Em busca do pensamento livre.

Domingo, 19.06.16

 

 

 

Há sempre motivos para uma manifestação em defesa da escola pública. Infelizmente em Portugal também tem sido assim, mesmo nas últimas quatro décadas e com ênfase na última. As "elites" cansam-se depressa com esse investimento num valor inalienável da democracia. São mais dadas à lisura bancária. A manifestação de ontem também se dirigiu à ilegalidade das cooperativas com contratos redundantes. Nesse sentido, muitos consideraram, e com fundamento, esta manifestação redundante tal a fraqueza argumentativa dos "privados" ilegais. A questão da escola pública não merece uma contenda pelo número de manifestantes. Como relata o DN, foram "milhares (cerca de 80 mil, diz a organização) em defesa da escola pública; "Estado não paga dízimas.

 

A imagem é de Inácio Rosa (Lusa).

 

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Quinta-feira, 16.06.16

 

 

 

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Domingo, 05.06.16

 

 

Chegou a ser caricata a luta da plataforma sindical contra os exercícios de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato. Alguns dos eixos dessas políticas caíram porque eram inaplicáveis e brutalmente injustos. Os sindicatos, que são organizações fundamentais num Estado de direito, assinaram acordos inadmissíveis que deixaram marcas. Era comum a luta "mangas-de-alpaca" das minutas (minuta contra minuta) e das manifestações para arrefecimento. Dito isto, e uma vez marcada para 18 de Junho de 2016 uma manifestação em defesa da escola pública, não há como não aderir com convicção e qualquer que seja a posição dos sindicatos da plataforma.



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Domingo, 28.02.16

 

 

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"A avaliação que temos não passa de uma ficção"

 

Paulo Guinote, Professor e autor do livro "A grande marcha dos professores".

 

"Nunca se tinha assistido a nada assim. A 8 de março de 2008, cerca de 100 mil professores saíram à rua naquela que foi a maior manifestação de uma classe profissional alguma vez realizada em Portugal. Queriam contestar a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, que elegeram como inimigo nº 1, e acabar com o modelo de avaliação de desempenho assente na divisão da carreira em duas categorias, que acabou por não avançar. Oito anos depois, Paulo Guinote, professor de Português do 2º ciclo e autor do popular blogue “Educação do Meu Umbigo”, entretanto extinto, recorda o protesto sem precedentes no livro “A Grande Marcha dos Professores”, que será lançado esta semana. Hoje, garante, os docentes estão ainda mais desanimados do que na altura. 

O que mais recorda desse dia? 
Lembro-me de uma altura em que estava a meio da Avenida da Liberdade, olhei à minha volta e vi-me completamente rodeado de gente. Para quem, como eu, nunca tinha estado numa manifestação, era uma sensação bastante estranha. 

Que marcas deixou nas escolas? 
Vendo com esta distância, acho que deixou marcas de desânimo e alguma tristeza. Houve demasiada esperança para tudo o que não foi conseguido. Nenhuma reivindicação essencial foi satisfeita.(...)"



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Quarta-feira, 27.01.16

 

 

 

 
 

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Segunda-feira, 12.01.15

 

 

 

 

 

Impressionou-me ver milhões de pessoas a manifestaram-se, ontem, em Paris, em defesa da liberdade e da democracia e a afirmarem que é inalienável a matriz que nasceu na Grécia.

 

Mas a marcha pela República deixou-me com sentimentos contraditórios. Já passei por algo semelhante em manifestações históricas e em que vi, uns dias depois, milhares desses manifestantes a "desobedecerem", sem surpresa, é certo, ao compromisso em nome dos interesses mesquinhos. Claro que os da fila da frente se sentiram ainda mais autorizados para também falharem os compromissos.

 

Só que ontem a contradição foi mais profunda. Políticos da família de Merkel ou Juncker a desfilarem com aqueles propósitos permite registar a forma oportunista como o poder vigente surfa a resposta dos cidadãos que têm sido vítimas das políticas austeritaristas. A fila da frente tinha ainda personagens com uma história recente de arrepiar. Foi uma encenação organizada com o poder mediático. Amanhã regressam à cartilha. Os profissionais do Charlie Hebdo considerariam isto uma nova morte e era tremendamente injusto.

