Em busca do pensamento livre.

Sábado, 02.09.17

 

 

 

 

"Moody´s melhora perspectiva da dívida portuguesa". O gabinete de Centeno considera que "esta decisão da Moody's vem juntar-se a um crescente reconhecimento por parte de vários actores institucionais e privados quanto à solidez da economia portuguesa". A Moody´s passou Portugal de "estável para positivo, ainda dentro do "lixo"". É uma escala de avaliação risível.

Mudou o discurso mediático à volta das agências de raiting (AR). Os neoliberais, sempre muito pró-AR para justificarem cortes nos do costume, empalideceram e ajustarão o discurso: culpavam os dos costume pela descida da nota e continuarão a culpá-los pela fraca subida. Enfim. Nada do novo. Quem defende uma Europa mais plural, e deseja que Portugal seja bem sucedido, gosta da notícia. Sorri com o silêncio dos ideólogos do "Compromisso Portugal" e não aprecia qualquer viragem posicional em relação às AR. As AR já não são instrumentos do neoliberalismo? Na minha modesta opinião, são. A existirem, não devem ficar "isoladas" nem ser endeusadas. Por outro lado, as oscilações de partidos parlamentares abrem espaço à demagogia. As AR representam uma ideia de mercado que aplica coletes de forças ao financiamento dos países. Continua por construir, nas democracias ocidentais, uma alternativa sustentável que passará pela autonomia energética associada ao ambiente, pela compatibilização da robotização com o financiamento das políticas sociais e pela solidez da banca, pública e privada, e do crescimento económico.

 

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Segunda-feira, 22.05.17

 

 

 

É um dia importante e responsabiliza a política pela imperdoável austeridade a eito iniciada em 2010. Agora, espera-se que o crescimento económico seja a "maré enchente que subirá todos os barcos" e não apenas os iates. Há uma barca quatrocentista (antecessora da caravela até 1434) a afundar-se com 2 milhões e 500 mil marinheiros no limiar da pobreza (meio milhão de crianças) e até o navio-escola, que viu atirados ao mar - no período austero de fortes ventos offshores - 42 mil dos 160 mil pedagogos, transborda de precários, congelados, remadores exauridos e reformados retardados. 

 

Dombrovskis: “Este é um dia importante para Portugal”

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Domingo, 21.05.17

 

 

 

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Luís Afonso



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Quarta-feira, 17.05.17

 

 

 

Nada mudou depois da troika? Não. Portugal mudou e progrediu. Enfrentou o medo. Mudou o Governo, com uma maioria parlamentar inédita, mudaram políticas, com a emblemática recuperação salarial em primeiro lugar, e a situação externa é mais favorável. Mudou o discurso, interno e externo, e os níveis de confiança subiram. Neste sentido, é imperativo que se continue.

Algo semelhante acontece, há décadas, com a organização tradicional da escola. É difícil mudar. É dado a demagogias. O Governo lançou a ideia antiga da interdisciplinaridade a pensar no futuro, no ensino e nos alunos. Há países nesse caminho. Portugal experimentou-o na mudança de milénio. Aumentarm duas componentes críticas: burocracia inútil e reuniões de agenda repetida. Os excessos das ciências da educação cruzados com os atavismos das ciências da administração foram fatais. O processo caiu. São os principais cuidados a ter. Geram receios. O Governo recuou na proposta inicial. Exigiu-se razoabilidade e maturidade. Anunciam-se 140 escolas, convidadas ou voluntárias, para experimentarem o tal regresso ao futuro. A ousadia de mudar é sempre uma vantagem se comparada com o fim da história. Fazê-lo com sensatez é recomendável. A exemplo da economia e das finanças, é também imperativo que o sistema escolar altere variáveis ainda mais decisivas e emancipadores. 



