Foi uma semana marcada por sinais importantes na Europa e nos EUA. Se Obama tem que fazer cortes, que considera disparatados, por conta dos republicanos, os europeus têm de perceber de vez a necessidade de fazer política de forma diferente da habitual depois do fenómeno italiano "Grillo-5-estrelas" e do "que se lixe a troika" português.
Urge uma qualquer viragem e espera-se que os egoísmos e as soberbas não deitem de novo tudo a perder. Se assim não for, se não existir uma réstia de esperança e de humildade, podemos prever que o que vem aí será ainda pior e que desaguará numa tragédia de dimensões imprevisíveis. Não foi assim na história recente?
Obama vai dando sinais de que o segundo mandato não ficará marcado apenas pela importante defesa dos direitos das minorias. Ao contrário da esquerda europeia-terceira-via-que-se-fascinou-co
O Público, no último Domingo, faz um resumo acertado do que está em causa. O ultraliberalismo do Estado mínimo não é o fim da história e o desrespeito por quem exerce funções públicas por concurso pagar-se-á. A ladainha de que quem exerce funções públicas por contrato o faz por falta de ambição e de capacidade de inovação é desconhecedora e serve os interesses dos descomplexados competitivos que se encostam ao Estado e promovem a corrupção que nos empurrou para onde estamos.
"A acção dos movimentos independentes é inconsequente e os protagonistas querem os seus cinco minutos de fama", disse Manuela Maria Carrilho (MMC) nesta conferência.
Bem sei que MMC tinha acabado de ilustrar a "ausência" da administração de Obama no duelo entre a política já civilizada e o financeiro por civilizar. Mais do que um cepticismo estruturado, MMC situou o debate na esfera da democracia representativa versus democracia directa (escolheu a primeira), embora mais à frente tenha desacreditado a representação do povo pelos políticos e pelos partidos (por impossibilidade de encenar o futuro) e o voluntarismo cívico (considerou-o um logro).
Como o desafio de MMC passa por pensar (pensa-se pouco), podemos fazê-lo e ler contradições nos termos apresentados.
Qual será a resposta dos cidadãos à tal crise de representatividade? Se o voluntarismo cívico é um logro e se a defesa que interessa é a da representação, aonde é que se jogam os argumentos para sairmos donde estamos? Como é que se desmunicia o voto estruturado na existente democracia representativa?
Podemos ficar horas a pensar, a enunciar o contraditório e a situar a discussão no plano das ideias. Será injusto dizer que MMC vive na estratosfera e que não sente na pele os verdadeiros efeitos da crise. Será. Mas também considero injusto arrumar desse modo os movimentos de cidadãos e a coragem de muitos dos protagonistas (sim, coragem; é bom nomear as acções).
Assisti, ontem, a uma conferência de Manuel Maria Carrilho, de que darei conta num próximo post, em que se abordou a "ausência" da administração Obama no combate ao poder financeiro que prevalece. Percebe-se que o presidente dos EUA tem sido incisivo em diversas causas dos direitos de minorias, mas que tem sido incapaz de alterar o desequilibrio que nos trouxe até aqui.
É, portanto, de saudar o processo que a administração Obama colocou, ontem, à agência de raiting Standard & Poor´s por fraude civil na crise do subprime. É um tema para seguir com atenção.
Não sei se financeiro é sinónimo de corrupção, mas sabemos que o cerne da crise passa por aí.
Não aguentei a madrugada inteira e desliguei quando já se confirmava o óbvio: os eleitores norte-americanos perceberam a pesadíssima a herança e o mundo real. Obama foi reeleito com um conforto justo e merecido.
Acabei de ver o seu comovente discurso de vitória onde reforçou o caminho em busca de tempo. O presidente dos EUA continua a surpreender o mundo e a usar a palavra em nome das minorias, sem tibiezas nem eufemismos. Deve ser, realmente, uma honra ter um presidente com esta qualidade humana.
Não tem sido fácil a condição de português e de professor, mas tem de haver mais vida. Gosto de ensinar e de praticar desporto e não escapo à mediatização do desporto profissional. Tento ser um consumidor-quanto-baste. Tenho-me divertido muito pouco com o meu Sporting que mais parece um espelho do país. Tenho sempre o refúgio da NBA, a minha liga favorita, e acompanho os inigualáveis Lakers. Mas nem esses: começaram a época com zero vitórias e treze derrotas (leram bem).
Mas na madrugado de anteontem os ventos mudaram. Os Lakers conseguiram a primeira vitória e de forma concludente e muito promissora.
Espero que hoje Obama vença, que a democracia ganhe uma nova embalagem e que Portugal e o sistema escolar encontrem algures um momento de viragem. Noto algum nervosismo nos tea party deste mundo, e por cá também, e isso não deve ser desprezível. A vida e os símbolos também dependem do sentido do vento.
Gravei o debate presidencial norte-americano desta madrugada e vi-o há pouco. A política externa era o mote e a Europa esteve ausente. Obama esteve melhor que Romney e espero que seja reeleito.
O mais curioso aconteceu a meio da interessante conversa. Romney tentou levar o debate para a economia doméstica e a Educação veio à tona. Obama defendeu o programa em curso, advogou a contratação de mais profissionais e declarou que conversa muito com professores. Diz que concluiu, ao contrário de Romney, que a redução do número de alunos por turma é determinante. O republicano passou à frente. Foi pena.
Desfez-se o enigma. Os achamentos de Nuno Crato devem ser inspirados nos empirismos de Romney que, espera-se, venham a ser publicados.