 

Embora presente por breves minutos, é certo, a fila da frente podia integrar, mesmo que como convidada especial, uma manifestação da ausente Frente Popular ou empunhar um cartaz do Goldman Sachs ou do grupo de Bildeberg. Poucos estranhariam. Esta liderança europeia, fraca com os fortes (e com os comprovadamente corruptos) e impiedosa com os fracos, parece capaz das mais sofisticadas coreografias.

 

Seguem-se duas fotos com ângulos diferentes da fila da frente. Apenas para que conste.

 

 

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Quinta-feira, 06.03.14

 

 

 

"Subam, subam" - diz baixinho o director nacional da PSP na manifestação em frente ao parlamento português. O seu antecessor foi demitido por "indecisões" na manifestação anterior, enviado de "castigo" para Bruxelas para um cargo criado para o efeito e remunerado a 12.000 euros mês (o triplo do que auferia).



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Quinta-feira, 05.12.13

 

 

 

 

Defendo convictamente a escola pública como um valor absoluto da democracia que pode, com tempo, atenuar a desigualdade de oportunidades. É mesmo uma espécie de muro que não ultrapasso e que, ao longo da vida, me desviou de algumas organizações políticas. Não sou, todavia, um defensor acrítico da ideia. Só se defende uma causa destas se acreditarmos na melhoria do seu desempenho organizacional e no seu progresso.

 

Os últimos dias têm andado à volta dos legados a propósito da nossa melhoria nos resultados PISA que, como todos os estudos empíricos nesta área, têm limitações. Não caio no argumentário impreparado que isola a escola do que a rodeia. Há muito que defendo este algoritmo. A sociedade, e o seu índice socioeconómico combinado com a ambição escolar, representa um papel fundamental como se comprova, pela enésima vez, com uma leitura atenta do PISA 2012. Os nossos resultados estão muito ligados aos progressos da nossa sociedade que foram interrompidos nos últimos anos e agravados pela centralidade dos professores no apontar de dedo dos nossos últimos governos. A agenda, que tem mais de uma década, que defende que "tudo está mal na escola pública" mediatizou a crise muito para além do real.

 

A escola vive, por definição, em crise. A mediatização do fenómeno transformou-a em arremesso ideológico. Ainda ontem ouvi um ex-ministro da área ideológica que governa a mudar de agulha de forma que me impressionou. Há uma duas semanas ouvi-o apontar a Suécia com um exemplo da privatização que defende para o sistema escolar. Como o PISA 2012 é inequívoco na demonstração da queda continuada da Suécia, passou a defender os asiáticos que têm 50 alunos por turma. Estes actores, impregnados de basismo ideológico a tocar o fanatismo, ajudam a explicar a prevalência das desigualdades que vai ler a seguir.

 

Ontem, Obama fez um discurso fundamental para se compreender a crise vigente que também afecta Portugal e o seu sistema escolar. 

 

 



Arendt considerava que a crise geral que se vivia no mundo moderno, em meados do século XX, abrangia os variados domínios da vida humana e eclodia nos diversos países, com saliência para Estados Unidos da América.

 

Uma das componentes mais críticas centrava-se na crise periódica da educação, que se tinha transformado num problema político central com repercussões diárias no mundo dos jornais, e sublinhou que “(...)uma crise na educação suscitaria sempre graves problemas mesmo se não fosse, como no caso presente, o reflexo de uma crise muito mais geral e da instabilidade da sociedade moderna.(...)”.

 

 

Arendt, H. (2006:195).

Entre o passado e o futuro. Oito exercícios sobre o pensamento político.

Lisboa: Relógio D´Água.




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Quinta-feira, 28.11.13

 

 

 

 

"Uns exportam, outros manifestam-se", disse o irrevogável vice-primeiro-ministro no enésimo sound bite do seu frenético magistério.

 

Percebeu-se desde o início que este Governo colocaria os portugueses em confronto passando a mensagem de que quem se manifesta não produz. A crescente crispação das últimas semanas é a inevitável resposta dos adversários do Governo onde se inclui o derradeiro documento papal que parece dirigido à opus dei.

 

O além da troika é imperdoável e os convites à emigração e ao empobrecimento dilacerantes.

 

Há muito que se adivinham sérios problemas demográficos e percebe-se o silêncio embaraçoso dos governantes. Mas seria sei lá o quê reduzir aos últimos dois anos essa anunciada descida ao inferno.