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Quarta-feira, 19.04.17

 

 

A inédita maioria que apoia o Governo tem um discurso mais positivo do que as anteriores, mas pouco respira para além do défice. Regista-se o abandono do discurso da austeridade virtuosa e da venialidade ao poder europeu. Mas não chega. Bruxelas continua com a agulha apontada ao pensamento que sustenta o presidente do Eurogrupo e que foi também apoiado pelo antigo arco governativo português durante boa parte do que levamos de milénio. Estamos, portanto, numa espécie de quadratura do círculo também por culpa própria. Quanto aos professores, desesperam com o atraso na concretização das boas vontades. Sabem que são o maior grupo dos funcionários públicos (e o que isso tanto financiou os interesses do antigo arco governativo) e que a massa salarial é elevada mesmo com os baixos vencimentos. Mas é cada vez mais difícil aceitar o congelamento das carreiras, os milhares de precários, os aumentos dos horários e das inutilidades e o prolongamento da desconfiança na democracia. Para além disso, o adiamento das reformas, que se está a tornar num caso sério de saúde pública, contamina as atmosferas organizacional e relacional e coloca o sistema escolar à beira de um ataque de nervos.



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Sexta-feira, 31.03.17

 

 

 

O "desemprego caiu para o nível mais baixo dos últimos oito anos". Depois do défice mais baixo do que levamos de democracia, e de, há cerca de um mês, o Governo da tal Geringonça ter "emitido a dívida com a taxa mais negativa de sempre", fica-se com a ideia que a tendência de queda do desemprego veio para ficar. Também se percebe que a economia dá alguns sinais de crescimento e que e gestão da dívida do anterior arco governativo está controlada apesar de impagável (é mesmo um fenómeno semelhante a uma patologia galopante e fulminante a prazo). Para uma Geringonça que, ao fugir do mainstream, "prognosticava" o fim da nação e quiçá da história, até que nem está nada mal. Esperam-se as sábias, e certeiras, análises de Gomes Ferreira, Camilo Lourenço, Nogueira Leite ou Medina Carreira; e, já agora, do Compromisso Portugal e de toda a massa crítica do BES, GES, PT e por aí fora.



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Quarta-feira, 15.02.17

 

 

 

Sem eliminar o imperativo de que "há vida para além do défice", o Governo da tal Geringonça "emite dívida com a taxa mais negativa de sempre", consegue um défice não superior a 2,1% (o mais baixo da democracia) e baixa o desemprego (em breve terá só um dígito). A solução governativa ia, desde logo, provocar uma inédita fuga de capitais a par de outras consequências catastróficas. Aguardam-se as "isentas" explicações de analistas como Medina Carreira, Gomes Ferreira ou Camilo Lourenço que talvez também expliquem o ruído interminável à volta do lamentável "caso Centeno".

 

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Sexta-feira, 27.01.17

 

 

 

No final do ano soube-se que "a economia surpreendeu e acelerou com números que não se viam há três anos". Agora temos o défice mais baixo (2,3?) dos 40 anos de democracia, o desemprego a descer e a dívida "controlada". Temos um Governo que estuda exercícios macroeconómicos que mereciam apoio da Comissão Europeia numa fase em que é ainda mais imperativa a união dos europeus. A solução governativa era classificada catastrófica por quem nos empurrou para a bancarrota e agora não "compreende" a erosão do centro político. Foram esses que inventaram, por exemplo, o número ideológico e demagogo de 3% de défice. O Governo sabe que há muito por fazer, mas transmite confiança e prova que é possível governar com a presença da Assembleia da República.

 

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Joan Miró,

Personagem Atirando uma Pedra num Pássaro, 1926



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Quinta-feira, 05.01.17

 

 

Recebi por email, devidamente identificado, a seguinte quadratura escolar, e não só, claro, em forma interrogativa:

 

"Solicita-se desesperadamente a quem possa ajudar abenegadamente na seguinte situação (ou similares):
Que motivação psicológica existe para os professsores que começaram a carreira no 3º escalão e vinte e tal anos de serviço depois estão colocados no 4º escalão, que evite que 'mandem tudo às malvas' e se 'baldem' completamente para o trabalho?"