No segundo debate televisivo Obama pôs Romney no lugar certo e ainda bem.
Depois de um primeiro mandato a atenuar os efeitos devastadores da governação de Bush, Obama terá mais quatro anos para ajudar a que a sensatez prevaleça num planeta à beira de um ataque de nervos.
Quem pensa que Portugal e a Europa nada têm a ver com isso deve andar algo distraído.
Reforcei a sensação de que os norte-americanos não são grande coisa em geografia e desconfio que também em economia. Joe Biden, o vice-presidente de Barack Obama, relatou-me a emoção que se gerou na sala oval com a vitória do estado de saúde do presidente dos EUA. Já o saudei, com sinceridade e não apenas por cortesia, e espero que isso contribua para a vitória eleitoral.
Confesso que tenho estranhado tanta atenção por parte da Casa Branca, que chegou ao ponto dos relatos íntimos.
Apenas não anuí ao pedido de um donativo de três dólares. Lá lhe expliquei que por aqui circulam euros, não tarda serão cavacos que competirão com os dracmas dos irmãos gregos, com as pesetas dos parceiros ibéricos (o Joe terá pedido uma assessoria para decifrar a minha explicação?) e por aí fora.
Aproveitei a soberana oportunidade para transcrever um pedaço de Gilles Châtelet (1998:69) sobre a democracia-mercado:
"(...)Jovens nómadas, amamos-vos! Sede ainda mais modernos, mais móveis, mais fluidos, se não quereis acabar como os vossos antepassados nos lamaçais de Verdun. O Grande Mercado é o vosso conselho de revisão! Sede ligeiros, anónimos, flexíveis, precários como as gotas de água ou as bolas de sabão: é a verdadeira igualdade, a do Grande Casino da vida! Se não fores fluidos, transformar-vos-ei rapidamente em pacóvios. Não sereis admitidos na Grande Explosão do Grande Mercado... Sede absolutamente modernos.(...)"
O email dizia assim:
Paulo.
Yesterday I shared an emotional moment with Barack in the Oval Office after he learned health reform had been upheld.
Barack Obama is a man who refused to give up. No matter how politically unpopular it was, he knew it was the right thing to do.
Tomorrow is the biggest fundraising deadline of this election so far. Romney and the Republicans may outraise us again -- you can bet they'll have a whole slew of special interests who want to see Romney make good on his promise to repeal Obamacare on Day One.
But they can't beat us if we pull together. Our grassroots movement is unstoppable when we put our minds to it.
Please donate $3 or more today, before the critical deadline:
https://donate.barackobama.com/June-Dead
Thanks,
Joe
Diz-se que os norte-americanos não são grande coisa em geografia e talvez isso explique o email que recebi de Michelle Obama. Já respondi e agradeci. Pensei que era uma mensagem de solidariedade por causa do assalto que o Governo português nos anda a fazer. Mas não.
Era um convite, que declinei, para jantar (não sei se a viagem ficava por minha conta) e este mês, depois dos cortes nos subsídios, e pela enésima vez nos salários, e dos acertos no IRS, também não estou em condições para donativos. Já me chegam os supermercados portugueses, os toques na campainha cá de casa e qualquer passagem por um centro urbano em Portugal (escrevi, na resposta, várias vezes o nome do nosso país). Desejei-lhes sorte para as eleições, já que um republicano com as rédeas norte-americanas seria sei lá o quê.
Paulo.
I'm sad to say this is probably the last dinner with supporters that Barack and I will be able to host together before the election.
Today's the last day you can chip in to be automatically entered for the chance to join us - and I hope you will. You can donate all the way up to midnight tonight, when the campaign will randomly select the winners:
https://donate.barackobama.com/Meet-Us-f
Thanks for everything you're doing. Every little bit makes a difference.
Hope to see you at dinner,
Michelle.
Arne Duncan, o secretário de Estado da Educação do Governo de Barack Obama, começou o mandato com umas ideias próximas das praticadas em Portugal pelos últimos governos do partido socialista, embora estas comparações sejam sempre abusivas.
Surpreendeu-me esta entrevista. Para além de ter abandonado esse registo, o novo caminho contraria com veemência a lógica de essenciais de Nuno Crato e diz que um dos principais problemas do sistema escolar norte-americano passou pela desvalorização dos professores, que vão da sua subalternização nas decisões sobre a vida das escolas às questões salariais.
| The Daily Show with Jon Stewart | Mon - Thurs 11p / 10c | |||
| Arne Duncan | ||||
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Barack Obama entrou em pré-campanha eleitoral para tentar renovar o seu mandato. Como se pode verificar aqui, sensibilizou-me a sua eleição como presidente dos EUA.
Bem sei que as coisas não correram, naturalmente, de forma perfeita: Obama é apenas um homem. Bem sei que o cinismo comanda uma boa parte da vida política e que nem tudo é inocente. A imagem que acompanha este post pode ter sido ensaiada, mas não devo ser o único a acreditar na sua veracidade.
Três dias depois de Obama ter declarado que a Europa tem de agir depressa na crise da dívida, a Alemanha e a França apressam-se a prometer a injecção de milhares de milhões para que não ocorra mais um caso com a dimensão que teve o Lehman Brothers em 2007. Tem sido quase sempre assim.
As crises financeiras portuguesa, europeia e norte-americana têm um denominador comum: ausência de regulação bancária e corrupção. Se não fosse assim, não existiam casos do tipo Madeira. Os governos, aprisionados como estão, cortam onde é certa a poupança imediata: funcionários públicos, pensionistas e por aí fora. Quem não for fanático, sabe que isso é circunstancial e que não vai ao fundo do problema. É no sentido que acabei de escrever que leio as duas notícias que se seguem.
