Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 24.01.17

 

 

 

Foi em 2003 que os concursos de professores iniciaram o movimento descendente. O rol de injustiças (inúmeras já irreparáveis) cresceu e lançou os procedimentos num labirinto em forma de imbróglio. Entre tanta justificação, o mérito no exercício dos professores destacou-se ciclicamente.

O sistema integrado de avaliação do desempenho da administração pública nasceu para resolver de vez, diziam os mentores, esse tipo de "lacuna". O SIADAP reuniu uma linguagem sedutora e bem-pensante como as que deram origem aos totalitarismos. A "meritocracia industrial" é, objectivamente, uma impossibilidade.

SIADAP hibernou, mas sobrevive em regime de faz de conta e degrada o clima das organizações. Para que a comédia tivesse um episódio marcante, em "Outubro de 2012" o Governo eliminou, como corte financeiro, as distinções por "mérito" e os sindicatos exigiram, de modo cínico, obviamente, a continuação da tragédia. É um processo que exige atenção agora que se assiste, nos concursos de professores, ao regresso "inspirador" das ideias datadas que secundarizaram a graduação profissional e permitiram dois desmiolos: bolsa de contratação de escola e prova de ingresso.

 

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publicado por paulo prudêncio às 18:56 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 20.04.16

 

 

 

Sou incompetente.

 

 

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Sexta-feira, 01.04.16

 

 

 

O presidente da Assembleia da República (PAR) defende a atracção "dos melhores para deputados, ao contrário da mediania que se está a verificar". Diz que se está a perder qualidade. É uma velha questão. E para isso, Ferro Rodrigues advoga o aumento salarial dos deputados ainda nesta legislatura. Não se trata da reposição que se verifica com pensionistas e funcionários públicos. É mesmo meritocracia.

 

Para além de tudo, e como me dizem que o PAR é da tendência socialista meritocrática que aplicou as "New Public Management", era bom questioná-lo se a mediania inclui os jovens deputados que fizeram a comissão parlamentar do caso BES e se os melhores são os (só de elencar, arrepia) inúmeros que exerceram cargos de chefes de Governo, de ministros ou secretários de Estado das mais diversas pastas e que até foram chefes de grupos parlamentares, figuras relevantes dos aparelhos partidários, membros do Conselho de Estado e por aí fora. É que não vejo a "mediania que se está a verificar" a queixar-se da falta de estímulo.



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Segunda-feira, 14.12.15

 

 

 

O "excesso" de meritocracia, ou a meritocracia insensata e mergulhada no capitalismo selvagem, elimina a meritocracia como alicerce das sociedades democráticas do nosso tempo. É uma conclusão que vai ganhando força e que não é contraditória. E depois existe uma questão antiga que Michael J. Sandel (leio que é "o maior filósofo vivo), em "O que o dinheiro não pode comprar", sintetiza de forma simples e bem actual: "há valores que o mercado diminui ou perverte".

 

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Terça-feira, 13.10.15

 

 

 

 

O "excesso" de meritocracia, ou a meritocracia insensata e mergulhada no capitalismo selvagem, elimina a meritocracia como alicerce das sociedades democráticas do nosso tempo. É uma conclusão que vai ganhando força e que não é contraditória. "Desde o momento em que as taxas de rentabilidade do capital ultrapassam de forma duradoura as taxas de crescimento da produção e do rendimento - o que foi o caso até ao século XIX e indiscutivelmente parece voltar a ser a norma no século XXI -, o capitalismo produz de forma mecânica desigualdades insustentáveis, arbitrárias, voltando a pôr radicalmente em causa os valores meritocráticos nos quais se fundam as nossas sociedades democráticas.(...)". Piketti, Thomas, "O capital no século XXI", (2014:16).



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Terça-feira, 10.02.15

 

 

 

 

Quando se tratava de apontar os professores e os funcionários públicos como os primeiros responsáveis pelo desastre financeiro, havia uns movimentos do género "Compromisso Portugal" que tinham aparição diária e que indicavam o caminho da salvação. Os modelos empresariais de sucesso - dos homens providenciais - exemplificados por Salgado do BES, Rendeiro do BPP, Jardim do BCP ou Costa do BPN eram as receitas do fim da história. Tudo em nome de Portugal e da avaliação meritocrática dos funcionários públicos.

