Em busca do pensamento livre.

Quarta-feira, 22.02.17

 

 

 

 

"92% dos professores defendem menos poderes para os directores e a mudança do modelo de gestão das escolas", é uma das conclusões de um inquérito que envolveu 25 mil professores.

Contra a avaliação do Ministério da Educação, e contra quase todos, Lurdes Rodrigues impôs a mudança do modelo de gestão da escolas (querem ver que, também aqui, declarará o seu arrependimento) com a ideia confessada de anestesiar os professores na "guerra" que lhes moveu e de fazer das escolas um "balcão de atendimento" do ministério. Foi apoiada pelo arco governativo de então uns "momentos" antes da entrada da troika. Era já uma associação de tragédias.

Há quem se interrogue sobre o que realmente se passa. O factor fundamental para a rejeição estará, na minha modesta opinião, na seguinte conclusão: "Abuso do poder e medo: 71% dos inquiridos consideram que o sistema aumentou as situações de abuso do poder, o clima de insegurança e de medo e o alheamento em relação aos assuntos da vida escolar". O modelo em curso possibilitou que sentimentos menores de favorecimento tomassem conta do processo de decisão e se afirmassem atitudes de assédio moral à volta da distribuição de serviço, da ocupação de cargos e da avaliação do desempenho. Geraram exaustão e medo; isto é, burnout. É mesmo impressionante e motivo de vergonha, mais ainda porque falamos de professores e de escolas. E depois, há tudo o resto que se pode ler numa notícia com um rol de conclusões muito desfavoráveis e que pode servir de aviso para o seguinte: o avanço da municipalização, e da gestão flexível do currículo, acentuará o clima muito negativo sem a alteraração do modelo de gestão.

 

Inquérito promovido pela Fenprof.

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 Vila Nova de Cerveira. Julho de 2016.



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Terça-feira, 31.01.17

 

 

 

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Daqui

 



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Sexta-feira, 13.01.17

 

 

 


 



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Domingo, 08.05.16

 

 

 

O medo, e o medo de ter medo, é o que mais me impressiona da última década escolar. Não imaginei possível tal atmosfera numa democracia com quatro décadas. Até emergiu o caciquismo mais molusco e impreparado. No público, os horários zero exponenciaram o sentimento e no "privado" o relatado é igualmente inimaginável. "O Paulo não tem medo de nada" ou "não pode ser sempre ele a dar a cara" são frases que ouço com frequência e penso na condição. Não direi medo da morte como o único, porque sobre isso é mais pena de deixar a vida. O resto é relativo. Sou paciente, escuto o Tempo nas suas três dimensões e levanto voo com facilidade (principalmente para evitar enjoos e por paradoxal que pareça). Assumo a dificuldade por não ser enquadrável; e com provas dadas. Mas voltando ao título, sinto que o que se está a passar no ambiente escolar pode espantar o medo e ajudar a que se retomem os caminhos da democracia.

 

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Terça-feira, 19.05.15

 

 

 

O que val ler escrevi-o em 3 de junho de 2011. Desde aí, o clima continuou a descer. Como sou uma pessoa com relativa esperança, gostava de voltar a viver num país em que o seguinte descolasse da realidade:

 

Não sei se o caso France Telecom foi consciente. Não tenho dados para o veredicto. Do mesmo modo, permito-me dar lugar aos que especulam que o que se viveu em Portugal nos últimos anos foi de premeditação inconsciente embora com resultados igualmente desastrosos. O que mais me impressionou neste período, e que me oxigenou a não desistência, foi a generalização do medo. O pavor de existir é a mais nefasta herança desta governação.

 

A má burocracia corporizada em amontoados de grelhas anula o indivíduo e o seu inatismo cooperativo e gregário. Institucionaliza o formulário com campos sem fim e em que o erro num deles pode sentenciar a reprovação, a vergonha e a imobilidade na progressão na carreira. Sobrecarregar o indivíduo com burocracia associada a uma pirâmide clientelar e preenchida por uma ficção em forma de ferro, venera a bajulação, exclui a dignidade e impede qualquer veleidade à inovação, à inteligência e ao primeiro atributo do conhecimento da razão: a liberdade.(...)



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Segunda-feira, 23.02.15

 

 

 

Se há herança que remonta à ditadura do século passado é o medo de existir e de expressar uma opinião contrária ao poder vigente.

 

Na história recente prevaleceu, custe o que custar a admitir, a escola de Cavaco Silva. O não à política, o não à ideologia, o apontar de dedo aos adversários como "os políticos" ou "os revolucionários" fez uma escola recheada, essa sim, de fanatismo ideológico disfarçado de servilismo, cheia de oportunismo e de preconceitos, de "sem-face" e de silenciosas campanhas de bastidores. Não raramente, os "cavaquistas" assegurariam a virtude nos trajes mais cinzentos, o mais do mesmo em respeito à ordem e ao bom nome, as contas "certas" na defesa dos desfavorecidos e, acima de tudo, não fariam ondas em nome do pragmatismo e da obediência às hierarquias. É o que se vê, realmente.