Carlos Moreno está reformado. Há quase um ano lançou o livro "Como o Estado gasta o nosso dinheiro." Defende que para haver uma democracia séria os cidadãos têm o direito e o dever de exigir que o dinheiro de todos seja gasto criteriosamente. Para ele, a crise que vivemos começou no desperdício dos recursos públicos.
O Presidente norte-americano, Barack Obama, afirmou esta segunda-feira que a crise financeira que a Europa está a viver está a assustar o mundo e elevou o tom das críticas, atribuído o fracasso da Zona Euro à ausência de regulação do sector da banca e ao atraso na resposta aos problemas que foram surgindo.
Vejo indignação pelo facto de Obama ter dito que o seu país não é a Grécia nem Portugal. Na primeira ida de Pedro Passos Coelho a Bruxelas, a mensagem portuguesa foi clara: não somos a Grécia. Não gostei; menos ainda do aplauso nacional. E depois já se sabe: quem abre hostilidades não pode esperar amabilidades em troca; menos ainda na diplomacia internacional.
Preocupa-me cada vez mais a situação norte-americana e sua guerra interna. Dá ideia que poderemos ter um default ocidental a curto prazo; seria uma tragédia, sem dúvida.
Há umas pessoas muito adeptas do despojamento dos outros que mitificam a Alemanha como o lugar da disciplina, do trabalho e da seriedade; enfim. Nunca nos devemos esquecer que é o mesmo país que "recentemente" elegeu um socialista-nacionalista que perpetrou um holocausto e que há quem diga que os alemães negoceiam demasiado com todo o tipo de ditaduras corruptas por esse mundo fora.
Seja qual for o ponto de vista, os últimos dias deram para perceber o estado das coisas. Obama, com Merkel ao lado, foi claro numa conferência de imprensa recente: a Grécia não pode cair. E a Alemanha até já fala em reestruturação.
Sabemos que a diplomacia internacional se exerce no espírito das guerras. Podemos dizer o mesmo de algumas campanhas eleitorais e das desavenças entre os estados e os movimentos armados que se classificam como terrorismo.
A eleição de Obama foi um momento histórico inesquecível. O pragmatismo das campanhas eleitorais lá fará as suas exigências, mas não gostei de ver tanto regozijo pela morte de um ser humano; mesmo que se tratasse de Bin Laden.
Estamos a assistir ao desmoronamento de um império, dizem alguns observadores da realidade dos Estados Unidos da América. É possível. O que já não me parece aceitável, é ler os fanatismos da direita que apontam o dedo a Obama. Francamente: os declínios não se podem ler no curto prazo e não haverá período mais nefasto para a história da grande nação do que o perpetrado pelos governos de G. W. Bush. Haja alguma decência histórica.
A era da comunicação tem tanto de absurdo como de virtual. O voyeurismo tem vários pesos e medidas e legitimou-se. O corpo organológico, o cyborg, está como sempre no limiar da implosão. O apelo da sobrevivência exige que na contratualização com a informação se sobreleve a capacidade de desligar.
Escrevi assim no dia de tomada de posse de Barack Obama como o 44º presidente dos EUA: " (...) contra os fortes ventos do Pacífico e atravessando as tempestuosas correntes do Atlântico, Barack Hussein Obama conseguiu a eleição que se desejava e que representa mais um momento de viragem na história dos direitos cívicos (...)".
Acompanho com interesse a sua visita a Portugal e espero que se sinta bem por cá. Não conhecemos a agenda das reuniões, mas aguardamos que se concretizem as medidas de uma nova ordem económica que liberte o ocidente da ganância (para ser brando) que nasceu nos EUA.
A hora do chá dos desesperados anti-Obama. Um movimento dirigido por apoiantes fanáticos do trágico George W. Bush. O mundo continua com os olhos postos nos EUA. A discussão política à volta do Tea Party está ao nível da imagem. Confirme no link sugerido.
Até o humorista John Stewart tenta convencer os EUA de que é preciso tempo para dissipar os estragos de George W. Bush. Com menos de dois anos de mandato, Obama vê a impaciência apoderar-se de uma boa parte dos seus eleitores e tem de contrariar a tentativa de revisionismo histórico dos republicanos. A direita americana jamais "perdoará" a Obama. O ocidente mantém-se na expectativa. A pátria do subpraime arrastou para a crise uma boa parte das economias europeias. É evidente que muitas dessas economias cometeram os seus próprios e graves erros para estarem na situação que se conhece. Portugal faz parte desse grupo.
Um livro de Barach Obama estava em cima da secretária do candidato presidencial no momento da entrevista. Para Fernando Nobre a divisão esquerda versus direita está ultrapassada e é mais um problema do que uma solução. O candidato espera ter votos de eleitores do CDS ao BE.
"Candidato acredita que com Obama o paradigma da política mundial mudou e propõe-se contribuir para que Portugal faça parte dessa nova ordem.(...)"
A Isabel Silva, distinta professora em Santo Onofre, não fez a coisa por menos: preocupada com o estado deplorável da organização onde exerce funções e temendo pela proximidade de bancarrota do seu país, foi a Madrid conhecer a opinião de Barack Obama, como se comprova pela fotografia que acompanha este post. Já se sabe que Obama é especialista em democracia e tem muito treino a lidar com situações caóticas e muito pouco transparentes.
Diz o Público de hoje, aqui, que Obama tem os níveis de popularidade presidencial mais baixos dos últimos 50 anos da história norte-americana. Todavia, quem ler a peça na edição impressa pode tirar outras conclusões.