 

A quebra da natalidade agravou-se com os jovens que "exportámos", 120 mil no último ano mais os imigrantes que regressaram aos países de origem, e pelas políticas que eliminaram a preocupação com a demografia. E até nisso a frase inicial do irrevogável é imperdoável. Ouvi-a e seguiram-se imagens de professores contratados (entre os 25 e os 45) em manifestação. São os sobreviventes da "exportação" em massa e do maior despedimento colectivo da história perpetrado por este Governo tão orgulhoso do feito histórico. Dizer-lhes que não produzem é acusá-los de parasitismo e isso só pode ter origem na mente de um governante incendiário e altamente perturbado com os resultados das suas, outrora abençoadas, correrias histéricas.

 

 



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Terça-feira, 26.11.13

 

 

 

 

A história não se repetirá exactamente, mas há uma ou outra semelhança entre o que vivemos e o PREC. Desde logo por causa da colectivização em curso, mesmo que de sinal contrário.

 

Há um aspecto que não sei se se repete: na actualidade há cada vez mais pessoas sem qualquer rendimento e que caem no registo "não-há-mais-nada-a-perder" e não me lembro se no PREC a situação era sequer parecida.


Mas houve, nas manifestações mais mediatizadas, uma tónica comum: no PREC tínhamos os MRPP, os AOC, os UDP e por aí fora que eram instrumentalizados, até internacionalmente, e que apareciam para criarem confusão e desmobilizarem as pessoas. É bom observar por onde andam principalmente os primeiros, os tais do MRPP, e isso leva-nos a pensar que haverá uns infiltrados preparados para fazerem o jogo do costume e com treinadores com décadas de experiência.

 

 

 

(Já usei parte deste texto noutro post)



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Sexta-feira, 22.11.13

 

 

 

 

 

 

Daqui



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Sábado, 26.10.13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tenho a sensação que em Portugal, e a nível político, tudo pode acontecer. São já várias as vozes que temem pela democracia. Há um silêncio que alguns explicam pela emigração de 200 mil jovens adultos nos últimos dois anos. É uma explicação. Mas hoje realizaram-se em várias cidades do país manifestações enquadradas pelo "que se lixe a troika". As pessoas estão exaustas, desesperançadas e manifestam uma revolta contida que é resultado de constantes humilhações e insultos. São sinais muito importantes e espera-se que tenham consequências como as que muito politólogos reconheceram em 2011.

 

 

 

 

Tiago Miranda (foto tirada por telemóvel) Manif em frente à Assembleia da República





Daqui.

 

 



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Mais informação aqui.



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Domingo, 20.10.13

 

 

 

 

 

É notório que os jovens vão desaparecendo das manifestações. No caso dos professores, regista-se a queda da participação mais jovem a cada acção de protesto. O fenómeno é explicado pela "impossbilidade" dos mais novos entrarem na carreira ou sequer como contratados. São já muito raros os jovens professores.

 

O Público dá conta do desaparecimentos dos jovens da manifestação de ontem.

 

Mas ainda há jovens adultos em número significativo? Repare-se no movimento que se "lixe a troika", e, mesmo antes disso, no que derrubou Sócrates, que era constituído maioritariamento por jovens muito activos nas redes sociais. Se emigram 100 mil jovens por ano, e nos últimos dois anos saíram 200 mil, então está tudo explicado. Os que ficam têm uma situação ainda aceitável ou alguma perspectiva disso; mas são muito poucos e não se manifestam.

 

 

 

 



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Sexta-feira, 18.10.13

 

 

 

 

 

As autoridades competentes declararam que a ponte 25 de Abril aguenta com muito mais peso do que o previsto para a manifestação de amanhã. Afinal, aguenta, aguenta, como já se comprovou em tempos recentes e até com o patrocínio da EDP e da Vodafone.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Sexta-feira, 21.06.13

 

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 16.06.13

 

 

 

 

 

 

Se há cinco anos foram mais de 120 mil, ontem estiveram cerca de 80 mil a descer a Avenida com o nome mais adequado ao que está em causa: Liberdade. E se trago os números é apenas para evidenciar uma constatação: em 2008 eram cerca de 140 mil professores e hoje são pouco mais de 100 mil.

 

O que mais cansa ouvir é o argumento da instrumentalização dos professores. A essa diabolização, os professores deram uma resposta em defesa dos seus alunos, da qualidade do ensino e da igualdade de oportunidades e com o olhar nos alunos "que não querem aprender" e no abandono escolar. Se a discussão política insistir no jogo argumentativo descrito, a breve prazo não ficará "pedra sobre pedra" nos importantes avanços do nosso sistema escolar nas últimas décadas.