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Sexta-feira, 06.02.15

 

 

 

 

"A única coisa que devemos temer é o medo em si, um terror sem nome e sem razão, que paralisa os esforços necessários para converter a fuga em avanço.”

 

Franklin D. Roosevelt 

(primeiro discurso presidencial, 

4 de Março de 1933)

 

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 Centro de Madrid. O próximo a avançar? Agosto de 2014.

 

 

 



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Sábado, 17.01.15

 

 

 

Há uns anos, Mia Couto fez, no Estoril, a seguinte declaração:

 

"Vivemos como cidadãos e como espécie em permanente estado de emergência, como em qualquer outro estado de sítio, as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade pode ser suspensa. Todas estas restrições servem para que não sejam feitas perguntas (...)".

 

Encontrei um vídeo da conferência em que Mia Couto termina com uma frase lapidar: "Há quem tenha medo que o medo acabe."

 

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 02.02.14

 

 

 

 

 

"Nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático", é uma evidência que devia ser óbvia nas sociedades modernas que se dizem avançadas. Quando um político afirma que com a primazia da avaliação do desempenho o "Governo está a levar o "medo" às empresas", fica a ideia de que a maioria das pessoas sorrirá com a "manifestação de fraqueza" e os comentadores mainstream lá se encarregarão de colocar a "impossibilidade quantitativa" como uma inevitabilidade competitiva da pós-modernidade.

 

A avaliação quantitativa escolar é uma exigência educativa que intervém na formação da personalidade; o aluno é o outro e tem, naturalmente, uma reduzida possibilidade de contestação. O faz-de-conta reduz-se e é quase inexistente. Entre adultos, entre iguais, o faz-de-conta é galopante e a sua absolutização é uma condição de sobrevivência para os intervenientes. Mas isso não impede que o "medo" se instale e que se criem, paulatinamente, condições para um totalitarismo; por explosão ou implosão.

 

 

 

 



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Domingo, 23.06.13

 

 

 

Por solicitação da(o) AC.

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:26 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

 

 

 

 

A jornalista São José Almeida escreveu ontem este artigo na impressa do Público muito elogioso para os professores. Concordo: os professores têm sido uma referência contra o medo, mas também têm de combater o flagelo no seu seio. O medo e o medo de ter medo são mesmo os fenómenos mais dilacerantes a que assisti no sistema escolar nos últimos anos.

 

Desde de 2007 que se instalou na atmosfera escolar um ambiente cortante que evidenciou o pior que há nos humanos e em que a eliminação da memória fez escola. Os paralisados pelo medo, muitas vezes apenas uma outra forma de oportunismo, rapidamente passam pelos pingos da chuva como se o comportamento fosse normal ou invisível. A abjecção moral tornou-se banal e quotidiana e vai deixando marcas profundas.


É por isso imperdoável que, no dia anterior ao exame de 17 de Junho, Nuno Crato tenha convocado 115 mil professores estimulando a divisão e a emersão dos comportamentos mais medrosos ou oportunistas. O MEC perdeu em toda a linha; é só deixar que o tempo passe e desde que os professores se mantenham firmes no essencial.





publicado por paulo prudêncio às 12:35 | link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Sábado, 18.05.13

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 23:35 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 16.04.13

 

 

 

O prós e contras de ontem foi favorável aos defensores da saída do euro que apresentaram um argumentário sensato e despido de sensacionalismos ou de temores infundados. Reconheceram os riscos da decisão, mas fundamentaram com precisão as vantagens em relação à continuidade na moeda única debaixo do poder vigente. Percebe-se que alguma coisa terá de mudar na Europa. Se dentro de um ano não existirem alterações políticas significativas, países como Portugal devem organizar a saída do euro o que não significa o abandono da União Europeia. 

 

Dá ideia que o discurso que vai prevalecendo está recheado de fantasmas que atemorizam as pessoas. Seja a globalização, a austeridade ou a inevitabilidade da superioridade alemã e até o próprio euro ou a ideia de que há europeus de diversas categorias na vocação profissional são usados para defender uma espécie de universo fechado e sem saída.

 

Os resultados começam a ser desfavoráveis à moeda única, apesar da crise de 2008 ou da habilidade dos norte-americanos que parece ter feito escola no Centro e Norte da Europa.

 

Há, para já, uma avanço considerável: as pessoas estão a perder o medo de ter medo.



publicado por paulo prudêncio às 14:35 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 25.09.12

 

 

 

Liguei a televisão para ver o telejornal da RTP1 e deparei-me com a violência em Espanha.

 

Se a violência gera violência, fico com a sensação que o medo tanto gera medo como a ausência dele e os dois comportamentos têm um resultado comum, que se agravará na relação directa com a acumulação: violência.