Acompanhei com emoção a eleição de Barack Obama. Tenho consciência que a geometria política do lado de lá do Atlântico é muito diferente: o que aqui se chama de esquerda, nos EUA seria considerado um perigoso devaneio comunista (quem não se lembra do famoso Macartismo? Pode ainda saber mais sobre a assunto se vir este excelente filme). Embora, e pelo que li na edição impressa, haja estados onde o partido de Obama assiste a uma disputa interna protagonizada por uma ala esquerda que até aqui se manifestava envergonhadamente.
Tenho acompanhado a política para Educação do governo de Obama. Desde logo pelo óbvio, mas também porque o secretário da pasta é um ex-NBA - com uma passagem pelo basquetebol australiano - e um defensor de algumas das nefastas políticas projectadas pela OCDE e que Portugal tentou aplicar nos últimos cinco anos. Sei que partilhava, em Chicago, umas horas bem passadas a jogar basquetebol com Obama. É bom que se diga que as receitas comprovadamente neoliberais desta agência internacional foram oferecidas aos países europeus mas que só Portugal as aceitou e com os resultados desastrosos que se conhecem. Só este detalhe dava assunto para umas páginas.
Um das particularidades, para além da carga de má burocracia que preenche os cérebros que concebem os programas da OCDE, é o fecho das escolas equivalentes ao nosso básico e secundário que não beneficiam da preferência dos encarregados de Educação.
Nem sei o que vem por aí para Portugal. Podemos imaginar o que seria se se estabelecesse um programa semelhante. Fechar as escolas públicas não escolhidas e privatizá-las. No mínimo dos mínimos, haveria que responsabilizar os mentores comprovados do empurrão que conduziu muitas das escolas públicas portuguesas a este estado de sítio.
"A crise já levou ao aumento do número de alunos por turma, nuns casos, e à redução do leque de disciplinas, noutros. Isto num contexto em que Obama quer mais exigência, mais avaliação e até o fecho das escolas com piores resultados. Os professores não querem ser "o bode expiatório" do sistema. Por Bárbara Wong, em Washington DC.(...)"
Noam Chomsky e Barack Hussein Obama são mais do que dois nomes. Têm um carga simbólica que registo com muito agrado.
Tropecei com o primeiro há muito tempo, mais precisamente nos finais da década de oitenta. Na altura estudava tudo o que me aparecia relacionado com especialização precoce de crianças, nomeadamente o que comprovasse os efeitos negativos do treino desportivo intensivo. Nesse sentido, também me interessavam os conhecimentos que nos ajudassem a perceber a propensão genética para aprender. Foi assim que cheguei à faceta linguística e de investigador de Noam Chomsky e aos seus inatismos na capacidade humana para comunicar de modo verbal. Mais tarde percebi a sua posição radical de esquerda em termos políticos e lembro-me da sua importante ajuda a Timor-Leste. Mas o que mais me ficou foi o registo inicial.
Foi com Barack Obama que li com interessada curiosidade uma biografia. E mesmo assim foi uma obra oferecida como prenda de aniversário ou coisa do género. E não me perguntem o motivo que me leva a separar com veemência, e desde cedo, o homem da sua obra ou dos seus escritos. Obama representa uma viragem histórica na luta pelos direitos cívicos e na defesa da igualdade de oportunidades. Não me é indiferente o facto de Obama pensar à esquerda - no sentido norte-americano - e de associar a utopia ao pragmatismo.
Vem tudo isto a propósito de um contraditório. Um leitor do blogue, que é também meu amigo e que me conhece bem, enviou-me uma entrevista em que Noam Chomsky é muito crítico em relação a Barack Obama. Tem um registo parecido com o que advoga que a reforma da saúde é uma descarada transferência de recursos financeiros da classe média para a baixa deixando a alta de bolsos livres e não convocada para o esforço de solidariedade. A entrevista é longa e escolhi a parte que se relaciona com a importante questão financeira. Quer parecer-me que num ano, e tendo em consideração o estado em que o mundo financeiro se encontrava, a crítica de Chomsky é injusta. Mas leia e tire as suas conclusões.
"(...)Noam Chomsky - A principal realização tem sido a de pagar uma fiança colossal para salvar os bancos. Os grandes bancos agora têm lucros maiores do que tiveram no passado e pagam bônus enormes a seus gestores. Basicamente, eles tinham destruído o sistema financeiro; aquela medida os livrou com dinheiro e os reconstituiu, de modo que agora são maiores do que antes. A não ser que haja alguma significativa regulamentação, o que parece bastante improvável, está se estabelecendo a base para a próxima crise financeira, até pior que a que acaba de ocorrer. O governo anunciou a sua política de seguros, chamada de “Grande demais para falir”, o que significa: se você for um banco realmente grande, como a Goldmann & Sachs, não vamos deixar você falir. Então, o contribuinte pagará a sua fiança salvadora, você pode assumir grandes riscos ao emprestar e investir, fazer muito lucro, sem se preocupar se tudo for mal. Isto continua igual. Esta é a principal realização do governo federal. É uma das razões para a considerável indignação prevalente no país. Os bancos estão sendo salvos com dinheiro público, estão enriquecendo, e se tornando os responsáveis pela crise econômica. Bem, pelo menos para a população a crise econômica está crescendo.(...)"