 

É exactamente este o discurso que o cinismo das nossas "elites" não suporta ouvir. O objectivo "reformista" quer a todo o custo ocultar os progressos para abrir espaço à educação como um negócio.

 

A manifestação de ontem foi impressionante. O grito de saturação dos professores exige soluções de curto e médio prazos. Os professores não ignoram o milhão de desempregados do país, já que convivem diariamente com os educandos das pessoas atingidas pelo flagelo neoliberal que só protege outro tormento: a corrupção. Mas os professores também sabem que são o grupo profissional da administração pública que é, há anos a fio, mais devastado pelo desemprego.

 

Os professores estão saturados por serem usados como uma espécie de "carne para canhão" que serve para uns estratosféricos andaram pelo mundo a exibirem os seus modelos excel. Estão saturados, mas firmes; e continuam a dar lições de cidadania.

 

A meio da avenida fiz umas fotos. Quer olhasse na direcção do marquês ou dos restauradores, o registo de um mar de indignação enchia-me de orgulho por ser professor em Portugal.

 

 

 

 

 

 

 

 

Um vídeo com reportagens nos três canais generalistas. 

 



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Sexta-feira, 14.06.13

 

 

 

Ao contrário de outras alturas também decisivas para os alunos e para a os seus professores, os sindicatos estão a manter a discussão centrada no essencial. Se a defesa da escola pública é há muito uma luta muito desigual, desta vez é menos assim e o Governo encontra-se isolado com o desastre das políticas para além da troika. Esperamos que os próximos desenvolvimentos não voltem a quebrar a espinha dorsal de quem defende com coragem a liberdade e a democracia.

 

 



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Domingo, 02.06.13

 

 

 

Quando os fanáticos do Estado mínimo se convenciam que os funcionários públicos estavam anestesiados, eis que os professores avançam para uma acção de luta de alto risco. Por muito que Portas e Passos se desdobrem em apelos que visem o ciúme social anti-professor, a força da razão fará o seu caminho.

 

Já foi assim na desgastante luta contra a terceira via socialista offshoriana. Espera-se que, desta vez, os sindicatos não traiam o exemplo de cidadania dos professores portugueses ou que estes não enfraqueçam a sua capacidade negocial. Estes assuntos dizem respeito a todos e já nem os que se reformaram podem olhar apenas para os seus interesses.

 

Como já muitas vezes escrevi, apoio todas as movimentações que me parecem justas e esta é mesmo decisiva. 

 

 

 

 

 



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Sábado, 01.06.13

 

 

 



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Terça-feira, 28.05.13

 

 

 

Há mais de uma semana que circula o email, devidamente assinado, que vai ler a seguir. Já o recebi várias vezes com pedido de publicação, mas não tenho acedido à solicitação porque não gosto de contribuir para acentuar a angústia que se vive no seio dos professores. Tenho ideia que o conteúdo é um ponto de partida negocial, mas mesmo isso deve ser considerado suficientemente grave. Ora leia.

 

 

"Em virtude da reunião ocorrida na passada semana (sexta-feira) entre o Ministério da Educação e a (...), tenho a transmitir-vos resumidamente as informações que nos foram dadas pelo Ministério (na pessoa do secretário de estado do ensino básico e secundário):

 

1.º Os Diretores de Agrupamento vão perder a subvenção que têm usufruído até à data pelo cargo que ocupam, uma vez que a mesma é considerada um suplemento remuneratório. O mesmo também se aplica aos demais funcionários que recebem suplementos;

 

2.º Os professores que se encontrarem em horário zero em setembro passam automaticamente para a mobilidade especial;

 

3.º Todas as bonificações previstas no ECD que permitiam aos professores obter progressão mais rápida na carreira terminam;

 

4.º A equiparação das tabelas remuneratórias dos funcionários públicos e do privado deverão levar a uma redução salarial entre 15 a 20% a aplicar até 2015;

 

5.º O aumento de trabalho irá passar de 35 horas para 40h, sendo que nos professores implicará um aumento de 3h na carga letiva, a aplicar a todos os professores, independentemente das reduções que possam beneficiar até ao momento;

O art.º 79.º está previsto acabar, estando a sua extinção ainda em estudo, se deverá ocorrer já em setembro de 2013 ou setembro de 2014;

 

6.º O ECD será revisto e para além das alterações previstas decorrentes do atrás exposto devem também introduzir novos artigos que preveem o despedimento por extinção de lugar, bem como a passagem à situação de mobilidade pessoal.