 

As perguntas impõem-se: o que é feito dessa malta tão elevada? Estão tão silenciosos e desmobilizados porquê? Então e o país? Já cortaram uns 40.000 professores, mais uns milhares de milhões em impostos, salários e subsídios, e a dívida continua a subir? Quem é feito do discurso dos comentadores alinhados com estas correntes, como Gomes Ferreira, Nogueira Leite, Medina Carreira ou Camilo Lourenço? Não dizem nada sobre este estrondoso sucesso empresarial?

 

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Domingo, 08.02.15

 

 

 

 

Os EUA exportaram, segundo Stiglitz, o seu modelo de corrupção e a Europa adoptou essa meritocracia: a dos interesses e do monetarismo que aniquilou a do currículo, dos programas, das ideias e dos projectos. E os europeus foram de tal forma impregnados que as oligarquias nasceram como cogumelos até nos confins dos territórios.

 

É também isso que explica muita da corrupção que nos afundou e que se ligou aos aparelhos partidários e às campanhas eleitorais. Há muito que a as vitórias eleitorais nos EUA se medem pela quantidade de fundos. Até a de Obama ficou ligada a esse pragmatismo com um inédito financiamento popular.

 

Em Portugal também foi assim. Houve presidentes da República que o denunciaram com veemência, mas a máquina estava tão imparável que só estremeceu quando se estampou contra o muro da bancarrota. A exemplo da frieza não contemplativa da diplomacia internacional, também as máquinas partidárias não olharam a meios nem a solidariedades. Não é por acaso que Soares, repito, se indigna com a singularidade da prisão de Sócrates, embora uns poucos, como Duarte Lima e afins, já tenham caído numa espécie de desgraça.

 

 

 

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Museu Guiness (a mandante da cidade?). Dublin. Agosto de 2013. 

 

 

 

 



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Domingo, 16.11.14

 

 

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 O eterno desenho do Quino.

 

O liberalismo selvagem (ou ultraliberalismo) vigente, persistente, totalitário e já com história, tem contornos evidentes. A sua agenda consistiu na diluição de alguns valores essenciais à democracia. Por exemplo, a ideia de transparência foi-se tornando em algo só ao alcance de pessoas pouco espertas ou nada expeditas: uma coisa démodé

 

Nada tens a esconder? Não és interessante. És um aborrecido.

 

A revista do Expresso tem uma interessante entrevista sobre a necessidade de desconstruir o tal liberalismo:

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O título está também interessante:

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A entrevista é extensa. Escolhi uma das lides (de lead :)):

 

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E por falar em revistas e peças interessantes, também aconselho a peça da Revista do Público sobre "O estado da meritocracia em Portugal".

 

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Quinta-feira, 11.09.14

 

 

 

 

Os ultraliberais inundam a linguagem com a meritocracia, aplicada aos outros, claro, e depois nomeiam o ex-ministro-adjundo Moedas para comissário da inovação e ciência. Ou seja, o membro de um Governo que arrasou com a Educação e a ciência em Portugal vai gerir os 80 mil milhões de euros europeus; deve ter a bênção do Goldman Sachs.

 

Crato ficará para a história, segundo um seu amigo, como um "science killer"; veja-se lá. Mas o ministro já sentenciou sobre a nomeção de Moedas com uma declaração que deve ser lida ao contrário, como Crato nos tem habituado nas mais diversas variáveis: "Carlos Moedas é um profundo conhecedor". É claro que o ministro pode também estar a saltar do barco e a indicar o nome do verdadeiro "science killer".

 

 

 

 



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Domingo, 27.07.14

 

 

 

 

Lideranças fortes, unipessoais e assentes no mérito

 

 

 

 



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Segunda-feira, 21.07.14

 

 

 

 

Uma boa liderança não precisa do unipessoal para se afirmar, mas uma chefia incompetente pode usar o modelo referido para provocar danos impensáveis.