"Ao fim de pouco mais de um ano na Casa Branca, o Presidente Barack Obama pode reclamar um extraordinário feito político que iludiu os seus antecessores nos últimos cem anos: a assinatura da mais profunda reforma do funcionamento do sistema de saúde norte-americano, que aproxima os Estados Unidos da cobertura universal em termos de cuidados médicos.(...)"Obama faz história com aprovação da reforma da saúde
Obama quer subir impostos aos mais ricos
"A Administração Obama propôs no Orçamento para 2010, hoje divulgado, o aumento dos impostos aos cidadãos norte-americanos que ganhem mais de 200 mil dólares por ano (144 mil euros), e também para o sector empresarial.(...)

Apesar da minha agenda estar preenchida pela luta dos professores portugueses, estive atento ao que se passa no mundo. E o dia 20 de Janeiro de 2009 fica marcado pela histórica tomada de posse do 44º presidente dos Estados Unidos da América, Barack Hussein Obama.
Acompanhei a inesquecível campanha e assisti de modo emocionado à noite eleitoral. Contra os fortes ventos do Pacífico e atravessando as tempestuosas correntes do Atlântico, Barack Hussein Obama conseguiu a eleição que se desejava e que representa mais um momento de viragem na história dos direitos cívicos.
Bem sei que a expectativa é muito elevada e que as dificuldades começaram hoje. Mas os belos momentos que vivemos jamais se apagarão.
Desejo a melhor sorte a Barack Hussein Obama.
(1ª edição em 20 de Janeiro de 2010)

Já escrevi por diversas vezes que a eleição de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos da América representou para mim um momento inesquecível e que me comoveu.
Vi hoje um noticiário televisivo em que Obama chamou bando ao conjunto de pessoas da alta finança que depauperaram o cofre e a confiança da sociedade americana; literal. Com todas as letras e com toda a coragem.
Foi também uma espécie de aviso a todos os bandos do planeta.

Sabe-se como a "Obamamania" atingiu as nossas campanhas eleitorais. Para não se cair no ridículo, lá se disfarçou a intenção. Também se conhece a generalizada alergia dos sectores da Educação das nossas organizações políticas aos blogues de professores. Mas se dermos visibilidade às notícias como a que pode ler a seguir, até pode ser que a atmosfera mude.
"Obama homenageia a "coragem" dos 'blogger' cubanos e apela ao governo de Raul Castro para permitir um "acesso ilimitado" à Internet e à informação em resposta a um questionário divulgado hoje no mais célebre 'blog' cubano.
Obama alerta igualmente que o estabelecimento de uma "relação mais normal" com o governo cubano "exige uma acção" deste a favor dos direitos e liberdades, segundo as respostas a um questionário que lhe foi enviado pela 'blogger' cubana Yoani Sanchez, recompensada com numerosos prémios na Europa e nos Estados Unidos.(...)"

"O presidente norte-americano, Barack Obama, anunciou sexta-feira o fim da proibição para os doentes de sida de viajarem para os Estados Unidos, veto que permanecia em vigor desde 1987.
A ordem para cancelar essa proibição será emitida segunda-feira e entrará em vigor no início de 2010, logo que tenha transcorrido um período de espera de sessenta dias, indicou Obama numa cerimónia na Casa Branca para assinar a prorrogação de um programa de luta contra a síndroma da imunodeficiência adquirida.
Recordou que "há 22 anos, numa decisão baseada no medo mais do que nos factos, os Estados Unidos impuseram a proibição a quem fosse portador do vírus da sida de poder entrar no seu território",(...)"

Nobel da Paz para Barack Obama
"O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu hoje o Prémio Nobel da Paz "pelos esforços diplomáticos internacionais e cooperação entre povos". Obama chegou à presidência em Janeiro.
"O comité deu muita importância à visão e aos esforços de Obama com vista a um mundo sem armas nucleares", declarou o presidente do comité, Thorbjoern Jagland. "Só muito raramente uma pessoa conseguiu como Obama capturar a atenção do mundo e dar às pessoas esperança para um futuro melhor", afirmou ainda o comité.
Houve um recorde de 205 nomeações este ano. Entre os nomeados estava o primeiro-ministro do Zimbabwe, Morgan Tsvangirai, e um dissidente chinês.
O prémio será entregue em Oslo a 10 de Dezembro, data da morte do seu fundador, o industrial e fiplantropo sueco Alfred Nobal.(...)"
Por cortesia da Helena Bastos publico uma tradução do muito interessante discurso de Barack Obama no primeiro dia de aulas. A oratória foi, naturalmente, dirigida aos alunos dos Estados Unidos da América. Vale a pena ler.
"Sei que para muitos de vocês hoje é o primeiro dia de aulas, e para os que entraram para o jardim infantil, para a escola primária ou secundária, é o primeiro dia numa nova escola, por isso é compreensível que estejam um pouco nervosos. Também deve haver alguns alunos mais velhos, contentes por saberem que já só lhes falta um ano. Mas, estejam em que ano estiverem, muitos devem ter pena por as férias de Verão terem acabado e já não poderem ficar até mais tarde na cama.
Também conheço essa sensação. Quando era miúdo, a minha família viveu alguns anos na Indonésia e a minha mãe não tinha dinheiro para me mandar para a escola onde andavam os outros miúdos americanos. Foi por isso que ela decidiu dar-me ela própria umas lições extras, segunda a sexta-feira, às 4h30 da manhã.
A ideia de me levantar àquela hora não me agradava por aí além. Adormeci muitas vezes sentado à mesa da cozinha. Mas quando eu me queixava a minha mãe respondia-me: "Olha que isto para mim também não é pêra doce, meu malandro..."