 

(...)

 

Com os melhores cumprimentos"

 



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Sábado, 25.05.13

 

 

 

 

 

 

Que saiba, ainda não se leu uma frase do PS sobre a situação dos professores.

 

A única quebra no silêncio protagonizou-a Maria de Lurdes Rodrigues (MLR). A ex-ministra pôs-se do lado do Governo na anunciada greve aos exames com a exibição do seu despacho de serviços mínimos.

 

É evidente que não se conhece a influencia de MLR no actual, e silencioso, PS. E a supressão de palavras não aceita justificações sofisticadas, uma vez que o partido da rosa não se coíbe de criticar o Governo nos mais variados assuntos.

 

 

 

 

 

Tema em destaque na primeira página no Público de hoje

 

 

 



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Terça-feira, 21.05.13

 

 

 

 

É mais do que natural que as organizações ligadas ao ensino apoiem (até a FNE já decidiu assim) as acções de luta em defesa da escola pública, da qualidade do ensino e da empregabilidade dos professores.

 

As greves que se avizinham são acções radicais, mas justas. Parece que vão envolver, naturalmente, todos os sindicatos da função pública. Espera-se, como refere aqui o Paulo Guinote, que as organizações de encarregados de educação e de dirigentes escolares se associem a esta vaga de contestação.

 

Mais alunos nas turmas, supressão de disciplinas e de horas curriculares e modelo de gestão escolar que "amontoa" escolas, são variáveis que provocaram horários zero entre os professores, que baixaram a qualidade do ensino e que aumentaram o abandono escolar principalmente se se considerar a escolaridade obrigatória de 12 anos. Era evidente que aconteceria tudo isso e o principal objectivo governamental desagua numa intolerável proposta de mobilidade especial. É uma hora decisiva e ninguém poderá dizer que não foi avisado.



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Quinta-feira, 16.05.13

 

 

 

A plataforma de sindicatos de professores anunciou hoje a realização de fortes acções de luta. Esta união é um sinal muito positivo numa fase decisiva na defesa da escola pública.

 

Já é consensual a injustiça que se tem abatido há anos a fio sobre os professores portugueses. É evidente que podemos concordar ou não com algumas das acções de luta, mas o que se eleva é a união dos sindicatos. Dá ideia que está em construção mais uma forte vaga de contestação.






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Quarta-feira, 03.04.13

 

 

 

 

Dezenas de milhares de professores contra aumento do horário escolar na Dinamarca

 

"(...)Há dois dias que perto de 900 mil alunos não têm aulas na Dinamarca. Cerca de 90 mil professores estão nas ruas, num protesto inédito no país, contra o aumento das horas de aulas semanais e que seja dado poder aos municípios para determinarem os horários escolares.(...)"



Entre outros detalhes, é interessante registar o desacordo entre os sindicatos de professores e os municípios sem a interferência do Governo. Este tipo de negociação não é replicável em Portugal, embora existam vários motivos para uma contestação semelhante.

 

Os professores portugueses têm perdido uma série de oportunidades nos últimos anos.

 

Os mais destemidos acabam por ficar isolados, enquanto a maioria prefere tratar da vidinha. Os resultados da tal vidinha prejudicam todos e a vidinha-tout-court também se vai danificando seriamente.

 

E depois existem aquelas lutas da família das abstenções violentas como se pode ler nesta notícia: FNE e FENPROF receiam pela qualidade de ensino com a criação de mais agrupamentos. É: o receio destas centrais assusta qualquer um. É melhor que os agarrem. É também a ladainha habitual: a qualidade descerá depois de mais 18 agrupamentos, quando andamos neste desmiolo há mais de dez anos, com acentuado desnorte nos últimos seis, e com centenas de agrupamentos e comprovada perda de qualidade.



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Terça-feira, 05.03.13

 

 

Quando se nacionalizou o BPN, o argumento que mais pesou foi a possível corrida aos levantamentos bancários provocada pela incerteza e que originaria falências em catadupa: a tal crise sistémica.

 

A nacionalização absolveu milhares de milhões de euros de corrupção comprovada e o banco voltou à iniciativa privada por uns míseros milhões. Um negócio que a história retratará na sua monstruosa dimensão.