 

 



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Domingo, 01.01.17

 

 

 

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Luís Afonso

 

 



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Segunda-feira, 28.11.16

 

 

 

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Cópia de 1091874

 

Luís Afonso

 

 



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Quarta-feira, 23.11.16

 

 

Os analistas mainstream estão algo apoplécticos com o Governo. Compreende-se. Foram anos a fio a tergiversar com o arco governativo e não entendem a gramática da geringonça. A oposição também não. Acusa o Governo de "defender a escola pública" e o PSD considera "como seus" os raciocínios políticos de Lurdes Rodrigues e Marçal Grilo. Olha que novidade.

 

(Primeira edição em 19 de Maio de 2016)

 

 

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Terça-feira, 15.11.16

 

 

 

Hoje soube-se que "a economia surpreendeu e acelerou com números que não se viam há três anos". Para além disso, o défice está controlado e o desemprego diminuiu. Em Portugal, um Governo de um PS descomprometido com o neoliberalismo, e apoiado pelo PCP e pelo BE, experimenta soluções macroeconómicas que deviam ser apoiadas e elogiadas pela Comissão Europeia. Como exercício elementar, Bruxelas encerrará amanhã o processo de défice excessivo. Esta solução governativa (optimista, moderada e sensata), era há muito apontada como catastrófica por quem nos empurrou para a bancarrota. São os mesmos que agora não "compreendem" a erosão do centro político e que inventaram do nada o número ideológico e demagogo de 3% do défice. O Governo não baixou os impostos para as pequenas e médias empresas nem para as pessoas e não repôs a totalidade das pensões e salários; há muito por fazer. O Governo sabe-o. Mas, e como logo se percebeu, o executivo apoiado pelas esquerdas não nos atiraria de imediato para Marte.

 

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publicado por paulo prudêncio às 21:19 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Crato aumentou a eito o número de alunos por turma. O Governo, pela voz do ministro da Educação, anunciou que a "forma como se fará a redução de alunos por turma depende do impacto financeiro". Aguardemos pelo processo. Mas há matérias, e muitas não financeiras ou com reduzido impacto, que devem ser revertidas.



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Quinta-feira, 27.10.16

 

 

 

No mesmo dia em "que Centeno vai responder a Bruxelas dentro do prazo", o presidente do PS critica duramente, e muito bem, o ministro Schäuble ("é um incendiário a vender a imagem de bombeiro"). São atitudes que fazem a diferença e que reforçam a solução governativa apoiada pelo Parlamento. O arco governativo (AG) prevaleceu anos a fio como o fim da história. Quiseram as circunstâncias que se formasse um Governo que o quebrasse. Como logo se intuiu, a geringonça não nos atiraria para Marte. Deu provas. O tal descontrole orçamental não acontece pela segunda vez. O que nos consome é uma dívida impagável gerada na vigência do AG. É pena que uma geringonça não se tenha antecipado contrariando a "sapiência" dos DDT´s, e da bancocracia, que associavam o fim do AG à desgraça financeira.

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Quinta-feira, 15.09.16

 

 

 

 

Objectivamente: há muitas escolas públicas com mais alunos.

 

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Imagem obtida em desporto.sapo.pt sem referência ao autor.



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Quarta-feira, 27.07.16

 

 

 

"Bruxelas propõe, por consenso, cancelamento de sanção a Portugal". É bom que se refira que é relativo ao orçamento PàF de 2015. Era o que estava para ser sancionado. Não foi. É justo e contraria os ensandecidos com a caminhada da Geringonça. Os neoliberais estão desorientados. Leio que os professores andam mais satisfeitos por causa dos salários. Enfim. Será que os opinadores e comentaristas não sabem que as carreiras estão há mais de oito anos congeladas e que há milhares de professores com salários líquidos pouco acima dos 1200 euros que não beneficiam de qualquer reposição salarial? O que a actual execução orçamental começa a comprovar é que não há qualquer caos com a redução de impostos para pequenos empresários e com a reposição de salários e pensões. Mas isso não esconde o que falta fazer e o Governo sabe-o muito bem. O episódio sanções evidencia uma diferença entre uma PàF-bom-aluno e a uma geringonça mais autónoma.

