele concurso desmiolado dos professores titulares, consideraram-se os dados dos últimos sete anos lectivos. Uma pessoa interessada em perceber a contestação à volta do assunto, perguntou-me o motivo do limite temporal. Disse-lhe que talvez tenha sido por causa da veracidade das informações. Os processos dos professores eram, e são, tão "analógicos", que se contasse o tempo todo o concurso era irrealizável por ausência de rigor nos dados.

 

Com tanto investimento no plano tecnológico não conseguimos saber quantos somos nem o que andámos a fazer? É diferente investir em hardware ou em software. Para o primeiro basta que se navegue em milhões, de preferência emprestados, enquanto que para o segundo se têm de cavalgar muitas horas de trabalho e os empréstimos não dão bons resultados. É um fenómeno parecido com a pato-bravista-parque escolar.sa.



publicado por paulo prudêncio às 16:17 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar


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