 

Há uma certa direita, e mesmo alguma esquerda com alguns problemas só explicados por Lacan, que olha para os imaculados banqueiros - esses expoentes da meritocracia e do unipessoal -, com a mesma estupefacção que ocupou as neurónios dos pró-soviéticos com as revelações após a queda do muro.

 

A meritocracia e o unipessoal não lidam bem com a democracia, mas são essenciais aos regimes totalitários; o que acabei de escrever tem já demasiadas evidências teóricas e empíricas e admite, naturalmente, excepções.

 

O exemplo dos banqueiros, mais ainda do endeusado Salgado do BES (mas também do beato do BCP ou do "guru" da gestão do BPP), é elucidativo quanto à falácia da meritocracia que se quis impor (ainda ontem à noite na RTP1 vi José Sócrates, esse "animal feroz" acérrimo defensor das duas categorias para gáudio do público do segundo parágrafo, confessar que o seu maior erro foi a avaliação de professores) e evidencia o perigo real dos modelos unipessoais.

 

Por vezes, são necessárias tragédias para que alguns dogmas caiam. Não sei se foi desta que caíram mais duas ideias inumanas na aplicação, mas houve um abalo significativo com efeitos colaterais ainda por determinar.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:49 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 04.05.14

 

 

 

 

Já tropeçamos com o uso inchado da designação Top Performers (melhores desempenhos) e o futuro da classificação parece arrebatador como selo de qualidade infinita. Ainda há meses, e a propósito da subida de Portugal no PISA, um dos SE do MEC referia a obra dos nossos Top Performers que nos colocava algures no anelar Saturno.

 

Os Top Perfomers com significado no mercado total (TPSMT) fazem constar que dedicam horas e exclusividade ao treino intensivíssimo de operações lógicas: chegar vertiginosamente ao resultado é o desafio da vida. Há já quem associe o brutal preço da desigualdade ao desempenho insensível e de casino a um género de TPSMT como produto do mercado e da meritocracia (e, obviamente, também da falsificação), outrora os supra dos TPSMT; e não há na crítica qualquer menosprezo pelo esforço e pelo estudo livre e empenhado, apenas se olha para o estado do mundo e para a importância da insubstituível dimensão plural da humanidade.

 

O fim-de-semana encheu as primeiras páginas dos jornais com a batota dos privados nas notas de acesso ao ensino superior. Há quem advogue a escolha dos alunos pelas escolas do ensino superior (talvez agora, e com a ubiquidade da crise, os superiores se dêem ao trabalho) e se atenue a prevalência do mercado neste domínio tão determinante para as desigualdades.

 

Quem anda no terreno não se surpreendeu com as conclusões do estudo. São conhecidas e inúmeras as ficções. É conhecida a história do jovem que não aguentou e desabafou junto da antiga professora da escola pública: "O meu 20 a matemática no exame do 12º ano feito no colégio estava todo no quadro. Por favor, nunca diga que fui eu quem contou". É uma história arrepiante, relativamente recente e que compromete uma série de actores; o peso na consciência do infractor deixa marcas. Ficção ou não, este género de narrativa é vulgar. É todo um estado a que chegámos, que não pode ser ignorado e que exige medidas.

 

Estamos cansados de ouvir que "dos fracos não reza a história" como caminho para a meritocracia aplicada aos filhos dos outros. Este anuncio do fim da história é pouco rigoroso. Até na selva, e mesmo considerando as necessidades da cadeia alimentar, a cooperação é um valor precioso para a sobrevivência, para a superação do mal e para a felicidade da espécie.

 

 

 

 

Primeira página do Expresso.

 

 

 

Primeira página do Público.

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 16:37 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Quinta-feira, 13.02.14

 

 

 

 

 

 

 

A avaliação do desempenho como primeiro critério para o despedimento é algo que poucos do arco da governação contestarão; a menos que sintam na pele os efeitos da meritocracia injusta e brutal que contaminou de vez processos como o SIADAP. No mundo empresarial, e ao que se vai percebendo, acontecem fenómenos semelhantes. A decisão unilateral do Governo beneficiará do silêncio do PS do passado, do actual, do que venha a caminho e até do que se movimente em Marte.

