Em busca do pensamento livre.

Sábado, 13.05.17

 

 

 

Saltar de uma obra literária para as notícias da actualidade transporta um sabor de continuidade. Mais ainda quando cruzamos páginas do "Submundo" da sociedade norte-americana do século passado (anos oitenta e noventa) com o passado recente português.

Sabe-se, e que mais se saberá, que houve fundos de alto risco que ganharam milhões com a queda das acções do BES. Também se soube que a santa casa da misericórdia foi providencial nos empregos para os assalariados do antigo arco governativo, cabendo a vez à direita. Ora leia a passagem seguinte e veja lá se não encontra analogias nesta ecologia.

 

 

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DeLillo, Don (2010:91). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.



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Terça-feira, 12.01.16

 

 

 

 

"O modelo anterior estava errado e era nocivo", "estudos nacionais e internacionais apontam para prejuízos causados pelos exames nos anos mais precoces do ensino", "intervir rapidamente na reparação de danos causados ao sistema", "ninguém tem de se preparar para as provas de aferição", "o que tinha de acabar era o estreitamento curricular", "alunos a treinarem para exames é pernicioso e até nocivo", disse Tiago Rodrigues, o novo MEC. São ideias sensatas, corajosas, fora da caixa e com um alcance de médio e longo prazo na qualidade da democracia.

 

Estas alterações eliminam a má e chocante propaganda através de maus rankings com exames de crianças e contribuem para repensar os limites morais do mercado ao retirarem sentido, por exemplo, a prémios monetários para as melhores classificações, a pautas públicas de classificações e a quadros de honra (estas três variáveis com exames de crianças, obviamente e repito). A quem se interessar por estas matérias, aconselho dois livros de Michael J. Sandel"O que o dinheiro não pode comprar - os limites morais dos mercados" e "Justiça - fazemos o que devemos?".

 

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publicado por paulo prudêncio às 20:30 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

 

 

 

 

Sucedem-se as quedas bancárias e os banqueiros sofrem uma erosão na imagem pública inferior aos decisores políticos; no mínimo, menos definitiva. E porquê? Há, desde logo, toda uma moralidade dos limites do mercado por repensar numa fase em que é tal o prestígio e o poder da sua razão de existir, que torna minoritário o discurso político não vazio e capaz de provocar qualquer mudança.

 

Nem o estrondoso fracasso dos mercados financeiros em 2008 reduziu a aura de totalidade. Por incrível que possa parecer, a crise mais grave dos últimos oitenta anos fragilizou mais governos do que bancos. Bem sei que houve movimentos como o Ocupar Wall Street, mas uma discussão aprofundada sobre o papel dos mercados continua por fazer. O resultado mais palpável é o afastamento dos cidadãos da política que é o que parece interessar aos fervorosos adeptos da sociedade de mercado. E nada há fazer? Claro que sim e existem ideias consistentes. Desde logo, afastar as questões escolares do mercado. É um tema vasto que fica para outro post.

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:12 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Segunda-feira, 14.12.15

 

 

 

O "excesso" de meritocracia, ou a meritocracia insensata e mergulhada no capitalismo selvagem, elimina a meritocracia como alicerce das sociedades democráticas do nosso tempo. É uma conclusão que vai ganhando força e que não é contraditória. E depois existe uma questão antiga que Michael J. Sandel (leio que é "o maior filósofo vivo), em "O que o dinheiro não pode comprar", sintetiza de forma simples e bem actual: "há valores que o mercado diminui ou perverte".

 

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Segunda-feira, 16.11.15

 

 

 

 

Por cada milhar de notícias sobre mercados e agências de raiting há uma sobre a ONU.

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 15:56 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 04.07.15

 

 

 

Merkel tem a autoridade democrática conferida pela eleição por sufrágio directo e universal e isso é indiscutível. A chanceler não terá sido escolhida pelos sem rosto dos Goldman Sachs deste mundo nem sequer por um conselho de estado ou por um colégio eleitoral. Só que Tsipras tem exactamente a mesma legitimidade. E se o grego carrega um país de excessos comprovados, recordo que há uma fábrica de sapatos de S. João da Madeira que exporta 94% da produção para o centro da Europa com a Alemanha destacada na linha da frente: o preço de um par fica entre os 400 e os 600 euros.