Tenho consciência de que alguns de vocês ainda estão a adaptar-se ao regresso às aulas, mas hoje estou aqui porque tenho um assunto importante a discutir convosco. Quero falar convosco da vossa educação e daquilo que se espera de vocês neste novo ano escolar.
Já fiz muitos discursos sobre educação, e falei muito de responsabilidade. Falei da responsabilidade dos vossos professores de vos motivarem, de vos fazerem ter vontade de aprender. Falei da responsabilidade dos vossos pais de vos manterem no bom caminho, de se assegurarem de que vocês fazem os trabalhos de casa e não passam o dia à frente da televisão ou a jogar com a Xbox. Falei da responsabilidade do vosso governo de estabelecer padrões elevados, de apoiar os professores e os directores das escolas e de melhorar as que não estão a funcionar bem e onde os alunos não têm as oportunidades que merecem.
No entanto, a verdade é que nem os professores e os pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades. Se vocês não forem às aulas, não prestarem atenção a esses professores, aos vossos avós e aos outros adultos e não trabalharem duramente, como terão de fazer se quiserem ser bem sucedidos.
E hoje é nesse assunto que quero concentrar-me: na responsabilidade de cada um de vocês pela sua própria educação.
Todos vocês são bons em alguma coisa. Não há nenhum que não tenha alguma coisa a dar. E é a vocês que cabe descobrir do que se trata. É essa oportunidade que a educação vos proporciona.
Talvez tenham a capacidade de ser bons escritores - suficientemente bons para escreverem livros ou artigos para jornais -, mas se não fizerem o trabalho de Inglês podem nunca vir a sabê-lo. Talvez sejam pessoas inovadoras ou inventores - quem sabe capazes de criar o próximo iPhone ou um novo medicamento ou vacina -, mas se não fizerem o projecto de Ciências podem não vir a percebê-lo. Talvez possam vir a ser mayors ou senadores, ou juízes do Supremo Tribunal, mas se não participarem nos debates dos clubes da vossa escola podem nunca vir a sabê-lo.
No entanto, escolham o que escolherem fazer com a vossa vida, garanto-vos que não será possível a não ser que estudem. Querem ser médicos, professores ou polícias? Querem ser enfermeiros, arquitectos, advogados ou militares? Para qualquer dessas carreiras é preciso ter estudos. Não podem deixar a escola e esperar arranjar um bom emprego. Têm de trabalhar, estudar, aprender para isso.
E não é só para as vossas vidas e para o vosso futuro que isto é importante. O que vocês fizerem com os vossos estudos vai decidir nada mais nada menos que o futuro do nosso país. Aquilo que aprenderem na escola agora vai decidir se enquanto país estaremos à altura dos desafios do futuro.
Vão precisar dos conhecimentos e das competências que se aprendem e desenvolvem nas ciências e na matemática para curar doenças como o cancro e a sida e para desenvolver novas tecnologias energéticas que protejam o ambiente. Vão precisar da penetração e do sentido crítico que se desenvolvem na história e nas ciências sociais para que deixe de haver pobres e sem-abrigo, para combater o crime e a discriminação e para tornar o nosso país mais justo e mais livre. Vão precisar da criatividade e do engenho que se desenvolvem em todas as disciplinas para criar novas empresas que criem novos empregos e desenvolvam a economia.
Precisamos que todos vocês desenvolvam os vossos talentos, competências e intelectos para ajudarem a resolver os nossos problemas mais difíceis. Se não o fizerem - se abandonarem a escola -, não é só a vocês mesmos que estão a abandonar, é ao vosso país.
Eu sei que não é fácil ter bons resultados na escola. Tenho consciência de que muitos têm dificuldades na vossa vida que dificultam a tarefa de se concentrarem nos estudos. Percebo isso, e sei do que estou a falar. O meu pai deixou a nossa família quando eu tinha dois anos e eu fui criado só pela minha mãe, que teve muitas vezes dificuldade em pagar as contas e nem sempre nos conseguia dar as coisas que os outros miúdos tinham. Tive muitas vezes pena de não ter um pai na minha vida. Senti-me sozinho e tive a impressão que não me adaptava, e por isso nem sempre conseguia concentrar-me nos estudos como devia. E a minha vida podia muito bem ter dado para o torto.
Mas tive sorte. Tive muitas segundas oportunidades e consegui ir para a faculdade, estudar Direito e realizar os meus sonhos. A minha mulher, a nossa primeira-dama, Michelle Obama, tem uma história parecida com a minha. Nem o pai nem a mãe dela estudaram e não eram ricos. No entanto, trabalharam muito, e ela própria trabalhou muito para poder frequentar as melhores escolas do nosso país.
Alguns de vocês podem não ter tido estas oportunidades. Talvez não haja nas vossas vidas adultos capazes de vos dar o apoio de que precisam. Quem sabe se não há alguém desempregado e o dinheiro não chega. Pode ser que vivam num bairro pouco seguro ou os vossos amigos queiram levar-vos a fazer coisas que vocês sabem que não estão bem.
Apesar de tudo isso, as circunstâncias da vossa vida - o vosso aspecto, o sítio onde nasceram, o dinheiro que têm, os problemas da vossa família - não são desculpa para não fazerem os vossos trabalhos nem para se portarem mal. Não são desculpa para responderem mal aos vossos professores, para faltarem às aulas ou para desistirem de estudar. Não são desculpa para não estudarem.
A vossa vida actual não vai determinar forçosamente aquilo que vão ser no futuro. Ninguém escreve o vosso destino por vocês. Aqui, nos Estados Unidos, somos nós que decidimos o nosso destino. Somos nós que fazemos o nosso futuro.