 

Apesar da repetição do óbvio ser um dever, também há limites. Nesse sentido, vou buscar um post que escrevi há dias para não ter que teclar o mesmo.

 

"Nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático", é uma evidência que devia ser óbvia nas sociedades modernas que se dizem avançadas. Quando um político afirma que com a primazia da avaliação do desempenho o "Governo está a levar o "medo" às empresas", fica a ideia de que a maioria das pessoas sorrirá com a "manifestação de fraqueza" e os comentadores mainstream lá se encarregarão de colocar a "impossibilidade quantitativa" como uma inevitabilidade competitiva da pós-modernidade.

 

A avaliação quantitativa escolar é uma exigência educativa que intervém na formação da personalidade; o aluno é o outro e tem, naturalmente, uma reduzida possibilidade de contestação. O faz-de-conta reduz-se e é quase inexistente. Entre adultos, entre iguais, o faz-de-conta é galopante e a sua absolutização é uma condição de sobrevivência para os intervenientes. Mas isso não impede que o "medo" se instale e que se criem, paulatinamente, condições para um totalitarismo; por explosão ou implosão.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 13:57 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 02.02.14

 

 

 

 

 

"Nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático", é uma evidência que devia ser óbvia nas sociedades modernas que se dizem avançadas. Quando um político afirma que com a primazia da avaliação do desempenho o "Governo está a levar o "medo" às empresas", fica a ideia de que a maioria das pessoas sorrirá com a "manifestação de fraqueza" e os comentadores mainstream lá se encarregarão de colocar a "impossibilidade quantitativa" como uma inevitabilidade competitiva da pós-modernidade.

 

A avaliação quantitativa escolar é uma exigência educativa que intervém na formação da personalidade; o aluno é o outro e tem, naturalmente, uma reduzida possibilidade de contestação. O faz-de-conta reduz-se e é quase inexistente. Entre adultos, entre iguais, o faz-de-conta é galopante e a sua absolutização é uma condição de sobrevivência para os intervenientes. Mas isso não impede que o "medo" se instale e que se criem, paulatinamente, condições para um totalitarismo; por explosão ou implosão.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 22:36 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Terça-feira, 14.01.14

 

 

 

 

Não simpatizo com o primarismo antiamericano e reconheço as virtudes dessa sociedade. Mas os Impérios são o que sempre foram e vivemos tempos em que a cultura americana parece ter derrubado todas as fronteiras acentuando também a decadência da Europa. Para além disso, não se conhecem bons resultados na importação de modelos de sociedade com géneses e histórias tão diferenciadas.

 

Foi num Nobel norte-americano, Joseph Stiglitz, que li, em 2009, que a crise que se iniciou em 2007, e que ainda perdura, se devia "à corrupção ao estilo americano". A economia global impôs uma série de multinacionais norte-americanas, da alimentação à informática e ao cinema passando por inúmeras actividades que condicionaram o modelo de vida e de sociedade, que arrastaram consigo os conceitos de meritocracia e de mercado como patamares acima da dignidade pessoal e profissional das pessoas e que estabeleceram novas balizas éticas.

 

É também isso que se vai observando no estranho caso do presidente Francês, onde a conhecida hipocrisia moral que vigia a política norte-americana parece ter entrado de vez na política de um dos países europeus que mais se tem esforçado por marcar o seu espaço identitário.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 14:06 | link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Segunda-feira, 09.12.13

 

 

 

Por mais que teimem nos argumentos, os modelos meritocráticos aplicados em organizações em que os desempenhos das pessoas são dificilmente mensuráveis (e falta saber em quais é que isso se consegue) têm resultados contrários ao pretendido. Podemos afirmar, com toda a segurança, que nessas circunstâncias até contribuem para o retrocesso dos sistemas organizacionais e para a dilaceração da atmosfera relacional com particular incidência para os mecanismos de cooperação e de mobilização.



publicado por paulo prudêncio às 20:32 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 06.10.13

 

 

 

 

 

 

Desde a Grécia antiga, pelo menos, que se educa para o belo, para o verdadeiro e para as demais virtudes. A ideia grega de paideia (educação de crianças) encarava o processo educacional como intrinsecamente humano e verdadeiro e criador de melhores cidadãos.