 

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Terça-feira, 26.07.16

 

 

 

 

 

Algures em 2010, ouvia um grupo de amigos defensores da escola pública, e da democracia, a discutir em quem votar. No PS, obviamente e com razão, não podia ser. Tinha de ser à direita ou à esquerda dos socialistas. Percebia-se a inclinação à direita. O arco governativo era justamente diabolizado, mas o hábito sobrepunha-se. Alguém foi taxativo em jeito de aviso: será ainda pior. No caso dos professores, serão despedimentos em massa e precarização absoluta. Confirmou-se. A existência do TC, e de uma heróica luta em plena troika, impediu o desastre total. Quiseram as circunstâncias que se formasse um Governo que quebrasse o beatificado arco governativo: a gerigonça. Como logo se intuiu, a geringonça não nos atiraria de imediato para Marte. Já deu algumas provas e a escola pública testemunha-o. Temia-se o descontrole orçamental; mas pelos vistos, e com redução de impostos para pequenos empresários e reposição de salários e pensões, até "Bruxelas foi surpreendida pela "positiva" com a execução orçamental". Ou seja, a quebra do arco vai dando algumas lições e lamenta-se que o fenómeno não se tenha verificado com muitos anos de antecedência contrariando a "sábia" premonição dos DDT´s, e da bancocracia, que associava o fim do arco a uma desgraça financeira. Espantoso, realmente.

 

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Sábado, 25.06.16

 

 

 

Os cortes a eito de Crato (cortes curriculares, mais alunos por turma e mais turmas por professor, agregações de escolas e horários ao minuto) fizeram "desaparecer" 33.000 professores (cerca de 25% do total) entre 2013/14 e 2014/15. Em Junho de 2013 (plena troika), os professores desencadearam uma heróica greve a avaliações e exames que impediu mais 15.000 "desaparecidos". Os professores venceram a batalha. Foi negociada uma justa fórmula no crédito horário das escolas inserida no despacho (OAL) de organização do ano lectivo (parece uma coisa de tresloucados, mas é assim) que impediu mais "desaparecimentos".

 

Para o ano lectivo 2016/17, o Governo reduz esse crédito, tem aqui o OAL, numa margem que pode chegar a 75%. Fará uma análise caso a caso, exigirá capacidade de projecto aos directores escolares e a última decisão será da Directora-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência. Não sei se os membros do Governo conhecem a duríssima história dos professores portugueses na última década. Espero que conheçam e que a plataforma de sindicatos estude as matérias. Sinceramente: nem se espera outra coisa.

 

 

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Terça-feira, 17.05.16

 

 

 

Compreende-se a necessidade de alterar o modelo de gestão para compensar o aprofundamento da municipalização escolar e contrariar as componentes mais críticas dos mega-agrupamentos: gestão de proximidade e autonomia das escolas.

 

O Governo pretende aprofundar a municipalização escolar, descentralizando competências nos domínios da gestão do território, das instalações escolares, e dos demais recursos, e na gestão dos profissionais. Se é aceitável uma agência municipal que alargue aos concelhos as partilhas administrativas em curso nos agrupamentos, é natural a apreensão dos que olham para os municípios como escolas da pior partidocracia. É, portanto, compreensível que os equilíbrios na maioria que governa imponham o regresso a um modelo de gestão escolar que garanta a autonomia das escolas em relação aos municípios e que lhes confira, simultaneamente, um grau mais elevado de poderes desconcentrados do ministério da Educação. É um exercício difícil, mas também nunca se leu que a democracia não dá trabalho.

 

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