 

E depois, há sempre o risco definido por José Alberto Quaresma, no Expresso, sobre o medo:

 
 “O medo finge não ter medo da raiva em que o medo se pode metamorfosear. Em palavras obscenas de angústia, em bandeiras negras de cólera, em ovos que falham o alvo. Ou, esperemos que nunca, em balas como as que mataram o penúltimo rei ou o quarto presidente da República, o ditador Sidónio.

O medo pode levar a perder o medo. E o medo perdido incendeia cabeças perdidas. E as cabeças perdidas, em solitário ou em bandos radicais, metem mesmo muito medo.”

 



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Sexta-feira, 14.09.12

 

 

Até arrepia. 

 

 

O regresso do medo

 

"Na minha escola vive-se um ambiente de medo permanente: ele ameaça as pessoas, insulta as pessoas, favorece descaradamente os amigos, circulam fortes rumores de corrupção (alguém teve acesso indevidamente a um documento muito comprometedor); fazem-se reuniões sem pré-aviso, que duram até às 10 da noite e os professores têm que estar na escola logo de manhã cedo para as suas aulas; há professores sem hora de almoço.
Quem pode sai da escola, concorrendo ou pedindo reforma antecipada; mesmo a nível de direção o ambiente é péssimo, pois o esquema é sempre o mesmo: desrespeito absoluto pelas pessoas.(...)"




publicado por paulo prudêncio às 13:34 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quarta-feira, 07.03.12

 

 

 

“A única coisa que devemos temer é o medo em si, um terror sem nome e sem razão, que paralisa os esforços necessários para converter a fuga em avanço.”


Franklin D. Roosevelt

(primeiro discurso presidencial,

4 de Março de 1933)



publicado por paulo prudêncio às 14:02 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 04.06.11

 

 

 

 

 

Cortesia da Manuela Silveira.

 

A política do medo

"Em que condições exerce hoje o professor o seu mister de ensinar? Pergunta capital, em cuja resposta vai muito da eficiência da Escola e do valor intelectual e moral do ensino. Posso afirmar, sem receio de exagerar, que essas condições se caracterizam essencialmente assim: 

deficiência de meios pedagógicos; 

deficiência de meios materiais da vida do professor; 

limitação das condições de independência mental dos agentes económicos.

O professor hoje, em Portugal, vive com dificuldades de vida e com medo, esse terrível medo que se apoderou da quase totalidade da população portuguesa. Tenho já o tempo de vida bastante para poder ter observado, durante mais de 20 anos, a evolução duma certa corporação científica, e ter verificado nela a instalação e o alastramento desse processo de destruição progressiva do professor português. E é preciso registar que, a despeito de casos isolados de resistência heróica, esse processo de destruição tem produzido os seus efeitos.

A coisa vai mesmo mais longe – a política do medo não atingiu apenas uma determinada camada social ou profissão. Não, essa política foi a todos os sectores da vida nacional e a todos os núcleos de actividade privada e pública, procurando transformar-nos num povo aterrado, reduzido à condição deprimente de passarmos a vida a desconfiar uns dos outros. Mas o que é curioso, nesta questão, é que, ao fim e ao cabo, não se conseguiu apenas que os pequenos tenham medo uns dos outros e dos grandes, ou os indivíduos tenham medo das instituições. O próprio Estado foi vitima do seu jogo e acabou por ser tomado de medo dos cidadãos ..."

Bento de Jesus Caraça (1946)




publicado por paulo prudêncio às 19:58 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 03.06.11

 

 

 

 

O que vi nestes dias, e na relação com o site da DGRHE, impõe a seguinte reedição:

 

Não sei se o caso France Telecom foi consciente. Não tenho dados para o veredicto. Do mesmo modo, permito-me dar lugar aos que especulam que o que se viveu em Portugal nos últimos anos não foi premeditado embora com resultados igualmente desastrosos. O que mais me impressionou neste período, e que me oxigenou a não desistência, foi a generalização do medo. O pavor de existir é a mais nefasta herança desta governação.

 

A má burocracia corporizada em amontoados de grelhas anula o indivíduo e o seu inatismo cooperativo e gregário. Institucionaliza o formulário com campos sem fim e em que o erro num deles pode sentenciar a reprovação, a vergonha e a imobilidade na progressão numa carreira. Sobrecarregar o indivíduo com burocracia associada a uma inevitável pirâmide clientelar e preenchida por uma ficção em forma de ferro, venera a bajulação, exclui a dignidade e impede qualquer veleidade à inovação, à inteligência e ao primeiro atributo do conhecimento da razão: a liberdade. É a pensar na liberdade que votarei e na esperança que este trágico capítulo se feche.

 

(1ª edição em 3 de Junho de 2011)



publicado por paulo prudêncio às 23:18 | link do post | comentar | ver comentários (28) | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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