 

Estive dois dias fora de rede e só há pouco li o discurso de Cavaco Silva no dia 5 de Outubro. Sublinha-se, desde logo, a incoerência entre a retórica presidencial e as políticas escolares que ajudou a promover na cooperação estratégica com Sócrates e no apoio aos achamentos de Nuno Crato.

 

Mas mesmo a retórica está impregnada de uma impossibilidade que se tornou totalitária e que contaminou as sociedades como a nossa, e algumas mais ricas ou avançadas: a meritocracia. Sei que é politicamente incorrecto depreciar a meritocracia, mas há investigadores a sublinharem a distorção educacional provocada pelo conceito.

 

E volto ao primeiro parágrafo para reforçar o óbvio. Desde a Grécia antiga que não se educa para o mal, para o feio e para o falso. Os que enchem a boca de meritocracia, acusam sempre os outros de falta de trabalho e de mérito. Nunca conheci um auto-incompetente. Não, por acaso já conheci alguns: pessoas muito afectadas na sua imagem por não sobreviverem a uma sociedade não solidária e brutalmente competitiva.


Do discurso presidencial, retirei o seguinte que demonstra o linguajar que consolidou a destruição vigente da escola pública: no meu tempo é que era, agora não sabem ler nem escrever, chegam muito mal preparados, os professores não são avaliados, o facilitismo tem que ser substituído pela excelência e pelo mérito e por aí fora:

 

  

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 05.06.13

 

 

 

 

 

O discurso bem-pensante da meitocracia normalmente dá em tragédia e Nuno Crato volta a mostrar que desconhece a realidade ao querer impôr nas escolas públicas o modelo GPS de contratação de professores.


Sobre o assunto, aconselho o vídeo que se segue.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:33 | link do post | comentar | ver comentários (16) | partilhar

Domingo, 31.03.13

 

 

 

 

Só em países propensos a bancarrotas é que se fazem rankings de escolas com uso exclusivo dos resultados de exames de alunos. São, digamos assim, países que se afeiçoam muito ao substantivo exclusão. As escolas com grupos de alunos com melhores condições económicas (escrito assim para abreviar) têm, em grande regra, melhores resultados. Os grupos que privatizam lucros dos orçamentos de Estado para a Educação sabem bem disso, conseguem impor esses rankings e arrastam consigo muita gente distraída e que confunde meritocracia com democracia (também escrito assim para abreviar). Os mais pobres ficam nas escolas do fim da fila que se vão guetizando e afundando (também escrito assim para abreviar).

 

Avaliar escolas é difícil, exige tempo, conhecimento e consolidação de processos. É muito mais do que os resultados dos alunos nos exames em algumas disciplinas. A denominada "avaliação integrada das escolas", que começou em Portugal em 1998, tinha potencialidades, mas um novo Governo apressou-se a terminar com o modelo quando, cinco anos depois, a maturidade dava os primeiros sinais positivos. Tem sido sempre assim, são raros os países onde se faz melhor e tudo isso ajuda a explicar a crise permanente da escola como organização em que Portugal passou a ser um estudo de caso pelo modelo de gestão que descobriu.

 

 

 

 

 

Parte de uma peça do Público de hoje da autoria de Clara Viana.



publicado por paulo prudêncio às 18:23 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 25.02.13

 

 

 

Mas não é da família política deste presidente o primeiro-ministro que aconselhou os jovens a emigrarem?

 

Desde 1985 que o populista Cavaco Silva não sai da cassete da meritocracia e do empreendedorismo (já usou outros sinónimos).

 

Numa altura em que um Governo do seu agrado seca a economia e destrói emprego, é preciso uma grande lata para dizer aos jovens que têm de ser empreendedores e avaliados pelo mérito. Que trate mas é da banca, dos offshores e por aí fora, que os jovens portugueses (como nas décadas anteriores) erguerão o país e só esperam que o poder político se deixe de benesses ilimitadas e de coisas do género BPN.

 

 

Cavaco Silva quer jovens mais empreendedores



publicado por paulo prudêncio às 21:59 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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