 

Mas não ficou por aqui. Os contribuintes das classes média e baixa tinham de financiar o aumento da dívida (para recebrem salários, imagine-se) provocada pela banca e os credores exigiam juros altíssimos: a celebre pré-bancarrota. Era necessário um Governo que perpetrasse o desfalque e o actual não teve com panaceias: cortou a eito, de forma instantânea e abundantemente elogiada.

 

A dívida portuguesa foi a mais lucrativa de 2012 (juros altíssimos e pagos a pronto pelos contribuintes, pensionistas incluídos) e a banca portuguesa conseguiu lucros invejáveis com a compra da sua própria divida. Estranho? Nem por isso. É tudo muito sistémico.

 

Mais uma detalhe: só faltava que alguns dos mentores bancários, agora pensionistas, andassem a gozar com as pessoas e integrassem as manifestações como "movimentos de reformados indignados". Os portugueses têm fama de serenos, mas testes de stress desta dimensão podem acabar mal.



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Segunda-feira, 04.03.13

 

 

 

Passei o 2 de Março nas Caldas da Rainha, mas vou lendo que o silêncio marcou as grandes manifestações em Lisboa e no Porto. Dá ideia que as pessoas caminhavam desesperançadas e que carregavam o desânimo. Mais do que contar quantos eram (ninguém duvidará que foi uma manifestação histórica), importa que quem governa escute o silêncio antes que expluda o funil da civilidade.

 

 



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Domingo, 03.03.13

 

 

 

 

É com relativa perplexidade que leio a argumentação que desvaloriza a manifestação de ontem. Alguns governantes, mais os fanáticos ideológicos, acompanhados de comentadores do friso mainstream fazem um papel algo arriscado. Tenho ideia que não estão a ler a realidade. Devem ter as lentes embaciadas ou viradas para outro meridiano.

 

Gostei especialmente de dois registos blogosféricos.

 

O Paulo Guinote é definitivo no contraditório com os anti-que-se-lixe-a-troika: "A manifestação que falta - De apoio ao Governo e à política actual, de louvor à troika. Se quiserem posso ceder o meu terraço… Tem coisa de 15 metros quadrados… dá para quase 50, vistos de helicóptero...(...)".


O Mário Carneiro captou muito bem a atmosfera do 2 de Março: "Lisboa. Os rostos fechados predominaram sobre as palavras de ordem, sobre as cantilenas e até sobre a «Grândola Vila Morena». Pairou o ar pesado de quem sofre, de quem se sente enganado, de quem ainda contém a revolta. Os momentos de festa e de humor escassearam. O silêncio imperou durante partes significativas do desfile. Por vezes a marcha parecia fúnebre. Só os passos se ouviam.


Era importante que estas duas descrições da realidade não escapassem a quem diz que governa o país e que evitassem seguir o caminho da confrontação sugerido por Marcelo Rebelo de Sousa.





Foto de Luiz Carvalho.



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Foi uma semana marcada por sinais importantes na Europa e nos EUA. Se Obama tem que fazer cortes, que considera disparatados, por conta dos republicanos, os europeus têm de perceber de vez a necessidade de fazer política de forma diferente da habitual depois do fenómeno italiano "Grillo-5-estrelas" e do "que se lixe a troika" português.

 

Urge uma qualquer viragem e espera-se que os egoísmos e as soberbas não deitem de novo tudo a perder. Se assim não for, se não existir uma réstia de esperança e de humildade, podemos prever que o que vem aí será ainda pior e que desaguará numa tragédia de dimensões imprevisíveis. Não foi assim na história recente?



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Sábado, 02.03.13

 

 

 

Este post será actualizado até amanhã com imagens que encontro na rede ou que chegam por email.

 

 

 


Foto de Francisco Salgueiro (obtida no palco em Lisboa).






Foto de Manuel Sanches em Lisboa.







Foto disponibilizada por Filomena Branco (manifestantes em Estocolmo).







Foto de António Duarte em Coimbra (do blogue do Paulo Guinote).






Foto de Gazeta das Caldas em Caldas da Rainha.







Foto disponibilizada por Sílvia Guedes. Imagens do Porto.






Foto de Egídio Santos no Porto.