E é isso que os jovens como vocês fazem todos os dias em todo o país. Jovens como Jazmin Perez, de Roma, no Texas. Quando a Jazmin foi para a escola não falava inglês. Na terra dela não havia praticamente ninguém que tivesse andado na faculdade, e o mesmo acontecia com os pais dela. No entanto, ela estudou muito, teve boas notas, ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade de Brown, e actualmente está a estudar Saúde Pública.
Estou a pensar ainda em Andoni Schultz, de Los Altos, na Califórnia, que aos três anos descobriu que tinha um tumor cerebral. Teve de fazer imensos tratamentos e operações, uma delas que lhe afectou a memória, e por isso teve de estudar muito mais - centenas de horas a mais - que os outros. No entanto, nunca perdeu nenhum ano e agora entrou na faculdade.
E também há o caso da Shantell Steve, da minha cidade, Chicago, no Illinois. Embora tenha saltado de família adoptiva para família adoptiva nos bairros mais degradados, conseguiu arranjar emprego num centro de saúde, organizou um programa para afastar os jovens dos gangues e está prestes a acabar a escola secundária com notas excelentes e a entrar para a faculdade.
A Jazmin, o Andoni e a Shantell não são diferentes de vocês. Enfrentaram dificuldades como as vossas. Mas não desistiram. Decidiram assumir a responsabilidade pelos seus estudos e esforçaram-se por alcançar objectivos. E eu espero que vocês façam o mesmo.
É por isso que hoje me dirijo a cada um de vocês para que estabeleça os seus próprios objectivos para os seus estudos, e para que faça tudo o que for preciso para os alcançar. O vosso objectivo pode ser apenas fazer os trabalhos de casa, prestar atenção às aulas ou ler todos os dias algumas páginas de um livro. Também podem decidir participar numa actividade extracurricular, ou fazer trabalho voluntário na vossa comunidade. Talvez decidam defender miúdos que são vítimas de discriminação, por serem quem são ou pelo seu aspecto, por acreditarem, como eu acredito, que todas as crianças merecem um ambiente seguro em que possam estudar. Ou pode ser que decidam cuidar de vocês mesmos para aprenderem melhor. E é nesse sentido que espero que lavem muitas vezes as mãos e que não vão às aulas se estiverem doentes, para evitarmos que haja muitas pessoas a apanhar gripe neste Outono e neste Inverno.
Mas decidam o que decidirem gostava que se empenhassem. Que trabalhassem duramente. Eu sei que muitas vezes a televisão dá a impressão que podemos ser ricos e bem-sucedidos sem termos de trabalhar - que o vosso caminho para o sucesso passa pelo rap, pelo basquetebol ou por serem estrelas de reality shows -, mas a verdade é que isso é muito pouco provável. A verdade é que o sucesso é muito difícil. Não vão gostar de todas as disciplinas nem de todos os professores. Nem todos os trabalhos vão ser úteis para a vossa vida a curto prazo. E não vão forçosamente alcançar os vossos objectivos à primeira.
No entanto, isso pouco importa. Algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo são as que sofreram mais fracassos. O primeiro livro do Harry Potter, de J. K. Rowling, foi rejeitado duas vezes antes de ser publicado. Michael Jordan foi expulso da equipa de basquetebol do liceu, perdeu centenas de jogos e falhou milhares de lançamentos ao longo da sua carreira. No entanto, uma vez disse: "Falhei muitas e muitas vezes na minha vida. E foi por isso que fui bem-sucedido."
Estas pessoas alcançaram os seus objectivos porque perceberam que não podemos deixar que os nossos fracassos nos definam - temos de permitir que eles nos ensinem as suas lições. Temos de deixar que nos mostrem o que devemos fazer de maneira diferente quando voltamos a tentar. Não é por nos metermos num sarilho que somos desordeiros. Isso só quer dizer que temos de fazer um esforço maior por nos comportarmos bem. Não é por termos uma má nota que somos estúpidos. Essa nota só quer dizer que temos de estudar mais.
Ninguém nasce bom em nada. Tornamo-nos bons graças ao nosso trabalho. Não entramos para a primeira equipa da universidade a primeira vez que praticamos um desporto. Não acertamos em todas as notas a primeira vez que cantamos uma canção. Temos de praticar. O mesmo acontece com o trabalho da escola. É possível que tenham de fazer um problema de Matemática várias vezes até acertarem, ou de ler muitas vezes um texto até o perceberem, ou de fazer um esquema várias vezes antes de poderem entregá-lo.
Não tenham medo de fazer perguntas. Não tenham medo de pedir ajuda quando precisarem. Eu todos os dias o faço. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força. Mostra que temos coragem de admitir que não sabemos e de aprender coisas novas. Procurem um adulto em quem confiem - um pai, um avô ou um professor ou treinador - e peçam-lhe que vos ajude.
E mesmo quando estiverem em dificuldades, mesmo quando se sentirem desencorajados e vos parecer que as outras pessoas vos abandonaram - nunca desistam de vocês mesmos. Quando desistirem de vocês mesmos é do vosso país que estão a desistir.
A história da América não é a história dos que desistiram quando as coisas se tornaram difíceis. É a das pessoas que continuaram, que insistiram, que se esforçaram mais, que amavam demasiado o seu país para não darem o seu melhor.
É a história dos estudantes que há 250 anos estavam onde vocês estão agora e fizeram uma revolução e fundaram este país. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 75 anos e ultrapassaram uma depressão e ganharam uma guerra mundial, lutaram pelos direitos civis e puseram um homem na Lua. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 20 anos e fundaram a Google, o Twitter e o Facebook e mudaram a maneira como comunicamos uns com os outros.