 

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Quarta-feira, 08.04.15

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

O tríptico que Francis Bacon dedicou a Lucian Freud terá o valor mais alto de sempre no mercado da arte.

Este tipo de notícia pode pôr a pensar os nossos afuniladores curriculares.

 

 

 

 Este post é de 19 de Novembro de 2014.

 

 



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Segunda-feira, 30.03.15

 

 

 

 

O futebol pode estar em paz.

 

BES, a PT, o BPI e por aí fora, como outrora o BPN, o BCP, o BANIF e os investidores GOLD do BPP, talvez não continuem a alimentar o poço sem fundo da industria do futebol, mas haverá sempre russos e árabes para juntar aos offshores regulamentados por quem cortou, corta e cortará a eito nos do costume.

 

É certo que cortam, mas também se reconheça que lhes dão alegria, emoções fortes e muito para pensar, imaginar, discutir, suspeitar, adivinhar, desmontar e até concordar. E convenhamos: o investimento no Ronaldo, por exemplo, tem um valor de mercado superior à despesa com uns 200 mil pensionistas.



publicado por paulo prudêncio às 09:57 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 20.08.14

 

 

 

 

Não é recente a sensação de que o país está no pano verde. Os saldos no GES, mais propriamente no BES e nas empresas da saúde e dos seguros, deixam valores da comunidade à mercê do casino puro e duro. E convenhamos: os estados licenciaram os privados para o trio referido com base em dois pressupostos: geriam melhor, faziam mais com menos, portanto, e garantiam uma superioridade ética.

 

A exemplo dos "negócios" da água ou da luz, os denominados "pinga-pinga", o trio em questão obedecia a um simples raciocínio: os licenciados sentavam-se em cima do que recebiam (depósitos das poupanças, doenças ou seguros obrigatórios) e era impossível que saíssem a perder.

 

A entrada da troika coincidiu com a chegada ao poder de uma confessada ideologia radical crente nas virtudes do mercado desregulado. A propagação foi rápida e apoiada em tudo o que era mainstream. Mas mais: quem os antecedeu, achou que ficava "bem-seguir-a-ideologia-única". Os resultados estão aí e não há quem impeça o saque.



publicado por paulo prudêncio às 14:09 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 06.08.14

 

 

 

 

 

Saltar de uma obra literária para as notícias da actualidade transporta um sabor de continuidade. Mais ainda quando lemos páginas sobre o "Submundo" da sociedade norte-americana do século passado e o cruzamos com o presente lusitano.

 

Sabe-se, e que mais se saberá, que houve fundos de alto risco que ganharam milhões com a queda das acções do BES (a malta do casino não se solidariza com a queda dos parceiros) e também se conheceu o óbvio: a santa casa da misericórdia, comandada por Santana Lopes, é providencial nos empregos para os assalariados do arco governativo cabendo a vez à aliança democrática.

 

Ora leia a passagem seguinte e veja lá se não encontra analogias no submundo da barbárie em que vivemos; mesmo naquela que professa uma qualquer santa misericórdia.

 

 

 

 

 

 

 

 

DeLillo, Don (2010:91). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 15:50 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Segunda-feira, 28.07.14

 

 

 

 

Quando há uma falência, é preciso determinar os passivos e os activos e calcular a percentagem da dívida que não será satisfeita: a reestruturação. É isso que já se deve estar a fazer com o GES e que se denomina por haircut. É sempre isso que se faz. Há, todavia, excepções: a Grécia e Portugal. O segundo foi mesmo um bom aluno que satisfez os mercados que não se cansam de premiar os governantes lusitanos.

 



publicado por paulo prudêncio às 12:32 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Domingo, 15.06.14

 

 

 

 

A hipocrisia do capitalismo selvagem está a atingir um qualquer pico e espera-se que comece finalmente a queda. Repare-se que mesmo a comercialização da droga pode ser legalizada e ainda veremos bordéis apoiados por sabe-se lá quem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 08.06.14

 

 

 

 

 

 

 

 

Lisboa.

Parque Eduardo VII. 7 de Junho de 2014.