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Começou cedo, 14h30, o 2 de Março de 2013 nas Caldas da Rainha. Foi das cidades onde a organização manteve durante mais tempo a lição de civismo. Foi uma tarde bem passada e que correspondeu ao espírito de protesto que se viveu em todo o país.

 

 

 

 

Por volta das 15h00 na Praça 25 de Abril (onde se montou o palco). 

 

 

 

 

O movimento Em Defesa da Escola Pública do Oeste marcou presença com um desenho de António Ramalho.

 

 

A manifestação terminou com a "Grândola Vila Morena".


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A manifestação de 2 de Março de 2013 está a cumprir o prometido e é um marco histórico neste tipo de protestos. É um impressionante grito de unidade e uma lição de civismo. Os números são inequívocos: estamos na presença da maior manifestação da História. Mais do que isso: o ambiente de protesto é uma lição e um sério aviso que deve ser escutado com toda a atenção.

 

 

 

Tiago Miranda (fotografia tirada por telemóvel)



Imagem recolhida na rede sem referência ao autor.



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publicado por paulo prudêncio às 13:25 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:50 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 01.03.13

 

 

 

 

 

 

 

Hesitei entre uma das "minhas" cidades e a capital para participar no prometedor 2 de Março de 2013.

 

Como prevejo uma jornada única e histórica em Lisboa, a exemplo do inesquecível 15 de Setembro de 2011, gostava de estar presente.

 

Já decidi que vou começar pelas Caldas da Rainha, às 14h30, e logo se vê.

 

Apesar do concelho ser demasiado águas mornas e fã do aparelhismo, é bom não esquecer a história recente do sistema escolar.

 

Foi aqui que surgiram a valorosa e inesquecível Santo Onofre, em combate ao Socratismo-lurdismo, e alguns dos movimentos de professores com saliência para o recente Em defesa da Escola Pública no Oeste.


E depois há toda uma série de resistentes que farão do 2 de Março uma jornada que valerá a pena.



publicado por paulo prudêncio às 12:18 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quinta-feira, 28.02.13

 

 

 

A troika (e a malta para além dela) está hesitante como nunca se tinha visto. A incógnita substituiu a soberba ideológica e a indecisão tomou o lugar da decisão dura e sorridente. O medo vai mudando de sítio, como sempre acontece. Será do frio ou do 2 de Março? Sócrates caiu com o 15 de Setembro de 2011 e a troika (e a malta para além dela) não o ignora. É bom que intuam que as coisas acalmaram porque existiu a queda.



publicado por paulo prudêncio às 21:35 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

 

Está completamente fora do meu ideário manifestações inaceitáveis como a de ontem na Faculdade de Direito com um coelho enforcado. É, para além de tudo, mau gosto; muito mau gosto.

 

Tenho ideia que a vaga "que se lixe a troika" tem uma dimensão imensurável e é escusado encontrar "responsáveis". É tão despropositado e desconhecedor apontar estes ou aqueles, como considerar que o episódio grotesco do coelho foi uma conspiração da JSD que seguiu a sugestão de Marcelo Rebelo de Sousa para se "opor" à Grândola Vila Morena. 

 

Qualquer que seja o veredicto, não é boa ideia inventar actos disparatados nem sequer convocar grupos para combaterem os adversários.



publicado por paulo prudêncio às 18:03 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 27.02.13

 

 

 

 

 

 

Há muito que nem sei o que responder a quem interroga o valor do dia seguinte às manifestações, greves e por aí fora. São interrogações que acabam na mesma família da que desvaloriza a ideia de protesto com a acusação da não apresentação de propostas. A História tem mostrado que vale muito protestar e os últimos dias têm sido férteis em sinais.

 

O protesto pelo protesto é tão válido com um qualquer caderno de propostas. O fenómeno do Grillo-italiano é mais uma evidência. Mesmo quando propõe 1000 euros de retribuição mínima ou 20 horas de trabalho semanal, sabe que está no domínio da comédia e que a brincar, a brincar se podem dizer coisas muito sérias. Quando exige o fim da imunidade parlamentar continua a fazer tremer o status quo

 

Impressionei-me com o apoio de Joseph Stiglitz ao Grillo-italiano. O comediante eleito financiou a sua campanha e até tem um iate e um ferrari. O eleito diz que só critica e não governa e ponto final. E já há quem diga que pode ter colocado alguma gente nos eixos e mesmo que um novo Monti forme Governo.



publicado por paulo prudêncio às 21:25 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar


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25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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