Por isso hoje quero perguntar-vos qual é o contributo que pretendem fazer. Quais são os problemas que tencionam resolver? Que descobertas pretendem fazer? Quando daqui a 20 ou a 50 ou a 100 anos um presidente vier aqui falar, que vai dizer que vocês fizeram pelo vosso país?
As vossas famílias, os vossos professores e eu estamos a fazer tudo o que podemos para assegurar que vocês têm a educação de que precisam para responder a estas perguntas. Estou a trabalhar duramente para equipar as vossas salas de aulas e pagar os vossos livros, o vosso equipamento e os computadores de que vocês precisam para estudar. E por isso espero que trabalhem a sério este ano, que se esforcem o mais possível em tudo o que fizerem. Espero grandes coisas de todos vocês. Não nos desapontem. Não desapontem as vossas famílias e o vosso país. Façam-nos sentir orgulho em vocês. Tenho a certeza que são capazes.
Barack Obama assume a presidência dos Estados Unidos da América a 20 de Janeiro de 2008. Já por aqui dei conta da emoção que senti com a eleição de Obama: passei umas madrugadas a assistir aos debates da campanha eleitoral e na noite histórica fiquei acordado até que a aurora me trouxesse a confirmação da boa nova. Foi o lado do sonho e do reencontro com a história que mais me interessou. Emocionei-me muito com o seu discurso de vitória.
Sei que agora o caminho é árduo. Leio, e li, e em diversos sítios, sinais de alguma desconfiança com as capacidades de Obama. Devo confessar, e como não acredito em milagres, que reforço o meu entusiasmo com o que vou assistindo, nomeadamente com a constituição da sua equipa: não esqueçamos que nessa expressão da capacidade de mobilização de Obama se inclui Hillary Clinton.
Mas o contraditório é um exercício fundamental e existem especialistas que não partilham do meu entusiasmo.
Encontrei no blogue de João Bonifácio Serra, aqui, professor e historiador e que foi chefe da casa civil do presidente Jorge Sampaio, um texto seu que pode ajudar o debate.
Ora leia:
"Confessando-se "viúvo de Hillary Clinton", Medeiros Ferreira desvaloriza os méritos do candidato Barack Obama, cuja campanha pouco mais foi do que o entoar de "Yes, we can". Ele foi levado em ombros pelo mito do "melting pot", o mito da sociedade multi-racial. JMF recorda outros mitos americanos que se afirmaram em momentos críticos: o mito das "novas fronteiras", com John Kennedy (perante o avanço da União Soviética na conquista do espaço), o mito da "liberdade de imprensa"(contra Nixon, perante a retirada do Vietname). O mito do "melting pot" firmou-se num altura em que os EUA enfrentavam um crescente isolamento internacional. Mas o mais (do pouco mais do que "Yes we can") não é irrelevante. A campanha interna de Obama apoiou-se na crítica ao processo de tomada de decisões de Washington, retomando uma velha questão da política americana, das relações entre a União e os Estados Federados. JMF não tem dúvidas em elogiar o grande profissional que Obama se mostrou em campanha e os méritos das escolhas que fez para o seu governo, sem dúvidas gente muito competente e do mais alto gabarito académico. As duas tarefas que tem pela frente: sair do Iraque e impedir a efectivação de uma coligação antagónica de grande potências, na frente externa; na frente interna, relançar a economia e recuperar o emprego. A segunda está certamente ligada também à primeira, uma vez que para JMF o que está na origem da crise financeira americana é fundamentalmente a guerra do Iraque. Mas quanto à estratégia para recuperar a economia e reduzir o desemprego, o caminho está traçado - o Presidente que tem estado a falar bem podia chamar-se Roosevelt. De qualquer forma, não o esqueçamos, Obama tem de recriar uma unidade interna, hoje abalada, e o êxito desse esforço depende muito da capacidade de forjar uma nova plataforma política entre os Estados e a União. Esta a muito breve síntese da conferência que José Medeiros Ferreira proferiu ontem na Casa dos Patudos, integrada na 3ª edição dos Serões Culturais da Casa dos Patudos. Com a ironia, a riqueza informativa e a modulação analítica a que nos habituou."
Na hora em que estou a escrever isto já é quase certa a vitória de Barack Hussein Obama como o 44º presidente dos estados unidos da américa. Isto emociona-me: emociona-me muito. É muito bonito. É um momento fantástico, só possível num mundo em que muitos se têm esforçado por derrubar muros diversos. Não esqueçamos: há quarenta anos atrás, Obama, por causa da cor da sua pele, não podia sentar-se na parte da frente dos autocarros dos transportes públicos do seu próprio país.
Francamente, nem me preocupa muito se Obama vai conseguir fazer tudo aquilo a que se propõe. Vejo alguns dos que apoiaram o presidente americano ainda em funções, argumentarem com a falta de consistência de Barack. Enfim. Era bom que aprendessem a entender os novos tempos. E são novos porque existem pessoas com a força, com a coragem e com a distinção de Barack Hussein Obama.
Não nos iludamos: Obama foi objecto de um escrutínio sem precedentes. Teve de vencer a nomeação no seu partido onde tinha uma opositora tida como invencível. Hillary Clinton seria também, estou convencido disso, uma grande presidente.
Passada essa barreira, dirigiu uma campanha que acompanhei e que se revelou de um nível muito elevado; também sem precedentes.
Não são só os americanos que estão felizes. A esperança invade o mundo. É uma hora de mudança, assim se espera.
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