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 22:03 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 22.03.14

 

 

 

"A sociedade de mercado" é o título da crónica de Vasco Pulido Valente no Público. Dá ideia que este outrora deputado pelo PSD acordou para a realidade ao  interrogar os leitores se "Já leu o livro “O que o dinheiro não pode comprar” (não sei se está traduzido em português)? Se não leu, leia. O livro é de Michael J. Sandel, professor de Harvard e, segundo dizem, “o maior filósofo vivo”. A tese de Sandel é simples e coincide com o espírito do tempo: há valores que o mercado diminui ou perverte.(...)"

 

É exactamente essa perversão que os privados da Educação que se financiam no Estado não param de executar, com o habitual chico-espertismo, através da “(...)promessa de soluções milagrosas para o insucesso escolar dos filhos e de os preparar para o exame de inglês do Cambridge, utilizando técnicas de marketing irresistíveis, os pais assinam quase de cruz um contrato de fidelização de 36 meses(...)".

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:11 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 14.02.14

 

 

 

 

Termos perdido uma boa parte da lógica da cadeia de abastecimento pode ser uma causa primeira do imbróglio em que estamos metidos. Dá ideia que avançarão as sociedades que resistirem e que considerarem o homem em todas as suas dimensões. Encontrei duas passagens interessantes, e intemporais, em Adam Smith (2010:57), Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 04.02.14

 

 

 

 

 

Precisava de colar um objecto e uma loja chinesa era o lugar mais próximo para o trajecto pedonal. As experiências anteriores foram inesquecíveis: uma lâmpada de baixo consumo que durou duas horas e uma fritadeira em ferro fundido que inundou de tinta preta o óleo da primeira utilização; lá se foi o "ferro fundido" e a chapa era tão fina que nem sei se aguentava uma dedada. Reclamei, mas até me diverti com o ploplietálio.

 

Não havia supercola, mas a supertite era equivalente. Só o nome dava logo para desconfiar. O marketing desta contrafacção é risível. A confusão entre adesivo e cola é que devia ter sido definitiva. A urgência fez-me trazer um material que se revelou desconhecido. Nem papel cola. Não faz nada; literal. É uma espécie de manteiga que fica elástica ao secar. Nem para adesivo serve. Se se cruzar com a supertite, já sabe: diga ao ploplietálio que vá enganal outlo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:57 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Quinta-feira, 16.01.14

 

 

 

 

 

 

Entretanto, os portugueses reduziram o consumo de electricidade e os produtores aumentaram o preço para receberem a renda que contratualizaram. É o mercado a funcionar. Este Governo mete tanta água que a coisa não deve dar uma boa renda.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 13:43 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Terça-feira, 15.01.13

 

 

 

Termos perdido a lógica da cadeia de abastecimento é a causa do imbróglio em que estamos metidos. Avançarão as sociedades que considerarem o homem em todas as suas dimensões. Encontrei duas passagens interessantes, e intemporais, em Adam Smith (2010:57), Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Adam Smith (2010:57). Riqueza das nações. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa.



publicado por paulo prudêncio às 15:17 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 18.01.12

 

 

Divinização do mercado



publicado por paulo prudêncio às 09:25 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 14.11.11

 

 

 

 

Mário Monti, o futuro chefe de governo de Itália e que, com 75 anos, nunca exerceu qualquer cargo político-partidário, agrada à maioria dos comentadores. Advogam a seriedade e a credibilidade técnica. Berlusconi sempre me pareceu o desastre que se confirmou. É estranha a sucessiva queda de chefes de governo na Europa sem a necessidade do voto ou com a posterior "reafirmação" pelo sufrágio directo e universal. Os "mercados", na versão capitalismo selvagem, determinam. Haverá rostos por detrás? Decerto que sim, só que não sabemos ao certo quem é esse poder quase absoluto nem o sufragamos. 

 

Outro sinal estranho foi dado por Sarkozy. Embora o francês seja dado a trapalhadas, sempre é o chefe de estado da França. Os últimos dias reafirmaram a preocupação com a governança em registo de humores mesquinhos; como os humanos, afinal. Não se esperava que Sarkozy cobiçasse o financiamento da dívida dos PIIGS para escapar à austeridade em plena pré-campanha eleitoral, propondo uma Europa a duas velocidades e o esconderijo na imaginária parede alemã. É demasiado e tem de se temer tanto desnorte.

 

Os dois fenómenos descritos são, no mínimo, estranhos. Não sei se são inauditos, mas indicam um qualquer mundo novo.



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Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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